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Dissolvendo fronteiras
O artigo a seguir foi traduzido para o português a partir do original em inglês, escrito por Chad Nelson.

O dia 16 de março marcou uma importante data para aqueles que valorizam a paz e a harmonia entre os seres humanos: o Dia das Fronteiras Abertas. O site openborders.info, fundado por Vipul Naik, está em seu terceiro ano de existência (foi fundado em 16 de março de 2013) e pretende ampliar o debate a respeito da imigração e da liberdade de movimento por fronteiras políticas. Seu objetivo é “um mundo em que a migração seja trivial e praticamente sem restrições”. O site possui diversos e ricos argumentos em suporte a seu ideal.

A popularidade da página tem crescido bastante todos os anos com a percepção crescente pelos indivíduos de que as fronteiras administradas pelo estado e as restrições à imigração são corruptas e contra-produtivas. Embora fronteiras totalmente abertas sejam um objetivo ambicioso e idealista em nossa realidade dominada pelos estados, todos os que amam a paz devem querer fronteiras paulatinamente mais abertas.

Os maiores e violentos conflitos atuais resultam de imposições governamentais. Isso não significa que os seres humanos não tenham conflitos reais uns com os outros — por terra, dinheiro, poder, religião e outras diferenças –, mas a separação dos povos por fronteiras políticas artificiais amplifica intensamente essas disputas.

Quando as partes de um conflito são separadas por muros, sejam eles reais ou metafóricos, podemos esperar que o choque acabe em agressão direta cedo ou tarde. Os estados que governam nossas fronteiras estão bastante confortáveis com essa situação. Os conflitos abastecidos pelos estados com as fronteiras políticas são seu alimento. Inimigos mortais são criados onde não existiam graças à literal desconexão humana criada pelas fronteiras arbitrárias. O resultado é “nossa” necessidade de ser protegidos “deles”. Trata-se de uma desculpa conveniente para políticos com ambições imperiais pré-existentes.

Um mundo sem fronteiras políticas, as disputas provavelmente seriam resolvidas sem violência em sua maior parte — através de concessões, cooperação e comunicação. As partes teriam uma maior sensação de ligação umas com as outras, mesmo que buscassem ativamente essa conexão, e teriam que lidar com suas discordâncias pacificamente. No mundo autoritário atual, a diplomacia normalmente é o último recurso. Simplesmente não há nada a ser ganho pelos políticos com a resolução pacífica de disputas. A guerra e o derramamento de sangue entre estados são negócios lucrativos e exercícios de construção de poder para os governos envolvidos.

Um dia antes do Dia das Fronteiras Abertas, o Travel Channel exibiu o primeiro episódio de um programa chamado Breaking Borders (em português, “Quebrando Fronteiras”). Conscientemente ou não, o programa é um argumento em favor das fronteiras abertas. Ele reune pessoas de lados opostos de conflito para uma conversa. O chef americano Michael Voltaggio cozinha para as pessoas enquanto elas trocam ideias e compartilham suas culturas durante uma refeição. Se o Travel Channel é capaz de tentar aproximar israelenses e palestinos da Cisjordânia, como aconteceu no primeiro episódio de Breaking Borders, os governos também podem reproduzir esse entendimento. Porém, eles têm interesses velados em manter suas populações isoladas do resto do mundo, alimentando conflitos interfronteiras.

Onde se dissolvem as fronteiras políticas, surge uma comunidade multicultural, uma maior tolerância pelas diferenças e uma suavização e dissipação de ideologias e dogmas. Como afirmou o filósofo e proponente de fronteiras abertas Robert Anton Wilson: “Nós ainda estamos aprendendo a sair de nossas peles. É disso que se trata a vida — construir janelas, sair de todas as caixas”. Sem fronteiras, somos livres para prosseguir juntos nessa busca humana.

Traduzido por Erick Vasconcelos.

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