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	<title>Center for a Stateless Society &#187; terra urbana</title>
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		<title>A quem os pobres pedem reintegração de posse?</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Apr 2014 22:00:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Valdenor Júnior]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;" align="center"><span style="line-height: 1.5em;">Na última sexta-feira (11/04), ocorreu a reintegração da posse da Oi de um terreno em um subúrbio do Rio de Janeiro. A área era conhecida como “favela da Telerj” e havia sido ocupada por cerca de 5.000 pessoas, a maior parte vinda das favelas de Mandela, Manguinhos e Jacarezinho, que ergueram casas improvisadas. Houve sérios confrontos com a Polícia Militar durante o cumprimento da decisão judicial de desocupação e, inclusive, </span><a style="line-height: 1.5em;" href="http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/04/policia-militar-retira-invasores-de-terreno-da-oi-no-rio.html">um repórter do jornal “O Globo” foi detido quando acompanhava o trabalho da PM</a><span style="line-height: 1.5em;">.</span></p>
<p style="text-align: left;">Esse é o mesmo Rio de Janeiro em que milhares de famílias já foram desapropriadas de suas casas para dar lugar às obras da Copa do Mundo de 2014. Não somente forçadas a sair de onde moravam, como também geralmente receberam baixas indenizações e foram realocadas para regiões distantes daquelas em que habitavam. Segundo o Comitê Popular da Copa e das Olímpiadas, em denúncia realizada ano passado, ocorre inclusive mais desapropriação do que o necessário, para beneficiar empresas do setor imobiliário, ao retirar comunidades carentes e <a href="http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2013/09/17/desapropriacao-de-brt-no-rio-deixa-terrenos-vazios-e-e-investigada-pelo-mp.htm">abrir caminho para a construção de empreendimentos residenciais</a>.</p>
<p style="text-align: left;">Já na Amazônia, desapropriações de terras indígenas foram aprovadas pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para dar lugar ao projeto hidrelétrico de Belo Monte. Denúncia apresentada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos levou a que <a href="https://www.cidh.oas.org/medidas/2011.port.htm">esta solicitasse</a>, em 2011, que o Estado brasileiro “garanta a rápida finalização dos processos de regularização das terras ancestrais dos povos indígenas na bacia do Xingu que estão pendentes e adote medidas efetivas para a proteção dos mencionados territórios ancestrais ante a apropriação ilegítima e a ocupação por não-indígenas e frente à exploração ou o deterioração de seus recursos naturais”. Mas o governo apenas seguiu como se nada tivesse acontecido: em 2012, a última desapropriação de terras foi formalizada, autorizando a remoção de ribeirinhos, índios e pequenos agricultores, <a href="http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Movimentos-Sociais/Governo-faz-mega-desapropriacao-em-Belo-Monte-e-revolta-entidade/2/18391">de forma amigável ou por via judicial</a>.</p>
<p style="text-align: left;">Alguém poderia, inocentemente, dizer que o governo brasileiro é um grande guardião da propriedade privada, ao observar a “eficiência” com que fez cumprir, por meio de sua polícia, a reintegração de posse da Oi. Mas é o mesmo governo, comandando a mesma polícia, que desapropria pessoas pobres e indígenas, sem lhes conceder qualquer possibilidade de resistência efetiva para proteção de suas posses e sob o pretexto de um “bem comum” que transcenderia o direito à propriedade e à moradia dessas pessoas.</p>
<p style="text-align: left;">Em entrevista, o prefeito disse que <a href="http://oglobo.globo.com/rio/prefeito-defende-reintegracao-de-posse-de-terreno-no-engenho-novo-12146964">não admitiria</a> que “pessoas que fazem ocupações como essa sejam privilegiadas”, em detrimento de outras que estão na fila de programas habitacionais, como o Minha Casa Minha Vida. Isso é uma pequena amostra da determinação do Estado brasileiro em controlar o acesso à terra urbana no Brasil.</p>
<p style="text-align: left;">Mas, como Pedro da Luz Moreira, presidente regional do Instituto de Arquitetos do Brasil <a href="http://oglobo.globo.com/rio/prefeito-defende-reintegracao-de-posse-de-terreno-no-engenho-novo-12146964">avalia</a>, “o Minha Casa Minha Vida está sendo viabilizado na periferia, muito distante da cidade, dos centros onde há emprego. Isso representa a sobrevivência de famílias. Não tenho detalhes sobre a ocupação do edifício da Telerj, mas ele está próximo da mancha urbana e próximo, portanto, de oportunidades de emprego”.</p>
<p style="text-align: left;">Trata-se daquilo que o anarquista individualista Benjamin Tucker denominou de “monopólio da terra”. Escrevendo no século XIX, enfatizou o aspecto rural da questão, <a href="http://c4ss.org/content/25629">descrevendo-o como</a> a “proteção do governo de títulos de terra que não se baseiam na ocupação pessoal e no cultivo”.</p>
<p style="text-align: left;">Mas, no século XXI, essa análise precisa de atualização, pois é o controle da terra urbana um dos principais mecanismos governamentais de exclusão das pessoas mais pobres, às quais, primeiro, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=RGpVtcYxFGs">se nega acesso à terra de baixo custo por meio de políticas de regulação urbana impensadas</a> (no Rio, incluindo o <a href="http://www.renderingfreedom.com/2013/10/os-corticos-eram-melhores-que-as-favelas.html)">banimento dos cortiços</a> e da proibição da <a href="http://mercadopopular.org/2013/12/a-defesa-radical-da-propriedade-serve-sempre-a-quem-esta-distante-do-poder/">ocupação e usucapião de terrenos públicos</a>), para, depois, tornar essas pessoas dependentes do governo para obter alguma terra distante dos centros urbanos, sob controle burocrático do processo por meio da fila de espera de um programa social.</p>
<p style="text-align: left;">Albert Jay Nock afirmava que o estado foi criado para um propósito criminoso, o de criar uma classe sem acesso à propriedade da terra e dependente, <a href="https://mises.org/daily/2352">em benefício de elites privilegiadas com pleno acesso à terra</a>. O estado brasileiro, com sua defesa intransigente da propriedade privada de grandes corporações combinada à persistente desproteção da posse das pessoas mais pobres e à ânsia em controlar o acesso destas à terra, é uma prova desse propósito criminoso. A quem os desapropriados da Copa e de Belo Monte solicitarão uma reintegração de posse?</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=26438&amp;md5=71a549b1d65c6a12aeb95f95c49d9688" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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