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	<title>Center for a Stateless Society &#187; homofobia</title>
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		<title>Preferia que você parasse de ser tão bom para mim, Capitão Hoppe</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Nov 2014 23:00:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Kevin Carson]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Talvez o leitor esteja familiarizado com o artigo de Murray Rothbard &#8220;O igualitarismo é uma revolta contra a natureza&#8220;. Hans-Hermann Hoppe, eminência parda no LewRockwell.com, vai um passo além e coloca a crença na desigualdade humana como uma característica fundante do libertarianismo de direita (&#8220;A Realistic Libertarianism&#8220;, 30 de setembro, também traduzido para o português)....]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Talvez o leitor esteja familiarizado com o artigo de Murray Rothbard &#8220;<a href="http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1206">O igualitarismo é uma revolta contra a natureza</a>&#8220;. Hans-Hermann Hoppe, eminência parda no LewRockwell.com, vai um passo além e coloca a crença na desigualdade humana como uma característica fundante do libertarianismo de direita (&#8220;<a href="http://www.lewrockwell.com/2014/09/hans-hermann-hoppe/smack-down/">A Realistic Libertarianism</a>&#8220;, 30 de setembro, também <a href="http://criticidadevoraz.blogspot.com.br/2014/10/um-libertarianismo-realista.html">traduzido para o português</a>). Não é apenas uma montanha em que ele está disposto a morrer, mas onde ele está também disposto a fazer sua reprise solo do Assalto de Pickett.</p>
<blockquote><p>A esquerda [&#8230;] está convencida da igualdade fundamental do homem, de que todos os homens são &#8220;criados iguais&#8221;. Ela não nega o patentemente óbvio, contudo: há diferenças ambientais e fisiológicas, i.e., algumas pessoas vivem em montanhas e outras no litoral, alguns são machos e outros fêmeas, etc. Mas a esquerda nega a existência de diferenças mentais ou, quando essas diferenças são aparentes demais para serem negadas, tenta justificá-las como &#8220;acidentais&#8221;.</p></blockquote>
<p>Na verdade, a esquerda (ou pelo menos a maioria dos membros da esquerda) não nega que existam diferenças individuais de habilidade e intelecto. Mas deixemos isso de lado. Hoppe não está satisfeito em parar por aí:</p>
<blockquote><p>[O libertário de direita] realisticamente percebe que o libertarianismo, enquanto sistema intelectual, foi desenvolvido pela primeira vez e elaborado no mundo ocidental por homens brancos, em sociedades dominadas por homens brancos. Que é em sociedades dominadas por homens brancos heterossexuais que a adesão a princípios libertários é a maior e que desvios deles são menos severos (como indicado por políticas comparativamente menos maléficas e extorsivas por parte do estado). Que são homens brancos heterossexuais que demonstram a maior criatividade, indústria e habilidade econômica. Que são sociedades dominadas por homens brancos heterossexuais e, em particular, as mais bem sucedidas entre elas que produziram e acumularam a maior quantidade de bens de capital e alcançaram os padrões de vida médios mais altos.</p></blockquote>
<p>Alguns podem notar uma certa contradição interna entre o uso reiterado da palavra &#8220;dominadas&#8221; para descrever o papel de certos segmentos privilegiados da sociedade e que a ideia de que o pensamento &#8220;libertário&#8221; foi formulado em sociedades baseadas na dominação.</p>
<p>Evidentemente Hoppe não vê essa contradição, já que ele mal consegue conter seu entusiasmo com a perspectiva de que sua forte crença na autopropriedade, na não-agressão e em regras de aquisição inicial terão o efeito &#8212; apenas por coincidência, é claro &#8212; de perpetuar a dominação desses homens brancos heterossexuais. Assim, os maiores beneficiários das ideias da liberdade que homens brancos inventaram serão esses mesmos homens brancos.</p>
<p>Hoppe gosta de argumentar que toda propriedade naturalmente escassa deveria ser atribuída a &#8220;algum indivíduo específico&#8221;. A partir daí, em uma típica reafirmação de seu argumento padrão, ele presume a apropriação universal de todas as terras dentro de um país. Quando todas as regras dentro de um país, inclusive ruas, sob propriedade individual, segue-se que ninguém possa entrar no país ou transitar em alguma rua sem a permissão de proprietários privados ou donos de terras. Numa só tacada, isso resolve o &#8220;problema&#8221; da imigração, uma vez que &#8212; embora fronteiras nacionais não existam &#8212; ninguém além de um empregado convidado ou bracero poderia entrar nos Estados Unidos em que todas as terras fossem apropriadas sem invadir a propriedade de alguém. Isso também resolve o &#8220;problema&#8221; dos direitos dos gays, já que num país composto esmagadoramente por cristãos tementes a Deus como Hoppe, ninguém quererá &#8220;essa gente&#8221; em suas propriedades. Se você acha o libertarianismo de Thomas Paine e William Godwin difícil de digerir, através do milagre da apropriação universal você pode (isto é, se for um homem branco dono de terras) formar sua própria sociedade &#8220;livre&#8221; neofeudal à imagem e semelhança de O conto da aia.</p>
<p>Talvez todos que não sejam heterossexuais, brancos ou homens se beneficiem se esses homens brancos héteros inteligentes cuidem da sociedade, para seu próprio bem.</p>
<p>As ideias de Hoppe sobre a apropriação universal, porém, não parecem muito fáceis de aceitar, pelo menos para alguém que não tenha um cérebro monumental como o de Herr Doktor Professor Hoppe. Mesmo entre os libertários de direita, o padrão normal de legitimidade da apropriação privada da terra é o de John Locke e Murray Rothbard: ocupação e uso. Um pedaço de terra que não seja trabalhado e alterado, por definição, não tem dono. E a maior parte das terras nos Estados Unidos, como o libertário Albert Jay Nock observou, está vaga e não foi trabalhada. A única maneira &#8212; agora e no futuro próximo &#8212; de apropriar universalmente essa terra é através do que Franz Oppenheimer chamou de &#8220;apropriação plítica&#8221; e Nock chamou de &#8220;propriedade legislada&#8221;. É o mesmo que Rothbard &#8212; alguém que nós presumiríamos ser influente junto a Hoppe &#8212; chamava de &#8220;engrossment&#8221; (&#8220;concentração&#8221;): o cercamento das terras que não foram ocupadas ou trabalhadas para coletar tributos de seus donos legítimos, os primeiros a ocupá-la e a colocá-la em uso.</p>
<p>Ignorando as visões de Hoppe sobre a apropriação universal da terra e sobre a exclusão dos &#8220;indesejáveis&#8221;, ele também negligencia o fato de que os homens brancos benevolentes e naturalmente libertários do Ocidente &#8220;civilizado&#8221; passaram alguns séculos roubando, pilhando e escravizando as partes não-europeias do mundo que colonizaram antes de decidirem compartilhar a dádiva da liberdade com elas. Nesse processo, também destruíram grande parte das civilizações preexistentes e evisceraram a sociedade civil &#8212; e a riqueza &#8212; desses lugares.</p>
<p>Jawaharlal Nehru argumentou com alguma plausibilidade que Bengala se tornou a parte mais pobre da Índia porque foi o primeiro foco de infecção da doença do colonialismo britânico, através de Warren Hastings. Os britânicos sistematicamente acabaram com a indústria têxtil indiana, que competia com Manchester, e também roubaram as propriedades das terras da maior parte da população (começando com os assentamentos permanentes de Hastings), transformando as elites locais em canais de extração de riqueza em benefício do império.</p>
<p>Quando esses homens ocidentais de bom coração finalmente decidiram compartilhar essas interessantes ideias de liberdade com as pessoas de cor que dominaram, elas mantiveram todas as coisas que já tinham roubado para si &#8212; como recompensa, talvez, por seu altruísmo em inventar a liberdade pelo bem de todas essas pessoas negras e mulatas que, de outra maneira, jamais teriam ouvido a respeito.</p>
<p>Nós até nos perguntamos se não havia outra maneira melhor e menos custosa pela qual essas infelizes pessoas de cor poderiam ter adquirido as ideias da liberdade.</p>
<p>Falando nisso, quase me esqueço de mencionar o trabalho de David Graeber a respeito de sistemas decisórios consensuais como fenômeno quase universal durante a história humana, em contraste com a ideia de Hoppe de que &#8220;direitos humanos&#8221; e &#8220;democracia&#8221; sejam uma criação única do Cânone do Homem Branco que requeriam esforços e genialidade do nível do Projeto Manhattan para seu desenvolvimento. Os conservadores ocidentais (como Hoppe) normalmente veem a liberdade humana e o autogoverno como ideias avançadas que somente homens brancos em lugares como a Atenas de Péricles e a Filadélfia em 1787 poderiam desenvolver. A respeito dessa afirmação, Graeber comenta:</p>
<blockquote><p>Claro, é um viés peculiar da historiografia ocidental de que esse tipo de democracia é o único que realmente conta como &#8220;democracia. É comum ouvir que a democracia se originou na antiga Atenas &#8212; como a ciência ou a filosofia, foi uma invenção grega. Nunca fica inteiramente claro o que isso significa. Devemos acreditar que, antes dos atenienses, ninguém jamais em qualquer outro lugar havia pensado em reunir os membros de sua comunidade para tomar decisões conjuntas de forma que todos tivessem igual voz. Isso seria ridículo. Claramente existiram muitas sociedades igualitárias na história &#8212; muitas bem mais igualitárias que Atenas, muitas que devem ter existido antes de 500 a.C. &#8212; e, obviamente, elas devem ter tido algum procedimento para chegar a decisões em questões de importância coletiva. No entanto, sempre se presume que esses procedimentos, sejam quais fossem, não poderiam ter sido de fato &#8220;democráticos&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;">* * *</p>
<p>O motivo por que acadêmicos tanto relutam em ver um conselho de uma vila sulawesi ou tallensi como &#8220;democrático&#8221; &#8212; além do simples racismo, a relutância em admitir que qualquer um que os ocidentais tenham massacrado com tanta impunidade tenham estado no nível de Péricles &#8212; é que eles não votam. Esse, evidentemente, é um fato interessante. Por que não? Se aceitarmos que levantar as mãos ou se posicionar em um lado ou outro da praça para concordar ou discordar de uma proposição não são realmente ideias tão sofisticadas a ponto de nunca terem ocorrido a ninguém até que um gênio antigo as &#8220;inventasse&#8221;, então por que são tão raramente empregadas? Aparentemente, temos aqui um exemplo de rejeição explícita. No mundo inteiro, desde a Austrália até a Sibéria, comunidades igualitárias têm preferido alguma variação do processo consensual. Por quê? A explicação que eu proponho é a seguinte: é muito mais fácil em uma comunidade pequena saber o que a maioria dos membros dessa comunidade deseja fazer em vez de tentar convencer aqueles que discordam. Processos decisórios consensuais são típicos de sociedades onde não haveria maneiras de compelir uma minoria a concordar com uma decisão majoritária &#8212; porque não há estado com um monopólio sobre a força coercitiva ou porque o estado não tem nada a ver com as decisões locais. Se não há maneiras de coagir aqueles que discordam de uma decisão majoritária a se submeterem a ela, então a última coisa que se deve fazer é uma votação: um concurso público em que uma das partes perderá. O voto seria a maneira mais provável de garantir humilhação, ressentimento, ódio e, no final, a destruição das comunidades. O que é visto como um processo elaborado e difícil de chegar ao consenso é, na verdade, um longo processo para garantir que todos percebam que seus pontos de vista não foram ignorados.</p>
<p style="text-align: center;">* * *</p>
<p>&#8220;Nós&#8221; &#8212; enquanto &#8220;o Ocidente&#8221; (o que quer que isso signifique), como o &#8220;mundo moderno&#8221;, ou qualquer outra construção &#8212; não somos tão especiais como gostamos de pensar; [&#8230;] não somos os únicos povos que já praticaram a democracia; [&#8230;] na verdade, em vez de disseminar a democracia pelo mundo, os governos &#8220;ocidentais&#8221; têm gastado muito tempo se intrometendo nas vidas de pessoas que já praticavam a democracia há milhares de anos e, de uma forma ou de outra, dizendo para elas pararem com isso.</p></blockquote>
<p>Esses pobres mulatos provavelmente também tinham mais respeito pela ideia de &#8220;propriedade&#8221; que seus instrutores brancos, quando consideramos que os brancos que altruisticamente estenderam os benefícios da civilização ocidental ao resto do mundo já haviam roubado a grande maioria da população doméstica de suas propriedades (e.g., os cercamentos na Inglaterra) antes de decidirem que os direitos de propriedade eram sagrados. Eles também roubaram a maior parte das propriedades do Terceiro Mundo antes de julgarem que os locais finalmente estavam aptos a aproveitar as bênçãos da liberdade sem supervisão branca. Nesse ponto, o mandamento &#8220;Respeitarás os direitos de propriedade &#8212; começando agora!&#8221; não era retroativo &#8212; ele não se aplicava à enorme massa de riquezas que os brancos e seus ancestrais já haviam saqueado e continuavam a concentrar. Assim, o efeito principal das ideias ocidentais a respeito dos &#8220;direitos de propriedade&#8221; foi proteger as posses da elite e das corporações transnacionais que retiveram as propriedades de todas as terras e recursos minerais que as gerações anteriores de homens brancos ocidentais haviam pilhado com o colonialismo.</p>
<p>Assim, ao que parece, as pessoas comuns em todo o mundo já haviam encontrado formas de lidar umas com as outras como iguais, resolvendo suas diferenças de forma pacífica sem os homens ocidentais desenvolvendo o libertarianismo para elas, e quando os homens brancos ocidentais finalmente chegaram com suas novas e melhores ideias sobre a Liberdade com L maiúsculo, eles mataram, escravizaram e roubaram a maior parte da raça humana como compensação por sua benevolência.</p>
<p>Um trecho do filme <em>Cool Hand Luke</em> (lançado no Brasil como <em>Rebeldia Indomável</em>) se aplica muito bem aqui. Um dos guardas na fazenda prisão diz para Luke que o som das correntes que ele está usando o &#8220;lembrarão do que eu estou dizendo &#8212; para seu próprio bem&#8221;. E Luke responde: &#8220;<a href="https://www.youtube.com/watch?v=yBBWUZfgRiw">Preferia que você parasse de ser tão bom para mim, Capitão</a>&#8220;.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=33874&amp;md5=6dba6d65488fa251a9b4c7fd6549fce4" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>La izquierda punitiva y la criminalización de la homofobia</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Oct 2014 19:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alan Furth ES]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>En el artículo ya clásico &#8220;<a href="https://pt.scribd.com/doc/74572563/Maria-Lucia-Karam-A-esquerda-punitiva">A Esquerda punitiva</a>&#8221; (&#8220;La izquierda punitiva&#8221;), Maria Lúcia Karam critica a la izquierda brasileña por traicionar sus convicciones profundamente arraigadas sobre el cambio social, uniéndose a los que desean fortalecer el derecho penal como principal medio de resolución de los conflictos sociales y garantizar la paz social.</p>
<p>Karam señala que la izquierda parece haber olvidado que el aparato represivo del estado se vuelve principalmente contra los grupos marginados, actuando las más de las veces como una forma de limpieza social, y que las propuestas de más criminalización y represión provenientes de la izquierda (como la lucha contra los delitos financieros) no resuelven esta contradicción estructural.</p>
<p>Un ejemplo de ello es el problema de seguridad creado por el tráfico de drogas: En lugar de apoyar una mayor represión del tráfico de drogas para reducir la sensación de inseguridad, la izquierda brasileña debe reflexionar sobre el hecho de que es la penalización de las drogas en sí misma la que crea el ciclo de la violencia relacionada con las drogas prevalente el país. Por lo tanto, luchar contra el derecho penal es luchar contra la violencia.</p>
<p>Karam concluye que el papel de la izquierda es criticar el sistema imperante, no reforzar su lógica.</p>
<p>En el debate presidencial de Brasil del 29 de septiembre, Levy Fidelix, apodado el &#8220;candidato enano,&#8221; hizo algunas declaraciones sumamente viles, homofóbicas y ofensivas en la televisión nacional después de que la también candidata Luciana Genro le preguntara acerca de su posición sobre el matrimonio gay. Fidelix mostró la típica repulsión heteronormativa a la homosexualidad disfrazada de &#8220;defensa de los valores familiares&#8221;, pero fue aún más lejos al declarar que el &#8220;sistema excretor&#8221; no es un órgano reproductor y que los no heterosexuales deberían ser excluidos de alguna manera de la vida social, &#8220;lejos&#8221; del resto de la sociedad para tratar sus supuestas afecciones y problemas psicológicos.</p>
<p>Siempre dispuestos a dar la pelea, muchos izquierdistas se manifestaron a favor de la criminalización de la homofobia y utilizaron las declaraciones de Fidelix como ejemplo de lo que el derecho penal debería prohibir. Según este sector de la izquierda brasileña la homofobia debería ser un delito a la par que el racismo. Pero al defender esa posición, cometen el error de la izquierda punitiva.</p>
<p>La criminalización de una conducta no puede ser el principal medio a través del cual se resuelve el conflicto social porque es la forma más coercitiva de hacerlo, y debería invocarse únicamente en caso de una agresión contra las libertades individuales.</p>
<p>La idea de la criminalización como solución para todos los problemas humanos ha ampliado dramáticamente la regulación estatal de la vida. Y de acuerdo con ese punto de vista, no hay comportamiento individual que no pueda ser potencialmente incluido en nuestros registros policiales.</p>
<p>Criminalizar las opiniones inaceptables ha sido una herramienta típicamente utilizada por todos y cada uno de los regímenes autoritarios de la historia humana. Nunca llega a ser una herramienta de transformación social, sino de la reacción. No va a purificarse porque por fin criminalicemos las opiniones que son realmente dignas de desprecio. Sigue siendo un medio autoritario para amordazar la disidencia.</p>
<p>Tal como lo demuestra Steven Pinker en <em>Los ángeles que llevamos dentro</em>, los grandes cambios en la historia de la humanidad no se han dado gracias a la &#8220;criminalización de opiniones conservadoras&#8221; (algo que ni siquiera era posible en ese momento), sino a través de un proceso histórico más complejo que incluyó la despenalización de las opiniones y la expansión de la libertad de expresión. El gran descubrimiento liberal es que para garantizar la paz social no tenemos que estar de acuerdo en todo, sino sólo en cuanto a quién debe tener el derecho de decidir quién tiene la razón: el propio individuo.</p>
<p>El proceso de criminalización de la homofobia y el racismo puede tener consecuencias bastante nocivas en el futuro: muchas personas acusan a las feministas de ser &#8220;misándricas&#8221;, y al movimiento LGBT de ser &#8220;heterofóbico&#8221;. A pesar de que estas son acusaciones absurdas, no es difícil pensar en una defensa de la supresión de su discurso por esos motivos, ya que sus polos opuestos (el machismo y la homofobia) pueden convertirse en crímenes. No hay ninguna garantía de que estos discursos no se criminalizarán y etiquetarán como expresiones de odio en el futuro, en detrimento del debate libre y los derechos de las minorías.</p>
<p>Por lo tanto, la mejor manera de luchar contra el racismo, la homofobia y otras culturas discriminatorias no es a través de su criminalización. Tal como lo expresó Mano Ferreira en su artículo &#8220;<a href="http://mercadopopular.org/2014/09/por-um-principio-da-nao-opressao/">Por um Principio da nao opressao</a>&#8221; (&#8220;Por un principio de no-opresión&#8221;): &#8220;En la elaboración de un principio libertario de la no-opresión, debemos tener en mente la ampliación de la libertad humana. Por lo tanto, creo que es a través de la cooperación voluntaria y el empoderamiento social de los oprimidos que construimos bases legítimas y eficaces para luchar contra la opresión. En ese proceso es necesario analizar en profundidad los mecanismos de opresión y las posibilidades de desarmarla &#8211; una misión en la que debemos reconocer la importancia de los autores que se adhieren a otras epistemologías, entenderlos y resignificarlos&#8221;.</p>
<p>La acción directa y el boicot social pueden ser herramientas muy útiles en este sentido, lo cual he sugerido en cuanto a la lucha feminista contra la cultura de la violación.</p>
<p>Hay que abandonar el paradigma de la criminalización de las opiniones en el contexto de la lucha por el progreso social, ya que la emancipación de las minorías se está obteniendo y se logrará a través de una consolidación, amplificación e iluminación histórica de las redes de cooperación social voluntaria, donde la criminalidad estatal y la opresión social se combatirán y rechazarán en favor de la libertad humana.</p>
<p>Artículo original <a href="http://c4ss.org/content/32489">publicado por Valdenor Júnior el 7 de octubre de 2014</a>.</p>
<p>Traducido al español por <a href="http://es.lanafurth.com">Alan Furth a partir de la traducción al inglés de </a><a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a><a href="http://es.lanafurth.com">.</a></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=32686&amp;md5=9217b46d68c10b18230bb8ce16c69943" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>A esquerda punitiva e a criminalização da homofobia</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Oct 2014 01:04:39 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Em seu clássico “A esquerda punitiva”, Maria Lúcia Karam critica a esquerda brasileira que, abandonando suas mais antigas concepções sobre mudança social, uniram suas forças com aqueles que desejam a intensificação do direito criminal como forma primária de resolver conflitos na sociedade e garantir a paz social. Karam observa que esquerda se esqueceu de que...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Em seu clássico “<a href="http://pt.scribd.com/doc/74572563/Maria-Lucia-Karam-A-esquerda-punitiva">A esquerda punitiva</a>”, Maria Lúcia Karam critica a esquerda brasileira que, abandonando suas mais antigas concepções sobre mudança social, uniram suas forças com aqueles que desejam a intensificação do direito criminal como forma primária de resolver conflitos na sociedade e garantir a paz social.</p>
<p>Karam observa que esquerda se esqueceu de que o aparato repressor do estado brasileiro se volta primariamente contra os mais marginalizados, servindo muitas vezes como forma de higienização social, e que a mera proposta de criminalização e repressão pela esquerda (como o combate à criminalidade financeira) não resolve esta contradição estrutural do sistema.</p>
<p>Um exemplo paradigmático disso é o problema da segurança criado pelo tráfico de drogas: ao invés de apoiar uma maior repressão ao tráfico de drogas para reduzir a sensação de insegurança, a esquerda brasileira devia refletir sobre o fato de que é a criminalização das drogas que cria o ciclo de violência relacionado à droga atualmente em nosso país, e, portanto, é necessário lutar por esta redução do papel do direito criminal justamente como forma de reduzir a violência.</p>
<p>A conclusão de Karam é que o papel da esquerda deveria ser o de crítica ao sistema criminal vigente, não ao reforço de sua lógica.</p>
<p>Precisamos voltar à crítica à esquerda punitiva agora, durante as eleições.</p>
<p>No debate da última segunda-feira (29/09), o candidato Levi Fidélix fez declarações ofensivas e homofóbicas em rede nacional, após ter sido perguntado pela candidata Luciano Genro sobre sua posição a respeito do casamento igualitário. Fidélix demonstrou a típica repulsa heteronormativa – travestida de defesa da “família tradicional” – à homossexualidade, mas foi ainda mais longe, ao afirmar que “aparelho excretor não reproduz” para justificar sua rejeição ao casamento igualitário e que os não heterossexuais devem ser excluídos do convívio social de alguma maneira, ficando “bem longe” do resto da sociedade para tratar de seus supostos distúrbios afetivos e psíquicos.</p>
<p>Ato contínuo, muitas pessoas que se identificam à esquerda brasileira manifestaram-se em favor da criminalização da homofobia e utilizaram o exemplo da fala de Fidélix como exemplo daquilo que o direito criminal deve combater. A homofobia deveria ser crime tal como o racismo, argumenta este setor da esquerda brasileira. Mas na defesa dessa posição, incorrem no erro da esquerda punitiva.</p>
<p>A criminalização de uma conduta não pode ser a alternativa primária para compor conflitos sociais, porque se trata da forma mais coercitiva de fazê-lo e que deveria ser invocada apenas para atentados aos direitos individuais.</p>
<p>O entendimento da criminalização como uma solução para todos os problemas humanos só tem expandindo a fiscalização do estado sobre a vida em detrimento da liberdade humana. Sob esse ponto de vista, não há <a href="http://libertyzine.blogspot.com.br/2007/07/vcios-no-so-crimes-lysander-spooner.html">comportamento individual</a> que não possa ser incluído nas nossas fichas criminais.</p>
<p>Criminalizar opiniões consideradas inaceitáveis foi um método comum de todo regime autoritário que já houve na história humana. Nunca foi uma ferramenta de transformação social, mas sim uma ferramenta reacionária. Não será purificada porque vamos finalmente criminalizar as opiniões que de fato mereceriam punição. Continua a ser um método autoritário para calar o dissenso social.</p>
<p>Criminalizar opiniões é um reacionarismo porque, como bem ilustra Steven Pinker em <em><a href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13271">Os Anjos Bons da Nossa Natureza</a></em>, as grandes mudanças humanitárias na história moderna não advieram da “criminalização das opiniões conservadoras” (o que sequer era possível à época), mas de um processo histórico mais complexo que incluiu a conquista da descriminalização das opiniões, com a garantia da liberdade de expressão ao indivíduo. Para garantir a paz social, a grande descoberta liberal é a de que não precisamos concordar sobre tudo, mas concordar sobre quem tem o direito de decidir para si: o indivíduo.</p>
<p>A criminalização atual da homofobia e do racismo pode ser futuramente problemática: muitas pessoas acusam as feministas de “misândricas” e o movimento LGBT de “heterofóbico”. São acusações absurdas, mas não é difícil pensar na defesa da supressão desses discursos, já que seus opostos podem (machismo e homofobia) podem se tornar crimes. Não há nenhuma garantia de que estes discursos também não venham a ser criminalizados como opiniões preconceituosas em algum momento futuro, em prejuízo da discussão livre dos movimentos sociais e da emancipação das minorias.</p>
<p>Portanto, a melhor forma de combater o racismo, a homofobia e outras culturas preconceituosas não advém da sua criminalização. Como Mano Ferreira escreveu no texto “<a href="http://mercadopopular.org/2014/09/por-um-principio-da-nao-opressao/">Por um princípio da não opressão</a>”:</p>
<blockquote><p>“A construção de um princípio liberal da não opressão, como toda a boa tradição do liberalismo, deve ter como norte o aumento da liberdade humana. Desse modo, creio que será através das redes de cooperação voluntária e do empoderamento social do oprimido que construiremos as bases mais legítimas e eficientes de combate à opressão. Nesse processo, é necessário um aprofundamento sobre os mecanismos da opressão e suas possibilidades de desmonte – missão na qual devemos reconhecer a importância de autores com outras perspectivas epistemológicas, compreendê-los e ressignificá-los.”</p></blockquote>
<p>A ação direta e o boicote social podem ser instrumentos muito úteis neste sentido, como já destaquei que ativistas feministas podem usar para combater a <a href="http://c4ss.org/content/27531">cultura do estupro</a>.</p>
<p>O paradigma da criminalização da opinião deve ser superado nas lutas por causas progressistas, uma vez que a emancipação das minorias está sendo e será obtida por meio de um processo histórico de consolidação, ampliação e esclarecimento das redes de cooperação social voluntária, no qual a criminalidade estatal e a opressão social vão sendo postas em cheque e rejeitadas em favor da liberdade humana.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=32425&amp;md5=bc72ab9bb2f3077944539bd85a935f4e" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>O privilégio é uma colherzinha de plástico</title>
		<link>http://c4ss.org/content/29155</link>
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		<pubDate>Tue, 08 Jul 2014 00:00:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Cathy Reisenwitz]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[O sentido do privilégio]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
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		<category><![CDATA[antirracismo]]></category>
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		<category><![CDATA[homofobia]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
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		<description><![CDATA[As trocas mútuas são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores. Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>As <a href="http://c4ss.org/content/category/mutual-exchange">trocas mútuas</a> são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores.</p>
<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, “<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>“. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria <a href="http://c4ss.org/content/category/o-sentido-do-privilegio">O sentido do privilégio</a>.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p><span style="line-height: 1.5em;">As críticas à teoria do privilégio, tanto <a href="http://c4ss.org/content/category/o-sentido-do-privilegio">aqui</a> quanto em outros veículos, frequentemente se resumem às respostas das próprias pessoas que ela pretende esclarecer. E, eu concordo, especialmente se a pessoa for libertária, ela deve olhar para os efeitos de cada proposta, não apenas para suas intenções. De fato, é difícil encontrar qualquer teoria tão mal compreendida e desvirtuada que a do privilégio.</span></p>
<p>Assim, podemos tomar o caminho de Casey Given e considerar a teoria descartável. Porém, eu acredito que há alguns vieses enraizados que tornam as pessoas mais predispostas a ignorar a opressão e a rejeitarem qualquer tipo de análise estrutural, expressão ou pessoa que a menciona. E culpar a atrapalhada e mal aplicada análise por trás da expressão &#8220;cheque seus privilegios&#8221; pela existência e continuidade do problema parece uma perspectiva míope. É verdade que estamos removendo montanhas de neve com uma colherzinha de plástico, mas é a melhor ferramenta de que dispomos.</p>
<p>Os problemas com a teoria do privilégio são reais. Ela faz com que os brancos se sintam culpados, coletiviza e categoriza as pessoas. Ela, por si só, não é suficiente para estimular mudanças. Porém, todos esses problemas existem também em relação a qualquer reconhecimento da existência continuada do preconceito, não importa quais definições usemos para sua análise. Simplesmente não há nenhuma maneira de tornar a opressão mais visível em bases arbitrárias sem fazer com que as pessoas se sintam culpadas (ao menos algumas delas em parte do tempo) ou através da coletivização e da categorização das pessoas (o que também é conhecido como reconhecimento das identidades usadas pelos preconceituosos como base para seu comportamento opressivo). E, é claro, chamar essas coisas de opressão ou privilégio não vai acabar com elas por si só.</p>
<p>A opressão é desconfortável para cacete. Perceber que você entrou na corrida alguns passos na frente do cara na esquina que implora por uns centavos é bem desagradável. Qualquer coisa que ameace a certeza de que &#8220;você merece tudo aquilo que você tem&#8221; não é algo a que a maioria das pessoas estará disposta a aceitar. Todos têm maior experiência com sua própria opressão e é a ela que são mais simpáticos.</p>
<p>O fato de que checar privilégios seja algo extremamente mal compreendido e difamado não é prova de que não seja útil. Mas é evidência de que seja difícil.</p>
<p>A questão, portanto, é: os benefícios do reconhecimento do preconceito e da discriminação justificam o desconforto que ele gera?</p>
<p>Obviamente, depende dos seus valores. Se reconhecer a verdade é importante para você, então é útil. Como afirmou Kevin Carson:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;O privilégio é um conceito importante porque tem função explicativa e a percepção correta do mundo em que operamos é necessário para que essa operação seja efetiva. Aqueles que afirmam que não “veem raças” ou que “não veem cores” não são capazes de atuar adequadamente no mundo, da mesma forma que pessoas daltônicas, que de fato não conseguem distinguir cores, não conseguem saber a diferença entre luzes verdes e vermelhas no trânsito.&#8221;</p>
<p>Assim, o privilégio nos auxilia a identificar e reconhecer corretamente as opressões de base identitária. Como a maioria dos problemas, a discriminação não é consertada ao ser ignorada. Ignorar a discriminação jamais funcionou no passado e provavelmente não funcionará no futuro. Bem ou mal, solucionar problemas normalmente requer algum trabalho. O primeiro passo para essas soluções é admitir que o problema existe.</p>
<p>Portanto, eu admito que a análise do privilégio é só uma colherzinha para combater a avalanche de problemas institucionais, pessoais e governamentais por que somos cercados constantemente, quer admitamos ou não. Mas antes de jogarmos a colherzinha fora e passarmos a fingir que é tudo muito lindo, eu pergunto: existe uma alternativa?</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=29155&amp;md5=a0327ae481794208d693a6a49dd36d3f" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>O valor da teoria do privilégio: Uma resposta à réplica de Casey Given</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jul 2014 00:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Kevin Carson]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[O sentido do privilégio]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Stateless Embassies]]></category>
		<category><![CDATA[anti-essencialismo]]></category>
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		<description><![CDATA[As trocas mútuas são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores. Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>As <a href="http://c4ss.org/content/category/mutual-exchange">trocas mútuas</a> são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores.</p>
<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, “<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>“. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria <a href="http://c4ss.org/content/category/o-sentido-do-privilegio">O sentido do privilégio</a>.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p>Após a leitura da resposta de <a href="http://c4ss.org/content/28737">Nathan Goodman</a> a <a href="http://c4ss.org/content/28541">Casey Given</a> e <a href="http://c4ss.org/content/28817">sua resposta a nós dois</a>, é impressionante que Casey pareça, admitidamente, não perceber quais são suas discordâncias em relação a nós. Seu texto não responde aos pontos que eu coloquei e reafirma suas reclamações originais sobre o privilégio de maneira um pouco diferente. E ele realmente parece interpretar o artigo de Nathan como estando de acordo com suas visões.</p>
<p>Em resposta ao meu argumento de que a teoria do privilégio não fala sobre culpa ou culpabilidade, ele menciona que o que afirma é percepção comum entre aqueles que passaram por treinamentos de sensibilidade de que estes servem para &#8220;induzir culpa&#8221; e que a interpretação mais comum é que mesmo aqueles que não foram donos de escravos ou &#8220;agiram de forma racista&#8221; &#8220;ainda deveriam se envergonhar&#8221;. Se essa for, de fato, sua percepção, parece que alguém não está ensinando direito ou, por algum motivo, alguém não está aprendendo.</p>
<p>Resumidamente, é um fato óbvio que (entre outros fatores) o racismo e o patriarcado existem em nossa sociedade e que brancos e homens se beneficiam dessas estruturas enquanto grupos. Deve ser notório para qualquer pessoa de bom senso que aqueles que não são submetidos a formas de opressão sistemática em suas vidas cotidianas têm vantagens sobre aqueles que são, da mesma forma que alguém que não possua um peso de 25 kg amarrado a seus braços tem uma vantagem sobre aqueles que possuem. A palavra &#8220;privilégio&#8221; é excelente para descrever esse fenômeno.</p>
<p>A ideia de que a palavra &#8220;privilégio&#8221; carrega uma conotação normativa, de que qualquer pessoa que não seja diariamente perseguido tem algum tipo de culpa, é francamente ridícula. Qualquer pessoa que passa essa ideia adiante simplesmente está fazendo um péssimo trabalho ao ensinar a teoria do privilégio e aliena as próprias pessoas que precisam compreendê-la com a mente aberta.</p>
<p>A lição do exercício do marshmallow a que Casey se refere não é a de que todos que não têm marshmallows na boca devem tê-los &#8220;enfiados goela abaixo&#8221; ou que devam sentir culpa por não terem. É simplesmente que eles estão em melhor situação, por questões estruturais de injustiça e talvez sem qualquer interferëncia própria, do que aqueles que estão com a boca cheia de marshmallows.</p>
<p>Por outro lado, eu acredito que haja uma tentativa de estimular essa má compreensão sobre o conceito de privilégio pela direita cultural como forma de sabotar o ativismo pela justiça social. Algumas pessoas podem subjetivamente escutar uma explicação precisa sobre o privilégio como condenação de si mesmas por conta de ressentimentos contra o próprio ativismo social.</p>
<p>Algumas pessoas, assim, podem interpretar o treinamento de sensibilidade como uma exigência de que se sintam culpadas por serem brancas, homens, cis, etc. Eu sou um novato nessas questões — tenho aprendido sobre elas há mais ou menos dois anos —, mas nunca interpretei esses conceitos dessa forma. Eu interpreto ações como treinamentos de sensibilidade como uma conscientização das vantagens na interação com mulheres, negros, indivíduos LGBT, etc, como um grito por apoio e solidariedade, como um pedido pelo microfone para ampliar suas vozes e como um alerta para os movimentos sociais como os de que eu faço parte percebam as necessidades interseccionais de seus membros menos privilegiados.</p>
<p>Mas suponhamos que algumas pessoas de fato digam aquilo que Casey menciona. Mesmo assim, algumas pessoas também perguntam &#8220;Por que negros podem chamar uns aos outros de pretos?&#8221;, &#8220;E se fizessem feriados pelo orgulho branco?&#8221; ou &#8220;A escravidão já acabou há mais de 100 anos, para que ficar preso nesse assunto?&#8221;. São coisas que eu ouço o tempo inteiro de pessoas que &#8220;nunca tiveram escravos&#8221; e não acham que se comportam de maneira racista.</p>
<p>O próprio fato de que há pessoas que veem o racismo ou o sexismo como questões de intolerância individual — de que homens e mulheres, brancos e negros podem ser culpados igualmente e não como um fenômeno estrutural — reflete profunda ignorância sobre a realidade em que vivemos. Qualquer homem ou pessoa branca que nao consiga entender nossos benefícios enquanto brancos ou homens sobre aqueles que não são brancos ou homens é ignorante sobre algo que não deveria ser. Se as pessoas não conseguem aprender porque as ideias estão sendo ensinadas de maneira ruim, porque não querem entender ou porque alguem as estimula a entender de maneira errônea não muda o fato de que são coisas que precisam ser compreendidas.</p>
<p>Intencionais ou não, as crenças de que o privilégio fala sobre culpa e de que o racismo não é senão um problema individual já atrapalharam muito o ativismo social. Não apenas por atrapalharem a percepção das estruturais sociais que procuramos desmontar, mas também por fazer com que as pessoas rejeitem o conceito do privilégio baseadas numa ideia falsa do que ele significa, o que acaba obstruindo esforços na luta contra a opressão.</p>
<p>Casey, estranhamente, tenta colocar a interseccionalidade em oposição ao conceito de privilégio. Mas os dois são inseparáveis. O propósito da interseccionalidade é entender os privilégios diferentes dentro de um grupo. Tratar o reconhecimento de que as formas interseccionais de privilégio prejudicam aina mais as pessoas que formas individuais de privilégo como uma refutação do privilégio é, por falta de uma palavra melhor, estranho.</p>
<p>Ainda mais estranha é que ele menciona o argumento de Nathan contra o essencialismo como se confirmasse sua posição, como se fosse um remédio para o &#8220;coletivismo&#8221; da velha teoria da opressão:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;A essencialização de uma “experiência feminina” ou de uma “experiência negra” básica ignora as diferentes formas pelas quais a opressão é sentida entre os membros desses grupos. Esse essencialismo significa, com frequência, tomar a experiência de alguns membros privilegiados desses grupos como o padrão. Por exemplo, uma “experiência feminina” padrão pode descrever especificamente aquilo que é sentido por mulheres brancas heterossexuais e cisgênero, que passam por situações de misoginia mas não são vítimas da homofobia, transfobia e do racismo por que outras mulheres passam.&#8221;</p>
<p>O problema com o essencialismo, porém, é que ele não dá atenção suficiente ao privilégio. A &#8220;compreensão holística da experiëncia individual&#8221; a que Nathan se refere — a ideia de que uma &#8220;experiência feminina típica&#8221; possa excluir mulheres negras, trabalhadoras e trans — é mais orientada ao privilégio do que as identidades monolíticas de mulheres, negros e outras identidades, porque foi criada para evitar que profissionais brancos de classe média-alta — como TERF (Feministas Radicais Trans-Exclusionárias), SWERF (Feministas Radicais Excludentes de Trabalhadoras do Sexo) e CEOs ricas como Sheryl Sandberg e Marissa Mayer — se passem por porta-vozes das &#8220;mulheres típicas&#8221; e evitem posições similares à hegemonia por uma classe profissional de &#8220;lideranças negras&#8221; dentro do movimento pelos direitos civis.</p>
<p>Finalmente, Casey repete que &#8220;a análise dos privilégios é uma causa sem um apelo à ação&#8221;. É como dizer que o entendimento da hidráulica não constrói um sistema de irrigação. É verdade, mas qualquer tentativa de construir um sistema de irrigação ignorando os princípios da hidráulica ou em violação deles estará fadada ao fracasso. Eu não sei o que dizer além de repetir que qualquer ação que não se baseie em uma percepção precisa da realidade não pode ser muito efetiva. Como afirmei em minha resposta original, o sindicato dos parceiros agrícolas americanos se dividiu racialmente nos anos 1930 não porque os seus membros utilizaram a teoria do privilégio de raça, mas porque a ignoraram.</p>
<p>Assim, eu não conseguiria colocar a questão de forma melhor que Nathan: &#8220;Casey Given nos estimula a entrar em ação para desafiar as instituições e regras que possibilitam e exacerbam a opressão. Contudo, para que possamos agir dessa forma com sucesso, é importante fazer análises precisas sobre a opressão contra a qual pretendemos lutar.&#8221; Tanto a ação sem reflexão quanto a reflexão sem ação são inúteis.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=29128&amp;md5=504aae29f998303f16f71d3f83148b77" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Uma concordância sobre os privilégios?</title>
		<link>http://c4ss.org/content/28817</link>
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		<pubDate>Sun, 29 Jun 2014 00:00:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Casey Given]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[O sentido do privilégio]]></category>
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		<description><![CDATA[As trocas mútuas são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores. Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>As <a href="http://c4ss.org/content/category/mutual-exchange">trocas mútuas</a> são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores.</p>
<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, “<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>“. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria <a href="http://c4ss.org/content/category/o-sentido-do-privilegio">O sentido do privilégio</a>.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p>É difícil apontar exatamente onde Nathan Goodman e eu discordamos a respeito da análise do privilégio. Em &#8220;<a href="http://c4ss.org/content/28737">As várias funções da análise do privilégio</a>&#8220;, ele concorda comigo ao afirmar que a discussão se torna &#8220;vaga&#8221; quando consideramos &#8220;direitos básicos&#8221;, como não sermos perseguidos por raça, são tratados estranhamente &#8220;como privilégios&#8221;. Além disso, ele prefere evitar o uso da expressão &#8220;cheque seus privilégios&#8221; porque &#8220;muitos têm reações negativas a essa expressão&#8221; — algo que eu mesmo afirmei em minha resposta a Kevin Carson.</p>
<p>Além disso, Nathan reconhece a crítica coletivista avançada por muitos libertários — que eu evitei durante esta série, por uma preocupação com a originalidade — de que a análise do privilégio &#8220;envolve premissas injustificadas a respeito dos indivíduos&#8221;. Nathan corretamente demonstra que não há uma &#8220;experiência feminina&#8221; ou uma &#8220;experiência negra&#8221; padronizada, já que cada indivíduo é produto de vários fatores socioeconômicos (como raça, gênero, riqueza, sexualidade, capacidade, etc). Além disso, ele aponta corretamente para o fato de que qualquer tentativa de essencializar uma &#8220;experiência feminina&#8221; ou uma &#8220;experiência negra&#8221; normalmente favorece os indivíduos mais favorecidos: &#8220;Por exemplo, uma “experiência feminina” padrão pode descrever especificamente aquilo que é sentido por mulheres brancas heterossexuais e cisgênero, que passam por situações de misoginia mas não são vítimas da homofobia, transfobia e do racismo por que outras mulheres passam.&#8221;</p>
<p>Apesar de todas as suas críticas convincentes à análise do privilégio, Nathan ainda vê valor nela. Para salvar o privilégio de suas armadilhas coletivistas, Nathan apresenta o anti-essencialismo como meio para &#8220;observar os indivíduos de forma holística&#8221;, ao invés de utilizar premissas categóricas sobre suas experiências. Porém, como a visão de Nathan sobre o anti-essencialismo difere da resposta libertária padrão de que devemos julgar os indivíduos por suas experiências pessoais? Não é que eu discorde de Nathan, eu apenas não vejo em que ponto ele discorda de mim.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=28817&amp;md5=f3e48fe81e2955133cb84f9a527e6d89" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>As várias funções da análise do privilégio</title>
		<link>http://c4ss.org/content/28737</link>
		<comments>http://c4ss.org/content/28737#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 27 Jun 2014 00:34:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Nathan Goodman]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[O sentido do privilégio]]></category>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>As <a href="http://c4ss.org/content/category/mutual-exchange">trocas mútuas</a> são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores.</p>
<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, “<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>“. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria <a href="http://c4ss.org/content/category/o-sentido-do-privilegio">O sentido do privilégio</a>.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p><a href="http://c4ss.org/content/28524">Casey Given</a> oferece algumas críticas interessantes ao conceito de privilégio, influenciadas por trabalhos ativistas feministas e antirracistas, em vez de utilizar argumentos da direita. Embora eu concorde com alguns deles, penso que seu artigo ignora várias funções exercidas pelo conceito de privilégio, além de alguns conceitos dentro da teoria feminista que são úteis para contornar algumas críticas comuns levantadas por libertários.</p>
<p>Ele está correto em notar que a conversa se torna vaga quando direitos básicos ou expectativas razoáveis que temos em relação a vários humanos são citadas como &#8220;privilégios&#8221;. Porém, eu diria que essa catalogação ainda seria útil para entender como o sucesso de uma pessoa pode depender da opressão do direito de outras. Mas a confusão pode apresentar problemas e isso é importante de se perceber.</p>
<p>Contudo, um conceito pode ser utilizado de formas errôneas e mesmo assim servir a funções úteis. Uma função chave da concepção feminista ou antirracista do privilégio é sua conexão com a epistemologia perspectivista. Isso enfatiza como o privilégio se torna invisível às partes privilegiadas e simultaneamente esconde as condições de opressão delas. Em outras palavras, lida com o fato de que o conhecimento é distribuído de acordo com a opressão de classes. Em &#8220;<a href="http://c4ss.org/content/21320">The Knowledge Problem of Privilege</a>&#8221; (&#8220;O problema do conhecimento do privilégio&#8221;, em português), eu argumento que a ideia de que devemos &#8220;checar nossos privilégios&#8221; representam uma &#8220;tentativa de fazer com que as pessoas reconheçam os limites de seu conhecimento&#8221;. A Enciclopédia de Filosofia de Stanford explica essa abordagem epistemológica, conhecida como teoria feminista perspectivista:</p>
<blockquote><p>&#8220;As mulheres são oprimidas e, portanto, têm interesse em representar fenômenos sociais de formas que revelam em vez de mascarar essa verdade. Elas também experimentam diretamente sua opressão, ao contrário dos homens, cujos privilégios permitem que ignorem como suas ações afetam as mulheres enquanto classe. Uma epistemologia que baseia o privilégio epistêmico na opressão é capaz de identificar os multiplamente oprimidos e os multiplamente privilegiados epistemicamente. Dentro da teoria feminista, essa lógica levou ao desenvolvimento da epistemologia feminista negra. Collins (1990) baseia a epistemologia feminista negra nas experiências pessoais das mulheres negras com o racismo e o sexismo e nos estilos cognitivos associados com as mulheres negras. Ela usa essa epistemologia para fornecer auto-representações que permitem que as mulheres negras resistam às imagens humilhantemente racistas e sexistas das mulheres negras no mundo em geral e que tenham orgulho de suas identidades. O privilégio epistêmico dos oprimidos é às vezes exercido, como mostra W.E.B. DuBois, através de uma &#8220;consciência bifurcada&#8221;: a capacidade de ver os fatos através da perspectiva do dominante e do oprimido, avaliando comparativamente ambas (Harding, 1991; Smith, 1974; Collins, 1990). Mulheres negras são &#8220;estranhas internas&#8221;, porque têm experiência social próxima o suficiente para conhecerem a ordem social de que fazem parte, mas estão em distância crítica adequada para exercer suas críticas.&#8221;</p></blockquote>
<p>Essa abordagem ao reconhecimento dos relacionamentos de poder, opressão e conhecimento não é único à teoria feminista. Em &#8220;Domination and the Arts of Resistance: Hidden Transcripts&#8221; (em português, &#8220;Dominação e as artes de resistência: Transcrições ocultas&#8221;), James C. Scott argumenta que a perspectiva dos oprimidos raramente é compreendida por seus opressores. O poder dos governantes sobre os cidadãos ou dos chefes sobre empregados impede que os governados digam a verdade àqueles acima na hierarquia, relegando as perspectivas dos oprimidos ao que Scott chama de &#8220;transcrições ocultas&#8221;. Essas assimetrias de informação podem ser discutidas sem frases de efeito como &#8220;cheque seus privilégios&#8221; e, já que muitos têm reações negativas a essa expressão, prefiro evitá-la. Porém, as preocupações sobre posições sociais e os conhecimentos situacionais que a frase pretende levantar são reais e válidos, então devemos dialogar seriamente com aqueles que expressam preocupações em termos de privilégio.</p>
<p>Com frequência, quando eu chamo a atenção para as questões epistemológicas que a discussão do privilégio pretende suscitar, os libertários alegam que se trata de um conceito coletivista ou que envolve premissas injustificadas a respeito dos indivíduos. Isso pode ser verdade se essencializarmos os grupos e presumirmos uma &#8220;experiência feminina&#8221;, &#8220;experiência gay&#8221; ou &#8220;experiência negra&#8221; universal. É por isso que os conceitos de interseccionalidade e anti-essencialismo discutidos por acadêmicas feministas como Trina Grillo são tão importantes para chegarmos a uma teoria realista da opressão social. A interseccionalidade pretende reconhecer holisticamente as pessoas e a opressão que elas experimentam. Por exemplo, durante o estudo das mulheres negras, não é suficiente reconhecer a misoginia e o racismo e simplesmente adicionar seus efeitos. O sexismo, o racismo, a homofobia, a pobreza e outros fatores se interseccionam para dar origem a formas únicas e potentes umas das outras. Ambientes institucionais também cumprem um papel. Isso significa que enquanto a lei observa diferentes formas de discriminação e opressão em isolamento, feministas interseccionais favorecem o exame de indivíduos e da opressão e privilégios que experimentam de maneira holística. Isso dá origem a um feminismo mais nuançado e individualista, que promove a solidariedade entre aqueles que resistem à opressão. O anti-essencialismo também promove uma abordagem mais matizada à conceitualização da opressão. A essencialização de uma &#8220;experiência feminina&#8221; ou de uma &#8220;experiência negra&#8221; básica ignora as diferentes formas pelas quais a opressão é sentida entre os membros desses grupos. Esse essencialismo significa, com frequência, tomar a experiência de alguns membros privilegiados desses grupos como o padrão. Por exemplo, uma &#8220;experiência feminina&#8221; padrão pode descrever especificamente aquilo que é sentido por mulheres brancas heterossexuais e cisgênero, que passam por situações de misoginia mas não são vítimas da homofobia, transfobia e do racismo por que outras mulheres passam. Isso, é claro, ignora também que todas essas formas de opressão moldam a maneira pela qual algumas mulheres são sujeitadas à misoginia. Além disso, não leva em consideração como as mulheres brancas heterossexuais têm suas normas de gênero moldadas por sua raça, orientação sexual e pelo privilégio cis. Assim, esse essencialismo normaliza uma experiência de privilégio e apaga as nuances da opressão. O anti-essencialismo, como a interseccionalidade, permite que nós observemos os indivíduos de maneira holística, particularmente como eles próprios experimentam a opressão. Como afirma Trina Grillo, &#8220;as críticas anti-essencialistas e interseccionais pedem apenas que definamos as experiências complexas da maneira mais próxima possível a toda a sua complexidade e que não ignoremos as vozes marginais&#8221;.</p>
<p>Casey Given nos estimula a entrar em ação para desafiar as instituições e regras que possibilitam e exacerbam a opressão. Contudo, para que possamos agir dessa forma com sucesso, é importante fazer análises precisas sobre a opressão contra a qual pretendemos lutar. As ferramentas da teoria feminista e da teoria crítica de raças, como a epistemologia perspectivista, a interseccionalidade e o anti-essencialismo são úteis para analisar, entender e, finalmente, acabar com a opressão. E todas essas ferramentas já foram usadas na análise do privilégio, tornando-a interessante para um estudo mais aprofundado.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=28737&amp;md5=4568e682cf35de63b41e36d7c7af5e1c" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Checar privilégios nos divide, lutar contra a opressão nos une</title>
		<link>http://c4ss.org/content/28627</link>
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		<pubDate>Wed, 25 Jun 2014 00:30:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Casey Given]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[O sentido do privilégio]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>As <a href="http://c4ss.org/content/category/mutual-exchange">trocas mútuas</a> são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores.</p>
<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, “<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>“. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria <a href="http://c4ss.org/content/category/o-sentido-do-privilegio">O sentido do privilégio</a>.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p>Em &#8220;<a href="http://c4ss.org/content/28541">Por que a teoria do privilégio é necessária</a>&#8220;, Kevin Carson destaca três pontos de discordância com meu artigo inicial. Primeiro, ele afirma que a análise de privilégios não tem a ver com &#8220;sentimentos de culpa&#8221;. Segundo, que a análise de privilégios pode &#8220;estimular a solidariedade&#8221; entre vários grupos socioeconômicos. Terceiro, que o foco em reformas políticas apenas torna outras formas de opressão &#8220;mais eficientes&#8221;. Esclarecerei minhas divergências a respeito de todos os três pontos.</p>
<p>Quanto à questão da culpa, Kevin pode não considerar que a análise de privilégios serve para envergonhar os indivíduos de classes socioeconômicas supostamente privilegiadas. No entanto, muitas pessoas razoáveis consideram que é esse seu objetivo, especialmente estudantes que passam por cursos de sensibilidade em universidades. A Foundation for Individual Rights in Education <a href="http://www.thefire.org/page/2/?s=%22white+privilege%22">documentou</a> essa tendência acadêmica durante as duas últimas décadas, criticando os bizarros exercícios de que os estudantes são obrigados a participar para perceberem seus privilégios. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=6EbQfmVoOfM">Um caso notório</a> da Universidade do Delaware envolvia um exercício em que os alunos deviam colocar marshmallows em suas bocas se tiverem desvantagens sociais e conversar uns com os outros, simbolizando os supostos privilégios que homens heterossexuais brancos possuem, já que eram os únicos na turma sem a boca cheia.</p>
<p>Intencional ou não, essa forçação goela abaixo do conceito de privilégio (às vezes literalmente, como no caso de Delaware) tem um histórico bem documentado de resistência às suas tentativas de indução de culpa. O Midwest Critical Whiteness Collective, por exemplo, <a href="https://www.academia.edu/4572341/McIntosh_as_Synecdoche_How_Teacher_Educations_Focus_on_White_Privilege_Undermines_Antiracism">relata a reação de um aluno</a> à leitura do artigo de Peggy McIntosh &#8220;White Privilege: Unpacking the Invisible Knapsack&#8221; (em português, &#8220;Privilégio braco: Abrindo a mochila invisível&#8221;):</p>
<blockquote><p>&#8220;Minha reação basicamente foi: se você é um homem branco, você deve sentir vergonha de si mesmo. Mesmo se o que ocorreu cem anos atrás não tenha sido perpetrado por você e se você tiver se esforçado para ser tolerante com todos, você deve se sentir envergonhado.&#8221;</p></blockquote>
<p>Essa percepção de culpa é comum em discussões sobre o privilégio. <a href="http://ojs.ed.uiuc.edu/index.php/pes/article/viewFile/1650/384">Como observa Jennifer Ng da Universidade do Kansas</a>, &#8220;[alunos] brancos frequentemente negam seu envolvimento com a sociedade racista ao afirmar que nunca foram donos de escravos&#8221;. E por que deveriam confessar essa perpetuação do racismo através de seus privilégios se eles próprios nunca agiram como racistas? Ng continua: &#8220;Duvido que os estudantes fossem se sentir mais confortáveis quando fosse pedido que eles se identificassem pessoalmente ou se associassem teoricamente às ações ou emoções dos colonizadores ou dos nazistas&#8221;.</p>
<p>Ou seja, não deve ser surpreendente que a prática comum da análise dos privilégios de destacar heterossexuais, brancos e homens por privilégios que eles não escolheram parece mais um exercício de culpabilização e inevitavelmente é recebida com resistência — o que nos leva ao segundo ponto de Kevin. Com a bem documentada hostilidade à análise dos privilégios, parece impossível alegar que ela serve para &#8220;estimular a solidariedade&#8221; entre as várias classes socioeconômicas. Ao contrário, sua prática de alienar pessoas com base em raça, sexo e sexualidade tem servido apenas para dividir em vez de unir. O próprio fato de que estamos debatendo esse assunto em uma série Mutual Exchange é um testamento a seu potencial sectário.</p>
<p>É bastante surpreendente como a análise de privilégios marginaliza classes inteiras de pessoas ao atribuir valor social a qualidades literalmente superficiais como raça e sexo. Kevin cita uma <a href="https://twitter.com/OaklandElle">ativista do movimento Occupy</a> que afirmou no Twitter que &#8220;a sociedade criou uma hierarquia de gênero&#8221; que &#8220;deve ser desmontada&#8221; e &#8220;é impossível acabar adequadamente com ela sem compreendê-la&#8221;. Se essa hierarquia social deve ser discutida, vamos ser mais específicos.</p>
<p>Qual raça é mais oprimida, negros ou latinos? Uma mulher branca transgênero é mais privilegiada que um homem negro? Católicos e judeus têm o mesmo privilégio branco que os protestantes? Parece impossível que qualquer discussão dessa hierarquia de privilégios &#8220;estimule a solidariedade&#8221; em vez de reforçar estereótipos discriminatórios. É precisamente por isso que o Midwest Critical Whiteness Collective recomenda a mudança do foco da intersectionalidade do privilégio para a opressão, como eu defendi em meu artigo original. A luta contra a injustiça é uma causa que une; destacar privilégios apenas divide.</p>
<p>Além disso, a análise dos privilégios é uma causa sem um apelo à ação — o que nos traz, finalmente, ao último ponto de Kevin. Por mais que seja prazeroso para os libertários anarquistas darem tapinhas nas próprias costas por terem consciência de seus privilégios, o estado continuará a oprimir. Os anarco-capitalistas podem até imaginar um mundo ideal em que essa opressão não exista, mas o desafio para qualquer ativista é implementar sua visão na realidade. Em vez de desejar que os problemas do mundo não existam, os libertários devem ser ativos na luta contra as políticas opressivas que mantêm as minorias em posições vulneráveis, como as regulamentações empregatícias, sentenças judiciais mínimas, o combate às drogas, as restrições à imigração, a deportação, o monopólio da educação pública e o salário mínimo. Menos que isso, como analisar privilégios, não passa de meditações burguesas.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=28627&amp;md5=cd8a1621d00ab796ccd9551503e32181" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Qual o sentido de checar seus privilégios?</title>
		<link>http://c4ss.org/content/28524</link>
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		<pubDate>Sun, 22 Jun 2014 00:00:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Casey Given]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[As trocas mútuas são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores. Um ensaio de abertura, deliberadamente...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>As <a href="http://c4ss.org/content/category/mutual-exchange">trocas mútuas</a> são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores.</p>
<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, &#8220;<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>&#8220;. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria O sentido do privilégio.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p>Em apenas algumas linhas, o calouro da Universidade de Princeton Tal Fortgang levou novamente o tópico dos privilégios às notícias nacionais. &#8220;Por trás de todo sucesso, grande ou pequeno, há uma história, que nem sempre é contada pelo sexo ou pela cor da pele&#8221;, afirmava Fortgang em um artigo para o <a href="http://theprincetontory.com/main/checking-my-privilege-character-as-the-basis-of-privilege/">jornal estudantil conservador Princeton Tory</a>. &#8220;[Presumir] que é e que eu deva pedir desculpas por isso é um insulto&#8221;, escreveu. O artigo de Fortgang foi <a href="http://time.com/author/tal-fortgang/">republicado pela revista Time</a> e deu início a um fogo cruzado de aplausos e vaios de todos os lados do espectro político.</p>
<p>O que a mídia não percebe, contudo, é que esse circo não é nada novo. O conceito de privilégios ronda os círculos acadêmicos há mais de meio século, sobrevivendo apesar de seu esgotamento. Embora surtos de indignação conservadora como os de Fortgang surjam com alguma frequência, com a defesa de valores meritocráticos, as críticas mais interessantes vêm do meio intelectual preocupado com a justiça social, de onde surgiu a análise do privilégio. Alguns acadêmicos alinhados à esquerda condenam a estrutura de análise de privilégios por varrer a opressão para baixo do tapete, enfatizando a culpa branca em vez da ação política para acabar com a desigualdade sócio-econômica.</p>
<p>Embora a mídia não dê muita atenção para esse fato na cobertura da polêmica sobre o artigo de Fortgang, o conceito de privilégio tem suas raízes no ensaio de 1988 de Peggy McIntosh &#8220;<a href="http://donblake.com/wroe/resources/whiteandmaleprivilege.doc.pdf">White Privilege and Male Privilege: A Personal Account of Coming to See Correspondences through Work in Women’s Studies</a>&#8221; (em português, &#8220;Privilégio branco e privilégio masculino: Um relato pessoal da percepção de suas correspondências através do trabalho nos estudos sobre a mulher&#8221;). Nele, McIntosh lista 46 &#8220;efeitos diários do privilégio branco&#8221;, desde os mais abstratos (por exemplo, &#8220;Me sentirei bem vinda e &#8216;normal&#8217; nos locais mais comuns da vida pública, institucional e social&#8221;) aos mais concretos (por exemplo, &#8220;Eu posso ir fazer compras sozinha na maior parte do tempo com a certeza de que não serei seguida ou perseguida&#8221;). Embora a maioria das vantagens sociais enumeradas na lista de McIntosh sejam verdadeiras, o ensaio não dá ao leitor a certeza sobre o que fazer com seu novo conhecimento sobre as vantagens dentro da sociedade.</p>
<p>A própria McIntosh admite na conclusão de seu ensaio que a percepção dos próprios privilégios não é suficiente para combatê-los. &#8220;Me foi ensinado que o racismo poderia acabar se os brancos mudassem suas atitudes&#8221;, lembra ela. &#8220;Atos individuais podem amenizar, mas não podem acabar com esses problemas&#8221;. Como, então, a análise dos privilégios pode ajudar a acabar com a desigualdade estrutural? McIntosh parece apontar para alguns tipos de reformas governamentais, sem dar respostas definitivas. Na penúltima frase de seu ensaio, ela mesma pergunta: &#8220;O que faremos com esse conhecimento?&#8221;</p>
<p>Se a consciência dos próprios privilégios não é suficiente para acabar com a opressão, a própria estrutura analítica parece pouco mais que um exercício de alívio da culpa sentida pelos brancos. Qual seria seu benefício? A culpa branca não vai impedir que os policiais parem indivíduos negros. A culpa branca não vai ajudar uma família a escapar do ciclo de pobreza em que seus antepassados ficaram presos por séculos. Como explicou o Midwest Critical Whiteness Collective em um artigo no outono de 2013 para o <a href="http://hepg.org/her-home/issues/harvard-educational-review-volume-83-number-3/herarticle/how-teacher-education%E2%80%99s-focus-on-white-privilege-u">Harvard Educational Review</a>, &#8220;embora a leitura e o trabalho com o ensaio de McIntosh seja um exercício de conscientização para indivíduos brancos, seu texto não nos ajuda no entendimento e no desmonte da supremacia branca sistêmica&#8221;.</p>
<p>O conceito de privilégio não apenas ignora a ação, mas também ignora a opressão. McIntosh deixa claro que se tratam de conceitos separados na primeira frase, destacando a &#8220;frequência com que homens não estão dispostos a conceder que dispõem de mais privilégios, embora possam conceder que as mulheres estão em posição de desvantagem&#8221;. O privilégio, do ponto de vista de McIntosh, é mais que a ausência de opressão: são vantagens especiais concedidas pela sociedade a um grupo seleto de pessoas.</p>
<p>Ao observar sua lista, contudo, parece estranho dizer que se trata de &#8220;mais privilégio&#8221; não ser perseguido ao fazer compras em um supermercado. Afinal, todos deveriam se sentir seguros em um mundo ideal, correto? Não é o objetivo do ativismo antirracista ajudar as minorias a se sentirem bem vindas e &#8220;normais&#8221; em todas as facetas da vida pública, institucional e social? Nesse sentido, McIntosh parece confundir privilégios e direitos humanos, como explica o filósofo de estudos africanos Lewis Gordon em sua compilação sobre raça <em><a href="http://books.google.com/books/about/What_White_Looks_Like.html?id=wY3p8sE4de0C">What White Looks Like</a></em>:</p>
<blockquote><p>Um privilégio é algo de que nem todos precisam, mas direitos são o oposto. Dada essa distinção, surge uma dimensão mais insidiosa do argumento do privilégio branco. Ele requer que condenemos os brancos por possuir, concretamente, as características da vida contemporânea que deveriam estar disponíveis para todos. Se isso estiver correto, como podemos esperar que os brancos abram mão delas?</p></blockquote>
<p>A preocupação de McIntosh com a crítica dos privilégios de que todos deveriam desfrutar é priorizada em detrimento da luta contra a opressão que ninguém deveria sofrer. Não se engane, porém: há várias diferenças entre como as classes socioeconômicas lidam com a vida cotidiana. Contudo, a resposta a essas desigualdades não é oprimindo as pessoas que desfrutam de privilégios devidos, mas elevando aquelas que não os possuem através da ação política.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=28524&amp;md5=6de77a59051b598f51bbd26d83f0de5c" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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