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	<title>Center for a Stateless Society &#187; livre mercado</title>
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	<description>building public awareness of left-wing market anarchism</description>
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		<title>A raiz da desigualdade: o mercado ou o estado?</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Sep 2014 00:00:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[David S. D'Amato]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[No começo de setembro, a agência Reuters reportava uma pesquisa do banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve, que mostra um aumento da disparidade de riqueza e renda no país. &#8220;Todo o crescimento de renda ficou concentrado entre os que mais ganham (&#8230;), com os 3% mais ricos concentrando 30,5% de toda a renda&#8221;,...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>No começo de setembro, a agência Reuters <a href="http://www.reuters.com/article/2014/09/04/us-usa-fed-consumers-idUSKBN0GZ2DU20140904">reportava</a> uma pesquisa do banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve, que mostra um aumento da disparidade de riqueza e renda no país. &#8220;Todo o crescimento de renda ficou concentrado entre os que mais ganham (&#8230;), com os 3% mais ricos concentrando 30,5% de toda a renda&#8221;, afirma a Reuters.</p>
<p>A pesquisa do Fed sem dúvida será desconcertante tanto para aqueles da esquerda e da direita que incorretamente consideram os Estados Unidos a &#8220;terra da liberdade&#8221;, um lugar de oportunidades em que qualquer pessoa pode chegar a seus objetivos com um pouco de trabalho árduo. De fato, os dados parecem mostrar uma realidade muito diferente dessa percepção rósea, uma realidade em que as conexões entre as elites empresariais e o mundo político garantem que os ricos se tornem mais ricos e os pobres mais pobres.</p>
<p>Quando se deparam com esse cenário desolador das estruturas de classe e econômicas americanas, aqueles que realmente se perturbam com a desigualdade de renda tendem a rapidamente culpar o &#8220;livre mercado&#8221; e a competição desenfreada que colocam os lucros acima das pessoas. Mas o que o livre mercado realmente é e se temos um em vigência atualmente são questões separadas que devemos analisar para explicar a desigualdade americana. A esquerda pode se surpreender ao ver que a tradição radical socialista inclui toda uma espécie de libertários antiestado e pró-livre mercado.</p>
<p>Ao conceder que mercados e a competição, <em>em si</em>, sejam parte do problema social a ser resolvido, a esquerda desnecessariamente se coloca em posição de desvantagem, cedendo à crença falsa de que a elite dominante capitalista chegou a sua posição de maneira justa. Afinal, se estamos sob um livre mercado genuíno, o que poderíamos contestar?</p>
<p>A maioria dos anticapitalistas, assim, compartilha um mito fundador com os piores apologistas do capitalismo inexistente e de suas inúmeras desigualdades. Ambos os grupos mantêm que as economias atuais são essencialmente livres. Anarquistas de mercado como Ezra Heywood e Benjamin Tucker não acreditavam nessa inverdade — de que o trabalho não seria capaz de competir com o capital em um ambiente de igualdade e justiça.</p>
<p>Ao contrário, argumentavam eles, as características mais comuns e desiguais do capitalismo eram, na verdade, frutos envenenados e afrontas a princípios de livre mercado geralmente aceitos. Remova as muletas do estado aos grandes negócios e os muitos privilégios que debilitam os trabalhadores e as trocas verdadeiramente voluntárias e a cooperação dissolveriam o capitalismo que conhecemos.</p>
<p>Como escreveu Ezra Heywood em <em>The Great Strike</em>: &#8220;A &#8216;sobrevivência do mais apto&#8217; é beneficamente inevitável; o capitalista é impotente contra o trabalho, a não ser que o estado (&#8230;) interfira para ajudá-lo a capturar e depenar suas vítimas. O velho argumento do despotismo de que a liberdade é insegura reaparece na ideia incorreta de que a competição é hostil ao trabalhador.&#8221;</p>
<p>Heywood dava uma lição à esquerda americana contemporânea: de que o capítalismo é um sistema de roubos de terra, de barreiras regulatórias e legais à competição, de monopólios de propriedade intelectual e de subvenção aos grandes negócios na forma de subsídios diretos e contratos governamentais. Onde fica o &#8220;livre mercado&#8221; no meio disso tudo?</p>
<p>O anarquismo de mercado é uma forma de descentralismo, um socialismo libertário que vê as trocas voluntárias e a cooperação como soluções para a ampla desigualdade contra a qual lutamos atualmente. Políticos e executivos gostam do sistema que temos nos Estados Unidos; dependem dele e o sistema depende desses indivíduos. O resto de nós, ao contrário das elites políticas econômicas, não se importa em trabalhar para viver e não está pedindo privilégios legais. Nós só desejamos a liberdade para perseguir projetos e alcançar nossos próprios objetivos. Esse tipo de livre mercado oferece uma saída para as desigualdades atuais, não um incentivo a elas.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=31604&amp;md5=1243101dcc03f689cc5b407e14986306" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Por que o papa não está tão errado assim a respeito da desigualdade</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Aug 2014 00:00:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Kevin Carson]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[As observações recentes do papa Francisco sobre a pobreza, a desigualdade e o capitalismo em sua missa aberta em Seul não foram muito bem recebidas em muitos círculos conservadores e libertários de inclinação direitista. O discurso do papa incluiu críticas ao crescimento da desigualdade e um apelo para &#8220;ouvir a voz dos pobres&#8221;. Entre aqueles...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>As observações recentes do papa Francisco sobre a pobreza, a desigualdade e o capitalismo em sua missa aberta em Seul não foram muito bem recebidas em muitos círculos conservadores e libertários de inclinação direitista. O discurso do papa incluiu críticas ao crescimento da desigualdade e um apelo para &#8220;ouvir a voz dos pobres&#8221;.</p>
<p>Entre aqueles que discordaram está Keith Farrell, um coordenador do Estudantes Pela Liberdade na Universidade de Connecticut (“<a href="http://www.cityam.com/1408529504/why-pope-wrong-inequality">Why the Pope is Wrong on Inequality</a>&#8220;, City A.M., 21 de agosto). Ele acusa o papa de &#8220;usar os ricos como válvula de escape da pobreza mundial&#8221; e credita a Karl Marx a ideia de que &#8220;o sucesso de alguns prejudica os outros economicamente e que os ricos apenas se tornaram ricos às custas dos pobres&#8221;. Farrell cita um sul-coreano: &#8220;Se alguém ganhou uma fortuna por conta própria de forma justa e tem muito dinheiro, eu não acho que isso deva ser condenado&#8221;.</p>
<p>É uma hipótese interessante, mas quanto da concentração de renda da elite econômica foi adquirida &#8220;de forma justa&#8221;? Ao longo de seu artigo, Farrell implicitamente iguala o sistema sob o qual vivemos agora com a &#8220;liberdade econômica&#8221; e a &#8220;livre empresa&#8221;. É um exemplo do que eu chamo de &#8220;<a href="http://c4ss.org/content/15448">libertarianismo vulgar&#8221;</a>, a defesa do capitalismo corporativo existente como se fosse um livre mercado, com a retórica da livre competição usada para defender a riqueza e o poder econômico que os capitalistas corporativos conseguiram através de um sistema esmagadoramente estatista.</p>
<p>Marx não foi o primeiro a perceber que em uma sociedade de classes, governada por um estado classista, os ricos se tornam ricos às custas dos pobres. Provavelmente essa percepção já era óbvia a algum camponês sumério ou chinês que trabalhava de sol a sol para pagar os impostos aos clérigos. E muitos pensadores radicais de livre mercado — Thomas Hodgskin, Benjamin Tucker, Franz Oppenheimer — chegaram às mesmas conclusões mais recentemente. O sistema capitalista sob o qual vivemos é o herdeiro linear aos sistemas classistas estatais de milhares de anos de idade.</p>
<p>O &#8220;livre mercado&#8221;, longe de definir estruturalmente o capitalismo, opera em suas margens apenas até o ponto em que é compatível com os interesses das classes proprietárias que controlam o estado. Mesmo o suposto &#8220;laissez-faire&#8221; do século 19 dos Estados Unidos era uma superestrutura erigida sobre séculos de roubo — os cercamentos e a desapropriação dos camponeses, primeiro durante a industrialização do Ocidente e depois no mundo colonial, as restrições massivas ao movimento e à associação dos trabalhadores na Grã-BRetanha, o trabalho escravo e a tomada da riqueza mineral global. Hoje em dia, muitos dos frutos desses roubos, como títulos absenteístas a terras não-utilizadas, a propriedade corporativa dos recursos naturais do terceiro mundo e o monopólio do crédito e da moeda pelos donos da riqueza roubada, ainda são protegidos.</p>
<p>O capitalismo corporativo atual depende de ainda mais estatismo — &#8220;propriedade intelectual&#8221;, cartéis regulatórios e outras carreiras de entrada, além de subsídios massivos diretos como os do complexo militar-industrial, da aviação civil e dos sistemas rodoviários.</p>
<p>É verdade, como afirma Farrell, que os padrões de vida tenham aumentado em termos absolutos apesar do aumento da desigualdade. Mas as vantagens do progresso tecnológico são governadas pelo mesmo parâmetro de precificação de todos os monopólios: as corporações gigantes usam as patentes para cercar o progresso tecnológico e permitir que apenas parte dos benefícios em produtividade cheguem às classes trabalhadoras, para que ainda seja atraente para elas continuar a comprar, se apropriando do resto das rendas monopolísticas.</p>
<p>A afirmação de Farrell de que &#8220;o capitalismo levou liberdade e abundância&#8221; à Coreia do Sul também merece atenção. O capitalismo sul-coreano foi construído sobre as bases da ocupação militar americana por um regime militar instalado pela ocupação, que subsequentemente liquidou a sociedade semianarquista de comunas e fábricas autogovernadas que emergiu após a saída dos japoneses em 1945. Esse regime levou os anarquistas e os esquerdistas de todos os tipos para túmulos coletivos. Suas décadas de domínio não foram exatamente amigáveis à &#8220;liberdade econômica&#8221; de, digamos, trabalhadores coreanos que desejavam se sindicalizar.</p>
<p>É interessante que Farrell compartilhe uma premissa errônea com o papa Francisco: a de que a redução da desigualdade requer a &#8220;redistribuição de riquezas&#8221; pelo governo. Os dois estão errados. O que temos agora é o mesmo que uma redistribuição de renda para cima, com &#8220;impostos&#8221; sobre as classes produtivas na forma de rendas monopolísticas estatais que pagamos aos senhorios e capitalistas. Não precisamos da intervenção estatal para redistribuir renda para baixo. Precisamos da revolução para impedir o estado de redistribuir renda para cima.</p>
<p>É hora de os defensores do livre mercado pararem de agir como mercenários em defesa do sistema atual de poder e passarem a utilizar suas ideias de livre mercado para defender a verdadeira justiça econômica.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=30847&amp;md5=383354f3ef20ce1f050d07d3190e7ec2" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Libertários e os ensinamentos sociais católicos</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Jun 2014 00:30:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[David S. D'Amato]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p><span style="line-height: 1.5em;">Líderes da Igreja Católica, desde o cardeal Maradiaga até o próprio Papa Francisco, estamparam as manchetes ao longo do ano por criticarem supostas economias de livre mercado. De acordo com eles, trata-se de uma forma de idolatria que explora e exclui os pobres. A doutrina social católica enfatiza o compartilhamento e a ajuda aos menos afortunados e, por isso, clérigos como Oscar Maradiaga têm como alvo o que percebem como &#8220;causas estruturais da pobreza&#8221;.</span></p>
<p>Porém, ao identificar essas causas, os ataques do cardeal contra a liberdade de mercado se tornam problemáticos. Embora sejam compreensíveis as preocupações sobre o relacionamento entre ricos e pobres, sua fé nas intervenções positivas do estado é que são &#8220;enganosa&#8221;. Ironicamente, o &#8220;livre mercado&#8221; denunciado com tanto empenho por Maradiaga é produto de profunda e contínua coerção estatal, numa escala pouco reconhecida. Devemos, portanto, distinguir entre dois empregos da expressão &#8220;livre mercado&#8221;, para que não caiamos na armadilha que vitimou Maradiaga – a armadilha de se opor ao libertarianismo em princípio sem compreender de fato o sistema que ele prescreve.</p>
<p>Os mercados livres não precisam ser a encarnação da dominação corporativa mundial que testemunhamos atualmente. Para a tradição anarquista individualista, de fortes raízes nos Estados Unidos, o livre mercado era simplesmente a troca voluntária entre indivíduos soberanos, com direitos e liberdades iguais. Se aplicado de forma consistente, esse sistema levaria à distribuição da riqueza e das propriedades de forma mais igualitária, como alegavam os anarquistas, o que efetivamente acabaria com a exploração dos trabalhadores pobres.</p>
<p>Muitos defensores libertários atuais do livre mercado ainda incorporam essa tradição, argumentando que o libertarianismo não pode ser uma defesa do capitalismo corporativo ou de algum outro eufemismo retórico para descrevê-lo. Para nós, o livre mercado é um sistema em que os indivíduos podem fazer o que quiserem dentro das fronteiras estabelecidas pela igual liberdade dos outros – isto é, todos os indivíduos estão em pé de igualdade enquanto agentes que podem abrir seus próprios negócios, se apropriar de bens ou vender seu trabalho e seus produtos.</p>
<p>Sem os subsídios sistemáticos às grandes empresas, a profusão de novas oportunidades para a independência individual e o auto-emprego significariam uma mudança drástica no poder de barganha dos trabalhadores. As grandes corporações não teriam mais a prerrogativa de oferecer baixos salários para &#8220;pegar ou largar&#8221;, porque os indivíduos poderiam escolher sem tantas consequências negativas &#8220;largar&#8221;. Com os monopólios à terra garantidos pelo governo desintegrados, com a abolição das barreiras regulatórias e de licenciamento, com a emissão livre de moedas alternativas concorrentes, nenhuma empresa poderia crescer ou se tornar mais influente sem o serviço adequado a seus consumidores.</p>
<p>É isso que muitos libertários querem dizer quando falam sobre o livre mercado. Não somos apaixonados pelo poder corporativo e pela realidade do capitalismo global como supõem o cardeal Maradiaga ou aqueles da esquerda políticas – muitos de nós são muito mais críticos do sistema econômico vigente que qualquer pessoa na esquerda progressista mainstream. Se de fato houver algum problema nas narrativas libertárias contemporâneas, ele se encontra em sua defesa inconsistente dos princípios de livre mercado, não em sua devoção &#8220;férrea&#8221; e &#8220;radical&#8221; a elas.</p>
<p>Há poucas dúvidas de que o cardeal Maradiaga seja bem intencionado e que suas preocupações a respeito da desigualdade de renda e sua compaixão pelos necessitados sejam genuínas. Porém, a oposição libertária à agressão em todas as suas formas – inclusive a ações estatais &#8220;legítimas&#8221; – não é contrária a essas preocupações.</p>
<p>A pobreza e a exploração sistêmicas dependem da agressão. Os católicos devem ter cuidado com a caracterização de Maradiaga do libertarianismo como apologia à ganância e à destituição econômica. Se fosse isso, a maioria dos libertários que eu conheço o oporiam também.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a></em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=28118&amp;md5=33236a4b1d6fe634a8b024142591e592" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>1º de maio: Um feriado libertário</title>
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		<pubDate>Fri, 02 May 2014 22:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Kevin Carson]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Os americanos foram condicionados a considerar o 1º de maio, o Dia do Trabalho, um &#8220;feriado comunista&#8221;, associado até recentemente com paradas militares na Praça Vermelha e &#8220;cumprimentos fraternais&#8221; dos líderes dos regimes marxistas-leninistas em nome de seus povos. Pode ser surpreendente pensar que se tratava, originalmente, de um feriado americano, criado pelos trabalhadores de Chicago para celebrar a campanha pela jornada de oito horas diárias e os mártires de Haymarket.</p>
<p>Talvez seja ainda mais surpreendente — tanto mais para os libertários atuais — notar que o 1º de maio é parte da herança do movimento libertário de livre mercado. Isso é contraintuitivo por alguns motivos óbvios. Desde Ludwig von Mises e Ayn Rand, o libertarianismo americano é associado — não sem razão — a uma defesa reflexiva do capitalismo e das grandes empresas. Apesar do realinhamento político à direita do movimento de livre mercado durante o século 20, havia uma grande esquerda de livre mercado no século 19, com laços estreitos aos movimentos socialista e trabalhista.</p>
<p>As origens do liberalismo clássico no Iluminismo coincidiam fortemente com as do movimento socialista original. Vários autores, como o britânico Thomas Hodgskin e os anarquistas individualistas americanos (ou anarquistas de Boston) reunidos em torno de Benjamin Tucker e da revista <em>Liberty</em>, pertenciam tanto aos grupos libertários de livre mercado quanto ao socialismo libertário. Em sua opinião, o capitalismo era um sistema em que o estado intervia em favor de latifundiários e outros rentistas, defendendo seus direitos de propriedade artificiais, monopólios e outros tipos de escassez artificiais, de onde se derivavam os lucros, juros e rendas. Para eles, o objetivo concreto do socialismo era a abolição desses monopólios, que permitiria que a competição no mercado pela oferta de capital e terras levasse seus rendimentos a zero, para que o salário natural do trabalho fosse seu produto completo.</p>
<p>Talvez não seja tão surpreendente que esses autores tivessem proximidade ou fossem participantes ativos nos movimentos socialista e trabalhista. Benjamin Tucker, embora se intitulasse socialista, era bastante indiferente às organizações trabalhistas. Ele considerava a organização contra os grandes donos de terras e o estabelecimento de bancos mútuos de crédito gratuito as formas de organização principais formas de ativismo — e era particularmente agnóstico quanto a que formas de associação as pessoas escolheriam numa economia livre desses monopólios.</p>
<p>Porém, vários participantes do grupo de anarquistas de Boston e do círculo da revista <em>Liberty</em> eram ativos na Liga de Reformas Trabalhistas de New England ou na União Nacional Trabalhista de William Sylvis, e mais tarde na Liga de Reformas Trabalhistas Americana. Havia também um contingente significativo de individualistas na <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/International_Working_People's_Association">Associação Internacional de Trabalhadores</a> (formada por anarquistas que se retiraram da Primeira Internacional, que foi tomada por seguidores de Marx) e no movimento nacional e nas greves gerais pela jornada diária de oito horas. Alguns individualistas importantes nos movimentos políticos socialista e trabalhista eram Ezra Heywood, William Greene, Joshua King Ingalls e Stephen Pearl Andrews.</p>
<p>Individualistas como Dyer Lum mais tarde tentaram construir pontes com o movimento trabalhista radical. Lum tentou unir a análise econômica individualista e o ativismo trabalhista radical. Envolveu-se com os <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Knights_of_Labor">Cavaleiros do Trabalho</a> e com a <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/American_Federation_of_Labor">Federação Americana do Trabalho</a>. Lawrence Labadie passou a promover ideias anarco-individualistas e mutualistas dentro dos sindicatos industriais — primeiro na <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Western_Federation_of_Miners">Federação de Mineiros do Oeste</a> e depois junto aos <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Industrial_Workers_of_the_World">Wobblies</a>.</p>
<p>A ligação comum que se faz do Dia do Trabalho com os partidos marxistas-leninistas e os regimes comunistas reflete uma vitória ideológica esmagadora dos defensores do capitalismo corporativo do século 20. Nos Estados Unidos, o contra-ataque ideológico começou com o culto à bandeira e o juramento nos anos 1890, continuou com o movimento pela &#8220;americanização&#8221; dos espaços de trabalho e das escolas públicas e culminou com a histeria belicista e a ameaça vermelha da administração Wilson, além das táticas de terror da Legião Americana, da Ku Klux Klan e dos Esquadrões Vermelhos locais.</p>
<p>Essa vitória ideológica foi conectada a outra vitória mais recente: a associação do &#8220;livre mercado&#8221; e da &#8220;livre empresa&#8221; ao capitalismo corporativo na opinião pública e a crença (promovida pelos gerencialistas autoritários do movimento progressista que roubaram o nome &#8220;liberal&#8221;) de que o estado regulatório são adversários em vez de aliados.</p>
<p>O 1º de maio não é só um dia para reclamar o Dia do Trabalho como um feriado essencialmente liberal e libertário, mas para afirmar que o livre mercado é o inimigo do poder e do capitalismo corporativo.</p>
<p><em>Traduzido do inglês para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
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