Meia Légua, Meia Légua, Meia Légua Avante(*)

The following article is translated into Portuguese from the English original, written by Thomas L. Knapp.

(* Do poema de Tennyson A Investida da Brigada Ligeira, inspirado em um dos episódios mais desastrosos de toda a história militar britânica. Ver por exemplo http://pt.wikipedia.org/wiki/Carga_da_Brigada_Ligeira)

Não é fácil calar-me. Tendo a ser o primeiro a dar opinião, certa ou errada, e não há muita coisa que me faça não agir assim nessa área.

Tenho de confessar, contudo, ter ficado, por um momento, sem fala e de queixo caído com a rematada ousadia de uma pesquisa da Notícias da CBS na Internet acompanhando a história de dois homens sentenciados, na terça-feira, no Reino Unido (“Britânicos pegam 4 anos de prisão por postagens de protesto no Facebook,” em 17 de agosto): “São quatro anos de prisão pena muito severa para uma postagem no Facebook?”

Realmente nem tenho de tratar da questão das respostas dos leitores (embora, enquanto escrevo, 50% dos respondentes nauseabundamente declaram-se por “Que nada, o castigo é justo”). A única coisa possivelmente mais apavorante do que a pergunta ela própria formulada de cara limpa é a ausência, entre as respostas de escolha múltipla, da opção “você por acaso está doido? Prisão? Por umapostagem no Facebook?

Amigos, isto não é uma situação limite — “fogo num teatro repleto” ou “palavras de  ódio” faladas enquanto brandidos coquetéis molotov. É claro caso de pessoas sentadas em frente de computadores, digitando coisas para serem lidas por outras pessoas sentadas em frente de outros computadores.

Nem, aparentemente, o Serviço de Promotoria da Coroa recorreu matreiramente a acusações de “conspiração” ou lançou mão de outras formas de esperteza para fazer parecer que se tratava de coisa diferente de expressão verbal. As acusações foram formuladas de maneira simples, sendo o alegado crime “incitação à desordem.”

Como escrevi alhures, a guerra pelo futuro da humanidade — uma guerra que se desencadeia há séculos, uma guerra na qual os lados são, um, o estado contra todo mundo mais, o vencedor toma tudo, e o que está em jogo é nada menos do que um futuro dominado pelo totalitarismo e, o outro, a mais ínfima das probabilidades de criação de uma sociedade livre — ao longo do ano passado ou em torno disso foi eviscerada até reduzir-se a sua essência de guerra de informação. As armas do estado são muito reais e suas vítimas ainda estão rubras de sangue, mas a batalha será ganha ou perdida em nível de controle de informação e de comunicação.

Embora eu acredite firmemente que apenas um resultado — o fim o estado-nação westfaliano — seja possível, fico surpreso com a velocidade com que os estados estão confirmando minha estimativa da situação mediante descerem à tática do desespero: O ataque frontal.

No decurso de apenas um ano, ou em torno disso, as revelações do Wikileaks e o affaire Bradley Manning levaram o governo dos Estados Unidos a afastar-se da abordagem tradicional de “controle dos danos” diante de revelação de segredos de estado embaraçosos e a adotar uma política de impedir a todo custo a investigação do estado pelo público.

No decurso de meros meses, fomos da condição de “democracias ocidentais” admoestadoras do regime de Mubarak no Egito por ele vedar acesso à Internet para conter uma revolução, à condição da burocracia do Transporte Rápido da Área da Baía de San Francisco que bloqueou o acesso a telefones celulares para que sua autoridade não seja “questionada.”

Em questão de poucas semanas a condição da “mídia social” foi duplamente transformada — primeiro, de “um livre mercado de ideias” para local potencialmente perigoso no qual prisioneiros podem cometer abusos, e agora disso para um lugar onde comunicar-se pode tornar alguém num prisioneiro.

Tudo o que precede, naturalmente, auxiliado pela mídia cãozinho de colo, com súbito consternado interesse em “grupos de aglomeração súbita-ação-dispersão” e com temeridade para formular perguntas tais como “são quatro anos de prisão pena muito severa para uma postagem no Facebook?” como se a resposta correta pudesse concebivelmente ser qualquer coisa outra que “você por acaso está doido?”

As coisas certamente ficarão piores antes de melhorar, mas a catinga do medo circunda o estado e seus defensores. E por bom motivo. Eles estão vivendo na protelação de um tempo que já se esgotou.

Artigo original afixado por Thomas L. Knapp em 17 de agosto de 2011.

Traduzido do inglês por Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme.

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