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	<title>Center for a Stateless Society &#187; vigilância</title>
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	<description>building public awareness of left-wing market anarchism</description>
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		<title>Privacidade 2014: Google como braço da vigilância estatal</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Aug 2014 00:30:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Thomas L. Knapp]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Condenado em 1994 pelo abuso sexual de um garoto, John Henry Skillern, do Texas, está novamente preso e aguarda julgamento, desta vez por posse e produção de pornografia infantil. A prisão de Skillern é <a href="http://www.cnet.com/news/google-sees-alleged-child-porn-in-mans-email-alerts-police/">cortesia do Google</a>. Poucos, espero eu, devem derramar lágrimas por Skillern, dadas as suas acusações de crimes sexuais. Contudo, seu caso novamente coloca o Google sob os holofotes, mostrando que é um braço dos &#8220;agentes da lei&#8221;.</p>
<p>O Google não faz segredo do fato de que &#8220;analisa o conteúdo&#8221; de emails enviados e recebidos em seu serviço Gmail, na maior parte das vezes para publicar anúncios para usuários com a maior probabilidade de clicar neles. É assim que o Google ganha dinheiro — rastreando os usuários de seus serviços &#8220;gratuitos&#8221;, analisando o que fazem e vendendo os olhos deles para os clientes.</p>
<p>A maioria das pessoas também compreende que o Google, como afirmado em sua <a href="http://www.google.com/policies/privacy/">política de privacidade</a>, &#8220;comparilhará informações pessoais (&#8230;) para cumprimento de leis, regulações, processos legais ou requerimentos governamentais&#8221;. Se os policiais aparecerem batendo na porta com um mandado, o Google coopera com a busca e a apreensão de suas informações e registros de suas ações.</p>
<p>Mas o Google vai ainda mais longe. As <a href="https://www.gmail.com/intl/en/mail/help/program_policies.html">políticas do Gmail</a> afirmam inequivocamente que, entre outras coisas, o &#8220;Google tem uma política de tolerância zero em relação a imagens de abuso sexual infantil. Se percebebermos a existência desse tipo de conteúdo, entraremos em contato com as autoridades e podemos tomar ações disciplinares, inclusive o término da prestação dos serviços das contas Google dos envolvidos&#8221;.</p>
<p>Enquanto anarquista de mercado, minha resposta visceral ao caso Skillern é &#8220;justo — eram os termos de serviço com que ele concordou quando fez sua conta no Gmail&#8221;.</p>
<p>Mas há um abismo entre &#8220;nós vamos deixar o governo olhar as suas coisas se eles insistirem&#8221; e &#8220;nós vamos ficar de olhos abertos vigiando coisas que o governo possa querer ver&#8221;. Esta última posição, em questões de privacidade, é o começo de caminho muito perigoso.</p>
<p>Quais os perigos? Bem, considere o interesse do Google na &#8220;geolocalização&#8221; (saber onde você está e na &#8220;internet das coisas&#8221; (conectar até a torradeira, o ar condicionado e o seu carro à internet, com o Google como intermediário).</p>
<p>Não está fora de questão que o Google, no futuro, enquanto você dirige pelas ruas, rastreie sua localização e alerte automaticamente as autoridades se perceber que você está dirigindo a 65 km/h em uma área de 60 km/h.</p>
<p>Pensa que isso não pode acontecer? Pense de novo. Em vários locais, multas são automaticamente enviadas a supostos violadores de condutas de trânsito pegos por câmeras. Não é necessário nem mesmo um guarda de trânsito. É uma das fontes de lucro para o governo — e para as empresas que instalam e operam câmeras no trânsito. Caso você não tenha percebido, o Google gosta muito de lucrar através da geração de informação.</p>
<p>Lembre-se de que você é um criminoso. Sim, de verdade. Se você mora nos Estados Unidos, de acordo com o livro de Per Harvey Silverglate <em>Three Felonies a Day</em>, o americano médio viola pelo menos 3 leis federais a cada período de 24 horas. Quer apostar na probabilidade de que a evidência desses &#8220;crimes&#8221; possa ser detectada em seu arquivo de email?</p>
<p>Em grande parte, a internet tornou obsoletas nossas velhas concepções sobre privacidade e sobre qual o grau de privacidade que podemos esperar dela. Pessoalmente, eu estou satisfeito com isso — estou mais do que disposto a deixar o Google analisar meus dados pessoais para fazer anúncios melhores para me mostrar em troca de seus serviços &#8220;gratuitos&#8221;. Por outro lado, eu gostaria que houvessem alguns limites. E acho que o mercado é capaz de estabelecê-los.</p>
<p>Três mecanismos de limitação de mercado que me ocorrem são a criptografia &#8220;end-to-end&#8221;, serviços de ofuscamento da localização geográfica e a relocação de servidores em países com maior respeito pela privacidade e menos medo de governos poderosos como o dos Estados Unidos. Se o Google não pode ou não tem interesse em prover esses serviços, outros o farão (na verdade, vários já o fazem).</p>
<p>O mecanismo político convencional para limitar os maus atores políticos como o Google seria uma legislação que proíbe empresas de internet de &#8220;procurar e relatar&#8221; qualquer coisa sem que haja um mandado governamental e causa provável para acreditar que um crime foi cometido. Esses mecanismos políticos, porém, não funcionam. Como a exposição das ações ilegais da Agência Nacional de Segurança dos EUA por Edward Snowden mostrou, o governo simplesmente ignora as leis de que não gosta.</p>
<p>Ao invés de buscar soluções políticas, eu sugiro uma quarta solução de mercado. A abolição do estado. O problema não é tanto o que o Google registra ou analisa. Essas coisas são apenas acordos entre o Google e os usuários. O problema é a quem o Google pode repassar as suas informações.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=30163&amp;md5=62649c08657b58bf4c49c7b20960b49d" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Não tente reformar o estado policial — contorne-o</title>
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		<pubDate>Wed, 28 May 2014 22:45:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Nathan Goodman]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[autoritarismo]]></category>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Na última quinta-feira, a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou um projeto chamado USA Freedom Act. A lei pretende acabar com os amplos poderes de coleta de dados e invasão de privacidade da Agência de Segurança Nacional (NSA), mas a versão que passou é tão fraca que o armazenamento de dados privados ainda será permitido.</p>
<p>Trevor Timm, do <em><a href="http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/may/22/nsa-reform-bill-passed-house-usa-freedom-act-senators-only-hope">Guardian</a></em>, escreve que, &#8220;em uma negociação que tirou a legislação das comissões e a colocou em pauta, o projeto foi <a href="http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/may/10/the-battle-to-retake-our-privacy-can-be-won-in-the-halls-of-congress-really">significativamente enfraquecido</a>: as telefônicas ganharam maior imunidade e foram retiradas as obrigatoriedades de padrões estritos de transparência, diretrizes para o tribunal FISA e proteções contra as <a href="http://www.theguardian.com/world/2014/apr/01/nsa-surveillance-loophole-americans-data">buscas sem mandado</a> das comunicações pessoais&#8221;.</p>
<p>O projeto foi ainda mais diluído, ampliando o poder de fazer buscas da NSA e concentrando mais poderes nas mãos do Diretor de Inteligência Nacional.</p>
<p>Os <a href="http://www.motherjones.com/politics/2014/05/nsa-usa-freedom-act-weak">apoiadores originais</a> da lei retiraram seu suporte. &#8220;Sob a versão finalizada do USA Freedom Act, seria completamente legal para a NSA requisitar todos os registros de código de área, CEP ou até emails de contas que começam com a letra &#8220;a&#8221;, tudo sem mandado&#8221;, afirmou o deputado Thomas Massie (Partido Republicano/Kentucky). Muitos <a href="http://thehill.com/policy/technology/206686-privacy-advocates-pull-support-for-watered-down-usa-freedom">grupos de defesa das liberdades civis</a> também abandonaram seu apoio ao projeto.</p>
<p>Esses acontecimentos são decepcionantes, mas não surpreendentes. É assim que o governo funciona. As leis passam por um processo de negociação em que propostas apoiadas por diferentes ideologias e grupos de interesse são concebidas em apenas um projeto para aumentar suas chances. Projetos de lei que originalmente pretendiam proteger as liberdades civis frequentemente ganham provisões para assegurar o apoio de grupos pró-guerra, pró-estado e entusiastas do estado vigilante.</p>
<p>Além disso, o estado tende a proteger seus próprios interesses e aqueles dos grupos mais próximos do poder em primeiro lugar. Projetos que ameacem substanciamente a NSA, seus colaboradores das empresas de comunicações ou empresas conectadas como a Booz Allen Hamilton tenderão a ser solapados pelo poder desses grupos predatórios. Ou, pior, podem ser usados para os propósitos desses oligarcas.</p>
<p>Reformas legislativas são um beco sem saída, mas há um caminho mais promissor. É possível contornar o estado, frustrar seus esforços de vigilância e tornar progressivamente mais difícil interceptar e vigiar nossas comunicações. Uma coalizão de grupos de defesa de liberdades civis, organizações progressistas e organizações libertárias está estimulando as pessoas a fazer exatamente isso. É o projeto <a href="https://www.resetthenet.org/"><em>Reset the Net</em></a>. No dia 5 de junho, os membros dessa coalizão pedem que os usuários da internet e desenvolvedores passem a usar uma grande variedade de ferramentas de segurança para impedir as atividades da NSA. As ferramentas incluem protocolos de criptografia de código aberto a serviços de anonimização como o Tor. O <a href="http://resetthenet.tumblr.com/post/84331967485/the-privacy-pack">pacote</a> de privacidade do <em>Reset the Net</em> oferece especificamente ferramentas de código aberto porque elas permitem que qualquer usuário as teste, verifique e melhore sua segurança. Ferramentas como elas podem ser instaladas, projetadas e aperfeiçoadas por qualquer indivíduo, sem pedir permissão ao governo.</p>
<p>O Reset the Net é um exemplo inspirador em que grupos de liberdades civis de todo o espectro político adotam a tática anarquista da ação direta. Em vez de implorar para que os governos se limitem ou aprovem reformas benevolentes, a ação direta faz com que tomemos as rédeas da mudança em nossas próprias mãos, sem pedir permissão.</p>
<p>A ação direta permite que nós contornemos o poder do estado, tornando suas operações de vigilância em massa mais difíceis de perpetuar. É por isso que devemos acabar com a criminalidade estatal. Não através de reformas, mas como danos a serem contornados.</p>
<p><em>Traduzido do inglês para o português por <a href="c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=27706&amp;md5=3588f2f4035c2b0e4e68a6ff8fab8425" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>O Brasil vai ferver – de novo</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Mar 2014 19:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Erick Vasconcelos]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ao interrogar na última quinta-feira (13) Juliano Torres, diretor-executivo da rede acadêmica Estudantes Pela Liberdade (EPL), a Polícia Federal se certificou de que teria à disposição todo o roteiro de viagens internacionais feitas por ele nos últimos meses, para que sua tentativa de intimidação fosse muito mais incisiva. A PF brasileira tem intimado para depor...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><span style="line-height: 1.5em;">Ao interrogar na última quinta-feira (13) Juliano Torres, diretor-executivo da rede acadêmica <a href="http://epl.org.br/">Estudantes Pela Liberdade</a> (EPL), a Polícia Federal se certificou de que teria à disposição todo o roteiro de viagens internacionais feitas por ele nos últimos meses, para que sua tentativa de intimidação fosse muito mais incisiva.</span></p>
<p>A PF brasileira tem intimado para depor (ou, como chamam os burocratas, &#8220;prestar esclarecimentos&#8221;) diversos indivíduos percebidos como lideranças dos protestos que ocorreram durante a <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Manifestações_no_Brasil_em_2013">Copa das Confederações, em junho</a>. O EPL teve certo envolvimento nos protestos, e suas várias páginas no Facebook coordenaram a participação de vários grupos nas manifestações. Juliano Torres, então, foi interrogado a respeito de todo o seu envolvimento político e institucional – tendo que explicar até mesmo de onde saiu o financiamento para suas idas ao exterior. (O que deve nos fazer recordar o real motivo da existência dos passaportes: controle e vigilância da população.)</p>
<p>O contingente libertário das redes sociais rapidamente se mobilizou em suporte a Juliano Torres contra as táticas ditatoriais da PF, mas deve-se lembrar de que não são só os libertários que estão sendo alvos do governo brasileiro. O mesmo tratamento tem sido dispensado a diversos indivíduos envolvidos em manifestações políticas, notoriamente aqueles ligados à <a href="http://marchadamaconha.org/">Marcha da Maconha</a> e ao <a href="http://mpl.org.br/">Movimento Passe Livre</a>.</p>
<p>A Copa do Mundo deste ano e as Olimpíadas de 2016 jogaram rapidamente o país em estado de exceção, liberando o governo e a polícia para empregarem táticas cada vez mais repressoras e autoritárias. Com a desculpa de assegurar a segurança para os eventos internacionais, o governo brasileiro ganhou a conveniente justificativa de que precisava para reforçar a vigilância na internet, recrudescer a repressão às manifestações nas ruas e, pior, fortalecer o estado policial totalitário que já vigora nas favelas. No Rio, em particular, a sensação de terror domina as favelas &#8220;pacificadas&#8221;, em que os moradores vivem sob a mira dos fuzis da PM, sendo efetivamente cidadãos de segunda classe, sem direitos civis. A polícia, ao fechar o cerco em determinadas favelas, ainda <a href="http://www.hbo.com/vice/episodes/02/11-afghan-money-pit/video/debrief-pacification-of-rio">empurra a força do tráfico de drogas para as favelas mais distantes do centro e, por isso, &#8220;invisíveis&#8221;</a> – tolerando ainda a existência das milícias, que lutam pelo controle dessas áreas.</p>
<p>A visita dos ativistas de classe média à PF, em comparação, é um agradável passeio no parque.</p>
<p>Com a carta branca de que precisava para violentar a população, o governo se sentiu à vontade nos últimos anos para potencializar a exploração econômica dos cidadãos comuns. Os protestos de junho, precipitados pela condição precária dos transportes urbanos em todo o Brasil, são sintomáticos. Os gigantescos subsídios estatais a imóveis (efetivamente, apenas repasses governamentais às empreiteiras) fizeram com que as metrópoles brasileiras crescessem absurdamente na última década e transformaram o país num dos mais caros do mundo &#8211; de quebra, <a href="http://www.ft.com/cms/s/0/f5348f8c-9558-11e3-8371-00144feab7de.html">jogando o Brasil numa bolha imobiliária</a> similar à dos Estados Unidos. A infraestrutura urbana brasileira não suportou esse choque e cai aos pedaços.</p>
<p>Os estádios construídos para a Copa do Mundo catalisam a revolta popular por serem ralos de dinheiro público, mas ainda escondem a tragédia humana das <a href="http://www.espbr.com/noticias/mundial-2014-expropriacoes-natal-recife-salvador/relacionadas">desapropriações violentas dos imóveis de milhares de famílias</a>. Tudo pelo bem do esporte, evidentemente; por uma Copa no padrão FIFA.</p>
<p>Por isso, quando ícones do futebol como Ronaldo colocam o dedo na ferida, servem de garotos-propaganda oficiais e afirmam que <a href="https://www.youtube.com/watch?v=WftAgn-qbw0">não se faz Copa do Mundo com hospitais</a>, é ainda mais doloroso. São manifestações assim que não deixam morrer o grito de que &#8220;<a href="http://noticias.r7.com/sao-paulo/novo-ato-do-nao-vai-ter-copa-e-marcado-para-dia-13-de-marco-24022014">Não vai ter Copa&#8221;</a> entoado pelos black blocs.</p>
<p>Portanto, o Brasil atualmente é o paraíso da violência estatal, que fortalece a casta atual de petistas que se encontra no poder e garante os lucros das empreiteiras e demais corporações ligadas ao regime. É por essas e muitas outras que o governo brasileiro está certo em temer novas manifestações. É por essas e outras que a PF terá que separar muitos outros registros de viagens internacionais.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=25427&amp;md5=74327f8e7a16f57a03f5dbf9a4b942b7" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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