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	<title>Center for a Stateless Society &#187; revolução</title>
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	<description>building public awareness of left-wing market anarchism</description>
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		<title>Lawrence &amp; Wishart: A pedra que os construtores rejeitaram</title>
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		<pubDate>Fri, 09 May 2014 00:02:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Kevin Carson]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p><span style="line-height: 1.5em;">Parte considerável da esquerda esteve distraída nas últimas semanas pela disputa entre Lawrence &amp; Wishart (uma editora marxista que detém os direitos à coletânea de trabalhos de Marx e Engels em inglês) e o </span><a style="line-height: 1.5em;" href="http://www.marxists.org/">Arquivo Marxista na Internet</a><span style="line-height: 1.5em;"> a respeito da versão digital dos trabalhos que o Arquivo mantém em seu site. Ao analisarmos a confusão, uma das coisas que prevalece é a vulgaridade do marxismo da Lawrence &amp; Wishart.</span></p>
<p>As visões sobre a práxis revolucionária da Lawrence &amp; Wishart, evidenciadas pelo pronunciamento oficial em seu site e pelas declarações públicas de sua editora-chefe Sally Davison, são praticamente uma paródia dos aspectos mais autoritários e burocráticos da cultura da velha esquerda. Para eles, as correntes mais inovadoras e interessantes dentro do marxismo e na esquerda em geral que surgiram nas últimas décadas parecem nunca ter existido.</p>
<p>A velha esquerda de meados do século 20 conceituava a revolução num ambiente estrutural de produção de massa, com a captura do controle político e do sistema econômico, representados pelo estado e pelas grandes corporações.</p>
<p>Os melhores ramos do pensamento marxista — como, por exemplo, o autonomismo —, por outro lado, sempre enfatizam a ideia da política prefigurativa e do &#8220;êxodo&#8221;. Isto é, veem a transição para a sociedade pós-capitalista não como um evento súbito e de larga escala, em que todas as instituições poderosas são tomadas e colocadas sob novo comando. Eles veem esse processo como uma transição prolongada de um momento histórico para outro, como a do feudalismo para o capitalismo, em que a nova sociedade surge a partir das sementes do velho sistema. Marxistas como Michael Hardt e Antonio Negri, ou mesmo o grupo alemão Oekonux, veem as formas de organização em rede, como a produção local orientada aos comuns, como as fontes da nova sociedade que surgirá a partir da atual. Este grupo vê os esforços dos movimentos pelo software livre e de código aberto, e os grupos p2p que os desenvolvem, como prefigurações de um futuro pós-escassez, uma sociedade de abundância.</p>
<p>Essa é uma abordagem que coincide, de várias maneiras, com a da esquerda de livre mercado. Como os comunistas libertários, nós buscamos uma sociedade em que as novas tecnologias de abundância e liberação tornem os direitos de propriedade artificiais e toda a escassez artificial gerada pelo estado — e os lucros capitalistas que se originam daí — inviáveis. Buscamos uma sociedade de radical diminuição das unidades produtivas, de distribuição local e barateamento dos meios de produção (com ferramentas e máquinas baratas e abertas para micro-manufaturas, permacultura, produção de informações caseiras, etc.), levando a produção para fora do controle de grandes instituições burocráticas como as corporações e integrando-a à economia das casas, dos bairros e das comunidades locais. Isso significa que uma parte grande e crescente da produção para atender nossas necessidades diárias serão tiradas do sistema de trabalho assalariado e até mesmo do próprio escopo do uso do dinheiro, entrando na economia do compartilhamento. Como os comunistas libertários, nós, da esquerda de livre mercado, vemos muitas áreas da vida como idealmente gerenciadas pelos comuns e não pelos estados ou corporações. Em quase todas as áreas da vida, redes horizontais de iguais devem substituir as velhas burocracias hierárquicas.</p>
<p>Ao mesmo tempo, as formas mais interessantes e verdadeiramente progressistas do marxismo enfatizam a ideia do êxodo. O êxodo é um dos pontos focais da análise de Hardt e Negri em <i>Commonwealth</i>. Em vez de tomar a Bastilha ou o Palácio de Inverno, as classes trabalhadoras devem tratar o sistema atual de poder, o tanto quanto possível, como irrelevante. Fugir dele. Contorná-lo. Separar-se da economia estatal-corporativa e construir nossa própria contra-economia. Deslocar a produção e o consumo para a esfera social o tanto quanto possível, produzindo cooperativamente e compartilhando ou trocando uns com os outros, aproveitando as novas formas de comunicação e tecnologias produtivas que tornam as velhas instituições irrelevantes e nos liberam de nossa dependência. Essa é outra área que a esquerda de livre mercado tem em comum com os comunistas libertários.</p>
<p>Se juntarmos os dois princípios, teremos um modelo da revolução baseada em milhões de sementes da sociedade futura dentro do sistema atual, que crescem e se desenvolvem, construindo o novo sistema dentro da casca do antigo. Enquanto isso, nós retiramos a fonte de alimento da velha sociedade, deslocando cada vez mais trabalho, dinheiro e recursos para a nova que pretendemos fomentar. Eventualmente, as sementes vão formar um novo sistema que suplantará o antigo, que só vai sobreviver apenas como ilhas cada vez menores de autoridade e exploração dentro de uma sociedade fundamentalmente diferente, baseada na liberdade e na abundância.</p>
<p>A combinação das políticas prefigurativas e o êxodo são, de várias maneiras, similares à &#8220;guerra de posição&#8221; de Gramsci, na qual os movimentos de trabalhadores chegam à vitória não pelo ataque direto aos muros do velho sistema (uma &#8220;guerra de manobra&#8221;, em sua terminologia), mas dentro do âmbito maior da cultura e da própria economia. Apenas após mudar a correlação de forças na sociedade, poderemos lançar o ataque final no comando institucional do velho sistema. Mas nossa abordagem difere da de Gramsci em um aspecto importante: nós não precisamos nem lançar esse ataque final.</p>
<p>Os marxistas tradicionais do meio do século 20 consideravam a produção intensiva em larga escala como inerentemente mais eficiente. De fato, o próprio progresso era definido pela acumulação de capital, para eles. Assim, seguia-se que uma sociedade mais eficiente e produtiva continuaria a ser aquela em que as funções seriam desempenhadas por grandes instituições hierárquicas. A única diferença é que seriam colocadas sob o controle da classe trabalhadora.</p>
<p>Nós, por outro lado, consideramos as tecnologias de produção em pequena escala, distribuídas e a baixos custos como o caminho do futuro. Acreditamos que as redes horizontais e pequenas cooperativas podem fazer tudo que os velhos dinossauros costumavam fazer, mas melhor. Não queremos tomar essas instituições. Elas não possuem nada de que precisamos.</p>
<p>Então, para nós, a revolução acontece aqui e agora, começando com as muitas formas pelas quais as pessoas já estão criando a sociedade, o trabalho, as vidas e as instituições em que queremos viver. Os fins que desejamos alcançar estão incorporados nos meios que usamos.</p>
<p>Lawrence &amp; Wishart não está alinhada a esse modelo de transição revolucionária. Em sua nota oficial (&#8220;<a href="http://www.lwbooks.co.uk/collected_works_statement.html">Lawrence &amp; Wishart statement on the Collected Works of Marx and Engels</a>&#8220;, 25 de abril), a editora qualifica todo o movimento pelo software livre e aberto e a ideia da informação livre da seguinte maneira:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;[Uma] cultura de consumo que espera que todo o conteúdo seja distribuído gratuitamente para os consumidores, deixando os produtores culturais, como editores e escritores, sem pagamento, enquanto as grandes editoras e outros conglomerados e agregadores de mídia continuam a enriquecer através da propaganda e da renda advinda da mineração de dados, com seu peso institucional muito maior comparado ao das pequenas editoras.&#8221;</p>
<p>Os movimentos pelo código aberto e pela cultura livre estão em guerra com o monopólio — a &#8220;propriedade intelectual&#8221; — mais estruturalmente importante para o capitalismo corporativo que conhecemos. E, no entanto, Lawrence &amp; Wishart o iguala — usando termos que poderiam ter sido utilizados por social-democratas gerencialistas como Andrew Keen ou Thomas Frank — ao capitalismo pontocom dos anos 1990.</p>
<p>Sua editora-chefe, Sally Davison, descartou a própria ideia da política prefigurativa (Noam Cohen, &#8220;<a href="http://www.nytimes.com/2014/05/01/arts/claiming-a-copyright-on-marx-how-uncomradely.html?hpw&amp;rref=books&amp;_r=1">Claiming a Copyright on Marx? How Uncomradely</a>&#8220;, The New York Times, 30 de abril), chegando muito perto de citar Lênin, que considerava o esquerdismo como &#8220;doença infantil&#8221; do comunismo:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Nós não vivemos em um mundo de compartilhamento total. Como afirmava Marx, embora eu possa estar parafraseando, &#8216;nós construímos nossa própria história, mas não nas condições que escolhemos&#8217;.&#8221;</p>
<p>Em outras palavras, esqueçam todo esse papo sobre construir a nova sociedade aqui e agora. Podemos nos preocupar com isso depois da revolução. A sociedade pós-capitalista será construída oficialmente pelas autoridades competentes após a vitória da revolução (sob a liderança dessas mesmas autoridades competentes).</p>
<p>Longe de construir uma nova sociedade pós-capitalista nos interstícios do antigo sistema, Davison e seus colegas defendem a aceitação da dominação de nossas vidas pelo sistema exploratório atual até que ele oficialmente acaba. Em vez de construir alternativas aos monopólios institucionais e à exploração capitalista, Davison quer que os aceitemos como inevitáveis — que os abracemos — enquanto o sistema presente existe.</p>
<p>Lawrence &amp; Wishart, ao buscar um modelo de negócios baseado no monopólio capitalista e ao tratá-lo como justo e correto, me remontam à afirmativa de Hardt e Negri em <i>Commonwealth</i> que dizia que os social-democratas pretendem apenas &#8220;reintegrar a classe trabalhadora dentro do capital&#8221;.</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Seria, por um lado, a recriação dos mecanismos pelos quais o capital pode usar, gerenciar e organizar as forças produtivas e, por outra, a ressurreição das estruturas assistencialistas e dos mecanismos sociais necessários ao capital para garantir a reprodução social da classe trabalhadora.&#8221;</p>
<p>Lawrence &amp; Wishart, apesar de afirmarem ser revolucionários socialistas e inimigos do capitalismo, não só rejeitam as sementes da sociedade pós-capitalista dentro do sistema atual, mas aceitam com entusiasmo e procuram fortalecer os monopólios de que o sistema atual depende.</p>
<p><em>Traduzido do inglês para o português por <a href="c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=27069&amp;md5=23dd236b9f3cec9f4787b64e0825669f" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Um mercado de sabotagens</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Mar 2014 23:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Ryan Calhoun]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>No século 19 e no final do século 20, o anarquismo chegava, de várias formas, à cultura e ao pensamento popular. Isso não acontecia por causa de teorias, mas por conta de expressões imediatas da autonomia individual. Tal processo revolucionário era conhecido como <em>ação direta</em>. A ação direta enfatiza o direito ou o dever de cada indivíduo de defender sua liberdade através de ações, sabotando abertamente os sistemas de opressão e destruindo essas estruturas tirânicas para que todos possam ver.</p>
<p>Infelizmente, essa ideia acabou enfraquecida ou abandonada por alguns motivos. Uma delas foi o disciplinamento dos trabalhadores, com a conexão de seus interesses aos do estado e aos das grandes empresas. O outro motivo foram os retornos decrescentes. Os anarquistas e trabalhadores revoltosos regularmente eram feridos pela polícia ou trancados na prisão por anos. Insistir em ser livre é ótimo, mas não quando o preço é a diminuição da sua capacidade de agir. A liberação individual é difícil, infelizmente. Se todos nós nos deparamos com uma luta aparentemente sem fim, por que nos preocupar?</p>
<p>Estamos aqui para propor uma solução para essa falta de incentivos. No verão de 2013, um mercado foi aberto na darknet dedicado ao financiamento do assassinato de figuras públicas. Em particular, pessoas ligadas à política. Alguns meses atrás, essa ideia causou certa controvérsia quando um artigo da revista Forbes o mencionava. E, embora o site seja novo e revolucionário, a ideia já é um pouco antiga. O objetivo? Incentivar os líderes políticos de forma mais efetiva a obedecer o que o público deseja e diminuir a culpabilidade de quaisquer indivíduos se um assassinato ocorrer. O uso de criptomoedas para esconder a identidade dos financiadores foi possibilitado pela popularização do Bitcoin e mais ainda pela Dark Wallet, criada por Cody Wilson. A ideia original é de Jim Bell, um dos fundadores do criptoanarquismo e autor de <a href="http://c4ss.org/content/1157"><em>Assassination Politics</em></a>. Ele foi subsequentemente perseguido pelo governo federal dos Estados Unidos e vive entre a prisão e a liberdade há mais de uma década.</p>
<p>O que esse mercado e essa ideia de política de assassinatos tem a ver com a ação direta? Tem a ver com o incentivo de atos individuais de sabotagem, vandalismo ou expropriação. Ao contrário do cenário anterior, os indivíduos têm um incentivo adicional além de alcançar a revolução: podem obter uma recompensa por seu ato de ativismo revolucionário. Isso aumenta a probabilidade de que, se alguém organizasse uma greve no trabalho, os colegas tivessem interesse em contrariar os desejos da empresa. Fura-greves frequentemente são motivados pela possibilidade de ganhar mais dinheiro e não pensam em apoiar o chefe. Podemos, então, dizer a ele: &#8220;Junte-se a nós e você poderá ganhar uma quantidade interessante de Bitcoins&#8221;.</p>
<p>Claro, as sabotagens não precisam ser feitas apenas &#8220;no trabalho&#8221;. Podemos também incentivar atos de sabotagem e desobediência contra a política. &#8220;5 BTCs para o homem ou a mulher que furar todos os pneus de carros da polícia que estejam na avenida principal na quarta-feira!&#8221; Essa é uma motivação nova e talvez necessária para a execução de atos que talvez não sejam imediatamente recompensadores. Por que não se demitir do seu emprego principal e trancar por fora a porta do delegado do município? Poderíamos até apostar que os próprios policiais aceitariam dinheiro para fazer isso, se o valor fosse bom. Ficaríamos felizes em fornecer o dinheiro, policial.</p>
<p>Essas ideias, embora implícitas na atitude criptoanarquista, não são novas dentro do anarquismo. Durante o apogeu do movimento abolicionista nos Estados Unidos, Lysander Spooner estimulava atos individuais de sabotagem e violência contra os senhores de escravos não apenas cometidos por escravos e por aqueles comprometidos com a causa da abolição, mas também por aqueles que trabalhavam como &#8220;homens livres&#8221; para os vigias de escravos. Spooner via que esses homens pouco se importavam com suas tarefas e estavam mais interessados em incentivos financeiros. &#8220;Que seja&#8221;, diz Spooner. Nós queremos que esses desgraçados frios e calculistas trabalhem para nós.</p>
<p>Em <a href="http://praxeology.net/LS-PAS.htm"><em>A Plan for the Abolition of Slavery</em></a>, Spooner afirma:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Vocês estão prontos para realizar todo aquele trabalho vil e desumano, que deve ser executado por alguém, mas que os senhores de escravos mais decentes não desejam realizar. No entanto, já ouvimos ao menos uma boa opinião a respeito de vocês. Isto é, a de que não possuem quaisquer preconceitos de cor e de que não são tão contrários à liberdade a ponto de dispensarem dinheiro em troca do auxílio para que um escravo chegue ao Canadá, da mesma maneira que não hesitariam em capturar fugitivos e devolvê-los aos senhores. Se vocês são, assim, tão indiferentes a quem servem, nós os aconselhamos a, a partir de agora, servir ao escravo, e não ao senhor. Deem meia-volta e ajudem o roubado a roubar os ladrões. Aqueles podem pagar melhor que estes. Ajudem-nos a reaver suas posses legítimas e seus pagamentos serão satisfatórios. Ajudem-nos a açoitar os senhores de escravos e eles poderão pagar dez vezes mais do que vocês jamais receberam pelo açoite de um escravo. Ajudem-nos a sequestrar escravos e eles poderão pagar mais do que você receberá ao capturar um fugitivo. Seja honesto com os escravos e acreditamos que eles pagarão bem por tais serviços. Sejam desonestos e esperamos que eles os matem.&#8221;</p>
<p>Isso, sim, é liberação por diversão e lucro. Não requer que um slogan moralista seja empunhado por todos aqueles que sejam contrários à escravidão, o trabalho assalariado ou outras instituições que se originam no estado. O momento de recitar lugares-comuns vazios sobre a decência da liberdade humana já passou. O mundo daqueles que servem a senhores de escravos e daqueles que não se interessam pela liberdade está ruindo. O cinto de utilidades do revolucionário se expande cada vez mais. Não é mais necessário apodrecer numa cela de prisão para reclamar o direito a uma vida que é legitimamente nossa. Junte-se a esta rebelião criptográfica.</p>
<p>Essas comunidades online funcionariam como o que Spooner chamou de &#8220;comitês de vigilância&#8221;, em que as injustiças que não são punidas pelos meios políticos são julgadas diretamente por forças descentralizadas. Spooner também reconhecia os perigos dessas ações e, como afirmamos acima, tais planos não eram aplicáveis sem grandes riscos individuais. Isso não mais ocorre necessariamente. É hora de implementarmos essa ideia do século 19 no século 21.</p>
<p>Evidentemente, há alguns problemas com a aplicação dessa ideia, <a href="http://c4ss.org/content/22655">como um editorial anterior do C4SS mostrou</a>. Porém, esses mercados não se restringem a atividades revolucionárias. As pessoas podem utilizá-los para o que desejarem. Alguns temem que estruturas assim poderiam motivar atos de agressão e violência injustificáveis, contra pessoas que não merecem tratamentos hostis. Porém, como quase sempre é o caso, a caixa de Pandora está aberta. Nada impede que seu vizinho abra um mercado de linchamentos de uma classe desfavorecida. Também não há nada que impeça que essa mesma pessoa atire ou promova linchamentos individualmente. Assim, precisamos ter em mente que, no caso de ideias potencialmente perigosas como estas, há uma maior necessidade de educar e incentivar o tipo certo de cultura.</p>
<p>Com novos mecanismos de defesa, sempre surgem novos mecanismos de opressão. Armas eram uma ótima ideia até que decidimos dar à instituição com o monopólio da violência a maior parte delas. Portanto, devemos desestimular atos verdadeiramente opressivos nesses mercados. Devemos fomentar uma sociedade de pessoas que rejeitem as autoridades econômicas e políticas e que estejam dispostas a sair de seus empregos e a ganhar dinheiro combatendo o sistema de opressão, um ato de cada vez. A hora de agir é agora. Nunca houve um momento mais oportuno. A comunidade libertária está na vanguarda desta tecnologia, empurrando-a à frente, facilitando a possibilidade de quebrar as leis injustas muito mais fácil a todo o momento, tornando mais simples se envolver em atividades consideradas ilegais e indesejáveis. Esta é nossa oportunidade.</p>
<p>Traduzido do inglês para o português por <a title="Posts by Erick Vasconcelos" href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos" rel="author">Erick Vasconcelos</a>.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=25146&amp;md5=94195d37ac8fcc7f4b6d4605f57c135b" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Ser revolucionário, ser governista</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Feb 2014 23:00:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Erick Vasconcelos]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Com os 50 anos da instalação do regime militar no Brasil, o <a href="http://www.estadao.com.br/">Estadão</a> recentemnte publicou alguns artigos que falavam sobre as circunstâncias políticas da época. Um deles, escrito por um general do exército brasileiro (&#8220;<a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional%2ca-arvore-boa%2c1131960%2c0.htm">A árvore boa</a>&#8220;, de Rômulo Bini Pereira), repercutiu por sua análise positiva e rósea dos anos de chumbo. Particularmente, chamou a atenção seu uso reiterado da frase &#8220;Revolução Democrática&#8221; para se referir ao golpe que ocorreu em 1964.</p>
<p>Não surpreende &#8211; os defensores da ditadura militar sempre fizeram questão de utilizar a expressão &#8220;revolução&#8221; por suas conotações positivas e eles não estão sozinhos. De fato, os livros de história usados na época da ditadura todos faziam questão de falar na Revolução Democrática e há um longo histórico de combate dessa cooptação linguística pelos opositores do regime.</p>
<p>Analogamente, a Venezuela atualmente ferve com protestos dos opositores do governo chavista de Nicolás Maduro, <a href="http://www.bloomberg.com/news/2014-02-21/maduro-kicks-cnn-out-of-venezuela-in-clampdown-ahead-of-protests.html">que os acusa de <span style="text-decoration: underline;">&#8220;demonizar</span> a revolução&#8221;</a>. O meme chegou ao resto da América Latina e é possível facilmente encontrar denúncias aos reacionários anti-Maduro e cartas de amor à &#8220;revolução bolivariana&#8221;. O tema é antigo nos governos socialistas que chegaram ao poder em várias partes do mundo. Cuba há mais de 50 anos celebra sua &#8220;revolução&#8221;, que aparentemente nunca termina. A da Venezuela acontece desde 1998 e, mesmo chegando em seu 16º ano, continua subversiva e anti-establishment.</p>
<p>É sintomático que defensores de regimes claramente opressores e exploratórios queiram vestir seus ídolos em roupas revolucionárias. A ordem estabelecida, afinal, é associada a todas os problemas sociais que já existem e revoluções só podem significar a subversão e a potencial solução desses problemas. Daí até mesmo óbvios conservadores como Rômulo Bini Pereira rotulam seu regime preferido como revolucionário.</p>
<p>Para a esquerda estatista, porém, trata-se de um mito fundador. A esquerda originalmente era o partido da mudança, da transformação, contra as amarras do antigo regime. Os estatistas que compõem os grupos corporativistas e social-democratas atualmente mantêm sua estética de rebelião, mas a encaixam num molde pró-governo e chapa branca.</p>
<p>No Brasil, mesmo com o PT no governo há quase 12 anos, a esquerda que o apoia consegue nos empurrar a narrativa de que seu domínio foi uma história de perseguição e rebelião. Há pouco tempo, os <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional%2ccondenados-do-mensalao-se-entregam-a-policia-federal%2c1097124%2c0.htm">condenados por corrupção do Mensalão conseguiram a proeza de distorcer a narrativa</a> a ponto de serem considerados presos políticos por sua base de aliados.</p>
<p>Na Venezuela, mesmo com o regime se aproximando das duas décadas, os chavistas e seus comparsas continuam a se fazerem de vítimas de um complô anti-revolucionário. E a esquerda pró-estado latino-americana faz questão de minimizar a violência contra a população venezuelana e de se agarrar à versão de que tudo não passa de um movimento orquestrado por golpistas da elite contrários às pretensas conquistas sociais do regime.</p>
<p>Mas essa é uma posição esquizofrênica da esquerda. Regimes de décadas de idade claramente não são revolucionários e, particularmente, o regime venezuelano (e o mesmo vale para outros regimes &#8220;de esquerda&#8221; da América Latina) não passa do mesmo domínio oligárquico com novos slogans.</p>
<p>Ou a esquerda mantém sua imagem punk rock ou abraça de fato sua vontade de idolatrar o estado. Ou seja: ou os esquerdistas se transformam libertários e questionam de fato todas as estruturas de poder ou simplesmente saem do armário e se assumem pelegos por vocação.</p>
<p>Não é possível ter as duas coisas. Os manifestantes venezuelanos certamente agradeceriam se os revolucionários estatistas parassem de justificar <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,mais-de-500-foram-presos-nos-protestos-da-venezuela-denuncia-ong,1133720,0.htm">as bombas de gás lacrimogêneo e as balas de borracha que os atingem</a>.</p>
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