Portuguese, Stateless Embassies
Com “socialistas” como os da Lawrence & Wishart, quem precisa de capitalistas?

No último exemplo de um fenômeno tão antigo quanto o estado, Stan McCoy — ex-chefe de representação comercial dos Estados Unidos especializado em “propriedade intelectual”, que escreveu o Acordo Comercial Anticontrafação e o capítulo sobre PI da Parceria Trans-Pacífica — acaba de receber um confortável emprego na Motion Picture Association of America (MPAA). Ele é apenas um entre dezenas de representantes de comércio dos Estados Unidos que assumiram novas posições dentro de grupos industriais no ano passado.

É por isso que é perda de tempo dedicar esforço e recursos para trabalhar dentro do sistema e moldar as leis. Fazê-lo é o mesmo que lutar contra o inimigo de acordo com as regras dele, em território desfavorável, onde ele possui a vantagem de poder preparar suas defesas.

Os teóricos de guerra da Blitzkrieg alemã possuíam uma expressão, Schwerpunkt, para o ponto decisivo em que uma formação militar penetrava as linhas de frente das forças inimigas e imediatamente atravessava a concentração principal de inimigos, a isolava e cercava pela retaguarda. John Robb, um dos principais teóricos dos modelos militares integrados da “quarta geração”, cunhou o termo “Systempunkt” para o fenômeno análogo dentro de conflitos em rede.

Na Segunda Guerra Mundial, as campanhas de bombardeios dos Aliados sobre a Alemanha destruíam infraestruturas inteiras — uma usina elétrica, cabos de força, pontes, ruas, ferrovias etc —, uma de cada vez. Elas eram capazes de executar a tarefa extremamente custosa de destruir essas infraestruturas inteiras, quilômetro por quilômetro, por conta de sua esmagadora superioridade aérea e produção industrial muito maior. O conceito do Systempunkt, por outro lado, é ilustrado pela Al Qaeda no Iraque, com a prática de atacar apenas alguns nódulos chave de infraestrutura, os quais — embora representem 1% ou menos do total da infraestrutura física — torna inutilizáveis os outros 99% que permanecem intocados. É uma estratégia muito mais eficiente.

Para aqueles que lutam pela liberdade de informação e por outros movimentos associados à economia sucessora, a tentativa de combater os interesses já estabelecidos através do controle do estado é como a tentativa de tomar o controle de toda a infraestrutura do país, quilômetro a quilômetro. São como um exército que tenta destruir por completo a infraestrutura inimiga quando não apenas não possui superioridade material em relação ao inimigo, mas também é superado em números numa proporção de 10 para 1 — ou até de 100 para um. É completamente insano.

Nós somos capazes de tornar o estado corporativo inoperante usando talvez somente 1% dos recursos necessários à captura do estado através do processo político, através do ataque à sua capacidade de repassar subsídios, promover privilégios e estabelecer monopólios às grandes empresas. A capacidade de atuação é o Systempunkt da economia capitalista de estado.

A indústria de conteúdo proprietário e todos os outros negócios que ganham dinheiro através da extração de rendas com patentes, copyrights e marcas registradas sempre controlarão as políticas de “propriedade intelectual” do estado. É para isso que o estado existe. A tentativa de combater seu dinheiro e sua influência política com as regras do sistema seria análoga a jogar recursos no lixo. Por uma pequena fração do mesmo dinheiro e esforço, podemos fazer as patentes e os copyrights se transformarem em letra morta por meio de criptografia mais forte, servidores proxy, downloads via torrent e movendo a hospedagem de websites para países que não recebem ordens da MPAA e da RIAA (é por isso que o Centro por uma Sociedade Sem Estado, para o qual eu escrevo este artigo, está levando seu site para a Islândia).

Quando o governo americano tomou o domínio do Wikileaks, milhares de servidores em todo o mundo (inclusive o C4SS) responderam fazendo um mirror do site. E milhares de pessoas blogaram e tuitaram o endereço numérico do IP dos sites do Wikileaks em vários países para que as pessoas pudessem acessá-lo diretamente pelo IP, em vez de utilizar o domínio. Então, quando o governo americano tomou nomes de domínio em massa de supostos sites “transgressores”, em nome da indústria musical e cinematográfica, a Mozilla Foundation desenvolveu extensões para o navegador Firefox para driblar os nomes dos domínios e acessar diretamente o endereço numérico de IP dos sites. Como afirmou Bruce Sterling, passamos a “tratar a lei como dano e contorná-la”.

Agora existe o BitTorrent Sync, um utilitário que permite que quaisquer duas pessoas que o tenham instalado e saibam uma senha comum possam transferir torrents diretamente de um computador a outro, com criptografia segura nas duas pontas. É como o que acontece quando você usa seu cursor para mover um arquivo até o ícone do Dropbox — mas a informação não está armazenada num local permanente dentro da nuvem e está criptografado. Trata-se de um sistema de compartilhamento de arquivos totalmente computador-para-computador, P2P. Assim, não importa o que dizem a Parceria Trans-Pacífica e outras leis draconianas pró-copyright. Se duas pessoas possuírem o BitTorrent Sync, elas podem compartilhar um arquivo. Os grandes produtores de conteúdo perderam a guerra, de uma vez por todas. Estão mortos — apenas não sabem ainda.

O que me leva a um acontecimento recente interessante: Lawrence & Wishart, uma editora de esquerda que possui os direitos para a enorme edição em língua inglesa dos trabalhos coletados de Marx e Engels (de mais de 50 volumes), exigiu que o Arquivo Marxista na Internet — uma incrível biblioteca virtual que não inclui apenas as obras de Marx e Engels, mas também uma coletânea impressionante de outros autores, como Rosa Luxemburgo, Antonio Gramsci, C.L.R. James e Walter Rodney — retirasse de seu site os trabalhos coletados até o dia 30 de abril. Feliz Dia do Trabalho, camaradas!

Qualquer pessoa que tenha alguma familiaridade com a internet podia prever o que aconteceria: uma enorme reação da esquerda para a qual a Lawrence & Wishart estava completamente — e naturalmente — despreparada. No dia 21 de abril, publicaram uma nota em seu site, choramingando por terem sido sujeitos a uma “campanha online de perseguição” porque haviam “pedido para seus direitos autorais” (snif!) “serem respeitados”.

Tirando a desprezível demonstração de auto-piedade e a absurda noção de que estão certos nesta questão, a declaração reflete, mais do que tudo, falta de tino empresarial. “Em última análise, ao pedir que a L&W abra mão de seus direitos autorais a esta edição em particular dos trabalhos de Marx e Engels, [o Arquivo Marxista] e seus apoiadores estão pedindo para que a L&W, uma das últimas editoras radicais e independentes do Reino Unido, cometa suicídio institucional”. Isso é pura conversa fiada. A edição física dos trabalhos coletados, se comparada em conjunto ao invés de volumes separados, é vendida por £ 1.500, o que é equivalente a mais de R$ 5.600. Se a Lawrence & Wishart conseguir mostrar que alguma pessoa, em qualquer lugar do mundo, tenha deixado de gastar mais de cinco mil reais na edição em papel completa dos trabalhos de Marx e Engels por causa da edição disponível no Arquivo Marxista, eu comerei minha mão esquerda — crua e sem sal. A edição dos trabalhos coletados não custam a Lawrence e Wishart nem mesmo uma só venda. A edição online só compete com uma visita à uma biblioteca universitária e é mais propaganda para a versão em papel. Em outras palavras, Lawrence & Wishart é dominada pela mesma estupidez abjeta das indústrias musical e cinematográfica — isto é, as agonizantes indústrias musical e cinematográfica.

Não só essa editora é tão estúpida quanto as indústrias de músicas e filmes, mas sua tentativa de limitar a disseminação de informações livres e infinitamente replicáveis está sendo tão fracassada quanto a tentativa daquelas indústrias falidas. Não há dúvidas de que serão feitos mirrors para o Arquivo, com seu conteúdo atual, em muitos sites em todo o mundo. Neste interim, porém, todo o conteúdo em inglês do Arquivo Marxista — inclusive a edição dos trabalhos de Marx e Engels — está disponível para download no The Pirate Bay. Os próprios trabalhos coletados estão disponíveis como arquivo .zip no Sendspace. Tenho uma cópia deste último no meu disco rígido e funciona perfeitamente bem — os arquivos abrem no navegador e são exatamente iguais à versão online. Recomendo que qualquer pessoa que imagina que em algum momento do futuro possa ter interesse em acessar os trabalhos coletados online faça isso imediatamente — e que compartilhe com amigos através do BitTorrent Sync!

Fique com seu copyright, Lawrence & Wishart, se o quer tanto. Eu adoro o cheiro de capitalistas queimando pela manhã.

Traduzido do inglês para o português por Erick Vasconcelos.

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“Tax Day: What Kind of ‘Civilization’ Are We Paying For?” on C4SS Media

C4SS Media presents ‘s “Tax Day: What Kind of “Civilization” Are We Paying For?” read by James Tuttle and edited by Nick Ford.

Even if government did tax the plutocracy at 100% and give it back to the public in the form of some kind of guaranteed income, it would be utterly stupid. It would just be taking with one hand and giving back with the other, eating up half the money in administrative costs. Far more sensible would be for the state to simply stop helping the rich rob us in the first place: Abolish patents and copyrights, absentee titles to unimproved land, entry barriers for small businesses, regulatory constraints on self-employment and home-based businesses that compete with brick-and-mortar establishments, and the like. But you know the state’s not going to do that, because enforcing an exploitative system of power is what it DOES.

Commentary
Education and Equity

In a New York Times letter to the editor (“Invitation to a Dialogue: Unequal Schooling,” April 22), Heather Gautney – a professor of sociology at Fordham University – expresses understandable dismay at the inequitable distribution of resources in the public school system. After citing the common American belief that “education is the great opportunity equalizer – a silver bullet that can lift kids out of poverty and transform them into productive citizens,” she goes on to note that this is only true for some. The reality is that “race and social class largely determine the quality of one’s educational life, from pre-K to graduate school.”

The de facto racial segregation of the educational system, in terms of the gross inequality of resources devoted to schools in different cities and neighborhoods, is indeed a matter for concern. But there is a sense in which schooling would remain fundamentally unequal even if per pupil funding and quality of teachers were the same everywhere. That reason is that the basic function of the public schools, by their very nature, is to reproduce the unequal structure of power in society at large.

It’s important, in considering these issues, to keep in mind who are the clients and who are the products of the public school system. The public schools, from their very beginning, were factories for processing raw material – children – into human resources. The first organized state public school systems came about in New England to serve mill owners’ needs for a work force trained to show up on time, line up at the sound of a bell to eat and void their bladders, and obey orders from authority figures behind desks. Work discipline and acceptance of the distribution of power in our economic system are the primary form of “learning” in even the richest schools.

This is coupled with another lesson, described by Ivan Illich as confusing process with substance: That is, accepting our status as passive consumers whose needs are all met through the mediation of professional bureaucracies. Health, nutrition and safety are equated to the operation of the bureaucracies officially tasked with providing those goods: “Medical treatment is mistaken for health care, social work for the improvement of community life, police protection for safety …” The converse is that meeting one’s needs autonomously, or through the kind of horizontal association with one’s peers that anarchists from Pyotr Kropotkin to David Graeber have written about, is impermissible. The student is taught to “view doctoring oneself as irresponsible, [and] learning on one’s own as unreliable.”

So long as the structural distribution of political and economic power in the outside society remains unequal, the belief that educational attainment is a great equalizer reflects a fallacy of composition. Given a society based on centralized institutions with managerial hierarchies, the total need for people in managerial positions will always amount to a small minority of society. There can be only a limited number of pharaohs; giving everyone a first-class education just increases the number of college-educated people treading straw and mud into bricks or dragging granite blocks.

Any genuine proposal for educational reform will have to start with the distribution of power and privilege in society at large. And the idea that the state — whose main function is to serve, maintain and reproduce this distribution of power — would treat students as anything but a product churned out for its real clientele’s use defies credulity.

Stigmergy - C4SS Blog, Weekly Libertarian Leftist Review
The Weekly Libertarian Leftist And Chess Review 27

The second part of Richard Ebeling’s discussion of individual self-determination vs Russian or Ukrainian or Russian nationalism.

Andrew J. Bacevich reviews The Education of an Anti-Imperialist: Robert La Follette and U.S. Expansionism.

Justin Raimondo compares the American invasion of Afghanistan with the Russian invasion of Crimea.

Philip Giraldi discusses Gareth Porter’s new book titled Manufactured Crisis: the Untold Story of the Iran Nuclear Scare.

Tariq Ali discusses how Putin became bad.

Alexander Reid Ross discusses the national anarchists.

Patrick Cockburn discusses cracks in the House of Saud.

Chris Hedges discusses fighting against the militarized state.

Paul H. Rosenberg interviews Russ Bellant on American ties to Ukrainian Nazis.

Kevin Carson discusses how not to respond to charges of hypocrisy.

Kelly Vlahos interviews Gareth Porter on Iran’s alleged nuclear weapons program.

John Glaser discusses trusting the government in light of the NSA spying scandal.

The NACLA discusses the 1964 military coup in Brazil and the subsequent military dictatorship.

Dylan Deltika discusses privilege and freed markets.

Jacob G. Hornberger discusses why the U.S. government should not intervene in Venezuela.

Jacob G. Hornberger discusses why military tribunals are un-American.

David Swanson discusses the 15 year murder spree of NATO.

Sheldon Richman discusses thick libertarianism.

Kevin Carson discusses self-governance.

Uri Avnery discusses how the Adelsons and Olmerts corrupt democracy.

Tanya Golash-Boza discusses deportations under Obama.

Jose Martinez discusses the Fort Hood shootings as blowback.

Cesar Chelala discusses the case for Donald Rumsfeld’s prosecution.

Nozomi Hayase discusses the conscience of Chelsea Manning.

Chris Hedges reviews The Corpse Exhibition: And Other Stories of Iraq.

W.J. Astore discusses the hubris of U.S. foreign policy.

Medea Benjamin and Kate Chandley discuss the downward spiral of killer U.S. drones.

L. Neil Smith discusses “Adam Weinstein”.

Michael Adams defeats Evgeny Bareev.

Michael Adams defeats Natalia Zhukova.

Spanish, Stateless Embassies, Stigmergy - C4SS Blog
Informe del coordinador de medios hispanos, abril 2014

Informe del coordinador de medios hispanos, abril 2014

En abril detecté cinco reproducciones de nuestros artículos, cuatro publicadas por Before It’s News, una publicada por el blog del periódico anarquista venezolano El Libertario, y otra por el blog mexicano de noticias alternativas Pijama Surf. Al final publicaron “Si estás leyendo este artículo, probablemente seas un terrorista” de Kevin Carson, en lugar de “Brasil Arderá de Nuevo” de Erick Vasconcelos, como les dije en mi último informe.

En mi último informe también les comenté que la versión colombiana de la revista Vice quería publicar “Bitcoin Debe Autorregularse, el Estado Solo Puede Destruirlo”, de Christiaan Elderhorst, lo cual al final lamentablemente no sucedió. Pero sigo en comunicación con ellos, por lo que espero ver nuestro material publicado en esa revista en el futuro próximo.

También les dije en mi último informe que América Economía, una prominente revista argentina de negocios leída en toda América Latina, estaba interesada en publicar nuestros artículos de opinión. Todavía estamos coordinando algunos detalles –como tomar fotos de más alta resolución a nuestros colaboradores– pero también espero ver pronto nuestros artículos publicados en esa revista.

Por último, pero no menos importante, la traducción del clásico El puño de hierro detrás de la mano invisible de Kevin Carson está prácticamente listo, por lo que podrán disfrutar de él con toda seguridad en mayo.

Gracias por leernos, y por favor recuerden que sus donaciones pueden ayudar muchísimo a llegarle a cada vez más lectores de habla hispana.

¡Salud y libertad!

Spanish Media Coordinator Update, April 2014

In April I detected five reproduction of our articles, four by Before It’s News, one by the blog of Venezuela’s anarchist newspaper El Libertario, and one by Pijama Surf, a very popular alternative news blog from Mexico. In the end, they ran Kevin Carson’s “If You’re Reading This Article, You’re Probably A Terrorist,” instead of Erick Vasconcelo’s “Brasil is Going to Burn, Again,” as I told you in my last update.

In that update, I also mentioned that the Colombian version of Vice Magazine was interested in running “Bitcoin Must Self-Regulate — The State Can Only Destroy,“ by Christian Elderhorst. Well, unfortunately that didn’t happen, but we are still talking and hopefully we will see C4SS material there in the future.

I also told you in my latest update that América Economía, a quite prominent Argentinean business magazine with readers accross Latin America was interested in publishing our op-eds. We are still working out some details — like taking higher resolution pictures of our contributors – but I also hope to see our op-eds published there soon.

Last but not least, I am almost done with the translation of Kevin Caron’s classic “The Iron Fist Behind the Invisible Hand.” Stay tuned for its publication in May!

Thanks again for reading, and as always, please consider making a donation. Remember that a few bucks per month can help a lot in our mission to reach more and more español-speakers!

¡Salud y libertad!

Spanish, Stateless Embassies
La muerte de Gabriel García Márquez nos ayudará a romper la maldición mágico-realista

El fallecimiento de Gabriel García Márquez el pasado jueves 17 de abril fue un momento particularmente doloroso para cualquiera en América Latina ‒o en cualquier otro lugar del mundo‒ que alguna vez haya experimentado el sublime placer de leer alguna de las obras del maestro literario. Pero para mí, el dolor del acontecimiento no se debió exclusivamente a que Gabo, de repente, ya no se encuentre entre nosotros los mortales. Hay aspectos de la vida de las personas que apreciamos más intensamente justo cuando se les acaba el último aliento. Por eso hoy mi asombro y mi admiración por la pluma de García Márquez chocan, más que nunca, con la total desilusión que me causa su miopía política.

Los detalles de su amistad y trabajo con Fidel Castro son legendarios. En 1959 se incorporó a la agencia de noticias Prensa Latina, fundada por el Che Guevara y Jorge Ricardo Masetti. Cuando venía a la isla se quedaba en una de las lujosas casas de protocolo que el Comandante reservaba para sus amigos. Allí compartieron sus pasiones culinarias. El plato favorito de Gabo era la “langosta a la Macondo”, a Fidel le encantaba todo lo que tuviese que ver con el bacalao. Pero sobre todo compartieron sus sueños de cómo la revolución traería, algún día, la prosperidad sin fin para los cubanos de a pie que esperaban en fila durante horas bajo el sol, libro de racionamiento en mano, por unas cuantas libras de pollo, arroz y frijoles.

En 1988, viviendo en La Habana, García Márquez avanzó en la escritura de El general en su laberinto, su clásico sobre los últimos años de Simón Bolívar. Gerald Martin, autor de la primera biografía completa de García Márquez publicada en Inglés, sugiere que su descripción de Bolívar en el libro se inspiró en los rasgos de Castro. En 1989 le dedicó el libro a uno de sus grandes amigos, Antonio “Tony” de la Guardia, un coronel del Ministerio del Interior de Cuba: “Para Tony, que siembra el bien”.

Ese mismo año, de La Guardia fue condenado a muerte, acusado de tráfico de drogas y traición. Cuando la hija de de la Guardia le rogó a García Márquez que intercediera en nombre de su padre, él le dijo que “Fidel estaría loco si tuviera que autorizar las ejecuciones”, dándole esperanzas. Pero poco después, de la Guardia fue ejecutado.

Al parecer, la devoción que García Márquez sentía por Castro le hizo racionalizar la ejecución de de la Guardia como tan sólo “un problema entre militares”, como le dijo a Francois Miterrand durante la celebración del bicentenario de la Revolución Francesa. También afirmó públicamente que los cargos de traición estaban justificados, y que dada la situación, Castro no tuvo alternativa.

Lo más triste del caso de García Márquez, sin embargo, es que su actitud es el ejemplo prototípico del intelectual “izquierdista” de América Latina, siempre dispuesto a idolatrar a cualquier tirano que grite una consigna anti-imperialista o sobre la “justicia social”.

Después de leer “Operación Carlota: Cuba en Angola”, una crónica escrita por García Márquez bajo la supervisión de Castro, el también Premio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa lo acusó de ser un “lacayo” del dictador. Aunque llegaron a ser muy amigos, con los años los escritores se distanciaron por sus diferencias ideológicas. Y lo que es tan triste como el caso de García Márquez, Vargas Llosa se ​​convirtió en su polo opuesto pero a la vez complementario, idolatrado por los intelectuales “liberales” de derecha en toda América Latina.

Al igual que García Márquez, Vargas Llosa racionaliza la perversidad de la autoridad con bastante frecuencia, y quizás el ejemplo más claro tiene que ver con un suceso que implicó muchas más muertes que la ejecución de un solo hombre. En el período previo a la invasión estadounidense de Irak en 2003, Vargas Llosa declaró pública y vehementemente su oposición a la la guerra. Pero unos meses más tarde, después de cubrir la invasión sobre el terreno en una misión para el periódico El País, proclamó que a pesar de la pérdida masiva de vidas y recursos de la que fue testigo, “Con lo que he visto y oído en esta breve estancia, hubiera apoyado la intervención [sic], sin vacilar”.

Por muy triste que pueda llegar a ser, el contraste de la miopía ideológica y el genio literario de cada escritor por su cuenta no puede ni compararse con el profundo sufrimiento que el choque entre las dos visiones del mundo que tan típicamente representan le ha provocado a América Latina. Demasiados de nuestros complejos de inferioridad cultural se reducen a nuestra obsesión con la superpotencia, ya sea como la causa de todos y cada uno de nuestros problemas sociales, o como una fuente divina de paz, prosperidad y justicia. Inevitablemente, cualquier enfoque racional sobre cómo estructurar nuestra relación con ella, o cómo arreglar nuestros propios asuntos políticos como gente adulta, se pierde en un juego interminable de echarle la culpa al otro, creando divisiones de proporciones épicas.

Cada escritor representa el arquetipo de la rebelión latinoamericana hacia una forma de autoridad y de su sumisión hacia otra. Tal vez estamos eternamente condenados por una maldición mágico-realista a vivir por siempre apegados a uno de los extremos de esa falsa dicotomía. Pero quiero pensar que el exponernos a la contradicción interna provocada por la lectura de cada palabra que estos dos grandes y trágicamente errados escritores han puesto sobre el papel, nos ayudará a romperla.

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“Missing Comma: ‘Pass It! Consequences Be Damned!'” on C4SS Media

C4SS Media presents ‘s “Missing Comma: ‘Pass It! Consequences Be Damned!’” read by James Tuttle and edited by Nick Ford.

Through their definition of who gets to be a journalist, they’re not. They are making sure that the outlets that crave the most access – the major networks, public radio, major newspapers – are the only ones covered; everyone else can suck eggs – especially Wikileaks, or organizations like it.

Stone is fine with this, as the above-quoted section of his article indicates. He’s okay with “compromise.” I’m not.

Life, Love And Liberty, Stigmergy - C4SS Blog
Libertarianism and Private Prisons: Response to Gus DiZerega Part Two

This is the second part of my series on Gus DiZerega’s view of libertarianism and private prisons.

Gus writes:

Non-profits often pad the salaries of their top people, especially big ones. Padded salaries come from shifting resources away from other purposes, like that sheriff in Marion County. Just because something is a nonprofit does not mean those in charge are not greedy. Consider the Komen Foundation and others like it. There is nothing sacred about nonprofits. Some are great and some are corrupt. In addition, where will the non-profits get the money they need? Someone has to pay for them. We are more likely to contribute to causes that support positive goods than ones that incarcerate bad guys.

Gus makes a good point about non-profits here, but there would be competition between non-profit prisons to offer the most humane conditions. I’ve already stated that clients of defense associations would pay for prison expenses. As for people preferring to donate to positive goods rather than the improsinment of bad guys, I’d point out that the humane treatment of bad guys is a positive value. There is also the possibility of error in judging guilt and the positive value of helping innocent people get freed or have comfortable conditions while serving their sentences.

In public prisons in democratic countries if people are incarcerated they retain the rights of citizenship including being able to see an attorney. Harper Lee’s To Kill a Mockingbird tells the story of why that matters. In that case the accused ended up with court appointed attorneys. This is something that beggars the imagination happening in a libertarian anarchy. Ron Paul did not even help his most important fund raiser pay his medical bills, and libertarians as a whole raised only 10% of the total needed. His survivors were left with a huge debt. If libertarians cannot help their own people who have rendered them great services, why expect them to help the accused who often are guilty?

Defense associations could provide for competent attorneys in the absence of the ability to hire one. This would be paid for by th clients of said defense associations. As for the lack of charitable giving by libertarians, is that a consequence of libertarian ideology or a reflection of personal characteristics of existing libertarians unrelated to their ideology? I argue it’s the former. The libertarian, Jacob G. Hornberger points out that Americans gave 150 billion dollars to chairty in a year I’ve forgotten. If more of them became libertarian, I see no reason why they wouldn’t retain this charitable sensibility. Steven Horowitz has written about the importance of mutual and so have others like Kevin Carson. There is clearly libertarian support for charitable giving.

Some libertarians such as the one I quote above then shift the ground to ‘restitutive justice.’ I agree that when possible restitutive justice is a good thing and vastly superior to incarceration. We need much more of it. Nevertheless it needs to be enforced with the threat of less desirable punishment if the person does not provide restitution. Further some crimes have little chance for restitution, such as murder. If you claim, as some libertarians do, that they should pay “weregeld” or some other medieval notion, we need to remember that back then the fine for killing the equivalent of a Koch brother was vastly more than for killing a peasant. It would be the same in a libertarian society where ‘the market’ is the final evaluator of worth. Indeed, this happened in the Triangle Shirtwaist fire during a time in our history that libertarians generally praise as superior to our own for ‘freedom’.

House arrest is an alternative to prison for murderers. It has similiarties but isn’t exactly the same. In a left-libertarian market anarchy, there would also be a strong civil society alongside a freed market. The market would not of necessity be the final arbiter of worth.

Gradually this spread of kind of thinking far beyond libertarian circles has encouraged even supporters of public services to think about them in private terms in which citizens become consumers. But whereas the term :citizen” applies to everyone equally, the term “consumer” is the opposite. Everyone is a consumer, but not at all equal even as an ideal. The results are hideous when the logic of consumers and of privatization is applied outside its appropriate sphere.

I am not sure why a consumer is not equal, but a citizen is. There is often differential access to power in statist societies and all citizens are not equal. Is it because there is a difference in money between consumers? There is a difference in power between citizens even with formal equality before the law. Why can’t someone be a citizen and a consumer too?

For libertarians one public value is determining what constitutes property rights. Until they are determined the vaunted libertarian market cannot exist much past the point of barter. Libertarianism is parasitical on government in this respect. It depends on it for the market to work but then claims that government is what keeps the market from working even better.

This assumes that property rights can’t be defined by private defense associations which are community based and thus have equal input. They would only be private in the sense of being non-state or non-government.

Democracy is complicated and never perfect, but it is a vastly more rational way to address problems of public concern than libertarian boilerplate about ‘stateless’ societies existing beyond the level of a village.

Democracy and anarchy are not of necessity mutually exclsuive. As for stateless societies beyond the village level, there are examples like Medieval Iceland that were beyond said level.

Portuguese, Stateless Embassies
A morte de Gabriel García Márquez: Quebrando o feitiço autoritário mágico-realista

A morte de Gabriel García Márquez, no último dia 17, foi um momento especialmente doloroso para qualquer um na América Latina — ou, de fato, em qualquer outro lugar — que já tenha se aventurado a ler algum dos trabalhos desse mestre literário. Porém, para mim, a dor do evento não se deveu exclusivamente ao fato de “Gabo” não mais se encontrar entre nós, mortais. Há partes das vidas das pessoas que parecem mais vivas e importantes justamente quando elas respiram pela última vez. Assim, hoje, meu respeito e minha admiração pela pena de Márquez entram em conflito com minha desilusão com suas ideias políticas.

Os detalhes de sua amizade e trabalho conjunto com Fidel Castro são bem conhecidos. Em 1959, juntou-se à agência Prensa Latina, fundada por Che Guevara e Jorge Ricardo Masetti. Em suas visitas a Cuba, permanecia numa das luxuosas vilas protocolares reservadas por El Comandante a seus amigos. Compartilhavam paixões culinárias: o prato preferido de Gabo era a lagosta à la Macondo, o de Fidel era sopa de tartaruga. Acima de tudo, dividiam o sonho de que a revolução traria, um dia, prosperidade infinita para os cubanos comuns que passavam horas na fila sob o sol, com as cadernetas de ração em mãos, para conseguir um pouco de arroz e feijão.

Em 1988, vivendo em Havana, Márquez avançava em O general em seu labirinto, livro sobre os últimos anos de vida de Simón Bolívar. Gerald Martin, autor da primeira biografia completa de Márquez publicada em inglês, sugere que sua descrição de Bolívar era inspirada por características de Castro. Em 1989, dedicou o livro a um de seus grandes amigos, Antonio “Tony” la Guardia, um coronel do Ministério do Interior de Cuba: “Para Tony, que ele semeie bem”.

No mesmo ano, Tony de la Guardia foi condenado à morte por tráfico de drogas e traição. Quando a filha de De la Guardia implorou a Márquez para que intercedesse em favor de seu pai, disse-lhe ele que “Fidel seria louco” se permitisse a execução, dando alguma esperança a ela. Pouco tempo depois, Tony foi morto.

Aparentemente Márquez havia se tornado tão cúmplice de Castro que passou a racionalizar a execução de De la Guardia como uma mera “disputa entre oficiais”, como disse a François Miterrand durante a celebração do bicentenário da Revolução Francesa. Também afirmou publicamente que as acusações de traição eram justificadas e que, dada a situação, Castro não tinha alternativa.

Ao ler “Operación Carlota: Cuba en Angola”, uma aclamada crônica escrita sob a supervisão de Castro, o também nobelista de literatura Mario Vargas Llosa acusou Márquez de ser “lacaio” de Castro. Outrora grandes amigos, os escritores se distanciaram devido a diferenças ideológicas. Também infelizmente, Llosa se tornou seu inimigo perfeito, idolatrado por intelectuais de direita supostamente liberais por toda a América Latina.

Llosa, contudo, nos oferece um exemplo ainda mais marcante da trágica racionalização dos atos das autoridades, mais grave ainda que a execução de um só homem. Antes da invasão do Iraque em 2003, Llosa foi pública e veementemente contra a guerra. Alguns meses depois, após cobrir a invasão em solo para o jornal El País, passou a afirmar que apesar das gigantescas perdas de vidas e riquezas que havia testemunhado, se estivesse no lugar dos iraquianos, teria “apoiado a intervenção [sic] sem hesitar”.

Embora infelizes, os contrastes entre as miopias ideológicas e os gênios literários de cada autor nem se compara ao profundo sofrimento causado pelo embate entre suas visões de mundo. Vários de nossos complexos de inferioridade cultural se resumem a nossa obsessão com as superpotências, tanto como causa de todos os nossos problemas sociais quanto como fonte divina de paz, prosperidade e justiça. Inevitavelmente, qualquer pensamento racional sobre nosso relacionamento com as grandes potências ou sobre como devemos nos portar politicamente como adultos se perde em um jogo sem fim de acusações de proporções épicas.

Cada autor representa o arquétipo da revolta latino-americana contra uma forma de autoridade e da submissão à outra. Talvez estejamos para sempre amaldiçoados por um feitiço mágico-realista que nos condena a viver para sempre ligados a um dos extremos dessa falsa dicotomia. Eu prefiro pensar, contudo, que, ao nos expormos às contradições mostradas pela leitura de cada uma das palavras colocadas no papel por esses dois grandes e tragicamente equivocados escritores, poderemos nos livrar desse encanto.

Traduzido do inglês para o português por Erick Vasconcelos.

Feature Articles
With “Socialists” Like Lawrence and Wishart, Who Needs Capitalists?

In the latest example of a phenomenon as old as the state itself, Stan McCoy – formerly the US Trade Representative’s chief “intellectual property” negotiator, who wrote ACTA and the Trans-Pacific Partnership’s IP chapter – was just given a cushy job at the Motion Picture Association of America (MPAA). He’s one of over a dozen senior USTR officials who’ve moved to jobs at industry groups in the past year.

This is why it’s such a waste of time to devote serious effort and resources to working within the system to affect the form the law takes. Doing so amounts to fighting the enemy by the enemy’s own rules, on ground favorable to the enemy, where the enemy has the advantage of a prepared defense.

German Blitzkrieg war theorists had a term, Schwerpunkt, for the decisive point at which an armored formation penetrated the enemy forces front lines, and then immediately bypassed the main body of the enemy’s forces and cut them off and encircled them from the rear. John Robb, a leading theorist of networked “Fourth Generation Warfare” models, has coined the term “Systempunkt” for the analogous phenomenon in networked conflict.

In World War II, Allied strategic bombing campaigns over Germany destroyed entire infrastructures, one power station, power line, bridge, road, railroad, etc., at a time. They were able to undertake the enormously costly task of destroying an entire physical infrastructure, mile by mile, because of their overwhelming air superiority and much larger industrial output. The concept of Systempunkt, on the other hand, is illustrated by Al Qaeda Iraq’s practice of attacking only a few key nodes in an infrastructure, which – although amounting to one percent or less of the total physical infrastructure – disables and renders non-operational the other 99 percent left untouched. That’s a great deal more cost-effective.

For the forces of information freedom, and other movements associated with the successor economy, to attempt to fight the established interests of the existing system for control of the state, is like an army trying to capture control of an entire infrastructure mile-by-mile – and to do so when, far from possessing material superiority, it is outnumbered ten- or a hundred-to-one by the defending enemy. It’s utterly stupid.

We can render the corporate state inoperative, using maybe one percent of the resources required to actually capture the state through the political process, by attacking its ability to enforce the subsidies, privileges and legal monopolies of big business. Enforcement capability is the Systempunkt of the state capitalist economy.

The proprietary content industry, and all the other businesses that make money by extracting rents from patents, copyrights and trademarks, will always control the “intellectual property” policy of the state. I mean, that’s what the state exists for. Attempting to fight their money and political influence by the rules of the system would just be pouring resources down a rathole. But for a tiny fraction of the same money and effort, we can turn patents and copyrights into a dead letter through strong encryption, proxy servers, torrent downloads and moving webhosting to servers in countries that don’t take orders from the MPAA and RIAA (that’s why Center for a Stateless Society, the outfit I’m writing this for, is moving our site to servers in Iceland).

When the US government seized Wikileaks’ domain name, thousands of hosts around the world (C4SS among them) responded by mirroring the site. And many thousands of people blogged and tweeted the numeric IP address of Wikileaks sites in various countries so people could look it up directly by IP address rather than using the domain name. Then when the government carried out mass seizures of domain names of alleged “infringing sites” on behalf of the music and movie industries, the Mozilla Foundation came up with Firefox browser extensions that would bypass the domain name blocks by automatically going straight to the numeric IP address. As Bruce Sterling put it, “treating the law of the land as damage and routing around it.”

Now there’s Bit Torrent Sync, a utility which enables any two people who’ve installed it and know a common password to transfer torrents directly from one computer to another, with secure end-to-end encryption. It’s kind of like what happens when you use your cursor to move a file to the Dropbox icon – only the information’s not stored at a permanent location in the Cloud, and it’s encrypted. It’s a totally desktop-to-desktop, p2p file-sharing system. So it doesn’t matter if the Trans-Pacific Partnership, or any other draconian copyright legislation, passes. Any two people with Bit Torrent Sync who want to share a file can do so. Big Content has lost the war, once and for all. They’re dead – they just don’t know it yet.

Which leads me to the latest interesting development: Lawrence and Wishart, the Leftist publisher which owns the rights to the English language edition of the enormous (over fifty volumes) Marx and Engels Collected Works, has demanded that that the Marxist Internet Archive – an amazing online library that includes not only the Collected Works but an astonishing collection of other writers ranging from Luxemburg and Gramsci to C.L.R. James and Walter Rodney – take down Marx and Engels’ Collected Works by April 30. Happy May Day, Comrades!

As anyone at all familiar with the Web could have predicted, this led to a massive backlash of outrage from the Left that Lawrence and Wishart were – naturally – unprepared for. On Friday April 21 their website published an utterly whiny complaint (“Lawrence & Wishart statement on the Collected Works of Marx and Engels“) that they’d been subjected to a “campaign of online abuse” because they “asked for [their] copyright” (sniff) “to be respected.”

Aside from the rather contemptible display of self-pity and entitlement, the statement reflects more than anything else an utter lack of business sense. “Ultimately, in asking L&W to surrender copyrights in this particular edition of the works of Marx & Engels, [Marxist Internet Archive] and their supporters are asking that L&W, one of the few remaining independent radical publishers in the UK, should commit institutional suicide.” This is nonsense on stilts. The hard copy set of the Collected Works, if bought as a complete set instead of one volume at a time, sells for 1500 British Pounds, which is somewhere well north of $2000. If Lawrence and Wishart can show one person, anywhere in the world, who put off shelling out over two thousand bucks for a set of the dead tree edition of Marx and Engels’ Collected Works because a digital online edition was available, I will eat my own left hand – raw, and without salt. The Marxist Internet Archive’s online edition of the Collected Works is not costing Lawrence and Wishart a single solitary sale. The only thing the online edition is competing against is a trip to a university library. If anything, the online edition is free advertising for the dead tree edition. In other words, Lawrence and Wishart is governed by the same abject stupidity as the music and movie industries – the dying music and movie industries.

Not only is Lawrence and Wishart as stupid as the music and movie industries, its attempt to suppress free, infinitely replicable digital information is turning out to be just as big a failure as those industries’ attempt to do so. No doubt the Archive will be mirrored, with its existing contents, at plenty of sites around the world. But in the meantime, the entire English language contents of the Marxist Internet Archive – including the disputed edition of Marx and Engels’ Collected Works – is available for torrent download at The Pirate Bay <https://thepiratebay.se/torrent/6231000/Marxists.org_-_full_English_language_archive>. And the Collected Works by themselves are available as a .zip file at Sendspace <http://www.sendspace.com/file/l7wx0o>. I’ve got a copy of the latter on my hard drive, and it works just fine – the individual files open up in a browser tab and look exactly like the online version. I recommend anyone who expects to be at all interested in accessing the Collected Works online at any point in the future to download one of these files ASAP – and share them with your friends, far and wide, via Bit Torrent Sync!

Enjoy your copyright, Lawrence and Wishart, for all the good it may do you. I love the smell of burning capitalists in the morning.

Commentary
The Death of Gabriel García Márquez: Breaking the Magic-Realist Authoritarian Spell

The passing of Gabriel García Márquez last Thursday was a particularly painful moment for anyone in Latin America – or elsewhere – who ever indulged in the sublime pleasure of reading any of the literary master’s works. But for me, the pain of the event was not exclusively due to “Gabo” all of a sudden not being among us mortals anymore. There are aspects of people’s lives that suddenly seem more alive and grave precisely when they breathe their last. So today, my awe and admiration for García Márquez’s pen clashes within with my utmost disillusionment about his political folly.

The details of his friendship and work with Fidel Castro are legendary. In 1959 he joined the Prensa Latina press agency, founded by Che Guevara and Jorge Ricardo Masetti. Whenever he came to the island he stayed in one of the luxurious protocol villas that El Comandante reserved for his friends. There they shared their culinary passions. Gabo’s favorite dish was “Lobster à la Macondo,” Fidel’s “Turtle Consommé.” But above all, they shared their dreams of how the revolution would bring, some day, endless prosperity for the ordinary Cubans that queued for hours under the sun, ration books in hand, for a few pounds of rice and beans.

In 1988, living in Havana, García Márquez made progress on the General in his Labyrinth, a book about Simón Bolívar’s final years. Gerald Martin, author of García Márquez’s first full biography published in English, suggests his description of Bolívar was inspired by traits of Castro. In 1989 he dedicated the book to one of his great friends, Antonio “Tony” la Guardia, a Colonel in Cuba’s Ministry of Interior: “For Tony, may he sow good.”

That same year, de La Guardia was sentenced to death on charges of drug trafficking and treason. When De la Guardia’s daughter begged García Márquez to intercede on her father’s behalf, he told her that “Fidel would be crazy” if he allowed the execution, raising her hopes. But shortly afterwards, Tony was executed.

Apparently García Márquez became so devoted to Castro that he came to rationalize de la Guardia’s execution as just “a quarrel among officers,” as he told Francois Miterrand during the bicentennial celebration of the French Revolution. He also publicly claimed that the charges of treason were justified, and that given the situation, Castro had no alternative.

What’s most sad about García Márquez though, is that his attitude is the prototypical example of the Latin American “lefty” intellectual – always ready to idolize petty tyrants as soon as they throw out an anti-imperialist or social-justice slogan.

Upon reading “Operación Carlota: Cuba in Angola,” an acclaimed chronicle written under Castro’s supervision, fellow Literature Nobel laureate Mario Vargas Llosa accused García Márquez of being Castro’s “lackey.” Once great friends, the writers grew distant due to ideological differences. And just as sadly, Vargas Llosa became his perfect nemesis, idolized by supposedly libertarian, right-wing intellectuals across Latin America.

Perhaps the most striking example of Vargas Llosa’s own tragic rationalization of evil authority involved many more deaths than the execution of a single man. In the run-up to the US invasion of Iraq in 2003, Vargas Llosa had publicly and vehemently opposed it. But a few months later, after covering the invasion on the ground on assignment for El País newspaper, he proclaimed that despite the massive loss of life and treasure he witnessed, if he would have been in an Iraqi’s shoes, he “would have supported the intervention [sic], without hesitation.”

Sad as it is, the contrast of the ideological myopia and literary genius of each writer on his own can’t even compare with the profound suffering that the clash between the two worldviews they so typically represent has caused for Latin America. Too many of our cultural inferiority complexes boil down to our obsession with the superpower, either as the cause to every single one of our social problems, or as a divine source of peace, prosperity and justice. Inevitably, any rational thought on how to structure our relationship with it, or how to get our own political act together like grownups should, is lost in an endless, divisive blame game of epic proportions.

Each writer represents the archetype of Latin American rebellion towards one form of authority, and submission towards another. Maybe we are forever cursed by some sort of magic-realist spell that condemns us to forever live attached to one of the extremes of this false dichotomy. But I like to think that exposing ourselves to the internal contradiction brought about by reading every single word these two great and tragically amiss writers put on paper, will help us break it.

Stigmergy - C4SS Blog, Supporter Updates, The State of the Center:
Director’s Report: April 2014

C4SS has finished another month and we have a lot to talk about.

On May first, the new look for our site will turn one. If you don’t remember our original look, enjoy. As with everything at the Center, the new look is the result of amazing work from friends, volunteers and, especially, donors.

If you are a regular donor, then we would like to thank you for your continued enthusiasm and support. If you are interested in supporting our mission “to explain and defend the idea of vibrant social cooperation without aggression, oppression, or centralized authority” with a monthly $5 donation, then I will give you an idea of you can expect.

For the month of April, C4SS published:

24 Commentaries (6 more than March),
8 original Features,
Weekly Abolitionists,
Life, Love and Liberty,
Weekly Libertarian Leftist Reviews,
Missing Commas (2 more than March),
Wars and Rumors of Wars,
3 original Book Reviews (2 more than March) and
18 C4SS Media uploads to the C4SS youtube channel (10 more than March).

The dedication of our Media Coordinators continues to draw international interest. Thanks to their efforts C4SS published:

14 Italian translations (12 more than March),
Spanish translations and
25 Portuguese translations (8 more than March).

Brazil continues to remain C4SS’s second most popular country; drawing almost more visitors than Canada and the United Kingdom combined.

It is because of this interest that C4SS is excited to have  join our team, writing commentaries and features focusing on and bringing attention to the politics and potential of Brazil to our readers.

And thanks to the effort of our Spanish Media Coordinator, Carlos ClementeAmérica Economía, a big Argentinean business magazine that is read all over Latin America, has requested that a number of our writers submit two paragraph bylines and author pictures to accompany the articles they anticipate publishing.

Beyond the numbers

I would like to draw your attention to our developing blog community.  and  have both taken a more direct role in their blogs. They have both created, for them, their own social media presences where they can better develop and interact with their respective audiences as well as highlight stories that relate to their focus. If you are interested in following Goodman’s The Weekly Abolitionist on Facebook or Hultner’s Missing Comma on Facebook and Twitter, please do!

 is our newest regular blogger. His Wars and Rumors of Wars is dedicated to exploring “issues of war and peace, ranging from foreign and military affairs through the culture of militarism and the effects of war on soldiers and civilians to the details of anti-war activism.”

We also have in the works two more blogs; one focusing on an critique of work and job culture, and another focusing on the open-source/open-hardware ethos and liberatory technology.

The site has finally been moved, thanks to , to hosting services, recommended by , in Iceland. Our decision to move was promoted by the unwillingness of our previous host to have our back when presented with an insane DMCA takedown and predicated on our new home understanding our mission, situation and impenitence.

The Entrepreneurial Anti-Capitalism project has successfully participated in funding two important projects. We, along with friends, were able to raise $1,000 to support recover and relief efforts in the Philippines through the amazing work of local anarchists, Onsite Infoshop. And we contributed to a fundraiser that will send two amazing wobblies to Taiwan and Hong Kong. While there, they will help in translating the IWW Organizer’s Handbook, participate in direct action labor organizer training and share some “good and welfare” with our fellow workers across the pacific.

Our first project, Dark Wallet, has released a new video and website. They plan to “go dark” this May Day.

The C4SS Internship

We are proud to announce that  has been selected to be C4SS’s first paid intern – more like paid OJT. Massimino is helping us craft a six month program that will develop the anticipated skills, time management and discipline needed to become an effective anarchist writer. The first three months you can expect Massimino to complete a series of book reviews, followed by three months of weekly op-eds. The first day of the internship is May Day, but he is already in the process of settling in with the C4SS crew.

You can also expect a him and  to publish a Mutual Exchange exploring and challenging the arguments found in Diedrich’s recent C4SS Feature, Private Property, the Least Bad Option.

Books and Book Reviews

We still have, in the works, reviews from,

And are happy to announce that we have added,

The first in a series of C4SS books are finally coming together. We are currently in talks with a talented graphic artist to design their covers. The collection is shaping up to look something like,

  • The Anatomy of Escape (A Defense of the Commons)
  • The Economics of States, Capitalism Defined. (A Defense of the Freed Market contra Capitalism)
  • The Psychopathology of Authority (An Attack on Hierarchy)
  • The Decentralized Ecosystem (A Defense of Environment contra the State)

Once these are complete, we hope to begin the massive task of collecting all the published articles of each C4SS writer into their own, respective books – or maybe two or three for Kevin Carson. The first of these will focus on the work of Darian Worden.

C4SS Stuff

Our Zazzle store, Support C4SS, has been doing well. We have been humbled by our supporters and their fan-art. We have recently been granted associate status which offers us more opportunities to earn incremental income through referrals. And our C4SS Lazer Cat of Doom shirt has recently been spotted on facebook:

KittenFound

We haven’t forgotten

We still have our David Graeber Symposium on the horizon, along with our Carson-Ward-Bookchin edition of Kropotkin’s “Fields, Factories and Workshops Tomorrow”.

Please Support Today!

Needless to say, all of this work is only sustainable through your support. If you think the various political and economic debates around the world are enhanced by the addition of left libertarian market anarchistfreed market anti-capitalist or laissez faire socialist solutions, challenges, provocations or participation, please donate $5, today. Keep C4SS going and growing.

ALL the best!

Feed 44
“Working Three Jobs to Make Ends Meet? This Might be Why” on C4SS Media

C4SS Media presents ‘s “Working Three Jobs to Make Ends Meet? This Might be Why” read by James Tuttle and edited by Nick Ford.

The state, the giant corporation, and large institutions of all other kinds are part of an interlocking culture designed to extract as much money from us as possible while delivering as little as possible in return. That’s why political agendas centered on guaranteeing our ability to pay for services, without touching the institutional culture that makes them so expensive, are a dead end.

Stigmergy - C4SS Blog, Wars and Rumors of War
ANZAC Day

In 1915, my country said, “Son-
“It’s time to stop rambling, there’s work to be done.”
So they gave me a tin hat, and they gave me a gun.
And they sent me away to the war.

Today is ANZAC Day, the 99th anniversary of the start of the Gallipoli campaign. ANZAC was originally the Australia and New Zealand Army Corps, raised to help the British Empire during the Great War. ANZAC Day has become a general day to honor the military and broadly reinforce nationalism and militarism, but like its parallels in other countries, originally it was a popular commemoration of a tragedy.

The tragedy was the death of over 100,000 men on both sides in a particularly futile campaign during the Great War. As conceived by Winston Churchill and others, the invasion of Gallipoli was intended to open another front in the war, take pressure off the Russians and perhaps draw some of the Ottoman Empire’s traditional enemies into the war on the Allied side.

Nothing of the sort happened. Like so many of Churchill’s idiotic and monstrous plans, all the invasion of Gallipoli created was horror. All the hideous ferocity of early 20th century warfare was concentrated on one narrow, rocky peninsula. Heavy artillery and disease ravaged the Allied and Turkish forces, leaving well over a quarter of a million dead and wounded.

Like Veteran’s Day in the United States and Remembrance Day in Canada and the United Kingdom, ANZAC Day began as a solemn occasion dedicated to remembering a great tragedy born of folly, but as elsewhere, the forces of militarism and nationalism continue to try to subvert these occasions into glorifications of the nation and of the military.

And now every April, I sit on my porch
And I watch the parade pass before me.
I see my old comrades, how proudly they march-
Reliving the dreams of past glory

As a veteran it is tempting to fall into this trap. We long to believe that our suffering was not in vain, that our dead friends did not die senseless deaths. All humans want to rationalize their suffering, and for military veterans our militaristic culture offers a readymade rationalization broadly supported- we fought for freedom, we suffered honorably, we are brave heroes.

The truth, though, is bitter. We were deceived. We fought for the interests of our rulers, and now that we are no longer fighting they have no use for us. We kill ourselves at astronomical rates, we struggle to find work, our families disintegrate. Many of us end up homeless or in prison. And the people we fought, they were never our enemies. They were worse off than we are now, they were invaded and occupied by angry young men from an alien country. And while we came home, they are still there.

I see the old men, all twisted and torn:
The forgotten heroes of a forgotten war.
And the young people ask me, “What are they marching for?”
And I ask myself the same question.

As veterans, we must not be props. We have done more than enough for the ruling class. We do not need to allow them to use our experiences as recruiting tools. We must see clearly and face the reality of what we were, what we did, and how we were treated, even if that means denying ourselves the comforting self-deceptions the warmongers proffer. They won’t give us adequate health care, they won’t give us jobs or places to live, because giving us these things does not serve their purposes the way telling us we are heroes who fought for good does. Every child wants to be a hero. We did. We mustn’t let them use us to fool our sons and daughters the way we were fooled.

And the band plays Waltzing Matilda,
And the old men still answer to call.
But year after year, their numbers get fewer-
Someday no one will march there at all.

When Harry Patch, the last veteran of the trenches of the Western Front, died in 2009, for the first time it occurred to me that one day no one alive would remember the Battle of Haifa Street, or Route Tampa and Route Irish, or any of the other little incidents that made up my war. I felt a strange peace at that thought. One day, all those horrors would pass out of living memory. As veterans, we can play a key role in ensuring that no fresh horrors replace them.

Missing Comma, Stigmergy - C4SS Blog
Missing Comma: the #myNYPD Anti-campaign is Not a PR Failure

What happens when the New York Police Department – famous for its racial profiling, Stop and Frisk, spying on Muslims, ripping people’s testicles out and beating up and groping protesters – tries to use Twitter to improve its public relations image? Well, people who have been stop-and-frisked, racially profiled, spied on, beat up and groped post their best images of the aforementioned activities as a reminder that the NYPD is generally a horrible organization.

Last week, the NYPD asked its followers to tweet photos and anecdotes praising the department. What they got instead was the truth.
Last week, the NYPD asked its followers to tweet photos and anecdotes praising the department. What they got instead was the truth. Photo from Twitter

Last week, the NYPD started tweeting with the hashtag “#myNYPD,” asking its followers to post images and tweets about their experiences dealing with the department. While I’m sure the thugs in blue expected everyone to tweet wonderful stories of kittens being pulled out of trees and little old ladies (who are also on Twitter?) being helped across the street, what actually happened was much funnier, and much more fitting.

Mediaite, Colorlines and Reason all have excellent “best-of” articles that feature amazing tweets from victims of the NYPD, but among the various media coverage on this campaign, one word kept leaping out at me: “failure.” Most news outlets have framed this as a major PR fiasco, treating the stream of pictures and anecdotes detailing police violence as they would a political scandal. I find this framing disingenuous.

As many people on Twitter pointed out: maybe this isn’t a failure of the NYPD at all, but a concerted, ad-hoc countercampaign led by activists to show the truth behind the NYPD’s policies. It’s a deliberate slap in the face to the police – and those who support the police.

This is not the first time Twitter has been used as an activist tool to eliminate the State’s PR spin. As far back as 2009, the microblog service has been used to hold unfiltered documentation of protests and other actions. More recently, directed hashtag campaigns along feminist and race lines have allowed people who are mis- and underrepresented in major media to speak fully and loudly about discrimination they’ve faced. Even last month’s #cancelcolbert campaign – though more than a few disliked that one – is an example of the kind of activism Twitter allows for.

The #myNYPD anti-campaign is not a failure. In fact, it is probably the most acerbic, hilarious and poignant instance of “hashtag activism” to date.

Life, Love And Liberty, Stigmergy - C4SS Blog
Libertarianism and Private Prisons: Response to Gus DiZerega Part One

Gus DiZerega recently published a blog post about libertarian ideology and private prisons. He quoted a Facebook comment I left on a status update about the topic. This blog post constitutes a response to Gus. A comment will also be posted on his blog. The reader is encouraged to check it out.

In said piece; Gus says:

Privatization of prisons creates corporations with a vested interest in maintaining current crimes as illegal even when there is no just reason for doing so, because it guarantees keeping their cells filled and their profits high. They also have a vested interest in criminalizing additional behavior. They demonstrably use some of their profits to support friendly legislators and lobby for legislation they desire. And their political favors are returned.

We agree on this point. This would be less of a problem in a left-libertarian market anarchist society, because there would be no monopoly state or government to influence. The corporations would have to successfully bribe and get favors from a variety of defense associations. It would require more resources and effort. There would also be countervailing pressure from non-bought defense associations. If in fact said corporations would still exist without state or government favoritism. I doubt they would, because there would be no subsides, regulatory protectionism, tariff walls, and monopolistic state power backing them up.

At the same time since prison inmates are not their customers they have an incentive to spend the absolute minimum allowed on them, so as to keep the most for themselves. My old friend Scott B. observed he had “ learned why the Sheriff of Marion County, Indiana was the highest paid government official in the state. Sheriffs get to keep the difference between the fixed per prisoner allocation and the cost of running the jail.” He became opulent employing modern business management in government agencies.

The next step in this logic will be to force inmates to work at minimum wages to pay their way (so as to ‘help taxpayers’) and charge them for their incarceration. Thus market logic will re-establish slavery in the US. And libertarians will call it freedom and the magic of the market.

In a left-libertarian market anarchist society, prisoners would be able to choose what prison they want to go to. Prisons would compete by offering humane conditions. The clients of defense associations would be paying for prison upkeep, so there would be no forced labor by prisoners to pay their expenses. I can’t speak for other libertarians, but I wouldn’t refer to the slavery mentioned above as freedom.

Setting aside the escape clause of “principled libertarians,” which plays the same role as “real Christians” does for aggressive evangelicals, we end up with an anarchist argument that somehow things will be different without a ‘state.’

What pray tell is a ‘non-state operated’ prison? The writer writes as if such things exist. The closest analogue I can imagine as currently existing are either the private prisons I am discussing or kidnappers incarcerating their prey until ransom is paid. Such people are simply free lance anarcho capitalist entrepreneurs if they claim their victim is being held until restitution for alleged crimes against others. Like seizing Dick Cheney. Much as I think he should spend the rest of his life in jail, that is a very bad precedent as any sane person should recognize.

Principled libertarianism is designed to make sure that people actually representative of genuine libertarian ideology have their arguments addressed. A Nazi could otherwise claim to be libertarian and have libertarian ideas. As for non-state operated prisons, Gus is partially correct to note that “private” prison corporations represent them. I only say partially, because they receive taxpayer dollars and benefit from government or state legislation defining what a crime is. It does show that such things can partially exist, but it’s not the ideal model. The kidnappers example is faulty, because no anarcho-capitalist I know of would advocate that you could forcibly imprison someone without any trial and objective establishment of guilt. What is the difference between a defense association doing this and a government agent doing it? I’d also add that just because something hasn’t existed yet; that doesn’t mean it can’t exist. Democracy was once only an idea and yet is widespread today.

By definition a prison forcibly incarcerates a person against his or her will as punishment for a crime he or she allegedly committed. This means there had to be a system to apprehend a person against their will, take them to some process where their guilt or innocence could be determined, and if found guilty, incarcerated. Otherwise the existence of a ‘prison’ as a legitimate part of society makes no sense at all.

I agree with Gus on this one. I support competing defense associations with prison, judicial, and police services. They would constitute the enforcement arm of a left-libertarian market anarchist legal system.

Portuguese, Stateless Embassies
O gnosticismo do poder

Aqueles que detêm o poder frequentemente ignoram as condições do mundo real e as limitações materiais à transformação de suas ordens em realidade. Isso ocorre por alguns motivos: seu poder os isola da experiência direta do mundo material e das limitações concretas da realidade material.

Por exemplo, no começo deste mês, a Suprema Corte do estado americano de Indiana decidiu que um juiz pode considerar legitimamente as recordações de um policial dos acontecimentos transcorridos em um caso, quando ditas em testemunho, como mais válidas que evidências em vídeo. Isso mesmo: quando uma gravação em vídeo dos eventos contradiz a memória subjetiva do policial, pior para a realidade. A “experiência” do policial e suas “habilidades superiores de observação” têm mais peso mesmo quando o que ele observou não aconteceu.

Embora isso possa parecer absolutamente ridículo, não é tão incomum. Nos anos 1960, o teórico Kenneth Boulding observava que “quanto maior e mais autoritária a organização, serão maiores as chances de que os tomadores de decisão atuem em mundos puramente imaginários”. O fluxo de informações dentro do sistema numa hierarquia é desenhado para filtrar as mensagens de baixo que contradizem a visão de mundo construída nas mentes daqueles que estão no topo. Para avançar dentro da hierarquia, é necessário ter “espírito de equipe”, ou seja, reforçar a imagem da realidade dos que estão no topo da pirâmide e protegê-los da exposição a qualquer realidade factual que possa contradizê-la. Então, naturalmente, quando aqueles em posição de autoridade entram em contato com informações do mundo real que abalam suas visões oficiais, eles as descartam o mais rápido possível, usando todos os protocolos de materiais perigosos.

Ao mesmo tempo, quem está no topo das hierarquias toma decisões e baixa decretos repetidamente àqueles que estão abaixo desconsiderando completamente os recursos necessários para sua execução ou limitações materiais possíveis a sua implementação. O Faraó do Egito antecipava as melhores práticas dos CEOs corporativos atuais, na era do downsizing, quando afirmou “Daqui em diante não torneis a dar palha ao povo, para fazer tijolos, como fizestes antes: vão eles mesmos, e colham palha para si. E lhes imporeis a conta dos tijolos que fizeram antes; nada diminuireis dela, porque eles estão ociosos”.

Quando a implementação das técnicas estúpidas de gerência do Studer Group chegou a seu auge há alguns anos, todos ganhamos (de “presente” do “Dia da Valorização do Funcionário”) pequenos livretos inspiracionais, cheios de mensagens de Mahatma Gandhi e Madre Teresa sobre entrega e doação constante sem esperar nada em troca, somente pela pura alegria de fazer o bem aos outros. “E, quanto a seu salário e alocação de pessoal, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo: E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se preocupava com qualquer um deles.” No caso do hospital em que eu trabalho, também nos garantiam em boletins internos que nós éramos capazes de prover “cuidados extraordinários aos pacientes”, com nossa “abundância ou falta de recursos”.

Estranhamente, nossa gerência, apesar de sua aparente crença de que vivemos em um mundo de luz e espírito removidos das preocupações com o mundo concreto, não estava imune às necessidades da esfera material. Nosso CEO corporativo ganhou um salário de US$ 18 milhões no ano, mais um bônus de US$ 3,6 milhões. Os gerentes constantemente choravam miséria a respeito da necessidade de economizar em pessoal, “porque os funcionários da enfermaria são responsáveis por nossos maiores custos” (apesar de os salários dos gerentes do hospital estarem mais ou menos parecidos com o do pessoal da enfermagem). Eu me perguntava por que a gerência não poderia milagrosamente multiplicar seus recursos para contratar funcionários suficientes, como fez Jesus com o pão e com os peixes. É o que eles aparentemente esperavam que fizéssemos para prover cuidados adequados aos pacientes com o número absolutamente perigoso e criminalmente negligente de trabalhadores empregados.

As pessoas em posições de autoridade estão completamente desconectadas da realidade. O que isso significa? A boa notícia é que as organizações autônomas voluntárias, como redes horizontais, estão destituindo as velhas hierarquias corporativas e governamentais e as engolindo vivas. Há pouco mais de 20 anos, John Gilmore disse que “a rede trata a censura como dano e desvia dela”. Redes autônomas e outras associações voluntárias, da mesma maneira, tratam as invasões das autoridades irracionais como danos e se isolam delas. Estamos construindo um mundo em que a interferência irracional dos que estão em posições de autoridade está se tornando cada vez menos relevante para nossas vidas e suas ordens estúpidas vão se tornando inexecutáveis. Não quer se juntar a nós?

Traduzido do inglês para o português por Erick Vasconcelos.

Feature Articles
Free Trade and the Occupation of Urban Spaces

The innovative initiatives of occupation of (nominally) public spaces, which have arisen here and elsewhere at the start of the 21st century, are still quite biased against trade and commerce. They imagine that an event (or program) that intends on promoting togetherness in public squares and city streets is not supposed to be profit motivated; otherwise, it cannot be legitimate.

Thus, they organize trade swap meets, but not proper fairs. They set up libraries (to lend out books free of charge), but not book stores (to sell them). They pool their money to buy beer at the boteco (cheap bar), but not to set up a stand to sell foods and drinks. They promote picnics (where each person brings one type of food), but they cannot seem to want to open a restaurant to sell meals. They put together workshops to fix all sorts of things (bicycles, for example), but all has to be free. It is as if allowing someone to sell a good or service in these would take away the legitimacy of the act, which should be always a collaboration. It seems that charging for a product or service is not something good and uninterested, but some sort of degeneracy, something tainted by economic interest — by definition egoistic rather than altruistic.

However, one thing does not conflict with the other. We can have collaborative environments in which there are both free and paid things, where there are both donations and commerce of goods and services.

I believe that happens because we conflate markets and capitalism, even though markets have existed for millennia and capitalism itself only arose a few centuries ago. Even though markets have nothing to do with a market-centric view of the world (such as seen by economic liberalism or the so-called neoliberalism), which seems to favor the imposition of its (economic) rationality to other institutions (such as the state and civil society). Yet, capitalism is not the market, and was not created by the market. Capitalism was born out of the collusion (rather incestuous, as it turns out) between the monarchic enterprise and the Hobbesian state, something wildly different from the free market (in a certain sense, the very opposite of it).

We should reflect a little on the role of the market. The market has always been interactive. Merchants have always been open to the relationship with the unpredictable other. They have to be open to the customer because that is their very nature. They cannot sell only to the chosen ones, to those they selected by criteria that have nothing to do with their mercantile interests. For instance, they cannot sell only to those who are from their nation, who speak their language, who adopt their religion or their political party, who are from their ethnicity, or who have the same skin color.

The market has broken down hierarchical and autocratic obstacles between different peoples and distinct cultures. Speaking another language has not ever been such a big stumbling block: gesturing, acting, mimicking and other devices have always been up to the task. And even the usual haggling created such a rich social interaction. Anyone who has bought a hammock in a beach in the Brazilian Northeast will understand what I am talking about.

The Athenian agora was an open market. People would occupy the square not only to buy (as it happens nowadays in a grocery store), but also to live together, interact, and talk to each other. It was in the square of ancient Athens that democracy emerged, but it could only appear because the network of conversations were centered in (what came to be) a public space. Interaction (conversing) founded public spaces without which the first democracy just would not have come to fruition.

Before that, urban spaces were not public. They were state spaces, regulated — like everything in an autocracy — by the king. Common issues did not exist, for there were no commons. The issues that should be common were not, because the autocrat had privatized them (in Athens’s case, Peisistratos’s sons did that: Hipparchus and Hippias). Democracy arises as a deprivatization of the commons born of the publicization of the spaces where all could discuss these subjects. But remember: It was not by obeying the laws of the time nor by asking permission to the Peisistratids that the Athenians did that!

Nothing is public unless it has undergone a process of publicization. Being public is not a status (a previous configuration that was maintained) or a given, but a result of a process. Nothing can really be public by decree, by the determination or regulation of law. Human public environments are those that are socially arranged in a way that constitutes what we call the commons. Publicizing and democratizing go hand in hand. Publicizing public spaces and democratizing state regulations are always together. The existence of mercantile activities has never prevented them from arising; quite the contrary, it has made them come to be. The strongest evidence is that where there is commerce, there are no war feelings in the air. Free trade upsets war. It is bad for business. It is bad for interaction.

So, if we want to interact with everyone and not only with those who happen to show up because we judge they will be the people capable of understanding the ultimate meaning of our urban interventions (the term is not very good, admittedly) — ignoring that the people who show up are the right people —, we lack commercium in our activities. There is no point in coming up with a beautiful theoretical reason to justify our choice of some instead of everyone else. As von Baader would say, “nexus rerum is not nexus phenomenurum, but commercium spiritum.”

Imagine how many opportunities of establishing connections and getting out of our clusters we keep losing for lack of trade and commerce! We could see many people offering and demanding different goods and services (from hot dogs to fixing phones and computers to cooking courses to solving quadratic equations). Soon we will even have people manufacturing (with 3D printers and plasma cutting) personalized objects, equipment parts and so on.

Some will say that selling without a license is against the law and that government authorities will show up and crack down our activities in the end. Well! The Athenians who invented democracy (and public spaces) did not wait to get the tyrant’s stamp of approval before doing what they did, did they now? We are talking about free trade, not regulated trade. If we wanted to obey laws, the Occupy movement would not have taken the streets, and Tahrir Square and Maidan Square would have never been occupied.

“Oh, but that is something else entirely!” No, it is not. That is the point. It is exactly the same thing! If we are not willing to disobey, how can we intend to publicize public spaces? This is social revolution, but maybe social revolution was not what you had in mind. No, it is not that taking of some Winter Palace nor electoral victory against “the elites!” It is not just a change in the people who make up the state, but something that happens at the very core of society, altering the interaction flows of social life and changing people’s behaviors.

Making an urban vegetable garden where it is not allowed (or was not foreseen by state norms) is revolution. Having lunch in a public way holding up traffic is revolution. Setting up an educational activity in the public square with a free learning community network is revolution. And making a (real) trade fair is proper social revolution. Each one of those activities reconfigures hierarchies dominated by autocracies toward more networking (more distribution, connectivity, interaction) and freedom. There is no other way of doing that besides civil and political disobedience.

We are lacking commerce in the occupation of urban (so called) public spaces.

Translated from Portuguese into English by Erick Vasconcelos.

Feed 44
“Charles Koch Clutches Pearls, Dies of Moral Rectitude” on C4SS Media

C4SS Media presents ‘s “Charles Koch Clutches Pearls, Dies of Moral Rectitude” read by James Tuttle and edited by Nick Ford.

Over two hundred years ago free market economist Adam Smith pointed out that, when businesspeople get involved in government, it’s to protect themselves against competition and rob the public. That’s just as true of the Kochs as of the rest of them.

Portuguese, Stateless Embassies
Por que os libertários acreditam que só existe um direito

Aqueles que não são libertários com frequência consideram o libertarianismo desconcertante. Perceba o tom de perplexidade em muitas críticas às ideias libertárias — como nesta feita por Don Herzog (exemplo escolhido mais ou menos de forma aleatória):

Há uma firmeza cativante, se é que tal coisa não é um oxímoro, no libertarianismo. Ao mesmo tempo, e pelo mesmo motivo, trata-se de algo inacreditavelmente monótono. Em qualquer questão, podemos esperar que os libertários reclamem que os direitos das pessoas, em especial seus direitos de propriedade, estão sendo violados. Violações de direitos, aparentemente, são onipresentes: em leis que proíbem a venda e a posse de crack, nas regulamentações de zoneamento, nas legislações antitruste, em todo tipo de redistribuição econômica, até mesmo na propriedade pública de ruas e estradas e na própria cobrança de impostos. [1]

O que as entrelinhas dizem é o seguinte: por que qualquer pessoa acreditaria nessas ideias? Para os não-libertários, o libertarianismo parece simplesmente esquisito em sua insistência de que as pessoas, por um lado, não possuem direitos ao bem estar — e que, por outro lado, têm direitos de propriedade tão fortes que quase todas as leis existentes os violam. O libertarianismo, em seu foco estridente e aparentemente fanático nos direitos negativos acima de tudo, fatalmente remonta os não-libertários às escolas filosóficas pré-socráticas, que insistiam que tudo era formado por água, ou fogo, ou movimento, ou repouso. As políticas preferidas pelos libertários podem fatalmente parecer expressar uma mentalidade fundamentalista comparável, em estranheza e extremismo (embora, é claro, não em conteúdo), à do Talibã.

Essa aparência, eu argumentarei, é ilusória. Seu ponto de vista, sendo correto ou incorreto, não deriva de um conjunto de valores estranho, mas de valores bastante comuns combinados com um reconhecimento das implicações lógicas desses valores. Na seção 1, eu explicarei por que os libertários defendem direitos negativos em vez de positivos; na seção 2, darei alguns esclarecimentos sobre a aplicação dessa posição aos direitos de propriedade.

I. Um direito para todos governar

Os libertários acreditam [2] que existe, fundamentalmente, somente um direito: o direito de não ser agredido. Todos os os outros direitos são meras aplicações, e não suplementos, a esse direito básico. Assim, a grande gama de outros direitos reconhecidos pelos regimes políticos existentes — direitos positivos ou ao bem estar — são considerados ilegítimos.

Essa ideia parece misteriosa aos não-libertários e estranhamente unilateralista a seus críticos. Estar livre de agressões é algo certamente positivo, mas também é bom estar livre da fome, das doenças e da pobreza. Por que não reconhecer direitos em todos esses casos? Que tipo de visão desproporcional da vida humana os libertários podem ter para pensar que a agressão é um mal sério o suficiente para ser abarcado na elaboração de um sistema de direitos, mas a fome, as doenças e a pobreza não merecem consideração?

A seguir, eu oferecerei uma explicação da posição libertária. Embora eu aceite essa posição, não afirmarei sua veracidade; mas espero mostrar que não se trata de uma visão particularmente intrigante ou misteriosa e que não depende de considerações implausíveis (na verdade, não depende de qualquer consideração dessa natureza) da maldade relativa da agressão em comparação a outros males.

A posição libertária envolve duas afirmações distintas: primeiro, temos o direito de não ser agredidos (chamemos esta de “tese positiva”); segundo, não temos qualquer outro direito (podemos chamar esta de “tese negativa”). Embora nenhuma dessas duas teses seja particularmente controversa, a tese negativa pode ser alvo de discordâncias com maior frequência que a tese positiva. Para o libertário, porém, qualquer resposta dessa natureza expressa confusão, pois a tese positiva implica a negativa (pelo menos com a ajuda de algumas premissas truístas auxiliares).

Para os libertários, o conceito de direitos pertence, em primeira instância, ao âmbito da ética interpessoal e se aplica à esfera política somente de maneira secundária. Isso ocorre porque, para os libertários — e para a tradição liberal mais geralmente — os direitos não são produtos de um regime político, mas são anteriores a ele e o limitam. Portanto, os direitos não podem, sem cair em circularidade, ser definidos pelos objetivos do regime político. Se os regimes políticos são limitados por direitos pré-existentes — e têm como um de seus objetivos a proteção desses direitos —, então deve ser possível descrevê-los sem pressupor a existência do regime político. Uma característica chave das teorias políticas libertárias é a insistência de que não apenas sua natureza específica, mas também a própria existência da autoridade política requer justificativa e não pode ser simplesmente presumida. Se partirmos dos direitos naturais básicos que os seres humanos possuiriam em qualquer contexto social, incluindo no estado de natureza, então a especificação de um regime político em particular não pode subtrair qualquer desses direitos; mas também não pode criar direitos adicionais, porque, como veremos, a adição de um direito sempre envolve a subtração de outro.

Como, então, os direitos devem ser definidos, se todas as referências a instituições políticas devem ser omitidas? Possuir um direito é ter uma reivindicação moral junto a outra pessoa ou a um grupo de pessoas; mas nem todas as reivindicações morais são direitos. Meu direito de ser tratado de certa maneira envolve, pelo menos, a obrigação de outras pessoas de me tratarem dessa forma; mas deve também envolver mais do que isso, porque nem todas as obrigações possuem direitos correlatos. Eu tenho a obrigação de ser educado com meus colegas e grato a meus benfeitores, mas eles não têm direito (a não ser metaforicamente) de exigir minha educação ou gratidão.

Pode-se sugerir que o correlato a um direito não é qualquer obrigação, mas uma obrigação legal. Essa resposta está no caminho certo, além de estar de acordo com as associação histórica do termo, mas é inadequada. Pois, novamente, não podemos definir direitos, sem circularidade, como conceitos e instituições legais se desejamos usá-los como padrões independentes e restrições sobre as instituições legais. A referência a obrigações legais, porém, aponta um fato crucial: as obrigações correlatas aos direitos diferem de outras obrigações por poderem ser legitimamente impostas. Se você deseja fazer com que eu honre um reivindicação moral, você tem a liberdade de me censurar, convencer ou pagar, mas somente se a reivindicação for um direito, o uso da força seria legítimo como meio de garantir meu cumprimento. Logo, o direito de X sobre Y engloba tanto um componente de obrigatoriedade quanto de permissibilidade: a obrigação de Y de tratar X de certa maneira e a permissão para X ou para alguém que haja no lugar de X de forçar a adoção desse tratamento. (Perceba que a permissão de impor um direito não implica a permissão de exercer esse direito. Eu tenho o direito de publicar e distribuir panfletos nazistas; não seria permissível que eu exercesse esse direito, mas seria permissível para mim ou para alguém em meu lugar rechaçar, com a força se necessário, qualquer um que pretendesse suprimir esse direito.)

Se direitos são definidos pelo uso da força, então há restrições conceituais sobre o que podemos dizer sobre a relação entre direitos e a agressão. Pois a agressão e a força estão conceitualmente ligadas; a agressão é a iniciação do uso da força — ou, inversamente, o uso da força iniciado unilateralmente conta como agressão. (Na realidade, os contornos precisos desses dois conceitos ainda precisam de especificação, mas a vagueza de um é a vagueza do outro. Se existirem dúvidas quanto a uma ação específica contar como uso da força, haverá dúvidas se essa ação conta como agressão. [3])

Como já vimos, os libertários aceitam a tese positiva de que temos o direito de não ser agredidos. Alguns libertários aceitam esta tese em bases deontológicas, usando injunções kantianas, por exemplo, que afirmam que não devemos tratar as outras pessoas como meios para nossos fins, ou o princípio lockeano de que não somos “feitos para o uso dos outros”. Outros libertários aceitam a tese por conta de considerações consequencialistas, apontando os resultados benéficos dos relacionamentos voluntários e os problemas das relações coercitivas. [4]

Não importam quais sejam as bases, porém, pois mesmo aqueles que rejeitam a tese positiva concordariam que se trata de um argumento atraente e pouco misterioso; é a tese negativa que parece mais controversa. O que o libertário afirma é que não existe a possibilidade de aceitar a tese positiva e rejeitar a negativa, por causa da estrutura lógica dos conceitos envolvidos. Se as pessoas têm o direito de não serem agredidas, então as pessoas têm o direito de não serem sujeitas a qualquer iniciação do uso da força.

Considere as implicações. O que teria que ser verdadeiro se existisse algum direito adicional além do direito de não ser agredido? Esse direito ser equivalente a uma obrigação de ser tratado da maneira X, em que não agir da maneira X não constituísse agressão — ou seja, iniciação do uso da força. (Se não agir da maneira X constituísse iniciação do uso da força, então o direito de ser tratado dessa forma seria uma aplicação e não uma suplementação ao direito de não ser agredido.) Contudo, se não agir da maneira X não envolvesse a iniciação do uso da força, então esse ato deve implicar o uso da força não-iniciada ou não envolve o uso da força de qualquer maneira.

Suponha que não agir da maneira X não envolvesse nenhum tipo de uso da força; nesse caso, obrigar alguém a agir dessa forma constituiria o uso inicial da força, isto é, agressão, já que seria um uso da força em resposta a algo que não constituísse uso da força. Quando concedemos a tese positiva e reconhecemos o direito de não ser agredidos, não há direito cuja aplicação não envolva o uso da força para obrigar a adoção de uma conduta em caso de não-cumprimento.

Suponhamos que não agir da maneira X implique o uso da força, mas não sua iniciação. Dessa maneira, que tipo de força seria empregada? Presumivelmente, seria um tipo de limitação forçosa da agressão de outra pessoa, caso contrário seria iniciação do uso da força. Porém, a limitação forçosa da agressão alheia é permissível, pois ao concedermos a existência do direito de não ser agredido, também concedemos a permissibilidade da restrição forçada à agressão de outras pessoas — pois, como já vimos, o direito de não ser agredido envolve tanto a obrigação de não agredir quanto a permissão para usar a força para garantir essa não-agressão. Uma vez que a limitação forçosa do comportamento alheio é permissível, não pode haver um direito que proíba essa restrição.

Se uma atividade não envolve o uso da força, não pode existir qualquer direito de suprimi-la pela força, já que isso seria agressão e violaria o componente do direito de não ser agredido. Se uma atividade requer o uso não-inicial da força, então, novamente, não pode existir qualquer direito de suprimi-la, uma vez que essa aplicação da força violaria o componente de permissibilidade do direito de não ser agredido. Portanto, a única atividade cuja supressão forçada é logicamente coerente com o direito de não ser agredido é uma agressão. O direito de ser tratado de uma maneira X pode existir se a compulsão forçosa das outras pessoas para que elas ajam da forma X seja uma atividade cuja supressão pela força seja permissível. Portanto, se a agressão é a única atividade cuja supressão pela força é permissível, então a abstenção da agressão é a única atividade que pode legitimamente ser obrigatória. Segue-se que, ao reconhecermos o direito de não sermos agredidos, nós também, ipso facto, descartamos a existência de qualquer outro direito.

Permita-me formular o argumento de maneira um pouco mais formal:

  1. Toda pessoa tem o direito de não ser agredida por qualquer outra pessoa (tese positiva). (Premissa.)
  2. Agressão = iniciação do uso da força. (Premissa.)
  3. X tem o direito junto a Y de ser tratado da maneira Z apenas quando a) Y for obrigado a tratar X da maneira Z e b) quando for permissível para X, ou para alguém que esteja atuando no lugar de X, usar a força para compelir Y a tratar X da maneira Z. (Premissa.)
  4. Qualquer atividade só pode ser uso inicial da força, uso não inicial da força ou não-uso da força.
  5. Uma atividade não é um uso inicial da força apenas quando ela for uma utilização da força para suprimir a iniciação de força por terceiros. (Premissa.)
  6. Qualquer coisa que seja permissível fazer não pode ser suprimida pela força. (Premissa.)
  7. Fazer algo é obrigatório quando não fazê-lo for impermissível. (Premissa.)
  8. Se uma atividade não for uma utilização da força, então suprimi-la de maneira forçosa é uma iniciação do uso da força. (Premissa.)
  9. Se X tem o direito de ser tratado da maneira Z, então é permissível para X, ou para quem age no lugar de X, usar a força para compelir Y a tratar X da forma Z. (3)
  10. Toda pessoa tem o direito de não ser alvo da iniciação do uso da força por qualquer outra pessoa. (1, 2)
  11. Toda pessoa é obrigada a não iniciar o uso da força contra qualquer outra e é permissível para qualquer pessoa, ou para quem agir em seu lugar, utilizar a força para impedir a iniciação do uso da força contra essa pessoa. (3, 10)
  12. Toda pessoa é obrigada a não iniciar o uso da força contra qualquer outra. (11)
  13. É permissível para qualquer pessoa, ou para quem estiver agindo em seu lugar, utilizar a força para impedir que os outros iniciem o uso da força contra ela. (11)
  14. Se X possuir qualquer direito junto a Y além do direito de não ser agredido por Y, então deve existir uma forma de agir, Z, que não constitua agressão e, no entanto, é permissível para X, ou para quem age em seu lugar, utilizar a força para compelir Y a tratar X da maneira Z. (9)
  15. Se X possuir qualquer direito junto a Y além do direito de não ser agredido por Y, então deve existir uma forma de agir, Z, que não constitua iniciação do uso da força em caso de inação. Contudo, é impermissível para X ou para seu agente utilizarem a força para compelir Y a tratar Z da maneira Z. (2, 14)
  16. Se X possuir qualquer direito junto a Y além do direito de não ser agredido por Y, então deve existir uma forma de agir, Z, cujo não-desempenho seja um uso não-inicial da força ou não constitua uso da força. Contudo, é permissível para X ou para seu agente utilizar a força para compelir Y a tratar X da maneira Z. (4, 15)
  17. É permissível para qualquer pessoa empregar o uso não-inicial da força. (5,13)
  18. É impermissível para qualquer pessoa impedir forçosamente qualquer outra de fazer o uso não-inicial da força. (6, 17)
  19. É impermissível para qualquer pessoa iniciar o uso da força contra qualquer outra. (7, 12)
  20. É impermissível para qualquer pessoa impedir forçosamente que qualquer outra se envolva em atividades que não seja o uso da força. (8, 19)
  21. É impermissível para uma pessoa impedir forçosamente que qualquer outra se envolva em atividades que sejam usos não-iniciais da força ou que não constituam uso da força. (18, 20)
  22. Não existe qualquer forma de agir, Z, em que o não-desempenho de Z constitua o uso não-inicial da força ou não constitua uso da força e que, mesmo assim, seja permissível para X ou para seu agente utilizar a força para compelir Y a tratar X da maneira Z. (21)
  23. Não existe qualquer direito além do direito de não ser agredido (tese negativa). (16, 22)

A acusação frequente de que os libertários reconhecem poucos direitos — que deveriam reconhecer os direitos positivos além dos negativos —, portanto, é vazia. Uma vez que cada direito carrega consigo a permissibilidade de sua compulsão, a introdução de novos direitos sempre introduz novos usos permissíveis da força para restringir as atividades das pessoas, fechando assim certas escolhas que estavam abertas anteriormente a elas. Se eu ganhar o direito de ser tratado da maneira M, você não pode perder o direito corresponder de não me tratar da maneira M. Portanto, toda vez que acrescentamos um direito, nós ipso facto subtraímos outro; a quantidade total de direitos, assim, só pode ser reorganizada, mas jamais aumentada. É possível que os libertários reconheçam apenas direitos que sejam errados, mas não faz sentido dizer que reconhecem poucos.

Uma vez que os libertários reconhecem somente direitos negativos, e não positivos, críticos presumem com frequência que os libertários devem também, bizarramente, reconhecer apenas obrigações negativas e não positivas. Porém, é evidente que os libertários reconhecem ambas. [5] O que ocorre é que os libertários entendem que as obrigações negativas excluem a compulsoriedade das obrigações positivas; a exclusão dos direitos positivos deriva das limitações conceituais inerentes às obrigações negativas, não por uma preferência pelas obrigações negativas em detrimento das positivas. (Os libertários não têm a obrigação, por exemplo, de considerar a liberdade de não ser agredido como mais importante que outros valores.)

A tese positiva inicialmente parecia mais plausível que a negativa, mas ao concedermos desde a premissa 2 até a 8, percebemos que ambas estão conceitualmente ligadas e só são válidas ou inválidas de forma conjunta. É claro que essas premissas podem ser desafiadas; elas possuem, contudo, certa obviedade. O alvo mais provável para o não-libertário, assim, é a premissa 1, a tese positiva, que deve perder grande parte de sua plausibilidade quando vemos que, para aceitá-la, devemos aceitar também a negativa. O não-libertário, então, terá que superar os argumentos deontológicos e consequencialistas em prol da tese positiva. Na minha opinião, esses argumentos são sólidos, mas defendê-los não é meu objetivo presente. Aqui, eu pretendia apenas delinear a estrutura lógica do libertarianismo e mostrar como suas afirmações funcionam de forma conjunta.

II. A lógica da propriedade

Um entendimento mais completo da concepção libertária da não-agressão requer a dispensa de alguma atenção à questão dos direitos de propriedade. Os libertários notoriamente condenam como imorais quaisquer intervenções à propriedade privada. Porém, como isso está conectado à posição libertária em relação à agressão? Afinal, nós poderíamos reconhecer o direito de não sofrer agressões iniciadas, mas negar que a tomada das posses externas de alguém constitua uso inicial da força ou qualquer outro uso de força.

Primeiro observemos que, dado que o direito de propriedade é o direito de exercer controle sobre recursos externos [6], aqueles que favorecem programas assistenciais, regulamentações econômicas e impostos redistributivos são tão defensores da propriedade quanto os libertários. Aqueles que afirmam que os mais pobres têm direito sobre a riqueza em excesso dos mais ricos (ou mesmo vice versa) [7] afirma o direito de parte de um grupo de exercer controle sobre certos recursos que, até então, estavam sob controle de outro grupo. Assim, o libertário e o assistencialista-estatista discordam não da existência de direitos de propriedade, mas das condições de transferência desses direitos. [8]Para o libertário, um direito de propriedade pode passar de X para Y somente se ambas as partes derem consentimento à transferência [9]; para o assistencialista-estatista, essa transferência de direitos de propriedade pode ser desencadeada não por consentimento mútuo, mas também por causa de, por exemplo, a necessidade de Y, a despeito do consentimento de X. Portanto, a rejeição libertária dos direitos positivos não descarta ipso facto a existência de direitos ao bem estar ou do estado assistencial — ao menos não ser argumentos adicionais, uma vez que o estado de bem estar poderia ser interpretado como um garantidor dos direitos negativos dos indivíduos de não serem impedidos de ter acesso aos recursos a que têm direito. [10]

O que, então, explica a discordância libertária da posição assistencialista?

Uma vez que os libertários aceitam a tese positiva, eles reconhecem o direito de controle de recursos externos e que a interferência nesse controle constituiria iniciação do uso da força. Isso nos leva de volta ao problema de esclarecer o que define o uso da força. Imagine um mundo em que as pessoas expropriam livremente as posses umas das outras; ninguém faria uso da força inicial contra o corpo de outra pessoa, mas dada essa restrição, as pessoas regularmente tomariam posse de quaisquer recursos externos em que conseguissem colocar as mãos, sem considerar quem produziu ou usava o bem em questão. Qualquer concepção de agressão segundo a qual o mundo descrito estivesse livre de agressões não seria plausível. [11]

Segue-se, portanto, que devemos reconhecer como instâncias de iniciação da força, algumas formas de interferência no controle das pessoas sobre recursos externos, mesmo se nenhuma agressão ao corpo estiver envolvida. Porém, se essas formas de interferência constituem a iniciação do uso da força, então deve ser permissível interferir em seu emprego; assim, segue-se que devemos também reconhecer algumas formas de interferência que não constituem o uso inicial da força. Em suma, é logicamente necessário que exista um sistema de direitos de propriedade — isto é, um conjunto de princípios que determina quando é permitido ou não interferir no controle que uma pessoa tem sobre um recurso externo.

A questão, portanto, é: qual sistema de direitos de propriedade é a materialização do direito de não ser agredido? Aqui, eu não argumentarei que o sistema libertário é decisivamente superior ao sistema estatista-assistencialista. Tentarei mostrar, simplesmente, que há algumas dificuldades em considerar o sistema estatista como uma defesa do direito de não-agressão e que o sistema libertário não está sujeito a essas dificuldades específicas.

Os direitos de propriedade libertários são notoriamente regidos por princípios de justiça na apropriação inicial (a mistura do trabalho com recursos anteriormente sem dono), de justiça na transferência dos bens (consentimento mútuo) e de justiça em retificações (digamos, restituição mais danos). [12]

É fácil ver como o direito de não ser agredido é interpretado nesse caso: o uso inicial é considerado como a força a tomada de um recurso ao qual uma pessoa tem direito justo por aplicação dos três princípios citados. Se essa pessoa não possuir o direito ao recurso de acordo com esses princípios, mas tiver a posse dele de qualquer maneira, então minha tomada do bem em questão é considerada uso da força, mas não força inicial, dado que eu aja em nome do indivíduo que tem o direito legítimo ao recurso; caso contrário, eu estarei fazendo uso inicial da força contra aquela pessoa. [13]

Talvez a posição descrita acima não seja a posição mais defensável do direito de não ser agredido, mas ao menos é uma posição possível e uma forma inteligível de materializá-lo. [14]

Não está claro, contudo, se o mesmo pode ser dito a respeito da alternativa estatista-assistencialista. O defensor dessa alternativa pode alegar que constitui agressão a posse de vários bens quando há pessoas que precisam mais deles; mas o que isso significa na prática? Suponha que a disparidade de riquezsas entre Scrooge e Cratchit seja grande o bastante para dar a Cratchit o direito a uma porção dos bens de Scrooge. Várias dificuldades surgem imediatamente.

Primeiro, se Cratchit for inicialmente tiver sido inicialmente tão rico quanto Scrooge e tenha se tornado pobre imediatamente por algum infortúnio, então Scrooge, sem agir de maneira alguma, deixou de ter o direito legítimo sobre seus bens e passou a ser seu dono ilegítimo. Se a tomada de recursos é considerada uso da força — como deve ser, se os direitos de propriedade forem baseados no direito de não ser agredido —, segue-se que, por conta da aquisição do título legítimo de propriedade dos bens que estão de posse de Scrooge por Cratchit, a posse dos bens por Scrooge de repente passou a contar como agressão (já que, do contrário, a tomada dos recursos por Cratchit seria o uso inicial da força). Contudo, qualquer concepção de agressão de acordo com a qual o agressor apenas passa por uma mudança de Cambridge parece inadequada. [15]

Além disso, quão grande deve ser a disparidade de riquezas entre Scrooge e Cratchit antes que a transferência dos títulos de propriedade seja desencadeada? A qual porcentagem dos bens de Scrooge Cratchit adquire direito? Se há muitos Scrooges e muitos Cratchits, por quais meios determinamos quanto os Cratchits podem tirar dos Scrooges? O princípio da diferença rawlsiano e outros parâmetros não seriam de grande ajuda aqui, porque não determinam quaisquer consequências. Não é possível dizer, por exemplo, que qualquer Cratchit tenha o direito a continuar tomando os recursos de qualquer Scrooge até que a disparidade entre suas condições socioeconômicas seja reduzida até o ponto em que seja favorável à pessoa que está em posição pior, porque isso não nos dá quaisquer resultados práticos. O princípio da diferença não serve para ditar quais seriam as transferências específicas, mas é um padrão contra o qual políticas que regulam transferências específicas podem ser testadas.

Ou seja, o princípio da diferença e outras diretrizes não são princípios éticos interpessoais. São parâmetros elaborados para guiar as leis e políticas de um regime político. O que o estatista-assistencialista de fato defende não é o direito de Cratchit de tomar uma porção dos bens de SCrooge, mas o direito de Cratchit de fazer com que o estado aloque os recursos na sociedade de acordo com regras que passam no teste do princípio da diferença ou num análogo. Porém, nesse caso, o direito do estado ao controle dos recursos de Scrooge passa a dever ser justificado. [16]

Uma vez que os governos, em qualquer visão liberal, não são corpos místicos de união social, mas são apenas conjuntos de indivíduos em pé de igualdade com os governados, o estado não pode ter mais direitos que a soma dos direitos dos indivíduos que o compõem. [17]

Lembre-se também de que, se direitos são padrões externos de avaliação das instituições políticas, eles não podem, sem recair em circularidade, ser definidos com apelo a essas instituições; ao contrário, para parafrasear Jefferson, os governos são instituídos entre os homens para garantir direitos definidos de forma independente. Portanto, não é possível que exista um direito básico de ser tratado de uma certa maneira pelo governo; qualquer direito dessa natureza deve ser redutível aos direitos válidos em relações interpessoais comuns. O sistema libertário de direitos de propriedade é passível de descrição dessa maneira; a posição estatista-assistencialista, aparentemente, não.

Claro, é possível rejeitar a tese positiva, que afirma que as pessoas não devem sofrer agressão, assim como também é possível rejeitar a afirmação de que os direitos sejam uma limitação externa sobre as instituições políticas. Eu diria, porém, que o resultado não seria uma teoria libertária; na verdade, teria saído completamente da tradição liberal. [18]

A veracidade ou falsidade do libertarianismo, contudo, não é minha preocupação neste artigo. Eu afirmo ter demonstrado somente o seguinte:

  1. Mesmo que a tese positiva — que temos o direito de não ser agredidos — não seja verdadeira, não há nada de particularmente misterioso ou desconcertante em considerar essa tese plausível e atraente.
  2. Dada a tese positiva, em conjunto com algumas premissas bastante plausíveis, a tese negativa — de que não temos direitos além do direito de não ser agredidos — se segue necessariamente. Assim, não há nada particularmente misterioso ou desconcertante em defendê-la.
  3. Dadas tanto a tese positiva quanto a negativa, a visão libertária dos direitos de propriedade é mais defensável que a posição estatista-assistencialista, então não há nada de particularmente misterioso ou desconcertante na preferência pela primeira em detrimento da segunda.

Caso eu tenha sido bem sucedido em meus objetivos, as posições éticas e propostas políticas libertárias devem parecer agora, se não atraentes, ao menos compreensíveis. [19]

Notas:

[1] HERZOG, Don. Gimme That Old-Time Religion. Critical Review 4, nos. 1-2 (1990), p. 74-85.

[2] Dada a diversidade do movimento libertário, provavelmente não existe uma frase verdadeira que comece com “os libertários acreditam” caso essa frase seja entendida como “todos os libertários acreditam”. A visão descrita aqui, porém, certamente é a mais dominante. Portanto, o termo “libertários”, aqui e durante todo o texto, se refere somente ao “libertarianismo predominante”. Uma defesa bastante típica da posição que eu descrevo, embora apresentada em termos diferentes pode ser encontrada em ROTHBARD, Murray. The Ethics of Liberty. Nova York: New York University Press, 1998.

[3] Deve-se notar que a “agressão”, da forma que é usada aqui, é um conceito descritivo e não normativo. Por isso, a proibição libertária às agressões não é um truísmo. (É verdade que o termo “agressão” tem conotações pejorativas — e merecidas! Mas termos como “tortura” e “genocídio” também têm; isso não os torna conceitos normativos. Nesses casos, a conotação pejorativa não é parte do significado estipulado ao termo, mas deriva do reconhecimento do fato de que o termo descreve um ato verdadeiramente mau.)

[4] Minha posição pessoal é a de que considerações deontológicas baseiam uma forte presunção em favor da tese positiva, que essa presunção poderia, em princípio, ser anulada por considerações consequencialistas suficientemente fortes e que, no entanto, argumentos consequencialistas reforçam a tese positiva ao invés de anulá-la.

[5] Isso é verdadeiro mesmo para a minoria de libertários que baseia sua teoria de direitos em fundamentos egoístas. O egoísmo ético não é uma teoria sobre o âmbito de nossas obrigações, mas sobre suas bases.

[6] Para o libertário, evidentemente, a propriedade de uma pessoa não inclui somente seus recursos externos, mas também seu corpo. Porém, para meus objetivos presentes, ignorarei essa complicação e restringirei o uso do termo “propriedade” somente a recursos externos.

[7] É importante notar que a maioria dos libertários considera que o estado regulatório assistencial opera redistribuindo renda, em média, para cima e não para baixo — um argumento apoiado por considerações econômicas e históricas, invocado com frequência em discussões consequencialistas da tese positiva. Veja, por exemplo, LONG, Roderick. Rothbard’s ‘Left and Right’: Forty Years Later. Mises Daily Article, 8 abril, 2006, Disponível em: <http://mises.org/story/2099>. They Saw It Coming: The 19th -Century Libertarian Critique of Fascism. 2 novembro, 2005. Disponível em: <http://lewrockwell.com/long/long15.html>; e Who’s the Scrooge? Libertarians and Compassion. Formulations 1, no. 2 (inverno 1993-94). Disponível em: <http://tinyurl.com/7pqhr>.

[8] Cf. LONG, Roderick T. Abortion, Abandonment, and Positive Rights: The Limits of Compulsory Altruism. Social Philosophy and Policy 10, no. 1, 1993, p. 166-91.

[9] Ou como compensação à vítima de uma violação de direitos. Para uma elaboração desse direito como aplicação e não como suplementação ao direito de não ser agredido, veja LONG, Roderick. The Irrelevance of Responsibility. Social Philosophy and Policy 16, no. 2, 1999, p. 118-145.

[10] Cf. STERBA, James P. From Liberty to Welfare. Social Theory and Practice 11, no. 3, 1985, p. 285-305.

[11] Lembre-se de que a agressão aqui ainda é tratada como conceito descritivo e não normativo. Portanto, a questão não é saber se um mundo em que se pode tomar posse de qualquer coisa é livre de injustiças, mas se ele é livre da iniciação do uso da força. Se eu morrer de fome porque alguém saqueia minha despensa toda vez que eu viro as costas, não parece implausível descrever essa situação como fome forçada.

[12] NOZICK, Robert. Anachy, State, and Utopia. New York: Basic Books. 1974.

[13] A afirmação de que ninguém tem direito a qualquer recurso é absurda, porque, nesse caso, ninguém teria o direito de decidir o que acontece com ele, o que, por sua vez, significaria que ninguém tem o direito de interferir no uso alheio desse recurso — uma posição perigosamente próxima à concessão de títulos de propriedade a quem quer que use dado bem no momento.

[14] Sou simpático a ideia lockeana mais ampla de que o direito de uma pessoa ao controle exclusivo de suas posses é análogo a seu direito de exclusivo controle sobre as moléculas que compõem seu corpo. Efetiviamente, as fronteiras físicas do eu não são o corpo da pessoa, mas seus projetos contínuos; de fato, o corpo de uma pessoa é apenas um desses projetos, então o direito à integridade física é apenas mais um direito de propriedade (cf. WHEELER III, Samuel C. Natural Property Rights As Body Rights. Noûs 16, 1980, p. 171-193). Contudo, meu argumento presente não depende da validade dessa ideia, uma vez que, neste momento, minha tese não é a de que a visão libertária da propriedade privada é verdadeira, mas que é uma aplicação plausível da tese positiva descrita, ao contrário da posição estatista assistencialista.

[15] Ann Levey sugere que um estatista poderia evitar minha objeção da mudança de Cambridge afirmando que ninguém tem direito a qualquer propriedade acima de um mínimo básico. Nesse caso, os direitos de propriedade excedentes dos ricos, ao invés de ter como condições de transferência mudanças de Cambridge, nem existiriam em primeiro lugar. Evidentemente esse estado de bem estar seria bastante estranho. Assim que todos recebessem seu mínimo básico, o governo poderia dispor livremente dos excedentes dos mais ricos e os próprios ricos estariam livres para tomar suas propriedades de volta. Esse sistema, contudo, mesmo se funcional, ainda estaria vulnerável à objeção da mudança de Cambridge. Não pode haver uma violação de direitos sem um violador de direitos. Então, se eu tenho direito a um mínimo básico, isso significa que, quando eu estou aquém desse mínimo, alguém deve estar violando meu direito. Mas se todos ficarem aquém desse mínimo, ninguém poderia ser o violador de direitos. Portanto, o direito a um básico mínimo só faz sentido se o nível do mínimo não for fixo, mas se variar de acordo com a riqueza geral da sociedade. Nesse caso, ainda temos um problema de mudança de Cambridge: ser um agressor ou não depende das mudanças na economia como um todo.

[16] James Sterba afirma que direitos assistenciais são direitos negativos de propriedade e infere que as considerações libertárias tornam obrigatório um estado de bem estar: “Apenas um estado assistencial seria capaz de resolver os problemas de coordenação da provisão de bem estar. Consequentemente, ao percebermos a justificativa dos direitos ao bem estar com justificativas libertárias, o argumento em favor do estado de bem estar não precisa nem ser afirmado”. (STERBA, citado acima, p. 305.) Porém, mesmo se ignorarmos os argumentos consequencialistas oferecidos pelos libertários contra a tese de que o estado de bem estar é o meio mais efetivo de garantir os direitos ao bem estar, ainda existe um problema: se é somente no contexto de um estado de bem estar, como parece pensar Sterba, que nós podemos estabelecer quais obrigações são requeridas pelos direitos ao bem estar, então direitos de bem estar pré-existentes não podem ser especificados, ao contrário do que ele afirma, e por isso não podem ser usados para justificar a instauração de um estado assistencialista. (Para uma visão possivelmente contrária, veja SHEARMUR, Jeremy. The Right to Subsistence in a “Lockean” State of Nature. Southern Journal of Philosophy 27, no. 4, 1989, p. 561-68.)

[17] Para mais sobre o impulso fundamentalmente igualitário por trás da doutrina libertária, veja LONG, Roderick T. Equality: The Unknown Ideal. Disponível em: <http://www.mises.org/story/804>

[18] Cf. LONG, Roderick T. Immanent Liberalism: The Politics of Mutual Consent. Social Philosophy and Policy 12, no. 2, 1995, p. 1-31.

[19] Este artigo foi beneficiado pelos comentários de Ann Levey — embora eu suspeite que ela vá considerar esta versão tão absurda quanto a última.

Traduzido do inglês para o português por Erick Vasconcelos.

Anarchy and Democracy
Fighting Fascism
Markets Not Capitalism
The Anatomy of Escape
Organization Theory