A ação direta alcança resultados práticos
The following article is translated into Portuguese from the English original, written by Jonathan Carp.

Na vila de Kalabalge, no estado nigeriano do norte de Borno, o povo reagiu. Enquanto políticos tremiam e ativistas tuitavam, as pessoas de Kalabalge se armaram e combateram seus inimigos, prendendo um comboio do Boko Haram numa emboscada quando iriam sofrer um ataque em sua vila. Pelo menos 41 militantes do Boko Haram foram mortos e dez foram capturados no ataque surpresa a dois caminhões empreendido pelos habitantes do vilarejo. Armados com rifles, facões e arcos, as pessoas de Kalabalge fizeram aquilo que o exército da Nigéria não foi capaz de fazer e se defenderam com sucesso dos milicianos.

Estamos condicionados a pensar em “ativismo” como uma tentativa de fazer com que outras pessoas façam alguma coisa. Pedimos para que políticos e burocratas saiam de sua inércia e ajam de alguma maneira benéfica. Mas o melhor e mais efetivo ativismo é aquele em que assumimos o controle da situação e resolvemos nossos problemas — ou combatemos nossos inimigos — por conta própria. Na província de Michoacán, no México, as pessoas se insurgiram contra o cartel Cavaleiros Templários, expulsando-os com tanta eficiência que o governo mexicano desistiu de tentar suprimir as milícias e agora pretende suborná-las, transformando-as em um braço do estado criminoso. Só podemos esperar que o povo resista a esses avanços.

E agora, na Nigéria, o povo está levantando. Enquanto o resto do mundo responde aos crimes do Boko Haram com hashtags e selfies, o povo de Kalabalge respondeu com balas e facas, assumindo a responsabilidade por suas vidas e famílias. Para se defender, deve-se depender de si mesmo; em cursos de autodefesa, nós aprendemos tanto a confiar na própria força quanto técnicas para derrotar os atacantes. O Boko Haram reagiu da forma que os agressores respondem desde sempre a vítimas fortalecidas — colocaram o rabo entre as pernas e fugiram, deixando seus mortos e feridos para trás como covardes que sempre foram.

Nos Estados Unidos, o centro imperial, nós também precisamos aprender a nos defendermos de agressores em nosso meio, contra as forças do império. As ações não precisam ser diretas, não é necessário o confronto direto — embora aqueles que escolham enfrentar os opressores diretamente mereçam o nosso respeito. No movimento anti-guerras dos últimos 14 anos, ocorreram várias iniciativas de conscientização, de levantamento de fundos e outros eventos importantes, mas o ativismo mais efetivo teve duas formas: o desestímulo ao alistamento militar — conhecido como “contra-recrutamento” — e o estímulo à deserção dos soldados. São iniciativas muito mais desafiadoras do que segurar uma placa numa passeata, porque requerem que nós conheçamos as pessoas que estamos tentando alcançar e que ofereçamos uma alternativa viável ao exército, que é um dos últimos lugares que existem em nossa sociedade em que qualquer pessoa fisicamente apta pode conseguir um emprego com bom salário e benefícios. Mas ambas as ações geram resultados práticos, porque retiram matéria-prima da máquina estatal, forçando os controladores do estado imperial a gastar mais tempo e recursos para encontrar e reter soldados e menos na agressão e no assassinato de pessoas.

Falar numa sala de aula no interior sobre as alternativas ao exército não é tão dramático quanto fazer uma emboscada a caminhões do Boko Haram numa floresta nigeriana no meio da noite, mas ambas as ações compartilham um mesmo aspecto: nenhuma delas requer que imploremos àqueles que detêm o poder por piedade e conforto. Ambas combatem o inimigo diretamente e enfrentam diretamente os mecanismos de opressão e violência. Se vamos ser salvos, precisamos seguir o exemplo de coragem do povo de Kalabalge e tomar nosso destino em nossas próprias mãos.

Traduzido do inglês para o português por Erick Vasconcelos.

Citations to this article:

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Conscience of an Anarchist