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Como não promover a igualdade econômica
O artigo a seguir foi traduzido para o português a partir do original em inglês, escrito por Kevin Carson.

No Washington Post, Max Ehrenfreund argumenta que Hillary Clinton pode estar sendo prejudicada por fatores além de seu controle em seu objetivo expresso de aumentar a renda da classe média e reduzir a desigualdade econômica (“Hillary Clinton’s top goal as president could be effectively impossible to achieve“, 20 de julho). Esses fatores incluem a “automação tecnológica e a globalização”, que — juntamente com a concorrência dos manufaturados chineses — desvalorizaram o trabalho semiespecializado e empurraram os salários para baixo.

O problema real aqui não é que elas sejam forças da natureza além do nosso controle, como geleiras ou a deriva continental. Elas resultam de sistemas de poder que promovem certos arranjos institucionais, os quais servem aos interesses daqueles que controlam o sistema. O problema é que Clinton é parte do sistema de poder dominante e compartilha de suas premissas fundamentais. Ela está disposta a fazer o que for necessário para reduzir a exploração econômica a níveis sustentáveis — mas não a modificar as relações de poder mais fundamentais.

Todas as propostas políticas de Clinton aceitam como normal um sistema de economia política dominado por algumas centenas de corporações gigantes em um relacionamento simbiótico com o estado, onde o emprego assalariado em horário integral sob direção de uma hierarquia gerencial é um meio normal de ganhar a vida.

Contudo, a globalização e a automação são problemas para os trabalhadores exatamente por que ocorrem dentro dessa estrutura corporativa. O problema não é que as novas tecnologias reduzem a demanda por trabalho; o problema é quem é o dono das máquinas. O aspecto mais notável do recente desenvolvimento tecnológico é o barateamento radical da tecnologia de manufatura e o encolhimento rápido da escala ótima de produção. Uma manufatura de garagem com US$ 20 mil em fresadoras, tornos, tupias, cortadores à laser, impressoras e scanners 3D, fornalhas de indução, impressoras de circuitos, etc, controlados por comando numérico computadorizado (CNC) open-source, pode produzir bens que precisariam de uma fábrica de milhões de dólares algumas décadas atrás.

O desemprego tecnológico é um problema, repito, somente por conta de quem detém as máquinas. A tecnologia em si é ideal para o controle e a propriedade dos trabalhadores. O modelo industrial de trabalhadores assalariados que trabalham em fábricas geridas de cima para baixo surgiu originalmente porque houve um abandono das ferramentas artesanais gerais de propriedade dos trabalhadores para um modelo de produção com maquinário de larga escala que só podia ser adquirido pelos muito ricos — que contratavam os pobres para usá-lo. Hoje em dia, caminhamos em sentido contrário, voltando a ferramentas baratas artesanais, mas de alta tecnologia.

O motivo por que essa nova tecnologia não tem sido incorporada a uma economia de manufaturas locais controladas pelos trabalhadores é que os velhos dinossauros corporativos, em conluio com o estado, usam a “propriedade intelectual” e outras formas de escassez protegidas pelo estado para cercar as tecnologias de abundância como fonte de rendas para si em uma estrutura corporativa.

A globalização, incluindo a terceirização da produção para a China, igualmente é um problema por conta de quem possui o poder decisório. Com o aumento da parcela da produção feita por pequenas oficinas, as corporações globais terceirizam a produção para contratantes independentes. Os escritórios corporativos em si fazem pouco mais do que controlar o marketing e reter o controle de sua “propriedade intelectual”, que permite que eles protejam o monopólio legal de uso do produto, mesmo que na prática não o produzam. Devido a acordos draconianos de “propriedade intelectual”, empresas como a Nike podem terceirizar a produção de sapatos para fábricas independentes por alguns poucos dólares por par e vendê-los nas prateleiras do Wal-Mart por U$ 100 ou US$ 200.

Seria muito mais eficiente para esses produtores chineses, controlados pelos trabalhadores, produzirem os sapatos para o mercado local e vendê-los por poucos dólares o par — e para os americanos comprarem seus calçados de manufaturas locais similares em suas comunidades.

A lógica do progresso tecnológico nos leva em direção a um mundo de pequenas manufaturas, geridas e operadas pelos próprios trabalhadores, que trabalham dez ou vinte horas por semanas com máquinas open-source para produzir bens open-source para suas próprias comunidades, podendo viver confortavelmente com essas poucas horas de trabalho semanais. Essa é a lógica da abundância.

Mas Hillary Clinton e o Partido Democrata se dedicam, tanto quanto o Partido Republicano, à lógica da escassez artificial, protegida pelo estado em conluio com o capital.

Traduzido por Erick Vasconcelos.

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Organization Theory
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