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Sombrios Cubículos Satânicos – É hora de acabar com a cultura do emprego!

The following article is translated into Portuguese from the English original, written by Claire Wolfe.

Dark Satanic Cubicles foi originalmente publicado em 2005 em Loompanics Unlimited, escrito por Claire Wolfe.

Você carrega dezesseis toneladas, e o que ganha com isso?
Outro dia mais velho e mais afundado em dívidas.
São Pedro, não me chame, porque não posso ir.
Devo minha alma à loja da empresa.
– 
Merle Travis, refrão da canção Dezesseis Toneladas

Em 1955, o voz-de-trovão Tennessee Ernie Ford gravou essa canção como lado B de um disco. Logo, ninguém conseguia lembrar qual era o lado A. Disc jockeys do país inteiro começaram a tocar o disco – e dentro de dois meses de seu lançamento Dezesseis Toneladashavia-se tornado o maior disco de lado de música única jamais vendido nos Estados Unidos.

Dezesseis Toneladas é uma fábula no estilo de John Henry acerca de um mineiro de hulha forte e determinado – um punho de ferro, o outro de aço. Ele é capaz de fazer o trabalho fisicamente mais pesado e derrotar qualquer oponente. Contudo, embora trabalhe nas minas desde o dia em que nasceu, não consegue ir para a frente. Merle Travis escreveu e gravou a canção em 1946. Até entretanto Ford tê-la interpretado, Dezesseis Toneladas não havia rendido nada a Travis.

Longe disso. Embora Travis fosse um patriótico jovem do Kentucky, o governo dos Estados Unidos achava que qualquer canção que reclamasse de trabalho duro e de dívida insolvível era subversiva. A canção rendeu a Travis ser rotulado de simpatizante do comunismo (rótulo perigoso naquele tempo). Um executivo da gravadora Capitol que fora disc jockey em Chicago ao final dos anos 1940 lembra-se de um agente do FBI ter ido à estação e adverti-lo para não tocar Dezesseis Toneladas

Muita agitação por causa de uma pequena canção.

Em 1955, quando a canção finalmente alcançou enorme sucesso, a maioria dos estadunidenses já não tinha empregos do tipo mina de hulha. Era a época do Homem de Terno Cinzento, o homem da corporação, o especialista em eficiência, e de tremenda angústia devido à necessidade de conformidade – por parte de pessoas que continuavam impotentemente a viajar de casa para o trabalho e vice-versa, a consumir, a cooperar, a enquadrar-se – e a engolir seus calmantes Milltown e a procurar médicos para tratar suas úlceras geradas por tensão. Era um mundo distante, muito distante das minas de hulha, com um conjunto de tribulações aparentemente muito diverso.

Contudo, de algum modo aquele coro ainda ressoava: Outro dia mais velho e mais afundado em dívidas

Além de toda a letra fantasiosa acerca de ter sido criado no canavial por uma velha mamãe leoaDezesseis Toneladas ainda ressoa.

Não trabalhamos para companhias de mineração que pagam em papéis só resgatáveis na loja da empresa. Trabalhamos como mouros, porém, e acabamos com cartões de crédito que nos atingem com 19,99 por cento de juros, $40 dólares por pagamento atrasado de taxas, e outras cobranças ocultas tão pesadas que é possível – comum, até – pagar durante anos e na realidade dever mais do que no início.

Trabalhamos horas ainda mais longas do que nossos pais, pagamos tributos mais altos, dependemos de dois salários para manter uma casa, empurramos nossos filhos alienados para creches ou acampamentos educacionais do governo, vemos nosso dinheiro ser sistematicamente consumido pela inflação, e sofremos enormemente de uma penca de doenças mentais e físicas relacionadas com o emprego.

Podemos não fazer trabalho manual. Trabalhamos, porém, mais horas do que nossos pais, pagamos tributos mais altos, dependemos de dois salários para manter uma casa, empurramos nossos filhos alienados para creches ou acampamentos educacionais do governo, vemos nosso dinheiro ser sistematicamente consumido pela inflação (enquanto a TV nos diz que o índice de preços ao consumidor está-se mantendo estável) e sofremos enormemente de uma penca de doenças mentais e físicas relacionadas com o emprego.

O que mudou, senão os detalhes? Apesar de todas as nossas posses materiais, estamos no mesmo velho ciclo de trabalho, ansiedade, e perda.

E embora o FBI possa não nos visitar para reclamar a respeito, rebelar-se contra empregos ainda é uma ameaça para as autoridades.

O governo não tem muito com que se preocupar no tocante a rebelião, porém. Pois hoje estamos programados, desde o momento em que acordamos até o momento em que vamos dormir, para valorizar empregos, grandes corporações – e as coisas que os empregos nos compram – acima dos reais prazeres – e das reais necessidades – do ser humano.

O noticiário diz-nos, todos os dias:

  • 130.000 empregos foram criados em julho. Empregos = Bom.
  • Estamos perdendo empregos no exterior. Perder empregos = Ruim.
  • Os principais indicadores econômicos dizem. Indicadores econômicos (que diabo possa ser isso) = Importante.
  • A média industrial Dow-Jones subiu… O mercado de ações = Vital.

Todo dia, na mídia, a saúde da nação é medida – por vezes medida quase exclusivamente – em empregos e ações, emprego e corporações.

Não pretendo implicar que renda, produção e outras medidas da espécie não sejam importantes. São importantes – em seu lugar. Em perspectiva. Entretanto, por que nós (via nossa mídia) acreditamos que esses poucos fatores sejam tão vitalmente e exclusivamenteimportantes quando se trata de determinar a saúde econômica de nossa sociedade?

Tomamos como dados que empregos = bom, que ações em alta = bom, e que trabalhar arduamente e gastar muito dinheiro = mais empregos e ações em maior alta.

Então disparamos para empregos que, na maior parte dos casos, detestamos. Ou dos quais gostamos, mas que nos tornam ansiosos, nos furtam de nossas famílias, e tornam nossas horas no lar num fardo fora de controle, no qual temos de lutar para fazer tudo, desde entreter-nos até criar tempo para afeição artificial com filhos que mal nos conhecem.

Há alguma coisa errada nesse cenário.

Em nossa atual organização econômica, a qual é um desdobramento evolucionário, não revolucionário, de há 250 anos, quando começou a Revolução Industrial, sim, os empregos são importantes. Contudo, isso é algo semelhante a dizer que a quimioterapia indutora de vômito é importante quanto você tem câncer.

Oh, sim. Melhor, porém, não ter câncer, certo?

Numa comunidade humana saudável, os empregos nem são necessários nem desejáveis. Trabalho produtivo é necessário – por razões econômicas, sociais e até espirituais. Os livres mercados são também algo estupendo, quase mágicos em sua capacidade de satisfazer biliões de necessidades diversas. Empreendedorismo? Excelente! Mas empregos – partir para um cronograma fixo para desempenhar funções fixas para outrem, dia após dia, por um salário– não são bons para corpo, alma, família ou sociedade.

Intuitivamente, sem palavras, as pessoas sabiam disso em 1955. Elas sabiam disso em 1946. Elas realmente sabiam disso quando Ned Ludd e amigos despedaçavam as máquinas do início da Revolução Industrial (embora os Ludditas possam não ter entendido exatamente por que precisavam fazer o que fizeram).

Empregos são maçantes. O emprego corporativo é fastidioso. Passar a vida enfiado em caixas das 9 às 5 é uma porcaria. Cubículos cinzentos são apenas uma versão atualizada dos sombrios moinhos satânicos de William Blake. Certo, os cubículos são mais iluminados e arejados; são porém diferentes mais em grau do que em natureza dos moinhos da Revolução Industrial. Ambos, cubículos e moinhos sombrios, significam trabalhar nos termos de outras pessoas, para os objetivos de outras pessoas, com sujeição ao arbítrio de outras pessoas. Nenhum desses dois tipos de trabalho usualmente resulta em tomarmos posse dos frutos de nosso trabalho ou termos a satisfação de criar algo do começo ao fim com nossas próprias mãos. Nenhum dos dois nos permite trabalhar em nosso próprio ritmo, ou ao ritmo das estações. Nenhum dos dois nos permite acesso a nossas famílias, amigos ou comunidades quando necessitamos deles ou eles necessitam de nós. Ambos isolam o trabalho de todas as outras partes de nossa vida.

E, puxa vida, especialmente se você trabalha para uma grande corporação, pode ter certeza de que Ebenezer Scrooge se importava mais com Bob Cratchett do que seu empregador se importa com você.

No decurso dos últimos 250 anos, as autoridades sempre temeram que entendêssemos isso tudo e tentássemos fazer algo a respeito. Por que outro motivo tentaria o FBI suprimir uma obscura pretensa canção folclórica? A história estadunidense está cheia de histórias veladas de milícias privadas ou do estado usadas para reprimir rebeliões e greves de trabalhadores. No dia dos Ludditas, o governo britânico chegou ao ponto de tornar sabotagem industrial crime capital. Em determinado momento coroa e parlamento puseram mais soldados para trabalhar massacrando os Ludditas do que tinham tido no campo combatendo contra Napoleão Bonaparte.

Agora, seria o caso de temer por você.

Nos dias de hoje, porém, não há motivo de preocupação. Tornamos a escravatura dos salários parte tão inconsútil de nossa cultura que provavelmente nem ocorre à maior parte das pessoas haver algo de anormal em separar o trabalho do resto de nossas vidas. Ou em passar nossas vidas de trabalho inteiras produzindo coisas que nos dão apenas satisfação pessoal mínima – ou nenhuma satisfação.

Somos felizes! É o que dizemos a nós próprios. Somos as mais prósperas! livres! felizes! pessoas a viver na Terra! Temos vidas mais longas, somos mais saudáveis, mais inteligentes, e de modo geral vivemos em melhores condições materiais do que qualquer pessoa, em qualquer época, no planeta Terra. Continuamos a dizer isso para nós próprios enquanto nos abalamos para nossos compromissos de aconselhamento profissional, tomamos nosso Prozac, ou fitamos os sedimentos no fundo da última garrafa de vinho.

Ora essa! Vocês sabem como soamos, quando afiançamos a nós próprios nossa boa sorte? Soamos como as vozes mecanizadas sussurrando para os bebês de proveta pré-programados no Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley:

Crianças Alfa… trabalham muito mais arduamente do que nós, porque são extremamente inteligentes. Estou realmente muito feliz por ser Beta, porque não trabalho tão arduamente. E somos muito melhores do que os Gamas e Deltas.

Para acreditar no quanto somos felizes temos de ignorar nossos índices ascendentes de abuso de drogas, nossos índices em disparada de depressão, nossas dores nas costas, nossas síndromes do túnel carpal, e nossa síndrome de fadiga crônica. Temos de ignorar os biliões de dólares e biliões de horas que passamos sob o efeito de drogas psicoativas, aconselhamento profissional relativo a abuso de drogas, remédios para dor de cabeça, entretenimento voltado para escapar da realidade, creches para crianças, compra de status, pratos nostálgicos não saudáveis, acessos de compras descontroladas, e tratamentos com médicos para todas as nossas doenças vagas, não específicas, físicas e mentais.

Você acha que é dessa maneira que uma pessoa feliz gasta seu tempo e dinheiro? Tenha paciência!

Pare de ouvir aquele pequeno sussurro mecânico corporativo-estatal que diz a você o que você deveria considerar importante – que diz a você que os empregos deveriam ser o foco central de sua vida. Pare de ouvir aquela voz que diz a você que você é feliz, quando seu corpo e sua alma inteiros estão berrando para você que você é infeliz.

Eis aqui algo para você gritar para si próprio: Empregos são uma porcaria! Empregos fazem mal a você!

Grite isso até realmente ouvir-se gritando-se isso – em seguida caia fora da loucura do emprego, da escravidão dos salários, da moenda que mantém você devendo ao governo, ao chefe, ao banco, e à empresa de cartão de crédito.

Oh, mas espere! Você morrerá se não tiver um emprego, do mesmo modo que um paciente de câncer poderá morrer sem quimioterapia. Em nossa sociedade, se você não tiver emprego, estará às portas da miséria. Será um pobre infeliz. Um parasita preguiçoso. Será um sanguessuga. Um perdedor. E, realmente, na verdade, se você não tiver um emprego fixo de algum tipo, poderá acabar completamente falido.

Como indivíduo, obviamente você poderá escapar da armadilha do emprego, em certa medida. Como escritora autônoma, tenho conseguido. Ainda tenho de trabalhar para outras pessoas, mas consigo fazê-lo em ritmo natural. Quando o sol brilha, amiúde posso sentar-me no deque ou dar uma caminhada.

O homem que por vezes corta minha grama em certa medida escapou. Ele pode programar seu próprio dia sem ter de pedir permissão ou sem subverter a linha de produção de ninguém.

Meu ex-namorado o engenheiro de software também escapou. Ele trabalha em seu quarto de dormir extra e consegue viver e trabalhar no mundo de fantasia de computador que é do que ele mais gosta.

Eram assim as coisas para a maioria das pessoas, antes da Revolução Industrial. Talvez elas trabalhassem arduamente e não ganhassem muito. Como em toda época, elas tinham de conviver com a selvageria das lutas de poder da elite, com as guerras dos governantes, e com o confisco de propriedade pelos poderosos. De maneira geral, porém, elas podiam atravessar seus dias da maneira que as estações e suas próprias necessidades (e as necessidades de suas famílias e comunidades) ditassem. Mantinham conexão direta e pessoal com os bens que produziam e os serviços que prestavam.

Revendedoras Avon, carpinteiros autônomos, consultores de segurança, pessoas que ganham a vida vendendo bens no eBay, profissionais de reflexologia, vendedores em reuniões de troca e venda de produtos, jardineiros autônomos, lenhadores que trabalham por contrato, traficantes de drogas, tricotadores domésticos, médiuns – nos dias de hoje todos eles conseguiram escapar parcialmente da armadilha do emprego.

O escape, porém, poderá ser perigoso. Quando você é autônomo, amiúde não tem comoproporcionar-se a ‘rede de segurança’ que vem com o emprego (seguro-saúde, férias, subsídio de doença, seguro-desemprego etc.). E o problema ainda mais profundo é que a sociedade – essa abstração difícil de definir de modo preciso, mas vitalmente importante – ainda inflige seus valores e seus problemas a aqueles dentre nós que desenvolvemos nossos melhores esforços pessoais para escapar deles.

Você e eu podemos ser inteligentes e ter sorte suficiente para criar para nós próprios emprego sob medida que não nos force a cubículos cinzentos, a rotina das 9 às 5, a deprimentes viagens de casa ao trabalho e vice-versa, a almoços indutores de indigestão engolidos em nossas mesas de trabalho, colegas e chefes que escangalham nossos nervos, ternos com colete, meias-calças, e total exaustão ao fim do dia.

Você e eu, porém, os cautelosos autônomos, ainda assim somos aguilhoados pelas consequências de um sistema que produz crianças negligenciadas e defeituosamente criadas, uma cultura de consumo desenfreado, corporações impessoais, abuso de televisão e de drogas como meio de amortecer a dor, vizinhos e membros da famílias infelizes e não realizados e muitos, muitos problemas mais que nos atingem com tanta força quanto a com que atingem detentores de empregos.

Será possível, pois, criar uma sociedade na qual o trabalho seja mais satisfatório pessoalmente e se insira de maneira mais natural no resto de nossas vidas? Será possível criar tal escolha para todos aqueles que quiserem fazê-la?

Praticamente todo escritor que defende a abolição dos empregos e o elogio do lazer repete o mesmo punhado de mensagens interessantes, mas ligeiramente inúteis.

Primeiro, eles chamam a atenção para sociedades de caçadores-extrativistas (trabalhando, em média, 3 a 4 horas por dia) e dizem: Se eles podem, por que não nós? Deixam de observar que caçadores-extrativistas, quaisquer sejam suas outras virtudes, não inventam vacinas, não constroem dispositivos de alta tecnologia, nem gozam de amenidades tais como canalizações dentro de casa.

Os escritores contra empregos também falam de tornar o trabalho numa espécie de divertimento. Esse outro grande traço das sociedades de caçadores-extrativistas. É fácil divertir-se colhendo amoras ou caçando veados com um grupo de amigos. Ninguém, porém, constrói equipamento médico de precisão por diversão. Nem desce uma milha abaixo do solo para ‘carregar dezesseis toneladas de hulha número nove’ por diversão.

Finalmente os escritores contrários ao emprego são entusiastas da teoria utópica: A sociedade poderia funcionar muito bem se, apenas, se, somente. As propostas utópicas são inevitavelmente deficientes no tocante a detalhes fundamentais. Elas deixam de levar em consideração como nos desmamar da cultura de empregos corporativos sem coerção. Elas deixam de notar como os modernos bens e serviços poderiam ser produzidos sem as grandes, bem-financiadas – e alicerçadas em empregos – instituições que proporcionam tanto da vida moderna. (Você não consegue combinar genes, cindir átomos ou fabricar chips de computador em sua graciosamente antiquada oficina Amish.)

Portanto as perguntas são:

  1. Será possível ter-se uma cultura natural de trabalho e lazer sem resvalar para sobrevivência em nível de subsistência?
  2. E será possível termos os benefícios da tecnologia avançada sem ter de sacrificar tanto de nosso tempo, nossa individualidade e nossa sanidade para obtê-los?

Na medida em que o governo e seus fortemente favorecidos e subsidiados corporações e mercados financeiros governam nossos dias de trabalho, as respostas a essas perguntas nunca virão. Só poderemos encontrar nosso caminho rumo a uma sociedade de trabalho e lazer humana por meio de experimento e experiência. E seremos capazes de levar a cabo esses experimentos apenas em conjunção com (perdoem-me usar a expressão lugar-comum, mas precisa) mudança de paradigma. A atual cultura do emprego, que nos aprisiona nos grilhões de prata dos benefícios e nas cadeias da dívida, espreita sinistramente em nosso caminho.

A indispensável transformação profunda parece, hoje, muito longínqua. No entanto, paradigmas mudam. Instituições desabam. E amiúde caem exatamente quando o velho paradigma parece mais entranhado ou as antigas instituições parecem mais imutáveis.

Parte do maquinário da mudança já pode estar assestada. Por exemplo:

  • Embora a automação ainda não tenha nos alijado dos empregos, ao contrário do que se supunha faria, ainda assim ela tem o potencial de eliminar muitos tipos de trabalho tipo escravo.
  • Embora o trabalho relacionado com o conhecimento não tenha capacitado milhões de nós a sair do mundo corporativo e trabalhar em casa (ao contrário do que, repetindo, acreditava-se que faria), esse é mais um problema de psicologia do poderio corporativo do que de tecnologia. Nossos chefes temem deixar-nos trabalhar permanentemente em casa; afinal de contas, nós poderíamos tomar pausa para café de 20 minutos, em vez de 10! Mas e se, digamos, uma crise de combustíveis ou epidemia tornasse imperativo que a maioria de nós ficasse em casa para fazer nosso trabalho? O paradigma poderia mudar tão depressa que nossos chefes cairiam.
  • Uma atitude de larga escala também poderia subverter a estrutura tradicional de emprego. E isso, também, poderá já estar acontecendo. Quantos pais e mães não estão olhando e dizendo: Essa porcaria de dois empregos não está-nos levando a lugar nenhum? É apenas um pequeno salto dali à verdade real: a porcaria de um emprego só também não satisfaz nossas necessidades reais. Quantos de nós gastamos 10 ou 20 ou 30 anos investindo no engodo empregos = bom; gastar = bom, só para no fim decidir distanciar-nos do labirinto do rato e fazer algo menos lucrativo mas mais gratificante?

Vocês veem muitas pessoas choramingando pesarosamente depois de se distanciarem do mundo do emprego e de criarem uma vida mais centrada no lar, na família, na aventura, no espírito, na comunidade? Apenas aquelas poucas que, por planejamento falho e muito má sorte, tentaram e não conseguiram.

Mesmo antes de a ilusão maior emprego = bom se despedaçar, é certamente possível que milhões de pessoas vivam vidas mais naturais sem a escravidão do emprego. À medida que mais pessoas declaram sua independência, mais redes de apoio surgem para ajudá-las (por exemplo, seguro de saúde acessível para os autônomos, ou proporcionadores de cuidados de saúde optando por proporcionar serviços mais acessíveis por meio de programas de pagamento unicamente em dinheiro como o Simple Care.)

E podemos começar a cogitar: Que tipos de tecnologia nos permitem viver mais independentemente, e que tipos de independência nos permitem tirar proveito de tecnologias de enriquecimento da vida mantendo-nos ao mesmo tempo fora daarmadilha do emprego degradante de nossa vida?

Arranje um emprego, e você terá vendido parte de você próprio a um dono. Você terá acabado de excluir-se dos reais frutos de seus próprios esforços.

Quando você é dono de seu próprio trabalho, édono de sua própria vida. É objetivo digno de muito sacrifício. E de muita reflexão profunda.

No entretempo, infelizmente, qualquer pessoa que grite Os empregos não são necessários! Os empregos não são saudáveis para adultos e outras coisas viventes! estará gritando no vazio. Nós os Elias e Cassandras podemos ter a certeza de que seremos tratados como idiotas minoritários. E qualquer pessoa que comece a apresentar algum plano sério que comece por derruir os alicerces da estrutura de poderio estado-corporação pode esperar ser tratada como Inimiga Pública Número Um e melhor fará em olhar por cima do próprio ombro. Porque, como Merle Travis e Ned Ludd,ela ameaça a segurança daqueles que têm poder sobre os outros.

Artigo original afixado por Claire Wolfe em 20 de setembro de 2012.

Traduzido do inglês por Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme.