Center for a Stateless Society
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O estado não pode afundar nosso navio
O artigo a seguir foi traduzido para o português a partir do original em inglês, escrito por Nick Ford.

O Gizmodo reporta que a polícia sueca invadiu o Pirate Bay, tomou seus servidores e derrubou seu site no dia 9 de dezembro. Minhas primeiras reações foram de irritação e até de raiva. Mas agora eu só penso em rir. O estado é uma organização obsoleta e se torna mais e mais obsoleto ao tentar realizar o impossível.

À primeira vista, isso parece errado. Como afirma o Gizmodo, todos os criadores do Pirate Bay estão na cadeia e seu site foi derrubado. As autoridades estatais já derrubaram sites como o Silk Road (a primeira e a segunda versão) e agora redirecionam seus esforços a outros sites de torrent. Como isso pode fazer o estado parecer falido?

Embora individualmente esses casos pareçam lançar dúvidas sobre a inefetividade do estado, elas devem ser vistas em um contexto mais amplo: o estado está tentando tapar o sol com a peneira.

Para cada site que o governo tenta derrubar, surgem outros cinco. E ninguém no governo admitirá que o que eles fazem é fútil. Simplesmente não há incentivos para agir racionalmente. Eles são pagos para derrubar sites da internet. Simplesmente não importa se outros cinco sites surgem para cada um que é atingido — eles são pagos de qualquer forma. Por que parar?

O estado não vai e não pode parar, “ceder” terreno para as pessoas da internet e admitir sua derrota. Porém, o que ocorre é o seguinte: essa tentativa inútil de derrubar sites é um sinal muito maior de derrota do que a própria rendição. O estado está preso a uma tarefa sisífica e ele vai vencer ou morrer tentando!

No artigo “Labor Struggle in a Free Market” (“Luta trabalhista no livre mercado”, em português), Kevin Carson escreve sobre outra instância desse processo de uma década atrás. A empresa Sinclair Media combateu um boicote usando processos judiciais como forma de censura, mas “percebeu que o movimento era impossível de suprimir, uma vez que os sites originais de manifestantes ganhavam mirrors muito mais rapidamente do que podiam ser derrubados, fazendo com que o valor de suas ações implodisse”.

Outro caso que Carson meiciona é o da Diebold, “que recorreu à derrubada de sites que publicavam documentos internos da empresa sobre suas máquinas de votação. Os memorandos eram rapidamente distribuídos por bittorrent para mais hard drives do que podiam ser contados e a própria Diebold se via num jogo de perseguição aos mirrors que se proliferavam exponencialmente com suas informações”.

O prego final no caixão do estado é que agora nós todos podemos esperar o surgimento de uma nova versão do The Pirate Bay ou um site equivalente em poucos dias.

Se o estado deseja jogar esse joguinho, ótimo. Nós já sabíamos o que estaria em jogo e estávamos preparados para contra-atacar. Quando o estado não consegue jogar dentro de suas próprias regras e é forçado a jogar pelas nossas, é como um jogo ruim de Batalha Naval. E o estado não vai conseguir afundar nosso porta-aviões.

Traduzido por Erick Vasconcelos.

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