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	<title>Center for a Stateless Society &#187; moralidade</title>
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	<description>building public awareness of left-wing market anarchism</description>
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		<title>Por que sou uma anarca-feminista: A explicação de um sistema moral</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Jul 2014 00:30:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Cathy Reisenwitz]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
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		<category><![CDATA[anarquismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Não sou fã de Noam Chomsky. Contudo, me impressionou sua descrição do anarquismo em uma entrevista recente: &#8220;Trata-se primordialmente de uma tendência de suspeita e ceticismo quanto à autoridade, à dominação e à hierarquia. Ela procura as estruturas de hierarquia e dominação em toda a vida humana, que se estendem desde as famílias patriarcais até,...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Não sou fã de Noam Chomsky. Contudo, me impressionou sua descrição do anarquismo em uma <a href="http://www.alternet.org/civil-liberties/noam-chomsky-kind-anarchism-i-believe-and-whats-wrong-libertarians">entrevista recente</a>:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Trata-se primordialmente de uma tendência de suspeita e ceticismo quanto à autoridade, à dominação e à hierarquia. Ela procura as estruturas de hierarquia e dominação em toda a vida humana, que se estendem desde as famílias patriarcais até, digamos, sistemas imperiais e pergunta se esses sistemas se justificam.&#8221;</p>
<p>Primeiramente, sim. Exatamente, brilhante.</p>
<p>Porém, em segundo lugar, &#8220;famílias patriarcais&#8221; é algo que eu geralmente omitiria. A incisividade da afirmação, além do fato de que eu a reli para saber até que ponto eu a mencionaria, fez com que eu passasse novamente por ela e a percebesse.</p>
<p>A anarquia pergunta se as famílias patriarcais são justificadas.</p>
<p>Após anos de reflexão, que começaram quando eu ainda estava envolvida no cristianismo evangélico até eu passar a me identificar como deísta cristã não-praticante e anarco-capitalista, creio que sejam, às vezes.</p>
<p>Primeiro devemos pensar no que significa &#8220;justificado&#8221;. Não conheço o sistema moral de Chomsky, mas a julgar pelo fato de que ele é um anarco-sindicalista, eu imaginaria que a maximização da prosperidade humana não é seu objetivo ético principal.</p>
<p>Mas é o meu.</p>
<p>E o que eu decidi, após a observação das evidências, é que famílias patriarcais não conduzem à maximização da prosperidade humana. Por isso, não são justificadas.</p>
<p>Parte das razões por que eu deixei a igreja evangélica é por eu ter perdido a fé em seu sistema moral. Claro que estou fazendo generalizações e exageros aqui, mas, para deixar este ponto muito claro, eu resumiria a filosofia moral evangélica da seguinte forma:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Pensamos que Jesus ou Paulo afirmaram que esta atividade é certa ou errada, o que a torna certa ou errada.&#8221;</p>
<p>A ideia de que é moralmente errado para mulheres ensinarem a homens, ou de que o sexo antes do casamento é errado, se justifica da mesma forma que a ideia de que as mulheres devem cobrir suas cabeças na igreja para estarem de acordo com os mandamentos de Deus. O fato de que elas não cobrem suas cabeças é claramente uma questão prática, mas apontar esse fato deixava meus colegas de igreja extremamente desconfortáveis.</p>
<p>Assim, eu também exagero e generalizo quando descrevo o sistema social do conservadorismo social da seguinte forma:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Esta atividade é diferente da a atividade com a qual eu estou confortável e que é considerada correta há muito tempo.&#8221;</p>
<p>Embora meu conservadorismo social estivesse intimamente ligado ao cristianismo evangélico e tenha sido rejeitado junto com ele, eu também rejeito sua premissa. Aceitar ou rejeitar uma atividade como moral requer mais do que a aprovação de certas pessoas ou um longo histórico de aceitação. As empresas de táxi têm longo histórico. A carona compartilhada da Uber é melhor.</p>
<p>Eu compreendo, intelectualmente, a ideia de que os humanos sejam falíveis e incompletos em seu intelecto e sua compreensão. A ideia é que, uma vez que não somos oniscientes, precisamos de um poder sobrenatural para nos dizer como agir. É interessante que a fé no sobrenatural (mas não ser membro ou comparecer à igreja) tenha correlação negativa com educação formal e inteligência. É quase como se quanto mais fé uma pessoa tenha em seu intelecto e sua compreensão, menos ela se torna capaz de aceitar esse sistema moral em particular.</p>
<p>Porque quando você o analisa, o sistema moral evangélico se opõe ao intelecto, à compreensão e à informação. Deus nos ama, certo? Então certamente ele estabeleceria um sistema moral que servisse a nossos interesses. Certamente ser um cristão devoto nos tornaria mais ricos, felizes, realizados e nos faria viver vidas mais longas e saudáveis. Mas não, o Novo Testamento afirma claramente que seguir Jesus leva à alienação, à perseguição e ao sofrimento.</p>
<p>Eu nem sei. Não tenho certeza se quero isso para mim. Falo sério, eu não sei. Talvez eu devesse estar proclamando o Evangelho, sendo ostracizada e sacrificando minha felicidade terrena em troca da glória eterna. Eu sei, porém, que o código moral que eu pregava quando era evangélica, que rejeitava a homossexualidade, as drogas e defendia a virgindade até o casamento, era errado. E, pior, incrivelmente alienante e doloroso. Desde que eu percebi que seguir esse código moral havia me levado a um lugar de que eu não gosto de me lembrar, que machucava pessoas e tornava suas vidas mais difíceis, eu o abandonei e substituí.</p>
<p>Além disso, intelectualmente eu entendo a ideia socialmente conservadora de que uma vez que instituições como o casamento e a monogamia &#8220;funcionam&#8221; há milênios, elas devem ser protegidas e defendidas e que o desvio delas ameaça todo o sistema, devendo ser punido. Mas essas instituições funcionam para quem? Sim, o casamento e a monogamia, a modéstia feminina e a pureza sexual de fato ajudaram a estabelecer e manter casas estáveis com dois pais nas quais as crianças conseguiam crescer relativamente ilesas. Mas a que custo às mulheres? Não estamos confundindo causa e efeito aqui? Casamento estáveis, ou qualquer tipo de casamento, efetivamente, sempre estiveram fácil e prontamente disponíveis para os mais ricos, educados, inteligentes e emocionalmente fortes entre nós. É possível que sejam esses os fatores que compõem os bons lares de casados, e não o próprio casamento?</p>
<p>Além disso, é possível que estejamos testemunhando um ciclo vicioso em que nossas ideias sobre o espaço adequado das mulheres ajudam a mantê-las economicamente dependente, fazendo com que a possibilidade de ser mãe solteira seja dificultada pela pobreza e estimulando a ideia de que as mulheres deveriam ser mães dentro do laço matrimonial?</p>
<p>E mesmo além disso, é possível que a ideia do homem como chefe do lar (que é o acredito que Chomsky pretendia dizer ao falar das &#8220;famílias patriarcais&#8221;) só faça sentido quando as mulheres são pouco educadas? Agora que as mulheres se formam mais em universidades que os homens, por que entregar a tomada de decisões para a parte menos informada?</p>
<p>Outro dado que desafia a justificativa das famílias patriarcais é se faz sentido que os homens são chefes da casa quando suas esposas ganham mais que eles. Uma vez que mulheres solteiras e sem filhos nas cidades ganham mais que os homens, insistir que uma família seja comandada pelo homem só faz com que as mulheres rejeitem completamente o casamento, por falta de parceiros possíveis.</p>
<p>Não, eu vejo os dois sistemas morais como inexoravelmente defeituosos. Isso não significa dizer que eles sejam completamente errados, mas significa dizer que eu rejeito seus fundamentos. Não, não é suficiente para mim aceitar algo como moral porque Jesus ou Paulo afirmaram que era. Eu não cobrirei minha cabeça ao entrar na igreja, muito obrigada. E não, o fato de que as pessoas sempre fizeram isso e funcionava não é razão o bastante para que eu aceite esse ensinamento aqui e agora como algo que vale a pena ser feito. Você pode pegar sua advertência de que eu deveria me submeter a meu marido e enfiá-la onde o sol não brilha.</p>
<p>Meu sistema moral é essencialmente o seguinte: algo é moral se as evidências empíricas indicam que ele torna as pessoas mais felizes, conectadas ou ricas. É um sistema arbitrário? Muito. Eu poderia facilmente dizer que algo é moral quando ele aumenta a igualdade. E eu gosto da igualdade, mas eu a justifico pelas evidências de que a igualdade de oportunidades e a igualdade perante a lei geralmente conduzem à felicidade, retitude e prosperidade.</p>
<p>Basicamente, tudo isso faz parte do motivo por que eu sou uma anarca-feminista.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=29662&amp;md5=bc8f33bdd429817f773041b780a4e860" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Propriedade privada: Uma ótima alternativa</title>
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		<pubDate>Wed, 07 May 2014 22:00:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Cory Massimino]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[As trocas mútuas são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores. Um ensaio de abertura, deliberadamente...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>As <a href="http://c4ss.org/content/category/mutual-exchange">trocas mútuas</a> são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores.</p>
<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começou com um artigo de <a href="http://c4ss.org/content/author/joseph-s-diedrich">Joseph S. Diedrich</a>, <i><a href="http://c4ss.org/content/26397">Propriedade privada, dos males o menor</a></i>. <a href="http://c4ss.org/content/author/cory-massimino">Cory Massimino</a> e Diedrich prepararam uma série de artigos que desafiam e exploram os temas apresentados no primeiro artigo. Ao longo da próxima semana, dia sim, dia não, o C4SS publicará uma de suas respostas. A série final poderá ser seguida sob a categoria &#8220;<a href="http://c4ss.org/content/category/propriedade-privada-como-quando-e-por-que"><i>Propriedade privada: Como, quando e por quê</i></a>&#8220;.</p>
<p align="center">*     *     *</p>
<p>Que motivos as pessoas têm para respeitar os direitos de propriedade? Não é uma questão fácil, dado que teóricos políticos e filósofos discutem o tema há séculos. Num excelente e importante artigo, Joseph Diedrich argumenta:</p>
<p>&#8220;O direito à propriedade privada não é um axioma intuitivo e natural [&#8230;]. Pelo contrário, a propriedade privada evoluiu como o melhor e único método de alocação pacífica de recursos.&#8221;</p>
<p>Eu concordo com essa conclusão. Os libertários frequentemente tratam a propriedade privada como uma regra basilar, que pressupõe todos os seus argumentos. É uma abordagem incorreta, já que precisamos justificar a propriedade privada de alguma maneira. Como Joseph afirma: &#8220;A propriedade privada não é moralmente boa ou meritória em si mesma, mas apenas enquanto for a melhor ferramenta para evitar conflitos dada a realidade de escassez do mundo físico.&#8221; No entanto, eu acredito que há alguns motivos para respeitar os direitos de propriedade que transcendem seus efeitos socialmente positivos.</p>
<p>É vital não esquecer o argumento excelente e absolutamente correto avançado por Joseph de que a propriedade privada é o único método através do qual as pessoas são capazes de interagir e alocar recursos escassos. Seria estranho se ignorássemos grandes trabalhos como <i>Ação Humana</i> e <i>Man, Economy, and State</i>, que mostram como e por que os direitos de propriedade são importantes e necessários para uma sociedade funcional e próspera. Contudo, seria igualmente estranho se ignorássemos os muitos trabalhos que explicam por que as pessoas têm direitos morais inerentes à propriedade, como A ética da liberdade ou os Dois tratados sobre o governo.</p>
<p>Antes de responder se há um bom motivo para respeitar a propriedade privada além de considerações consequenciais, temos que nos perguntar: Existem bons motivos para respeitar a soberania individual além de considerações consequenciais? Parece evidente que há. Aparentemente, todo o projeto libertário e anarquista se baseia na ideia de que existe um certo valor moral em cada indivíduo, por sua própria natureza, que torna os estados e as hierarquias opressivas injustas.</p>
<p>Eu não dirijo até a casa de Joseph e dou um soco em sua cara não só porque considerei as consequências ruins que isso traria para mim ou para a sociedade. Eu devo respeitar sua autonomia por causa da natureza dele e da minha. Recorrer à coerção e abandonar o uso da razão seria o mesmo que me voltar contra minha natureza racional e agir de forma sub-humana. Eu não devo tratá-lo como meio para meus fins, mesmo se eu conseguisse extrair bons resultados dessa ação. O fato de chamarmos essa ideia de &#8220;auto-propriedade&#8221; não tem grande importância aqui. Pretendo simplesmente estabelecer que há motivos morais para respeitar a autonomia pessoal e não cruzar as &#8220;fronteiras&#8221; das pessoas sem suas permissões, além de considerações consequenciais.</p>
<p>Porém, por que isso significa também que as pessoas são obrigadas a respeitar a propriedade privada? Suponhamos que eu tenha decidido preparar uma pizza. Juntei a massa, o queijo e o molho e a preparei passo a passo. Trabalhei por horas nessa pizza e justo quando eu ia dar uma mordida, Joseph aparece e a toma. Ele leva todas as oito fatias. Pode ser que ele não deva fazer isso porque essa ação — e a regra associada a essa ação — resultaria em más consequências sociais. Mas, além disso, pode-se dizer que Joseph tenha violado minha autonomia pessoal? Ele teria invadido minha &#8220;fronteira&#8221;, apesar de não ter encostado as mãos em mim?</p>
<p>Parece implausível dizer que ele não tenha simplesmente porque a pizza era algo externo ao meu corpo físico. Eu passei todo o dia preparando a pizza e ela me foi tomada. Alterei a matéria física para criar algo novo, algo delicioso. Embora façamos isso a todo momento com objetos externos, também o fazemos com nossos corpos. As partículas que formam nosso corpo atualmente nem sempre estiveram lá. Nós ganhamos constantemente partículas novas e perdemos as velhas. Nos apropriamos de matéria externa e as tornamos parte de nós. Tornamos essas partículas parte de nossos projetos.</p>
<p>É exatamente isso que eu fiz com a massa, o queijo e o molho. Utilizei partículas anteriormente sem dono ou trocadas por algum outro bem e as tornei parte de meu projeto. O projeto de comer pizza. A propriedade externa com que misturamos o nosso trabalho e de que nos apropriamos é uma extensão de nossa fronteira individual. Se você não respeitar minha propriedade justamente adquirida, você não respeitará minha autonomia pessoal.</p>
<p>Joseph está certo ao afirmar que temos bons motivos para respeitar a propriedade privada, dadas as suas consequências sociais positivas. O sistema de propriedade privada é vital à cooperação social e à alocação eficiente de recursos. Contudo, isso não é tudo. Temos outros motivos para respeitar a propriedade privada também. A matéria que é alterada e usada para nossos projetos é uma extensão de nossas individualidades. Assim como temos bons motivos para respeitar a autonomia individual a despeito das consequências, temos bons motivos para respeitar as propriedades das pessoas a despeito das consequências.</p>
<p><em>Traduzido do inglês para o português por <a href="c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=27053&amp;md5=43c66dc3a683de64c5855d203e55c77c" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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