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	<title>Center for a Stateless Society &#187; progressismo</title>
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		<title>Aécio Neves e a ideologia tecnocrata</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Sep 2014 00:00:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Erick Vasconcelos]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Eleitores de políticos como o candidato à presidência Aécio Neves, assim como muitos apoiadores do PSDB de forma geral, se surpreendem pela falta de impacto de ideias atreladas à &#8220;<a href="http://aecioneves.com.br/noticia-o-que-o-brasil-quer-e-o-estado-eficiente-afirma-aecio-neves.html">eficiência</a>&#8221; do setor público, que buscam um &#8220;<a href="http://www.maisaecio.com.br/tag/choque-de-gestao/">choque de gestão</a>&#8221; e a &#8220;<a href="http://queremosaecioneves.com/2011/12/28/aecio-neves-defende-a-eficiencia-e-profissionalizacao-do-estado/">profissionalização</a>&#8221; do governo. É um pensamento moderadamente disseminado, que também era encabeçado no governo de Pernambuco (mais como manobra de campanha do que como política efetiva, vale ressaltar) por Eduardo Campos, morto no último dia 12 de agosto. No fundo, a crença é de que existe — ou ao menos deve existir — uma separação vital entre administração pública e política; entre ideologia e eficiência. Contudo, a ideia de profissionalizar a política, de colocar &#8220;técnicos&#8221; nos cargos públicos, de &#8220;gerir&#8221; a coisa pública como se fosse uma firma convencional é, em si, profundamente ideológica.</p>
<p>E não é das ideologias mais novas: Thorstein Veblen já acenava com sua tecnocracia de engenheiros nos anos 1920. Veblen, em seu conhecido <em>The Engineers and the Price System</em> (&#8220;Os engenheiros e o sistema de preços&#8221;, em português) colocava os engenheiros (&#8220;técnicos&#8221;) como a classe capaz de promover os princípios da &#8220;gerência científica&#8221; para a produção — em contraposição a um sistema de mercado, com sinalização livre de preços. Veblen não tinha quaisquer problemas com o modo organizacional corporativo e pretendia universalizar a corporação como instituição base da sociedade, eliminando qualquer limitação técnica à operação do que ele chamava de &#8220;valores industriais&#8221;, que estavam ligados à eficiência produtiva (que, necessariamente, estavam em contraposição aos incentivos de mercado, para ele).</p>
<p>As ideias veblenianas de promoção da indústria e da técnica eram especificamente defendidas por ele porque seriam o ponto de partida de uma sociedade de produção massificada. Essa sociedade e seus valores dariam origem, através dos trabalhadores industriais, a uma nova democracia, com um novo estilo de gerência voltado para a eficiência, para a técnica e para a gestão. Ou seja, uma máquina perfeitamente adaptada ao controle e à regulação da sociedade.</p>
<p>Esse ideal social um tanto distópico conseguiu angariar adeptos e se modificar levemente ao longo do século 20 nos trabalhos de progressistas managerialistas, como Joseph Schumpeter e John Kenneth Galbraith. Hoje em dia, encontra eco em políticos que pensam estar gritando com a voz da inovação ao afirmar que os especialistas devem ocupar os cargos estatais. É uma ideologia conveniente também para burocratas porque ela não pergunta se posições devem existir, mas quem deve preenchê-las. Não é se devemos ser governados, mas quem deve nos governar. Quem nós poderíamos querer para ocupar o Trono de Ferro além de um &#8220;especialista&#8221;? Alguém que se levasse não pelos valores político-ideológicos, mas pelos &#8220;valores industriais&#8221; de que falava Veblen. Alguém para aplicar óleo nessa grande e bela engrenagem que é a sociedade.</p>
<p>Tudo isso é um completo absurdo, é claro, porque quando falamos de política, falamos de ideologia — falamos de priorização, de colocar um fim coletivo como preferível em relação a outro. Porém, não há objetivos sociais no âmbito macro, a não ser como soma das partes individuais ou como metáfora. Por isso também não há a possibilidade de colocar a gestão pública a cargo de especialistas, porque a própria definição do que é a &#8220;gestão pública&#8221; é uma questão ideológica passível de negociação política e resistência.</p>
<p>Não é possível tirar a ideologia do que compõe o governo porque o governo é uma ideologia: é a ideologia do poder, do controle e a da supressão da dissidência. É a ideologia da conformidade, do macrossocial, da ideia de sociedade como construção completamente abstrata e não como redutível a suas partes individuais.</p>
<p>Governar, longe de ser a ausência de planos e ideologias, é a costura de planos ideológicos majoritários dentro de uma hierarquia. Não à toa, os movimentos anarquistas historicamente tendem ao horizontalismo e ao consensualismo para evitar a formação de maiorias e ao enrijecimento de estruturas de poder burocráticas. São justamente essas ideias horizontais que pretendem mitigar os efeitos de ideologias particulares aplicadas sobre o coletivo. Em contraste, a tecnocracia não passa de um despotismo esclarecido, com sua tentativa de racionalizar processos. É claro que é positivo que os processos socialmente desejáveis sejam eficientes e gastem menos recursos; mas primeiro nós precisamos saber quais são esses processos desejáveis.</p>
<p>Não deixa de ser um tanto irônico que sejam políticos carreiristas os maiores (e talvez mais cínicos) defensores do credo tecnocrata. O próprio Aécio Neves, apesar de suas juras de amor à eficiência pública, se tem qualquer especialidade é em se posicionar dentro do aparato estatal: já foi diretor da Caixa Econômica Federal, secretário da presidência, deputado, governador, senador.</p>
<p>Pode ser que Aécio Neves atualmente seja só um fantoche da narrativa que construiu para si mesmo, que ele reproduz como refém de sua retórica. Porque Aécio nunca foi técnico; os técnicos são apenas o braço de execução dos seus planos políticos.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=31306&amp;md5=3f5674833268a52d81d29554b9ab0248" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Progressismo, o outro movimento pró-corporações</title>
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		<pubDate>Sat, 03 May 2014 22:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Kevin Carson]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>O Partido Democrata dos Estados Unidos normalmente se pinta como o &#8220;partido da compaixão&#8221; com sua retórica que fala dos &#8220;trabalhadores americanos&#8221; e de &#8220;sentar na mesa do jantar com a família&#8221;, que contrasta com o discurso dos fantoches de Wall Street que povoam o Partido Republicano. Os republicanos, por sua vez, se colocam como o partido do &#8220;livre empreendedorismo&#8221; — ao contrário dos socialistas anti-empresários do outro time. Mas o Partido Republicano não é a favor da &#8220;livre empresa&#8221;, mas favorecem mercados manipulados pelo governo para garantir os lucros dos grandes bancos e das corporações da lista da Fortune 500. Os democratas também não são representantes dos &#8220;trabalhadores comuns&#8221;. São — adivinhe só — favoráveis à manipulação dos mercados para garantir os lucros dos grandes bancos e das corporações da Fortune 500.</p>
<p>Numa pesquisa recente, os grandes doadores de Wall Street para partidos políticos, que normalmente apoiam o Partido Republicano, disseram que, no caso de uma disputa entre Jeb Bush e Hillary Clinton, &#8220;qualquer um serve&#8221;. Se Jeb decidir não concorrer e Chris Christie não se recuperar do escândalo &#8220;Bridgegate&#8221;, o mercado financeiro provavelmente apoiará Clinton para evitar a imprevisibilidade do Tea Party. O CEO do Goldman Sachs Lloyd Blankfein, que gerenciou as campanhas de doações de Clinton em 2008, aparentemente ficaria &#8220;muito feliz&#8221; tanto com Bush como com Clinton.</p>
<p>Francamente, é difícil ver por que Wall Street seria contrária a um dos democratas possíveis. Clinton, num discurso fechado aos executivos do Goldman Sachs no ano passado, disse a eles exatamente o que queriam ouvir. As administrações democratas tendem, tanto quanto as republicanas — pelo menos — a juntarem os trapinhos com o Goldman Sachs e com o Citigroup. Apesar de sua retórica, a ala &#8220;progressista&#8221; do partido é igualzinha. A senadora Elizabeth Warren, líder da &#8220;ala democrata do Partido Democrata&#8221;, recentemente expressou preocupação com o número de membros da administração Obama que faziam parte do Citigroup — logo antes de votar na confirmação do veterano do Goldman Sachs Stanley Fischer para o Banco Central americano. Veja como Warren é capaz de aprovar o controle de Wall Street sobre a política do governo como uma legítima democrata — mas se sente muito, muito culpada ao fazer isso.</p>
<p>As empresas adoram a estabilidade e a certeza da economia regulamentada pelo estado, junto com a garantia de que &#8220;continuarão a ser lucrativas&#8221;. Um item em específico que acelera os corações tanto de social-democratas quanto dos CEOs corporativos é o &#8220;investimento em infraestrutura&#8221;: o sistema nacional de rodovias e as gigantescas represas de que Rachel Maddow fala em seus comerciais de TV. Claro que as grandes empresas gostam de &#8220;financiar infraestrutura&#8221;. A infraestrutura altamente subsidiada de transportes de alto volume foi o que centralizou a economia americana no século 20 sob o controle de algumas dezenas de oligopólios e permitiu que os grandes varejistas destruíssem as empresas menores de Main Street.</p>
<p>Portanto, se estiver procurando um partido &#8220;anti-corporativista&#8221; na política americana, ele não existe.</p>
<p><em>Traduzido do inglês para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=26928&amp;md5=0470b153011ed029fb00829843b5fb56" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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