Liberdade de expressão significa justiça social
O artigo a seguir foi traduzido para o português a partir do original em inglês, escrito por James C. Wilson.

Uma recente pesquisa do Pew Research Center concluiu que 40% dos americanos de 18 a 34 anos apoiam a noção de que o governo deva limitar discursos ofensivos a minorias. Americanos mais velhos eram menos favoráveis à ideia, enquanto eleitores democratas têm uma probabilidade duas vezes maior de apoiá-la em relação aos republicanos.

Como membro da ala libertária da esquerda americana e um entusiasta da liberdade de expressão, eu considero a ideia de censura estatal perturbadora, especialmente quando vinda da esquerda política. Há muito tempo simpatizo com as gerações mais jovens e tenho uma opinião muito positiva sobre seu apoio a um tratamento justo para minorias religiosas, sexuais e raciais. Além disso, também associo há muito tempo o desejo de censurar o livre discurso à direita religiosa, às gerações mais velhas e às alas mais reacionárias e autoritárias do conservadorismo. É frustrante ver pessoas a quem eu sou tradicionalmente simpático expressarem seu apoio à censura estatal.

A censura estatal não é apenas moralmente repugnante, mas é também contraprodutiva. Na era da internet, não é necessário procurar muito para encontrar preconceituosos, xenófobos, homofóbicos, reacionários, neonazistas, antifeministas fanáticos e outros tipos detestáveis. O desejo de silenciá-los é compreensível, mas infundado. A melhor forma de deslegitimar os fanáticos e os reacionários é permitir que falem e que o mundo veja como são malignos e estúpidos.

A censura dos fanáticos apenas legitima os argumentos de que eles estão sendo perseguidos e vitimizados. Também implica que nós temos medo de confrontar sua retórica aberta e honestamente. Assim, ela permite que os defensores da justiça social sejam pintados como autoritários. Também torna possível aos reacionários ofuscarem a distinção entre aqueles que desejam criticar o que dizem e os que desejam silenciá-los pela força. Inclusive, é o que já alegam e continuarão a fazê-lo enquanto nós não deslegitimarmos tais táticas. Muitos na direita política ficam muito felizes em confundir as críticas a suas posições com a censura. Não devemos tornar essa confusão ainda mais fácil.

Em vez de censurar, devemos demonstrar a superioridade de nossas ideias através das livres trocas de informação e do debate. Num mercado livre e aberto de ideias, a verdade eventualmente chega à vitória. Quando a censura é utilizada, aqueles que são sujeitos a ela compreensivelmente recrudescem suas ideias e se tornam ainda mais certos da justiça de suas ideias e de sua indignação. E, neste caso, estariam certos. Não há motivo por que uma sociedade não possa ser colocada em um caminho mais justo por meios voluntários. O uso de meios autoritários contradiz e mina as bases de uma sociedade inclusiva.

Ao defendermos aqueles que são sistematicamente oprimidos, não nos transformemos no lado errado ao negar os direitos dos outros. A liberdade de expressão não tem qualquer significado se é aplicada apenas àqueles com que concordamos. Nosso comprometimento com a justiça deve ser complementar à nossa defesa da liberdade e à oposição à autoridade arbitrária. Não há justiça social sem liberdade de expressão. Na verdade, os dois são um só.

Traduzido por Erick Vasconcelos.

The Anatomy of Escape
Fighting Fascism
Markets Not Capitalism
Free Markets & Capitalism?
Organization Theory
Conscience of an Anarchist