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	<title>Center for a Stateless Society &#187; sexismo</title>
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	<description>building public awareness of left-wing market anarchism</description>
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		<title>Uma concordância sobre os privilégios?</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Jun 2014 00:00:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Casey Given]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>As <a href="http://c4ss.org/content/category/mutual-exchange">trocas mútuas</a> são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores.</p>
<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, “<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>“. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria <a href="http://c4ss.org/content/category/o-sentido-do-privilegio">O sentido do privilégio</a>.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p>É difícil apontar exatamente onde Nathan Goodman e eu discordamos a respeito da análise do privilégio. Em &#8220;<a href="http://c4ss.org/content/28737">As várias funções da análise do privilégio</a>&#8220;, ele concorda comigo ao afirmar que a discussão se torna &#8220;vaga&#8221; quando consideramos &#8220;direitos básicos&#8221;, como não sermos perseguidos por raça, são tratados estranhamente &#8220;como privilégios&#8221;. Além disso, ele prefere evitar o uso da expressão &#8220;cheque seus privilégios&#8221; porque &#8220;muitos têm reações negativas a essa expressão&#8221; — algo que eu mesmo afirmei em minha resposta a Kevin Carson.</p>
<p>Além disso, Nathan reconhece a crítica coletivista avançada por muitos libertários — que eu evitei durante esta série, por uma preocupação com a originalidade — de que a análise do privilégio &#8220;envolve premissas injustificadas a respeito dos indivíduos&#8221;. Nathan corretamente demonstra que não há uma &#8220;experiência feminina&#8221; ou uma &#8220;experiência negra&#8221; padronizada, já que cada indivíduo é produto de vários fatores socioeconômicos (como raça, gênero, riqueza, sexualidade, capacidade, etc). Além disso, ele aponta corretamente para o fato de que qualquer tentativa de essencializar uma &#8220;experiência feminina&#8221; ou uma &#8220;experiência negra&#8221; normalmente favorece os indivíduos mais favorecidos: &#8220;Por exemplo, uma “experiência feminina” padrão pode descrever especificamente aquilo que é sentido por mulheres brancas heterossexuais e cisgênero, que passam por situações de misoginia mas não são vítimas da homofobia, transfobia e do racismo por que outras mulheres passam.&#8221;</p>
<p>Apesar de todas as suas críticas convincentes à análise do privilégio, Nathan ainda vê valor nela. Para salvar o privilégio de suas armadilhas coletivistas, Nathan apresenta o anti-essencialismo como meio para &#8220;observar os indivíduos de forma holística&#8221;, ao invés de utilizar premissas categóricas sobre suas experiências. Porém, como a visão de Nathan sobre o anti-essencialismo difere da resposta libertária padrão de que devemos julgar os indivíduos por suas experiências pessoais? Não é que eu discorde de Nathan, eu apenas não vejo em que ponto ele discorda de mim.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=28817&amp;md5=f3e48fe81e2955133cb84f9a527e6d89" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>As várias funções da análise do privilégio</title>
		<link>http://c4ss.org/content/28737</link>
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		<pubDate>Fri, 27 Jun 2014 00:34:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Nathan Goodman]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>As <a href="http://c4ss.org/content/category/mutual-exchange">trocas mútuas</a> são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores.</p>
<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, “<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>“. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria <a href="http://c4ss.org/content/category/o-sentido-do-privilegio">O sentido do privilégio</a>.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p><a href="http://c4ss.org/content/28524">Casey Given</a> oferece algumas críticas interessantes ao conceito de privilégio, influenciadas por trabalhos ativistas feministas e antirracistas, em vez de utilizar argumentos da direita. Embora eu concorde com alguns deles, penso que seu artigo ignora várias funções exercidas pelo conceito de privilégio, além de alguns conceitos dentro da teoria feminista que são úteis para contornar algumas críticas comuns levantadas por libertários.</p>
<p>Ele está correto em notar que a conversa se torna vaga quando direitos básicos ou expectativas razoáveis que temos em relação a vários humanos são citadas como &#8220;privilégios&#8221;. Porém, eu diria que essa catalogação ainda seria útil para entender como o sucesso de uma pessoa pode depender da opressão do direito de outras. Mas a confusão pode apresentar problemas e isso é importante de se perceber.</p>
<p>Contudo, um conceito pode ser utilizado de formas errôneas e mesmo assim servir a funções úteis. Uma função chave da concepção feminista ou antirracista do privilégio é sua conexão com a epistemologia perspectivista. Isso enfatiza como o privilégio se torna invisível às partes privilegiadas e simultaneamente esconde as condições de opressão delas. Em outras palavras, lida com o fato de que o conhecimento é distribuído de acordo com a opressão de classes. Em &#8220;<a href="http://c4ss.org/content/21320">The Knowledge Problem of Privilege</a>&#8221; (&#8220;O problema do conhecimento do privilégio&#8221;, em português), eu argumento que a ideia de que devemos &#8220;checar nossos privilégios&#8221; representam uma &#8220;tentativa de fazer com que as pessoas reconheçam os limites de seu conhecimento&#8221;. A Enciclopédia de Filosofia de Stanford explica essa abordagem epistemológica, conhecida como teoria feminista perspectivista:</p>
<blockquote><p>&#8220;As mulheres são oprimidas e, portanto, têm interesse em representar fenômenos sociais de formas que revelam em vez de mascarar essa verdade. Elas também experimentam diretamente sua opressão, ao contrário dos homens, cujos privilégios permitem que ignorem como suas ações afetam as mulheres enquanto classe. Uma epistemologia que baseia o privilégio epistêmico na opressão é capaz de identificar os multiplamente oprimidos e os multiplamente privilegiados epistemicamente. Dentro da teoria feminista, essa lógica levou ao desenvolvimento da epistemologia feminista negra. Collins (1990) baseia a epistemologia feminista negra nas experiências pessoais das mulheres negras com o racismo e o sexismo e nos estilos cognitivos associados com as mulheres negras. Ela usa essa epistemologia para fornecer auto-representações que permitem que as mulheres negras resistam às imagens humilhantemente racistas e sexistas das mulheres negras no mundo em geral e que tenham orgulho de suas identidades. O privilégio epistêmico dos oprimidos é às vezes exercido, como mostra W.E.B. DuBois, através de uma &#8220;consciência bifurcada&#8221;: a capacidade de ver os fatos através da perspectiva do dominante e do oprimido, avaliando comparativamente ambas (Harding, 1991; Smith, 1974; Collins, 1990). Mulheres negras são &#8220;estranhas internas&#8221;, porque têm experiência social próxima o suficiente para conhecerem a ordem social de que fazem parte, mas estão em distância crítica adequada para exercer suas críticas.&#8221;</p></blockquote>
<p>Essa abordagem ao reconhecimento dos relacionamentos de poder, opressão e conhecimento não é único à teoria feminista. Em &#8220;Domination and the Arts of Resistance: Hidden Transcripts&#8221; (em português, &#8220;Dominação e as artes de resistência: Transcrições ocultas&#8221;), James C. Scott argumenta que a perspectiva dos oprimidos raramente é compreendida por seus opressores. O poder dos governantes sobre os cidadãos ou dos chefes sobre empregados impede que os governados digam a verdade àqueles acima na hierarquia, relegando as perspectivas dos oprimidos ao que Scott chama de &#8220;transcrições ocultas&#8221;. Essas assimetrias de informação podem ser discutidas sem frases de efeito como &#8220;cheque seus privilégios&#8221; e, já que muitos têm reações negativas a essa expressão, prefiro evitá-la. Porém, as preocupações sobre posições sociais e os conhecimentos situacionais que a frase pretende levantar são reais e válidos, então devemos dialogar seriamente com aqueles que expressam preocupações em termos de privilégio.</p>
<p>Com frequência, quando eu chamo a atenção para as questões epistemológicas que a discussão do privilégio pretende suscitar, os libertários alegam que se trata de um conceito coletivista ou que envolve premissas injustificadas a respeito dos indivíduos. Isso pode ser verdade se essencializarmos os grupos e presumirmos uma &#8220;experiência feminina&#8221;, &#8220;experiência gay&#8221; ou &#8220;experiência negra&#8221; universal. É por isso que os conceitos de interseccionalidade e anti-essencialismo discutidos por acadêmicas feministas como Trina Grillo são tão importantes para chegarmos a uma teoria realista da opressão social. A interseccionalidade pretende reconhecer holisticamente as pessoas e a opressão que elas experimentam. Por exemplo, durante o estudo das mulheres negras, não é suficiente reconhecer a misoginia e o racismo e simplesmente adicionar seus efeitos. O sexismo, o racismo, a homofobia, a pobreza e outros fatores se interseccionam para dar origem a formas únicas e potentes umas das outras. Ambientes institucionais também cumprem um papel. Isso significa que enquanto a lei observa diferentes formas de discriminação e opressão em isolamento, feministas interseccionais favorecem o exame de indivíduos e da opressão e privilégios que experimentam de maneira holística. Isso dá origem a um feminismo mais nuançado e individualista, que promove a solidariedade entre aqueles que resistem à opressão. O anti-essencialismo também promove uma abordagem mais matizada à conceitualização da opressão. A essencialização de uma &#8220;experiência feminina&#8221; ou de uma &#8220;experiência negra&#8221; básica ignora as diferentes formas pelas quais a opressão é sentida entre os membros desses grupos. Esse essencialismo significa, com frequência, tomar a experiência de alguns membros privilegiados desses grupos como o padrão. Por exemplo, uma &#8220;experiência feminina&#8221; padrão pode descrever especificamente aquilo que é sentido por mulheres brancas heterossexuais e cisgênero, que passam por situações de misoginia mas não são vítimas da homofobia, transfobia e do racismo por que outras mulheres passam. Isso, é claro, ignora também que todas essas formas de opressão moldam a maneira pela qual algumas mulheres são sujeitadas à misoginia. Além disso, não leva em consideração como as mulheres brancas heterossexuais têm suas normas de gênero moldadas por sua raça, orientação sexual e pelo privilégio cis. Assim, esse essencialismo normaliza uma experiência de privilégio e apaga as nuances da opressão. O anti-essencialismo, como a interseccionalidade, permite que nós observemos os indivíduos de maneira holística, particularmente como eles próprios experimentam a opressão. Como afirma Trina Grillo, &#8220;as críticas anti-essencialistas e interseccionais pedem apenas que definamos as experiências complexas da maneira mais próxima possível a toda a sua complexidade e que não ignoremos as vozes marginais&#8221;.</p>
<p>Casey Given nos estimula a entrar em ação para desafiar as instituições e regras que possibilitam e exacerbam a opressão. Contudo, para que possamos agir dessa forma com sucesso, é importante fazer análises precisas sobre a opressão contra a qual pretendemos lutar. As ferramentas da teoria feminista e da teoria crítica de raças, como a epistemologia perspectivista, a interseccionalidade e o anti-essencialismo são úteis para analisar, entender e, finalmente, acabar com a opressão. E todas essas ferramentas já foram usadas na análise do privilégio, tornando-a interessante para um estudo mais aprofundado.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=28737&amp;md5=4568e682cf35de63b41e36d7c7af5e1c" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Checar privilégios nos divide, lutar contra a opressão nos une</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Jun 2014 00:30:13 +0000</pubDate>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>As <a href="http://c4ss.org/content/category/mutual-exchange">trocas mútuas</a> são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores.</p>
<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, “<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>“. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria <a href="http://c4ss.org/content/category/o-sentido-do-privilegio">O sentido do privilégio</a>.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p>Em &#8220;<a href="http://c4ss.org/content/28541">Por que a teoria do privilégio é necessária</a>&#8220;, Kevin Carson destaca três pontos de discordância com meu artigo inicial. Primeiro, ele afirma que a análise de privilégios não tem a ver com &#8220;sentimentos de culpa&#8221;. Segundo, que a análise de privilégios pode &#8220;estimular a solidariedade&#8221; entre vários grupos socioeconômicos. Terceiro, que o foco em reformas políticas apenas torna outras formas de opressão &#8220;mais eficientes&#8221;. Esclarecerei minhas divergências a respeito de todos os três pontos.</p>
<p>Quanto à questão da culpa, Kevin pode não considerar que a análise de privilégios serve para envergonhar os indivíduos de classes socioeconômicas supostamente privilegiadas. No entanto, muitas pessoas razoáveis consideram que é esse seu objetivo, especialmente estudantes que passam por cursos de sensibilidade em universidades. A Foundation for Individual Rights in Education <a href="http://www.thefire.org/page/2/?s=%22white+privilege%22">documentou</a> essa tendência acadêmica durante as duas últimas décadas, criticando os bizarros exercícios de que os estudantes são obrigados a participar para perceberem seus privilégios. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=6EbQfmVoOfM">Um caso notório</a> da Universidade do Delaware envolvia um exercício em que os alunos deviam colocar marshmallows em suas bocas se tiverem desvantagens sociais e conversar uns com os outros, simbolizando os supostos privilégios que homens heterossexuais brancos possuem, já que eram os únicos na turma sem a boca cheia.</p>
<p>Intencional ou não, essa forçação goela abaixo do conceito de privilégio (às vezes literalmente, como no caso de Delaware) tem um histórico bem documentado de resistência às suas tentativas de indução de culpa. O Midwest Critical Whiteness Collective, por exemplo, <a href="https://www.academia.edu/4572341/McIntosh_as_Synecdoche_How_Teacher_Educations_Focus_on_White_Privilege_Undermines_Antiracism">relata a reação de um aluno</a> à leitura do artigo de Peggy McIntosh &#8220;White Privilege: Unpacking the Invisible Knapsack&#8221; (em português, &#8220;Privilégio braco: Abrindo a mochila invisível&#8221;):</p>
<blockquote><p>&#8220;Minha reação basicamente foi: se você é um homem branco, você deve sentir vergonha de si mesmo. Mesmo se o que ocorreu cem anos atrás não tenha sido perpetrado por você e se você tiver se esforçado para ser tolerante com todos, você deve se sentir envergonhado.&#8221;</p></blockquote>
<p>Essa percepção de culpa é comum em discussões sobre o privilégio. <a href="http://ojs.ed.uiuc.edu/index.php/pes/article/viewFile/1650/384">Como observa Jennifer Ng da Universidade do Kansas</a>, &#8220;[alunos] brancos frequentemente negam seu envolvimento com a sociedade racista ao afirmar que nunca foram donos de escravos&#8221;. E por que deveriam confessar essa perpetuação do racismo através de seus privilégios se eles próprios nunca agiram como racistas? Ng continua: &#8220;Duvido que os estudantes fossem se sentir mais confortáveis quando fosse pedido que eles se identificassem pessoalmente ou se associassem teoricamente às ações ou emoções dos colonizadores ou dos nazistas&#8221;.</p>
<p>Ou seja, não deve ser surpreendente que a prática comum da análise dos privilégios de destacar heterossexuais, brancos e homens por privilégios que eles não escolheram parece mais um exercício de culpabilização e inevitavelmente é recebida com resistência — o que nos leva ao segundo ponto de Kevin. Com a bem documentada hostilidade à análise dos privilégios, parece impossível alegar que ela serve para &#8220;estimular a solidariedade&#8221; entre as várias classes socioeconômicas. Ao contrário, sua prática de alienar pessoas com base em raça, sexo e sexualidade tem servido apenas para dividir em vez de unir. O próprio fato de que estamos debatendo esse assunto em uma série Mutual Exchange é um testamento a seu potencial sectário.</p>
<p>É bastante surpreendente como a análise de privilégios marginaliza classes inteiras de pessoas ao atribuir valor social a qualidades literalmente superficiais como raça e sexo. Kevin cita uma <a href="https://twitter.com/OaklandElle">ativista do movimento Occupy</a> que afirmou no Twitter que &#8220;a sociedade criou uma hierarquia de gênero&#8221; que &#8220;deve ser desmontada&#8221; e &#8220;é impossível acabar adequadamente com ela sem compreendê-la&#8221;. Se essa hierarquia social deve ser discutida, vamos ser mais específicos.</p>
<p>Qual raça é mais oprimida, negros ou latinos? Uma mulher branca transgênero é mais privilegiada que um homem negro? Católicos e judeus têm o mesmo privilégio branco que os protestantes? Parece impossível que qualquer discussão dessa hierarquia de privilégios &#8220;estimule a solidariedade&#8221; em vez de reforçar estereótipos discriminatórios. É precisamente por isso que o Midwest Critical Whiteness Collective recomenda a mudança do foco da intersectionalidade do privilégio para a opressão, como eu defendi em meu artigo original. A luta contra a injustiça é uma causa que une; destacar privilégios apenas divide.</p>
<p>Além disso, a análise dos privilégios é uma causa sem um apelo à ação — o que nos traz, finalmente, ao último ponto de Kevin. Por mais que seja prazeroso para os libertários anarquistas darem tapinhas nas próprias costas por terem consciência de seus privilégios, o estado continuará a oprimir. Os anarco-capitalistas podem até imaginar um mundo ideal em que essa opressão não exista, mas o desafio para qualquer ativista é implementar sua visão na realidade. Em vez de desejar que os problemas do mundo não existam, os libertários devem ser ativos na luta contra as políticas opressivas que mantêm as minorias em posições vulneráveis, como as regulamentações empregatícias, sentenças judiciais mínimas, o combate às drogas, as restrições à imigração, a deportação, o monopólio da educação pública e o salário mínimo. Menos que isso, como analisar privilégios, não passa de meditações burguesas.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=28627&amp;md5=cd8a1621d00ab796ccd9551503e32181" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Qual o sentido de checar seus privilégios?</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Jun 2014 00:00:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Casey Given]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[O sentido do privilégio]]></category>
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		<category><![CDATA[análise de privilégios]]></category>
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		<description><![CDATA[As trocas mútuas são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores. Um ensaio de abertura, deliberadamente...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>As <a href="http://c4ss.org/content/category/mutual-exchange">trocas mútuas</a> são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores.</p>
<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, &#8220;<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>&#8220;. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria O sentido do privilégio.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p>Em apenas algumas linhas, o calouro da Universidade de Princeton Tal Fortgang levou novamente o tópico dos privilégios às notícias nacionais. &#8220;Por trás de todo sucesso, grande ou pequeno, há uma história, que nem sempre é contada pelo sexo ou pela cor da pele&#8221;, afirmava Fortgang em um artigo para o <a href="http://theprincetontory.com/main/checking-my-privilege-character-as-the-basis-of-privilege/">jornal estudantil conservador Princeton Tory</a>. &#8220;[Presumir] que é e que eu deva pedir desculpas por isso é um insulto&#8221;, escreveu. O artigo de Fortgang foi <a href="http://time.com/author/tal-fortgang/">republicado pela revista Time</a> e deu início a um fogo cruzado de aplausos e vaios de todos os lados do espectro político.</p>
<p>O que a mídia não percebe, contudo, é que esse circo não é nada novo. O conceito de privilégios ronda os círculos acadêmicos há mais de meio século, sobrevivendo apesar de seu esgotamento. Embora surtos de indignação conservadora como os de Fortgang surjam com alguma frequência, com a defesa de valores meritocráticos, as críticas mais interessantes vêm do meio intelectual preocupado com a justiça social, de onde surgiu a análise do privilégio. Alguns acadêmicos alinhados à esquerda condenam a estrutura de análise de privilégios por varrer a opressão para baixo do tapete, enfatizando a culpa branca em vez da ação política para acabar com a desigualdade sócio-econômica.</p>
<p>Embora a mídia não dê muita atenção para esse fato na cobertura da polêmica sobre o artigo de Fortgang, o conceito de privilégio tem suas raízes no ensaio de 1988 de Peggy McIntosh &#8220;<a href="http://donblake.com/wroe/resources/whiteandmaleprivilege.doc.pdf">White Privilege and Male Privilege: A Personal Account of Coming to See Correspondences through Work in Women’s Studies</a>&#8221; (em português, &#8220;Privilégio branco e privilégio masculino: Um relato pessoal da percepção de suas correspondências através do trabalho nos estudos sobre a mulher&#8221;). Nele, McIntosh lista 46 &#8220;efeitos diários do privilégio branco&#8221;, desde os mais abstratos (por exemplo, &#8220;Me sentirei bem vinda e &#8216;normal&#8217; nos locais mais comuns da vida pública, institucional e social&#8221;) aos mais concretos (por exemplo, &#8220;Eu posso ir fazer compras sozinha na maior parte do tempo com a certeza de que não serei seguida ou perseguida&#8221;). Embora a maioria das vantagens sociais enumeradas na lista de McIntosh sejam verdadeiras, o ensaio não dá ao leitor a certeza sobre o que fazer com seu novo conhecimento sobre as vantagens dentro da sociedade.</p>
<p>A própria McIntosh admite na conclusão de seu ensaio que a percepção dos próprios privilégios não é suficiente para combatê-los. &#8220;Me foi ensinado que o racismo poderia acabar se os brancos mudassem suas atitudes&#8221;, lembra ela. &#8220;Atos individuais podem amenizar, mas não podem acabar com esses problemas&#8221;. Como, então, a análise dos privilégios pode ajudar a acabar com a desigualdade estrutural? McIntosh parece apontar para alguns tipos de reformas governamentais, sem dar respostas definitivas. Na penúltima frase de seu ensaio, ela mesma pergunta: &#8220;O que faremos com esse conhecimento?&#8221;</p>
<p>Se a consciência dos próprios privilégios não é suficiente para acabar com a opressão, a própria estrutura analítica parece pouco mais que um exercício de alívio da culpa sentida pelos brancos. Qual seria seu benefício? A culpa branca não vai impedir que os policiais parem indivíduos negros. A culpa branca não vai ajudar uma família a escapar do ciclo de pobreza em que seus antepassados ficaram presos por séculos. Como explicou o Midwest Critical Whiteness Collective em um artigo no outono de 2013 para o <a href="http://hepg.org/her-home/issues/harvard-educational-review-volume-83-number-3/herarticle/how-teacher-education%E2%80%99s-focus-on-white-privilege-u">Harvard Educational Review</a>, &#8220;embora a leitura e o trabalho com o ensaio de McIntosh seja um exercício de conscientização para indivíduos brancos, seu texto não nos ajuda no entendimento e no desmonte da supremacia branca sistêmica&#8221;.</p>
<p>O conceito de privilégio não apenas ignora a ação, mas também ignora a opressão. McIntosh deixa claro que se tratam de conceitos separados na primeira frase, destacando a &#8220;frequência com que homens não estão dispostos a conceder que dispõem de mais privilégios, embora possam conceder que as mulheres estão em posição de desvantagem&#8221;. O privilégio, do ponto de vista de McIntosh, é mais que a ausência de opressão: são vantagens especiais concedidas pela sociedade a um grupo seleto de pessoas.</p>
<p>Ao observar sua lista, contudo, parece estranho dizer que se trata de &#8220;mais privilégio&#8221; não ser perseguido ao fazer compras em um supermercado. Afinal, todos deveriam se sentir seguros em um mundo ideal, correto? Não é o objetivo do ativismo antirracista ajudar as minorias a se sentirem bem vindas e &#8220;normais&#8221; em todas as facetas da vida pública, institucional e social? Nesse sentido, McIntosh parece confundir privilégios e direitos humanos, como explica o filósofo de estudos africanos Lewis Gordon em sua compilação sobre raça <em><a href="http://books.google.com/books/about/What_White_Looks_Like.html?id=wY3p8sE4de0C">What White Looks Like</a></em>:</p>
<blockquote><p>Um privilégio é algo de que nem todos precisam, mas direitos são o oposto. Dada essa distinção, surge uma dimensão mais insidiosa do argumento do privilégio branco. Ele requer que condenemos os brancos por possuir, concretamente, as características da vida contemporânea que deveriam estar disponíveis para todos. Se isso estiver correto, como podemos esperar que os brancos abram mão delas?</p></blockquote>
<p>A preocupação de McIntosh com a crítica dos privilégios de que todos deveriam desfrutar é priorizada em detrimento da luta contra a opressão que ninguém deveria sofrer. Não se engane, porém: há várias diferenças entre como as classes socioeconômicas lidam com a vida cotidiana. Contudo, a resposta a essas desigualdades não é oprimindo as pessoas que desfrutam de privilégios devidos, mas elevando aquelas que não os possuem através da ação política.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=28524&amp;md5=6de77a59051b598f51bbd26d83f0de5c" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Ação direta feminista</title>
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		<pubDate>Sat, 24 May 2014 23:00:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Valdenor Júnior]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Neste sábado (24/05), é a data oficial da Marcha das Vadias no Brasil. O evento acontecerá em várias cidades ao redor do país, e, segundo a organização da Marcha em São Paulo, <a href="https://www.facebook.com/MarchaDasVadiasSP?fref=ts">em sua página no facebook</a>, trata de chamar atenção da sociedade para que esta “entenda que as mulheres não são responsáveis pela violência que sofrem. A sobrevivente nunca é culpada. Culpado é o agressor.”</p>
<p>Deve-se recordar que, na origem da Marcha, está o <i>slut-shaming</i>, uma forma de controle do comportamento feminino baseada em humilhação e intimidação sistemáticas de mulheres que se desviam de determinados parâmetros de conduta sexual. O efeito disso é regular a sexualidade feminina de modo mais rigoroso e repressor do que a masculina, normalizando a desigualdade de gênero.</p>
<p>Associado a isso, há a “cultura de estupro”: elementos culturais que, mesmo da perspectiva da cultura “respeitável” (isto é, não criminosa) da sociedade, normalizam ou relativizam certas formas de estupro e assédio sobre o corpo (geralmente) feminino. O efeito disso é a utilização da possibilidade do estupro e do assédio sobre o corpo (e, indissociavelmente, o psicológico e o emocional) como uma forma de intimidação e, no limite, de punição e correção da sexualidade feminina.</p>
<p>É quando se vê desde essa perspectiva mais abrangente que se pode ver a ligação entre os fenômenos: o <i>slut-shaming</i> pode servir de trampolim para justificar o assédio e o estupro. Um exemplo seria rotular determinadas mulheres como “vadias”, para, então, desculpar ou ser condescendente com a violação da intimidade e da dignidade sexual delas porque elas estariam “provocando” e seriam de algum modo culpáveis por isso. (Para uma instância mais sutil, veja <a href="http://c4ss.org/content/26062">este texto</a> onde critico misturar probabilidade estatística com moralização da vítima.)</p>
<p>O caráter profundamente anti-libertário desse tipo de prática cultural é manifesto: trata-se de um desrespeito à liberdade sexual e aos arranjos consentidos entre adultos autônomos que dela derivam, no limite chegando mesmo a negar às mulheres o seu direito de negar consentimento à investida masculina caso elas de alguma forma tenham se desviado de certos padrões.</p>
<p>A cultura brasileira historicamente foi marcada pelo sexismo. Em 1927, a anarquista individualista <a href="http://aesquerdalibertaria.blogspot.com.br/2013/04/maria-lacerda-de-moura-uma-anarquista.html#.U3_GNChMqdw">Maria Lacerda de Moura</a>, uma das pioneiras do feminismo no Brasil e envolvida com o movimento operário à época, escreveu o texto “<a href="http://mercadopopular.org/2014/05/seduzidas-e-desonradas/">Seduzidas e Desonradas</a>”  no jornal <em>O Combate</em> onde denunciava o duplo padrão de moralidade e o <i>slut-shaming</i>, focado na virgindade feminina e sua guarda para o casamento, com severas penalidades às desviantes:</p>
<blockquote><p>“E ai daquela que se esquece do protocolo.</p>
<p>&#8220;Se, hoje, não é lapidada, se não é enterrada viva como as vestais, se não é apedrejada até a morte, se não sofre os suplícios do poviléu fanático de outros tempos, inventou-se o suicídio: é obrigada a desertar da vida por si mesma, porque a literatura, a imprensa, toda gente aponta-a com o dedo, vociferando o “desgraçada”, “perdida”, “desonrada”, “desonesta”, abrindo-lhe, no caso contrario, as portas da prostituição barata das calçadas, com todo o seu cortejo de misérias, de sífilis, de bordeis, de humilhações, do hospital e da vala comum.&#8221;</p>
<p>&#8220;Miserável moral de coronéis, de covardes e cretinos!”</p></blockquote>
<p>No Brasil de Maria Lacerda de Moura, os tabus ligados à virgindade pré-marital catalisavam as atitudes sexistas. No Brasil da Marcha das Vadias de 2014, temos a divulgação de fotos e vídeos íntimos de garotas, nuas ou mantendo relação sexual, por meio do WhatsApp, possibilitando assim a rápida viralização e subsequente exposição pública. É o <i>revenge porn</i>, a vingança de um ex-parceiro sexual, que vaza fotos e vídeos privados como se fosse pornografia, com o objetivo de expor sua ex-parceira.</p>
<p>Como nos dias de Maria Lacerda de Moura, as garotas vítimas dessa divulgação imoral e criminosa (pois que fere o preceito do consentimento voluntário livre) são humilhadas, intimidadas, perseguidas, assediadas, desencadeando todo um ciclo de <i>slut-shaming</i> , culpabilização da vítima e pretexto para assédio em seu círculo de convivência ou no mundo virtual que, a depender de sua intensidade e do próprio perfil emocional da vítima, pode mesmo levar a vítima ao suicídio, como no caso da Julia Rebeca. Os tempos mudaram, mas muita daquela “miserável moral de coronéis, de covardes e cretinos” ainda persiste na mentalidade de muitos.</p>
<p>E como mudar isso? Na tradição feminista, uma importante ferramenta é a ação direta, buscando promover mudança social descentralizada a partir da “base”, sem apelar para estruturas coercitivas como o Estado. <a href="http://charleswjohnson.name/essays/women-and-the-invisible-fist/">Charles Johnson</a> refere-se às formas de solidariedade e resistência que muitas feministas empregaram historicamente para mudar as atitudes sociais e prover ajuda para mulheres que dela necessitassem, como “grupos, reuniōes, <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Culture_jamming"><em>culture jamming</em></a>, redes de mulheres agredidas, centros de combate ao estupro e outros espaços feministas” originalmente sem conexão com o governo.</p>
<p>Dentro desta admirável e libertária tradição de ação direta feminista, atualizada para tempos onde a tecnologia propiciou novas formas de <i>slut-shaming</i>, temos um grupo de seis meninas feministas de 16 anos de idade que criaram um protótipo de aplicativo de celular, o <i><a href="https://www.facebook.com/simplesmenteforyou?fref=ts">For You</a></i>.</p>
<p><a href="http://www.brasilpost.com.br/2014/05/16/for-you-app_n_5339900.html">A ideia</a>, conforme já divulgado, é apoiar meninas adolescentes que tiveram suas fotos vazadas na internet, criando um espaço seguro onde possam conhecer outras vítimas, discutir os temas que circundam a <i>revenge porn</i> (por meio de abas educativas sobre legislação, manifestos sobre como isto não é sua culpa, depoimentos de vítimas, etc.) e inclusive embaixadoras locais para montarem grupos presenciais que combatam a intimidação que as vítimas possam vir a sofrer. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=L8vXKyBqipY">Em vídeo</a>, elas explicam como querem usar a tecnologia para distribuir informação sobre abuso online, empoderando as vítimas.</p>
<p>“Se eles usam apps para nos humilhar, nós revidamos usando apps para nos empoderar e organizar!”, é o mote do grupo formado por Camila Ziron, Estela Machado, Hadassa Mussi, Larissa Rodrigues e Letícia Santos. Elas estão participando do concurso Technovation Challenge, cujo grupo vencedor receberá 10.000 dólares de financiamento e suporte para desenvolvimento.</p>
<p>A emancipação feminina está sendo e será obtida por meio da ampliação e do esclarecimento das redes de cooperação social voluntária. Isso nos leva a uma perspectiva de <a href="http://books.google.com.br/books?id=dqQrdsPEAoEC&amp;pg=PA67&amp;lpg=PA67&amp;dq=Can+Feminism+Be+Liberated+from+Governmentalism?&amp;source=bl&amp;ots=M-BenKzUZx&amp;sig=bxl4QOspl_CNcigTzhVFOvDnzDk&amp;hl=pt-PT&amp;sa=X&amp;ei=WawVU-KJCNGMkAeltICYBA&amp;ved=0CEEQ6AEwAw#v=onepage&amp;q=Can%20Feminism%20Be%20Liberated%20from%20Governmentalism%3F&amp;f=false">mudança social feminista mais sociológica,  evolucionária, microeconômica</a>. Mas também é dessa maneira que a liberdade humana em relação às estruturas coercitivas do Estado será alcançada. Coincidência? De modo algum, pois a emancipação feminina é uma instância do progresso em direção a uma sociedade livre.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=27531&amp;md5=9e15c4dc5a66fb1a9c7402a4db0e8665" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>A cultura do estupro e a falácia da moralização feminina</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Apr 2014 00:00:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Valdenor Júnior]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na última sexta (28/03), Rodrigo Constantino, em seu blog no site da revista Veja, teceu um estranho comentário: “Não tenho dúvidas de que ‘garotas direitas’ correm menos risco de abuso sexual.” A frase repercutiu e indignou muitos nas redes sociais, especialmente por ter se seguido à pesquisa do IPEA, em que 58,5% dos entrevistados concordaram...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Na última sexta (28/03), Rodrigo Constantino, <a href="http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/cultura/o-estupro-e-culpa-da-mulher-seminua-nao-mas/">em seu blog</a> no site da revista Veja, teceu um estranho comentário: “Não tenho dúvidas de que ‘garotas direitas’ correm menos risco de abuso sexual.”</p>
<p>A frase repercutiu e indignou muitos <a href="https://www.facebook.com/photo.php?fbid=767658563244656&amp;set=a.263168090360375.76314.262089597134891&amp;type=1&amp;theater">nas redes sociais</a>, especialmente por ter se seguido à <a href="http://oglobo.globo.com/pais/para-65-mulher-com-roupa-que-mostra-corpo-merece-ser-atacada-12006214">pesquisa do IPEA</a>, em que 58,5% dos entrevistados concordaram com a frase “Se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros”.</p>
<p>É verdade que Constantino considerou que o resultado da entrevista era um atraso civilizatório e que a cultura machista ainda é forte no Brasil. Contudo, não percebe que sua mensagem acabou por ser cúmplice dessa cultura nociva. A citação, em contexto, é a seguinte:</p>
<blockquote><p>Enquanto a cultura do machismo não desaparece, e a punição exemplar não vem, seria recomendável, sim, que as moças apresentassem um pouco mais de cautela, mostrassem-se um tiquinho só mais recatadas, e preservassem ligeiramente mais as partes íntimas de seus corpos siliconados. Não tenho dúvidas de que “garotas direitas” correm menos risco de abuso sexual.</p></blockquote>
<p>Constantino comete a falácia de moralizar a explicação para o estupro. Façamos uma comparação: digamos que trabalhadoras do sexo têm maior chance de serem estupradas do que a média das mulheres. Essa é apenas uma questão empírica, de apontar se a prestação de serviços sexuais pode ser um fator de risco, tendo em vista as circunstâncias em que o serviço é prestado.</p>
<p>Agora imagine que falemos o seguinte: “As trabalhadoras do sexo, por estarem agindo imoralmente, têm maior chance de serem estupradas, enquanto as ‘mulheres direitas’, por estarem agindo moralmente, tem menor chance de serem estupradas”. Acrescentar que seja imoral o comportamento da mulher não agrega nada à explicação e, pior, parece tornar o “ter menos chances de ser estuprada” algo meritório, moralizado. Trata-se de uma instância sutil de <i>slut-shaming</i>.</p>
<p>Sarah Skwire <a href="http://bleedingheartlibertarians.com/2013/03/what-are-we-supposed-to-do/">observa</a> corretamente que um dos elementos da “<a href="http://mercadopopular.org/2013/12/por-uma-tregua-de-24-horas-onde-nao-ha-estupro-e-nem-cultura-de-estupro/">cultura do estupro</a>” são argumentos como “a vítima não deveria estar naquele lugar/beber/usar essa roupa/ir a essa festa”.</p>
<p>Como Charles Johnson <a href="http://charleswjohnson.name/essays/women-and-the-invisible-fist/">destaca</a>, nisso se vê a “lei não escrita do patriarcado”: a cultura coloca a mulher em posição de dependência pela interação entre a violência perpetrada por alguns homens e a tentativa de proteção e controle por outros. Os dois comportamentos se combinam para impor regras sobre a vida pessoal das mulheres, limitando sua liberdade. Moralizar a explicação do estupro faz parte desse círculo vicioso.</p>
<p>Constantino poderia dizer: “Mulheres que não saem de casa têm menos chance de serem estupradas”. Depende. Se for estupro por familiares ou conhecidos, essa frase se torna falsa. Ele poderia dizer: “Mulheres que não bebem têm menos chances de serem estupradas”. Ok, mas só se ele estiver falando do estupro cometido contra uma mulher embriagada. Não há como generalizar.</p>
<p>Estamos num mundo onde mulheres são enganadas com propostas falsas de emprego em outro país e forçadas à prostituição; onde uma mulher pode ser estuprada, apenas porque estava voltando do trabalho tarde da noite; onde uma mulher pode ser estuprada porque sua casa foi assaltada; onde há prostituição infantil e assédio sexual; onde uma menina <a href="http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/o-pais-quer-saber/os-algozes-da-menina-estuprada-na-cadeia-do-para-estao-livres-ela-desapareceu/">pode ser colocada em uma cadeia com vários homens pelos agentes do estado</a>; onde um conselho comunitário <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2014-01-23/conselho-anciao-ordena-estupro-coletivo-de-indiana-por-paixao-proibida.html">pode condenar uma menina a um estupro coletivo corretivo</a>; onde uma mulher pode estar no meio da guerra e não ter para onde fugir; onde uma mulher pega uma van com o namorado para se deslocar sem saber quem está dentro dela; onde há familiares, conhecidos e parceiros sexuais mal intencionados.</p>
<p>Em um mundo onde mulheres podem ser estupradas apenas por serem mulheres, Constantino deveria, pelo menos, se retratar de sua moralização inócua.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=26062&amp;md5=0131cae108b9e598f041927723193780" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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