A Máquina Paliativa: Monopólio Médico Sob Corporação-Estado
The following article is translated into Portuguese from the English original, written by Sebastian A.B..

O sistema de medicina dos Estados Unidos é corrupto, ineficaz e desnecessariamente caro. Esses resultados decorrem da violência do estado em favor da elite politicamente bem relacionada (especificamente seguradoras privadas, médicos, empresas farmacêuticas e de equipamento médico). Escassez artificial, superfaturamento, má alocação de financiamento de pesquisa e supressão de terapias alternativas (não patenteáveis) podem ser remediados mediante revogação dos privilégios concedidos pelo estado à elite e pelo restabelecimento de financiamento cooperativo e mutualizado dos cuidados de saúde.

“Se o governo nos prescrevesse nossos medicamentos e dieta, nossos corpos ficariam na mesma situação em que se encontram atualmente nossas almas.”

Thomas Jefferson, Notas acerca do Estado de Virgínia, Questionamento 17, 157–61

Seguro Mercearia

O problema essencial do financiamento médico é descrito pela analogia do Seguro Mercearia — pagamento por terceiro (nominalmente seguradoras “privadas” ou o estado) divorcia preço de custo, distribui responsabilidade, suprime competição e exerce pressão altista sobre os preços: quando seu segurador só impõe uma pequena franquia para cada ida ao supermercado, você provavelmente comprará muito mais caviar, filé mignon e óleo de trufas brancas.

Analogamente, o vendedor aumentará os preços. Quando outra pessoa paga, o vendedor e o comprador não têm interesses antagônicos; o vendedor quer cobrar preços mais altos, e o comprador não se importa. Em última análise, os custos são externados. As companhias de seguros são inescrupulosas em seus esforços para conter custos, negar cobertura e ludibriar clientes (por necessidade) – a despeito de tudo, os custos são agregados ao fundo de seguro e redistribuído em forma de prêmios mais altos para todos. Não existe almoço de graça, e o modelo de seguros está baseado em tentar abocanhar o seu.

O estado, desorganizado como é, tem menos incentivo para ser implacável na minimização de custos, mas imenso desperdício é objeto de baixa contábil sob a rubrica de gasto humanitário indispensável. O estado sofre de deseconomias de escala, inércia burocrática, falta de incentivo para economizar e, por sua natureza, o estado é centralizado e propenso a corrupção. Hospitais, companhias farmacêuticas e médicos tiram proveito do inepto Panóptico mediante superfaturamento, empurroterapia e execução de procedimentos desnecessários.

Assim, pois, o sistema de duas vertentes de não prestação de contas empura os custos de cuidados de saúde numa única direção – para cima. Enquanto isso, pagadores de tributos e de prêmios são extorquidos sem ter para onde fugir – a tal ponto que 17% do PIB dos Estados Unidos e 23% do orçamento federal são gastos em cuidados de doença. Ninguém deveria culpar as pessoas doentes por o sistema estar quebrado; elas funcionam dentro de constrangimentos muito estreitos, especialmente falta de acesso a comida saudável, água limpa, informação médica precisa, e suportam condições de trabalho inseguras. Afirmar que as pessoas são aproveitadoras hedonistas do que ganham de graça é fácil. Poucas farão escolhas saudáveis por causa do espectro de custos médicos futuros; fazem-nos para evitar contrair doença. O problema é que há poucas opções, ponto final, e essas são todas insalubres.

Seja Seu Alimento Seu Remédio, ou Hipócrates Rolando no Túmulo

A cultura estadunidense não é conducente a saúde ideal. Comidas típicas estadunidenses são cachorros-quentes, hambúrgueres, refrigerantes e “comida étnica” culturalmente apropriada com aumento do conteúdo de sal, gordura e açúcar. O estado tornou difícil para as pessoas (especialmente as pobres) o consumo de comida saudável.

Planos quinquenais centralmente impostos chamados Estatutos Agrícolas subsidiam certos alimentos (milho, soja, trigo, canola, açúcar, laticínios), abrem espaço para modificação genética, biocidas e fertilizantes petroquímicos, e subtraem influência aos produtores locais. O estado afirma estar protegendo produtores rurais familiares, que quase já não existem mais. Essas formas de proteção na verdade subsidiam os lucros de empresas tais como Monsanto, Syngenta, ConAgra e Archer Daniels Midland (ADM). Na verdade, para manipulação de preços, alguns produtores agrícolas são pagos para não produzir alimentos.

Essa é a insanidade econômica da agricultura de lucro privatizado e custo socializado de Chomsky; a União Soviética fracassou por motivos similares, particularmente o problema do conhecimento de Hayek. Mescle a impossibilidade de calcular os parâmetros apropriados de um sistema complexo com corrupção corporativa institucionalizada e voilà – o sistema de agricultura estadunidense. Como o próprio Dwayne Andreas da ADM disse de modo espirituosamente incisivo: “Não há um único grão de qualquer coisa que seja vendido num livre mercado. Nem um! O único lugar onde você vê livre mercado é nos discursos dos políticos.” [1] Isso mesmo, Sr. Andreas, e o senhor é o beneficiário.

A crise de alimentos é caracterizada por superabundância de alimentos insalubres e escassez de saudáveis. Nas zonas centrais urbanas decadentes têm surgido “desertos de alimentos;” grandes radiais onde não é possível encontrar hortifrutigranjeiros frescos – apenas lojas de bebidas alcoólicas e de armas de fogo. Soluções racionais radicais incluem projetos agrícolas urbanos de larga escala tais como Poder de Cultivo, Movimento Transição e os Cultivadores Urbanos Sempre Verdes de Cleveland. A crise de alimentos não é o foco da presente perquirição mas, de qualquer modo, ela é  crítica.

Nem é a qualidade da água grande coisa. Flúor, cloro, metais pesados, escorrência agrícola superficial e componentes sintéticos, inclusive produtos farmacêuticos, DDT e bisfenol A contaminam a água por cuja proteção o estado é pretensamente responsável. Cada vez mais comunidades estão removendo a medicação forçada do flúor da água, mas isso é fácil em comparação com, digamos, impedir que resíduos de mercúrio oriundo de hulha se acumulem em região banhada por sistema fluvial. A filtragem da água é mecanismo vitalmente importante que, infelizmente, desfavorece os pobres ou desinformados.

A solução sustentável de longo prazo para a crise dos cuidados de saúde é ir à raiz doença – dieta e estilo de vida. Assim sendo, questões relativas a custos, e tecnicismos administrativos, são ociosos. Entretanto, se a sociedade atingisse alto nível de saúde, algumaspessoas (talvez aquelas com distúrbios predominantemente genéticos) ainda assim poderiam ter atendimento de baixa qualidade. Infelizmente, dentro dos atuais constrangimentos, é improvável que pessoas em número suficiente tenham o esclarecimento e a iniciativa para colocarem sua saúde nos trilhos por conta própria. Portanto, o sistema médico precisa ser refeito para parar de ferir as pessoas (mas não pela força, expropriação de propriedade, ou outras formas de autoritatismo).

O Templo do Médico

“Primeiro, Não Cause Dano.” – Hipócrates

Os guarda-pós brancos são vistos como reis-deuses da ciência (e os médicos amiúde acreditam nisso, desenvolvendo eles próprios arrogantes complexos de deus). Sua condição alcançada via de regra resulta de sua condição herdada; apenas os nascidos em famílias abonadas, antes de tudo, podem permitir-se tornar-se médicos. Isso perpetua uma noção classista de superioridade intelectual e tomada de decisões “Eu é Que Entendo Deste Assunto” em cuidados de saúde.

A relação entre doutor (da raiz latina docere, ou ensinar) e paciente não mais é de compaixão, respeito e livre contrato; há uma assimetria de poder na qual o doutor não pode ser questionado (e ele ridiculariza ideias não ortodoxas). Os médicos inclusive têm uniformes, títulos e salários prestigiosos para robustecimento de sua superioridade. Os doutores começam a acreditar saber tudo e a desdenhar automaticamente de tratamentos a eles não ensinados na faculdade.

Nem faz tanto tempo que o Dr. Ignaz Semmelweis foi expulso da profissão (e enlouqueceu) por ousar sugerir que os médicos lavassem as mãos entre autópsias e partos. Foi posteriormente conhecido como o “Salvador Húngaro das Mulheres,” porque os índices de infecção das novas mães caíram abruptamente depois de sua teoria excêntrica ter sido posta em prática.

Dito tudo isso, os doutores podem também ser salvadores de vidas, santos, gênios e visionários. O presente sistema médico, entretanto, não atrai esses tipos, nem é conducente a fazer vir à tona essas virtudes nos praticantes de medicina. O problema não está no indivíduo, mas na instituição. Os policiais, na maioria, não são brutamontes repressores eles próprios, mas a instituição da polícia serve para esmagar dissidência, conduzir guerra contra as pessoas pobres e proteger a propriedade roubada pela elite. Como disse Omali Yeshitela, uma força policial militarizada “só se torna necessária numa conjuntura na qual existem aqueles que têm e aqueles que não têm.”

Destrutivo Sindicato de Trabalhadores: A Associação Médica Estadunidense

Os conservadores há muito tempo desdenham dos sindicatos de trabalhadores. Afirmam que os consumidores são prejudicados por preços mais altos, que os sindicatos usam táticas terroristas, e que a “minoria perseguida” de Rand, os grandes homens de negócios e acionistas corporativos, são insultados pelas exigências arrogantes de trabalhadores emproados.

Deixando de lado o fato de que os sindicatos de trabalhadores estabeleceram o dia de oito horas, fins de semana, e eliminaram o trabalho infantil, os sindicatos de trabalhadores são vitais para modelos econômicos de capitalismo liberal; o trabalho organizado é a máquina por trás da ascensão dos salários. As afirmações de que os sindicatos de trabalhadores são injustos dificilmente são de ser tomadas a sério, dada a importância do Movimento Trabalhista no início do século 20 para assegurar condições básicas de decência no local de trabalho. [2] De qualquer forma, as cooperativas de trabalhadores tornam tanto sindicatos quanto chefes obsoletos e são, em verdade, mais eficientes do que empresas capitalistas fundadas em relação escravo-senhor. [3]

Há contudo pelo menos um pseudo-sindicato inquestionavelmente destrutivo: a Associação Médica Estadunidense – AMA. A AMA usa sua considerável influência política para limitar o número de médicos que podem ser treinados anualmente, tornando os médicos artificialmente escassos e alcançando salários mais altos no mercado. Primeiro declarada em 1924 por Morris Fishbein, a AMA continua a conduzir guerra não abertamente reconhecida contra modalidades competidoras tais como quiropraxia, naturopatia e parteiras. A mesma cruzada é levada a efeito pela Associação Odontológica Estadunidense, Sociedade Estadunidense do Câncer, Instituto Nacional do Câncer e Academia Estadunidense de Pediatria. [4]

É preciso pagar por grau de MD, D.O., N.D. e por uma licença governamental para praticar até mesmo medicina básica. Faculdades de medicina e médicos são artificialmente escassos e farmácias autorizadas pelo estado só reconhecem a legitimidade deles para escreverem receitas. Os pacientes têm de pagar o custo amortizado da faculdade de medicina para obterem uma simples receita de antibiótico. Na China, médicos chamados de médicos de pés descalços recebem quantidade moderada de treinamento médico e viajam pelo país tratanto de condições médicas comuns tais como infecções e fraturas. [5] Paralelamente ao envelhecimento dos nascidos na explosão populacional do pós-guerra, requerendo mais cuidados médicos, há desesperadora escassez de provedores médicos. Como guilda que é, a AMA faz lobby para impedir que enfermeiros práticos e assistentes de médicos pratiquem sem a supervisão paternalista de um guarda-pó branco. [6]

Só médicos podem assumir riscos médicos sérios e cometer equívocos médicos sérios. Qual a dimensão dos equívocos que os médicos podem cometer é questão muito debatida, e é difícil ver como poderia ser completamente diferente. Em que ponto risco razoável torna-se negligência? Quando é que a atividade necessariamente arriscada de conter o anjo da morte torna-se licença para cometer equívocos horrendos?

No presente, a regra britânica é que ‘médicos’ que tenham recebido certificação do governo (isto é, da oligarquia médica patrocinada pelo governo – nunca é demais mencionar isto, pois é a essência da questão) podem assumir riscos médicos muito mais graves do que aqueles que sejam ‘médicos’ apenas na opinião de seus pacientes.

Se um médico (certificado pelo governo) fizer uma operação de algum tipo e a operação der errado (como ocorrerá sempre com operações, vez por outra), bem, essas coisas acontecem. Não há como ser médico sem cometer o equivalente médico de erros, no esporte, de cálculo de tempo, ou de deixar cair a bola depois de agarrá-la, ou de cometer o erro tipográfico ocasional. Por outro lado, se você não for ‘médico’ e assumir riscos médicos, então, mesmo que tudo dê certo, enfrentará problemas legais. [7]

Com efeito, um monopólio de licença, considerado razoável pelo estado, protege a negligência e proíbe a certos tipos de pessoas a prática da medicina, a despeito de demanda pelos pacientes.

Golpe de Estado – Relatório Flexner

No Ocidente, as drogas farmacêuticas nem sempre foram a opção principal de tratamento. Antes de 1910, as formas dominantes de medicina eram nutricionais, herbais, osteopáticas, e cirúrgicas. O uso habitual de comprimidos e a frase “Um Comprimido Para Cada Doença” são fenômenos relativamente novos.

A mudança rumo ao tratamento farmacêutico derivado de petroquímicos começou em 1910, com o golpe de estadoeducacional de John D. Rockefeller e Andrew Carnegie, o Relatório Flexner. Esse relatório foi uma pesquisa reformatada para proposta formal, acompanhada de doações maciças a certas faculdades (propinas), que estabeleceu o código das instituições médicas que temos hoje. A estipulação precípua era a de que essas faculdades enfatizasssem drogas farmacêuticas de preferência a métodos tradicionais de tratamento.

O relatório também recomendava a fusão das faculdades de medicina com as universidades, o que fez subir o custo da instrução em medicina, limitando o acesso a todos, exceto às pessoas do sexo masculino brancas da classe alta. Ademais, o pacto estipulava que novas faculdades de medicina só poderiam ser criadas com aprovação do estado. Os barões ladrões reestruturaram o sistema de formação médica porque desejavam remodelar a  imagem pública de si próprios, mas também para urdirem uma indústria geradora de lucros nas décadas seguintes. [8] Rockefeller era também eugenista, esperando produzir um Übermensch [Super Homem] usando o novo campo da genética, que ele financiou largamente em Colúmbia e no Laboratório Cold Spring Harbor.

É de duvidar que mesmo os barões ladrões pudessem imaginar o quanto a situação dos medicamentos escapou de controle. A mesma falta de visão provavelmente se aplica ao monopólio da Standard Oil de Rockefeller — em seu evangelismo da gasolina, John D. provavelmente não esperava que a geopolítica viesse a girar em torno do petróleo como hoje gira. Mudanças desconhecidas porém influentes de políticas têm efeitos duradouros e caóticos. Isso é especialmente verdade quando legislação simples tem, de uma penada, o poder de desencadear a potente propaganda conhecida como anúncio direto ao consumidor.

Há trinta anos o agressivo executivo principal da Merck, Henry Gadsden, disse à revista Fortune de sua mágoa pelo fato de os mercados em potencial da empresa terem ficado limitados a pessoas doentes. Sugerindo que preferiria que a Merck fosse ‘mais como a fabricante de goma de mascar Wrigley’s,’ Gadsden lamentava acalentar, de longa data, sonho de fazer medicamentos para pessoas saudáveis. Pois, se assim fosse, a Merck poderia ‘vender para todos.’ Três décadas depois, o sonho do falecido Henry Gadsden tornou-se realidade. [9]

Os anúncios diretos ao consumidor começaram em 1981, e realmente deslancharam em 1995. A grande indústria farmacêutica convence você de que você está doente, que você tem “maus genes,” e só drogas farmacêuticas baseadas na indústria petroquímica tornarão você saudável. Para dar suporte a esse mito, empresas como Pfizer, Ely Lilly, AstraZeneca, GlaxoSmithKline e Sandoz são amiúde flagradas conluiando-se com a academia para apresentar falsamente eficácia de medicamentos aos médicos. A indústria da doença também faz lobby junto a políticos para assegurar que os lucros sejam maximizados em todas as frentes, independentemente das consequências humanas.

Nos dias de hoje, a grande indústria farmacêutica promove drogas para depressão crônica e transtoro de déficit de atenção – ADD. São tratamentos bandeide — o primeiro levanta o ânimo e mata a emoção a fim de anestesiar os pacientes para os males de seu ambiente, e o segundo ministra a crianças anfetaminas viciantes para que elas se tornem robôs hiperestimulados que por fim desenvolvem psicoses e exaustão adrenal. Tudo isso numa tentativa de “tornar normal” o comportamento. Acontece que a resposta emocional é despertada por estímulos ambientais. Em outras palavras, há motivo para crianças não se sentarem quietinhas dentro do sistema de escolas públicas de modelo militar prussiano, e há justificativa para alguém sentir-se cronicamente deprimido no mundo moderno.

Interações de drogas farmacêuticas não podem ser preditas com qualquer grau de certeza. “A pessoa média acima de 65 anos hoje usa sete diferentes medicações por dia, quatro prescritas e três sem prescrição médida,” disse Andrew Duxbury, MD, professor associado de geriatria na Universidade do Alabama -UAB e diretor da clínica de cuidados a idosos da Clínica Kirklin da UAB. “Nunca houve estudo controlado em ser humano envolvendo mais de três medicamentos circulando no corpo ao mesmo tempo. Portanto ninguém sabe, científicamente, exatamente o que acontece no seu corpo quando você toma sete, 10, ou uma dúzia ao mesmo tempo.” [10]

Os médicos sabem muito acerca de farmacologia, mas não muito acerca de nutrição ou medicina preventiva. Fatores de dieta e estilo de vida são a causa principal de morte prematura. [11] Os médicos recebem quantidade mínima de educação dietética. Estudo de 2006 de todas as faculdades de medicina dos Estados Unidos comprovou que menos de 41% das 106 pesquisadas oferecia o mínimo de 25 horas ou mais recomendado pela Academia Nacional de Ciências em 1985. [12] Essa recomendação foi feita enquanto estavam no ar anúncios de margarina “saudável” – com gorduras trans que hoje se sabe aumentarem a incidência de câncer e de doença cardíaca.

Não é preciso dizer, talvez em 1985 subestimássemos a importância da nutrição e, à luz da moderna evidência, a recomendação deveria ser de mais do que o parco mínimo de 25 horas. Vinte e cinco horas de instrução é o mesmo que duas horas por dia, cinco dias por semana, durante um total de duas semanas e meia. Isso não é nada, dado o quanto dieta e estilo de vida contam na patogênese. No mesmo estudo, 88% dos instrutores expressaram necessidade de educação nutricional adicional.

Má Ciência

“Simplesmente não é mais possível acreditar em grande parte da pesquisa clínica que é publicada, ou confiar no juízo de médicos fidedignos ou em diretrizes médicas fidedignas. Não me é agradável chegar a essa conclusão, à qual cheguei vagarosa e relutantemente ao longo de minhas duas décadas como editora do Periódico de Medicina da Nova Inglaterra.” – Marcia Angell, M.D.

Como é que drogas que se revelam perigosas obtêm reputação robusta na comunidade médica, para começar? Apresentação enganosa de dados pela Grande Indústria Farmacêutica, pela FDA, e por órgãos normativos internacionais foi fator importante. A FDA no passado era financiada inteiramente pelo governo federal (época quando a cooptação corporativa era vista com desfavor).

Em 1992, George H.W. Bush modificou as regras, e a FDA agora obtém mais de 40% de sua receita de tributos cobrados de companhias farmacêuticas. A versão britânica da FDA obtém 70% da receita de companhias farmacêuticas, graças às reformas iniciais de Margaret Thatcher nos anos 1980. A FDA ter monopólio da regulamentação já é ruim o bastante, e os conservadores mercantilistas acima mencionados simplesmente exigiam suborno impudente. A solução é desmonopolizar a regulamentação e permitir que entidades como o Grupo de Trabalho Ambiental ou os Laboratórios Subscritores certifiquem segurança e qualidade.

Hoje, há uma porta giratória de influência de políticas públicas, lobby, academia e corporação. Há múltiplos métodos empregados para apresentar enganosamente a pesquisa. Nem toda pesquisa é publicada — apenas cerca de 40% dela aparecem em periódicos. Na pesquisa publicada, há um “viés de publicação,” onde estudos que mostram resultados positivos (mostram que os medicamentos funcionam) são mais amiúde publicados do que aqueles que mostram que os medicamentos não funcionam ou são tóxicos.

Outra técnica é “fatiar salame” — A Grande Indústria Farmacêutica menciona os mesmos dados múltiplas vezes em numerosos estudos. Não há móbil de lucro para pesquisa financiada independentemente que busca tirar medicamentos perigosos do mercado. Ademais, a pesquisa independente não é publicada nos principais periódicos como The Lancet ou NEJM. Finalmente, manipulação contábil padrão, ou distorção dos números: qualquer pessoa ao longo da cadeia de comando pode, com uma batida de tecla, corromper os dados. Pesquisa apoiada pela indústria precisa ser vista com colossal reserva. [13]

Por exemplo, metanálise de 166 estudos acerca do adoçante artificial da Monsanto aspartame correlacionou fonte de financiamento com resultados. Setenta e quatro foram financiados pela indústria e 92 foram financiados independentemente. Cem por cento dos estudos financiados pela indústria concluíram que esse aditivo à comida era seguro, enquanto 92% da pesquisa financiada independentemente identificou problemas. [14]

Tais riscos incluem excitotoxidade, convulsões, transtornos do humor, dores de cabeça, aumento de apetite e câncer. [15] [16] Dos seis estudos financiados “independentemente” que concluíram por ausência de perigo, cinco deles foram conduzidos pela FDA. Repetindo, isso faz com que um dentre 92 estudos financiados independentemente tenha concluído ser a substância segura. Até hoje, o aspartame é a substância que mais recebe reclamações dirigidas à FDA, a qual insiste em que o adoçante é seguro.

“Propriedade” Intelectual – O Monopólio da Patente

Os direitos de propriedade estão limitados àquilo que é finito, ou de reprodutividade limitada. Ideias não são fisicamente escassas. Analogamente, o oxigênio não é escasso, e portanto não é realista considerá-lo propriedade. A terra é escassa — não está sendo fabricada em quantidade superior à existente. Há bom motivo para utilizarem-se os direitos de propriedade para organização não violenta. O que, porém, acontece quando pretensa propriedade não existe fisicamente? É o caso da propriedade intelectual. É forma ilegítima, artificial de propriedade, que só existe por causa da violência do estado. Os subprodutos dos “direitos” de patente são rentismo de monopólio para o proprietário e escassez artificial para todo mundo mais. Este tópico é tratado em detalhe alhures [17] [18].

Algumas pessoas acreditam que as patentes são mal necessário para tornar atraente o desenvolvimento de novas ideias e tecnologias. Primeiro, é duvidoso que a maioria dos intelectuais seja precipuamente motivada por lucros excepcionais. Lucro nunca é inspiração para as grandes mentes. Como disse Jonas Salk, o descobridor da vacina para poliomielite: “Não existe patente. Poderá alguém patentear o sol?” Ele tinha uma intenção superior para sua descoberta; não queria que ninguém sofresse desnecessariamente a fim de que bolsos científicos pudessem ficar forrados de dinheiro.

Mesmo, porém, assumindo que pesquisa socialmente útil não ocorresse sem o potencial de lucros excepcionais, há um mecanismo de ocorrência natural no mercado que recompensa a originalidade: o inchamento de preços. Há um período de tempo entre o momento em que a invenção é levada ao mercado e o em que os competidores conseguem fazer engenharia reversa e manufaturar sua própria versão. Esse período permite que o inventor cobre alto preço (se valorizar seu ganho pessoal marginal mais do que a disponibilidade para as pessoas pobres). Mais importante, porém, eliminar patentes abriria espaço para mais criatividade. Nas atuais circunstâncias, os desenvolvedores não têm permissão para aproveitar ideias de outras pessoas sem o pagamento de royalties. Isso atrasa o progresso tecnológico.

No caso de medicamentos farmacêuticos essa dinâmica é particularmente perniciosa. Recente estudo concluiu que a indústria farmacêutica despendeu 24,4% de seus dólares de vendas em promoção, em contraste com 13,4% para pesquisa e desenvolvimento, como percentagem de vendas internas aos Estados Unidos de $235,4 biliões de dólares. [19] Os preços artificialmente altos protegidos por patentes privam os pobres de medicamentos necessários, como é o caso no tocante à medicação para malária e AIDS no mundo em desenvolvimento. Medicamentos genéricos, vendidos por preço de custo de produção, poderiam suavizar essa tragédia. Hoje, pessoas estão morrendo para impulsionar lucros. Por todos os critérios, a indústria farmacêutica é a mais lucrativa de todas. [20]

“Os lucros combinados das dez empresas de medicamentos na Fortune 500 ($35,9 biliões de dólares) foram maiores do que os lucros de todas as outras 490 empresas juntas ($33,7 biliões de dólares) [em 2002]. Nas últimas duas décadas a indústria farmacêutica distanciou-se enormemente de seu alto propósito original de descobrir e produzir novos medicamentos úteis. Agora precipuamente máquina de marketing para vender medicamentos de benefício duvidoso, essa indústria usa sua riqueza e seu poder para cooptar toda instituição que se interponha em seu caminho, inclusive o Congresso dos Estados Unidos, a FDA, centros médicos acadêmicos, e a própria profissão médica.” – Marcia Angell, médica.

[Por favor, para ver o gráfico de barras consulte o original em http://c4ss.org/content/19098]

Para mais da ex-editora-em-chefe do NEJM, Marcia Angell, ver A Verdade Acerca das Empresas de MedicamentosSua Perigosa Farmácia, e Empresas de Medicamentos e Médicos.

Os Mercadores de Medicamentos

“Os remédios fazem você morrer vagarosamente.” – Plutarco

Pesquisar a indústria farmacêutica acaba com a fé da pessoa na humanidade. É como ler acerca do Congo do Rei Leopoldo, ou da pesquisa médica em campos de concentração nazistas. A pura intensidade da sociopatia da elite é impressionante. A extensa lista de crimes é longa demais para ser repetida aqui, mas basta dizer que a indústria inteira tem sido acusada de crimes contra a humanidade no Tribunal Criminal Internacional de Haia. [21]

Medicamentos xenobióticos são compostos químicos não encontrados em a natureza, e para os quais os seres humanos não dispõem de vias metabólicas eficientes de desintoxicação. São também o único tratamento que as companhias farmacêuticas podem patentear. Tratamentos herbais ou dietéticos não têm sido acolhidos pela indústria da doença, pois não podem ser patenteados. Precisamente por isso métodos dietéticos de Hipócrates, Pitágoras, Galeno, Avicena e da atual florescente legião de médicos de medicina natural são atacados e depreciados pela hegemonia vampiresca. Apesar disso, o público está acordando, e muitos médicos desertam para a medicina alternativa, e a demanda dentro desse setor está aumentando rapidamente. [22]

A Agência de Alimentos e Medicamentos – FDA é o setor de Gestapo do complexo industrial médico, promovendo a blitzkrieg da máquina contra a verdadeira saúde e a longevidade. Por décadas, a FDA sistematicamente levou a efeito incursões em cooperativas de alimentos, contra médicos usando terapias alternativas, fazendas, atéigrejas em esforço para suprimir terapias autênticas. Ela envia vans cheias de equipes de SWAT com rifles M16, algemas e coletes à prova de balas. Documentos, computadores, dinheiro, ervas e dispositivos são confiscados, e dano excessivo é causado às instalações. A FDA justifica as incursões com base em acusações que são, posteriormente, retiradas, e sistematicamente impõe, depois, multas exorbitantes a seus alvos. [23]

“O que me aborrece é as pessoas acharem que a FDA as está protegendo. O que a FDA está fazendo e o que o público pensa que ela está fazendo são tão diferentes quanto dia e noite.” – Dr. Herbert Ley, ex-comissário da FDA (1968-9)

A FDA restringe acesso tempestivo e de preço razoável a medicamentos necessários, mente acerca da segurança e eficácia a fim de proteger lucros, suprime terapias alternativas e desacredita médicos que as utilizam com sucesso. [24]

Em 2010, o Presidente Barack Obama nomeou o ex-advogado da Monsanto Michael Taylor como Comissário Adjunto de Alimentos da FDA. Ao longo de sua carreira, Taylor vacilou entre representar a Monsanto e trabalhar para a FDA — uma porta giratória par excellance. Em 1994, Taylor determinou que a FDA não exigisse que fosse rotulado o hormônio do crescimento recombinante bovino (rBGH), [25] que é tóxico para seres humanos e vacas. [26] Ele é proibido em países mais civilizados como Canadá, Austrália e Japão (e em toda a União Europeia).

Até julho de 1988, as autoridades alfandegárias dos Estados Unidos confiscavam qualquer sulfato dextrano que pacientes de AIDS trouxessem do Japão. Essa droga revelava alguma eficácia em inibir a capacidade do vírus HIV de atacar células brancas do sangue. Não deveriam as pessoas doentes ser livres para se informar e tratar de si próprias? A mesma lógica se aplica à fracassada e draconiana Guerra às Drogas; o indivíduo soberano está totalmente dentro de seu direito ao administrar a si próprio qualquer substância, independentemente das consequências pessoais. Só ao agredir outra pessoa comete transgressão.

Há muitas terapias de câncer não ortodoxas, como os antineoplastos do Dr. Stanislaw Burzynski, [27] o protocolo Gerson, chá de Essiac, ácido elágico, laetrile, ácido ascórbico em alta dosagem, terapia eletromagnética, e dúzias de terapias dietéticas. [28] São todas altamente controvertidas, principalmente não por serem arriscadas, e sim porque se qualquer delas funcionar, ameaçará os lucros monopolizados das companhias farmacêuticas. De qualquer forma, a eficácia e toxicologia dessas terapias é irrelevante; os indivíduos precisam ser livres para escolher a própria medicina. No presente, a FDA processa, multa, prende e revoga a licença de qualquer médico que use métodos proibidos.

Otimistamente, a maré está mudando, e o Movimento de Liberdade em Saúde está ganhando força, exigindo reforma e eliminação da FDA em favor de agências do mercado tais como o Grupo de Trabalho Ambiental. Temos, como tema recorrente na autoritária estrutura federal dos Estados Unidos, o caso de uma agência centralizada, cooptada, protecionista, iludindo e tornando doente a população em favor de lucros de curto prazo. [29]

A máquina da doença não apenas extorque as pessoas vendendo a altos preços remédios de charlatão, como também reprime sistematicamente pesquisa de terapias eficazes, e até revoga as licenças de médicos que usem protocolos de tratamento não tóxicos e/ou baseados em nutrição. Célere se aproxima o dia quando a população transporá limiar de consciência e exigirá desforra da trindade impura que é a aliança FDA-Academia-Indústria Farmacêutica.

Para o milhão que morrerá este ano de doença cardíacaevitável e câncer, e os 100.000 por ano que morrerão de reações adversas a medicamentos, a mudança poderá não chegar a tempo. [30]

Livro recente, de Ben Goldacre, Má Indústria Farmacêutica, detalha algumas das transgressões da indústria.

Estudo de Caso: Dr. John Richardson e laetrile (amigdalina)

O Dr. John Richardson tinha uma clínica em Albany, Califórnia. Em 1972, foi objeto de incursão da FDA por prescrever um medicamento não aprovado para câncer chamado laetrile.

Autoridades armadas irromperam em seu consultório e, na presença de pacientes (bem como de fotógrafos de notícias que a FDA havia avisado para que cobrissem a prisão), algemaram-no, e a suas duas enfermeiras, e os arrastaram para a prisão como criminosos perigosos. O consultório foi pilhado e os arquivos pessoais e a correspondência do Dr. Richardson foram apreendidos. Pacientes necessitados de tratamento médico foram mandados para casa. Uma criança com câncer avançado da perna morreu pouco depois. É possível que a morte pudesse ter sido evitada não fora a interrupção do tratamento e o trauma psicológico da criança, resultante da incursão. [31]

Seja o medicamento eficiente ou não, alguns pacientes o desejam. Por que deveria o estado tratar um médico como criminoso por oferecer um serviço procurado pelas pessoas? Será que, no fundo, o estado realmente busca o melhor interesse das pessoas? O Dr. Richardson não é caso especial; esse é o modo padrão de proceder da FDA.

Há muitos outros homens corajosos que ficaram em situação delicadíssima. O Dr. Ernst Krebs, co-descobridor do laetrile, foi mandado para a prisão por fornecer ácido pangâmico (vitamina B15) como terapia auxiliar no tratamento do câncer. O Dr. James Privitera, M.D., de Covina, California, cumpriu pena de prisão por alegada “conspiração para vender laetrile.” O Dr. Bruce Halstead, M.D., de Loma Linda, Califórnia, outro defensor do laetrile, perdeu sua licença médica por usar o medicamento herbal “não comprovado” chamado ADS (Aqua Del Sol) como intensificador do sistema imunológico. O Dr. Douglas Brodie, de Reno, Nevada, outro especialista em laetrile, cumpriu pena de prisão, alegadamente por “sonegação de imposto de renda.”

O próprio Dr. Richardson resumiu a orwelliana pandemia artificial do estado como segue:

A pessoa média, segura em sua casa e seu sustento, não havendo nunca sentido o ataque esmagador de literalmente centenas de advogados pagos com impostos, não ameaçada por sentença de prisão por meramente fazer o que sabe ser direito, tal pessoa simplesmente não tem como entender a lógica de um urso ferido.

Quando criminosos de guerra nazistas foram acusados de genocídio, defenderam-se alegando terem apenas cumprido ordens e obedecido as leis do estado nazista. O mundo civilizado gritou: “Culpados!” Espera-se que o homem se curve a uma lei mais alta do que a de qualquer estado. Quando as leis de um governo exigem que um homem condene pessoas inocentes à morte, este tem de rejeitar essas leis e ser fiel a sua consciência. Se não o fizer, não será diferente dos nazistas que foram enforcados por crimes de guerra. […]

Quanto sofrimento e morte está o povo estadunidense disposto a aceitar antes de não se curvar à burocracia? Quantos médicos terão de ser postos na prisão antes de todos os médicos gritarem “basta!” ao crescente controle do governo sobre sua profissão? De quantos Watergates precisaremos antes de compreender que homens mortais são corrompidos pelo poder, e que a solução dos problemas de alguém repousa não em aumentar o poder do governo, e sim em diminuí-lo?

O espírito de resistência está no ar. Ele é uma brisa refrescante, mas dá-me grande esperança. Já resolvi ficar sozinho se necessário for. Contudo, enquanto escrevo estas palavras finais, não consigo deixar de pensar, haverá alguém mais aí? [32]

O duas vezes vencedor do Prêmio Nobel Linus Pauling declarou: “Todo mundo deveria saber que a maior parte da pesquisa relativa a câncer tem muito de fraude e que as principais organizações de pesquisa de câncer são altamente negligentes no tocante a seus deveres para com as pessoas que as apoiam.” Entidades tais como as fundações Rockefeller, Ford e Carnegie atualmente financiam pesquisa de câncer, as mesmas fundações que, no passado, apoiaram o movimento eugênico (e hoje fazem negócio com empresas tais como a Monsanto). [33]

Confusão Estatista Acerca de Direitos

As pessoas precisam ser livres para escolher sua medicina, e ter acesso (mas não direito imposto pelo estado) a cuidados médicos. Associação voluntária e comércio não violento entre pessoas livres é o meio mais eficaz e moral de serem proporcionados cuidados médicos acessíveis na ausência de coerção do estado.

É problemático quando a ação do estado é apresentada como “proteção de direitos,” porque o estado inicialmente restringiu o tipo de cuidados médicos que as pessoas obtêm e empobreceu os trabalhadores logo de início. [34] [35] O estado protege os direitos de seus súditos do mesmo modo que o fazendeiro protege seu rebanho: espuriamente, e apenas até o matadouro.

Estatistica bem-intencionada declara certos serviços direitos. Todo mundo reconhece certos direitos, particularmente direitos negativos, tais como não ser morto ou escravizado. Não deveria haver direito a bens ou serviços escassos quando esse direito está alicerçado na tributação (furto). Se uma sociedade livre quiser reconhecer tal direito, ele só poderá ser concretizado de maneira moral voluntariamente, apoiado na decência e na boa vontade humana, em vez de em monopólio e ordens oficiais.

O furto sistemático só é justificado sob o jugo do capitalismo; onde a classe proprietária tem empregado coerção (ou capitalizado em cima de violência preexistente do estado) para amealhar suas fortunas, tornando moral furtar uma parcela e redistribuí-la (se isso é o que verdadeiramente acontece na maioria dos estados do bem-estar social é duvidoso; o sistema de tributação pode em realidade ser regressivo e beneficiar mais assistencialismo à corporação do que cuidados reais para os pobres). [36]

“Minha ideia era subornar as classes trabalhadoras, ou, deveria eu dizer, ganhar o favor dela, de modo a ela ver o estado como uma instituição social existindo para o bem dela e interessado no bem-estar dela,” disse Otto von Bismarck. Certamente o estado assistencialista-beligerante é preferível à escola de estadismo histórica sangue-e-ferro pré-Bismarck; entretanto, isso é um paliativo, o opium das volkes. O bem-estar social é uma ferramenta funcionalista para manter a música tocando e o navio de escravos do capitalismo singrando ao ritmo dela. Todo mundo no navio quer ficar à tona, mas por queestá no navio, antes de tudo, é algo menos investigado, debatido, ou entendido.

Felizmente, porém, a economia comportamental sugere que os seres humanos são altruístas e compartilham voluntariamente seu excedente. Há explicações para esse comportamento baseadas na ideia de evolução. Se um médico não oferecer cuidados médicos para os pobres, todo mundo mais na sociedade poderá nutrir sentimentos de altruísmo ou ter senso de justiça e destinar pequenos montantes de seu excedente para caridade. Poderá também aglutinar-se para ajuda mútua, sob acordos de seguro cooperativo.

O argumento de que o estado é necessário para fazer valer beneficência é circular. Se ninguém se preocupasse com caridade, não usaria esta como justificativa para controle pelo estado. As pessoas valorizam caridade e justiça previamente ao estado, que expropria a propriedade delas e dá apenas uma lasca para os necessitados.

Ademais, responsabilidade pessoal por uma sociedade falida é lançada nas costas do estado (“Não me responsabilizem, eu pago meus impostos!”). Esse pretenso dinheiro de tributação poderia também ter ido para caridade (amiúde mais eficiente do que programas assistencialistas do estado, por causa do overhead). Os estadunidenses já doam mais do que os residentes de 152 outros países – imaginem quanto mais ficaria disponível se um terço de seus ganhos não fosse roubados deles. [37] Enquanto isso, o estado dos Estados Unidos despende apenas 1,5% do orçamento federal em “ajuda” externa (inclusive armas e projetos de infraestrutura que, no final das contas, beneficiam corporações estadunidenses). A avaliação radical é que o capitalismo de estado cria ou exacerba as condições que tornam necessária a caridade antes de tudo.

Como a maioria dos problemas sociais, a crise dos cuidados de saúde é exacerbada por dois fatores: ignorância e pobreza.

As “massas imundas” são desencaminhadas pela mídia de Edward Bernays e Joseph Goebbels para consumir hedonisticamente (alimento e medicamento) até o ponto da doença e, em seguida, buscam alguma panaceia (outra coisa que possam comprar) para serem curadas. Abstinência, disciplina e moderação (por mais solenemente puritanas que sejam essas palavras) não entram no cenário. O ascetismo é ruim para os lucros! A saúde existe num estado de equilíbrio (homeostase). O desequilíbrio leva à doença. Hoje, a pretensa cura para envenenamento é um tipo de veneno ligeiramente diferente (medicamentos).

A ignorância disseminada não é coincidência. No início do século 20 a classe trabalhadora tinha alto nível de alfabetização, ouvia preleções e publicava seus próprios periódicos. O sistema educacional atual está eivado de violência do estado, levando a propaganda jingoísta e a ultrafiltragem em vez de a esclarecimento autêntico, porque a maioria das pessoas é pobre demais para prover suas próprias escolas.

Assim, para obter financiamento do estado (o próprio dinheiro delas, para começar – pilhagem tributária), as comunidades abrem mão de seu direito de educar seus filhos como entendem melhor. Portanto os estudantes fazem juramento de lealdade à bandeira, sob Deus, e comemoram o Dia de Colombo. O sistema escolar é concebido para manufaturar trabalhadores obedientes e eficientes – não livres-pensadores. [38] [39] Essa ignorância manufaturada contribui para saúde precária, especialmente mediante engendrar deferência condicionada a figuras de autoridade tais como médicos e autoridades da FDA.

Pobreza é encontrada no cerne dos problemas sociais mais perniciosos. A maior parte dos crimes é cometida por necessidade de dinheiro. As pessoas não podem viver vidas plenas e libertadoras porque precisam trabalharpara adiar aprofundamento de sua destituição (amiúde debalde).

A pobreza é também o motivo pelo qual as pessoas não podem pagar cuidados médicos próprios do próprio bolso; somos forçados a nos agrupar e coletivizar para sobreviver (ou na genuína solidariedade das sociedades de ajuda mútua ou no torniquete da desumanizadora administração da saúde pelo estado). Se os trabalhadores recebessem o valor pleno de seu trabalho, talvez tais mecanismos de sobrevivência fossem desnecessários.

Medicina de Monopólio do Estado

Sistema de pagante único não resolverá os problemas básicos de alimentos tóxicos, medicamentos e estilo de vida. O socialismo de estado parece funcionar bem em lugares como Escandinávia, mas a saúde do povo de lá, para começar, é melhor do que a nossa (e o povo, de modo geral, é mais civilizado). [40] Mesmo pessoas que vivem em estados com cuidados de saúde “socializados” poderiam ficar em melhor situação usando o modelo libertário-socialista de ajuda mútua.

A essas nações falta também a cultura de compadrio capitalista que os Estados Unidos têm em alto grau. Os mesmos Estados Unidos onde o projeto de lei do Obamacare foi rascunhado por Liz Fowler, lobista da indústria médica. [41] Fowler trabalhou na Seguradora Well Point antes de rascunhar o projeto de lei, depois foi advogada do Congresso, e desde então passou pela porta giratória para os braços acolhedores da gigante farmacêutica Johnson and Johnson. [42]

Não, Obama não é messias socialista radical; seu projeto é uma propina para a indústria, típica do corporatismo-estado “Progressista.” Se ao menos ele fosse socialista, no sentido em que Benjamin Tucker usava o termo.

O analista da política de saúde de Washington Ramsey Baghdadi prevê ganho líquido de $30 biliões de dólares em dez anos para a indústria farmacêutica. “A indústria farmacêutica saiu melhor dessa situação do que todo mundo mais – não vejo como pudesse ter feito muito melhor,” disse. A indústria obteve polpudas concessões com o Obamacare, como evidenciado pela alta dos preços dos serviços de saúde e das ações de seguradoras no dia em que o Supremo Tribunal manteve o projeto de lei.

As concessões para a indústria incluem: patentes de nome de marca válidas por 12 anos, com subsídios federais crescentes para medicamentos. Os lobistas impediram a importação de medicamentos fabricados no exterior, restringiram a comercialização de genéricos por competidores e proibiram o Medicare de conseguir negociar preços de remédios. Os interesses farmacêuticos despenderam estimativamente $188 milhões de dólares em lobby em 2009, com um exército de 1.105 lobistas, de acordo com o Centro de Política Responsiva. No que poderá representar choque para vítimas do engodo do menor dos dois males, os Democratas, há muito tempo, abriram mão de qualquer tentativa de aparentar oporem-se ao poder corporativo e aceitaram 56% do total de suborno – mais do que os Republicanos. [43] [44]

Os métodos das organizações de gerência de saúde voltada para o lucro também são problemáticos. Por exemplo, tomemos a abjeta conversa de 1971 gravada em fita entre o sempre abominável Richard Nixon e o assistente John D. Ehrlichman (de notoriedade de Watergate) que levou à Lei HMO de 1973:

Ehrlichman: “Edgar Kaiser está administrando seu acordo Permanente para efeito de lucro. E o motivo que ele pode … o motivo pelo qual ele pode fazê-lo … eu fiz com que Edgar Kaiser … falasse comigo acerca do assunto e ele aprofundou o tema até certo ponto. Todos os incentivos tendem para menos cuidados de saúde, porque quanto menos cuidados de saúde forem dados, mais dinheiro eles ganham.”

President Nixon: “Excelente.”

Ehrlichman: “… e os incentivos seguem o caminho correto.”

President Nixon: “Nada mau.”

Como descrito por Thomas Princen em A Lógica da Suficiência:

Nos anos 1990s, organizações de manutenção de saúde (HMO) assumiram grande parte dos cuidados de saúde nos Estados Unidos. […] Joseph R. Wilder, professor emérito de pesquisa na Faculdade de Medicina Monte Sinai em New York, foi médico por cerca de cinquenta anos, vinte como chefe de equipe cirúrgica. Em cirurgias eficientes, de alta qualidade, descobriu que podem ocorrer erros: ‘é prática comum, em muitas instituições, o cirurgião começar uma operação e depois sair a certa altura, deixando um assistente terminá-la.

O médico pode correr para uma segunda sala de operação, onde outro assistente preparou outro paciente para cirurgia. Tudo o que o atarefado cirurgião vê é um local de operação — uma secção do abdômen, por exemplo, onde uma hérnia está por ser reparada. […] Suponha que o assistente, lendo equivocadamente um gráfico ou trabalhando a partir de registro impreciso, tenha coberto o lado errado do abdômen,’ diz Wilder. ‘Toda a habilidade do cirurgião será inútil se ele não fizer uma verificação ele próprio antes de começar a cortar.’

Cenário improvável? De modo algum; de acordo com estudo competente do Instituto de Medicina, entre 44.000 e 98.000 estadunidenses morrem cada ano por causa de erros médicos. No passado, os cirurgiões começavam, efetuavam e completavam cada operação; até colocavam as bandagens e cuidavam para que o paciente fosse removido adequadamente da mesa de operação. Para as HMO, isso seria terrivelmente ineficiente. […] Os hospitais funcionam como fábricas, tornam médicos e enfermeiras semelhantes aos funcionários de linha de Frederick Winslow Taylor. [45]

Como pode a medicina, uma disciplina alicerçada na compaixão e não no ganho material, ser tirada das garras da indústria de seguros do estado?

Soluções Não Violentas

O cerne da solução é aumentar o grau de consciência, com mais pessoas pulando para fora do navio Titanic do “corte e envenene” biomédico. [46] Os consumidores estão-se educando quanto a alimentação saudável, suplementos e estilos de vida, e usando terapias “alternativas.” O NIH descobriu que quatro em cada 10 adultos informaram estar usando Medicina Complementar e Alternativa (CAM) nos últimos 12 meses, sendo 17,7% de tais tratamentos com medicações herbais. [47]

As pessoas com níveis mais elevados de educação mais provavelmente empregarão CAM, [48] o que poderá parcialmente refletir o fato de que a cobertura pública de saúde usada por pessoas mais pobres tende a não cobrir CAM. [49] Há esperança para consciência de saúde, mas também no financiamento e no próprio fornecimento.

Organizações de ajuda mútua, na tradição da Ajuda Mútua do anarquista Pyotr Kropotkin: Um Fator em Evolução, floresceram antes do estabelecimento do estado do bem-estar social.

As sociedades fraternais eram associações autogovernadas de benefício mútuo fundadas por trabalhadores manuais para proteção em tempos difíceis. Elas distinguiam fortemente sua filosofia orientadora da filantropia que se situa no cerne do trabalho caritativo. A associação de benefício mútuo não era gerida por um conjunto de pessoas com a intenção de ajudar outro grupo distinto, era uma associação de indivíduos comprometidos com ajudarem-se uns aos outros quando surgisse a ocasião. [50]

Em 1892, aproximadamente 6,8 a 7 milhões de trabalhadores industriais britânicos eram estimativamente membros de programas de seguro mútuo. [51] O sistema foi cooptado pela Associação Médica Britânica com a aprovação da Lei Nacional de Seguros de 1911 e depois finalmente sobrepujado pelo Serviço Nacional de Saúde em 1948.

Sistema comumente usado nos Estados Unidos era denominado prática de albergue, pelo qual uma sociedade fraternal subscrevia o serviço de diversos médicos por uma taxa fixa baixa. [52] Em sua incisiva análise A Crise da Saúde: Uma Crise de Escassez Artificial, [53] Kevin Carson descreveu um sistema precoce de cuidados de saúde anticapitalista de livre mercado:

Os Estados Unidos estavam muito atrás tanto dos britânicos quanto dos australianos em prática de albergue. Nesses últimos países, mais da metade dos assalariados antes da Primeira Guerra Mundial podem ter tido acesso a serviços de médicos por meio de prática de albergue. [54] Era, sem embargo, bastante prevalecente nos Estados Unidos. O comissário de saúde de New York City, em 1915, observou que em muitas comunidades a prática de albergue era ‘o método escolhido ou estabelecido de lidar com a doença entre os relativamente pobres.’ [55] […]

O custo de cobertura por meio de prática de albergue era em média de em torno de $2 dólares por ano — aproximadamente um dia de salário — e alguns albergues ofereciam cobertura para membros da família à mesma taxa. E esse era o preço típico de uma única visita doméstica de um médico que cobrava cada serviço separadamente à época. Mais que isso, a competição da prática de albergue provavelmente resultou em preços mais baixos pelos serviços dos médicos em prática privada. [56] Essa foi, talvez, um dos motivos pelo forte ressentimento da classe média.

A indústria médica reagiu deflagrando guerra à prática de albergue e limitando o suprimento de médicos. “Entre 1910 e 1930, o número de médicos por 100.000 pessoas encolheu de 164 para 125, em grande parte por causa das exigências cada vez mais estritas de licença, e por causa de redução do número de faculdades de medicina (em mais da metade entre 1904 e 1922).” [57] Isso se deveu em grande parte ao golpe do relatório Flexner.

Além disso, “o governo federal estimulou a substituição do seguro baseado em albergue por seguro oferecido pelo empregador, tornando o fornecimento de seguro em grupo da empregados dedutível de impostos sem dar tratamento tributário similar para prêmios de seguros de grupos baseados em albergue.” [58]

O seguro médico desde então ficou vinculado ao emprego. A hegemonia do seguro baseado no empregador atrela os trabalhadores a seu emprego — também denominada “diminuição da rotatividade,” com os trabalhadores temendo falar por medo de serem jogados na rua sem cobertura médica. Têm sido feitas tentativas modernas para criação de planos de cuidados de saúde compassivos e acessíveis, as quais porém têm sido subvertidas por barreiras do estado à entrada desses planos no mercado. Carson detalha os exemplos de John Muney, [59] da Aliança de Saúde de Ithaca, da PhilaHelthia e da clínica Qliance de Seattle. Esses provedores não-HMO afirmam economia de 25% só em papelada. [60]

Jesse Walker descreve circunspectamente a situação:

[Os cuidados de saúde estatais] ainda aceitariam as premissas institucionais do presente sistema médico. Considere a transação típica estadunidense dos cuidados de saúde. Num dos lados da troca você terá um número de provedores artificialmente limitado, muitos desses provedores concentrados naquelas enormes instituições sem face chamadas hospitais.

Do outro lado, fazendo a compra está não um paciente, mas uma dessas enormes instituições sem face chamadas seguradoras. Espera-se que as seguradoras, algumas das quais são na realidade braços do governo e algumas das quais meramente devem seus clientes a incentivos tributários do governo e delineiam sua cobertura para que se enquadre nas determinações do governo, paguem a totalidade ou uma parcela, até de despesas médicas rotineiras.

O resultado são custos mais altos, menor competição, menos transparência e, em geral, um sistema no qual o consumidor obtém aproximadamente tanta autonomia e respeito quanto o estetoscópio. Reforma radical restauraria o poder do paciente. Em vez disso, a questão em cima da mesa é se os mostrengos aos quais respondemos serão puramente públicos ou parcerias públicas-privadas. [61]

A cura começa com o fim de FDA, AMA, propriedade intelectual, subsídios estatais a comida de baixa qualidade e monopólios de pesquisa e de credencial do governo. É preciso dar poder aos indivíduos para que assumam o controle de sua saúde. Comida local, medicina alternativa, medidas de solidariedade socieconômica (cooperativas de trabalhadores, de crédito e de consumidores) construirão o sistema imunológico dos pobres e doentes, abolindo a dependência deles da elite privilegiada parasitária de uma vez por todas. Os trabalhadores do mundo precisam unir-se, não mediante ingenuamente esperarem soluções do estado que cria e exacerba a injustiça, e sim mediante mutualizarem os serviços sociais num paradigma libertário socialista.

“O homem da rua não percebe o diabo quando o diabo está segurando-o pela garganta.” – Johann Wolfgang von Goethe

Artigo original afixado por Sebastian A.B. 19 de maio de 2013.

Traduzido do inglês por Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme.

Notes:

1 Carney, D. 1995. Dwayne’s World. Mother Jones Magazine.

2 Carson, Kevin. 2010. Labor Struggle: A Free Market Model. Center For A Stateless Society.

3 Folbre, Nancy. 2009. The Case for Worker Co-ops. New York Times.

4 Mercola, Joseph. 2011. Chiropractors and Naturopaths – Are They Dangerous? Mercola.com

5 Valentine, Vikki. 2005. Health for the Masses: China’s ‘Barefoot Doctors.’ NPR.

6 Schierhorn, Carolyn. 2010. As NPs push for expanded practice rights, physicians push back. The DO.

7 Micklethwait, Brian. 1991. How and How Not to Demonopolize Medicine. Libertarian Alliance.

8 Brown, E. Richard. 1981. Rockefeller Medicine Men. University of California Press.

9 Moynihan, Ray and Cassels, Alan. 2005. Selling Sickness. Nation Books.

10 Shaw, Gina. 2003. How Many Drugs Are You Taking? WebMD.

11 McGinnis JM, Foege WH. 1993. Actual Causes of Death in the United States. Journal of the American Medical Association. vol. 270, no. 18, pp. 2207-2212.

12 Adams, Kelly et al. 2006. Status of nutrition education in medical schools. American Society for Clinical Nutrition.

13 Kirsch, Irving. 2010. The Emperor’s New Drugs: Exploding the Antidepressant Myth. Basic Books.

14 Walton, Ralph. Survey of aspartame studies: correlation of outcome and funding sources.www.dorway.com/peerrev.html

15 Mercola, Joseph. Aspartame Studies. Mercola.comhttp://aspartame.mercola.com/sites/aspartame/studies.aspx

16 Blaylock, Russell. 1994. Excitotoxins: The Taste That Kills. Health Press.

17 Kinsella, Stephen. 2008. Against Intellectual Property. Ludwig von Mises Institute.

18 Long, Roderick. The Libertarian Case Against Intellectual Property Rights. Markets Not Capitalism.

19 Gagnon, Marc-André and Lexchin, Joel. 2008. The Cost of Pushing Pills: A New Estimate of Pharmaceutical Promotion Expenditures in the United States. PLoS Medicine.

20 Public Citizen’s Congress Watch. 2002. Pharmaceuticals Rank as Most Profitable Industry, Again.

21 Adams, Mike. 2004. Pharmaceutical industry accused of crimes against humanity before the ICC in the Hague. NaturalNews.com

22 Barnes PM, et al. 2007. Complementary and Alternative Medicine Use Among Adults: United States. Centers for Disease Control and Prevention National Center for Health Statistics.

23 Batalion, N. 2011 Timeline of FDA Suppression of Natural Healing Sources. Healing Talks.

24 Null, Gary. 2012. FDA: Cult of Tyranny. Documentary.

25 Taylor, Michael C. 1994. Voluntary Labeling of Milk and Milk Products From Cows That Have Not Been Treated With Recombinant Bovine Somatotropin. FDA.

26 Robin, Marie-Monique. 2012. The World According to Monsanto. The New Press.

27 Adams, Mike. 2011. Burzynski documentary reveals true agenda of FDA and cancer industry to destroy cancer cures that really work. NaturalNews.

28 Griffin, G. Edward. 2001. World Without Cancer. American Media.

29 Feuer, E. 1998. Innocent Casualties: The FDA’s War Against Humanity.

[Notes 30 and 31 missing in the original]

32 Griffin, pg. 322-327.

33 Mercola, Joseph. 2011. American Cancer Society More Interested in Wealth than Health. Mercola.com

34 Long, Roderick T. 1993. How Government Solved the Healthcare Crisis. Markets Not Capitalism.

35 Johnson, Charles W. 2007. Scratching By: How Government Creates Poverty As We Know It. Markets Not Capitalism.

36 Sinn, Mike. 2012. Welfare Statistics: Government Spends More On Corporate Welfare than Social Welfare Programs. Think By Numbers.org.

37 The Chronicle of Philanthropy. Americans Are Most Generous, Global Poll Finds. 2011.

38 Gatto, John Taylor. 1992. Dumbing Us Down: The Hidden Curriculum of Compulsory Schooling. New Society Publishers.

39 Rothbard, Murray. 1999. Education: Free and Compulsory. Ludwig von Mises Institute.

40 Olsen et al. 2011. Healthy aspects of the Nordic diet are related to lower total mortality. J. Nutr.

41 Lieberman, Trudy. 2012. Healthcare expert for sale: The Guardian follows the saga of Liz Fowler, healthcare lobbyist extraordinaire. Columbia Journalism Review.

42 Lennard, Natasha. 2012. Obamacare architect heads to Big Pharma. Salon.com

43 Fram, Alan. 2010. Big Pharma Wins Big With Health Care Reform Bill. Huffington Post.

44 Ridgeway, James. 2010. Big Pharma a Big Winner in Health Care Reform. Mother Jones.

45 Princen, Thomas. 2005. The Logic of Sufficiency. MIT Press. Pg. 92-93.

46 Null et. al. 2005. Death By Medicine. J. Ortho. Med.

47 Barnes P. and Bloom B. 2007. Complementary and Alternative Medicine Use Among Adults and Children: United States. NIH.

48 Ni et al. 2002. Utilization of complementary and alternative medicine by United States adults. Med. Care.

49 Bodeker G. and Kronenberg F. 2002 A Public Health Agenda for Traditional, Complementary, and Alternative Medicine. Am J Public Health.

50 Green, David. 1993. Reinventing Civil Society. Institute of Economic Affairs, Health and Welfare Unit. Pg. 30.

51 Evans, Tim. 1994. Socialism Without The State. Libertarian Alliance.

52 Beito, David. 1994. Lodge Doctors and the Poor. The Freeman: Ideas on Liberty

53 Carson, Kevin. 2010. The Healthcare Crisis: A Crisis of Artificial Scarcity. Center for a Stateless Society.

54 Beito, David. 2000. From Mutual Aid to the Welfare State: Fraternal Societies and Social Services, 1890-1967. University of North Carolina Press. Pg. 19.

55 Ibid., pg. 110.

56 Ibid., pg. 111.

57 Carson pg. 7

58 Ibid.

59 Parsons, Claudia. 2009. N.Y. Doctor Offers Flat Rate Care for Uninsured. Reuters.

60 Carson pg. 8-10.

61 Jesse Walker. 2009. Obama is No Radical. Reason Magazine.

Anarchy and Democracy
Fighting Fascism
Markets Not Capitalism
The Anatomy of Escape
Organization Theory