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	<title>Center for a Stateless Society &#187; segurança</title>
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	<description>building public awareness of left-wing market anarchism</description>
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		<title>Só é censura quando os outros fazem</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Jan 2015 23:00:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Erick Vasconcelos]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[O lamentável ataque terrorista à sede do jornal satírico francês Charlie Hebdo, que causou a morte de 12 pessoas e feriu outras 11, estimulou diversas reações, do público, de jornalistas sensibilizados e de governantes que pretendem extrair ganhos políticos da situação. No meio do pânico, a histeria islamofóbica novamente dá o ar da graça (devido...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O lamentável ataque terrorista à sede do jornal satírico francês <em>Charlie Hebdo</em>, que causou a morte de 12 pessoas e feriu outras 11, estimulou diversas reações, do público, de jornalistas sensibilizados e de governantes que pretendem extrair ganhos políticos da situação. No meio do pânico, a histeria islamofóbica novamente dá o ar da graça (devido às motivações religiosas do ataque) e o <em>Charlie Hebdo</em> foi alçado à categoria de ícone &#8212; que provavelmente seria rejeitada pela iconoclastia de sua própria linha editorial &#8212; com a campanha #JeSuisCharlie.</p>
<p>A tragédia humana do <em>Charlie Hebdo</em>, porém, só tende a ser multiplicada com a exploração política do evento pelos governos ocidentais, que já começaram a agitar suas máquinas de propaganda para engendrar um conflito civilizacional. O presidente da França François Hollande <a href="http://www.usnews.com/news/articles/2015/01/07/charlie-hebdo-massacre-prompts-defense-of-freedom-of-speech">afirmou</a> que o ataque foi um ato de &#8220;excepcional barbarismo&#8221; contra &#8220;um jornal, um órgão de livre expressão&#8221;. Segundo Hollande, tratou-se de &#8220;um ato contra jornalistas, que sempre tentaram mostrar que na França é possível defender as próprias ideias&#8221;.</p>
<p>O presidente americano Barack Obama <a href="http://www.usnews.com/news/articles/2015/01/07/charlie-hebdo-massacre-prompts-defense-of-freedom-of-speech">não deixou de sublinhar</a> o fato de que os terroristas, em contraposição à instituição representada por ele, &#8220;temem a liberdade de expressão e de imprensa&#8221;. Segundo ele, porém, terroristas não serão capazes de silenciar a ideia fundamental compartilhada por franceses e americanos, a &#8220;crença universal na liberdade de expressão&#8221;.</p>
<p>O primeiro ministro do Reino Unido David Cameron <a href="http://www.dailymail.co.uk/news/article-2900377/Cameron-condemns-barbaric-Paris-gun-attack-vows-Britain-stand-united-France-defence-free-speech.html">reforçou</a> a &#8220;união&#8221; de franceses e britânicos &#8220;na luta contra o terror e na defesa da liberdade de imprensa&#8221;. Para a chanceler alemã Angela Merkel, foi um &#8220;ataque à liberdade de imprensa&#8221;. A presidente brasileira Dilma Rousseff, para não ficar para trás, <a href="http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/dilma-condena-ataque-terrorista-contra-revista-charlie-hebdo">declarou</a> que o atentado foi um &#8220;inaceitável ataque a um valor fundamental das sociedades democráticas: a liberdade de imprensa&#8221;.</p>
<p>Apesar do barbarismo e da violência extrema do ataque ao <em>Charlie Hebdo</em>, não seria de se surpreender que os governantes ocidentais estivessem absolutamente extasiados com o acontecimento, que pode ser facilmente usado como muleta em suas narrativas de intrínseca superioridade ocidental em relação ao atraso muçulmano. Talvez fosse o que esperassem desde sempre: algo que fizesse com que sua retórica de que &#8220;eles odeiam nossas liberdades&#8221; parecesse menos pueril.</p>
<p>Afinal, nenhum dos países que estão coletivamente ultrajados é modelo de liberdade de expressão e imprensa. O próprio <em>Charlie Hebdo</em> adotou seu nome atual nos anos 1970 para driblar sua proibição de circulação pelo governo francês. A França atualmente ocupa o pouco invejável <a href="http://rsf.org/index2014/data/index2014_en.pdf">39º lugar no ranking de liberdade de imprensa</a> da organização Repórteres Sem Fronteiras, que destaca as fracas proteções à confidencialidade de fontes e a censura à divulgação de <a href="http://www.indexoncensorship.org/2013/07/french-censorship-mediapart-and-the-bettencourt-butlers-tapes/">gravações ligadas a casos de corrupção</a>. As <a href="https://opennet.net/blog/2011/06/french-government-plans-extend-internet-censorship">repetidas investidas</a> francesas contra a internet já resvalam na delegação total de poder à burocracia.</p>
<p>Já os EUA, sempre zelosos pela liberdade ocidental, aparentemente não têm qualquer problema em suprimir informações, <a href="http://www.nytimes.com/2013/05/14/us/phone-records-of-journalists-of-the-associated-press-seized-by-us.html?pagewanted=all">se apropriar dos registros telefônicos</a> de instituições jornalísticas sem mandado ou devido processo e prender <em>whistleblowers</em> e <a href="http://edition.cnn.com/2014/08/19/us/ferguson-journalists-arrested/">jornalistas</a>. Isso tudo para não falar das draconianas e francamente ridículas leis de &#8220;propriedade intelectual&#8221; vigentes, usadas ostensivamente para o silenciamento de discursos e manutenção do status quo corporativo dentro dos EUA.</p>
<p>O caso do Reino Unido é curioso porque nós devemos nos perguntar se suas <a href="http://edition.cnn.com/2014/12/12/world/europe/uk-porn-protest/">novas leis de censura à pornografia</a> permitiriam que <a href="http://img.qz.com/2015/01/charliehebdo31.jpg">algumas das capas</a> do <em>Charlie Hebdo</em> fossem publicadas. A Alemanha mal consegue conter seu entusiasmo ao <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Internet_censorship_in_Germany">censurar a internet</a>. E, se os cartuns políticos do <em>Charlie Hebdo</em> parecem inofensivos, o que dizer dos jogos de video game, amplamente <a href="http://www.destructoid.com/censorship-in-germany-how-they-changed-your-fav-games-268854.phtml">modificados e mutilados</a> para se adequar às sensibilidades dos burocratas alemães?</p>
<p>Dilma Rousseff, por outro lado, talvez pretendesse dizer que o Brasil não é de fato uma sociedade democrática, uma vez que o &#8220;valor fundamental&#8221; que é a &#8220;liberdade de imprensa&#8221; parece ser um dos mais desprezados por estes lados. De acordo com a <a href="http://rsf.org/index2014/data/index2014_en.pdf">Repórteres Sem Fronteiras</a>, junto com os EUA, o Brasil é um dos &#8220;dois gigantes que dão um mau exemplo&#8221;, o país ocidental que mata mais jornalistas (ultrapassando o México). Também é o país que <a href="http://foreignpolicy.com/2013/04/25/brazil-leads-world-in-google-takedown-requests/">lidera ano após ano</a> os pedidos de retirada de conteúdo do Google, onde o trabalho da imprensa é reiteradamente bloqueado por caciques políticos, onde não há efetiva liberdade de manifestação e onde, incrivelmente, um fotógrafo <a href="http://oglobo.globo.com/brasil/justica-muda-sentenca-apos-sete-anos-culpa-fotografo-por-olho-atingido-por-bala-de-borracha-13904675">foi considerado culpado</a> pela justiça por ter sido baleado no olho durante um protesto.</p>
<p>É verdade que os terroristas odeiam a liberdade de expressão. Mas nisso eles não são diferentes dos países ocidentais. Eles só diferem em método.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=34886&amp;md5=cde6fbb84f8f194496234cab01aa7eb2" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Belém: O cercamento da periferia e o estado policial</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Nov 2014 20:47:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Herbert]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na madrugada do dia 4 para o dia 5 de novembro, Belém foi dormir aterrorizada. Após a execução do cabo Figueiredo, da Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam) da Polícia Militar do Estado do Pará, às 19h30 do dia 4, uma retaliação seguiu-se, com 9 mortes confirmadas no total segundo a divulgação oficial, 6 das quais com indícios incontroversos de...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Na madrugada do dia 4 para o dia 5 de novembro, Belém foi dormir aterrorizada.</p>
<p>Após a <a href="http://diarioonline.com.br/noticia-308085-.html">execução do cabo Figueiredo, da Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam) da Polícia Militar do Estado do Pará</a>, às 19h30 do dia 4, uma retaliação seguiu-se, com 9 mortes confirmadas no total <a href="http://agenciapara.com.br/noticia.asp?id_ver=106492">segundo a divulgação oficial</a>, 6 das quais com indícios <a href="http://g1.globo.com/videos/t/todos-os-videos/v/seis-das-nove-mortes-de-belem-tem-caracteristicas-de-execucao-diz-pm/3743897/">incontroversos</a> de execução, ocorrendo concomitantemente à operação da Rotam para prender os responsáveis pela execução do cabo da PM. Apesar da contagem oficial, muitas pessoas acreditam que o número de mortos tenha sido maior, dada a noite de perseguição.</p>
<p>Boatos, <a href="http://www.diarioonline.com.br/noticias/policia/noticia-308100-.html">áudios</a> e vídeos se espalhavam enquanto as execuções aconteciam por meio do WhatsApp e do Facebook, mostrando o que se passava na periferia da capital paraense, nos bairros Guamá, Terra Firme, Jurunas e Canudos, especialmente.</p>
<p>Neles, houve um toque de recolher extraoficial, dada a expectativa de que haveria retaliações contra suspeitos e que o objetivo desse grupo de extermínio (presumivelmente composto por policiais militares) era o de “não fazer prisioneiros”. O grupo clandestino atuaria acobertado sob o pretexto da operação oficial da Rotam e seu objetivo era o de executar os suspeitos.</p>
<p>É importante que se esclareça que as mortes não decorreram de tiroteios ou de resistência à prisão. Foram execuções. O próprio governo do estado reconhece, <a href="https://www.facebook.com/governopara/photos/a.426823077380171.102880.175164055879409/795212777207864/?type=1&amp;theater">em nota oficial</a>, que foram homicídios, embora não conclua que houve participação de policiais militares. O secretário de Segurança Pública do Pará, Luiz Fernandes, <a href="http://www.hiroshibogea.com.br/secretario-de-seguranca-fala-em-10-mortes-e-grupo-de-exterminio/">reconhece</a> também que as investigações trabalham com a hipótese da atuação de grupos de extermínio.</p>
<p>Porém, a sequência de acontecimentos não pode ser entendida a menos que se compreenda seu contexto: a dinâmica do combate às drogas local.</p>
<p>Em Belém, <a href="http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,regiao-metropolitana-de-belem-tem-maior-proporcao-de-favelas-diz-ibge,1093776">66% da população</a> mora em construções irregulares, favelas ou afins, que, primeiro, aglomeraram-se nas proximidades do centro (como ocorre em bairros como Guamá e Jurunas, e mesmo da Terra Firme, palco dos homicídios) e, mais recentemente, em bairros mais distantes. São áreas de grande adensamento, com pouco espaçamento entre as residências, mas que possibilitaram à cidade absorver um grande contingente de migrantes do interior do estado e do Maranhão, estado vizinho, inclusive para residência próximo ao centro onde estão grande parte dos empregos.</p>
<p>Entretanto, como em outras regiões brasileiras, são áreas marcadas pelo acesso precário a serviços públicos básicos, como saneamento básico, e pela débil proteção do direito à propriedade (embora não sejam comuns desapropriações ou remoções em Belém). Além disso, como resultado da proibição do comércio de drogas, acabam sob o domínio de criminosos do tráfico de drogas.</p>
<p>Há algum tempo, sabe-se que os chefes do tráfico de drogas financiam milícias. Segundo reportagem <a href="http://www.orm.com.br/amazoniajornal/interna/default.asp?modulo=831&amp;codigo=695611">do início do ano</a>, sobre a atuação de milícias nos bairros do Guamá e da Terra Firme, esses grupos são formados por criminosos e policiais (geralmente já fora dos quadros funcionais da corporação), para proteção de traficantes contra outros traficantes e a polícia, mas também para extorquir a população. Como relata um morador da Terra Firme à reportagem:</p>
<blockquote><p>&#8220;Eles pedem dinheiro para as pessoas e matam quem estiver no seu caminho. É própria criminalidade matando a criminalidade, mas há também pessoas de bem que são vítimas. Quando eles estão incomodados com alguma pessoa, criam uma circunstância para que o crime aconteça&#8221;</p></blockquote>
<p>Já o grupo que atua no Guamá, formado principalmente por policiais reformados, estaria envolvido no assassinato de jovens, de &#8220;quem anda pela rua fora de hora, quem rouba e usa drogas&#8221;, como afirma um morador. Por medo, a lei do silêncio prevalece.</p>
<p>A reportagem também mostra que a polícia costuma trabalhar com a hipótese de pistoleiros contratados para acertos de contas ou para executar quem está em dívida, negando a existência de milícias e de grupos de extermínio que é sustentada pela população que mora nesses bairros. Os eventos da última terça parecem ter mudado isso, já que o secretário de Segurança Pública reconheceu a possibilidade do envolvimento de um grupo de extermínio.</p>
<p>O temor generalizado da população após a morte do cabo da PM na terça ilustra o quão real é para os moradores desses bairros o medo da ação das milícias e de policiais dentro destas ou acobertando estas, tanto como dos traficantes de drogas. Medo que, pela primeira vez, atingiu muitos dos moradores de áreas nobres em Belém, que não vivem o cotidiano de apreensão vivenciado pelos habitantes da periferia. Como nunca, aquela madrugada em Belém fez moradores de bairros em condições tão diferentes compartilharem do mesmo medo, da polícia, do tráfico e das milícias.</p>
<p>Portanto, as execuções de terça para quarta não foram um simples caso isolado de retaliação, mas sim uma realidade perene vivida por moradores da periferia de Belém, muitos dos quais conhecem alguém que foi executado ou tiveram um parente assassinado, alguns que foram expulsos de suas casas pelos traficantes, outros que evitam sair de casa a certas horas da noite (não só na última terça!) por medo do que poderá acontecer consigo e com os seus.</p>
<p>A essa população, que sofre de tantos lados, desde os traficantes até a abordagem de policias, é negada a mais básica e elementar forma de reduzir a criminalidade violenta no Brasil e seu financiamento: o fim da guerra às drogas. Não existe nenhum motivo para que cidades brasileiras encontrem-se no topo do <a href="http://oglobo.globo.com/brasil/brasil-tem-11-das-30-cidades-mais-violentas-do-mundo-diz-onu-12151395">ranking</a> de cidades com maior número de homicídios do mundo que não seja essa política fracassada de proibição das drogas. Muitas cidades são mais perigosas que Belém, que está em 343º no<a href="http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/as-500-cidades-mais-violentas-do-brasil-versao-2014"> ranking de cidades com maior número de homicídios no Brasil</a> (a capital do Pará tem 45,6 homicídios por 100.000 habitantes), mas as causas são similares entre essas cidades. A maioria desses homicídios em Belém e nas outras cidades estão relacionados ao tráfico de drogas.</p>
<p>Uma das bandeiras libertárias mais importantes é o fim dessa política que cerceia os direitos civis, coloca atrás das grades pessoas pacíficas e mata mais que o vício pelo usuário, ao conferir uma fonte rápida de financiamento aos criminosos que passam a controlar este mercado.</p>
<p>Vende-se às pessoas que moram nesses bairros (bem como aos moradores de outros bairros mais privilegiados de Belém) a ideia de que apenas mais repressão será capaz de resolver o problema da segurança pública. Ao usuário de drogas cabe o papel de bode expiatório e frequentemente se sugere que a execução sumária de criminosos pela polícia é bem-vinda.</p>
<p>Mas negar o direito ao devido processo legal e legitimar ainda mais a licença para matar que os policiais já possuem, através do auto de resistência, apenas intensifica as violações de direitos humanos que diárias no Brasil. Perde-se de vista a conexão de policiais com traficantes e milícias. São os mais pobres que ficam à mercê do estado policial e a fé ingênua na polícia como guardiã da ordem só piora sua condição.</p>
<p>Assim, o caso de Belém escancara a monstruosidade que é a guerra às drogas brasileira e as consequências destas nas dinâmicas urbanas das periferias, marcadas pela onipresença da violência.</p>
<p>A principal causa de todas essas mortes não é a falta de mais repressão policial ou de mais execuções em relação às que já existem tanto da parte dos traficantes quanto de policiais, mas sim o próprio estado em sua sanha criminalizante, o que enriquece criminosos e aumenta a vulnerabilidade das comunidades que perdem a capacidade de organizar sua própria segurança.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=33359&amp;md5=b701c231bcab211253d145ec15573d70" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Privacidade 2014: Google como braço da vigilância estatal</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Aug 2014 00:30:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Thomas L. Knapp]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Condenado em 1994 pelo abuso sexual de um garoto, John Henry Skillern, do Texas, está novamente preso e aguarda julgamento, desta vez por posse e produção de pornografia infantil. A prisão de Skillern é cortesia do Google. Poucos, espero eu, devem derramar lágrimas por Skillern, dadas as suas acusações de crimes sexuais. Contudo, seu caso...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Condenado em 1994 pelo abuso sexual de um garoto, John Henry Skillern, do Texas, está novamente preso e aguarda julgamento, desta vez por posse e produção de pornografia infantil. A prisão de Skillern é <a href="http://www.cnet.com/news/google-sees-alleged-child-porn-in-mans-email-alerts-police/">cortesia do Google</a>. Poucos, espero eu, devem derramar lágrimas por Skillern, dadas as suas acusações de crimes sexuais. Contudo, seu caso novamente coloca o Google sob os holofotes, mostrando que é um braço dos &#8220;agentes da lei&#8221;.</p>
<p>O Google não faz segredo do fato de que &#8220;analisa o conteúdo&#8221; de emails enviados e recebidos em seu serviço Gmail, na maior parte das vezes para publicar anúncios para usuários com a maior probabilidade de clicar neles. É assim que o Google ganha dinheiro — rastreando os usuários de seus serviços &#8220;gratuitos&#8221;, analisando o que fazem e vendendo os olhos deles para os clientes.</p>
<p>A maioria das pessoas também compreende que o Google, como afirmado em sua <a href="http://www.google.com/policies/privacy/">política de privacidade</a>, &#8220;comparilhará informações pessoais (&#8230;) para cumprimento de leis, regulações, processos legais ou requerimentos governamentais&#8221;. Se os policiais aparecerem batendo na porta com um mandado, o Google coopera com a busca e a apreensão de suas informações e registros de suas ações.</p>
<p>Mas o Google vai ainda mais longe. As <a href="https://www.gmail.com/intl/en/mail/help/program_policies.html">políticas do Gmail</a> afirmam inequivocamente que, entre outras coisas, o &#8220;Google tem uma política de tolerância zero em relação a imagens de abuso sexual infantil. Se percebebermos a existência desse tipo de conteúdo, entraremos em contato com as autoridades e podemos tomar ações disciplinares, inclusive o término da prestação dos serviços das contas Google dos envolvidos&#8221;.</p>
<p>Enquanto anarquista de mercado, minha resposta visceral ao caso Skillern é &#8220;justo — eram os termos de serviço com que ele concordou quando fez sua conta no Gmail&#8221;.</p>
<p>Mas há um abismo entre &#8220;nós vamos deixar o governo olhar as suas coisas se eles insistirem&#8221; e &#8220;nós vamos ficar de olhos abertos vigiando coisas que o governo possa querer ver&#8221;. Esta última posição, em questões de privacidade, é o começo de caminho muito perigoso.</p>
<p>Quais os perigos? Bem, considere o interesse do Google na &#8220;geolocalização&#8221; (saber onde você está e na &#8220;internet das coisas&#8221; (conectar até a torradeira, o ar condicionado e o seu carro à internet, com o Google como intermediário).</p>
<p>Não está fora de questão que o Google, no futuro, enquanto você dirige pelas ruas, rastreie sua localização e alerte automaticamente as autoridades se perceber que você está dirigindo a 65 km/h em uma área de 60 km/h.</p>
<p>Pensa que isso não pode acontecer? Pense de novo. Em vários locais, multas são automaticamente enviadas a supostos violadores de condutas de trânsito pegos por câmeras. Não é necessário nem mesmo um guarda de trânsito. É uma das fontes de lucro para o governo — e para as empresas que instalam e operam câmeras no trânsito. Caso você não tenha percebido, o Google gosta muito de lucrar através da geração de informação.</p>
<p>Lembre-se de que você é um criminoso. Sim, de verdade. Se você mora nos Estados Unidos, de acordo com o livro de Per Harvey Silverglate <em>Three Felonies a Day</em>, o americano médio viola pelo menos 3 leis federais a cada período de 24 horas. Quer apostar na probabilidade de que a evidência desses &#8220;crimes&#8221; possa ser detectada em seu arquivo de email?</p>
<p>Em grande parte, a internet tornou obsoletas nossas velhas concepções sobre privacidade e sobre qual o grau de privacidade que podemos esperar dela. Pessoalmente, eu estou satisfeito com isso — estou mais do que disposto a deixar o Google analisar meus dados pessoais para fazer anúncios melhores para me mostrar em troca de seus serviços &#8220;gratuitos&#8221;. Por outro lado, eu gostaria que houvessem alguns limites. E acho que o mercado é capaz de estabelecê-los.</p>
<p>Três mecanismos de limitação de mercado que me ocorrem são a criptografia &#8220;end-to-end&#8221;, serviços de ofuscamento da localização geográfica e a relocação de servidores em países com maior respeito pela privacidade e menos medo de governos poderosos como o dos Estados Unidos. Se o Google não pode ou não tem interesse em prover esses serviços, outros o farão (na verdade, vários já o fazem).</p>
<p>O mecanismo político convencional para limitar os maus atores políticos como o Google seria uma legislação que proíbe empresas de internet de &#8220;procurar e relatar&#8221; qualquer coisa sem que haja um mandado governamental e causa provável para acreditar que um crime foi cometido. Esses mecanismos políticos, porém, não funcionam. Como a exposição das ações ilegais da Agência Nacional de Segurança dos EUA por Edward Snowden mostrou, o governo simplesmente ignora as leis de que não gosta.</p>
<p>Ao invés de buscar soluções políticas, eu sugiro uma quarta solução de mercado. A abolição do estado. O problema não é tanto o que o Google registra ou analisa. Essas coisas são apenas acordos entre o Google e os usuários. O problema é a quem o Google pode repassar as suas informações.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=30163&amp;md5=62649c08657b58bf4c49c7b20960b49d" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Dark Wallet: novas armas para velhas guerras</title>
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		<pubDate>Thu, 15 May 2014 23:00:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[William Sheppard]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Como alguns devem saber, o projeto Dark Wallet foi liberado para o público no dia 1º de maio de 2014. A Dark Wallet é desenvolvida pelo UnSystem, uma organização que inclui, entre outros participantes notórios, Cody Wilson, famoso por desenvolver a primeira arma impressa em 3D no mundo, a Liberator. A Dark Wallet está em...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><span style="line-height: 1.5em;">Como alguns devem saber, o projeto <em>Dark Wallet</em> foi liberado para o público no dia 1º de maio de 2014. A Dark Wallet é desenvolvida pelo UnSystem, uma organização que inclui, entre outros participantes notórios, <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Cody_Wilson">Cody Wilson</a>, famoso por desenvolver a <a href="http://www.newyorker.com/online/blogs/elements/2013/05/3d-printed-gun-cody-wilson-defense-distributed.html">primeira arma impressa em 3D no mundo</a>, a <em>Liberator</em>. A Dark Wallet está em estágio alfa de desenvolvimento, então não é recomendável que ela seja usada fora de testes.</span></p>
<p>A Dark Wallet é um conjunto de ferramentas para armazenar, enviar e receber bitcoins que busca proteger e tornar anônimo o uso da criptomoeda. É uma reação contra aqueles que pretendem tirar o cripto das criptomoedas.</p>
<p>Se desejar testá-la, você pode ir até a <a href="https://darkwallet.unsystem.net/">página do Unsystem</a> e navegar até o <a href="https://github.com/darkwallet/darkwallet/releases/tag/0.2.0">github</a>. Lá está disponível o código fonte para download. Se estiver usando um sistema Windows, baixe o arquivo .zip. Se estiver no OSX, poderá escolher tanto o .zip como o tar.bz. Se estiver utilizando o Linux, você provavelmente precisará saber quais programas de arquivamento estão disponíveis no seu sistema e escolher o arquivo para baixar de acordo com eles. Assim que fizer o download, extraia a pasta para um local conhecido.</p>
<p>Para instalar a extensão ao seu Chrome Browser, vá em <strong>Configurações &gt; Extensões</strong>, marque a opção <strong>Modo do desenvolvedor</strong>. Clique em &#8220;<strong>Carregar extensão expandida</strong>&#8221; e encontre a pasta que você acabou de extrair e aperte <strong>OK</strong>.</p>
<p>Você agora terá a Dark Wallet instalada no seu browser.</p>
<p>Ao abri-la pela primeira vez, você é recebido em uma interface limpa, simples e plana. A partir daí, você deve criar uma conta e pode escolher usar a <em>Testnet</em> se quiser. Como se trata aqui de um software alpha, essa é a melhor opção. A <a href="https://en.bitcoin.it/wiki/Testnet">Testnet</a> é uma arquitetura paralela usada para o teste e o desenvolvimento de softwares relacionados ao bitcoin. O sistema é desenhado de forma que as moedas dentro dele não tenham valor.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter  wp-image-27035" alt="" src="http://c4ss.org/wp-content/uploads/2014/05/loginpage1.jpg" width="640" height="319" /></p>
<p>Quando sua conta for criada, você será levado à sua carteira. A partir de lá, você poderá gerenciar e criar &#8220;bolsos&#8221; (&#8220;pockets&#8221;), que são endereços adinistráveis dentro da carteira, e verificar seu histórico de transações. Há uma ferramenta de fundos chamada <a href="http://bitcoinmagazine.com/11108/multisig-future-bitcoin/"><em>Multisig</em></a>, que permite a criação de uma carteira que precise ser assinada por várias chaves para começar uma transação. Isso pode ser especialmente útil para empresas e organizações em que a pessoa que administra os bitcoins é seu dono e, devido à irreversibilidade das transações, é necessário algum tipo de transparência.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter  wp-image-27036" alt="" src="http://c4ss.org/wp-content/uploads/2014/05/walletmainpage1.jpg" width="640" height="312" /></p>
<p>Na seção de envios estão localizadas as ferramentas básicas para enviar bitcoins para outros endereços, com opções avançadas como &#8220;CoinJoin&#8221;, que serve para misturar as transações de diferentes usuários, tornando-as difíceis de rastrear através do <a href="https://en.bitcoin.it/wiki/Blockchain">blockchain</a>. A natureza pública das transações de bitcoin significa que há um risco de a anonimidade ser comprometida se uma parte má intencionada for dedicada o bastante.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter  wp-image-27037" alt="" src="http://c4ss.org/wp-content/uploads/2014/05/walletsendpage1.jpg" width="640" height="314" /></p>
<p>Há também uma opção de depósito de fiação (&#8220;escrow&#8221;), que ainda não está ativa. Presumivelmente, isso permitirá que as transações sejam feitas em um endereço por um árbitro independente e, se houver alguma disputa entre as partes, o árbitro terá a palavra final na direção da transação. Se implementada corretamente, essa ferramenta poderá ser o antídoto descentralizante às ferramentas monolíticas como o Paypal e os bancos no papel de resolução de disputas. E é um padrão extremamente necessário para que o bitcoin ganhe popularidade.</p>
<p>Outras características incluem um sistema de contatos e há uma sala de conversas pública no &#8220;lobby&#8221;. É uma ótima ferramenta atualmente, uma vez que as conversas vão desde bobagens e absurdos até a resposta a perguntas sobre o programa e ao envio de moedas de teste entre as pessoas, para que as pessoas saibam como a Dark Wallet funciona. Se você não conseguir nenhuma testcoin, várias &#8220;torneiras&#8221; estão disponíveis para enviar uma quantidade razoável de testcoins para a sua carteira. <a href="http://faucet.xeno-genesis.com/">Esta é uma delas</a> com a qual eu e outras pessoas tivemos sucesso.</p>
<p>Embora a versão alfa do programa tenha alguns problemas, seu design e suas ferramentas têm muito potencial para torná-la a carteira de bitcoin mais popular. Com isso, o bitcoin poderia passar a ser impossível de ser assimilado ao paradigma financeiro atual. Esse é provavelmente o maior potencial das criptomoedas. Esse conceito, junto com um possível <a href="http://www.wired.com/2014/04/darkmarket/">Dark Market</a> no futuro pode ser uma alternativa extremamente robusta ao sistema de mercado &#8220;branco&#8221; atual.</p>
<p>O Dark Market, atualmente, é apenas uma prova de conceito e não está em desenvolvimento ativo, já que o time UnSystem quer focar seus esforços na Dark Wallet. O Dark Market seria, simplesmente, uma plataforma de mercado com o mesmo foco na privacidade e na anonimidade que a Dark Wallet. Seria uma contraeconomia P2P difícil de se enfrentar – nas palavras de Cody Wilson, onde &#8220;ninguém teria que ser <a href="http://www.forbes.com/sites/andygreenberg/2013/08/14/meet-the-dread-pirate-roberts-the-man-behind-booming-black-market-drug-website-silk-road/">Dread Pirate Robert</a>s&#8221;.</p>
<p>Inicialmente, pode parecer que a Dark Wallet e o conceito do Dark Market sejam mais adequados à venda de contrabando, mas não há motivos por que, enquanto plataforma, ele não possa se tornar um grande bazar – uma nova Amazon ou eBay, livre das restrições centralizadas, com o uso de criptografia e redes peer to peer para facilitar as transações e resolver disputas.</p>
<p>Um mercado cinzento e negro paralelo que seduz o mercado branco.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-27237" alt="" src="http://c4ss.org/wp-content/uploads/2014/05/cincomercados.jpg" width="540" height="375" /></p>
<p>Atualmente, há uma guerra entre aqueles que veem as criptomoedas como fundamentos sólidos para uma contraeconomia, aqueles que desejam <a href="http://online.wsj.com/news/articles/SB10001424052702304439804579205740125297358">esterilizá-la e recolocá-la</a> dentro do mercado formal do estado e aqueles que simplesmente desejam <a href="http://www.economist.com/news/finance-and-economics/21600736-chinese-regulators-make-life-hard-crypto-currencies-dream-dispelled">destruí-la</a>. Isso é imprescindível para algumas pessoas porque somente o mercado branco pode ser efetivamente controlado pelo estado, só no mercado branco é possível extrair impostos sobre a movimentação de bens e serviços e é só nele que é possível impor regulamentações. A Dark Wallet é uma defesa contra tudo isso, não importa se sejamos atores conscientes da contraeconomia ou não. Enquanto anarquistas, não é apenas ético, mas é também parte de nosso objetivo participar da contraeconomia e ajudar a expandi-la – executar trocas voluntárias sem alimentar o estado. A guerra entre esses mercados é antiga e a Dark Wallet é uma das novas armas para as próximas batalhas.</p>
<p><em>Traduzido do inglês para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=27232&amp;md5=422c7cb6167c0351166536f8a788cb71" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Como garantir a segurança do seu bitcoin</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Apr 2014 22:00:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[William Sheppard]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há pouco mais de uma semana, a organização anarquista de auxílio mútuo Fr33 Aid, que fornece serviços médicos e educacionais com o apoio de voluntários, teve seus bitcoins roubados de sua carteira virtual, localizada no Blockchain.info. Apoximadamente 23 bitcoins foram levadas, o equivalente a mais ou menos US$ 14.500. Um valor considerável. O roubo ocorreu apesar...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Há pouco mais de uma semana, a organização anarquista de auxílio mútuo <a href="http://www.fr33aid.com/about/">Fr33 Aid</a>, que fornece serviços médicos e educacionais com o apoio de voluntários, teve seus <a href="http://www.fr33aid.com/1511/fr33-aid-bitcoins-stolen/">bitcoins roubados</a> de sua carteira virtual, localizada no <a href="https://blockchain.info/">Blockchain.info</a>.</p>
<p>Apoximadamente 23 bitcoins foram levadas, o equivalente a mais ou menos US$ 14.500. Um valor considerável. O roubo ocorreu apesar das medidas de segurança tomadas pelo Fr33 Aid no site Blockchain.info, que incluíam o uso da autenticação em duas etapas. Esse tipo de acontecimento não é novo. Com frequência nós vemos relatos de furtos de bitcoin de carteiras virtuais. Já aconteceu no <a href="http://www.theverge.com/2014/2/7/5386222/a-string-of-thefts-hit-coinbase-bitcoins-most-reputable-wallet-service">coinbase</a>, já aconteceu ao MtGox, num roubo de US$ 500 milhões que terminou por derrubar esse mercado, e também já aconteceu na conta do Fr33 Aid no Blockchain.info.</p>
<p>O que essas ocorrências tinham em comum era o fato de que as carteiras estavam armazenadas em contas online. Armazenar bitcoins em carteiras virtuais num servidor é apenas uma das opções disponíveis aos usuários de criptomoedas. Mantendo a coerência com a minha ideia de que a <a href="http://c4ss.org/content/22005">segurança na internet é nossa responsabilidade</a>, vou argumentar aqui que armazenar sua carteira localmente é a melhor alternativa para aqueles que se preocupam com a segurança de seus bitcoins.</p>
<p>Embora não faltem histórias aterrorizantes sobre pessoas que perderam seus bitcoins em armazenagem local devido a malware ou perda de dados, esses fatores podem ser mitigados ou até eliminados com o emprego das melhores práticas de segurança. O problema com o armazenamento num servidor online é que nós temos que confiar que os gerentes empregam essas medidas. Em casos como o do MtGox, porém, em que práticas de segurança ruins eram seguidas, muitos descobriram tarde demais.</p>
<p>Provavelmente, a forma mais segura de proteger seus bitcoins do roubo online é armazená-los num dispositivo <em><a href="https://www.schneier.com/blog/archives/2013/10/air_gaps.html">air gapped</a></em> – ou seja, sem conexão com a internet. Por exemplo, você pode colocar sua carteira num pen drive e guardá-lo num lugar seguro. Se estiver utilizando um sistema operacional Linux, você pode também dar um passo extra de criptografar o pen drive quando for formatá-lo. Embora seguro, esse método é mais efetivo se você estiver apenas armazenando seus bitcoins ou guardando a maior parte da sua criptomoeda enquanto utiliza uma segunda carteira para transações frequentes, porque apesar de você ainda poder receber transferências, você precisará encontrar fisicamente o pen drive e tirá-lo do <em>air gap</em> antes de utilizá-lo. Também existe o problema de que pen drives parecem bastante propensos a desaparecer.</p>
<p>Para resolver esses problemas, eu sou a favor de uma solução multi-fatores que utiliza algumas ferramentas simples para manter sua carteira protegida de roubos e perdas. Não é nada particularmente revolucionário; os princípios básicos estão descritos no site <a href="https://bitcoin.org/en/">bitcoin.org</a>. Aqui eu mostro um exemplo específico de como executar esses passos.</p>
<p>Este exemplo terá o Bitcoin Core (antes conhecido como Bitcoin-QT) como programa para a carteira. Embora ele não tenha muitas funcionalidades, ele é simples e seguro. Quando for baixar sua carteira, certifique-se de fazer o download de uma fonte confiável. Um site qualquer que armazene o Bitcoin Core pode conter malwares feitos para roubar suas moedas. A não ser que os servidores da Bitcoin Foundation tenham sido invadidos, é possível estar bastante seguro de que você está baixando o programa desejado de seu website. Se estiver utilizando uma versão mais antiga do software, como o próprio Bitcoin-QT, o mais indicado é mantê-lo atualizado e instalar a versão mais recente do Bitcoin Core.</p>
<p>Quando você utilizar o Bitcoin Core, o primeiro passo para garantir a segurança da sua carteira é usar a ferramenta de criptografia da carteira. Ela pode ser acessada clicando em <strong>Settings &gt; Encrypt Wallet</strong>.</p>
<p><img class="size-full wp-image-25712 aligncenter" alt="" src="http://c4ss.org/wp-content/uploads/2014/03/filebackup.png" width="434" height="280" /></p>
<p>Escolha uma senha forte que você não vá esquecer. Se esquecer essa senha, você terá perdido seus bitcoins. Esta fauncionalidade criptografa suas chaves privadas e evita que os bitcoins sejam enviados do seu endereço sem uma autorização com senha. Isso significa que se alguém tiver acesso físico à sua máquina ou a seu dispositivo air gapped, essa pessoa poderá ver o conteúdo da carteira, inclusive seu endereço, mas não conseguirá roubá-lo sem quebrar a criptografia – o que não é trivial.</p>
<p>Essa funcionalidade simples evita roubos, mas a perda de moedas é um risco ainda maior. Então nós devemos fazer um backup de nossa carteira. O armazenamento online é muito mais conveniente que o armazenamento físico e menos suscetível a perdas, mas essas soluções frequentemente não são seguras, então quando estiver fazer o backup de uma carteira, um nível extra de segurança não deve ser desconsiderado.</p>
<p>Para fazer o backup de sua carteira utilizando o Bitcoin Core, clique em <strong>File &gt; Backup Wallet</strong>.</p>
<p><img class="size-full wp-image-25713 aligncenter" alt="" src="http://c4ss.org/wp-content/uploads/2014/03/filebackup2.png" width="437" height="265" /></p>
<p>Escolha uma pasta e salve. Isso cria uma cópia do arquivo &#8220;wallet.dat&#8221;, que contém suas chaves privadas. Uma solução extremamente segura para backup é usar <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/PGP">PGP</a> para criptografar e mandar o arquivo por email para você mesmo. Isso tem várias vantagens, como o próprio fato de que essa ação esconde o envio do backup da sua carteira, fazendo com que ela seja menos visada por potenciais invasores. Você pode usar uma palavra-chave no assunto do email para torná-lo mais fácil de encontrar mais tarde, uma vez que isso fará com que a data e hora sejam automaticamente registrados. Isso é importante porque você precisará fazer um novo backup se fizer um novo endereço na sua carteira. Com múltiplas contas de email que utilizam PGP, você pode fazer com que as cópias sejam salvas automaticamente em cada uma.</p>
<p>Se você ainda não utiliza o PGP mas deseja usá-lo em seu email, você pode seguir <a href="http://c4ss.org/content/21728">este tutorial</a> (em inglês).</p>
<p>Se não desejar utilizar PGP, outra solução pode ser criptografar o arquivo &#8220;wallet.dat&#8221; com o WinRAR/RAR. Na maioria dos sistemas, para criptografar um arquivo utilizando RAR, tudo o que você precisa fazer é clicar nele com o botão direito e escolher &#8220;Add to archive&#8221; (ou &#8220;Adicionar ao arquivo&#8221;, na versão em português). A partir daí, selecione a aba <strong>Advanced</strong> (&#8220;Avançado&#8221;) e <strong>Set password</strong> (&#8220;Configurar senha&#8221;).</p>
<p><img class="size-full wp-image-25820 aligncenter" alt="" src="http://c4ss.org/wp-content/uploads/2014/03/archivebackup.png" width="544" height="879" /></p>
<p>Como sempre, uma senha forte é essencial. Marque a opção de esconder as extensões de arquivos, para aumentar a segurança ocultando de invasores a existência do backup da carteira. A partir daí, você pode usar esse arquivo criptografado e comprimido e colocá-lo em qualquer local de armazenamento online, como o <a href="https://www.dropbox.com">Dropbox</a>, ou enviá-lo para seu próprio email.</p>
<p>Tecnologicamente, não há nada que impeça que as criptomoedas mudem o mundo, contornando a necessidade de utilizar sistemas bancários convencionais e ignorando as regulamentações estatais ao comércio. Nós precisamos apenas que algumas pessoas tenham a capacidade para implementar essas moedas e que as outras tenham a confiança de adotá-las.</p>
<p>Seguir os passos acima é só uma das maneiras de ter acesso de forma conveniente à sua carteira e, ao mesmo tempo, mantê-la a salvo de roubos e perdas. O futuro das criptomoedas depende da confiança no sistema e, ao longo do tempo, soluções melhores para a segurança das carteiras deverão ser desenvolvidas. Proteger nossos bitcoins de perdas e roubos não apenas nos beneficia pessoalmente, mas também cria um ambiente de maior confiança no sistema e garante um futuro de mais sucesso para essas tecnologias.</p>
<p>Traduzido do inglês para o português por <a title="Posts by Erick Vasconcelos" href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos" rel="author">Erick Vasconcelos</a>.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=26042&amp;md5=f8b6875039d3585e8236b496c7606f15" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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