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	<title>Center for a Stateless Society &#187; esquerda libertária</title>
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	<description>building public awareness of left-wing market anarchism</description>
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		<title>O individualismo de esquerda</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Sep 2014 01:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[David S. D'Amato]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Talvez por viver em Chicago ou porque trabalho com outros advogados, em minha vida cotidiana estou rodeado por pessoas que se identificam com a esquerda americana e democratas centristas para quem a mera menção da palavra &#8220;libertário&#8221; incita pesadelos com a direita do Tea Party. Infelizmente, qualquer possibilidade de diálogo com esse grupo de pessoas acaba quando me identifico como libertário; para essas pessoas, o libertarianismo é a extrema direita de um espectro político americano unidimensional a que foram condicionadas a nunca questionar. Frequentemente, sabem algo sobre Ayn Rand até o ponto em que são capazes de considerar o libertarianismo como uma defesa simplista e impiedosa da ganância corporativa, do status quo econômico em que o 1% se torna cada vez mais rico enquanto a classe média diminui e os pobres sofrem em destituição. Ironicamente, esse tipo de social-democrata centrista provavelmente entende os efeitos do capitalismo melhor do que muitos libertários, percebendo a predação econômica e procurando (de forma não-sistemática) por <em>algo</em> que controle seus impulsos. O que eles não compreendem, porém, é o libertarianismo como uma filosofia real ou o abismo que separa o sistema econômico atual do livre mercado <em>genuíno</em>.</p>
<p>Por causa dessa repulsa reflexiva à mera menção do libertarianismo, minhas experiências me levaram a descrever minha posição política como &#8220;individualismo de esquerda&#8221;. Essa caracterização, pelo que noto, é mais convidativa a perguntas em vez de diatribes raivosas, preparando o terreno para uma conversa proveitosa e não dando lugar a um debate fútil. Peguei a expressão &#8220;individualismo de esquerda&#8221; de Eunice Minette Schuster, cuja dissertação <em>Native American Anarchism</em> tinha como subtítulo &#8220;A Study of Left-Wing American Individualism&#8221; (em português, &#8220;Um estudo do individualismo americano de esquerda&#8221;). O livro de Schuster segeu o anarquismo americano desde suas formas nascentes e prototípicas até seu desenvolvimento em um sistema filosófico e movimento distintos. Seu estudo é importante por dar atenção a uma corrente política que pode parecer confusa e contraditória no contexto dos debates atuais.</p>
<p>Os anarquistas individualistas que Schuster discute na parte do seu livro que trata o anarquismo em seu estado &#8220;maduro&#8221; eram individualistas extremos e socialistas, arquitetos de um projeto que nós do Centro por uma Sociedade Sem Estado (C4SS) tentamos continuar atualmente. Como defensores da liberdade total de competição, dos direitos de propriedade e da soberania do indivíduo, os anarquistas individualistas são parte da história do movimento libertário contemporâneo. Paralelamente, como o C4SS de hoje em dia, esse grupo se opunha ao capitalismo e considerava o socialismo como o &#8220;grande movimento antirroubo&#8221;, nas palavras do reformador radical Ezra Heywood. Ao contrário dos libertários atuais, que frequentemente demonizam os pobres como &#8220;parasitas&#8221; do assistencialismo, pensadores como Benjamin Tucker, Ezra Heywood e Josiah Warren (para mencionar somente alguns) viam os ricos como a verdadeira classe ociosa e parasitária, como beneficiários de privilégios que permitiam que eles manobrassem o sistema para impedir a competição real.</p>
<p>Esses antigos libertários viam que a liberdade e a competição funcionavam por todos os motivos que conhecemos atualmente: divisão e especialização do trabalho, grandes quantidades de informação destiladas em preços e a impossibilidade de planejar a economia através do maior de todos os monopólios, o estado. Eles argumentavam que a competição genuína em um livre mercado é a forma mais segura de garantir que o trabalho receba seu produto total, resolvendo, assim, o que era chamado com frequência de a Questão Trabalhista; isso os tornava socialistas, mesmo que eles não se encaixassem tão confortavelmente dentro do movimento socialista. Também não se encaixavam bem entre as fileiras liberais, que defendiam o livre comércio e a competição — os economistas políticos —, e se viam com frequência tendo que ensinar aos economistas sua própria doutrina, apontando os erros e inconsistências que caracterizavam muito daquilo que era considerado argumento em defesa do livre comércio.</p>
<p>Os anarquistas individualistas eram fanáticos pela coerência; se o trabalho tinha que ser posto em competição, sujeito à oferta e à demanda, então o capital também deveria. Como aponta Schuster, o &#8220;anarquismo científico&#8221; proposto por indivíduos como Benjamin Tucker, portanto, &#8220;não tinha apelo para o Capitalista, porque ele não defendia um &#8216;individualismo resistente&#8217;, mas um individualismo <em>universal</em>&#8221; (ênfase minha). Uma vez que os individualistas consideravam a renda, os juros e os lucros (a &#8220;trindade da usura) como resultados aproximados dos privilégios coercitivos, eles eram tratados como similares aos impostos, permitindo que os donos do capital se apropriassem a diferença entre os preços sob um regime de privilégio e os preços em um regime de competição aberta. A competição do mercado, portanto, não era o inimigo, mas o aliado do trabalhador. O argumento do anarquismo de mercado é simples: se insistimos que todos têm direito àquilo que conseguem obter num livre mercado, então devemos ao menos tentar chegar a um livre mercado. E um livre mercado não pode tolerar algumas das características históricas mais comuns do capitalismo: o roubo agressivo de terras em larga escala, os sistemas regulatórios e de licenciamento que funcionam como barreiras de alto custo à entrada no mercado e como barreiras ao autoemprego, vários subsídios diretos e indiretos que redistribuem renda a firmas bem conectadas e o sistema governamental de leis e instituições financeiras que produz o cartel de Wall Street que temos atualmente. Assim, o capitalismo parece não combinar com o que os libertários de fato querem quando dão seu apoio ao livre mercado. Não estamos tão perto assim de um sistema de livre mercado como muitos libertários gostam de pensar. Não precisamos apenas de alguns ajustes e algumas reformas aqui e acolá, de algumas privatizações de monopólios estatais e da desregulamentação de algumas indústrias. Para chegar num sistema livre, precisaríamos de uma ruptura completa e sistemática com a tirania capitalista que temos há tanto tempo, um sistema que é o sucessor direto dos sistemas estatistas, desde o feudalismo até o mercantilismo.</p>
<p>Anarquistas como Warren e Tucker compreendiam esse fato e passaram suas vidas lutando contra a desigualdade do status quo capitalista que coloca os trabalhadores em desvantagens sistemáticas. E apesar dos esforços em colocá-los na direita política — ou mesmo de tirá-los da tradição anarquista —, eles pertencem (se é que pertecem a alguma ponta do espectro) à esquerda, como entendia Schuster. Representando a tremenda falaa de compreensão em relação ao anarquismo individualista entre acadêmicos de esquerda, o historiador David DeLeon, em seu livro <em>The American as Anarchist</em>, afirma que Benjamin Tucker é um &#8220;libertário de direita&#8221; e, incrivelmente, aponta Ronald Reagan e George Wallace como seus sucessores ideológicos. Em outros pontos do livro, DeLeon classifica casualmente Voltairine de Cleyre — cujas explorações dentro do anarquismo não se prestam facilmente a rótulos — como &#8220;anarcocomunista&#8221;. Preocupante é também sua incrível alegação de que Ralph Waldo Emerson, Henry David Thoreau e Walt Whitman todos eram libertários de direita. Se alguém que está tão envolvido nos estudos profissionais desses personagens e de seus movimentos é capaz de interpretar erroneamente suas circunstâncias, não é de surpreender que o anarquismo individualista seja complexo para a maior parte dos leigos em filosofia política.</p>
<p>Apresentar a mim mesmo como &#8220;individualista de esquerda&#8221; é uma das minhas atitudes para reintroduzir o anarquismo individualista do século 19 no discurso contemporâneo, uma tradição que equilibra o indivíduo e a comunidade de uma maneira que é desesperadamente necessária em um mundo dominado pelo poder centralizado. O movimento libertário, além disso, não deve se apressar tanto em desprezar anarquistas como Tucker como se fossem ignorantes econômicos de eras passadas. Afinal, qualquer consideração sobre os relacionamentos econômicos em um livre mercado necessariamente será marcado pela especulação. Os libertários que acreditam que os relacionamentos seriam como os atuais têm pouca imaginação e não conseguem nem imaginar a profundidade das mudanças que um real respeito à soberania individual traria.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=31251&amp;md5=93e03a7527eb61738132678195811bb9" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Entrevista de Roderick Long para a revista Veja</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Jul 2014 00:40:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Roderick Long]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Recentemente, a revista Veja publicou uma matéria que tratava da ascensão do libertarianismo no cenário político dos Estados Unidos. Um dos entrevistados para a matéria foi o membro sênior do Centro por uma Sociedade Sem Estado (C4SS) Roderick Long. Infelizmente, a menção de Roderick ao longo da matéria foi mínima, se limitando a uma frase...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente, <a href="http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/libertarianismo-o-movimento-que-mais-cresce-na-politica-dos-eua">a revista Veja publicou uma matéria</a> que tratava da ascensão do libertarianismo no cenário político dos Estados Unidos. Um dos entrevistados para a matéria foi o membro sênior do Centro por uma Sociedade Sem Estado (C4SS) Roderick Long.</p>
<p>Infelizmente, a menção de Roderick ao longo da matéria foi mínima, se limitando a uma frase um tanto descontextualizada. Assim, nós decidimos publicar a entrevista completa, que apresenta uma explicação mais equilibrada do papel dos libertários no cenário político americano e insere os libertários de esquerda dentro dessa discussão.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p><strong>1. O libertarianismo ganha relevância atualmente na cena política. Como você analisa esse fenômeno?</strong></p>
<p>Acredito que a crescente popularidade do libertarianismo e a crescente atenção que recebe se devam em grande parte à ascensão da internet e ao deslocamento de poder causado por ela. A internet tornou possível a comunicação entre pessoas comuns de maneira horizontal, sem a necessidade da aprovação dos gatekeepers tradicionais da mídia convencional.</p>
<p>A campanha presidencial de Ron Paul também apresentou as ideias libertárias a uma nova geração. muitos dos que adentraram o libertarianismo através de Ron Paul já migraram para versões mais radicais e completas do libertarianismo.</p>
<p><strong>2. Qual a importância do libertarianismo no cenário político atual dos Estados Unidos?</strong></p>
<p>Se você se refere especificamente à política eleitoral, eu não acredito que o libertarianismo possua muita influência nesse contexto no presente. A retórica e os slogans libertários são muito populares entre políticos republicanos, mas ao analisar suas políticas em vez de suas palavras, percebemos que não são muito libertárias. Republicanos tendem a defender favores concedidos pelo governo às grandes empresas, não mercados genuinamente livres. Em outras questões — guerras, imigração, aborto, casamento homossexual, entre outras — eles defendem o aumento do uso da força do estado, não a liberdade individual.</p>
<p>Os republicanos posam de defensores do livre mercado para ganhar votos. Fingem proteger as pessoas do estado inchado da mesma forma que os democratas fingem proteger as pessoas das grandes empresas; na verdade, ambos os partidos apoiam a mesma parceria entre o estado e as grandes empresas, embora possam discordar um pouco sobre qual ala da parceria deva ter mais poder.</p>
<p>Porém, se compreendermos a política atual para além da política eleitoral — se falamos sobre argumentos e ideias, então, sim, o libertarianismo está se tornando muito influente. É possível percebê-lo pelo aumento de ataques ao libertarianismo. Por exemplo, há um site de inclinação democrata, o Salon.com, que publica artigos atacando o libertarianismo quase toda semana, de formas incrivelmente ignorantes. O establishment político costumava ignorar os libertários; o fato de que ele agora nos ataca é um sinal de que o libertarianismo está se tornando mais popular e, portanto, uma ameaça maior aos poderes estabelecidos.</p>
<p>Incidentalmente, da mesma forma que no mainstream político aumentam os ataques ao libertarianismo, dentro do movimento libertário aumentam os ataques à versão orientada à esquerda do libertarianismo representada por nosso grupo, o Centro por uma Sociedade Sem Estado (C4SS), pelas mesmas razões.</p>
<p><strong>3. O libertarianismo pode ser uma importante corrente de pensamento na próxima eleição presidencial?</strong></p>
<p>Eu presumo que quem for nomeado pelos republicanos para concorrer a presidente utilizará a retórica libertária para, por exemplo, se opor ao programa de saúde de Obama. Se essa retórica o ajudar a vencer, suponho que isso significaria que o libertarianismo influenciaria a eleição.</p>
<p>Mas, como eu já indiquei acima, duvido que qualquer indivíduo com ideias genuinamente libertarias tenha chances de ser nomeado pelos republicanos. Sobre a saúde, por exemplo, ambos os partidos querem que as decisões médicas sejam contorladas por uma parceria entre o estado e as grandes empresas e não por pacientes; quando os republicanos falam do livre mercado na saúde, o que eles querem dizer é que pretendem deslocar o centro de poder um pouco mais para as grandes empresas, não favorecendo um mercado competitivo.</p>
<p>O movimento Tea Party tem a reputação de ser a ala libertária do Partido Republicano, mas eu acredito que isso seja um exagero. São mais libertários em alguns aspectos, mas menos em outros.</p>
<p>Existe o Partido Libertário, que foi fundado em 1971, mas sua influência nunca foi grane. E, embora o movimento libertário esteja se radicalizando, o Partido Libertário tem se tornado mais conservador.</p>
<p><strong>4. O Senador Rand Paul é apontado como um dos mais importantes defensores do libertarianismo dentro do Partido Republicano. Você concorda? Em que sentido o Senador Paul ou qualquer outro proponente do libertarianismo poderia influenciar a campanha presidencial republicana?</strong></p>
<p>Não considero Rand Paul um libertário. Seu pai, Ron Paul, é um libertário, embora não seja plenamente coerente, na minha opinião. Rand Paul é um conservador com algumas tendências libertárias. Certamente é mais libertário que o republicano médio, tanto que eu acredito que ele teria muita dificuldade para ser nomeado pelo partido, embora ele sem dúvidas tenha uma chance maior do que a que seu pai teve.</p>
<p><strong>5. Você poderia explicar de forma breve as origens do libertarianismo nos Estados Unidos? Com sua defesa forte e intransigente do mercado, o libertarianismo moderno é diferente ou próximo de suas origens?</strong></p>
<p>No século 19, os precursores do movimento libertário americano foram anarquistas individualistas: pensadores como Lysander Spooner, Benjamin Tucker, Josiah Warren, Stehen Pearl Andrews, Ezra Heywood e Voltairine de Cleyre. Era um movimento de esquerda, na vanguarda do ativismo trabalhista, feminista, anti-plutocrata, antirracista e anti-guerras. Muitos se intitulavam &#8220;socialistas&#8221; para indicar que estavam ao lado dos trbaalhadores em oposição ao capital. Eram contrários ao &#8220;capitalismo&#8221;, que, para eles, não se tratava da propriedade privada dos meios de produção, mas da dominação pelas grandes empresas e do desempoderamento dos trabalhadores. Esses &#8220;socialistas&#8221;, porém, eram intransigentes defensores do livre mercado e oponentes do poder estatal; enxergavam o poder da classe capitalista como resultado de privilégios concedidos pelo governo, não da livre competição.</p>
<p>Infelizmente, no século 20 a ascensão do socialismo de estado empurrou os libertários para uma aliança com conservadores contra esse inimigo comum. Nesse período surgiram brilhantes pensadores libertários como Ludwig von Mises e Ayn Rand, que, embora contrários ao poder estatal, eram menos radicais que os anarquistas e mais dispostos a apoiar a guerra fria. Também tendiam a consideram as grandes empresas mais como vítimas do que como beneficiárias do poder do estado.</p>
<p>Durante os anos 1960, o libertarianismo americano começou a recuperar suas raízes anarquistas de mercado. No mesmo período, houve uma tentativa de recuperar suas raízes de esquerda, através de pensadores como Karl Hess, Samuel Edward Konkin III e, por um tempo, Murray Rothbard, que tentaram construir uma aliança entre os libertários e a New Left. Esses esforços chegaram ao fim com a implosão da New Left.</p>
<p>Ao longo dos últimos 30 anos, o movimento libertário tem se tornado tanto mais popular quanto mais radical, com a disseminação de suas posições anarquistas e anti-guerra. Contudo, o movimento manteve sua orientação de direita em outros aspectos, como em sua oposição instintiva a ideias pró-trabalho e pró-feminismo, por exemplo, e uma tendência a defender grandes empresas como se seu sucesso resultasse da livre competição e não de privilégios estatais. Isso, porém, começou a mudar um pouco na última década, com a disseminação de um libertarianismo mais próximo de suas raízes do século 19. Provavelmente o pensador mais influente nesse renascimento libertário de esquerda é Kevin Carson. Contudo, essa ainda é uma posição minoritária.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=29809&amp;md5=1a4bbdfa78ac94da0cd95fa078e99d8e" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>O que é o libertarianismo de esquerda?</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jun 2014 00:30:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Kevin Carson]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[O libertarianismo de esquerda (ou left-libertarianism) tem sido bastante discutido dentro da comunidade libertária recentemente. O termo &#8220;libertário de esquerda&#8221; já foi utilizado de muitas maneiras dentro do discurso político e parece haver certa confusão dentro dos próprios grupos libertários a respeito de quem realmente são os libertários de esquerda. As ideias básicas dos libertários...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O libertarianismo de esquerda (ou <i>left-libertarianism</i>) tem sido bastante discutido dentro da comunidade libertária recentemente. O termo &#8220;libertário de esquerda&#8221; já foi utilizado de muitas maneiras dentro do discurso político e parece haver certa confusão dentro dos próprios grupos libertários a respeito de quem realmente são os libertários de esquerda.</p>
<p>As ideias básicas dos libertários de esquerda são mais amplas que as defendidas por nós, que fazemos parte da <a href="http://praxeology.net/all-left.htm">Alliance of the Libertarian Left</a> (ALL) e do Centro por uma Sociedade Sem Estado (C4SS). Os anos 1990 foram um momento de crescimento das ideias libertárias orientadas à esquerda e do uso das ideias de livre mercado como armas contra os males do capitalismo corporativo. Vários pensadores desenvolveram, naquele momento, linhas de análise paralelas e independentes, passando a constituir uma grande e diversa tendência ideológica. Porém, quando consideramos o papel desproporcional que a ALL e o C4SS desempenharam no crescimento dessa tendência, devemos explicar o que queremos dizer quando falamos do libertarianismo de esquerda.</p>
<p>O uso mais amplo e antigo do termo &#8220;libertário de esquerda&#8221; (e, talvez, mais familiar àqueles do movimento anarquista como um todo) remonta ao século 19 e inclui praticamente toda a esquerda não-estatista, horizontalista ou descentralista — todos exceto os social-democratas e leninistas, basicamente. O termo originalmente era sinônimo a &#8220;socialista libertário&#8221; ou &#8220;anarquista&#8221; e incluía sindicalistas, comunistas de conselhos, seguidores de Rosa Luxemburgo e Daniel DeLeon, etc. Muitos dos que fazem parte do C4SS também se consideram parte desse grupo mais amplo de libertários de esquerda, embora nós tenhamos em mente uma posição mais específica ao usar esse rótulo.</p>
<p>Para o público geral, o rótulo &#8220;libertário de esquerda&#8221; é mais apropriado para descrever a escola de pensamento representada por <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Hillel_Steiner">Hillel Steiner</a> e <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Peter_Vallentyne">Peter Vallentyne</a>, entre outros. A maior parte dos adeptos dessa filosofia defendem uma crença na auto-propriedade e no princípio da não-agressão e uma visão mais esquerdista a respeito dos limites que existem na apropriação de bens que fazem parte dos comuns e na aquisição de direitos pela simples mistura do trabalho. É um ponto de vista de forte interseção com o <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Henry_George">georgismo</a> ou o <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Geolibertarianism">geolibertarianismo</a>. Embora essa versão das ideias libertárias de esquerda não seja a mesma que defendemos na ALL e no C4SS — e embora alguns de nossos membros provavelmente seriam contrários a alguns aspectos a ela —, é fácil imaginar que um partidário dessa filosofia se sentiria em casa entre nós.</p>
<p>Dentro da comunidade libertária anglosférica e entre aqueles que se descrevem como &#8220;liberais&#8221; no resto do mundo, o &#8220;libertarianismo de esquerda&#8221; pode ser associado com a aproximação de Murray Rothbard e Karl Hess aos anarquistas dentro do Students for a Democratic Society (SDS) por volta de 1970, que deu origem a movimentos rothbardianos de esquerda como o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Agorismo">agorismo</a>, de Samuel Edward Konkin III. Embora o rothbardismo de esquerda e o agorismo não sejam as posições oficiais da ALL ou do C4SS, é justo dizer que existe certa continuidade institucional com o Movement of the Libertarian Left de Konkin e, além disso, parte significativa de nossos membros vem da tradição rothbardiana e konkinista. Eu não fui desses movimentos. Somos uma coalizão de várias tendências que inclui rothbardianos de esquerda, anarquistas individualistas clássicos na linha do século 19, georgistas e muitas outras tradições.</p>
<p>Há também uma tendência entre os libertários americanos a nos confundir com os &#8220;Bleeding Heart Libertarians&#8221;, que, na verdade, é o nome de um <a href="http://bleedingheartlibertarians.com/">blog em particular</a>. Embora haja bons artigos publicados nele e apesar de terem veiculado alguns artigos nossos, nós não somos bleeding heart libertarians. Eles estão muito mais próximos do fusionismo &#8220;liberaltarian&#8221; (isto é, entre os social-democratas e os libertários americanos), com ideias que variam desde o &#8220;<a href="http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=405940">paternalismo libertário</a>&#8221; de Cass Sunstein à defesa de sweatshops e dos assentamentos israelenses. Além disso, a maioria deles não são anarquistas e nós somos.</p>
<p>Assim, agora que consideramos aquilo que nós, da ALL e do C4SS, não somos e não queremos dizer quando falamos do &#8220;libertarianismo de esquerda&#8221;, o que realmente defendemos? Nós nos chamamos de libertários de esquerda, primeiramente, porque pretendemos recuperar as raízes de livre mercado do libertarianismo de livre mercado e, em segundo lugar, porque queremos mostrar a relevância e utilidade do pensamento de livre mercado para lidar com as preocupações da esquerda contemporânea.</p>
<p>O liberalismo clássico e o movimento socialista clássico do começo do século 19 tinham raízes comuns no Iluminismo. O liberalismo de Adam Smith, David Ricardo e outros economistas políticos clássicos era essencialmente um ataque esquerdista aos privilégios econômicos das oligarquias estabelecidas whig e ao mercantilismo dos detentores do dinheiro.</p>
<p>Com a derrota dos senhores de terras e dos mercantilistas whig no século 19 pelos industrialistas, que assumiram posições predominantes dentro do estado, o liberalismo clássico gradualmente tomou as feições de uma apologia aos interesses do capital industrial. Mesmo assim, as linhagens de esquerda — e até socialistas — do pensamento de livre mercado continuaram a sobreviver às margens do liberalismo.</p>
<p>Thomas Hodgskin, liberal clássico que escreveu dos anos 1820 até os anos 1860, também era um socialista que considerava rendas, lucros e juros como retornos monopolísticos sobre direitos de propriedade artificiais. Josiah Warren, Benjamin Tucker e outros individualistas americanos também defendiam um socialismo de livre mercado em que a competição sem restrições destruiria rendas, lucros e juros e garantiria que o &#8220;pagamento natural do trabalho&#8221; fosse seu produto. Muitos anarquistas individualistas associados com o jornal <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Liberty_(1881%E2%80%931908)">Liberty</a>, de Benjamin Tucker, eram próximos a associações trabalhistas e socialistas radicais, como os Kinghts of Labor, a International Workingmen&#8217;s Association e a Western Federation of Miners.</p>
<p>Essa tendência dentro do libertarianismo também estava dentro da esquerda cultural, com laços fortes com movimentos pela abolição da escravidão e pela igualdade racial, pelo feminismo e pela liberdade sexual.</p>
<p>Com os conflitos de classe do final do século 19, a retórica de &#8220;livre mercado&#8221; e &#8220;livre empresa&#8221; dentro da política americana passou a ser associada cada vez mais à defesa militante do poder do capital corporativo contra os movimentos populistas trabalhistas e agrários radicais. Ao mesmo tempo, a divisão interna no movimento anarquista entre comunistas e individualistas deixou os individualistas suscetíveis à colonização pela direita. No século 20, o &#8220;libertarianismo de livre mercado&#8221; veio a ser associado a defesas direitistas do capitalismo por Ludwig von Mises e Ayn Rand. A tradição individualista sobrevivente foi perdendo o seu caráter esquerdista, pró-trabalhista e culturalmente socialista, adotando características da direita.</p>
<p>No entanto, sobreviveram algumas tradições da esquerda dentro do libertarianismo americano. Em particular, georgistas e semi-georgistas como Bolton Hall, Albert Jay Nock e Ralph Borsodi continuaram a atuar até meados do século 20.</p>
<p>Nós, na esquerda libertária, consideramos absolutamente perverso que as ideias libertárias de livre mercado, uma doutrina que se originou como ataque aos privilégios econômicos de latifundiários e grandes mercadores, tenha sido cooptado e transformado numa defesa do poder estabelecido da plutocracia. O uso do &#8220;livre mercado&#8221; como ideologia legitimizadora para o capitalismo corporativo e o crescimento dos propagandistas &#8220;libertários&#8221; é uma perversão tão grande dos princípios de livre mercado quanto os símbolos e a retórica dos regimes stalinistas foram uma perversão dos valores do movimento dos trabalhadores.</p>
<p>O sistema industrial capitalista que os libertários têm defendido desde o século 19 nunca se aproximou de um livre mercado. O capitalismo, enquanto sistema histórico que surgiu no começo da Idade Moderna, é, em vários aspectos, um desenvolvimento direto do <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Bastard_feudalism">feudalismo bastardo</a> do final da Idade Média. Foi fundado na dissolução dos campos abertos, no cercamento dos comuns e em outras expropriações dos camponeses. Na Inglaterra, não só a população rural foi transformada em um proletariado destituído e empurrados para o trabalho assalariado, mas sua liberdade de associação e de ir e vir foram criminalizadas pelo estado policial durante as primeiras duas décadas do século 19.</p>
<p>A nível global, o capitalismo se tornou um sistema mundial através da ocupação colonial, da expropriação e da escravização de grande parte do Sul. Dezenas e centenas de milhões de camponeses foram expulsos de suas terras pelos poderes coloniais e levados ao mercado de trabalho assalariado. Suas propriedades prévias foram transformadas em plantações voltadas para o comércio, em uma reprise do que havia acontecido durante os cercamentos na Grã-Bretanha. Não só na época colonial, mas também nos períodos pós-coloniais, a terra e os recursos naturais do Terceiro Mundo foram cercados e saqueados pelos interesses empresariais do Ocidente. A concentração atual das terras no Terceiro Mundo nas mãos das elites latifundiárias e de petróleo e recursos minerais nas mãos de corporações ocidentais são legado direto de 400 anos de roubos coloniais e neocoloniais.</p>
<p>Nós, da esquerda libertária, como entendemos esse termo no C4SS, queremos retomar os princípios de livre mercado das mãos dos apologistas dos grandes negócios e da plutocracia e colocá-lo de volta a serviço de seu propósito original: um ataque radical aos interesses econômicos e às classes privilegiadas de nosso tempo. Se o liberalismo clássico de Smith e Ricardo era um ataque ao poder dos oligarcas whigs e dos interesses empresariais, nosso libertarianismo de esquerda é um ataque a seu correspondente contemporâneo: o capitalismo financeiro global e as corporações transnacionais. Nós repudiamos o papel do libertarianismo mainstream na defesa do capitalismo corporativo do século 20 e sua aliança com o conservadorismo.</p>
<p>Nós, da esquerda libertária, também queremos demonstrar a relevância dos princípios de livre mercado, da livre associação e da cooperação voluntária para lidar com as preocupações da esquerda atual: a injustiça econômica, a concentração e a polarização da riqueza, a exploração do trabalho, a poluição, o desperdício e a poluição, o poder corporativo e as formas estruturais de opressão, como o racismo, o sexismo, a homofobia e a transfobia.</p>
<p>Onde ocorreram roubos ou injustiças, nós nos colocamos radicalmente pela restituição total. Onde persiste o poder das elites neofeudais, nós tratamos suas terras como legítimas propriedades daqueles cujos antepassados as usaram e cultivaram. Os camponeses despejados de terras para dar lugar às colheitas da Cargill e da ADM devem ter suas terras restauradas. As haciendas na América Latina devem ser abertas para apropriação imediata dos camponeses sem terras. Os direitos de propriedade a terras vagas e não utilizadas nos Estados Unidos e em outras sociedades colonizadoras devem ser anulados. Em casos em que as terras originalmente tomadas por esses títulos ilegítimos são cultivadas atualmente por arrendatários ou locatários, o título de propriedade deve ser transferido para eles. Direitos de propriedade de corporações a minas, florestas e campos petrolíferos obtidos através de roubos coloniais devem ser declarados nulos.</p>
<p>Uma lista mínima de demandas do libertarianismo de esquerda deve incluir a abolição de todos os direitos de propriedade artificiais, de toda a escassez artificial, todos os monopólios, barreiras de entrada, cartéis regulatórios e subsídios através dos quais toda a lista de corporações que compõe a Fortune 500 adquire seus lucros. Deve incluir o fim a todos os títulos de proprietários ausentes a terras vagas, de todos os monopólios de &#8220;propriedade intelectual&#8221; e todas as restrições à livre competição na emissão de moeda e crédito ou da adoção de todos os meios de troca escolhido pelas partes de uma transação. Por exemplo, a abolição de patentes e marcas registradas acabaria com todas as barreiras que impedem que as empresas terceirizadas pela Nike na Ásia produzam imediatamente tênis idênticos e os vendam à população local a uma pequena fração de seu preço tabelado. Seria um fim imediato a todas as restrições à produção e venda de versões concorrentes de medicamentos sob patentes, com frequência por até 5% do preço. Queremos que a fração dos preços dos bens e serviços que consista de rendas advindas de propriedades artificiais de ideias ou técnicas — que compõem a maior parte do preço total em muitos casos — suma face à competição.</p>
<p>Nosso programa também deve incluir um fim a todas as barreiras artificiais ao auto-emprego, aos negócios caseiros, à construção de casas por conta própria e a outros meios de subsistência de baixo custo — que incluem leis de licenciamento, zoneamento e regulamentações de segurança. Deve também incluir um fim a todas as restrições ao direito de o trabalho se organizar e a negar seus serviços sob qualquer circunstância e organizar boicotes. Também devemos defender um fim a todos os privilégios legais que dão aos sindicatos estabelecidos o direito de restringir greves sem aviso prévio e outras ações diretas empreendidas pelos trabalhadores.</p>
<p>No caso da poluição e do esgotamento dos recursos naturais, o programa libertário de esquerda deve incluir o fim de todo acesso à terra pelas indústrias extrativas (isto é, a união entre o <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Bureau_of_Land_Management">Bureau of Land Management dos Estados Unidos</a> e as empresas de exploração de petróleo, mineiras, madeireiras e pecuárias), o fim de todos os subsídios ao consumo de energia e ao transporte (incluindo um fim aos subsídios ao transporte aéreo e rodoviário e o fim das expropriações para dar lugar a aeroportos e estradas), o fim das expropriações para dar lugar a oleodutos e gasodutos, a eliminação de todos limites legais de responsabilização penal para corporações por derramamentos de óleo e outros tipos de poluição, o fim da doutrina que estipula que padrões regulatórios mínimos substituem padrões mais severos de responsabilização penal do direito comum e uma restauração da responsabilidade ilimitada(que existia sob o direito comum) para atividades poluidoras como a fraturação hidráulica e a mineração por remoção do topo da montanha. E deve incluir, obviamente, o papel do estado militar americano na garantia do acesso estratégico a bacias petrolíferas no exterior ou em manter as vias marítimas abertas para os navios petroleiros.</p>
<p>O capitalismo corporativo e a opressão de classes sobrevivem através da intervenção estatal em benefício dos privilegiados e poderosos. Os mercados livres verdadeiros, a cooperação voluntária e a associação livre agem como dinamite na base desse sistema de opressão.</p>
<p>Qualquer programa libertário de esquerda deve incluir uma preocupação com a justiça social e com o combate da opressão estrutural. Isso significa, obviamente, um fim a toda a discriminação estatal com base em raça, gênero ou orientação sexual. Mas significa também muito mais.</p>
<p>Como libertários, nós nos opomos a todas as restrições legais à liberdade de associação, inclusive a leis contra a discriminação por empresas privadas. Mas devemos apoiar com entusiasmo a ação direta para combater as injustiças na esfera social. Historicamente, as leis anti-discriminação estatais serviram apenas para codificar, relutantemente após mudanças sociais, os ganhos obtidos através de ações diretas como os <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Montgomery_Bus_Boycott">boicotes a ônibus</a>, os <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Greensboro_sit-ins">protestos passivos em lanchonetes</a> e a <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Stonewall_riots">rebelião em Stonewall</a>. Nós devemos apoiar o uso da ação direta, da pressão social, dos boicotes e da solidariedade para combater formas estruturais de opressão como o racismo e a cultura do estupro, desafiando as normas internalizadas que perpetuam esses sistemas de coerção.</p>
<p>Ao lidar com todas as formas de injustiça, devemos usar uma abordagem interseccional. Isso inclui o repúdio a práticas da velha esquerda, que consideram preocupações com raça e gênero como questões &#8220;divisivas&#8221; ou como algo a ser discutido &#8220;mais tarde&#8221;, para que se mantenha a unidade de classe. Inclui também o repúdio de movimentos de justiça de raça e gênero ocupados por profissionais da alta classe média, que enfatizam somente a chegada de negros e mulheres em &#8220;espaços de poder&#8221; e em &#8220;gabinetes e salas de reunião mais parecidos com o nosso país&#8221;, deixando intocado o poder desfrutado por esses espaços, gabinetes e salas de reunião. O ataque a uma forma de privilégio não deve ser visto como prejudicial a outras lutas; ao contrário, todas as lutas são complementares e se reforçam mutuamente.</p>
<p>A preocupação especial às necessidades interseccionais dos nossos companheiros menos privilegiados em cada movimento pela justiça — mulheres e negros na classe trabalhadora; mulheres pobres e trabalhadoras, mulheres negras, mulheres transgênero e trabalhadoras do sexo dentro do feminismo; mulheres, pobres e trabalhadores dentro do movimento anti-racista; etc — não divide esses movimentos. Na verdade, os fortalece contra as tentativas da classe dominante de dividi-los e conquistá-los através da exploração de suas divisões internas. Por exemplo, os grandes donos de terras derrotaram os sindicatos de pequenos fazendeiros locatários do sul dos Estados Unidos nos anos 1930 ao estimular e explorar as tensões raciais dentro de seu movimento, que causaram sua divisão em sindicatos separados de brancos e negros. Qualquer movimento de justiça de classe, raça ou sexo que ignore a interseção de múltiplas formas de opressão entre seus membros e deixe de prestar atenção às necessidades especiais dos menos privilegiados está vulnerável ao mesmo tipo de oportunismo. Em última análise essa atenção a preocupações interseccionais deve incluir a abordagem de espaços de segurança que cria uma atmosfera de debate genuíno, sem perseguições e insultos deliberados.</p>
<p>Os libertários — com frequência, por sua própria culpa — são considerados por muitos somente como &#8220;conservadores que fumam maconha&#8221;, adeptos de uma ideologia insular de homens de classe média de startups de tecnologia. Muitas das maiores publicações e comunidades online libertárias na internet têm a tendência reflexiva a defender as grandes empresas contra ataques de trabalhadores e consumidores, os senhorios contra os locatários, o Walmart contra Main Street, rejeitando quaisquer críticos como inimigos do livre mercado e tratando as corporações como representantes legítimas dos princípios de mercado. Têm também uma tendência paralela a rejeitar todas as preocupações de justiça pessoal e sexual como &#8220;coletivistas&#8221;. O resultado é um movimento considerado pelos pobres, trabalhadores, mulheres e negros como irrelevante para suas preocupações. Enquanto isso, os homens brancos de 20 e poucos anos em empregos de classe média explicam a falta de mulheres e minorias nas fileiras de seus movimentos como referência a seu &#8220;coletivismo natural&#8221; e citam o ensaio <a href="http://archive.lewrockwell.com/orig3/nock3b.html">Isaiah&#8217;s Job</a> de Nock uns para os outros.</p>
<p>Nós, da esquerda libertária, não queremos ser relegados às catacumbas ou sermos os equivalentes modernos dos jacobinos, que se sentavam para tomar café e discutir sobre <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Edward_Stuart">Bonnie Prince Charlie</a>. Nós não queremos reclamar sobre como a sociedade está se acabando enquanto a maior parte das pessoas que luta para mudar a realidade para melhor nos ignora. Queremos que nossas ideias estejam no centro das lutas em todos os lugares pela justiça e por uma vida melhor. E só podemos fazer isso tratando as preocupações reais de pessoas reais como se dignas de respeito e mostrando como nossas ideias são relevantes. É isso que pretendemos fazer.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=28314&amp;md5=a8d75b86a64e26042f81d46048ea37d9" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Contra o brutalismo libertário</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Mar 2014 22:30:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Erick Vasconcelos]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por que devemos nos colocar a favor da liberdade ao invés de defendermos uma ordem social dominada pelo poder? Ao elaborar uma resposta para essa pergunta, eu sugeriria que os libertários podem ser divididos, geralmente, em dois grupos: humanitários e brutalistas. Os humanitários são atraídos à liberdade por motivos como os seguintes: ela permite a...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Por que devemos nos colocar a favor da liberdade ao invés de defendermos uma ordem social dominada pelo poder? Ao elaborar uma resposta para essa pergunta, eu sugeriria que os libertários podem ser divididos, geralmente, em dois grupos: humanitários e brutalistas.</p>
<p>Os humanitários são atraídos à liberdade por motivos como os seguintes: ela permite a cooperação humana; inspira a criatividade das outras pessoas; minimiza a violência; permite a formação de capital e a prosperidade econômica; protege os direitos humanos de todo tipo de invasão; permite que as associações humanas floresçam de acordo com suas próprias características; recompensa as interações sociais e o entendimento, ao invés de romper os laços entre as pessoas, e constrói um mundo em que as pessoas são valorizadas como fins em si mesmas e não apenas peças no tabuleiro do planejamento central.</p>
<p>Sabemos de tudo isso por experiência e pelo estudo da história. São ótimas razões para amar a liberdade.</p>
<p>Porém, não são os únicos motivos pelos quais as pessoas são favoráveis a ela. Um segmento daqueles que se descrevem como libertários — e descritos aqui como brutalistas — consideram os motivos acima entediantes, vagos e excessivamente humanitários. Para eles, o que é atraente na liberdade é que ela permite que as pessoas afirmem suas preferências individuais e formem tribos homogêneas para reforçar suas inclinações, ostracizar pessoas com base em padrões &#8220;politicamente incorretos&#8221;, odiar os outros até se cansarem — contanto que nenhuma violência seja utilizada —, humilhar pessoas por conta de suas origens ou opiniões políticas, ser abertamente racistas e sexistas, excluir, isolar e não se contentar com a modernidade e, de forma geral, rejeitar as noções e valores de civilidade e etiqueta em favor de normas anti-sociais.</p>
<p>São dois impulsos radicalmente diferentes. O primeiro valoriza a paz social que emerge com a liberdade, enquanto o segundo valoriza a liberdade de rejeitar a cooperação em favor de preconceitos rasteiros. O primeiro quer reduzir o papel do poder e dos privilégios no mundo, enquanto o segundo deseja a liberdade de afirmar seu poder e privilégios dentro das fronteiras rígidas dos direitos de propriedade e da liberdade de desassociação.</p>
<p>De fato, a liberdade permite tanto a perspectiva humanitária quanto a brutalista, embora isso possa parecer implausível. A liberdade é ampla e expansiva, não afirma quaisquer fins sociais em particular como únicos e verdadeiros. Dentro da estrutura da liberdade, existe a liberdade de amar e de odiar. Ao mesmo tempo, são duas formas muito diferentes de se ver o mundo — uma é liberal no sentido clássico e a outra é não-liberal em todos os sentidos — e é importante que você, enquanto libertário, as considere antes de se ver aliado com pessoas que, na realidade, não compreendem a ideia liberal.</p>
<p>Entendemos o humanitarismo. Ele busca o bem estar da pessoa humana e o florescimento da sociedade em toda a sua complexidade. O humanitarismo libertário observa que o melhor meio de alcançar esse fim é com um sistema social auto-ordenado, livre de controles externos violentos impostos pelo estado. O objetivo, neste caso, é essencialmente benevolente e os meios utilizados valorizam a paz social, a liberdade de associação, as trocas mutuamente benéficas, o desenvolvimento orgânico das instituições e a beleza da própria vida.</p>
<p>Do que se trata o brutalismo? O termo é geralmente associado a um estilo arquitetônico popular dos anos 1950 até meados dos anos 1970, que enfatizava o emprego de grandes estruturas de concreto, sem preocupações com estilo e elegância. A deselegância era seu ímpeto principal e sua fonte de orgulho. O brutalismo passava a mensagem da despretensão e da praticalidade crua da utilização de um prédio. Uma construção deveria ser forte, não bela; agressiva, não minuciosa; imponente, não sutil.</p>
<p>O brutalismo, na arquitetura, foi uma afetação que nasceu de uma teoria retirada de contexto. Era um estilo adotado com precisão consciente. Ele acreditava nos estar forçando a olhar para a realidade sem enfeites, desprovida de distrações, para que passasse sua mensagem didática. Sua mensagem não era apenas estética, mas também ética: rejeitava, por princípio, a beleza. Embelezar significa fazer concessões, distrair, arruinar a pureza da causa. Assim, o brutalismo rejeitava a necessidade do apelo comercial e não se preocupava com questões como apresentação e marketing; eram questões que, na ótica brutalista, desviavam nosso olhar do núcleo radical.</p>
<p>O brutalismo afirmava que um prédio não deveria ser nem mais nem menos do que o necessário para cumprir sua função. Afirmava o direito de ser feio, que é exatamente o motivo por que o estilo era extremamente popular junto a governos em várias partes do mundo e também por que as formas brutalistas são desprezadas quase universalmente.</p>
<p>Nós olhamos para trás e nos perguntamos de onde saíram essas monstruosidades, e nos surpreendemos ao descobrir que se originaram de uma teoria que rejeitava a beleza, a apresentação e os adornos por princípio. Os arquitetos pensavam estar mostrando algo que relutaríamos em enfrentar de outra forma. Contudo, só é possível apreciar os resultados do brutalismo se você já está convencido de sua teoria. Caso contrário, sem sua ideologia fundamentalista e extremista, os prédios parecem aterrorizantes e ameaçadores.</p>
<p>Por analogia, o que é o brutalismo ideológico? Ele despe a teoria até o mínimo e mais fundamental e leva sua aplicação para o primeiro plano. Ele testa os limites da ideia, descartando sua elegância, seus refinamentos, sua delicadeza, sua decência, seus complementos. O brutalismo não se importa com a causa maior da civilidade e da beleza dos resultados. Interessa-se somente pela funcionalidade pura das partes e desafia qualquer um a questionar a aparência e a sensação passada pelo aparato ideológico. Quem questiona é desprezado, tido como insuficientemente dedicado ao núcleo da teoria, que, ela mesma, é afirmada sem contexto ou consideração estética.</p>
<p>Nem todos os argumentos em favor de princípios centrais e análises puras são inerentemente brutalistas; o cerne do brutalismo é o fato de que precisamos reduzir para alcançar as raízes, de que precisamos às vezes nos deparar com uma verdade desagradável, de que devemos nos chocar e e às vezes devemos chocar os outros com as implicações implausíveis e desconfortáveis de uma ideia. O brutalismo vai ainda mais além: a ideia é a de que o argumento deve parar por aí e não avançar, e que elaborá-lo, adorná-lo, nuançá-lo, admitir incertezas ou amplificá-lo para além de afirmações cruas é um tipo de corrupção. O brutalismo é implacável e não tem pudores em recusar sair dos postulados mais primitivos.</p>
<p>O brutalismo pode aparecer em vários disfarces ideológicos. O bolchevismo e o nazismo são exemplos óbvios: classe e raça se tornam a única métrica da política, à exclusão de qualquer outra consideração. Nas democracias modernas, o jogo partidário tende ao brutalismo, uma vez que afirma o controle de um partido como a única preocupação relevante. O fundamentalismo religioso é outra forma bastante óbvia.</p>
<p>Num mundo libertário, porém, o brutalismo se baseia na teoria pura dos direitos de os indivíduos viverem de acordo com os próprios valores, quaisquer que sejam. Sua verdade central está aí e é indisputável, mas sua aplicação é crua para passar uma mensagem de forma mais eficiente. Assim, os brutalistas afirmam o direito de ser racista, o direito de ser misógino, o direito de odiar judeus ou estrangeiros, o direito de ignorar padrões de sociabilidade, o direito de ser incivilizado, de ser rude e grosseiro. Tudo é permissível e até meritório, porque abraçar até aquilo que é terrível é um tipo de teste. Afinal, o que é a liberdade senão o direito de ser um idiota?</p>
<p>Tais argumentos são profundamente desconfortáveis para os libertários humanitários, porque embora sejam, em tese, estritamente verdadeiros, eles desconsideram o que realmente importa na liberdade humana, que não é dividir o mundo ainda mais e torná-lo mais infeliz, mas permitir o progresso da humanidade em paz e prosperidade. Da mesma forma que queremos que a arquitetura seja agradável aos olhos e reflita a dramaticidade e elegância do ideal humano, uma teoria sobre a ordem social deve ser capaz de fornecer uma estrutura adequada a uma vida bem vivida e a comunidades de associações que permitam o crescimento de seus membros.</p>
<p>Os brutalistas estão tecnicamente certos em relação ao fato de que a liberdade também protege o direito de ser um completo ignorante e o direito de odiar, mas esses impulsos não se seguem da longa história das ideias liberais. Em questões de raça e sexo, por exemplo, a liberação das mulheres e das minorias étnicas do domínio arbitrário foi uma grande conquista dessa tradição. Continuar a afirmar o direito de voltar no tempo em suas vidas privadas e comerciais dá a impressão de que a ideologia foi retirada de seu contexto histórico, como se essas vitórias da dignidade humana não tivessem absolutamente nada a ver com as necessidades ideológicas atuais.</p>
<p>O brutalismo é mais que uma versão reduzida, anti-moderna e eviscerada do liberalismo original. É também um estilo argumentativo e uma abordagem retórica. Como na arquitetura, ele rejeita o marketing, o ethos comercial, a ideia de &#8220;vender&#8221; uma visão de mundo. A liberdade deve ser aceita ou rejeitada tendo em vista sua forma mais bruta. Dessa forma, ele é muito rápido em atacar, denunciar e declarar sua vitória. Percebe meios-termos e concessões em todo lugar. Adora desmascarar essas imposturas e tem pouca paciência para sutilezas expositivas e nuances circunstanciais de tempo e local. O brutalismo só vê a verdade crua e se agarra a ela como a única verdade, excluindo todo o resto da verdade.</p>
<p>Ele rejeita a sutileza e não vê exceções circunstanciais à teoria universal. A teoria é aplicável em todo local, a todo tempo, em qualquer cultura. Não há espaço para modificações ou mesmo para a descoberta de novas informações que possam modificar a forma que a teoria seja aplicada. O brutalismo é um sistema de pensamento fechado no qual todas as informações relevantes já são conhecidas e a maneira pela qual a teoria é aplicada é tida como um dado do aparato teórico. Até mesmo áreas difíceis como o direito da família, restituições criminais, direitos sobre ideias, responsabilização por invasões e outras áreas sujeitas à tradição de análise jurisprudencial se tornam parte de um corpo apriorístico que não admite exceções ou emendas.</p>
<p>E uma vez que o brutalismo é um impulso periférico no mundo libertário — os jovens não se interessam mais por essa abordagem —, ele se comporta da maneira típica a grupos muito marginalizados. A afirmação dos direitos e até dos méritos do racismo e do discurso de ódio já é excluída da discussão pública principal. As únicas pessoas que de fato escutam argumentos brutalistas — que são intencionalmente pouco convincentes — são outros libertários. Por esse motivo, o brutalismo é levado cada vez mais em direção ao sectarismo extremo; o ataque aos humanitários, que tentam embelezar sua mensagem, se torna uma ocupação integral.</p>
<p>Com essa sectarização, os brutalistas evidentemente afirmam que são os únicos verdadeiros adeptos da liberdade, porque só eles têm fibra para levar a lógica libertária ao seu extremo e aceitar seus resultados. Porém, o que ocorre aqui não é coragem ou rigor intelectual. A ideia deles do que significam as ideias libertarias é reducionista, truncada, impensada, incolor e sem a influência do desdobrar da experiência humana, tirando a liberdade do contexto histórico e social em que ela vive.</p>
<p>Digamos que você viva numa cidade tomada por um grupo fundamentalista que exclua todos aqueles que não são adeptos de sua fé, force as mulheres a usarem roupas como a burca, imponha um código legal teocrático e ostracize gays e lésbicas. Você pode até dizer que, neste caso, as pessoas são parte voluntária desse arranjo, mas, mesmo assim, não há qualquer liberalismo presente aí. Os brutalistas estarão nas trincheiras de defesa dessa microtirania, sempre com base na descentralização, nos direitos de propriedade e no direito de discriminar e excluir — ignorando completamente o cenário mais amplo de que, afinal, as aspirações individuais na direção de vidas mais plenas e livres são negadas diariamente.</p>
<p>Além disso, o brutalista acredita já conhecer os resultados da liberdade humana e que ela levaria a um cenário similar aos tronos e altares de tempos passados. Afinal de contas, para eles, a liberdade significa simplesmente o desprendimento de todos os impulsos mais vis da natureza humana que acreditam terem sido suprimidos pelo estado moderno: o desejo de pertencer a um grupo racial e religioso homogêneo, a permanência moral do patriarcado, a repulsa à homossexualidade e assim por diante. O que a maioria das pessoas considera como avanço moderno contra os preconceitos, os brutalistas creem serem exceções impostas na longa história dos instintos tribais e religiosos da humanidade.</p>
<p>É claro, o brutalista que eu descrevi aqui é um tipo ideal e provavelmente não é plenamente representado por qualquer pensador em particular. Mas o impulso brutalista está em evidência em todos os lugares, especialmente nas mídias sociais. É uma tendência de pensamento com posições e inclinações previsíveis. Trata-se de uma das principais fontes de racismo, sexismo, homofobia e anti-semitismo dentro do mundo libertário — uma tendência que nega que esta frase seja verdadeira, enquanto defende com igual paixão o direito de os indivíduos possuírem e agirem de acordo com essas visões. Afinal, dizem os brutalistas, o que é a liberdade humana sem o direito de se comportar de maneiras que coloquem nossas mais preciosas sensibilidades — e até mesmo a civilização — à prova?</p>
<p>Tudo, enfim, se resume à motivação fundamental do apoio à liberdade. Qual é o seu propósito? Qual é sua contribuição histórica dominante? Qual é o seu futuro? Aqui os humanitários divergem radicalmente dos brutalistas.</p>
<p>É verdade que não devamos negligenciar o núcleo e nos furtar às implicações mais difíceis da teoria pura da liberdade. Ao mesmo tempo, a história da liberdade e seu futuro não são apenas afirmações de direitos, mas também se relacionam à elegância, à estética, à beleza, à complexidade, ao servir as outras pessoas, à comunidade, à emergência gradual de normas culturais e ao desenvolvimento espontâneo de ordens estendidas de relacionamentos comerciais e particulares. A liberdade é o que dá vida à imaginação humana e permite que o amor se amplifique, estendendo-se a partir de nossos desejos mais benevolentes e elevados.</p>
<p>Uma ideologia roubada de seus adornos pode se tornar ofensiva à nossa vista, como uma monstruosidade de concreto, construída décadas atrás e imposta sobre uma paisagem urbana, constrangedora a todos, que apenas espera sua demolição. Então, o libertarianismo será brutalista ou humanitário? Todos precisam decidir.</p>
<p><em><a href="http://www.fee.org/the_freeman/detail/against-libertarian-brutalism">Publicado originalmente no site da revista </a></em><a href="http://www.fee.org/the_freeman/detail/against-libertarian-brutalism">The Freeman</a></p>
<p>Traduzido do inglês para o português por <a title="Posts by Erick Vasconcelos" href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos" rel="author">Erick Vasconcelos</a>.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=25332&amp;md5=06c11cd37a2c8ab47625ef69da10535a" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Tragam de volta as táticas do movimento pelos direitos civis</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Mar 2014 23:00:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Natasha Petrova]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Vários estados americanos recentemente consideraram a aprovação de leis que permitem a discriminação contra pessoas LGBT. São leis baseadas na ideia de liberdade religiosa. Porém, qual é a resposta apropriada dos libertários de esquerda a essas leis? A resposta é a defesa de ações diretas. Se as leis forem aprovadas, nós, libertários de esquerda, devemos fazer protestos passivos análogos aos do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos. Isso poderia levar a uma dessegregação das empresas e colocaria pressão sobre os empresários para que permitissem o atendimento à clientela LGBT. <a href="http://www.fee.org/the_freeman/detail/libertarianism-anti-racism#axzz2ueLkMioa">Sheldon Richman</a> nos mostra exemplos históricos da eficiência dessa prática:</p>
<p style="padding-left: 30px;">Como já escrevi anteriormente, as lanchonetes no sul dos Estados Unidos estavam sendo dessegregadas muitos anos antes da aprovação da lei de 1964. Como? Através de protestos passivos, boicotes e outros tipos de ação social confrontativa não-violenta e não-estatal. (Você pode ler relatos emocionantes <a href="http://www.sitins.com/story.shtml">aqui</a> e <a href="http://blog.fair-use.org/2010/05/22/diane-nash-the-sit-in-movement-and-the-grassroots-desegregation-of-downtown-nashville-from-lynne-olson-freedoms-daughters-2001/">aqui</a>.)</p>
<p>Sheldon ainda evidencia a praticidade dessa abordagem em outro <a href="http://www.cato-unbound.org/2010/06/18/sheldon-richman/context-keeping-community-organizing">texto</a>:</p>
<p style="padding-left: 30px;">Mesmo antes, durante os anos 1950, David Beito e Linda Royster Beito relatam no livro <a href="http://www.amazon.com/Black-Maverick-Howards-Economic-Studies/dp/0252034201"><em>Black Maverick</em></a> que o empresário negro T.R.M. Howard liderou um boicote das empresas nacionais de gasolina que forçou seus franqueados a permitir que os negros utilizassem os banheiros dos quais eram excluídos.</p>
<p>As leis que estão sendo consideradas utilizam termos como &#8220;liberdade&#8221; de forma orwelliana. A possibilidade de excluir pessoas por motivos irracionais e arbitrários não é liberdade. Os libertários serão detestados por todas as pessoas LGBT se não oferecerem uma solução diferente do uso da força para o problema da discriminação. Temos aqui uma chance de mostrar que nossos princípios individualistas se aplicam tanto às minorias perseguidas quanto a grupos não-minoritários. Não podemos desperdiçar essa oportunidade.</p>
<p>E quanto a questões de direitos de propriedade e invasões? Uma maneira de abordar esse problema é através da metodologia libertária contextual ou dialética. Direitos de propriedade privada são contextuais e estão relacionados à ocupação e ao uso. São um valor entre vários a se considerar ao avaliar a moralidade de uma ação. Quanto fanáticos irracionalmente excluem pessoas de espaços normalmente abertos ao público, os direitos de propriedade se tornam menos importantes que a necessidade de inclusão social. Isso não significa que deve ser utilizada a força estatal, mas justifica protestos não-violentos. Os ativistas dos direitos civis poderiam até mesmo ter utilizado força defensiva contra os bandidos que iniciaram o uso de violência contra eles ao conduzirem protestos passivos. O mesmo se aplica aos ativistas LGBT atuais.</p>
<p>Não quero dizer aqui que os direitos de propriedade são sempre menos importantes que outras preocupações. O direito individual aos frutos de seu trabalho não é enfraquecido pela necessidade que o estado tem de se sustentar. Eu digo, porém, que a moralidade exige algumas trocas às vezes. O que significa que algumas coisas relevantes à liberdade são mais importantes que direitos de propriedade privada. Podemos considerar esta uma situação do tipo.</p>
<p>Traduzido do inglês para o português por <a title="Posts by Erick Vasconcelos" href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos" rel="author">Erick Vasconcelos</a>.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=25015&amp;md5=2dc852dc9fc8b72e996946ea5b7cde5a" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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