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	<title>Center for a Stateless Society &#187; privilégio</title>
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	<description>building public awareness of left-wing market anarchism</description>
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		<title>Como a Lei de Terras perpetuou a opressão dos negros</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Nov 2014 02:23:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Eduardo Lopes]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Oficialmente, a escravidão brasileira, a única remanescente nos países independentes do continente americano, foi abolida em 13 de maio de 1888. Claro, não seria uma lei assinada pela aristocracia que resolveria os problemas de quem tinha sua força de trabalho e dignidade roubadas; o ambiente vinha sendo moldado há cerca de 40 anos para que isso ocorresse da forma menos dolorosa possível &#8212; para os donos de escravos.</p>
<p>Por pressão inglesa, o Brasil já havia começado a dar alguns passos em direção ao fim da escravidão. A mais emblemática e ineficaz “lei para inglês ver”, a Lei Feijó, foi sancionada em 1832, dando nominalmente a liberdade a escravos desembarcados no país, mas somente em 1850 a Lei Eusébio de Queirós proibiu mais efetivamente o tráfico de escravos para o território nacional. O fim da escravidão no Brasil estava, ao menos, bem sinalizado, embora muitas medidas tomadas tenham servido para estender a vida do regime.</p>
<p>Em 1871, a chamada Lei do Ventre Livre foi aprovada, “libertando” os filhos de escravos &#8212; que ficariam sob os “cuidados” dos seus senhores ou do estado até os 21 anos, escravizados da mesma forma. Em 1885, a Lei dos Sexagenários “libertou” os escravos com mais de 65 anos &#8212; efetivamente dando uma licença de descarte dos escravos aos senhores. Finalmente, a “abolição” ocorreu com a Lei Áurea.</p>
<p>Era de se esperar que medidas assim servissem para a continuação dos privilégios brancos, mas nenhuma delas se compara à desumanidade que seria perpetuada até hoje pela Lei de Terras, menos famosa, de vinte anos antes.</p>
<p>Aprovada apenas duas semanas após a Lei Eusébio de Queirós, a lei nº 601 de 18 de setembro de 1850 estabelecia o fim da apropriação de terras: nenhuma terra poderia mais ser apropriada através do trabalho, mas apenas por compra do estado. As terras já ocupadas seriam medidas e submetidas a condições de utilização ou, novamente, estariam na mão do estado, que as venderia para quem definisse.</p>
<p>Além de impedir que os escravos obtivessem posse de terras através do trabalho, essa lei previa subsídios do governo à vinda de colonos do exterior para serem contratados no país, desvalorizando ainda mais o trabalho dos negros e negras.</p>
<p>Quando a abolição ocorreu, os negros foram abandonados à própria sorte, não concedendo nenhum tipo de reparação, indenização e terras &#8212; mesmo que nenhum valor fosse suficiente por vidas inteiras de trabalho forçado e desumano. Não podiam cultivar a terra e não tinham dinheiro para comprá-la diretamente do estado (que, de qualquer forma, possuía o poder de determinar quem seria o dono das terras e certamente os negros não estavam no topo da lista). O que restou para a população negra foi a fuga para as cidades para viver em cortiços, dependentes, vendendo sua mão de obra a salários de fome.</p>
<p>O cenário mundial da época já exigia o fim da escravidão, mas o Brasil colocou freios em todos avanços do abolicionismo, freios que moldaram o que seriam as possibilidades da população negra, perpetuando o privilégio branco.</p>
<p>Quando olhamos à nossa volta no Dia da Consciência Negra, percebemos que a cor da pele dos mais marginalizados e explorados da sociedade é diferente da elite. Isso não foi por acaso: foi o resultado pretendido de uma série de medidas para manter os negros em submissão.</p>
<p>Em sua autobiografia, o grande abolicionista e liberal Joaquim Nabuco sentenciava, em 1900: &#8220;A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil&#8221;. Exatamente.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=33668&amp;md5=655a45ab78de6ce704b4c596b9971317" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Sobre o valor da teoria do privilégio: Um sumário</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jul 2014 01:00:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Kevin Carson]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[O sentido do privilégio]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Stateless Embassies]]></category>
		<category><![CDATA[análise de privilégios]]></category>
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		<description><![CDATA[As trocas mútuas são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores. Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>As <a href="http://c4ss.org/content/category/mutual-exchange">trocas mútuas</a> são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores.</p>
<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, “<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>“. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria <a href="http://c4ss.org/content/category/o-sentido-do-privilegio">O sentido do privilégio</a>.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p>Ao ler o último artigo de Casey Given em nossa Mutual Exchange sobre o valor da teoria do privilégio, tenho ainda menos confiança que nunca de que ele entenda do que se trata a teoria que ele critica.</p>
<p>Ele continua, absurdamente, a tratar a interseccionalidade como alternativa à teoria do privilégio, quando ela, na verdade, pressupõe a teoria do privilégio e a utiliza como base. Ele continua a se referir à opressão como algo real, apesar do fato de que o privilégio é, por definição, a vantagem relativa de não ser oprimido em comparação àqueles que são. Nas palavras de Cathy Reisenwitz, o privilégio não é nada mais que o fato de que você &#8220;entrou na corrida alguns passos na frente&#8221; de outra pessoa. Você pode desgostar do termo &#8220;privilégio&#8221; para descrever esse fenômeno, mas o fato em si é real. E ocorre que o &#8220;privilégio&#8221; é o termo normalmente utilizado por ativistas sociais.</p>
<p>Eu repito, não importa se o aprendizado sobre o conceito de privilégio e a consideração sobre as formas de privilégio que as pessoas possuem as faz se sentir mal. Às vezes eu me sinto mal quando minha conta bancária cai para zero e eu não tenho ideia de quanto terei que esperar até que meu próximo contracheque chegue, mas as leis da matemática não dependem dos meus sentimentos. Given afirma que a &#8220;conscientização sobre os próprios privilegios não acaba com a pobreza ou a opressão sistemáticas&#8221;. A conscientização a respeito das leis da gravidade e da balística também é incapaz de levá-lo a Marte, mas ignorá-las e agir como se elas não existissem é garantia de que você nunca chegará lá.</p>
<p>Given também alega que a análise dos privilégios é notória por &#8220;coletivizar as pessoas&#8221; e a justapõe à interseccionalidade como maneira de &#8220;analisar as várias interseções de privilégio e opressão sobre os quais o indivíduo se encontra&#8221;. Mas, como o próprio Given sugere aqui, a própria palavra &#8220;interseccionalidade&#8221; implica que algo está em interseção. Esse algo — como ele admite — são os eixos de privilégio e opressão nos quais se encontram indivíduos específicos. Se a prática da interseccionalidade foi criada por aqueles que utilizam a teoria do privilégio como uma expansão natural daquela teoria e é vista — tanto por seus criadores quanto por Given — como a aplicação das formas interseccionais de privilégio a casos individuais, então é óbvio que a visão do privilégio como &#8220;coletivista&#8221; e em oposição à interseccionalidade reflete seu fracasso em entender o conceito.</p>
<p>A interseccionalidade é plenamente consistente com a teoria do privilégio porque a teoria do privilégio, quando bem compreendida, náo é uma identidade monolítica ou um valor absoluto. Uma boa comparação são os vários diferenciais positivos e negativos — exaustão, perturbação do moral, esgotamento do combustível ou munição, supressão por artilharias próximas, etc. — que podem ser atribuídos a uma unidade de combate em um dos antigos jogos de tabuleiros em grade como eram produzidos pela Avalon Hill e pela SPI. Aplicar um diferencial específico negativo não significa necessariamente que uma unidade de combate seja mais fraca que outra em termos absolutos, mas significa que ela é muito mais fraca do que seria naturalmente. Um negro de classe alta dentro da hierarquia gerencial corporativa pode ter mais privilégios em termos agregados que uma mulher que trabalha na sala de correspondências, mas sua raça reduz seu diferencial de status em relação ao que ele teria se, por exemplo, as circunstâncias fossem idênticas, a não ser pelo fato de a mulher das correspondências ser negra e o executivo ser um homem branco.</p>
<p>Nesse sentido, a interseccionalidade é um remédio. Mas é um remédio não para o conceito de privilégio, mas para a má compreensão e aplicação da teoria do privilégio que ocorreu a reboque da chamada &#8220;política identitária&#8221; dos anos 1970. Repetindo: a interseccionalidade é um remédio não para a teoria do privilégio, mas para a politica identitária. Given parece confundir uma com a outra. Havia, de fato, vários problemas com as análises associadas à política identitária dos anos 1970. Elas tratavam as identidades de raça ou gênero como formas absolutas e monolíticas de opressão que se sobressaiam a todo o resto. Nós vemos a sobrevivência de algumas formas desse tipo de pensamento hoje em dia entre feministas radicais com raízes ao feminismo da segunda onda. Algumas feministas brancas de classe média-alta dessa origem argumentam — a sério! — que não podem ser culpadas pela opressão de classe ou de raça, que não possuem privilégios de classe ou raça, que não têm nada a ver com a opressão de trabalhadoras do sexo ou mulheres trans, porque, enquanto mulheres, elas por definição não são capazes de oprimir. O conceito de interseccionalidade foi criado como remédio para esse entendimento errôneo do privilégio. Dessa forma, ele não é uma alternativa à teoria do privilégio, mas sua evolução.</p>
<p>Given expressa perfplexidade pelo fato de que Cathy Reisenwitz, Nathan Goodman e eu parecemos concordar com varias de suas premissas, porém não concordamos com a conclusão que ele tira de que a teoria do privilégio é perniciosa. A razão para esse fato é que suas conclusões não se seguem de suas observações, porque suas observações não se aplicam à teoria do privilégio da maneira que ele imagina.</p>
<p>Na verdade, eu estou igualmente perplexo, dadas algumas afirmações de Given em seu último artigo, que ele continue a discordar de nós. A &#8220;mensagem interessante&#8221; por trás da ideia de checar seus privilégios, afirma ele, é que os indivíduos devam ter consciência das (e presumivelmente agir de acordo) &#8220;opressões por que a pessoa passou em toda a sua vida&#8221; e das &#8220;vantagens e desvantagens sociais de que desfrutam em sua interação com os outros&#8221;. Sim, exatamente. Ter consciência sobre esses fatos e agir de acordo com eles é o que pretende a teoria do privilégio e a interseccionalidade.</p>
<p>Given afirma que são apenas uma &#8220;cortesia comum&#8221; e &#8220;boas maneiras&#8221;, mas quer saber? Embora os conceitos e as práticas do ativismo social sejam rejeitados pela direita cultural como se fossem novos, radicais ou exóticos (&#8220;politicamente correto&#8221;, &#8220;polícia do pensamento&#8221;, etc), na realidade não são nada senão princípios morais tão antigos quanto a humanidade, aplicados universal e consistentemente.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=29167&amp;md5=2618ea70352ebe064aa4929cc00c5ab7" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>A interseccionalidade na prática torna a teoria do privilégio obsoleta</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jul 2014 00:00:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Casey Given]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>As <a href="http://c4ss.org/content/category/mutual-exchange">trocas mútuas</a> são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores.</p>
<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, “<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>“. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria <a href="http://c4ss.org/content/category/o-sentido-do-privilegio">O sentido do privilégio</a>.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p><span style="line-height: 1.5em;">Ao escrever o primeiro artigo desta <em>Mutual Exchange</em>, eu pretendia avançar três pontos a respeito do privilégio. Primeiro, que é uma estrutura ineficiente para promover a tolerância social, uma vez que ela parece induzir culpa em pessoas supostamente privilegiadas, gerando rejeição. Segundo, que ignora a opressão para intimidar indivíduos a se sentirem culpados por terem &#8220;privilégios&#8221; que deveriam, em última análise, deveriam ser direitos de todos. Terceiro, que não é uma teoria que apresenta um mapa para mudanças sociais, uma vez que a conscientização sobre os próprios privilégios não acaba com a pobreza ou a opressão sistemáticas.</span></p>
<p>Para minha surpresa, os três artigos em resposta ao meu primeiro concordaram comigo em vários desses argumentos, embora ainda rejeitassem a conclusão de que a análise do privilégio é, portanto, inadequada. A respeito do primeiro ponto, Cathy Reisenwitz concorda que o privilégio &#8220;faz com que brancos se sintam culpados&#8221;. Nathan Goodman reconhece que &#8220;muitas pessoas têm reações negativas à essa expressão [&#8216;cheque seus privilégios&#8217;]&#8221;, o que o faz &#8220;preferir evitá-la&#8221;. Kevin Carson, do mesmo modo, admite que a rejeição aos exercícios contra o privilégio por parte de alguns estudantes ocorre por perceberem que se trata de uma tentativa de fazê-los se sentirem culpados. Contudo, ele não acha que o privilégio, se ensinado corretamente, devesse fazê-los se sentir dessa maneira: &#8220;Se essa for, de fato, sua percepção, parece que alguém não está ensinando direito ou, por algum motivo, alguém não está aprendendo.&#8221;</p>
<p>Sobre meu segundo argumento, Kevin reconhece que o objetivo final do ativismo social deve ser a extensão dos privilégios a todos, de forma que pessoas de todos os gêneros, raças, classes e capacidades se sintam &#8220;bem recebidos e normais, não excluídos&#8221; da vida cotidiana. Nathan reconhece que discussões sobre o privilégio &#8220;se tornam vagas&#8221; porque &#8220;direitos básicos ou expectativas razoáveis que temos em relação a vários humanos são citadas como &#8216;privilégios'&#8221;.</p>
<p>Sobre meu terceiro ponto, Cathy concorda que &#8220;chamar essas coisas de opressão ou privilégio não vai acabar com elas&#8221;.</p>
<p>Essas são concordâncias muito maiores do que eu esperava, o que me deixa ainda mais perplexo que os três tenham rejeitado minhas conclusões. Kevin e Nathan as rejeitam trazendo a interseccionalidade como alternativa e maneira de contornar os problemas comuns da teoria do privilégio, favorecendo &#8220;o exame de indivíduos e da opressão e privilégios que experimentam de maneira holística&#8221;, como colocado por Nathan.</p>
<p>Mas o que significaria a interseccionalidade em ação? Uma vez que o objetivo é analisar as várias interseções de privilégio e opressão sobre os quais o indivíduo se encontra (daí seu nome), me parece que a interseccionalidade não é capaz de coletivizar as pessoas como o privilégio. Afinal, a discussão do privilégio e da opressão experimentada por uma classe de pessoas necessariamente resulta em generalizações que excluem os membros mais marginalizados do grupo.</p>
<p>Como Kevin apropriadamente colocou, a noção de que exista &#8220;uma &#8216;experiência feminina típica&#8217; pode excluir mulheres negras, trabalhadoras e trans&#8221;. A interseccionalidade, portanto, trabalha para evitar que &#8220;CEOs ricas como Sheryl Sandberg e Marissa Mayer se passem por porta-vozes das &#8216;mulheres típicas&#8217; e evitem posições similares à hegemonia por uma classe profissional de &#8216;lideranças negras&#8217; dentro do movimento pelos direitos civis&#8221;.</p>
<p>Neste caso, os defensores da interseccionalidade deveriam alegar que quaisquer afirmações coletivizantes da teoria do privilégio devem ser vistas com suspeita. Por exemplo, o exercício do marshmallow da Universidade de Dellaware mencionado por mim não seria apropriado porque faz julgamentos normativos de classe sem examinar a interseccionalidade das identidades de cada indivíduo. Um estudante branco pode não possuir marshmallows em sua boca, por exemplo, apesar do fato de que ele saiu da extrema pobreza. Uma lésbica pode ter a mesma quantidade de marshmallows na boca que uma mulher trans, embora as duas experimentem dois tipos radicalmente diferentes de intolerância LGBT.</p>
<p>Dessa forma, a interseccionalidade na prática parece fazer com que a teoria do privilégio se torne obsoleta. Qualquer tentativa de ilustrar exemplos de privilégios hierárquicos fatalmente fracassaria, uma vez que os indivíduos experimentam a opressão de formas complexas e multifacetadas. Assim, a própria teoria que deveria salvar a análise de privilégios acaba por desbancá-la. A única solução é fazer julgamentos individuais com base em circunstâncias específicas sobre as interseções de privilégios e opressões por que a pessoa passou em toda a sua vida.</p>
<p>Devo admitir aqui que existe uma mensagem interessante por trás da expressão &#8220;cheque seus privilégios&#8221;. Em seu núcleo está um apelo para que os indivíduos se conscientizem a respeito da opressão sentida por outras pessoas durante toda a sua vida. Contudo, mesmo essa função não é nova ou revolucionária. Esse apelo à humildade já existe há décadas sob o antigo adágio &#8220;Antes de julgar alguém, ande um quilômetro com seus sapatos&#8221;. Não há dúvida de que os indivíduos devam estar conscientes das vantagens e desvantagens sociais de que desfrutam em sua interação com os outros, mas isso é apenas uma cortesia comum.</p>
<p>A teoria do privilégio, por outro lado, transforma essa educação básica em uma ideia auto-congratulatória de mudança social. Mas, como eu disse em meu artigo original, a conscientização sobre as próprias circunstâncias não é capaz de acabar com a opressão sistemática. É por isso que os libertários devem enfatizar a opressão e não o privilégio na luta contra as políticas governamentais que sacrificam os menos privilegiados.</p>
<p>Talvez o maior problema da teoria do privilégio é que ela pinta o avanço da história com tons nebulosos. Embora seja necessário ainda mais progresso, vivemos hoje em dia no momento mais socialmente tolerante da história humana. A maioria de nós trabalha, vive e interage com pessoas de diferentes raças, religiões e sexualidades regularmente. Esse fato notável é a exceção, não a regra durante a história. A emergência de direitos de propriedade e do império da lei ao longo dos últimos séculos permitiu lentamente que a sociedade chegasse ao ponto em que pessoas de origens completamente diferentes possam coabitar o mesmo espaço, o mesmo ambiente de trabalho, o mesmo bairro ou até a mesma casa sem conflito. Ao invés de nos distrairmos por uma análise divisiva sobre o privilégio, os libertários devem procurar promover a força unificadora dos mercados através da luta contra a opressão governamental.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=29163&amp;md5=c0a606b7414c1cb5b205e911e321eb49" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>O privilégio é uma colherzinha de plástico</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Jul 2014 00:00:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Cathy Reisenwitz]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[As trocas mútuas são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores. Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>As <a href="http://c4ss.org/content/category/mutual-exchange">trocas mútuas</a> são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores.</p>
<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, “<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>“. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria <a href="http://c4ss.org/content/category/o-sentido-do-privilegio">O sentido do privilégio</a>.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p><span style="line-height: 1.5em;">As críticas à teoria do privilégio, tanto <a href="http://c4ss.org/content/category/o-sentido-do-privilegio">aqui</a> quanto em outros veículos, frequentemente se resumem às respostas das próprias pessoas que ela pretende esclarecer. E, eu concordo, especialmente se a pessoa for libertária, ela deve olhar para os efeitos de cada proposta, não apenas para suas intenções. De fato, é difícil encontrar qualquer teoria tão mal compreendida e desvirtuada que a do privilégio.</span></p>
<p>Assim, podemos tomar o caminho de Casey Given e considerar a teoria descartável. Porém, eu acredito que há alguns vieses enraizados que tornam as pessoas mais predispostas a ignorar a opressão e a rejeitarem qualquer tipo de análise estrutural, expressão ou pessoa que a menciona. E culpar a atrapalhada e mal aplicada análise por trás da expressão &#8220;cheque seus privilegios&#8221; pela existência e continuidade do problema parece uma perspectiva míope. É verdade que estamos removendo montanhas de neve com uma colherzinha de plástico, mas é a melhor ferramenta de que dispomos.</p>
<p>Os problemas com a teoria do privilégio são reais. Ela faz com que os brancos se sintam culpados, coletiviza e categoriza as pessoas. Ela, por si só, não é suficiente para estimular mudanças. Porém, todos esses problemas existem também em relação a qualquer reconhecimento da existência continuada do preconceito, não importa quais definições usemos para sua análise. Simplesmente não há nenhuma maneira de tornar a opressão mais visível em bases arbitrárias sem fazer com que as pessoas se sintam culpadas (ao menos algumas delas em parte do tempo) ou através da coletivização e da categorização das pessoas (o que também é conhecido como reconhecimento das identidades usadas pelos preconceituosos como base para seu comportamento opressivo). E, é claro, chamar essas coisas de opressão ou privilégio não vai acabar com elas por si só.</p>
<p>A opressão é desconfortável para cacete. Perceber que você entrou na corrida alguns passos na frente do cara na esquina que implora por uns centavos é bem desagradável. Qualquer coisa que ameace a certeza de que &#8220;você merece tudo aquilo que você tem&#8221; não é algo a que a maioria das pessoas estará disposta a aceitar. Todos têm maior experiência com sua própria opressão e é a ela que são mais simpáticos.</p>
<p>O fato de que checar privilégios seja algo extremamente mal compreendido e difamado não é prova de que não seja útil. Mas é evidência de que seja difícil.</p>
<p>A questão, portanto, é: os benefícios do reconhecimento do preconceito e da discriminação justificam o desconforto que ele gera?</p>
<p>Obviamente, depende dos seus valores. Se reconhecer a verdade é importante para você, então é útil. Como afirmou Kevin Carson:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;O privilégio é um conceito importante porque tem função explicativa e a percepção correta do mundo em que operamos é necessário para que essa operação seja efetiva. Aqueles que afirmam que não “veem raças” ou que “não veem cores” não são capazes de atuar adequadamente no mundo, da mesma forma que pessoas daltônicas, que de fato não conseguem distinguir cores, não conseguem saber a diferença entre luzes verdes e vermelhas no trânsito.&#8221;</p>
<p>Assim, o privilégio nos auxilia a identificar e reconhecer corretamente as opressões de base identitária. Como a maioria dos problemas, a discriminação não é consertada ao ser ignorada. Ignorar a discriminação jamais funcionou no passado e provavelmente não funcionará no futuro. Bem ou mal, solucionar problemas normalmente requer algum trabalho. O primeiro passo para essas soluções é admitir que o problema existe.</p>
<p>Portanto, eu admito que a análise do privilégio é só uma colherzinha para combater a avalanche de problemas institucionais, pessoais e governamentais por que somos cercados constantemente, quer admitamos ou não. Mas antes de jogarmos a colherzinha fora e passarmos a fingir que é tudo muito lindo, eu pergunto: existe uma alternativa?</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=29155&amp;md5=a0327ae481794208d693a6a49dd36d3f" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>O valor da teoria do privilégio: Uma resposta à réplica de Casey Given</title>
		<link>http://c4ss.org/content/29128</link>
		<comments>http://c4ss.org/content/29128#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 07 Jul 2014 00:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Kevin Carson]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[O sentido do privilégio]]></category>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>As <a href="http://c4ss.org/content/category/mutual-exchange">trocas mútuas</a> são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores.</p>
<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, “<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>“. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria <a href="http://c4ss.org/content/category/o-sentido-do-privilegio">O sentido do privilégio</a>.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p>Após a leitura da resposta de <a href="http://c4ss.org/content/28737">Nathan Goodman</a> a <a href="http://c4ss.org/content/28541">Casey Given</a> e <a href="http://c4ss.org/content/28817">sua resposta a nós dois</a>, é impressionante que Casey pareça, admitidamente, não perceber quais são suas discordâncias em relação a nós. Seu texto não responde aos pontos que eu coloquei e reafirma suas reclamações originais sobre o privilégio de maneira um pouco diferente. E ele realmente parece interpretar o artigo de Nathan como estando de acordo com suas visões.</p>
<p>Em resposta ao meu argumento de que a teoria do privilégio não fala sobre culpa ou culpabilidade, ele menciona que o que afirma é percepção comum entre aqueles que passaram por treinamentos de sensibilidade de que estes servem para &#8220;induzir culpa&#8221; e que a interpretação mais comum é que mesmo aqueles que não foram donos de escravos ou &#8220;agiram de forma racista&#8221; &#8220;ainda deveriam se envergonhar&#8221;. Se essa for, de fato, sua percepção, parece que alguém não está ensinando direito ou, por algum motivo, alguém não está aprendendo.</p>
<p>Resumidamente, é um fato óbvio que (entre outros fatores) o racismo e o patriarcado existem em nossa sociedade e que brancos e homens se beneficiam dessas estruturas enquanto grupos. Deve ser notório para qualquer pessoa de bom senso que aqueles que não são submetidos a formas de opressão sistemática em suas vidas cotidianas têm vantagens sobre aqueles que são, da mesma forma que alguém que não possua um peso de 25 kg amarrado a seus braços tem uma vantagem sobre aqueles que possuem. A palavra &#8220;privilégio&#8221; é excelente para descrever esse fenômeno.</p>
<p>A ideia de que a palavra &#8220;privilégio&#8221; carrega uma conotação normativa, de que qualquer pessoa que não seja diariamente perseguido tem algum tipo de culpa, é francamente ridícula. Qualquer pessoa que passa essa ideia adiante simplesmente está fazendo um péssimo trabalho ao ensinar a teoria do privilégio e aliena as próprias pessoas que precisam compreendê-la com a mente aberta.</p>
<p>A lição do exercício do marshmallow a que Casey se refere não é a de que todos que não têm marshmallows na boca devem tê-los &#8220;enfiados goela abaixo&#8221; ou que devam sentir culpa por não terem. É simplesmente que eles estão em melhor situação, por questões estruturais de injustiça e talvez sem qualquer interferëncia própria, do que aqueles que estão com a boca cheia de marshmallows.</p>
<p>Por outro lado, eu acredito que haja uma tentativa de estimular essa má compreensão sobre o conceito de privilégio pela direita cultural como forma de sabotar o ativismo pela justiça social. Algumas pessoas podem subjetivamente escutar uma explicação precisa sobre o privilégio como condenação de si mesmas por conta de ressentimentos contra o próprio ativismo social.</p>
<p>Algumas pessoas, assim, podem interpretar o treinamento de sensibilidade como uma exigência de que se sintam culpadas por serem brancas, homens, cis, etc. Eu sou um novato nessas questões — tenho aprendido sobre elas há mais ou menos dois anos —, mas nunca interpretei esses conceitos dessa forma. Eu interpreto ações como treinamentos de sensibilidade como uma conscientização das vantagens na interação com mulheres, negros, indivíduos LGBT, etc, como um grito por apoio e solidariedade, como um pedido pelo microfone para ampliar suas vozes e como um alerta para os movimentos sociais como os de que eu faço parte percebam as necessidades interseccionais de seus membros menos privilegiados.</p>
<p>Mas suponhamos que algumas pessoas de fato digam aquilo que Casey menciona. Mesmo assim, algumas pessoas também perguntam &#8220;Por que negros podem chamar uns aos outros de pretos?&#8221;, &#8220;E se fizessem feriados pelo orgulho branco?&#8221; ou &#8220;A escravidão já acabou há mais de 100 anos, para que ficar preso nesse assunto?&#8221;. São coisas que eu ouço o tempo inteiro de pessoas que &#8220;nunca tiveram escravos&#8221; e não acham que se comportam de maneira racista.</p>
<p>O próprio fato de que há pessoas que veem o racismo ou o sexismo como questões de intolerância individual — de que homens e mulheres, brancos e negros podem ser culpados igualmente e não como um fenômeno estrutural — reflete profunda ignorância sobre a realidade em que vivemos. Qualquer homem ou pessoa branca que nao consiga entender nossos benefícios enquanto brancos ou homens sobre aqueles que não são brancos ou homens é ignorante sobre algo que não deveria ser. Se as pessoas não conseguem aprender porque as ideias estão sendo ensinadas de maneira ruim, porque não querem entender ou porque alguem as estimula a entender de maneira errônea não muda o fato de que são coisas que precisam ser compreendidas.</p>
<p>Intencionais ou não, as crenças de que o privilégio fala sobre culpa e de que o racismo não é senão um problema individual já atrapalharam muito o ativismo social. Não apenas por atrapalharem a percepção das estruturais sociais que procuramos desmontar, mas também por fazer com que as pessoas rejeitem o conceito do privilégio baseadas numa ideia falsa do que ele significa, o que acaba obstruindo esforços na luta contra a opressão.</p>
<p>Casey, estranhamente, tenta colocar a interseccionalidade em oposição ao conceito de privilégio. Mas os dois são inseparáveis. O propósito da interseccionalidade é entender os privilégios diferentes dentro de um grupo. Tratar o reconhecimento de que as formas interseccionais de privilégio prejudicam aina mais as pessoas que formas individuais de privilégo como uma refutação do privilégio é, por falta de uma palavra melhor, estranho.</p>
<p>Ainda mais estranha é que ele menciona o argumento de Nathan contra o essencialismo como se confirmasse sua posição, como se fosse um remédio para o &#8220;coletivismo&#8221; da velha teoria da opressão:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;A essencialização de uma “experiência feminina” ou de uma “experiência negra” básica ignora as diferentes formas pelas quais a opressão é sentida entre os membros desses grupos. Esse essencialismo significa, com frequência, tomar a experiência de alguns membros privilegiados desses grupos como o padrão. Por exemplo, uma “experiência feminina” padrão pode descrever especificamente aquilo que é sentido por mulheres brancas heterossexuais e cisgênero, que passam por situações de misoginia mas não são vítimas da homofobia, transfobia e do racismo por que outras mulheres passam.&#8221;</p>
<p>O problema com o essencialismo, porém, é que ele não dá atenção suficiente ao privilégio. A &#8220;compreensão holística da experiëncia individual&#8221; a que Nathan se refere — a ideia de que uma &#8220;experiência feminina típica&#8221; possa excluir mulheres negras, trabalhadoras e trans — é mais orientada ao privilégio do que as identidades monolíticas de mulheres, negros e outras identidades, porque foi criada para evitar que profissionais brancos de classe média-alta — como TERF (Feministas Radicais Trans-Exclusionárias), SWERF (Feministas Radicais Excludentes de Trabalhadoras do Sexo) e CEOs ricas como Sheryl Sandberg e Marissa Mayer — se passem por porta-vozes das &#8220;mulheres típicas&#8221; e evitem posições similares à hegemonia por uma classe profissional de &#8220;lideranças negras&#8221; dentro do movimento pelos direitos civis.</p>
<p>Finalmente, Casey repete que &#8220;a análise dos privilégios é uma causa sem um apelo à ação&#8221;. É como dizer que o entendimento da hidráulica não constrói um sistema de irrigação. É verdade, mas qualquer tentativa de construir um sistema de irrigação ignorando os princípios da hidráulica ou em violação deles estará fadada ao fracasso. Eu não sei o que dizer além de repetir que qualquer ação que não se baseie em uma percepção precisa da realidade não pode ser muito efetiva. Como afirmei em minha resposta original, o sindicato dos parceiros agrícolas americanos se dividiu racialmente nos anos 1930 não porque os seus membros utilizaram a teoria do privilégio de raça, mas porque a ignoraram.</p>
<p>Assim, eu não conseguiria colocar a questão de forma melhor que Nathan: &#8220;Casey Given nos estimula a entrar em ação para desafiar as instituições e regras que possibilitam e exacerbam a opressão. Contudo, para que possamos agir dessa forma com sucesso, é importante fazer análises precisas sobre a opressão contra a qual pretendemos lutar.&#8221; Tanto a ação sem reflexão quanto a reflexão sem ação são inúteis.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=29128&amp;md5=504aae29f998303f16f71d3f83148b77" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Uma concordância sobre os privilégios?</title>
		<link>http://c4ss.org/content/28817</link>
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		<pubDate>Sun, 29 Jun 2014 00:00:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Casey Given]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>As <a href="http://c4ss.org/content/category/mutual-exchange">trocas mútuas</a> são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores.</p>
<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, “<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>“. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria <a href="http://c4ss.org/content/category/o-sentido-do-privilegio">O sentido do privilégio</a>.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p>É difícil apontar exatamente onde Nathan Goodman e eu discordamos a respeito da análise do privilégio. Em &#8220;<a href="http://c4ss.org/content/28737">As várias funções da análise do privilégio</a>&#8220;, ele concorda comigo ao afirmar que a discussão se torna &#8220;vaga&#8221; quando consideramos &#8220;direitos básicos&#8221;, como não sermos perseguidos por raça, são tratados estranhamente &#8220;como privilégios&#8221;. Além disso, ele prefere evitar o uso da expressão &#8220;cheque seus privilégios&#8221; porque &#8220;muitos têm reações negativas a essa expressão&#8221; — algo que eu mesmo afirmei em minha resposta a Kevin Carson.</p>
<p>Além disso, Nathan reconhece a crítica coletivista avançada por muitos libertários — que eu evitei durante esta série, por uma preocupação com a originalidade — de que a análise do privilégio &#8220;envolve premissas injustificadas a respeito dos indivíduos&#8221;. Nathan corretamente demonstra que não há uma &#8220;experiência feminina&#8221; ou uma &#8220;experiência negra&#8221; padronizada, já que cada indivíduo é produto de vários fatores socioeconômicos (como raça, gênero, riqueza, sexualidade, capacidade, etc). Além disso, ele aponta corretamente para o fato de que qualquer tentativa de essencializar uma &#8220;experiência feminina&#8221; ou uma &#8220;experiência negra&#8221; normalmente favorece os indivíduos mais favorecidos: &#8220;Por exemplo, uma “experiência feminina” padrão pode descrever especificamente aquilo que é sentido por mulheres brancas heterossexuais e cisgênero, que passam por situações de misoginia mas não são vítimas da homofobia, transfobia e do racismo por que outras mulheres passam.&#8221;</p>
<p>Apesar de todas as suas críticas convincentes à análise do privilégio, Nathan ainda vê valor nela. Para salvar o privilégio de suas armadilhas coletivistas, Nathan apresenta o anti-essencialismo como meio para &#8220;observar os indivíduos de forma holística&#8221;, ao invés de utilizar premissas categóricas sobre suas experiências. Porém, como a visão de Nathan sobre o anti-essencialismo difere da resposta libertária padrão de que devemos julgar os indivíduos por suas experiências pessoais? Não é que eu discorde de Nathan, eu apenas não vejo em que ponto ele discorda de mim.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=28817&amp;md5=f3e48fe81e2955133cb84f9a527e6d89" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>As várias funções da análise do privilégio</title>
		<link>http://c4ss.org/content/28737</link>
		<comments>http://c4ss.org/content/28737#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 27 Jun 2014 00:34:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Nathan Goodman]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[As trocas mútuas são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores. Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>As <a href="http://c4ss.org/content/category/mutual-exchange">trocas mútuas</a> são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores.</p>
<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, “<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>“. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria <a href="http://c4ss.org/content/category/o-sentido-do-privilegio">O sentido do privilégio</a>.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p><a href="http://c4ss.org/content/28524">Casey Given</a> oferece algumas críticas interessantes ao conceito de privilégio, influenciadas por trabalhos ativistas feministas e antirracistas, em vez de utilizar argumentos da direita. Embora eu concorde com alguns deles, penso que seu artigo ignora várias funções exercidas pelo conceito de privilégio, além de alguns conceitos dentro da teoria feminista que são úteis para contornar algumas críticas comuns levantadas por libertários.</p>
<p>Ele está correto em notar que a conversa se torna vaga quando direitos básicos ou expectativas razoáveis que temos em relação a vários humanos são citadas como &#8220;privilégios&#8221;. Porém, eu diria que essa catalogação ainda seria útil para entender como o sucesso de uma pessoa pode depender da opressão do direito de outras. Mas a confusão pode apresentar problemas e isso é importante de se perceber.</p>
<p>Contudo, um conceito pode ser utilizado de formas errôneas e mesmo assim servir a funções úteis. Uma função chave da concepção feminista ou antirracista do privilégio é sua conexão com a epistemologia perspectivista. Isso enfatiza como o privilégio se torna invisível às partes privilegiadas e simultaneamente esconde as condições de opressão delas. Em outras palavras, lida com o fato de que o conhecimento é distribuído de acordo com a opressão de classes. Em &#8220;<a href="http://c4ss.org/content/21320">The Knowledge Problem of Privilege</a>&#8221; (&#8220;O problema do conhecimento do privilégio&#8221;, em português), eu argumento que a ideia de que devemos &#8220;checar nossos privilégios&#8221; representam uma &#8220;tentativa de fazer com que as pessoas reconheçam os limites de seu conhecimento&#8221;. A Enciclopédia de Filosofia de Stanford explica essa abordagem epistemológica, conhecida como teoria feminista perspectivista:</p>
<blockquote><p>&#8220;As mulheres são oprimidas e, portanto, têm interesse em representar fenômenos sociais de formas que revelam em vez de mascarar essa verdade. Elas também experimentam diretamente sua opressão, ao contrário dos homens, cujos privilégios permitem que ignorem como suas ações afetam as mulheres enquanto classe. Uma epistemologia que baseia o privilégio epistêmico na opressão é capaz de identificar os multiplamente oprimidos e os multiplamente privilegiados epistemicamente. Dentro da teoria feminista, essa lógica levou ao desenvolvimento da epistemologia feminista negra. Collins (1990) baseia a epistemologia feminista negra nas experiências pessoais das mulheres negras com o racismo e o sexismo e nos estilos cognitivos associados com as mulheres negras. Ela usa essa epistemologia para fornecer auto-representações que permitem que as mulheres negras resistam às imagens humilhantemente racistas e sexistas das mulheres negras no mundo em geral e que tenham orgulho de suas identidades. O privilégio epistêmico dos oprimidos é às vezes exercido, como mostra W.E.B. DuBois, através de uma &#8220;consciência bifurcada&#8221;: a capacidade de ver os fatos através da perspectiva do dominante e do oprimido, avaliando comparativamente ambas (Harding, 1991; Smith, 1974; Collins, 1990). Mulheres negras são &#8220;estranhas internas&#8221;, porque têm experiência social próxima o suficiente para conhecerem a ordem social de que fazem parte, mas estão em distância crítica adequada para exercer suas críticas.&#8221;</p></blockquote>
<p>Essa abordagem ao reconhecimento dos relacionamentos de poder, opressão e conhecimento não é único à teoria feminista. Em &#8220;Domination and the Arts of Resistance: Hidden Transcripts&#8221; (em português, &#8220;Dominação e as artes de resistência: Transcrições ocultas&#8221;), James C. Scott argumenta que a perspectiva dos oprimidos raramente é compreendida por seus opressores. O poder dos governantes sobre os cidadãos ou dos chefes sobre empregados impede que os governados digam a verdade àqueles acima na hierarquia, relegando as perspectivas dos oprimidos ao que Scott chama de &#8220;transcrições ocultas&#8221;. Essas assimetrias de informação podem ser discutidas sem frases de efeito como &#8220;cheque seus privilégios&#8221; e, já que muitos têm reações negativas a essa expressão, prefiro evitá-la. Porém, as preocupações sobre posições sociais e os conhecimentos situacionais que a frase pretende levantar são reais e válidos, então devemos dialogar seriamente com aqueles que expressam preocupações em termos de privilégio.</p>
<p>Com frequência, quando eu chamo a atenção para as questões epistemológicas que a discussão do privilégio pretende suscitar, os libertários alegam que se trata de um conceito coletivista ou que envolve premissas injustificadas a respeito dos indivíduos. Isso pode ser verdade se essencializarmos os grupos e presumirmos uma &#8220;experiência feminina&#8221;, &#8220;experiência gay&#8221; ou &#8220;experiência negra&#8221; universal. É por isso que os conceitos de interseccionalidade e anti-essencialismo discutidos por acadêmicas feministas como Trina Grillo são tão importantes para chegarmos a uma teoria realista da opressão social. A interseccionalidade pretende reconhecer holisticamente as pessoas e a opressão que elas experimentam. Por exemplo, durante o estudo das mulheres negras, não é suficiente reconhecer a misoginia e o racismo e simplesmente adicionar seus efeitos. O sexismo, o racismo, a homofobia, a pobreza e outros fatores se interseccionam para dar origem a formas únicas e potentes umas das outras. Ambientes institucionais também cumprem um papel. Isso significa que enquanto a lei observa diferentes formas de discriminação e opressão em isolamento, feministas interseccionais favorecem o exame de indivíduos e da opressão e privilégios que experimentam de maneira holística. Isso dá origem a um feminismo mais nuançado e individualista, que promove a solidariedade entre aqueles que resistem à opressão. O anti-essencialismo também promove uma abordagem mais matizada à conceitualização da opressão. A essencialização de uma &#8220;experiência feminina&#8221; ou de uma &#8220;experiência negra&#8221; básica ignora as diferentes formas pelas quais a opressão é sentida entre os membros desses grupos. Esse essencialismo significa, com frequência, tomar a experiência de alguns membros privilegiados desses grupos como o padrão. Por exemplo, uma &#8220;experiência feminina&#8221; padrão pode descrever especificamente aquilo que é sentido por mulheres brancas heterossexuais e cisgênero, que passam por situações de misoginia mas não são vítimas da homofobia, transfobia e do racismo por que outras mulheres passam. Isso, é claro, ignora também que todas essas formas de opressão moldam a maneira pela qual algumas mulheres são sujeitadas à misoginia. Além disso, não leva em consideração como as mulheres brancas heterossexuais têm suas normas de gênero moldadas por sua raça, orientação sexual e pelo privilégio cis. Assim, esse essencialismo normaliza uma experiência de privilégio e apaga as nuances da opressão. O anti-essencialismo, como a interseccionalidade, permite que nós observemos os indivíduos de maneira holística, particularmente como eles próprios experimentam a opressão. Como afirma Trina Grillo, &#8220;as críticas anti-essencialistas e interseccionais pedem apenas que definamos as experiências complexas da maneira mais próxima possível a toda a sua complexidade e que não ignoremos as vozes marginais&#8221;.</p>
<p>Casey Given nos estimula a entrar em ação para desafiar as instituições e regras que possibilitam e exacerbam a opressão. Contudo, para que possamos agir dessa forma com sucesso, é importante fazer análises precisas sobre a opressão contra a qual pretendemos lutar. As ferramentas da teoria feminista e da teoria crítica de raças, como a epistemologia perspectivista, a interseccionalidade e o anti-essencialismo são úteis para analisar, entender e, finalmente, acabar com a opressão. E todas essas ferramentas já foram usadas na análise do privilégio, tornando-a interessante para um estudo mais aprofundado.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
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		<title>Checar privilégios nos divide, lutar contra a opressão nos une</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Jun 2014 00:30:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Casey Given]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[O sentido do privilégio]]></category>
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<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, “<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>“. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria <a href="http://c4ss.org/content/category/o-sentido-do-privilegio">O sentido do privilégio</a>.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p>Em &#8220;<a href="http://c4ss.org/content/28541">Por que a teoria do privilégio é necessária</a>&#8220;, Kevin Carson destaca três pontos de discordância com meu artigo inicial. Primeiro, ele afirma que a análise de privilégios não tem a ver com &#8220;sentimentos de culpa&#8221;. Segundo, que a análise de privilégios pode &#8220;estimular a solidariedade&#8221; entre vários grupos socioeconômicos. Terceiro, que o foco em reformas políticas apenas torna outras formas de opressão &#8220;mais eficientes&#8221;. Esclarecerei minhas divergências a respeito de todos os três pontos.</p>
<p>Quanto à questão da culpa, Kevin pode não considerar que a análise de privilégios serve para envergonhar os indivíduos de classes socioeconômicas supostamente privilegiadas. No entanto, muitas pessoas razoáveis consideram que é esse seu objetivo, especialmente estudantes que passam por cursos de sensibilidade em universidades. A Foundation for Individual Rights in Education <a href="http://www.thefire.org/page/2/?s=%22white+privilege%22">documentou</a> essa tendência acadêmica durante as duas últimas décadas, criticando os bizarros exercícios de que os estudantes são obrigados a participar para perceberem seus privilégios. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=6EbQfmVoOfM">Um caso notório</a> da Universidade do Delaware envolvia um exercício em que os alunos deviam colocar marshmallows em suas bocas se tiverem desvantagens sociais e conversar uns com os outros, simbolizando os supostos privilégios que homens heterossexuais brancos possuem, já que eram os únicos na turma sem a boca cheia.</p>
<p>Intencional ou não, essa forçação goela abaixo do conceito de privilégio (às vezes literalmente, como no caso de Delaware) tem um histórico bem documentado de resistência às suas tentativas de indução de culpa. O Midwest Critical Whiteness Collective, por exemplo, <a href="https://www.academia.edu/4572341/McIntosh_as_Synecdoche_How_Teacher_Educations_Focus_on_White_Privilege_Undermines_Antiracism">relata a reação de um aluno</a> à leitura do artigo de Peggy McIntosh &#8220;White Privilege: Unpacking the Invisible Knapsack&#8221; (em português, &#8220;Privilégio braco: Abrindo a mochila invisível&#8221;):</p>
<blockquote><p>&#8220;Minha reação basicamente foi: se você é um homem branco, você deve sentir vergonha de si mesmo. Mesmo se o que ocorreu cem anos atrás não tenha sido perpetrado por você e se você tiver se esforçado para ser tolerante com todos, você deve se sentir envergonhado.&#8221;</p></blockquote>
<p>Essa percepção de culpa é comum em discussões sobre o privilégio. <a href="http://ojs.ed.uiuc.edu/index.php/pes/article/viewFile/1650/384">Como observa Jennifer Ng da Universidade do Kansas</a>, &#8220;[alunos] brancos frequentemente negam seu envolvimento com a sociedade racista ao afirmar que nunca foram donos de escravos&#8221;. E por que deveriam confessar essa perpetuação do racismo através de seus privilégios se eles próprios nunca agiram como racistas? Ng continua: &#8220;Duvido que os estudantes fossem se sentir mais confortáveis quando fosse pedido que eles se identificassem pessoalmente ou se associassem teoricamente às ações ou emoções dos colonizadores ou dos nazistas&#8221;.</p>
<p>Ou seja, não deve ser surpreendente que a prática comum da análise dos privilégios de destacar heterossexuais, brancos e homens por privilégios que eles não escolheram parece mais um exercício de culpabilização e inevitavelmente é recebida com resistência — o que nos leva ao segundo ponto de Kevin. Com a bem documentada hostilidade à análise dos privilégios, parece impossível alegar que ela serve para &#8220;estimular a solidariedade&#8221; entre as várias classes socioeconômicas. Ao contrário, sua prática de alienar pessoas com base em raça, sexo e sexualidade tem servido apenas para dividir em vez de unir. O próprio fato de que estamos debatendo esse assunto em uma série Mutual Exchange é um testamento a seu potencial sectário.</p>
<p>É bastante surpreendente como a análise de privilégios marginaliza classes inteiras de pessoas ao atribuir valor social a qualidades literalmente superficiais como raça e sexo. Kevin cita uma <a href="https://twitter.com/OaklandElle">ativista do movimento Occupy</a> que afirmou no Twitter que &#8220;a sociedade criou uma hierarquia de gênero&#8221; que &#8220;deve ser desmontada&#8221; e &#8220;é impossível acabar adequadamente com ela sem compreendê-la&#8221;. Se essa hierarquia social deve ser discutida, vamos ser mais específicos.</p>
<p>Qual raça é mais oprimida, negros ou latinos? Uma mulher branca transgênero é mais privilegiada que um homem negro? Católicos e judeus têm o mesmo privilégio branco que os protestantes? Parece impossível que qualquer discussão dessa hierarquia de privilégios &#8220;estimule a solidariedade&#8221; em vez de reforçar estereótipos discriminatórios. É precisamente por isso que o Midwest Critical Whiteness Collective recomenda a mudança do foco da intersectionalidade do privilégio para a opressão, como eu defendi em meu artigo original. A luta contra a injustiça é uma causa que une; destacar privilégios apenas divide.</p>
<p>Além disso, a análise dos privilégios é uma causa sem um apelo à ação — o que nos traz, finalmente, ao último ponto de Kevin. Por mais que seja prazeroso para os libertários anarquistas darem tapinhas nas próprias costas por terem consciência de seus privilégios, o estado continuará a oprimir. Os anarco-capitalistas podem até imaginar um mundo ideal em que essa opressão não exista, mas o desafio para qualquer ativista é implementar sua visão na realidade. Em vez de desejar que os problemas do mundo não existam, os libertários devem ser ativos na luta contra as políticas opressivas que mantêm as minorias em posições vulneráveis, como as regulamentações empregatícias, sentenças judiciais mínimas, o combate às drogas, as restrições à imigração, a deportação, o monopólio da educação pública e o salário mínimo. Menos que isso, como analisar privilégios, não passa de meditações burguesas.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=28627&amp;md5=cd8a1621d00ab796ccd9551503e32181" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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