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	<title>Center for a Stateless Society &#187; individualismo</title>
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	<description>building public awareness of left-wing market anarchism</description>
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		<title>A criminalização do aborto e suas vítimas</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Sep 2014 00:00:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Valdenor Júnior]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Jandira Magdalena dos Santos desapareceu após realizar um aborto clandestino no último dia 26 de agosto. Seu último contato com o ex-marido, Leandro Brito Reis, deixa claro que ela pressentiu o perigo que estava correndo: na última mensagem enviada do celular, ela escreveu: “Amor mandaram desligar o telefone, tô em pânico, ore por mim!”. Duas...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Jandira Magdalena dos Santos desapareceu após realizar um aborto clandestino no último dia 26 de agosto. Seu último contato com o ex-marido, Leandro Brito Reis, deixa claro que ela pressentiu o perigo que estava correndo: na última mensagem enviada do celular, ela escreveu: “Amor mandaram desligar o telefone, tô em pânico, ore por mim!”. Duas horas depois de receber esta mensagem, Leandro enviou mensagem de celular para saber de notícias, mas não houve resposta.</p>
<p>A tragédia de Jandira vem juntar-se à tragédia de milhares de mulheres brasileiras, que realizam abortos em condições inseguras ou perigosas porque o estado brasileiro proíbe o aborto.</p>
<p>Estima-se que sejam feitos 1 milhão de abortos por ano no Brasil. Na América Latina, 95% dos abortos são inseguros, o que, segundo o ginecologista e obstetra representante do Grupo de Estudos do Aborto (GEA) <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2013-09-20/clandestinas-retratos-do-brasil-de-1-milhao-de-abortos-clandestinos-por-ano.html">Jefferson Drezett</a>, é a interrupção da gravidez praticada por um indivíduo sem prática, habilidade e conhecimentos necessários ou em ambiente sem condições de higiene.</p>
<p>O Conselho Federal de medicina já reconhece que o aborto de risco é a quinta causa mais comum de <a href="http://noticias.r7.com/saude/aborto-e-a-quinta-causa-de-mortalidade-materna-segundo-conselho-federal-medicina-21032013">mortalidade materna</a>. Muitas dessas mulheres ou morreram ou ficam com sequelas irreversíveis em seus corpos.</p>
<p>Algumas dessas mulheres foram estupradas, mas, mesmo a legislação permitindo o aborto neste caso, até a aprovação da <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12845.htm">lei de 2013</a> que obriga o atendimento em hospitais públicos, era muito difícil realizá-lo pelo SUS, que atende mulheres pobres. Sem essa lei, milhares de mulheres estavam desprotegidas, privadas de um direito básico em face da violência sexual sofrida, especialmente as mais pobres. A bancada conservadora e religiosa no Congresso pretende revogar esta lei. Fica a pergunta: é justo que esse poder de privar mulheres de direitos civis esteja nas mãos do Congresso?</p>
<p>Concordo com o jurista norte-americano Ronald Dworkin, em seu livro <em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?isbn=8533615604):">O Domínio da Vida</a></em>, que afirma que as pessoas desejam proibir o aborto, porque entendem que há um valor sagrado na vida que deve ser preservado. Mas esse valor sagrado da vida é avaliado por pessoas diferentes de formas diferentes. É perfeitamente possível que a decisão pelo aborto seja tomada levando-se em conta se realmente é valorizar a vida prosseguir com uma gravidez indesejada e sem condições de suporte à futura criança. Não é o estado quem deve tomar essa decisão; quem deve pesar esta decisão moral é a pessoa que mais sofrerá as consequências dela em seu corpo e em sua mente: a mãe.</p>
<p>A <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2013-09-20/clandestinas-retratos-do-brasil-de-1-milhao-de-abortos-clandestinos-por-ano.html">história de Marta</a> (nome fictício) é paradigmática. Mulher, 37 anos, pobre, com instrução apenas até o 1º grau, mãe solteira de 3 filhos pequenos, que vinha de um histórico de abandono por parte dos pais das crianças (inclusive o da gravidez que interrompeu) e estava desempregada quando, em 2010, em um ato de desespero, comprou um remédio abortivo por 250 reais, tirados de sua única fonte de sobrevivência, a pensão da filha, o qual (por ter sido aplicado incorretamente) ocasionou sangramento e fortes dores. Marta foi levada ao banco dos réus pelo crime de aborto, denunciada pela médica que a atendeu, e aceitou assinar uma confissão para obter a suspensão condicional do processo.</p>
<p>A bancada conservadora e religiosa do Congresso é que sabe qual deveria ter sido a decisão desta mulher nas difíceis circunstâncias em que se encontrava?</p>
<p>Alguns dirão que é a tradição histórica da sociedade que deve prevalecer. A mesma tradição que, conforme denunciou a anarquista individualista <a href="http://mercadopopular.org/2014/05/seduzidas-e-desonradas/">Maria Lacerda de Moura</a>, consagrou a “miserável moral de coronéis, de covardes e cretinos” que condenava as mulheres desviantes às “portas da prostituição barata das calçadas, com todo o seu cortejo de misérias, de sífilis, de bordeis, de humilhações, do hospital e da vala comum”?</p>
<p>Jandira desapareceu. Talvez nunca saibamos o que exatamente ocorreu. Mas nós sabemos como evitar que mais Jandiras desapareçam e morram em nome de uma falsa moralidade: acabando com o poder do estado sobre os corpos das mulheres. Se necessário, por meio de <a href="http://c4ss.org/content/27531">ação direta</a>: a ONG holandesa <em>Women on Waves Foundation</em> (Fundação Mulheres sobre as Ondas) pretende oferecer a <a href="http://www.istoe.com.br/reportagens/38416_ABORTO+EM+ALTO+MAR">opção do aborto</a> a mulheres que moram em países onde a prática é ilegal, em uma embarcação em águas internacionais, onde as leis de criminalização do aborto não vigem.</p>
<p>Precisamos de <a href="http://c4ss.org/content/27977">menos espaços de poder</a> para oprimir as mulheres e mais autonomia feminina para controlar seus corpos e tomar importantes decisões morais por si mesmas, como aquelas relativas à gravidez.  Caso contrário, as mulheres brasileiras não estarão seguras contra a opressão social e a agressão estatal.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=31670&amp;md5=c28e052b4f5f88d224c62e19973b3b4d" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>El anarquismo individualista y la jerarquía</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Sep 2014 21:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alan Furth ES]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Spanish]]></category>
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		<description><![CDATA[El anarquismo y la jerarquía tienen una relación compleja. Algunos anarquistas proclaman estar en contra de toda jerarquía (a veces incluso definen el anarquismo en base a esa proclamación) y otros declaran que simplemente se oponen al Estado y no se preocupan por la jerarquía en sí misma. Creo que el anarquismo individualista bien entendido...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>El anarquismo y la jerarquía tienen una relación compleja. Algunos anarquistas proclaman estar en contra de toda jerarquía (a veces incluso definen el anarquismo en base a esa proclamación) y otros declaran que simplemente se oponen al Estado y no se preocupan por la jerarquía en sí misma. Creo que el anarquismo individualista bien entendido se ubica en algún lugar entre estos dos extremos.</p>
<p>El anarquismo individualista, en definitiva, es la idea de que el ser humano individual es la unidad fundamental que conforma a la &#8220;sociedad&#8221;. Por lo tanto, cualquier sistema político, o más exactamente, cualquier no-sistema apolítico que esté en vigencia, debe dar primacía al individuo y respetar su soberanía como ser libre. El no-sistema que logra este objetivo de manera óptima es el anarquismo.</p>
<p>La jerarquía es &#8220;un sistema u organización en el que las personas o grupos se clasifican como uno más importante que el otro en función del estatus o la autoridad&#8221;. En algunos casos, este tipo de sistema es intrínsecamente malo (o malo en sí mismo); en otros es permisible e incluso bueno, y en otros es objetable, pero no intrínsecamente malo.</p>
<p>La jerarquía es obviamente problemática e incluso inmoral cuando se mantiene a través de la iniciación de la fuerza. Como individualistas, apoyamos la soberanía del individuo y consideramos que la autonomía personal es de extrema relevancia moral. La capacidad de ejercer las facultades y habilidades de cada quien, de acuerdo a su propia voluntad, es el derecho fundamental de cada individuo (y dado que cada persona tiene este derecho, este implica una limitación sobre la voluntad de impedir violentamente las acciones de otros).</p>
<p>El acto de subordinar las metas de los otros por la fuerza y sustituirlas por las propias es una afrenta a la individualidad de ambas personas y una violación de los derechos. Sí, el acto de agresión es inmoral en sí mismo. Pero un sistema de jerarquía mantenido en base a la agresión somete a ciertos individuos a la autoridad de otros; cuando uno no es más que un siervo, obediente a los niveles más altos de la jerarquía, no hay individualidad, y eso es algo con lo que estamos evidentemente en desacuerdo.</p>
<p>Esto lleva al individualista a rechazar el uso de la violencia, y por lo tanto, al Estado. El Estado, al contrario de lo que postulan los teóricos del contrato social, se apoya en la violencia para mantener su financiación y su monopolio del uso legítimo de la fuerza dentro de una región. Los Estados son sistemas jerárquicos conformados por depredadores agresivos. Son la antítesis del individualismo.</p>
<p>Para muchos anarquistas la propiedad privada es inherentemente jerárquica, y por lo tanto inadmisible. Y tienen razón solo en parte: en cierto sentido la propiedad privada crea una jerarquía entre el dueño de un bien y todos los demás. Sin embargo, la propiedad privada tiene otras ventajas que son dignas de consideración. No hay razón para reducir nuestro análisis a una cuestión de jerarquía o no jerarquía. Hay otros factores moralmente relevantes.</p>
<p>La propiedad privada es útil por una serie de razones, sobre todo por razones consecuencialistas. Un sistema de propiedad privada crea una sociedad próspera y rica que puede asignar eficientemente los recursos escasos. Adicionalmente, y de gran importancia para el individualista, la propiedad privada es vital para la autonomía personal. Tal como lo <a href="http://www.freenation.org/a/f53l1.html#04">plantea</a> Roderick Long,</p>
<blockquote><p>La necesidad humana de la autonomía: la capacidad de controlar la propia vida sin la interferencia de otros. Sin propiedad privada, no tengo ningún punto de apoyo verdaderamente mío; no tengo ninguna esfera protegida dentro de la cual pueda tomar decisiones sin obstáculos impuestos por la voluntad de otros. Si la autonomía (en este sentido) es valiosa, entonces necesitamos la propiedad privada para su realización y su protección.</p></blockquote>
<p>Sin propiedad privada, el alcance del individuo se ve restringido a favor de la comunidad o la sociedad. Como individualistas deberíamos promover la maximización de la autonomía de cada persona, y la propiedad privada es beneficiosa en ese sentido.</p>
<p>Por otra parte, la sustitución de la propiedad privada con la propiedad colectiva no elimina la existencia de jerarquía. Simplemente pone en el nivel más alto de la jerarquía a la mayoría del colectivo en lugar del propietario individual. Bajo la propiedad colectiva, cualquiera que en ese momento conforme la mayoría tiene la potestad de decidir sobre el uso que se le da a la propiedad, y quedan, por lo tanto, en un lugar de autoridad sobre la minoría.</p>
<p>Digno de mención es la cuestión de la crianza de los hijos o la familia. La relación padre-hijo es históricamente jerárquica. Sin embargo, sin entrar mucho en el complicado ámbito de los derechos del niño, la autoridad empleada apropiadamente por los padres en la crianza de sus hijos no se basa en la fuerza en el mismo sentido en que se utiliza la fuerza en contra de un adulto (la cuestión de dónde debe trazarse esa línea es otra cuestión bastante complicada). Si bien hay casos de uso de la fuerza que son injustos, como en el caso del abuso, hay otros casos del uso de la fuerza que son justos, tales como obligar a un niño a que coma su cena. Y puesto que la jerarquía padres-hijos es aparentemente beneficiosa para los individuos involucrados, no hay nada en ella que moleste al anarquista individualista. (Para más información sobre la perspectiva anarquista individualista sobre los derechos de los niños, ver la sección de este ensayo titulada &#8220;<a href="http://www.freenation.org/a/f43l2.html">Los Derechos de los Niños</a>&#8220;)</p>
<p>¿Y qué puede decirse de los sistemas de jerarquía no violenta? Muchos de los casos en este sentido dependerán de los detalles de la situación y el contexto específico. Pero en general podemos decir que la jerarquía, incluso la jerarquía &#8220;consensual&#8221;, siempre es <em>potencialmente</em> problemática para el individualista. Puesto que consideramos que la autonomía y el ejercicio de las facultades propias son sumamente importantes, las situaciones en las que las personas se someten voluntariamente a la autoridad completa de otros, creando una jerarquía, pueden muy bien ser objetables.</p>
<p>Considérese la posibilidad de una pequeña ciudad en la que todos los ciudadanos, por una razón u otra, someten voluntariamente toda la propiedad individual a la propiedad colectiva. Por las razones expuestas acerca de los efectos de la propiedad privada sobre los incentivos y la autonomía de las personas, podemos decir que una ciudad basada en la propiedad privada es preferible a una ciudad basada en la propiedad colectiva. Por lo tanto, como individualistas que valoran la prosperidad y la autonomía, tenemos buenas razones para objetar la creación de una ciudad basada en el comunismo voluntario, incluso si esto se limita simplemente a expresar nuestra opinión de que los ciudadanos están tomando una decisión desacertada y en su lugar deberían adoptar un sistema de propiedad privada.</p>
<p>Por las razones mencionadas anteriormente, la iniciación de la fuerza es inadmisible par el individualista. Después de todo, el uso de la fuerza implicaría someter a la gente de la ciudad a nuestra voluntad, lo cual es activamente inmoral y peor que sus decisiones voluntarias. Así que sería un error usar la fuerza para evitar que la gente de la ciudad adoptase el comunismo voluntario.</p>
<p>Sin embargo, usar herramientas como la persuasión, las campañas educativas o los boicots es aceptable y hasta recomendable (el que estas medidas sean eficaces y valgan la pena es otro tema). Reconocemos que el comunismo voluntario es un mal sistema para la gente que vive en él (y también potencialmente malo para otros por razones económicas, o si las ideas comienzan a extenderse y ganar apoyo), y someterse a los caprichos de la mayoría es un error, por lo que no tendría sentido ser ambivalentes al respecto.</p>
<p>También está el tema de las formas comunales de propiedad horizontalmente organizadas y autogestionadas. Éstas no son exactamente las mismas que las que prevalecerían bajo un régimen de propiedad colectiva. Los recursos comunes donde los derechos posesorios privados del individuo están estrictamente definidos, son mucho más propensos a proteger y fomentar la autonomía personal y el individualismo que el colectivismo pleno, a pesar de que puedan ser problemáticos dependiendo de cómo se organizan exactamente los recursos comunes.</p>
<p>Puede que la cuestión de la jerarquía en el lugar de trabajo sea objetable, pero no necesariamente. Los grandes centros de trabajo jerárquicos que tienden a tratar a los trabajadores como engranajes de una máquina o como herramientas de los empleadores claramente no están en línea con la filosofía individualista. Un lugar de trabajo donde se ningunea y se falta el respeto a los empleados de menor jerarquía deben ser objetados (de manera no agresiva) por cualquier persona a la que le importen la autonomía y el respeto a las personas.</p>
<p>Ahora bien, esto no implica que toda jerarquía en el lugar de trabajo sea mala en absolutamente todos los casos. A veces será preferible por razones económicas. A veces la jerarquía es mínima, se respeta a los empleados y se toma en cuenta su opinión. A veces, a pesar de ser jerárquica, la empresa es relativamente plana. Si bien muchas de las grandes corporaciones hoy en día rechazan los compromisos individualistas, no todos los lugares de trabajo jerárquicos son intrínsecamente malos. Simplemente tienen el potencial de ser malos.</p>
<p>Preguntar simplemente si algo es jerárquico y dar por terminado nuestro análisis moral es un error. Del mismo modo, preguntar simplemente si algo es coercitivo y dar por terminado nuestro análisis moral es un error. El individualismo considera muchos elementos como moralmente relevantes. Es cierto que la agresión y la libertad negativa son importantes. Pero también lo es la autonomía personal. Y también lo son la prosperidad y las consecuencias sociales beneficiosas. Tanto la economía política como la filosofía moral requieren del pluralismo de valores y del análisis meticuloso.</p>
<p>La lección que debemos aprender sobre la jerarquía no violenta es que, como casi todo en la vida, no es intrínsecamente mala, pero tiene el potencial de ser mala. Los sistemas de jerarquía voluntaria promueven una cultura de obediencia y colectivismo, y posiblemente podrían conducir a sistemas que se basan en la violencia. Éstos desalientan la individualidad, el libre pensamiento y la autonomía. Por estas razones, la jerarquía no violenta nunca es intrínsecamente mala para el anarquista individualista, pero siempre es potencialmente problemática y a menudo desagradable.</p>
<p>La posición del anarquista individualista respecto a la jerarquía se ubica en algún lugar entre el &#8220;siempre es malo&#8221; y el &#8220;nunca es malo&#8221;. A veces lo es. Pero otras veces no. Como he dicho anteriormente, la relación entre el anarquismo y la jerarquía es compleja y complicada. Parte de ser un individualista, un ser humano, es pensar las cosas por nosotros mismos, con rigor y exhaustivamente. No siempre hay principios claros y tajantes que nos exoneren de pensar por nosotros mismos, independientemente de qué tan cómodo sea el sillón desde el que pensemos.</p>
<p>Artículo original publicado <a href="http://c4ss.org/content/30804">por Cory Massimino el 30 de agosto de 2014</a>.</p>
<p>Traducido del inglés por <a href="http://es.alanfurth.com">Alan Furth</a>.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=31419&amp;md5=5268b1a7ac242aab2f8311fac1f67b39" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>O anarquismo individualista e a hierarquia</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Sep 2014 00:45:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Cory Massimino]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[O anarquismo e a hierarquia têm um relacionamento complexo. Alguns anarquistas afirmam se opor a todo tipo de hierarquia (às vezes até definindo o anarquismo como tal) e outros afirmam que são apenas contrários ao estado e que não se importam com a hierarquia em si. Eu acredito que o anarquismo individualista caia entre os...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O anarquismo e a hierarquia têm um relacionamento complexo. Alguns anarquistas afirmam se opor a todo tipo de hierarquia (às vezes até definindo o anarquismo como tal) e outros afirmam que são apenas contrários ao estado e que não se importam com a hierarquia em si. Eu acredito que o anarquismo individualista caia entre os dois extremos.</p>
<p>O anarquismo individualismo, resumidamente, é a posição de que o indivíduo é a base da &#8220;sociedade&#8221;. Assim, em qualquer sistema político — ou, mais precisamente, qualquer não-sistema apolítico — que exista deve dar primazia ao indivíduo e respeitar sua soberania como ser livre. O não-sistema que melhor alcança esse objetivo é o anarquismo.</p>
<p>A hierarquia é &#8220;um sistema ou organização no qual pessoas ou grupos são ordenados acima uns dos outros de acordo com status ou autoridade&#8221;. Em alguns casos, esse tipo de sistema é inerentemente errado (ou mau); em outros, é permissível ou até mesmo bom; já em alguns, pode não ser inerentemente ruim, mas ainda é condenável.</p>
<p>A hierarquia é obviamente problemática e até imoral quando mantida através da iniciação da força. Como individualistas, defendemos a soberania do indivíduo e consideramos a autonomia de uma pessoa como fato moral extremamente relevante. A capacidade de exercer faculdades e capacidades próprias ao máximo de acordo com a própria volição é um direito individual de cada indivíduo (e já que toda pessoa tem esse direito, ele implica uma limitação para quando se impede as ações dos outros).</p>
<p>O ato de subordinar os objetivos dos outros pela força, substituindo-os pelos seus, é uma afronta à individualidade das duas pessoas e uma violação de seus direitos. O ato da agressão é imoral em si, mas um sistema hierárquico mantido pela agressão coloca certos indivíduos em sujeição a outros. Quando um é meramente um servo, obediente aos níveis mais altos da hierarquia, não há individualidade — algo a que obviamente nos opomos.</p>
<p>Isso leva o individualista a rejeitar o uso da violência e, portanto, o estado. O estado, ao contrário do que afirmam os teóricos do contrato social, depende da violência para manter seu financiamento e seu monopólio sobre o uso legítimo da força dentro de uma área geográfica. Os estados são sistemas de predadores agressivos e hierárquicos. São a antítese do individualismo.</p>
<p>Para muitos anarquistas, a propriedade privada é inerentemente hierárquica e, portanto, inadmissível. Estão apenas parcialmente corretos. Em certo sentido, a propriedade privada cria uma hierarquia entre o dono de uma propriedade e as demais pessoas. Contudo, a propriedade privada tem outros benefícios dignos de consideração. Não há motivos para restringirmos nossa análise à questão única da presença ou não da hierarquia. Há outros fatores moralmente relevantes.</p>
<p>A propriedade privada é útil por vários motivos, muitos deles com importantes consequências. Um sistema de propriedade privada cria uma sociedade próspera e rica que é capaz de alocar eficientemente recursos escassos. Adicionalmente, e de grande significância para o individualista, a propriedade privada é vital para a autonomia pessoa. Como escreve Roderick Long:</p>
<blockquote><p>&#8220;A necessidade humana de autonomia: a capacidade de controlar a própria vida sem a interferência dos outros. Sem a propriedade privada, eu não teria um local no qual me localizar para chamar de meu; eu não teria uma esfera de proteção na qual eu pudesse tomar decisões sem as limitações da vontade dos outros. Se a autonomia (nesse sentido) é valiosa, então precisamos da propriedade privada para sua realização e proteção.&#8221;</p></blockquote>
<p>Sem a propriedade privada, o escopo do indivíduo é restringido em favor da comunidade ou da sociedade. Enquanto individualistas, devemos nos preocupar com a maximização da autonomia de cada pessoa e, para isso, a propriedade privada é benéfica.</p>
<p>Além disso, a substituição da propriedade privada pela propriedade coletiva não elimina a existência da hierarquia, mas simplesmente desloca o nível mais alto da hierarquia do proprietário para a maioria coletiva. Sob a propriedade coletiva, aqueles que compõem a maioria podem decidir para que a propriedade deve ser usada e estão, portanto, em posição de autoridade em relação à minoria.</p>
<p>É digna de nota a questão dos pais e da família. O relacionamento entre pais e filhos é historicamente hierárquico. Contudo, sem entrar na esfera complicada dos direitos das crianças, a autoridade empregada pelos pais ao criar seus filhos não depende da força da mesma maneira que a força usada contra um adulto (em que ponto estabelecer esse limite é outra questão complexa). Embora existam exemplos do uso da força que sejam injustos, como o abuso físico, há outros que são justos, como forçar uma criança a comer seu jantar. Uma vez que a hierarquia entre pais e filhos aparentemente é benéfica para os envolvidos, os anarquistas individualistas não veem problemas com ela (para uma elaboração sobre a posição dos anarquistas individualistas sobre os direitos das crianças, veja a seção <a href="http://www.freenation.org/a/f43l2.html">deste ensaio</a> intitulada &#8220;The Rights of Children&#8221; — em inglês).</p>
<p>E quanto aos sistemas de hierarquia não-violenta? Muitos desses dependem da situação e do contexto específico, mas podemos dizer que, geralmente, a hierarquia, mesmo que &#8220;consensual&#8221;, é sempre <em>potencialmente</em> problemática para o individualista. Uma vez que consideramos a autonomia e o exercício das faculdades individuais como sumamente importantes, situações em que as pessoas se submetem voluntariamente à autoridade dos outros, criando uma hierarquia, podem ser condenáveis.</p>
<p>Considere o exemplo de uma pequena cidade em que todos, por um ou outro motivo, submetam voluntariamente suas propriedades à gerência coletiva. Pelos motivos explicados acima a respeito dos efeitos da propriedade privada sobre a autonomia, podemos dizer que uma cidade em que exista propriedade privada é preferível a uma em que haja propriedade coletiva. Então, como individualistas que valorizam a prosperidade e a autonomia, temos bons motivos para nos opor a uma cidade voluntariamente comunista — mesmo que seja apenas uma manifestação da vontade das pessoas, que estão tomando uma má decisão e deveriam adotar um sistema de propriedade privada.</p>
<p>Pelos motivos mencionados acima, a iniciação do uso da força é inadmissível para o individualista. Afinal, utilizar a força deveria ser o mesmo que sujeitar as pessoas à nossa vontade, o que é ativamente imoral e pior do que suas decisões voluntárias. Então, seria errado utilizar a força para impedir os habitantes da cidade de estabelecerem um sistema comunista voluntário.</p>
<p>No entanto, o uso de coisas como persuasão, campanhas educativas e boicotes é permissível e talvez estimulado (se são táticas efetivas e interessantes, é uma questão à parte). Reconhecemos que o comunismo voluntário é ruim para as pessoas envolvidas (e potencialmente ruim para outras, por motivos econômicos ou porque essas ideias podem começar a ganhar adesão e apoio) e que se sujeitar à vontade da maioria é um erro, então não faria sentido permanecer ambivalente sobre a questão.</p>
<p>Há também o conceito das propriedades comunais horizontalmente organizadas e autogeridas. São modelos diferentes da propriedade coletiva. Conjuntos de recursos comuns em que os direitos de posse do indivíduo são estritamente definidos têm uma probabilidade muito maior de proteger e estimular a autonomia pessoal e o individualismo do que o coletivismo total, apesar de serem possivelmente problemáticos, dependendo de como são estabelecidos.</p>
<p>A hierarquia no ambiente de trabalho é possivelmente condenável, mas não inerentemente. Ambientes de trabalho grandes e hierárquicos que tendem a tratar os trabalhadores como engrenagens em um motor ou ferramentas dos empregadores são claramente desalinhados com a filosofia individualista. Um ambiente de trabalho em que os trabalhadores dos degraus mais baixos são pressionados e tratados com pouco respeito devem ser condenados (de forma não agressiva) por aqueles que se preocupam com a autonomia e com o respeito pelas pessoas.</p>
<p>Isso não implica que toda hierarquia trabalhista seja má. Às vezes, ela pode ser preferível por motivos econômicos. Às vezes a hierarquia é mínima e os funcionários têm voz e são tratados com respeito. Ocasionalmente, a firma pode ser hierárquica, mas relativamente plana. Embora muitas das corporações gigantes de hoje em dia sejam contrárias às preocupações individualistas, nem todas as hierarquias do trabalho são inerentemente negativas. Há apenas o potencial para que sejam.</p>
<p>É um erro terminar a análise sobre o fato de que algo é ou não hierárquico. Da mesma forma, perguntar se algo é coercitivo e mais nada é problemático. O individualismo enxerga vários fatores como moralmente relevantes. A agressão e a liberdade negativa são importantes, sim, da mesma forma que a autonomia pessoal, a prosperidade e as boas consequências. Tanto a economia política quanto a filosofia moral requerem um pluralismo valorativo combinado com uma análise meticulosa.</p>
<p>A lição a ser aprendida sobre as hierarquias não-violentas é de que, como a maior parte das coisas na vida, ela não é inerentemente má, mas tem o potencial para sê-lo. Sistemas voluntários de hierarquia promovem uma cultura de obediência e coletivismo que podem levar a sistemas que dependem da violência. Desestimulam a individualidade, o livre pensamento e a autonomia. Por esses motivos, a hierarquia não-violenta não é inerentemente má para o anarquista individualista, mas sempre é potencialmente problemática e frequentemente condenável.</p>
<p>A posição anarquista individualista sobre a hierarquia está entre a ideia de que é sempre errada e de que nunca é. Às vezes é errada, mas em outras, não. Como afirmei anteriormente, o relacionamento entre o anarquismo e a hierarquia é complexo. Parte de ser um individualista é pensar rigorosa e exaustivamente nas questões por conta própria. Não há sempre princípios rígidos para pensar por nós, não importa o quão confortável seja o sofá onde sentamos para apontar o dedo para o mundo.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=31384&amp;md5=61593e3eba5d571389bd28d34f5b51ff" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>O individualismo de esquerda</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Sep 2014 01:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[David S. D'Amato]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Benjamin R. Tucker]]></category>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Talvez por viver em Chicago ou porque trabalho com outros advogados, em minha vida cotidiana estou rodeado por pessoas que se identificam com a esquerda americana e democratas centristas para quem a mera menção da palavra &#8220;libertário&#8221; incita pesadelos com a direita do Tea Party. Infelizmente, qualquer possibilidade de diálogo com esse grupo de pessoas acaba quando me identifico como libertário; para essas pessoas, o libertarianismo é a extrema direita de um espectro político americano unidimensional a que foram condicionadas a nunca questionar. Frequentemente, sabem algo sobre Ayn Rand até o ponto em que são capazes de considerar o libertarianismo como uma defesa simplista e impiedosa da ganância corporativa, do status quo econômico em que o 1% se torna cada vez mais rico enquanto a classe média diminui e os pobres sofrem em destituição. Ironicamente, esse tipo de social-democrata centrista provavelmente entende os efeitos do capitalismo melhor do que muitos libertários, percebendo a predação econômica e procurando (de forma não-sistemática) por <em>algo</em> que controle seus impulsos. O que eles não compreendem, porém, é o libertarianismo como uma filosofia real ou o abismo que separa o sistema econômico atual do livre mercado <em>genuíno</em>.</p>
<p>Por causa dessa repulsa reflexiva à mera menção do libertarianismo, minhas experiências me levaram a descrever minha posição política como &#8220;individualismo de esquerda&#8221;. Essa caracterização, pelo que noto, é mais convidativa a perguntas em vez de diatribes raivosas, preparando o terreno para uma conversa proveitosa e não dando lugar a um debate fútil. Peguei a expressão &#8220;individualismo de esquerda&#8221; de Eunice Minette Schuster, cuja dissertação <em>Native American Anarchism</em> tinha como subtítulo &#8220;A Study of Left-Wing American Individualism&#8221; (em português, &#8220;Um estudo do individualismo americano de esquerda&#8221;). O livro de Schuster segeu o anarquismo americano desde suas formas nascentes e prototípicas até seu desenvolvimento em um sistema filosófico e movimento distintos. Seu estudo é importante por dar atenção a uma corrente política que pode parecer confusa e contraditória no contexto dos debates atuais.</p>
<p>Os anarquistas individualistas que Schuster discute na parte do seu livro que trata o anarquismo em seu estado &#8220;maduro&#8221; eram individualistas extremos e socialistas, arquitetos de um projeto que nós do Centro por uma Sociedade Sem Estado (C4SS) tentamos continuar atualmente. Como defensores da liberdade total de competição, dos direitos de propriedade e da soberania do indivíduo, os anarquistas individualistas são parte da história do movimento libertário contemporâneo. Paralelamente, como o C4SS de hoje em dia, esse grupo se opunha ao capitalismo e considerava o socialismo como o &#8220;grande movimento antirroubo&#8221;, nas palavras do reformador radical Ezra Heywood. Ao contrário dos libertários atuais, que frequentemente demonizam os pobres como &#8220;parasitas&#8221; do assistencialismo, pensadores como Benjamin Tucker, Ezra Heywood e Josiah Warren (para mencionar somente alguns) viam os ricos como a verdadeira classe ociosa e parasitária, como beneficiários de privilégios que permitiam que eles manobrassem o sistema para impedir a competição real.</p>
<p>Esses antigos libertários viam que a liberdade e a competição funcionavam por todos os motivos que conhecemos atualmente: divisão e especialização do trabalho, grandes quantidades de informação destiladas em preços e a impossibilidade de planejar a economia através do maior de todos os monopólios, o estado. Eles argumentavam que a competição genuína em um livre mercado é a forma mais segura de garantir que o trabalho receba seu produto total, resolvendo, assim, o que era chamado com frequência de a Questão Trabalhista; isso os tornava socialistas, mesmo que eles não se encaixassem tão confortavelmente dentro do movimento socialista. Também não se encaixavam bem entre as fileiras liberais, que defendiam o livre comércio e a competição — os economistas políticos —, e se viam com frequência tendo que ensinar aos economistas sua própria doutrina, apontando os erros e inconsistências que caracterizavam muito daquilo que era considerado argumento em defesa do livre comércio.</p>
<p>Os anarquistas individualistas eram fanáticos pela coerência; se o trabalho tinha que ser posto em competição, sujeito à oferta e à demanda, então o capital também deveria. Como aponta Schuster, o &#8220;anarquismo científico&#8221; proposto por indivíduos como Benjamin Tucker, portanto, &#8220;não tinha apelo para o Capitalista, porque ele não defendia um &#8216;individualismo resistente&#8217;, mas um individualismo <em>universal</em>&#8221; (ênfase minha). Uma vez que os individualistas consideravam a renda, os juros e os lucros (a &#8220;trindade da usura) como resultados aproximados dos privilégios coercitivos, eles eram tratados como similares aos impostos, permitindo que os donos do capital se apropriassem a diferença entre os preços sob um regime de privilégio e os preços em um regime de competição aberta. A competição do mercado, portanto, não era o inimigo, mas o aliado do trabalhador. O argumento do anarquismo de mercado é simples: se insistimos que todos têm direito àquilo que conseguem obter num livre mercado, então devemos ao menos tentar chegar a um livre mercado. E um livre mercado não pode tolerar algumas das características históricas mais comuns do capitalismo: o roubo agressivo de terras em larga escala, os sistemas regulatórios e de licenciamento que funcionam como barreiras de alto custo à entrada no mercado e como barreiras ao autoemprego, vários subsídios diretos e indiretos que redistribuem renda a firmas bem conectadas e o sistema governamental de leis e instituições financeiras que produz o cartel de Wall Street que temos atualmente. Assim, o capitalismo parece não combinar com o que os libertários de fato querem quando dão seu apoio ao livre mercado. Não estamos tão perto assim de um sistema de livre mercado como muitos libertários gostam de pensar. Não precisamos apenas de alguns ajustes e algumas reformas aqui e acolá, de algumas privatizações de monopólios estatais e da desregulamentação de algumas indústrias. Para chegar num sistema livre, precisaríamos de uma ruptura completa e sistemática com a tirania capitalista que temos há tanto tempo, um sistema que é o sucessor direto dos sistemas estatistas, desde o feudalismo até o mercantilismo.</p>
<p>Anarquistas como Warren e Tucker compreendiam esse fato e passaram suas vidas lutando contra a desigualdade do status quo capitalista que coloca os trabalhadores em desvantagens sistemáticas. E apesar dos esforços em colocá-los na direita política — ou mesmo de tirá-los da tradição anarquista —, eles pertencem (se é que pertecem a alguma ponta do espectro) à esquerda, como entendia Schuster. Representando a tremenda falaa de compreensão em relação ao anarquismo individualista entre acadêmicos de esquerda, o historiador David DeLeon, em seu livro <em>The American as Anarchist</em>, afirma que Benjamin Tucker é um &#8220;libertário de direita&#8221; e, incrivelmente, aponta Ronald Reagan e George Wallace como seus sucessores ideológicos. Em outros pontos do livro, DeLeon classifica casualmente Voltairine de Cleyre — cujas explorações dentro do anarquismo não se prestam facilmente a rótulos — como &#8220;anarcocomunista&#8221;. Preocupante é também sua incrível alegação de que Ralph Waldo Emerson, Henry David Thoreau e Walt Whitman todos eram libertários de direita. Se alguém que está tão envolvido nos estudos profissionais desses personagens e de seus movimentos é capaz de interpretar erroneamente suas circunstâncias, não é de surpreender que o anarquismo individualista seja complexo para a maior parte dos leigos em filosofia política.</p>
<p>Apresentar a mim mesmo como &#8220;individualista de esquerda&#8221; é uma das minhas atitudes para reintroduzir o anarquismo individualista do século 19 no discurso contemporâneo, uma tradição que equilibra o indivíduo e a comunidade de uma maneira que é desesperadamente necessária em um mundo dominado pelo poder centralizado. O movimento libertário, além disso, não deve se apressar tanto em desprezar anarquistas como Tucker como se fossem ignorantes econômicos de eras passadas. Afinal, qualquer consideração sobre os relacionamentos econômicos em um livre mercado necessariamente será marcado pela especulação. Os libertários que acreditam que os relacionamentos seriam como os atuais têm pouca imaginação e não conseguem nem imaginar a profundidade das mudanças que um real respeito à soberania individual traria.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=31251&amp;md5=93e03a7527eb61738132678195811bb9" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>1º de maio: Um feriado libertário</title>
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		<pubDate>Fri, 02 May 2014 22:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Kevin Carson]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Os americanos foram condicionados a considerar o 1º de maio, o Dia do Trabalho, um &#8220;feriado comunista&#8221;, associado até recentemente com paradas militares na Praça Vermelha e &#8220;cumprimentos fraternais&#8221; dos líderes dos regimes marxistas-leninistas em nome de seus povos. Pode ser surpreendente pensar que se tratava, originalmente, de um feriado americano, criado pelos trabalhadores de Chicago para celebrar a campanha pela jornada de oito horas diárias e os mártires de Haymarket.</p>
<p>Talvez seja ainda mais surpreendente — tanto mais para os libertários atuais — notar que o 1º de maio é parte da herança do movimento libertário de livre mercado. Isso é contraintuitivo por alguns motivos óbvios. Desde Ludwig von Mises e Ayn Rand, o libertarianismo americano é associado — não sem razão — a uma defesa reflexiva do capitalismo e das grandes empresas. Apesar do realinhamento político à direita do movimento de livre mercado durante o século 20, havia uma grande esquerda de livre mercado no século 19, com laços estreitos aos movimentos socialista e trabalhista.</p>
<p>As origens do liberalismo clássico no Iluminismo coincidiam fortemente com as do movimento socialista original. Vários autores, como o britânico Thomas Hodgskin e os anarquistas individualistas americanos (ou anarquistas de Boston) reunidos em torno de Benjamin Tucker e da revista <em>Liberty</em>, pertenciam tanto aos grupos libertários de livre mercado quanto ao socialismo libertário. Em sua opinião, o capitalismo era um sistema em que o estado intervia em favor de latifundiários e outros rentistas, defendendo seus direitos de propriedade artificiais, monopólios e outros tipos de escassez artificiais, de onde se derivavam os lucros, juros e rendas. Para eles, o objetivo concreto do socialismo era a abolição desses monopólios, que permitiria que a competição no mercado pela oferta de capital e terras levasse seus rendimentos a zero, para que o salário natural do trabalho fosse seu produto completo.</p>
<p>Talvez não seja tão surpreendente que esses autores tivessem proximidade ou fossem participantes ativos nos movimentos socialista e trabalhista. Benjamin Tucker, embora se intitulasse socialista, era bastante indiferente às organizações trabalhistas. Ele considerava a organização contra os grandes donos de terras e o estabelecimento de bancos mútuos de crédito gratuito as formas de organização principais formas de ativismo — e era particularmente agnóstico quanto a que formas de associação as pessoas escolheriam numa economia livre desses monopólios.</p>
<p>Porém, vários participantes do grupo de anarquistas de Boston e do círculo da revista <em>Liberty</em> eram ativos na Liga de Reformas Trabalhistas de New England ou na União Nacional Trabalhista de William Sylvis, e mais tarde na Liga de Reformas Trabalhistas Americana. Havia também um contingente significativo de individualistas na <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/International_Working_People's_Association">Associação Internacional de Trabalhadores</a> (formada por anarquistas que se retiraram da Primeira Internacional, que foi tomada por seguidores de Marx) e no movimento nacional e nas greves gerais pela jornada diária de oito horas. Alguns individualistas importantes nos movimentos políticos socialista e trabalhista eram Ezra Heywood, William Greene, Joshua King Ingalls e Stephen Pearl Andrews.</p>
<p>Individualistas como Dyer Lum mais tarde tentaram construir pontes com o movimento trabalhista radical. Lum tentou unir a análise econômica individualista e o ativismo trabalhista radical. Envolveu-se com os <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Knights_of_Labor">Cavaleiros do Trabalho</a> e com a <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/American_Federation_of_Labor">Federação Americana do Trabalho</a>. Lawrence Labadie passou a promover ideias anarco-individualistas e mutualistas dentro dos sindicatos industriais — primeiro na <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Western_Federation_of_Miners">Federação de Mineiros do Oeste</a> e depois junto aos <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Industrial_Workers_of_the_World">Wobblies</a>.</p>
<p>A ligação comum que se faz do Dia do Trabalho com os partidos marxistas-leninistas e os regimes comunistas reflete uma vitória ideológica esmagadora dos defensores do capitalismo corporativo do século 20. Nos Estados Unidos, o contra-ataque ideológico começou com o culto à bandeira e o juramento nos anos 1890, continuou com o movimento pela &#8220;americanização&#8221; dos espaços de trabalho e das escolas públicas e culminou com a histeria belicista e a ameaça vermelha da administração Wilson, além das táticas de terror da Legião Americana, da Ku Klux Klan e dos Esquadrões Vermelhos locais.</p>
<p>Essa vitória ideológica foi conectada a outra vitória mais recente: a associação do &#8220;livre mercado&#8221; e da &#8220;livre empresa&#8221; ao capitalismo corporativo na opinião pública e a crença (promovida pelos gerencialistas autoritários do movimento progressista que roubaram o nome &#8220;liberal&#8221;) de que o estado regulatório são adversários em vez de aliados.</p>
<p>O 1º de maio não é só um dia para reclamar o Dia do Trabalho como um feriado essencialmente liberal e libertário, mas para afirmar que o livre mercado é o inimigo do poder e do capitalismo corporativo.</p>
<p><em>Traduzido do inglês para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=26904&amp;md5=2ffefd5303ac8607414474d168a5f1db" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Por que os pais deveriam deixar seus filhos em paz</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Feb 2014 23:00:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Erick Vasconcelos]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Este é um excerto do livro Kith: The Riddle Of The Childscape, escrito por Jay Griffiths. Nós temos a honra de ter a permissão do autor para publicá-lo no C4SS. E se a melhor coisa que pudéssemos fazer para nossos filhos fosse simplesmente deixá-los em paz? Jay Griffiths explica por que os hábitos dos pais...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Este é um excerto do livro <a href="http://books.google.com/books?id=rnJ961u3kcIC&amp;dq=Kith:+The+Riddle+Of+The+Childscape&amp;hl=en&amp;sa=X&amp;ei=yGr8UqWMKOm9yAG0uoHACw&amp;ved=0CCkQ6AEwAA"><em>Kith: The Riddle Of The Childscape</em></a>, escrito por <a href="http://fivedials.com/authors/jay-griffiths">Jay Griffiths</a>. Nós temos a honra de ter a <a href="http://www.marsh-agency.co.uk/">permissão</a> do autor para publicá-lo no C4SS.</p>
<p>E se a melhor coisa que pudéssemos fazer para nossos filhos fosse simplesmente deixá-los em paz? Jay Griffiths explica por que os hábitos dos pais modernos estão tornando nossos filhos infelizes.</p></blockquote>
<p>Eu me sentia, mesmo contra a vontade, como cúmplice de uma tortura. Ecos dos gritos da vítima ecoavam pelos corredores. A porta, mesmo fechada, não era capaz de isolar o choro de pânico. Um bebê, sozinho e aprisionado num berço.</p>
<p>A mãe da criança estava visivelmente perturbada, pálida e com os olhos marejados. Ela mesma era uma vítima, explorada pelos defensores do choro controlado, ou &#8220;ferberização&#8221; &#8211; um sistema impiedoso e cruel tanto para a mãe quanto para a criança.</p>
<p>Choro. Controlado. As palavras revelam o objetivo abjeto: um sistema de intimidação para controlar os sentimentos de um bebê. Disseram à mãe que era o contrário, que o bebê estava tentando impor sua vontade sobre ela, mas tudo que eu via era uma criança de um ano de idade enlouquecida pelo abandono. Uma mãe americana escreveu de forma comovente na internet: &#8220;A ferberização vale a dor no meu peito ou é realmente uma tortura para meu filho? Parece uma punição cruel e incomum&#8221;.</p>
<p>A ideia é a de que os bebês podem &#8220;aprender&#8221; a parar de chorar ao serem deixados sozinhos. Um dos pais ocasionalmente irá conferir a situação criança, mas nenhum deles a pegará no colo ou permanecerá com ela. Eventualmente o bebê perceberá que chorar não traz consolo e deverá desistir. Os pais são estimulados a fazer uma agenda de horários e a limitar o tempo que gastam junto ao bebê. O sistema funciona? É claro que sim. Essa, porém, não é a pergunta a ser feita. A real questão é: por que se deve promover algo do tipo? Por que algo assim jamais seria aceito? O que ele revela sobre as prioridades modernas? E como isso sugere respostas ao enigma das crianças infelizes?</p>
<p>Abraçadas, aconchegadas e cuidadas, a maioria das crianças, por toda a história, não se viram sozinhas no mundo. Entre o povo maia falante do idioma tojolabal, de Chiapas no México, as crianças nos dois primeiros anos de vida estão sempre próximas às mães, sempre aquietadas com brinquedos ou leite, sem jamais se sentirem infelizes. As crianças com menos de um ano de idade do povo aché &#8211; nômades do Paraguai &#8211; passsam a maior parte do tempo do dia em contato tátil com a mãe ou com o pai e nunca são colocadas no chão ou deixadas sozinhas por mais de alguns segundos. Na Índia e em várias outras partes do mundo, as crianças dividem a cama com a mãe até os cinco anos.</p>
<p>Os motivos de muitos pais para o uso do choro controlado podem ser resumidos em uma palavra: trabalho. Os pais que querem &#8220;rotinas&#8221; estão sempre prontos para abraçar o choro controlado, afirma Gina Ford, uma famosa britânica defensora do sistema, que comenta que as crianças que foram forçadas a se adaptar a uma rotina mais tarde terão muita facilidade de entrar numa rotina escolar e, presumivelmente, serão mais moldáveis à força de trabalho.</p>
<p>Contudo, ao passar tempo em comunidades indígenas, eu jamais ouvi algo parecido com os gritos de medo e raiva que caracterizam uma criança cujo choro é controlado. Se uma criança for saciada com proximidade, comenta o escritor Jean Liedloff, então, quando for mais velha, ela precisará retornar a esse contato maternal apenas em emergências. Será um indivíduo auto-suficiente, não por conta da escassez de contato no começo da vida (como afirmam os defensores do choro controlado), mas precisamente pelo contrário: sua abundância. Ao chegar aos oito anos de idade, as crianças aché, que quando mais jovens nunca estiveram sozinhas, já aprenderam a percorrer as trilhas nas florestas e conseguem ser bastante independentes dos pais. Na Papua Ocidental, eu vi como os bebês são mantidos próximos e se tornam crianças que são intensa e orgulhosamente independnetes.</p>
<p>Ao envelhecerem, o desejo infantil por liberdade parece não ter limites. Recentemente, ministrei uma oficina de escrita em Calcutá para crianças de rua que haviam sido temporariamente trancafiadas numa escola em que claramente eram bem cuidadas e estavam, geralmente, felizes. Elas anseavam por uma coisa que a escola não poderia lhes permitir: liberdade. &#8220;Elas querem a liberdade que conheceram nas ruas, para ir em qualquer lugar a qualquer momento&#8221;, disse uma professora. Apesar dos problemas das ruas &#8211; pobreza, maus tratos, fome, violência &#8211; as crianças &#8220;continuam a fugir&#8221;.</p>
<p>Ao saírem da infância, as crianças dos povos indígenas norte-americanos tradicionalmente tinham a liberdade de andar onde quisessem, nas matas ou rios. &#8220;Ao chegar aos cinco anos de idade, ele já cresceu, irradia saúde [&#8230;] e delira liberdade&#8221;, escreve Roger P. Buliard em inuk, descrevendo a infância de um garoto do povo inuit. Aos sete anos, o menino já é capaz de manejar facas, quer um rifle e uma rota de armadilhas e, a partir de então, &#8220;viaja com os homens, um viajante tão bravo quanto qualquer um deles&#8221;.</p>
<p>Quando passei alguns dias pastoreando renas com o povo sami, vi como as crianças eram livres não só na terra, mas também nas cabanas de verão. Elas procuravam por comida, encontravam um pedaço de carne de rena cozida, um peixe fresco ou uma vasilha com biscoitos e decidiam o que e quando comer; era uma situação que evitava muitos conflitos dentro da família &#8211; os horários das refeições.</p>
<p>A autonomia sobre a comida desde idades mais precoces parece ser uma característica comum entre várias sociedades tradicionais. As crianças do povo alacaluf da Patagônia se defendem desde cedo com uma lança de conchas marinhas e cozinham a própria comida desde cerca de 4 anos de idade. Crianças muito jovens do povo inuit podem usar um chicote para caçar perdizes, decaptando-os com um movimento do punho. Ao viajar pelos planaltos da Papua Ocidental entre o povo yali, eu vi com frequência os meninos das vilas saindo juntos, equipados com arcos e flechas, para caçar aves e capturar sapos que seriam mais tarde assados em fogueiras feitas por eles mesmos.</p>
<p>Enquanto isso, na Inglaterra, um projeto de brincadeiras ambientais chamado Wild About Play perguntou às crianças o que elas mais queriam fazer fora de casa e a resposta mais popular era procurar e comer comidas selvagens, fazer fogueiras e cozinhar nelas. Era o sinal de independência demonstrado por crianças de todas as culturas, que buscam controlar seus alimentos e seus corpos. Aparentemente, as crianças euro-americanas atuais têm duas experiências diversas relacionadas à comida: primeiro, elas não têm autonomia em relação a sua alimentação; e, segundo, elas têm distúrbios alimentares.</p>
<p>Quanto à liberdade física, há alguns anos eu passei um dia com as crianças dos ciganos do mar, o povo bajau que vive na costa de Celebes, na Indonésia, em casas de palafitas sobre as águas. As crianças eram nadadoras e mergulhadoras, barqueiras e remadoras, banhadas pela água do mar noite e dia até que parecessem meio-humanas, meio-peixes. Perguntei-lhes como era sua infância. A resposta foi imediata: &#8220;As crianças são felizes porque têm muita liberdade&#8221;. Se a felicidade é resultado da liberdade, então certamente a infelicidade das crianças inseridas na moderna cultura ocidental é causada em parte pelo fato de que elas experimentam a infância menos livre da história.</p>
<p>Fiquei impressionado pela evidente felicidade das crianças bajau: ao passar uma tarde inteira com cerca de 100 delas, nenhuma chorava, estava zangada, infeliz ou frustrada. Não consigo imaginar passar uma tarde com 100 crianças europeias ou americanas e não ouvir ao menos uma delas chorar.</p>
<p>Na Europa, um país parece ter honrado o relacionamento entre a liberdade e a felicidade infantil da maneira que os ciganos do mar compreenderiam: a Noruega. Uma terra de lagos e fiórdes, um país que cristalizou em lei o direito ancestral a viajar em canoas, remar, navegar e nadar, a viajar por toda a terra (exceto jardins privados e campos cultivados), numa liberdade conhecida como Allemannsretten, &#8220;o direito de todo homem&#8221;, o direito de perambular.</p>
<p>Em 1960, o psiquiatra americano Herbert Hendin estudava as estatísticas de suicídio na Escandinávia. A Dinamarca (empatada com o Japão) tinha a maior taxa de suicídios do mundo. A taxa de suicídios da Suécia era quase a mesma. E quanto à Noruega? No final da lista. Hendin se intrigou. Principalmente porque normalmente se considerava que Dinamarca, Suécia e Noruega compartilhavam uma cultura similar. O que poderia explicar uma discrepância tão brutal? Depois de anos de pesquisa, ele concluiu que os motivos eram estabelecidos na infância. Na Dinamarca e na Suécia, as crianças eram arregimentadas, enquanto na Noruega tinham a liberdade de ir e vir. Na Dinamarca e na Suécia, crianças eram pressionadas a atingir certas metas até que muitas delas se sentissem fracassadas, enquanto na Noruega elas eram deixadas em paz, não tão instruídas, simplesmente com a permissão de observar e participar dentro de seu próprio tempo. Ao invés de se sentirem fracassadas, as crianças norueguesas desenvolviam um senso de auto-suficiência.</p>
<p>As dinamarquesas, mostrava o estudo, eram protegidas demais, dependentes das mães e não tinham liberdade para se mover por onde desejassem. Para as crianças suecas, o mais comum na infância era que, justo quando mais precisavam de proximidade, elas experimentassem maior distanciamento e sensação de abandono, enquanto no final da infância, quando mais precisavam de liberdade, eram mais controladas. As crianças norueguesas brincavam na rua por horas sem supervisão de adultos e a liberdade delas &#8220;muito provavelmente não seria restringida&#8221;. Elas tinham muito mais proximidade que as crianças suecas quando mais jovens, mas mais liberdade que as dinamarquesas e suecas ao crescerem, o que sugere que a proximidade seguida de liberdade tem maior correlação com a felicidade na infância.</p>
<p>Infelizmente, nas décadas que se seguiram ao trabalho de Hendin, a Noruega se tornou mais centralizada e urbana, alterando as características de sua infância. As crianças norueguesas agora passam mais tempo dentro de casa em atividades sedentárias, como assistir televisão ou DVDs e em jogos de computador, do que fora de casa. A taxa de suicídio é bem mais alta.</p>
<p>Na Europa e nos Estados Unidos, muitas crianças hoje em dia estão efetivamente sob prisão residencial. No Reino Unido, 80% delas reclamam &#8220;não ter para onde ir&#8221;. Em torno das 4h da tarde, você pode ter algum dinheiro no bolso, mas nada mais que isso. Está desocupado para o resto do dia e gostaria de estar com os amigos. As lanchonetes mais baratas estarão fechadas em uma hora e você não tem dinheiro para pagar restaurantes nem pode entrar em bares. Você diz a todos que queiram ouvir que não quer causar problemas &#8211; que só gostaria de ir para algum lugar iluminado, seco e seguro, onde poderá ficar com os amigos e conversar. Então você vai até pontos de ônibus e estacionamentos, além das áreas iluminadas próximas a supermercados. Logo depois, você acaba expulso desses lugares como se fosse uma peste. O Reino Unido é vanguarda nas piores formas de se tratar os jovens.</p>
<p>Um plano para montar uma tabela de basquete numa área aberta em Oxfordshire foi barrado &#8220;porque os residentes não queriam atrair crianças&#8221;. Na parte oeste de Somerset, uma garota de oito anos foi impedida de andar de bicicleta em sua rua porque um vizinho reclamou que as rodas rangiam. Numa pesquisa, dois terços das crianças diziam gostar de brincar na rua todos os dias, principalmente para estarem com os amigos, mas 80% delas já foram repreendidas por brincar fora de casa, 50% já levaram gritos por isso e 25% dos jovens de 11 a 16 anos já foram ameaçados por&#8230; por quê? Por brincar na rua, fazer barulho, por incomodar.</p>
<p>O mais triste de tudo é que funciona. Uma em cada três crianças afirma que a repreensão realmente as impede de brincar. Se há uma palavra que resume o tratamento das crianças atualmente é &#8220;fechamento&#8221;. As crianças atualmente são fechadas em casa e na escola, fechadas em carros para se deslocar entre elas, limitadas pelo medo, pela vigilância, pela pobreza e pelas rotinas rígidas.</p>
<p>Em 2011, a Unicef perguntou às crianças o que elas precisavam para ser felizes e as três coisas mais importantes para elas eram tempo (principalmente com suas famílias), amizades e, reveladoramente, ficar &#8220;fora de casa&#8221;. Estudos mostram que quando as crianças podem brincar sem planejamento na natureza, seu senso de liberdade, independência e força interior crescem. Além disso, as crianças rodeadas por ambientes naturais não apenas são menos estressadas de maneira geral, mas também se recuperam de eventos estressantes mais facilmente.</p>
<p>Mas tem havido uma redução constante no número de espaços abertos onde as crianças podem brincar. Na Grã-Bretanha, os jovens têm um nono do espaço para ir e vir que as gerações anteriores tiveram. Também houve uma redução do tempo livre, em que menos de 10% das crianças passam tempo brincando em bosques, campos ou charnecas, comparado a 40% há uma geração. As crianças mais jovens ficam presas em casa porque os adultos têm medo do que pode acontecer com elas, as mais velhas ficam presas porque os adultos têm medo delas.</p>
<p>Na Amazônia, eu já vi crianças de cinco anos de idade empunhando facões com destreza e precisão. Em Igloolik, no Ártico, já vi um jovem de 8 anos pegar uma faca e talhar um caribu no gelo sem acidentes. Na Papua Ocidental, conheci adolescentes de 12 e 13 anos com capacidades físicas e tamanha confiança que, ao receberem a tarefa de enviar uma mensagem, completaram um percurso numa montanha em seis horas &#8211; um trajeto que havia tomado um dia e meio de mim e dos guias.</p>
<p>Não é apenas uma questão de competência física: a liberdade desfrutada pelas crianças inuit as tornou &#8220;indivíduos auto-confiantes, atenciosos e de grande auto-controle&#8221;, nas palavras de um inuit que conheci em Nunavut, Canadá. A liberdade lhes deu coragem e paciência.</p>
<p>Os jovens precisam da natureza, de horas ilimitadas, mas o tempo é curto para muitos, que são enclausurados em atividades fechadas, agendadas do momento em que acordam até o minuto em que voltam para a cama, com todas as horas vigiadas pelos pais, cujas ações são incentivadas pelo medo de que seu filho fique para trás na corrida maluca que começa no jardim de infância. Por amarem seus filhos, os pais não querem que eles sejam perdedores por toda a vida, precisam estimulá-los a alcançar seus objetivos através do uso eficiente do tempo. A sociedade incute o medo do futuro que só pode ser aplacado pelo sacrifício do lazer e do ócio no presente, o que faz com que as crianças sintam os efeitos do estresse e da depressão.</p>
<p>Em muitas culturas tradicionais, porém, as crianças são consideradas os melhores juízes de suas necessidades, inclusive de como gastam o próprio tempo. Na Papua Ocidental, um homem me disse que, quando criança, &#8220;saía para caçar e pescar e só retornava quando ouvia os grilos&#8221;. Nas cabanas infantis onde o homem meio-cherokee James Hightower passou grande parte de sua infância, haviam jogos até a manhã. &#8220;O índio não é como as crianças civilizadas, com horários para comer e dormir&#8221;, lembra ele. (Para James, o termo &#8220;civilizado&#8221; não é um elogio.)</p>
<p>&#8220;Quando trabalhamos, não temos tempo para incomodar as crianças&#8221;, disse Margrethe Vars, uma pastora de renas sami. Ela se interrompeu para puxar um cigarro, então suas palavras, imitando seus pais europeus, literalmente vinham carregadas de fumaça: &#8220;Já lavou suas mãos? Agora você deve comer&#8221;. Ela franziu a testa: para ela, a liberdade das crianças não era só um direito, mas um alívio. O verão, para eles, era apenas um longo dia e as crianças sami ficariam acordadas a &#8220;noite&#8221; inteira. Ninguém se importava porque todos os pais compartilhavam o ponto de vista de que as crianças estavam a cargo de seu próprio tempo. As horas iniciais do dia &#8211; que brilhavam com o sol do meio do verão &#8211; eram o momento de as crianças acelerarem seus quadriciclos, observarem as renas, fazerem cócegas umas nas outras ou irem dormir.</p>
<p>&#8220;Aqui nós dormimos quando estamos cansados, comemos quando estamos com fome&#8221;, disse Vars. &#8220;Em outras sociedades, porém, as crianças são muito organizadas. O tempo é tudo: quando comer e dormir, marcar visitas aos amigos&#8230;&#8221;. Ela se encolheu ao pensar nesse tipo de microgerenciamento da vida dos jovens. Os sami tinham resultados mais positivos, não só na redução de conflitos, mas também em algo intangível e vital. Suas crianças cresciam mais confiantes, menos obedientes a pressões externas.</p>
<p>Para o povo wintu da Califórnia, tamanho é seu respeito pela autonomia das vontades que ele impregna sua própria língua. No português, se você &#8220;leva um bebê&#8221; a algum lugar, há uma sensação implícita de coerção. Na linguagem wintu, não é possível dizer isso. A frase deve ser colocada como &#8220;Eu fui com o bebê&#8221;. &#8220;Eu vigiei a criança&#8221; seria algo como &#8220;Eu vigiei com o bebê&#8221;. Os wintu não coagiriam qualquer pessoa mesmo se quisessem: sua língua não permite. Quando uma criança wintu pergunta &#8220;Eu posso?&#8221;, elas não pedem permissão de um dos pais, mas um esclarecimento sobre se as leis mais gerais permitem, de forma que um jovem não se sente à mercê dos caprichos de um dos pais com regras que podem parecer caprichosas ou arbitrárias.</p>
<p>Pense sobre isso por um instante. Deixar que as crianças cuidem de si mesmas? Que façam o que quiserem? Isso não seria um desastre? Sim, se os pais só fizerem a primeira parte do truque. No léxico cultural da modernidade, as vontades pessoais são frequentemente entendidas de forma banal como comportamentos egoístas e malcriados. Vontade, porém, não significa egoísmo e autonomia sobre si mesmo não é sinônimo de grosserias em relação aos outros &#8211; muito pelo contrário. As crianças ngarinyin da Austrália tradicionalmente cresciam sem ordens e coerções, mas desde cedo aprendiam a socializar. Essa é a segunda parte do truque. As crianças são inseridas em contextos sociais de consciência e respeito pelas vontades e autonomias dos outros, de forma que, quando necessário ao crescerem, elas aprendam a restringir seus egos para manter as boas relações. Para que uma comunidade funcione bem, o indivíduo ocasionalmente deve frear suas vontades mas, crucicalmente, não deve ser obrigado a fazê-lo pelos outros.</p>
<p>Entre os povos inuit e sami, há uma necessidade explícita de as crianças aprenderem a se auto-regularem. Os adultos mantêm uma distância reticente e diplomática. A criança &#8220;aprender por conta própria&#8221; é uma expressão comum dos sami. As crianças sami, inclusive, são treinadas para controlar a raiva, a sensibilidade, a agressividade e a vergonha. Os inuit enfatizam cuidadosamente o aprendizado do auto-controle pelas crianças. As crianças não devem ser controladas pelas outras, com suas vontades sobrepujadas, mas devem aprender a se comportar de maneira independente.</p>
<p>A vontade a força motriz da criança: ela a impele de dentro, enquanto a obediência a compele de fora. Aqueles que rejeitariam as vontades das crianças a substituiriam pela palavra &#8220;obediência&#8221;, por temerem a desobediência e a desordem e acreditarem que se uma criança não for controlada, haverá o caos. Mas esses são falsos opostos. O verdadeiro oposto da obediência não é a desobediência, mas a independência. O verdadeiro oposto da ordem não é a desordem, mas a liberdade. O verdadeiro oposto do controle não é o caos, mas o auto-controle.</p>
<p>Traduzido do inglês para o português por <a title="Posts by Erick Vasconcelos" href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos" rel="author">Erick Vasconcelos</a>.</p>
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		<title>A igualdade só pode ser alcançada no mercado</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Feb 2014 23:00:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Grant A. Mincy]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>A linha de frente da igualdade esteve movimentada nos últimos dias. Algo que ganhou notoriedade nos EUA foi uma ação política no Tennessee que tinha como objetivo marginalizar a comunidade LGBTQ. O senador do estado <a href="http://www.myfoxmemphis.com/story/24698365/sen-kelsey-introduces-turn-the-gays-away-bill#axzz2tEgYMXqM">Brian Kelsey</a> introduziu um projeto de lei chamado &#8220;Afastando os gays&#8221;. Trata-se de uma lei que permitiria que as empresas se recusassem a oferecer seus serviços à comunidade LGBTQ. De acordo com o projeto, nenhuma &#8220;pessoa&#8221; deverá fornecer serviços &#8220;relacionados à celebração de qualquer união civil, comunhão doméstica ou casamento que não sejam reconhecidos pelo estado, se isso violar suas crenças religiosas mais caras [&#8230;] a respeito de sexo e gênero&#8221;. A lei é apoiada pelos conservadores estatistas e <a href="http://www.dailyhelmsman.com/state-senator-introduces-new-bill-coined-turn-the-gays-away-1.3139918#.Uv0qwWJdWb8">enfrenta resistência</a> de vários grupos de militância e social-democratas.</p>
<p>Há <a href="http://www2.ljworld.com/weblogs/capitol-report/2014/feb/13/kansas-legislators-explain-their-votes-o/">notícias do Kansas</a> nesse sentido também. Nesta semana, os legisladores do Kansas, com base na liberdade religiosa, votaram uma proteção legal a empresas que se recusam a fornecer serviços à comunidade LGBTQ. Opositores notam que isso significa que o governo tem a tarefa de proteger comportamentos discriminatórios.</p>
<p>A mesma tendência é perceptível em <a href="http://www.latimes.com/nation/nationnow/la-na-nn-same-sex-marriage-roundup-20140210,0,4520838.story#axzz2tFMyR3RP">Nevada, Utah, Oklahoma, Ohio e Indiana</a>. Alega-se que a visão de mundo socialmente conservadora é melhor para famílias e crianças — e, portanto, o casamento de pessoas do mesmo sexo deve ser banido. Uma voz dissidente, <a href="http://www.nydailynews.com/news/national/religious-groups-join-forces-gay-marriage-okla-utah-article-1.1609630">Shannon Minter, diretora legal do National Center for Lesbian Rights</a> (em português, Centro Nacional de Direitos das Lésbicas), afirma, ao contrário, que &#8220;o estado não pode privar quaisquer grupos de pessoas de um direito fundamental com base nas visões religiosas de alguns&#8221;.</p>
<p>É o dinheiro dos impostos trabalhando — os argumentos políticos se resumem simplesmente a &#8220;eles deveriam apoiar ou rejeitar esta lei no plenário&#8221;. Esse é o problema fundamental com o discurso político. A retórica está presa na vertical.</p>
<p>Deixe-me propor, então, uma ética de liberdade? Com a liberdade, o poder social é maior que o poder do estado. Ao invés de olharmos para a estrutura vertical do governo, nós olhamos horizontalmente uns para os outros no mercado — a verdadeira arena pública.</p>
<p>No mercado, nós trabalhamos para comercializar bens e serviços, desenvolver federações, criar instituições e empurrar nossa sociedade para a frente. O mercado é a expressão máxima do que é de todos. Mercados libertos são mercados livres de estruturas de poder que impedem o exercício da democracia.</p>
<p>Não há qualquer necessidade de leis que protejam ou permitam a liberdade de associação. Os conservadores estatistam usam a retórica da &#8220;liberdade religiosa&#8221;, mas defendem uma sociedade que não chega nem perto da liberrdade. Se um grupo religioso ou civil deseja honrar um relacionamento entre indivíduos conscientes, então, em liberdade, que seja. O uso dos tribunais para bloquear esse progresso não é nada além de uma tática para marginalizar as pessoas na sociedade.</p>
<p>Eu não sou favorável (mas sou simpático) ao uso dos tribunais para combater essa agressão. Não lamento a existência da propriedade privada ou das trocas voluntárias — eu as defendo. Também defendo protestos passivos, boicotes e trocas mútuas. Estas devem <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Greensboro_sit-ins">varrer práticas empresariais regressivas do mercado</a>. O mecanismo de mercado permite esse tipo de progresso, enquanto o mecanismo estatal atrapalha e às vezes impede as mudanças sociais. Os movimentos sociais crescem em oposição ao poder estatal — ou seja, aos conservadores estatistas e a sua sede por poder.</p>
<p>A história pode ser vista como uma disputa entre o poder estatal e o poder social. É hora de colocar os comuns de volta no poder. O trabalho individual dos seres humanos é capaz de construir sociedades. O poder institucional e suas amarras ao progresso estão no caminho da extinção — finalmente.</p>
<p>Traduzido do inglês para o português por <a title="Posts by Erick Vasconcelos" href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos" rel="author">Erick Vasconcelos</a>.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=24763&amp;md5=de115f2d49f9a14888ca08e6093748f7" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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