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	<title>Center for a Stateless Society &#187; presidência</title>
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		<title>O partidarismo servil dos socialistas brasileiros</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Oct 2014 03:00:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Valdenor Júnior]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Com o início da campanha de segundo turno das eleições presidenciais entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), parte do eleitorado e dos políticos ligado ao PSOL resolveu tomar uma posição. O PSOL redigiu uma nota indicativa de uma neutralidade não-neutra: não apoia nenhum dos dois, mas recomenda não votar em Aécio Neves. Políticos...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Com o início da campanha de segundo turno das eleições presidenciais entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), parte do eleitorado e dos políticos ligado ao PSOL resolveu tomar uma posição.</p>
<p>O PSOL redigiu uma nota indicativa de uma neutralidade não-neutra: não apoia nenhum dos dois, mas <a href="http://eleicoes.uol.com.br/2014/noticias/2014/10/08/luciana-genro-pede-para-eleitor-do-psol-nao-votar-em-aecio.htm">recomenda não votar em Aécio Neves</a>. Políticos do partido, como <a href="https://www.facebook.com/MarceloFreixoPsol/posts/834538493253075?fref=nf">Marcelo Freixo</a> e <a href="https://www.facebook.com/jean.wyllys/photos/a.543112092403469.1073741832.163566147024734/759002504147759/?type=1">Jean Wyllys</a>, declararam apoio à Dilma, ainda que tentem destacar que este apoio não significa um endosso completo das políticas dela.</p>
<p>Curiosa situação é dos eleitores: nas redes sociais, é possível ver simpatizantes ou militantes do PSOL afirmando estarem votando no “menos ruim”, que em sua opinião seria Dilma, mas fazendo campanha abertamente em seu favor e chegando ao cúmulo de afirmar que “sua derrota seria a nossa derrota, a derrota dos movimentos sociais e da esquerda”. É uma dissonância cognitiva que pretende ver a vitória de Dilma com desgosto, mas que efetivamente trabalha pela continuidade do projeto de poder petista.</p>
<p>Uma derrota muito maior é saber que Dilma não sofrerá nenhuma represália e continua sendo vista como a representante das preocupações dessa mesma esquerda – em contraste ao elitismo do PSDB, que não percebem que é idêntico ao elitismo do PT. Não importa que Dilma e o PT sejam aliados estratégicos de grandes conglomerados corporativos, subsidiados através do BNDES. Não importa que tenha <a href="http://c4ss.org/content/26438">desapropriado</a> <a href="http://blogdojuca.uol.com.br/2014/05/carta-do-primeiro-encontro-dos-atingidos-pela-copa/">centenas de milhares de famílias</a> e criado zonas de monopólio que <a href="http://c4ss.org/content/28572">excluíssem brasileiros</a> para realizar a <a href="http://c4ss.org/content/27490">Copa do Mundo</a>. Não importam os direitos <a href="http://c4ss.org/content/26438">de populações indígenas e ribeirinhas</a> na Amazônia. Não importa nem mesmo que as políticas petistas contribuam para aumentar o déficit habitacional e empurrar os pobres cada vez mais para longe dos <a href="http://www.cartacapital.com.br/politica/como-nao-fazer-politica-urbana-3066.html/">centros urbanos</a>. O que importa é a sinalização de oposição a uma elite – da qual o núcleo petista faz parte, na verdade.</p>
<p>Durante a Copa, Luciana Genro, candidata à presidência pelo PSOL, afirmou que <a href="http://www1.folha.uol.com.br/poder/poderepolitica/2014/06/1474887-entrevista-luciana-genro-psol.shtml">não era a hora de protestar</a>. A conveniência política de Luciana Genro e da esquerda universitária brasileira, porém, não entra na consideração das pessoas comuns. Foi por isso que falamos <a href="http://c4ss.org/content/28186">em defesa da desobediência civil</a> pela ocupação das zonas de exclusão da FIFA com livre comércio ambulante, bazares e outros estabelecimentos não-alinhados.</p>
<p>Tudo isso mostra a pior das características da esquerda brasileira: a fé servil no estado. Existe, dentro dessa esquerda, uma noção messiânica e leninista de partido político: o PT, apesar de toda injustiça e sofrimento que tenha de promover ao longo do caminho, simboliza as mudanças sociais e deve ser mantido no poder a todo custo.</p>
<p>É por coisas assim que o socialista libertário brasileiro <a href="http://www.libertarianismo.org/index.php/artigos/socialismo-politica/">Mário Ferreira dos Santos</a> dizia que a “política, como método de ação dos socialistas, é um método indireto, mediato, o qual exige a ação de intermediários” e que “o meio acaba tornando-se mais importante que o fim, pois tende a substituí-lo, e a luta emancipadora, tendente para um ideal final, acaba por endeusar os meios”. Mário observava que os partidos tendem a se preocupar mais com os meios que com os fins e que é por isso que a política “o processo mais falso de luta pela emancipação social”, onde nunca “se consegue atingir os fins desejados e, quando se consegue alguma coisa, é sempre apesar da política”.</p>
<p>A esquerda partidária pró-Dilma, atualmente, coloca os meios num pedestal e despreza os fins, divinizando o papel do PT na história brasileira como uma vanguarda supostamente revolucionária. Ao fazer isso, relativiza as absurdas injustiças cometidas perpetradas pelo seu governo.</p>
<p>Talvez esses militantes pensem que estão cumprindo uma missão histórica e isso lhes afague a consciência, mas certamente não devolve dignidade e moradia aos desapropriados e atingidos pela Copa em geral, nem devolve ao povo brasileiro os milhões que empresários subsidiados pelo governo receberam. O governo é o inimigo dos pobres e das minorias. Nenhuma pretensa vanguarda progressista pode negar esse fato.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=32703&amp;md5=4fb90fac6dc38eaf26c05815175f6699" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Por que os debates eleitorais são um circo</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Sep 2014 00:00:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Erick Vasconcelos]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
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		<description><![CDATA[Os debates presidenciais televisados novamente são o centro dos comentários no Brasil. E novamente nós nos vemos &#8220;sem vencedor claro&#8221; e pouca ideia de que tipo de discussão assistimos entre os potenciais eleitos. Por que isso acontece? O jornalismo moderno, uma versão do ideal de Walter Lippman de intermediação dos fatos entre o público e...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Os debates presidenciais televisados novamente são o centro dos comentários no Brasil. E novamente nós nos vemos &#8220;<a href="http://www.bbc.com/news/world-latin-america-28947924">sem vencedor claro</a>&#8221; e pouca ideia de que tipo de discussão assistimos entre os potenciais eleitos. Por que isso acontece?</p>
<p>O jornalismo moderno, uma versão do ideal de Walter Lippman de <a href="http://www.gutenberg.org/cache/epub/6456/pg6456.html">intermediação dos fatos</a> entre o público e as elites, é especialmente adaptado à produção corporativa de notícias e análises. Como <a href="http://libertyzine.blogspot.com.br/2008/10/contra-o-jornalismo-objetivo-kevin.html">observou</a> Kevin Carson, o modelo jornalístico atual requer mínima referência aos fatos, já que os fatos não são independentemente importantes e devem ser avalizados por algum tipo de elite de &#8220;especialistas&#8221;.</p>
<p>Mais que um modelo de geração de conteúdo, o jornalismo praticado atualmente também é um modelo organizacional, já que ele drena o valor do trabalho jornalístico, que fica sem um ponto de referência e passa a se ater às subjetividades das opiniões daqueles que se encontram em posições específicas dentro das instituições sociais e políticas. Quando o trabalho jornalístico é despido de seu conteúdo dessa forma, ele passa apenas a propagar a validade de uma estrutura social, porque é essa estrutura que valida o jornalismo (a cobertura de protestos, por exemplo, só é validada com a opinião de um representante da Polícia Militar; a cobertura das eleições só é validada com a chancela dos representantes dos partidos estabelecidos; e assim por diante).</p>
<p>Assim, quando o jornalista foge desse modelo de produção e busca fontes e fatos independentes da validação dos agentes estabelecidos, ocorre uma sensação de estranhamento. Há uma fuga do que se tem como ideia do papel da imprensa e uma saída do que se internalizou como &#8220;neutralidade&#8221; jornalística. Após recentes entrevistas com os candidatos a presidente no Jornal Nacional, por exemplo, circularam muitas críticas à postura incisiva de William Bonner, que tendeu a não se prender aos assuntos autorizados do &#8220;bom debate político&#8221; (uma das ideias muito disseminadas, atualmente, é que &#8220;se deve discutir as propostas dos candidatos&#8221;, implicitamente presumindo que a própria existência dessas &#8220;propostas&#8221; seja algo desejável ou justificável, dado o histórico dos programas e projetos presidenciais).</p>
<p>Nessa busca pela neutralidade institucional, além disso, ocorre um cenário muito comum nas avaliações dos debates presidenciais que começaram recentemente a ocupar os horários das emissoras de TV. Depois dos debates da Band e do SBT, as análises que rodaram tendiam a não tomar como referência qualquer fato indisputável ou discussão que havia acontecido. Em vez disso, os jornalistas agem como consultores de media training, afirmando que candidato fulano estava &#8220;nervoso&#8221;, ou &#8220;se atrapalhou nas respostas&#8221;, ou &#8220;não mostrou segurança&#8221;, ou &#8220;foi duro&#8221;, ou &#8220;passa a imagem de confiança&#8221;, entre outras banalidades.</p>
<p>Esse tipo de avaliação não requer qualquer recurso aos fatos e implicitamente dá como certa uma passividade do espectador, que é visto como incapaz de avaliar o desempenho de um candidato e o que ele tem a dizer. Se os jornalistas presumissem um espectador ativo, eles passariam sua avaliação direta sobre o conteúdo e a postura dos candidatos; diriam que o candidato se saiu bem, que apresentou suas ideias de forma boa ou ruim, que é o melhor ou o pior entre as opções. Ao contrário, porém, sempre se imagina que existe um espectador ideal médio, que avalia certas atitudes de maneira específica, que se preocupa mais ou menos com trejeitos e discursos particulares.</p>
<p>Os jornalistas nunca dirão sua própria opinião sobre os políticos, com um paradigma ou ideologias claros como ponto de partida, mas vão falar que os candidatos &#8220;foram vistos&#8221; como fortes ou fracos e &#8220;foram considerados&#8221; confiantes ou inseguros. Nunca de seu ponto de vista pessoal, mas sempre do ponto de vista obscuro de um avaliador independente a que ninguém tem acesso — o espectador médio.</p>
<p>O próprio formato dos debates também é questionável: por que é que os candidatos têm qualquer liberdade para eleger temas de que falar? Não é implausível que os próprios políticos saibam o que é mais relevante para o eleitorado? Não seria mais razoável presumir que os postulantes — principalmente a cargos muito altos, que governam milhões de pessoas — estão divorciados das preocupações da população e mais preocupados e manter a própria posição de prestígio?</p>
<p>É por esse motivo que debates eleitorais, embora sejam vistos como excelente entretenimento televisivo (principalmente hoje em dia, quando carregam memes e piadas a reboque em redes sociais), não trazem qualquer conteúdo informativo a respeito da política.</p>
<p>Seu formato é viciado e os jornalistas, que deveriam ser capazes de prover uma avaliação objetiva das discussões, se colocam no lugar de um eleitor imaginário. E os jornalistas não são aqueles que estabelecem quais são as questões importantes a serem discutidas — são os políticos que estipulam os termos do debate, porque o jornalismo em si, da forma como é praticado, não tem validade fora das estruturas sociais existentes.</p>
<p>É por isso que debates eleitorais são um circo.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=31289&amp;md5=d9aa8c46ddced4a980f92e25aa25d446" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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