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São Paulo e o desrespeito à mata
O artigo a seguir foi traduzido para o português a partir do original em inglês, escrito por Grant A. Mincy.

São Paulo é uma das maiores cidades do Brasil. Localizada no Sudeste do Brasil, é cidade mais populosa do Brasil, a segunda maior metrópole das Américas. O estado de São Paulo é o segundo mais rico do Brasil e utiliza seu poder para influenciar o comércio, as finanças e as relações externas do país. Apesar desse poder, a cidade de São Paulo está em decadência, com uma seca prolongada (ou “crise hídrica”, de acordo com os oficiais) e uma epidemia de dengue que paralisam a cidade.

A dengue é um problema frequente no Brasil, especialmente durante os meses chuvosos — no Sudeste, em janeiro e fevereiro. O vírus é transportado por mosquitos e, embora normalmente um fenômeno natural, a dengue este ano é resultado da ação estatal.

Para combater a seca, o fornecimento de água está sendo reduzido para forçar a conservação, negando água a milhões de pessoas, frequentemente por vários dias seguidos. Consequentemente, a população de São Paulo, impotente diante desse cenário, é obrigada a armazenar água em baldes e outros recipientes — locais perfeitos de reprodução dos insetos.

A seca parece estranha considerando o cenário ecológico que rodeia a cidade. São Paulo se localiza na fronteira do Planalto Brasileiro. Fluxos de lava basáltica moldaram a região e a erosão produziu um solo vulcânico rico em nutrientes. Por isso, essas terras já abrigaram densas florestas, uma grande variedade de biomas, incrível diversidade e 12% das reservas mundiais de água potável.

Contudo, a economia do crescimento não tem tratado bem a região. Apesar de naturalmente agraciada, o crescimento urbano continua a invadir a floresta, sendo que somente 7,3% da vegetação original permanece. Essa pilhagem originou a crise atual. Florestas saudáveis armazenam a água das chuvas durante períodos secos e produzem umidade que dá origem a precipitações.

Contudo, São Paulo é altamente industrializada e mecanizada e o setor financeiro necessita dessa expansão urbana. A cidade é altamente planejada por zonas, criando espaços de capital, pobreza e reservas estatais. As classes sociais ficam integradas especialmente, mas estruturas como muros e tecnologias de segurança isolam os ricos e forçam a estratificação social. O planejamento urbano gira em torno do capital. São Paulo é uma cidade empurrada de cima para baixo em direção à vegeração. Sua demanda por recursos é enorme.

Apesar da gravidade da situação atual, a floresta oferece redenção. É incrível o que nos pode ser ensinado pelos sistemas naturais. Quando consideramos os sistemas naturais, vemos a transformação do simples em algo complexo numa grande diversificação da vida de baixo para cima. A selva funciona sob as leis naturais da natureza. É a concorrência em um mundo de escassez, o mutualismo entre espécies de diferentes reinos, a cooperação entre os três grandes domínios da vida e os processos seletivos que ordenam o mundo natural. Ao observarmos a ordem complexa da floresta, um mundo livre do arquismo é revelado.

Então estudemos a floresta e observemos novamente a civilização. Devemos construir os comuns e uma sociedade digna da floresta.

Instituições comuns, livres das limitações e restrições do crescimento pelo crescimento permitem que mercados democráticos se desenvolvam. Esses mercados estão livres de políticos que continuamente fracassam naquilo que declaram fazer. A partir das regras naturais da escassez, uma ética conservacionista emerge. Não haverão mais ilhas de floresta em um oceano de industrialização capitalista, mas o oposto. A floresta se tornará parte da cidade e as vastas áreas de selva raramente serão ocupadas por nossos corpos. Matas conservadas estarão cheias de água.

Essa é a liberdade radical a natureza da liberdade — progresso verdadeiro, autogerido e sustentável.

Traduzido por Erick Vasconcelos.

Citations to this article:

Markets Not Capitalism
Organization Theory
Conscience of an Anarchist