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	<title>Center for a Stateless Society &#187; trabalho</title>
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	<description>building public awareness of left-wing market anarchism</description>
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		<title>Hora de destravar a educação online</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Sep 2014 00:00:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Kevin Carson]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Dan Friedman (&#8220;<a href="http://techcrunch.com/2014/09/11/the-mooc-revolution-that-wasnt/%20">The MOOC Revolution That Wasn&#8217;t</a>&#8220;, TechCrunch, 11 de setembro) expressa sua decepção com os cursos universitários online em comparação às suas expectativas iniciais. De acordo com ele, se consideradas as proporções de conclusão de cursos e até mesmo a visualização de aulas inteiras, &#8220;a revolução acabou&#8221;. Mas acabou por um bom motivo. O modelo prevalente de cursos online ainda não atende às necessidades daqueles a que pretende servir.</p>
<p>Há um forte paralelo entre a educação online e a controvérsia a respeito do Uber e do Lyft contra o sistema de praças para taxistas. Serviços convencionais de carona compartilhada oferecem certo grau de competição aos serviços de táxi antigos, mas são apenas um passo modesto na direção certa, porque ainda incorporam as mesmas características proprietárias e monopolísticas do modelo contra o qual competem. Ainda são controlados por sedes corporativas fora das cidades que servem e, por conta de aplicativos patenteados, são capazes de extrair tributos dos motoristas e dos consumidores que operam dentro de seus cercadinhos. O próximo passo é hackear o Uber e o Lyft com serviços cooperativos e abertos de compartilhamento de carona.</p>
<p>A educação pela internet, com ou sem fins lucrativos, é apenas uma pequena melhoria em relação a universidades tradicionais. Como Uber e Lyft, ainda está presa entre dois mundos, seguindo o modelo antigo da educação superior em vez de tentar o novo modelo open source de que precisamos.</p>
<p>O Coursera coordena seus cursos com &#8220;instituições parceiras&#8221; (universidades físicas), montando currículos mais ou menos tradicionais. O Udacity molda seus cursos de acordo com as demandas da &#8220;indústria de tecnologia&#8221; (isto é, departamentos de recursos humanos corporativos). Os grandes fornecedores de cursos online ainda estão presos a uma parceria pós-Segunda Guerra Mundial entre as grandes empresas, o establishment da educação superior e o estado, cujo objetivo central é o processamento de recursos humanos para atender às necessidades dos empregadores corporativos, tanto em termos de habilidades quanto em atitudes no ambiente de trabalho. Ao fornecer milhões de pessoas para suprir a demanda das empresas da Fortune 500, o sistema de educação superior simultaneamente infla os níveis mínimos requeridos de treinamento (além ds dívidas) requeridos para trabalhar, superproduz formas de trabalho vocacional mais necessárias e, assim, empurra os preços para baixo, deixando aqueles que aprendem aprendem essas habilidades com mínimo poder de barganha em relação aos grandes empregadores.</p>
<p>Uma educação genuinamente livre precisa parar de tentar encher garrafas velhas com novos vinhos, tanto no estabelecimento de materiais gratuitos para cursos para se encaixarem no modelo convencional das universidades ou na montagem de currículos para atenderem às necessidades de empregadores corporativos. Esses empregadores e seus departamentos de recursos humanos são parte de uma economia em decadência. Alguns podem sobreviver por décadas, enquanto o estado falido ainda consegue fornecer subsídios e proteções regulatórias suficientes para sobreviver. Mas são obsoletos e esperam a própria morte. São um setor cada vez menor do total da economia.</p>
<p>O futuro do trabalho é o autoemprego, os arranjos trabalhistas cooperativos em pequenas oficinas (por exemplo, micromanufaturas em garagens, hackerspaces e operações de permacultura), produção colaborativa de informação e trabalhos orientados a projetos. E nos projetos em que as habilidades e o capital humano são a fonte principal de geração de valor e as ferramentas físicas forem baratas — um quinhão cada vez maior da economia —, os trabalhadores existentes em situação de precariedade provavelmente criarão novas versões cooperativas das agências capitalistas de trabalho temporário que já existem, sindicatos de freelancers, guildas que proveem seguros, certificações e que negociam com os empregadores.</p>
<p>Precisamos de um novo modelo de educação baseado em credenciais voluntárias, ad hoc e cumulativas fora do sistema estatal, ditado pelas necessidades de pequenas oficinas e trabalhadores em rede que dominarão a nova economia.</p>
<p>E, é claro, os responsáveis pela educação open source precisam começar a hackear materiais proprietários, acabando com os sistemas de gestão de direitos digitais em vídeos e livros.</p>
<p>O que temos agora é um sistema universitário em decadência, criado por um estado decadente para servir às necessidades de uma decadente economia corporativa. Deixe que os mortos sepultem os seus próprios mortos.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=32067&amp;md5=9246161ea6c2cda1173191b909d3c085" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>A individualização dos problemas trabalhistas</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Aug 2014 00:00:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Erick Vasconcelos]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Lysander Spooner termina seu panfleto <em><a href="http://libertyzine.blogspot.com.br/2007/07/vcios-no-so-crimes-lysander-spooner.html">Vícios não são crimes</a></em>, de 1875, da seguinte maneira:</p>
<blockquote><p>&#8220;[A] pobreza de grande parte da humanidade, em todo o mundo, é o grande problema mundial. Que essa extrema e quase universal pobreza exista em todo o mundo, e que tenha existido durante todas as gerações passadas, prova que ela se origina em causas as quais a natureza humana comum daqueles que sofrem com ela não foi até hoje capaz de superar. Mas os que sofrem estão, ao menos, começando a ver essas causas e decidindo-se por eliminá-las, custe o que custar. E aqueles que imaginam que não têm nada a fazer além de atribuir a pobreza das pessoas a seus vícios, e repreendê-las por isso, então despertarão para o dia em que toda essa conversa estará no passado. E a questão então não mais será quais são os vícios dos homens, mas quais são seus direitos?&#8221;</p></blockquote>
<p>Spooner combatia o ímpeto puritano de culpar os pobres por sua situação de exclusão. Não eram os vícios individuais que causavam a pobreza generalizada e sistêmica, para ele; se a pobreza era tão geral, ela tinha que ter causas que transcendiam o individual.</p>
<p>A tendência a individualizar os problemas sociais pode soar como uma das pseudoexplicações sociais típicas do século 19, mas é uma ideia que não morreu. <a href="http://c4ss.org/content/29883">Como já escrevi anteriormente</a>, o pensamento de que os indivíduos são responsáveis pela própria situação de desemprego por falta de qualificação é moeda corrente no governo, em empresas e sindicatos.</p>
<p>O discurso da qualificação para o &#8220;mercado de trabalho&#8221; toma a estrutura existente de produção e de emprego como dados e, se os trabalhadores não conseguem se inserir nessa estrutura, o problema é a falta de iniciativa individual. Esse discurso, naturalmente, nunca aparece de maneira destilada, mas é o substrato de muitas das defesas de cursos de capacitação e na lembrança permanente de que há &#8220;vagas de trabalho abertas&#8221;, mas não há pessoas qualificadas o suficiente para preenchê-las.</p>
<p>Paralelamente, a ideia que se desenvolve é a de que o mercado de trabalho está cada vez mais competitivo e os trabalhadores devem se adaptar a ele. Essa &#8220;educação para a competitividade&#8221; ocorre em todos os pontos de geração de discurso. Faculdades e cursos técnicos se beneficiam dessa técnica para mostrar que suas aulas preparam o aluno para um ambiente em que os empregos são escassos e o trabalhador é substituível, a não ser que tome atitudes drásticas para contrabalançar sua inaptidão econômica.</p>
<p>É claro que essa ideia tem fundamento na economia real.</p>
<p>A superespecialização do trabalho é um dos efeitos colaterais da concentração corporativa. Os subsídios às grandes empresas e o favorecimento de alguns agentes através da regulamentação do mercado (muito comum nos últimos 10 anos no Brasil) estendem a cadeia de produção e favorecem a aplicação de capital na produção. Esse aumento da cadeia de produção faz com que as firmas se tornem maiores e menos especializadas. Para preencher postos de trabalho específicos dentro da cadeia de produção, porém, os trabalhadores devem se tornar mais especializados.</p>
<p>Portanto, os trabalhadores são obrigados a se diferenciar cada vez mais porque os empregos de baixa especialização são artificialmente desvalorizados pelos subsídios corporativos, que substitui o trabalho por capital. E as grandes empresas externalizam os custos de treinamento e &#8220;profissionalização&#8221;, terceirizando essas funções para o governo e para os sindicatos.</p>
<p>Essa dinâmica combinada com o aparato regulatório (salário mínimo, pisos e tetos profissionais, regulamentações trabalhistas que confiscam a poupança dos empregados, regulamentações urbanas, proibição ao comércio de rua, regulamentações de manufaturas caseiras, monopólios de transporte público, etc) sistematicamente age para concentrar o mercado, favorecer certos modos produtivos estabelecidos e criminalizar a pobreza, além de tornar a autossuficiência cada vez menos atraente.</p>
<p>Daí, claro, do lado do trabalho a &#8220;competitividade&#8221; tem viés sempre ascendente na economia corporativa, enquanto a competitividade do lado das empresas (as estabelecidas, lógico) estacionou em um nível confortável.</p>
<p>Os discursos de qualificação profissional e competitividade no mercado de trabalho são racionalizações da economia corporativa. São a individualização dos problemas trabalhistas e a culpabilização do trabalhador pela sua situação desfavorável na mesa de negociação.</p>
<p>Não é por vícios e inadequação individuais que as pessoas acabam sem empregos. E a tentativa de moldar o debate nesses termos só desvia o assunto da real questão, como lembrava Spooner: não devemos nos perguntar quais são as insuficiências das pessoas, mas, sim, quais são seus direitos?</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=30074&amp;md5=8a5e6cb283d19c13f9e021adb84a5451" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Alguns pensamentos sobre as deficiências e o anarquismo</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Mar 2014 23:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Marja Erwin]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ultimamente, tenho pensado bastante sobre como minhas experiências com deficiências moldaram a minha percepção do que é o anarquismo. Por toda a cultura ocidental, existe uma tensão entre a ideia de que nosso valor é inato e a noção de que o valor das pessoas depende de sua utilidade para os fins dos outros. Utilidade,...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Ultimamente, tenho pensado bastante sobre como minhas experiências com deficiências moldaram a minha percepção do que é o anarquismo.</p>
<p>Por toda a cultura ocidental, existe uma tensão entre a ideia de que nosso valor é inato e a noção de que o valor das pessoas depende de sua utilidade para os fins dos outros. Utilidade, porém, não é algo que existe em si mesma, mas se encontra sempre num tempo e num local, para pessoas dentro de um sistema social complexo. Alguém que controle um fator importante dentro do sistema social (como uma patente ou um monopólio de telecomunicações) pode utilizá-lo ou não, ou pode mesmo cobrar pelo seu uso (mesmo que seja apenas a força que faz com que exista esse fator ou evita o surgimento de alternativas a ele). De fato, essas pessoas podem até gerar maior utilidade numa perspectiva neoliberal, porque permitem o uso do fator que controlam, e desutilidade numa perspectiva anarquista, por terem criado esse problema e por exigirem pagamento. Uma pessoa que não tenha uma posição privilegiada no sistema social não pode fazer o mesmo. Alguém que a sociedade tenha capacitado pode fazer bem ou mal. Alguém que seja socialmente deficiente, não tanto.</p>
<p>É importante entender que a deficiência não é uma condição puramente médica, mas também social. Nossas sociedades sistematicamente capacitam algumas pessoas que possuem certas condições e debilitam outras, com condições diferentes. Algumas deficiências são quase totalmente médicas. Por exemplo, minha asma ocasiona problemas médicos e problemas sociais secundários, como evitar alergias. Por outro lado, meu autismo ocasiona problemas sociais &#8211; como ter que evitar luzes estroboscópicas, contato visual e fazer ruídos agudos &#8211; sem muitas consequências médicas.</p>
<p>Se nossa sociedade normaliza exigências de contato visual, normaliza o uso de escadas em vez de rampas, e assim por diante, isso tem o efeito de capacitar algumas pessoas e debilitar outras. Permite que algumas pessoas sejam mais úteis e faz com que outras criem menos e, então, a diferença é usada como justificativa do favorecimento de alguns em detrimento de outros. Se nossa sociedade exige luzes brilhantes em todo lugar, isso ajuda pessoas com determinadas condições visuais e prejudica aqueles com condições diferentes. Se ela exige luzes piscantes como dispositivos de segurança, também permite que algumas pessoas evitem as luzes e incapacita outras com o uso delas.</p>
<p>Por todos esses motivos, eu não consigo confiar em qualquer sistema econômico que tenha como princípio &#8220;a cada um de acordo com seu trabalho&#8221;, porque nem todos têm a mesma oportunidade de executar trabalhos úteis. Ao mesmo tempo, eu não confio em sistemas que tenham como lema &#8220;de cada um de acordo com sua capacidade a cada um de acordo com suas necessidades&#8221;, porque não é possível para mim confiar em outro indivíduo para entender minhas capacidades e incapacidades ou para compreender minhas necessidades. Eu sou, em última análise, um especialista em minha própria experiência, mesmo se os outros sejam mais especializados em meus problemas médicos. Se uma comunidade anarco-comunista permitisse a utilização o que desejasse em serviços comunais, não há garantias de que os serviços estariam disponíveis ou de que minhas necessidades seriam atendidas. Na verdade, poderiam haver objeções políticas ao tratamento de meus problemas endocrinológicos, além de problemas práticos, como encontrar protetores auriculares, um computador silencioso e outras solicitações especiais. Seria necessário obter essas facilidades através de trocas mútuas.</p>
<p>Ao que parece, nem o comunismo por si só, nem as trocas por si só, são capazes de incluir a todos com deficiências. Devo perguntar aos anarquistas, esquerdistas e libertários como propõem solucionar esse problema.</p>
<p>Acredito que a sociedade, como um todo, tem a obrigação de incluir a todos e que certas instituições comunitárias terão a obrigação de garantir essa inclusividade. Suponho que uma renda mínima seja um primeiro passo, tanto como meio de inclusão quanto como compensação por exclusões. Da mesma forma que o geoísmo propõe compensar aqueles que são excluídos da terra, isto compensaria aqueles excluídos das instituições sociais e contrabalancearia a exclusão. Isso, porém, traria seus próprios problemas. Quem administraria o sistema? Por que tais administradores seriam mais responsáveis por aqueles debilitados pela sociedade que todas as outras instituições? Ou por que seriam menos corruptíveis que aqueles capacitados pela sociedade? Eu não acho que essa seja a melhor solução.</p>
<p>Créditos: Acho que fiquei sabendo do modelo social para a deficiência descrito extensivamente acima numa oficina de AndreA Newmann-Mascis (minhas notas estão misturadas e eu confundi esta oficina com outra a qual compareci). Sugiro que as pessoas interessadas sensibilidades sensoriais procurem o trabalho de Sharon Heller e Olga Bogdashina.</p>
<p>Traduzido do inglês para o português por <a title="Posts by Erick Vasconcelos" href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos" rel="author">Erick Vasconcelos</a>.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=25013&amp;md5=f14379a797e060a0088e78e36fc7afce" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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