Zomias Por Toda Parte

A Comunidade Islandesa, assentada desproporcionadamente por pequenos detentores em fuga de crescentes imposições do rei e da nobreza, era uma população zomiana com a qual muitos libertários estão familiarizados. Os assentamentos islandeses descritos nas Sagas tiveram lugar numa época na qual reis da Escandinávia continental “estavam aumentando sua autoridade a expensas dos direitos tradicionais dos lavradores livres.” [40] O rei Harald Cabelo Belo, por exemplo, impôs tributos sobre terras previamente alodiais, com os chefes a ele subordinados ficando com uma fatia da receita tributária para si próprios. [41] As famílias que fugiram do continente consciamente estruturaram a nova sociedade ao longo de linhas relativamente igualitárias para impedir tais males. [42]

De acordo com Kropotkin, as cidadezinhas medievais — e o país inteiro da Suíça, aliás — eram áreas da espécie, formadas por servos fugidos e outras populações atraídas para territórios com custo de governança proibitivo. Ao lado de construção, pelas cidadezinhas, de fortificações, e de federação e revolta contra a autoridade dos senhores feudais, em muitos lugares os habitantes de vilas federavam-se em conjunto para resistir a seus senhores feudais. Na maior parte dos casos, falecendo-lhes a proteção de muros ou de terreno defensável, eram rapidamente derrotados. Contudo, em terreno defensável favorável, como nos Alpes, “tais repúblicas camponesas tornaram-se unidades independentes da Confederação Suíça.” [43]

Notes:

40 Jesse Byock, Islândia do Tempo dos Vikings (Penguin, 2001), p. 65.
41 Ibid., p. 83.
42 Ibid., p. 84.
43 Pyotr Kropotkin, Ajuda Mútua: Fator de Evolução (New York: Doubleday, Page and Company, 1909), pp. 206-207.

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