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	<title>Center for a Stateless Society &#187; violência policial</title>
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		<title>Servir e proteger? Não, odiar e temer</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Dec 2014 23:00:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Kevin Carson]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>A recente trajetória de eventos que levou à <a href="http://oglobo.globo.com/mundo/homem-mata-dois-policiais-em-nova-york-em-possivel-vinganca-contra-morte-de-negros-14890280">morte dos oficiais da polícia de Nova York Wenjian Liu e Rafael Ramos</a> e a <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/201284-policiais-culpam-prefeito-de-ny-por-morte-de-2-agentes.shtml">reação nacional da classe policial</a> deixaram mais claro que nunca como a polícia se sente em relação ao público que supostamente serve e protege: têm muito medo. Por mais de vinte anos, o combate às drogas e a militarização policial estimularam uma tendência crescente da polícia urbana a enxergar as populações policiadas como áreas inimigas ocupadas. No livro de Radley Balko <em>Rise of the Warrior Cop</em> (&#8220;A ascensão do policial guerreiro&#8221;, em tradução livre para o português), eles admitem parar e sair de suas viaturas aleatoriamente em bairros não-brancos somente para mostrar força e lembrar aos residentes intimidados quem é que manda. E graças à proliferação de esquadrões da SWAT (estabelecidos originalmente somente para situações raras, como a libertação de reféns) mesmo em cidades pequenas e ao enorme fluxo de equipamentos militares a forças policiais de locais como Ferguson, essa atitude hostil e amedrontada em relação à população local chegou aos subúrbios americanos.</p>
<p>Enquanto isso, a cultura interna da polícia vem assumindo os mesmos tons paranoicos que fizeram com que <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_M%E1%BB%B9_Lai">o tenente Callen e seus homens massacrassem a população de Mỹ Lai</a>. Desde os anos 1980, os policiais descrevem seus trabalhos com a mesma retórica militarista da Guerra do Vietnã. Mas essas autopercepções estão totalmente divorciadas da realidade. Os soldados no Vietnã de fato estavam sujeitos a um grande risco de morte. No caso dos policiais, porém, suas mortes em serviço caem ano após ano há décadas. O trabalho policial é o décimo mais perigoso (<a href="http://www.premierhandling.com/latest-news/most-dangerous-american-jobs/">os dois mais perigosos são a exploração madeireira e a pesca</a>); a coleta de lixo é mais perigosa que ser um policial.</p>
<p>Essa autoimagem conflituosa é norma na polícia há mais de vinte anos. Mais recentemente, a polícia se ressente cada vez mais do fato de que as filmagens de suas ações e as críticas que recebem (como após a perseguição dos acampamentos do movimento Occupy) impedem que eles exerçam sua autoridade como antes. Porém, a cultura policial entrou em estado de pânico em resposta aos protestos contra a morte de Michael Brown, em Ferguson, e às campanhas nacionais #WeCantBreathe e #BlackLivesMatter após os vereditos que inocentaram os policiais responsáveis pelas mortes de Brown e Eric Garner.</p>
<p>Em fóruns policiais, os oficiais se sentem livres para admitir como eles de fato nos enxergam: um bando de ingratos chorões, mimados demais para perceber que quem veste o uniforme azul os protege do caos. Virtualmente todas as pessoas não-brancas mortas por um policial são tratadas por adjetivos como &#8220;criminosos&#8221; ou &#8220;bandidos&#8221;. Os apologistas da polícia trabalham rapidamente para encontrar sujeira que caia no colo das vítimas. Eles retratam as vítimas com os termos mais bestiais, estereotipados e ameaçadores dos homens negros (têm fixação pela altura do garoto de 12 anos Tamir Rice, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/11/141124_eua_menino_arma_lk">morto em novembro</a>, e descrevem Michael Brown como um jogador de futebol fisicamente enorme que grunhia como um animal).</p>
<p>Poul Anderson escreveu certa vez que o governo é a única instituição que tem o direito de matar uma pessoa por desobedecê-lo. Isso fica claro no caso da polícia. Um porta-voz da polícia disse abertamente que, se você não deseja ser morto, obedeça às ordens da polícia sem questionar (como se isso fosse garantia suficiente, considerando que pessoas que em convulsão ou coma diabético já foram mortas por &#8220;resistirem à prisão&#8221;). Entre a população, a frase &#8220;Não resista! Não resista!&#8221; virou piada, mas mesmo a polícia acha graça do fato de que eles podem matar sem repercussões (por exemplo, as camisetas &#8220;<a href="http://boingboing.net/2008/10/01/denver-police-union.html">We Show Up Early to Beat the Crowds</a>&#8220;, vendidas pelo sindicato policial de Denver).</p>
<p>Para a polícia, qualquer crítica, mesmo a sugestão de que a polícia às vezes possa agir com força excessiva ou de acordo com o perfil racial de alguém é vista como uma ameaça existencial. Os mesmos fóruns mencionados acima estavam cheios de reclamações de que os protestos contra os vereditos dos casos Brown e Garner estavam &#8220;abrindo a temporada de caça&#8221; aos policiais. O sindicato dos policiais de Nova York avisou ao prefeito Bill de Blasio, <a href="http://oglobo.globo.com/mundo/bill-de-blasio-vive-sua-maior-crise-e-acusado-de-nao-apoiar-policiais-14899816">depois de ele advertir seu filho mestiço a ser especialmente cuidadoso perto de policiais</a>, que ele <a href="http://nypost.com/2014/12/12/cops-to-de-blasio-stay-away-from-our-funerals/">não seria bem-vindo a funerais de oficiais</a>.</p>
<p>A paranoia policial chegou ao ponto de ebulição com os protestos após a morte de Michael Brown e os vereditos; a morte de Liu e Ramos fez com que ela se tornasse explosiva. Emails internos do Departamento de Polícia de Nova York acusaram De Blasio de ter &#8220;sangue em suas mãos&#8221; por suas observações e afirmava que os manifestantes eram cúmplices. Policiais em todos os Estados Unidos ecoam esses sentimentos.</p>
<p>Ou seja, os policiais culpam a todos pela hostilidade que levou às mortes de Liu e Ramos, exceto a si mesmos. Os policiais são profissionais no jogo do vitimismo.</p>
<p>O Departamento de Polícia de Nova York se considera agora em estado de guerra. Os policiais fazem patrulha apenas em pares, entregando mandados e convocações somente quando absolutamente necessário para fazer uma prisão. Depois de décadas afirmando quão inconcebivelmente perigoso seu trabalho é, a polícia novaiorquina responde a duas mortes em serviços em uma tropa de milhares &#8212; as primeiras mortes em <em>três anos</em> &#8212; como se fosse Pearl Harbor. Isso diz muito sobre quão privilegiados e abusivos os policiais são.</p>
<p>Nós podemos presumir com segurança que, se os policiais de Nova York minimizarem suas interações com a população ao mínimo necessário, os crimes perpetrados pelo público e pelos policiais só diminuirão. Talvez eles possam entrar em greve também &#8212; outro fenômeno historicamente associado a quedas drásticas no índice de criminalidade. É um jeito bom de tirar criminosos das ruas.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=34522&amp;md5=8383bb73c04937f51c25420bfc604dfd" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>O primeiro passo é admitir que a tortura existe</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Dec 2014 23:00:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Thomas L. Knapp]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[O sumário mínimo, parcial e pesadamente censurado do senado dos Estados Unidos sobre as torturas conduzidas pela CIA após os atentados de 11 de setembro saíram. A recepção desse relatório pela grande mídia é um demonstrativo tão grande do problema quanto o próprio relatório. Como qualquer viciado em recuperação pode atestar, o primeiro passo é...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O sumário mínimo, parcial e pesadamente censurado do senado dos Estados Unidos sobre as torturas conduzidas pela CIA após os atentados de 11 de setembro saíram. A recepção desse relatório pela grande mídia é um demonstrativo tão grande do problema quanto o próprio relatório.</p>
<p>Como qualquer viciado em recuperação pode atestar, o primeiro passo é admitir que existe um problema. O governo e a mídia americana (e, presumivelmente por segui-los, o público americano) se recusam absolutamente a fazer isso.</p>
<p>Em matérias e mais matérias, nós vemos referências a &#8220;técnicas avançadas&#8221; e a &#8220;táticas brutais&#8221; de interrogatório. São expressões vazias. Não são admissões do problema, são tentativas de evitar o confronto com ele.</p>
<p>Não tratamos aqui de &#8220;técnicas avançadas de interrogatório&#8221; e também não estamos discutindo &#8220;táticas brutais de interrogatório&#8221;. Estamos falando de tortura.</p>
<p>A tortura é claramente definida pela legislação dos Estados Unidos (<a href="http://www.law.cornell.edu/uscode/text/18/2340">18 US Code §2340</a>): &#8220;[Ato] cometido por uma pessoa que age em nome da lei com específico propósito de infligir dores ou sofrimento físico ou mental severos (além da dor ou do sofrimento incidentais a sanções legais) sobre outra pessoa em sua custódia ou controle físico&#8221;.</p>
<p>A tortura é claramente definida pelo direito internacional (a <a href="http://www.dhnet.org.br/direitos/sip/onu/tortura/lex221.htm">Convenção das Nações Unidas contra a Tortura</a>): &#8220;[Qualquer] ato pelo qual uma violenta dor ou sofrimento, físico ou mental, é infligido intencionalmente a uma pessoa, com o fim de se obter dela ou de uma terceira pessoa informações ou confissão; de puní-la por um ato que ela ou uma terceira pessoa tenha cometido ou seja suspeita de ter cometido; de intimidar ou coagir ela ou uma terceira pessoa; ou por qualquer razão baseada em discriminação de qualquer espécie, quando tal dor ou sofrimento é imposto por um funcionário público ou por outra pessoa atuando no exercício de funções públicas, ou ainda por instigação dele ou com o seu consentimento ou aquiescência&#8221;.</p>
<p>Essas definições legais são informativas, mas não precisamos delas para concluir que as ações descritas no relatório &#8212; afogamento simulado, privação de sono e a infusão forçada de substâncias nos retos das vítimas, para citar três &#8212; são tortura, somente tortura e nada mais que tortura. Não existe definição razoável de tortura em que essas ações não se encaixa.</p>
<p>A partir dessa primeira conclusão, precisamos inevitavelmente tirar a conclusão secundária: as pessoas envolvidas em tortura, desde seus operadores diretos cadeia de comando acima, chegando ao presidente dos Estados Unidos, são criminosos violentos e perigosos, e seriam reconhecidos como tal em qualquer sociedade sã, mesmo que não existissem leis codificadas para descrever seus crimes.</p>
<p>A questão, é claro, é o que fazer quanto a isso. As sugestões mais comuns variam são &#8220;nada&#8221;, &#8220;fazer algumas audiências no Senado e rezar para que o problema se resolva sozinho&#8221; ou &#8220;apontar um promotor especial para que ele processe alguns criminosos menos bem conectados para que nós possamos seguir com a vida&#8221;.</p>
<p>Mesmo na ponta mais radical de nosso espectro político, as sugestões tendem a recorrer a coisas como colocar os EUA sob a jurisdição da Corte Criminal Internacional e conduzir toda a gangue para julgamento em Haia.</p>
<p>A segunda etapa nos programas de 12 passos de recuperação de dependentes envolvem o reconhecimento de &#8220;um poder superior&#8221;. O segundo passo em qualquer programa de recuperação de torturadores envolve o reconhecimento de que o &#8220;poder superior&#8221; temporal &#8212; o estado &#8212; é o problema real.</p>
<p>O estado concede poder extremo a seus agentes, especialmente sobre prisioneiros e detentos. Esse poder corrompe, permitindo que os agentes cometam abusos e torturem, como mostrou a experiência de aprisionamento de Stanford.</p>
<p>A estrutura estatal também protege seus agentes, evitando que sejam perseguidos criminalmente, cobrindo as discussões sobre a violência estatal com eufemismos, fazendo com que a discussão da tortura como crime se torne uma discussão da tortura enquanto política. Além disso, o monopólio estatal sobre as leis faz com que os processos e as decisões sejam conduzidas pelo próprio estado. Os torturadores sabem que tem muito pouca chance de serem levados à justiça.</p>
<p>Se toleramos o estado, toleramos a tortura. Já passou da hora de pararmos de tolerar ambos.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=34278&amp;md5=ce89cfc683ffe1434199bfeea10b7213" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>A polícia deveria estar na frente das câmeras, não por trás delas</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Dec 2014 00:00:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Thomas L. Knapp]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Câmeras nos uniformes de policiais estão na moda. O ativista pelos direitos civis Al Sharpton quer usá-las para monitorar as atividades dos policiais. A comentarista política Ann Coulter deseja usá-las para &#8220;calar a boca&#8221; de Al Sharpton. A Casa Branca quer implementá-las porque, bem, elas são uma forma de ser &#8220;duro com a violência policial&#8221;...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Câmeras nos uniformes de policiais estão na moda. O ativista pelos direitos civis Al Sharpton quer usá-las para monitorar as atividades dos policiais. A comentarista política Ann Coulter deseja usá-las para &#8220;calar a boca&#8221; de Al Sharpton. A Casa Branca quer implementá-las porque, bem, elas são uma forma de ser &#8220;duro com a violência policial&#8221; e &#8220;duro com o crime&#8221;, gastanto US$ 263 milhões em uma nova tecnologia.</p>
<p>Quando Al Sharpton, Ann Coulter e o presidente dos Estados Unidos concordam em algo, minha reação imediata e visceral é de ceticismo extremo. Neste caso, os fatos conhecidos dão suporte a esse ceticismo.</p>
<p>É absolutamente improvável que o uso disseminado de câmeras em uniformes de policiais reduza a incidência ou a severidade da violência policial injustificada. Nós já vimos quais foram os resultados de várias &#8220;soluções&#8221; tecnológicas para esse problema.</p>
<p>A introdução de sprays de pimenta e tasers como armas para a polícia estimulou uma atitude confrontativa com os &#8220;suspeitos&#8221; (&#8220;suspeito&#8221; é policialês para &#8220;qualquer um que não seja um policial&#8221;). Sua suposta não-letalidade facilitava a substituição das conversas pacíficas por ações violentas.</p>
<p>A introdução de armas e veículos militares para a polícia também não produziu uma diminuição da violência. Pelo contrário: agora nós podemos testemunhar departamentos policiais em todo o país fazerem suas reencenações da ocupação nazista de Paris em muitas cidades.</p>
<p>E quanto às chamadas &#8220;dashcams&#8221;? Essa é a comparação mais óbvia. As dashcams, porém, parecem sempre estar com defeito ou os departamentos de polícia misteriosamente perdem as gravações quando surge uma denúncia de abuso policial.</p>
<p>Por outro lado, é absolutamente certo que o uso disseminado dessas câmeras aumentaria o escopo e a eficácia da vigilância autoritária estatal.</p>
<p>A proposta da Casa Branca pede a aquisição inicial de 50.000 câmeras. Alguém duvida que as gravações sejam utilizadas e analisadas em comparação com os bancos de dados policiais (que incluem bancos de reconhecimento facial) continuamente?</p>
<p>Se uma câmera fica presa a um policial específico por um período de oito horas diárias (em vez de ser usada por vários policiais continuamente durante o dia), são 400.000 horas por dia de buscas aleatórias sem mandado que podem ser usadas o tempo inteiro em busca de causas prováveis para investigar e prender pessoas. Nem a Polícia do Pensamento em 1984 de George Orwell carregava câmeras portáteis em todos os lugares!</p>
<p>A tecnologia de vídeo certamente é parte da solução para a violência policial, mas essa solução deve permanecer nas mãos de pessoas comuns, não do estado. Mais e mais indivíduos diariamente conseguem acesso a tecnologias de gravação de vídeo, juntamente com serviços de armazenamento na internet que não podem ser destruídos ou alterados pelas autoridades. Os policiais precisam aparecer em câmeras que não controlam.</p>
<p>Parte da solução, porém, é somente parte da solução. Mesmo quando as câmeras pegam policiais violentos, abusivos e criminosos em ação &#8212; como, por exemplo, quando câmeras de segurança filmaram os policiais Manuel Ramos e Jay Cicinelli de Fullerton na Califórnia espancando o sem teto Kelly Thomas até a morte em 2011 &#8211;, é incrivelmente dificil condená-los ou mesmo abrir processos contra eles.</p>
<p>A ubiquidade do monitoramento em vídeo dos agentes estatais é um começo. Mas a única possibilidade real de garantir o fim da violência estatal é acabar com a polícia estatal &#8212; e, na verdade, acabar com o próprio estado.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=33959&amp;md5=af64d7b710bde094c5d7aef0e4bf8bb3" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>A consciência negra e sua luta libertária</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Nov 2014 22:30:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Valdenor Júnior]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na década de 60, importantes nomes do movimento libertário norte-americano tiveram contato com as mobilizações promovidas pela New Left (“Nova Esquerda”), que se caracterizava, em contraposição à velha esquerda, pela desconfiança dos métodos de organização centralistas e das táticas pró-fortalecimento do estado, e por sua ênfase na inclusão de grupos segregados ou minoritários dentro da elevação do padrão...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Na década de 60, importantes nomes do movimento libertário norte-americano tiveram contato com as mobilizações promovidas pela <em>New Left</em> (“Nova Esquerda”), que se caracterizava, em contraposição à velha esquerda, pela desconfiança dos métodos de organização centralistas e das táticas pró-fortalecimento do estado, e por sua ênfase na inclusão de grupos segregados ou minoritários dentro da elevação do padrão de vida americana, trazendo à tona questões de gênero e de raça, bem como na crítica à militarização da política externa.</p>
<p>A tática da Nova Esquerda era, principalmente, a desobediência civil em massa, a ação direta e a auto-organização das comunidades e vizinhanças com a criação de instituições da sociedade civil paralelas ao estado, catalisando reformas sociais por meio de um ativismo menos capturável pelo <em>establishment</em>. Esses métodos decorriam da desconfiança já citada em relação às instâncias governamentais e à política partidária: como bem destacou o socialista libertário brasileiro <a href="http://mercadopopular.org/2014/10/socialismo-e-politica/">Mário Ferreira dos Santos</a>, na política democrática normal, &#8220;como sempre sucede, o meio acaba tornando-se mais importan­te que o fim, pois tende a substituí-lo, e a luta emancipadora, tendente para um ideal final, acaba por endeusar os meios&#8221; e era isso que a Nova Esquerda pretendia evitar.</p>
<p>À época, Murray Rothbard, conhecido expoente do anarquismo de mercado, esteve em contato com esses grupos e promoveu o diálogo entre o libertarianismo e a Nova Esquerda por meio do jornal &#8220;<em>Left and Right: A Journal of Libertarian Thought&#8221;</em><em> </em>(Esquerda e Direita: um jornal do pensamento libertário&#8221;). Dentre os textos publicados, o que mais se destaca certamente é &#8220;<a href="http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:f_LZ2rOmRNEJ:https://mises.org/journals/lar/pdfs/1_2/1_2_4.pdf+&amp;cd=1&amp;hl=pt-PT&amp;ct=clnk&amp;gl=br"><em>The New Left and Liberty</em></a>&#8221; (“A Nova Esquerda e a Liberdade”), de autoria do próprio Rothbard, demonstrando o quão a filosofia da liberdade individual era inerente aos métodos e motivos da Nova Esquerda.</p>
<p>Nele, Rothbard defende que a noção de democracia participativa da Nova Esquerda seria uma teoria política e organizacional antiautoritária e antiestatista: todo indivíduo, mesmo os mais pobres e os mais humildes, devem ter o direito de controle total sobre as decisões que afetam sua própria vida. Como recentemente destacou Kevin Carson, trata-se de um paradigma econômico e organizacional baseado em redes horizontais e <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Stigmergy">estigmérgicas</a>, onde tudo é feito pelo indivíduo ou grupo mais interessado, motivado e qualificado para a tarefa, sem a espera de permissão, o que abre espaço para que ativistas possam definir por si mesmos o que é importante para as comunidades de que são parte e com que trabalham e decidir como as pautas libertárias se relacionam especificamente a si mesmos.</p>
<p>Com a passagem do Dia da Consciência Negra no Brasil, podemos destacar ainda a descrição de Rothbard do movimento negro americano: essencialmente libertário em método e motivos.</p>
<p>Era o tempo da luta pelos direitos civis, contra a legislação segregacionista que vigia no Sul dos Estados Unidos, que mantinha os negros em situação de dependência e marginalização. Para Rothbard, a velha e a nova esquerda, nessa questão, eram como água e óleo.</p>
<p>A Velha Esquerda defendia reformas políticas, como moradias subsidiadas a negros, subsídios federais à educação, programas estatais de combate à pobreza. O método, portanto, era o <em>lobby</em> político.</p>
<p>A Nova Esquerda preconizava um ativismo militante que girava em torno daqueles assuntos que poderiam ser tratados com desobediência civil de massa: leis de segregação racial, restrições ao direito dos negros de votarem, a disseminada brutalidade policial em direção ao povo negro.</p>
<p>A brutalidade policial era um assunto de especial foco, uma vez que esta era a principal preocupação dos negros norte-americanos do Sul e mesmo dos bairros negros em estados do Norte e do Oeste, muito mais prejudicial às suas perspectivas que a falta de <em>playgrounds</em> ou mesmo a condição habitacional em seus bairros, tendo em vista os abusos de poder e as detenções arbitrárias realizadas por policiais brancos.</p>
<p>Rothbard conclui que, ao focar em áreas no qual um estado governado por brancos oprime as pessoas negras, a Nova Esquerda transformara o movimento negro em um movimento autenticamente libertário.</p>
<p>O mesmo ocorria na questão econômica. A Nova Esquerda corretamente desconfiava das medidas governamentais de renovação urbana: ao invés de aceitar o pretexto de que se tratava de uma reforma para beneficiar as massas, via nelas um programa de remoção forçada dos negros de suas residências para beneficiar os interesses dos setores de construção civil e de imobiliárias. Os programas de “combate à pobreza” eram vistos como uma forma de burocracias e políticos de alto escalão tentarem manipular &#8220;de cima para baixo&#8221; as perspectivas econômicas dos negros.</p>
<p>Tendo em vista essa descrença na solução estatal, Rothbard mostra que os ativistas da Nova Esquerda trabalhavam dentro das comunidades negras, auxiliando-as a saírem da apatia e as organizando em associações comunitárias de ajuda mútua aos próprios negros empobrecidos, um paradigma semelhante ao que se está renovando atualmente por meio das <a href="http://mercadopopular.org/2014/08/a-grande-promessa-das-cooperativas-sociais/">cooperativas sociais</a>. E sua aplicação prática levou mesmo ao estabelecimento de escolas conhecidas como <em>freedom schools</em> (“escolas da liberdade”), alternativas às escolas públicas governamentais.</p>
<p>Além disso, ao contrário da aceitação acrítica dos antigos sindicatos trabalhistas pela Velha Esquerda, a Nova Esquerda denunciou como sindicatos tinham organizado trabalhadores brancos contra os negros, usando sua influência junto às empresas em para restringir a participação dos negros na força de trabalho e reforçar sua exclusão. Mas isso também não quer dizer que a Nova Esquerda fosse contrária à liberdade sindical: no Mississippi, foi formado um sindicato alternativo para registro de trabalhadores negros, desafiando o monopólio de sindicatos racistas nas negociações com as empresas.</p>
<p>O movimento negro brasileiro defronta-se com alguns desafios similares, ainda que em contextos diferentes, onde muitas das causas têm relação tanto com negros quanto com as demais pessoas de baixa renda que moram em bairros periféricos: brutalidade policial, desapropriações, programas de financiamento habitacional que <a href="http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,segunda-fase-do-minha-casa-registra-piora-do-desempenho-na-baixa-renda-imp-,1121693">intensificam o déficit habitacional</a> e a segregação residencial, ausência de reconhecimento do direito de propriedade coletiva da terra de comunidades quilombolas (intensificando conflitos fundiários na Amazônia, por exemplo), ausência do direito de propriedade de moradores de favelas e outras edificações residenciais “irregulares”. Há também uma carga tributária que não somente onera proporcionalmente <a href="http://exame.abril.com.br/economia/noticias/sistema-tributario-brasileiro-onera-mais-negros-e-mulheres">mais os pobres do que os ricos</a>, como também pune principalmente <a href="http://spotniks.com/mulheres-e-negros-sao-os-mais-prejudicados-pelo-sistema-tributario-brasileiro/">mulheres e negros</a> em relação aos homens e brancos, e a política cada vez mais repressiva de combate às drogas aumenta a insegurança e os homicídios entre pessoas negras, e a profanação dos cultos afro-brasileiros.</p>
<p>Aqui, a população negra se preocupa com o assistencialismo em duas vias: a “assistência” estatal que quebra vínculos familiares e comunitários, transferindo a responsabilidade pelo bem estar dos indivíduos para o governo; e, duplamente maléfico, o assistencialismo corporativo e à classe média, que oferece subsídios a empresas e a classe média e deprime ainda mais o valor do trabalho dos negros.</p>
<p>Os negros precisam lidar com essas questões. E poderão fazer isso através de uma consciência negra libertária, que se inspire no trabalho da Nova Esquerda.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=33696&amp;md5=6a67192b3a598807bf4c27f9910c2b0d" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Quantos mortos pela PM são o bastante?</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Sep 2014 02:47:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Valdenor Júnior]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nesta quinta-feira (18/09), o camelô Carlos Augusto Muniz Braga foi morto por um policial militar na Lapa, zona oeste de São Paulo. O vídeo da tragédia, viralizado, mostra o momento em que o policial atira à queima-roupa. Carlos se afastou, mas caiu logo a seguir, ensanguentado. Qual foi o crime de Carlos? Testemunhas relatam que...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Nesta quinta-feira (18/09), o camelô Carlos Augusto Muniz Braga <a href="http://brasil.elpais.com/brasil/2014/09/18/politica/1411075337_655762.html">foi morto</a> por um policial militar na Lapa, zona oeste de São Paulo. O vídeo da tragédia, <a href="https://www.facebook.com/video.php?v=1009188935762835">viralizado</a>, mostra o momento em que o policial atira à queima-roupa. Carlos se afastou, mas caiu logo a seguir, ensanguentado.</p>
<p>Qual foi o crime de Carlos? Testemunhas relatam que um ambulante teve toda sua mercadoria – DVDs – apreendida pela polícia e, ao reagir com indignação, terminou rendido no chão pelo policial depois de uma briga física. Uma pequena multidão revoltada se aglomerou e protestava. &#8220;Não bate nele!&#8221; &#8220;Tá cheio de ladrão por aí, para que bater assim num trabalhador?&#8221; Um dos policiais sacou uma pistola carregada e a colocou na mira de civis desarmados. Carlos estava entre os que protestavam. Quando o policial se preparava para usar novamente o spray de pimenta, Carlos tentou impedi-lo. O policial atirou em sua cabeça.</p>
<p>Carlos deixa uma esposa, Cláudia Silva Lopes, e 3 filhos – o mais novo com 4 anos e o mais velho, 12. Cláudia <a href="http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,ja-me-bateram-ate-gravida-diz-mulher-de-camelo-morto-por-pm,1562893">relata</a> já ter sido agredida grávida em abordagem passada da polícia, denunciando o quão comum é o abuso da força policial no cotidiano dos trabalhadores ambulantes.</p>
<p>O caso de Carlos Augusto foi um crime e uma tragédia. Mas não se engane com quem afirma que isso é apenas um caso isolado. O abuso de poder policial e o tratamento do ambulante como caso de polícia é uma situação sistêmica no Brasil.</p>
<p>O trabalhador ambulante é perseguido e acossado por levar o livre comércio às ruas. Inúmeros consumidores encontram, todos os dias, no trabalho e investimento deles, uma alternativa para satisfazer sua demanda por determinados bens e serviços. Trata-se de uma economia entre pessoas físicas, que acompanha as variações da demanda com adaptabilidade e flexibilidade. A vida de todos melhora com essa rede de trocas que, anualmente, <a href="http://economia.terra.com.br/economia-informal-movimenta-r-730-bilhoes-em-2012-diz-pesquisa,2b38354e3fc90410VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html">movimenta centenas de bilhões de reais</a>.</p>
<p>Contudo, para que este resultado seja obtido, grande parte do cotidiano dos trabalhadores ambulantes é dispendido em maneiras de contornar o estado, de evitar a repressão por seus agentes ou, pelo menos, tentar evitar que os investimentos e o fruto de seu trabalho sejam tomados. A polícia geralmente reprime ambulantes e camelôs sob várias justificativas: ausência de autorização, revogações discricionárias, a defesa da propriedade intelectual, ou o não pagamento de impostos.</p>
<p>O que mostra como o estado brasileiro é uma instituição contrária ao trabalhador e ao pobre.</p>
<p>Em um país cujo governo orgulha-se de uma detalhada regulação trabalhista para proteger o trabalhador, o fato é que esses trabalhadores na informalidade são vulneráveis ao aparato de repressão governamental, que confisca o fruto de seu trabalho ou os agride fisicamente, podendo chegar, como no caso de Carlos Augusto, à morte violenta. As autorizações de trabalho ambulante são concedidas a título precário pelas prefeituras, de modo que eles são vulneráveis a serem, repentinamente, proibidos de exercer seu trabalho.</p>
<p>Em um país cujo governo afirma recolher muitos tributos para satisfazer as necessidades do povo em termos de educação, saúde e bem-estar para alcançar uma sociedade igualitária, já está demonstrado que a carga tributária não somente onera proporcionalmente <a href="http://exame.abril.com.br/economia/noticias/sistema-tributario-brasileiro-onera-mais-negros-e-mulheres">mais os pobres do que os ricos</a>, como também pune principalmente <a href="http://spotniks.com/mulheres-e-negros-sao-os-mais-prejudicados-pelo-sistema-tributario-brasileiro/">mulheres e negros</a> em relação aos homens e brancos. Diante disso, o comércio informal ajuda a aliviar parte dessa carga suportada pelos mais pobres e por grupos minoritários, mas o governo não aceita isso.</p>
<p>Aqui, trabalhadores como Carlos são frequentemente perseguidos, enquanto megacorporações como a FIFA se locupletam com privilégios estatais, como <a href="http://c4ss.org/content/28572">escrevi</a> durante a Copa do Mundo.</p>
<p>Não bastassem todas essas injustiças, é muito provável que a morte de Carlos tivesse sido registrada como “<a href="http://c4ss.org/content/30932">auto de resistência</a>” e não fosse investigada caso ninguém tivesse filmado o ocorrido. O auto de resistência é pouco mais que uma licença para matar. O registro da “resistência seguida de morte” cria uma presunção em favor da versão dos fatos do policial e o arquivamento de processos desse tipo é frequente. Não fosse a gravação e a multidão, Carlos teria virado mais uma estatística de auto de resistência.</p>
<p>A morte de Carlos Augusto não pode ser esquecida. Nenhum dos abusos do estado pode. Devemos a ele, não somente o julgamento do policial que atirou nele, mas também o fim do sistema perverso que trata o livre comércio e os trabalhadores brasileiros como um caso de polícia.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=31970&amp;md5=a7dc4707270526cde327f82fda87c7c9" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Os policiais realmente &#8220;se encaixam na descrição&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Aug 2014 00:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Brian Nicholson]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Stateless Embassies]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
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		<description><![CDATA[A morte de um jovem negro desarmado em Ferguson, Missouri, e a brutal resposta da polícia local aos protestos fez com que a mídia merecidamente passasse a examinar as práticas dos policiais nos Estados Unidos. Várias entrevistas revelam histórias de perseguição policial constante, mostrando que o tratamento desproporcional dispensado às minorias é generalizado. Trata-se, infelizmente,...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A morte de um jovem negro desarmado em Ferguson, Missouri, e a brutal resposta da polícia local aos protestos fez com que a mídia merecidamente passasse a examinar as práticas dos policiais nos Estados Unidos. Várias entrevistas revelam histórias de perseguição policial constante, mostrando que o tratamento desproporcional dispensado às minorias é generalizado. Trata-se, infelizmente, de uma ocorrência muito comum. Contudo, às vezes casos particulares podem mostrar a injustiça geral ao destacar o absurdo de uma situação.</p>
<p>No dia 22 de agosto, em torno das 5h da tarde, um homem negro que andava em LaCienega Boulevard em Beverly Hills, Califórnia, foi cercado pela polícia, algemado, revistado e preso com uma fiança estipulada em 6 dígitos. Ao contrário dos retratações dos procedimentos policiais na cultura pop (a não ser no seriado da FX <em>The Shield</em>), ele não teve lidos os seus direitos nem pode entrar em contato com um advogado por várias horas. Foi preso por suspeita de assalto à banco na área, cujo suspeito era descrito como &#8220;homem negro, alto e careca&#8221;.</p>
<p>Para os policias, tinha pouca importância que uma descrição tão vaga pudesse servir tanto para Shaquille O&#8217;Neal quanto para o motorista da van dos correios da região. Era um homem alto, negro e careca, muito parecido&#8230; até que, ao observarem a câmera de segurança do banco, viram que se tratava do homem errado e o liberaram.</p>
<p>O que fez com que essa história ganhasse notoriedade foi o fato de que esse homem errado era <a href="https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10152352367158207&amp;set=a.37860328206.51697.543298206&amp;type=1">Charles Belk</a>, produtor, diretor e dono de sua própria empresa de marketing. Ao vê-lo discutir sua vida e seu encontro com esses policiais, lembrei da campanha &#8220;<a href="http://www.npr.org/blogs/thetwo-way/2014/08/11/339592009/people-wonder-if-they-gunned-me-down-what-photo-would-media-use">If They Gunned Me Down</a>&#8221; (&#8220;Se tivessem atirado em mim&#8221;, em português) no Twitter após a morte de Michael Brown e o que ela dizia a respeito da política da respeitabilidade. Se alguém que aparentemente marca todos os pontos múltiplas vezes no teste da sociedade americana que avalia se a pessoa é um Cidadão Respeitável pode ser tratado dessa forma, imagine o que aconteceria se ele <em>não</em> tivesse tais recursos à sua disposição — imagine que fosse um ator com dificuldades financeiras ou um garçom.</p>
<p>O tratamento dispensado às minorias. particularmente nos EUA, não importa se forem um Charles Belk ou João Ninguém, é parte do sistema que vê os não-brancos como uma massa amorfa e indiferenciada. Nas cidades em todo o país, as minorias são desproporcionalmente mais paradas e revistadas em busca de drogas e armas, são tratadas de forma mais dura pela polícia e tendem a &#8220;se encaixar na (ridiculamente vaga) descrição&#8221;. Dado o histórico de perfilamento racial, brutalidade policial e corrupção, aqueles que carregam o distintivo da polícia de uma ordem injusta são eles próprios suspeitos. As acusações são milhares de assassinatos e milhões de agressões, assaltos à mão armada, sequestro e terrorismo.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=31073&amp;md5=85fede0047f8233861e271005a89d380" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Cláudia Silva Ferreira foi regra, não exceção</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Mar 2014 19:00:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Erick Vasconcelos]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[O crime de Cláudia Silva Ferreira, no último dia 16, foi morar no lugar errado e ter a cor de pele errada. Saía para comprar R$ 3 de pão e R$ 3 de mortadela com um copo de café à mão. Os policiais acharam por bem não arriscar. Nunca se sabe quão letal pode ser...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O crime de Cláudia Silva Ferreira, no último dia 16, foi morar no lugar errado e ter a cor de pele errada. Saía para comprar R$ 3 de pão e R$ 3 de mortadela com um copo de café à mão. Os policiais acharam por bem não arriscar. Nunca se sabe quão letal pode ser um copo de café na mão de uma mulher negra, pobre e moradora da periferia. Deram dois tiros na faxineira, que já a deixaram estendida no chão, tórax perfurado. Foi carregada até a viatura policial na qual seria levada para o hospital. Os bancos traseiros estavam cheios de armamentos, então não podiam receber um corpo ferido – a polícia deve ter prioridades. Foi colocada no porta-malas, que abriu no trajeto. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=lsALsX84HIA">Seu corpo ficou preso no para-choque e foi arrastada por cerca de 350 metros pelo asfalto até ser empurrada de volta para dentro do carro</a>. Ela morreu.</p>
<p>A Polícia Militar negou o que os moradores do Morro da Congonha, em Madureira, subúrbio do Rio, viram. Segundo a PM, Cláudia foi encontrada já baleada. Na mesma operação, a PM matou um suposto traficante, feriu e prendeu outro e apreendeu quatro pistolas, rádios e drogas. Talvez tenham pensado que valeu a pena, afinal são as drogas que destroem famílias.</p>
<p>Se não existissem as drogas, a Polícia Militar não teria sido obrigada a subir o morro, não teria se deparado com a imagem ameaçadora e violenta de uma mulher negra de 38 anos com um copo de café nas mãos, não teria sido obrigada a disparar dois tiros em sua direção, nem tido o incômodo de carregar um corpo para dentro de uma viatura para ser conduzido ao hospital. Mas as drogas continuam destruindo famílias. A própria Cláudia criava 8 crianças em sua casa, 4 filhos e 4 sobrinhos. Por causa das drogas, sua família foi desfigurada.</p>
<p>E como exigir que militares prestem socorro a uma mulher ferida? Eles são militares por um motivo. São chamados &#8220;soldados&#8221; (os policiais envolvidos na operação, especificamente, eram dois subtenentes e um sargento) e são enviados para uma guerra. A ideia de proteção é completamente alheia a uma organização militar e a PM prova isso a cada dia em que invade uma favela e vê os moradores apenas como potenciais danos colaterais ao invés de vidas a serem protegidas.</p>
<p>Dos envolvidos, desde 2000, o subtenente Adir Serrano Machado, o mais eficiente de todos, já esteve envolvido em 57 ações que sofreram resistência, com 63 mortos. O subtenente Rodney Miguel Archanjo foi um pouco mais comedido, envolvendo-se em 5 ocorrências, com 6 mortos. O sargento Alex Sandro da Silva Alves, por outro lado, debutou no domingo em que Cláudia foi baleada, seu primeiro auto de resistência.</p>
<p>Dados esses fatos, fica claro que uma desmilitarização debilitaria demais a força da polícia, impossibilitando qualquer tipo de combate ao crime. Se queremos que alguém suba nos morros para apreender malotes de cocaína e maconha, temos que ter soldados.</p>
<p>Mas será que é mesmo isso que queremos?</p>
<p>Porque soa bem na propaganda eleitoral dizer que o policiamento nas favelas aumentou e que o combate as drogas foi intensificado. Mas o que isso significa de fato é que centenas de Cláudias Silvas Ferreiras vão continuar a morrer. Porque o único jeito de manter o asfalto seguro e ilusoriamente sem drogas é baleando gente inocente no morro.</p>
<p>Continuar a pensar que a brutalidade policial é uma exceção não vai nos levar a lugar nenhum. A violência da polícia brasileira é institucionalizada e necessária para as políticas do governo. Não é possível controlar o comércio de drogas sem o uso brutal da força por parte da polícia. Ao mesmo tempo, a luta contra o tráfico é necessária para manter a legitimidade do estado, que deve sempre se empenhar no combate ao &#8220;crime&#8221;. Com as atuais políticas de drogas, não há nenhuma possibilidade de acabar com a violência policial, porque sem ela o estado não conseguiria afirmar sua força.</p>
<p>Por ora, a PM poderia publicar um panfleto com atividades suspeitas que os cidadãos honestos devem evitar, como ser negro e andar com um copo de café na mão numa favela.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=25680&amp;md5=8b72fbc62da74e6f6cafc43f6e9daff0" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>A cegueira da lei</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Mar 2014 22:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Paddy Vipond]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Stateless Embassies]]></category>
		<category><![CDATA[anarquía]]></category>
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		<category><![CDATA[estado]]></category>
		<category><![CDATA[lei]]></category>
		<category><![CDATA[violência policial]]></category>

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		<description><![CDATA[Embora seja responsável por mentiras, fraudes, desinformação, desigualdade, discriminação e muitas outras iniquidades, aquilo que considero mais antiético no estado é sua hipocrisia. Embora os políticos frequentemente afirmem que isso não seja verdade, há obviamente uma regra válida para o estado e seus funcionários e outra para o resto da população. Uma resposta comum àqueles...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Embora seja responsável por mentiras, fraudes, desinformação, desigualdade, discriminação e muitas outras iniquidades, aquilo que considero mais antiético no estado é sua hipocrisia. Embora os políticos frequentemente afirmem que isso não seja verdade, há obviamente uma regra válida para o estado e seus funcionários e outra para o resto da população.</p>
<p>Uma resposta comum àqueles que defendem algum tipo de democracia direta, participativa ou uma anarquia é dizer que não haveria leis, mas apenas caos e injustiça. O fato, porém, é que se nos afastássemos da democracia que temos atualmente, nós teríamos uma sociedade mais justa e igualitária. As leis ainda existiriam, mas seriam aplicadas a todos. O sistema atual, sob o qual vivemos, é comprovadamente injusto.</p>
<p>Permita que eu ilustre esse argumento com um exemplo recente. Eu tento viajar para a costa ao sul da Inglaterra com frequência, já que minha universidade em que estudei fica na cidade de Brighton e ainda tenho muitos amigos que moram na região. Foi enquanto eu estava lá que notei uma <a href="http://www.theargus.co.uk/news/11074087.Witness_describes_aftermath_as_pedestrian_is_killed_by_a_police_car_on_the_A259/">manchete de um jornal local</a> que dizia que um homem foi morto ao ser atropelado por um carro da polícia. A vítima, que tinha cerca de 40 anos, estava aparentemente morta no local do acidente; o choque com o carro da polícia o matou quase instantaneamente. Poucos detalhes foram incluídos na reportagem, mas ela diz que a questão foi encaminhada à Comissão Independente de Reclamações à Polícia (Independent Police Complaints Comission &#8211; IPCC).</p>
<p>Vou me aventurar numa previsão aqui e dizer exatamente o que acontecerá neste caso. O IPCC analisará o caso por algum tempo, declarará que foi um acidente e arquivará o processo. Nenhuma outra ação será tomada e, se for, será de menor importância. Talvez o policial que dirigia a viatura seja suspenso.</p>
<p>Eu posso até estar errado nessa previsão, mas a história parece estar ao meu lado. Sou incapaz de encontrar um só caso em que o policial foi colocado atrás das grades após matar alguém por conta de direção perigosa.</p>
<p>Por outro lado, há um sem número de histórias de cidadãos comuns que foram mandados para a cadeia por crimes similares. Apenas algumas semanas antes da história do atropelamento pelo policial, o mesmo jornal <a href="http://www.theargus.co.uk/news/11042947.Bognor_man_jailed_for_12_years_for_manslaughter_of_20_year_old/">publicou <span style="text-decoration: underline;">uma matéria</span></a> sobre um homem que foi condenado a doze anos de prisão porque causou a morte de outra pessoa. Devemos ter cuidado para não fazer muitos paralelos entre casos, já que cada um deles é diferente, mas o resultado final é o mesmo. Um homem ao volante tirou a vida de um pedestre que estava na rua ou próximo dela. No fim, um inocente havia morrido.</p>
<p>Como eu disse, devemos ter cuidado para não fazermos conexões demais entre as histórias, já que o júri e o tribunal tiveram que levar em conta as motivações, o histórico do acusado e as circunstâncias da morte, além de muitos outros pontos. Os dois casos não são completamente idênticos, então eu não esperaria que houvesse punição idêntica. É muito provável, porém, que o policial que dirigia e causou a morte do homem de cerca de 40 anos não terá qualquer punição. Essa é a hipocrisia do estado e a injustiça que é tão comum em nossa sociedade.</p>
<p>Aparentemente, a polícia não é apenas o braço da lei, mas també está acima dela. Numa construção absurda e paradoxal, a polícia é estabelecida para que a lei seja cumprida, mas ela não é sujeita às próprias regras. Não há justiça se dois incidentes com resultados iguais ocorrem, mas cujas punições são totalmente contrastantes.</p>
<p>Não defendo ninguém que dirija perigosamente e cause a morte de outro ser humano. Acredito que devam existir punições adequadas aos crimes, mas creio também que crimes cometidos por homens fardados e distintivos devam ser considerados tão graves quanto aqueles cometidos por pessoas não-uniformizadas. Talvez os crimes cometidos pela polícia sejam ainda piores, porque é a ela que a sociedade deve recorrer em busca de ações nobres e admiráveis. O que eu defendo é a justiça e um crime é um crime, não importa quem o cometa. Nunca teremos justiça, porém, porque o estado coloca obstáculos a qualquer tentativa de alcançá-la.</p>
<p>Traduzido do inglês para o português por <a title="Posts by Erick Vasconcelos" href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos" rel="author">Erick Vasconcelos</a>.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=25620&amp;md5=0eb19ad170149991561e6a8ad1729ae7" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Ser revolucionário, ser governista</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Feb 2014 23:00:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Erick Vasconcelos]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Stateless Embassies]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<description><![CDATA[Com os 50 anos da instalação do regime militar no Brasil, o Estadão recentemnte publicou alguns artigos que falavam sobre as circunstâncias políticas da época. Um deles, escrito por um general do exército brasileiro (&#8220;A árvore boa&#8220;, de Rômulo Bini Pereira), repercutiu por sua análise positiva e rósea dos anos de chumbo. Particularmente, chamou a...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Com os 50 anos da instalação do regime militar no Brasil, o <a href="http://www.estadao.com.br/">Estadão</a> recentemnte publicou alguns artigos que falavam sobre as circunstâncias políticas da época. Um deles, escrito por um general do exército brasileiro (&#8220;<a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional%2ca-arvore-boa%2c1131960%2c0.htm">A árvore boa</a>&#8220;, de Rômulo Bini Pereira), repercutiu por sua análise positiva e rósea dos anos de chumbo. Particularmente, chamou a atenção seu uso reiterado da frase &#8220;Revolução Democrática&#8221; para se referir ao golpe que ocorreu em 1964.</p>
<p>Não surpreende &#8211; os defensores da ditadura militar sempre fizeram questão de utilizar a expressão &#8220;revolução&#8221; por suas conotações positivas e eles não estão sozinhos. De fato, os livros de história usados na época da ditadura todos faziam questão de falar na Revolução Democrática e há um longo histórico de combate dessa cooptação linguística pelos opositores do regime.</p>
<p>Analogamente, a Venezuela atualmente ferve com protestos dos opositores do governo chavista de Nicolás Maduro, <a href="http://www.bloomberg.com/news/2014-02-21/maduro-kicks-cnn-out-of-venezuela-in-clampdown-ahead-of-protests.html">que os acusa de <span style="text-decoration: underline;">&#8220;demonizar</span> a revolução&#8221;</a>. O meme chegou ao resto da América Latina e é possível facilmente encontrar denúncias aos reacionários anti-Maduro e cartas de amor à &#8220;revolução bolivariana&#8221;. O tema é antigo nos governos socialistas que chegaram ao poder em várias partes do mundo. Cuba há mais de 50 anos celebra sua &#8220;revolução&#8221;, que aparentemente nunca termina. A da Venezuela acontece desde 1998 e, mesmo chegando em seu 16º ano, continua subversiva e anti-establishment.</p>
<p>É sintomático que defensores de regimes claramente opressores e exploratórios queiram vestir seus ídolos em roupas revolucionárias. A ordem estabelecida, afinal, é associada a todas os problemas sociais que já existem e revoluções só podem significar a subversão e a potencial solução desses problemas. Daí até mesmo óbvios conservadores como Rômulo Bini Pereira rotulam seu regime preferido como revolucionário.</p>
<p>Para a esquerda estatista, porém, trata-se de um mito fundador. A esquerda originalmente era o partido da mudança, da transformação, contra as amarras do antigo regime. Os estatistas que compõem os grupos corporativistas e social-democratas atualmente mantêm sua estética de rebelião, mas a encaixam num molde pró-governo e chapa branca.</p>
<p>No Brasil, mesmo com o PT no governo há quase 12 anos, a esquerda que o apoia consegue nos empurrar a narrativa de que seu domínio foi uma história de perseguição e rebelião. Há pouco tempo, os <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional%2ccondenados-do-mensalao-se-entregam-a-policia-federal%2c1097124%2c0.htm">condenados por corrupção do Mensalão conseguiram a proeza de distorcer a narrativa</a> a ponto de serem considerados presos políticos por sua base de aliados.</p>
<p>Na Venezuela, mesmo com o regime se aproximando das duas décadas, os chavistas e seus comparsas continuam a se fazerem de vítimas de um complô anti-revolucionário. E a esquerda pró-estado latino-americana faz questão de minimizar a violência contra a população venezuelana e de se agarrar à versão de que tudo não passa de um movimento orquestrado por golpistas da elite contrários às pretensas conquistas sociais do regime.</p>
<p>Mas essa é uma posição esquizofrênica da esquerda. Regimes de décadas de idade claramente não são revolucionários e, particularmente, o regime venezuelano (e o mesmo vale para outros regimes &#8220;de esquerda&#8221; da América Latina) não passa do mesmo domínio oligárquico com novos slogans.</p>
<p>Ou a esquerda mantém sua imagem punk rock ou abraça de fato sua vontade de idolatrar o estado. Ou seja: ou os esquerdistas se transformam libertários e questionam de fato todas as estruturas de poder ou simplesmente saem do armário e se assumem pelegos por vocação.</p>
<p>Não é possível ter as duas coisas. Os manifestantes venezuelanos certamente agradeceriam se os revolucionários estatistas parassem de justificar <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,mais-de-500-foram-presos-nos-protestos-da-venezuela-denuncia-ong,1133720,0.htm">as bombas de gás lacrimogêneo e as balas de borracha que os atingem</a>.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=24879&amp;md5=00fc0bc6b03f22ce06f4f70366cec315" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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