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	<title>Center for a Stateless Society &#187; interseccionalidade</title>
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		<title>Sobre o valor da teoria do privilégio: Um sumário</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jul 2014 01:00:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Kevin Carson]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[O sentido do privilégio]]></category>
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		<description><![CDATA[As trocas mútuas são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores. Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>As <a href="http://c4ss.org/content/category/mutual-exchange">trocas mútuas</a> são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores.</p>
<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, “<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>“. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria <a href="http://c4ss.org/content/category/o-sentido-do-privilegio">O sentido do privilégio</a>.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p>Ao ler o último artigo de Casey Given em nossa Mutual Exchange sobre o valor da teoria do privilégio, tenho ainda menos confiança que nunca de que ele entenda do que se trata a teoria que ele critica.</p>
<p>Ele continua, absurdamente, a tratar a interseccionalidade como alternativa à teoria do privilégio, quando ela, na verdade, pressupõe a teoria do privilégio e a utiliza como base. Ele continua a se referir à opressão como algo real, apesar do fato de que o privilégio é, por definição, a vantagem relativa de não ser oprimido em comparação àqueles que são. Nas palavras de Cathy Reisenwitz, o privilégio não é nada mais que o fato de que você &#8220;entrou na corrida alguns passos na frente&#8221; de outra pessoa. Você pode desgostar do termo &#8220;privilégio&#8221; para descrever esse fenômeno, mas o fato em si é real. E ocorre que o &#8220;privilégio&#8221; é o termo normalmente utilizado por ativistas sociais.</p>
<p>Eu repito, não importa se o aprendizado sobre o conceito de privilégio e a consideração sobre as formas de privilégio que as pessoas possuem as faz se sentir mal. Às vezes eu me sinto mal quando minha conta bancária cai para zero e eu não tenho ideia de quanto terei que esperar até que meu próximo contracheque chegue, mas as leis da matemática não dependem dos meus sentimentos. Given afirma que a &#8220;conscientização sobre os próprios privilegios não acaba com a pobreza ou a opressão sistemáticas&#8221;. A conscientização a respeito das leis da gravidade e da balística também é incapaz de levá-lo a Marte, mas ignorá-las e agir como se elas não existissem é garantia de que você nunca chegará lá.</p>
<p>Given também alega que a análise dos privilégios é notória por &#8220;coletivizar as pessoas&#8221; e a justapõe à interseccionalidade como maneira de &#8220;analisar as várias interseções de privilégio e opressão sobre os quais o indivíduo se encontra&#8221;. Mas, como o próprio Given sugere aqui, a própria palavra &#8220;interseccionalidade&#8221; implica que algo está em interseção. Esse algo — como ele admite — são os eixos de privilégio e opressão nos quais se encontram indivíduos específicos. Se a prática da interseccionalidade foi criada por aqueles que utilizam a teoria do privilégio como uma expansão natural daquela teoria e é vista — tanto por seus criadores quanto por Given — como a aplicação das formas interseccionais de privilégio a casos individuais, então é óbvio que a visão do privilégio como &#8220;coletivista&#8221; e em oposição à interseccionalidade reflete seu fracasso em entender o conceito.</p>
<p>A interseccionalidade é plenamente consistente com a teoria do privilégio porque a teoria do privilégio, quando bem compreendida, náo é uma identidade monolítica ou um valor absoluto. Uma boa comparação são os vários diferenciais positivos e negativos — exaustão, perturbação do moral, esgotamento do combustível ou munição, supressão por artilharias próximas, etc. — que podem ser atribuídos a uma unidade de combate em um dos antigos jogos de tabuleiros em grade como eram produzidos pela Avalon Hill e pela SPI. Aplicar um diferencial específico negativo não significa necessariamente que uma unidade de combate seja mais fraca que outra em termos absolutos, mas significa que ela é muito mais fraca do que seria naturalmente. Um negro de classe alta dentro da hierarquia gerencial corporativa pode ter mais privilégios em termos agregados que uma mulher que trabalha na sala de correspondências, mas sua raça reduz seu diferencial de status em relação ao que ele teria se, por exemplo, as circunstâncias fossem idênticas, a não ser pelo fato de a mulher das correspondências ser negra e o executivo ser um homem branco.</p>
<p>Nesse sentido, a interseccionalidade é um remédio. Mas é um remédio não para o conceito de privilégio, mas para a má compreensão e aplicação da teoria do privilégio que ocorreu a reboque da chamada &#8220;política identitária&#8221; dos anos 1970. Repetindo: a interseccionalidade é um remédio não para a teoria do privilégio, mas para a politica identitária. Given parece confundir uma com a outra. Havia, de fato, vários problemas com as análises associadas à política identitária dos anos 1970. Elas tratavam as identidades de raça ou gênero como formas absolutas e monolíticas de opressão que se sobressaiam a todo o resto. Nós vemos a sobrevivência de algumas formas desse tipo de pensamento hoje em dia entre feministas radicais com raízes ao feminismo da segunda onda. Algumas feministas brancas de classe média-alta dessa origem argumentam — a sério! — que não podem ser culpadas pela opressão de classe ou de raça, que não possuem privilégios de classe ou raça, que não têm nada a ver com a opressão de trabalhadoras do sexo ou mulheres trans, porque, enquanto mulheres, elas por definição não são capazes de oprimir. O conceito de interseccionalidade foi criado como remédio para esse entendimento errôneo do privilégio. Dessa forma, ele não é uma alternativa à teoria do privilégio, mas sua evolução.</p>
<p>Given expressa perfplexidade pelo fato de que Cathy Reisenwitz, Nathan Goodman e eu parecemos concordar com varias de suas premissas, porém não concordamos com a conclusão que ele tira de que a teoria do privilégio é perniciosa. A razão para esse fato é que suas conclusões não se seguem de suas observações, porque suas observações não se aplicam à teoria do privilégio da maneira que ele imagina.</p>
<p>Na verdade, eu estou igualmente perplexo, dadas algumas afirmações de Given em seu último artigo, que ele continue a discordar de nós. A &#8220;mensagem interessante&#8221; por trás da ideia de checar seus privilégios, afirma ele, é que os indivíduos devam ter consciência das (e presumivelmente agir de acordo) &#8220;opressões por que a pessoa passou em toda a sua vida&#8221; e das &#8220;vantagens e desvantagens sociais de que desfrutam em sua interação com os outros&#8221;. Sim, exatamente. Ter consciência sobre esses fatos e agir de acordo com eles é o que pretende a teoria do privilégio e a interseccionalidade.</p>
<p>Given afirma que são apenas uma &#8220;cortesia comum&#8221; e &#8220;boas maneiras&#8221;, mas quer saber? Embora os conceitos e as práticas do ativismo social sejam rejeitados pela direita cultural como se fossem novos, radicais ou exóticos (&#8220;politicamente correto&#8221;, &#8220;polícia do pensamento&#8221;, etc), na realidade não são nada senão princípios morais tão antigos quanto a humanidade, aplicados universal e consistentemente.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=29167&amp;md5=2618ea70352ebe064aa4929cc00c5ab7" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>A interseccionalidade na prática torna a teoria do privilégio obsoleta</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jul 2014 00:00:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Casey Given]]></dc:creator>
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<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, “<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>“. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria <a href="http://c4ss.org/content/category/o-sentido-do-privilegio">O sentido do privilégio</a>.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p><span style="line-height: 1.5em;">Ao escrever o primeiro artigo desta <em>Mutual Exchange</em>, eu pretendia avançar três pontos a respeito do privilégio. Primeiro, que é uma estrutura ineficiente para promover a tolerância social, uma vez que ela parece induzir culpa em pessoas supostamente privilegiadas, gerando rejeição. Segundo, que ignora a opressão para intimidar indivíduos a se sentirem culpados por terem &#8220;privilégios&#8221; que deveriam, em última análise, deveriam ser direitos de todos. Terceiro, que não é uma teoria que apresenta um mapa para mudanças sociais, uma vez que a conscientização sobre os próprios privilégios não acaba com a pobreza ou a opressão sistemáticas.</span></p>
<p>Para minha surpresa, os três artigos em resposta ao meu primeiro concordaram comigo em vários desses argumentos, embora ainda rejeitassem a conclusão de que a análise do privilégio é, portanto, inadequada. A respeito do primeiro ponto, Cathy Reisenwitz concorda que o privilégio &#8220;faz com que brancos se sintam culpados&#8221;. Nathan Goodman reconhece que &#8220;muitas pessoas têm reações negativas à essa expressão [&#8216;cheque seus privilégios&#8217;]&#8221;, o que o faz &#8220;preferir evitá-la&#8221;. Kevin Carson, do mesmo modo, admite que a rejeição aos exercícios contra o privilégio por parte de alguns estudantes ocorre por perceberem que se trata de uma tentativa de fazê-los se sentirem culpados. Contudo, ele não acha que o privilégio, se ensinado corretamente, devesse fazê-los se sentir dessa maneira: &#8220;Se essa for, de fato, sua percepção, parece que alguém não está ensinando direito ou, por algum motivo, alguém não está aprendendo.&#8221;</p>
<p>Sobre meu segundo argumento, Kevin reconhece que o objetivo final do ativismo social deve ser a extensão dos privilégios a todos, de forma que pessoas de todos os gêneros, raças, classes e capacidades se sintam &#8220;bem recebidos e normais, não excluídos&#8221; da vida cotidiana. Nathan reconhece que discussões sobre o privilégio &#8220;se tornam vagas&#8221; porque &#8220;direitos básicos ou expectativas razoáveis que temos em relação a vários humanos são citadas como &#8216;privilégios'&#8221;.</p>
<p>Sobre meu terceiro ponto, Cathy concorda que &#8220;chamar essas coisas de opressão ou privilégio não vai acabar com elas&#8221;.</p>
<p>Essas são concordâncias muito maiores do que eu esperava, o que me deixa ainda mais perplexo que os três tenham rejeitado minhas conclusões. Kevin e Nathan as rejeitam trazendo a interseccionalidade como alternativa e maneira de contornar os problemas comuns da teoria do privilégio, favorecendo &#8220;o exame de indivíduos e da opressão e privilégios que experimentam de maneira holística&#8221;, como colocado por Nathan.</p>
<p>Mas o que significaria a interseccionalidade em ação? Uma vez que o objetivo é analisar as várias interseções de privilégio e opressão sobre os quais o indivíduo se encontra (daí seu nome), me parece que a interseccionalidade não é capaz de coletivizar as pessoas como o privilégio. Afinal, a discussão do privilégio e da opressão experimentada por uma classe de pessoas necessariamente resulta em generalizações que excluem os membros mais marginalizados do grupo.</p>
<p>Como Kevin apropriadamente colocou, a noção de que exista &#8220;uma &#8216;experiência feminina típica&#8217; pode excluir mulheres negras, trabalhadoras e trans&#8221;. A interseccionalidade, portanto, trabalha para evitar que &#8220;CEOs ricas como Sheryl Sandberg e Marissa Mayer se passem por porta-vozes das &#8216;mulheres típicas&#8217; e evitem posições similares à hegemonia por uma classe profissional de &#8216;lideranças negras&#8217; dentro do movimento pelos direitos civis&#8221;.</p>
<p>Neste caso, os defensores da interseccionalidade deveriam alegar que quaisquer afirmações coletivizantes da teoria do privilégio devem ser vistas com suspeita. Por exemplo, o exercício do marshmallow da Universidade de Dellaware mencionado por mim não seria apropriado porque faz julgamentos normativos de classe sem examinar a interseccionalidade das identidades de cada indivíduo. Um estudante branco pode não possuir marshmallows em sua boca, por exemplo, apesar do fato de que ele saiu da extrema pobreza. Uma lésbica pode ter a mesma quantidade de marshmallows na boca que uma mulher trans, embora as duas experimentem dois tipos radicalmente diferentes de intolerância LGBT.</p>
<p>Dessa forma, a interseccionalidade na prática parece fazer com que a teoria do privilégio se torne obsoleta. Qualquer tentativa de ilustrar exemplos de privilégios hierárquicos fatalmente fracassaria, uma vez que os indivíduos experimentam a opressão de formas complexas e multifacetadas. Assim, a própria teoria que deveria salvar a análise de privilégios acaba por desbancá-la. A única solução é fazer julgamentos individuais com base em circunstâncias específicas sobre as interseções de privilégios e opressões por que a pessoa passou em toda a sua vida.</p>
<p>Devo admitir aqui que existe uma mensagem interessante por trás da expressão &#8220;cheque seus privilégios&#8221;. Em seu núcleo está um apelo para que os indivíduos se conscientizem a respeito da opressão sentida por outras pessoas durante toda a sua vida. Contudo, mesmo essa função não é nova ou revolucionária. Esse apelo à humildade já existe há décadas sob o antigo adágio &#8220;Antes de julgar alguém, ande um quilômetro com seus sapatos&#8221;. Não há dúvida de que os indivíduos devam estar conscientes das vantagens e desvantagens sociais de que desfrutam em sua interação com os outros, mas isso é apenas uma cortesia comum.</p>
<p>A teoria do privilégio, por outro lado, transforma essa educação básica em uma ideia auto-congratulatória de mudança social. Mas, como eu disse em meu artigo original, a conscientização sobre as próprias circunstâncias não é capaz de acabar com a opressão sistemática. É por isso que os libertários devem enfatizar a opressão e não o privilégio na luta contra as políticas governamentais que sacrificam os menos privilegiados.</p>
<p>Talvez o maior problema da teoria do privilégio é que ela pinta o avanço da história com tons nebulosos. Embora seja necessário ainda mais progresso, vivemos hoje em dia no momento mais socialmente tolerante da história humana. A maioria de nós trabalha, vive e interage com pessoas de diferentes raças, religiões e sexualidades regularmente. Esse fato notável é a exceção, não a regra durante a história. A emergência de direitos de propriedade e do império da lei ao longo dos últimos séculos permitiu lentamente que a sociedade chegasse ao ponto em que pessoas de origens completamente diferentes possam coabitar o mesmo espaço, o mesmo ambiente de trabalho, o mesmo bairro ou até a mesma casa sem conflito. Ao invés de nos distrairmos por uma análise divisiva sobre o privilégio, os libertários devem procurar promover a força unificadora dos mercados através da luta contra a opressão governamental.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=29163&amp;md5=c0a606b7414c1cb5b205e911e321eb49" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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