<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Center for a Stateless Society &#187; empresas</title>
	<atom:link href="http://c4ss.org/content/tag/empresas/feed" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://c4ss.org</link>
	<description>building public awareness of left-wing market anarchism</description>
	<lastBuildDate>Sat, 24 Jan 2015 03:46:54 +0000</lastBuildDate>
	<language>en-US</language>
		<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
		<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=4.0.1</generator>
	<item>
		<title>A individualização dos problemas trabalhistas</title>
		<link>http://c4ss.org/content/30074</link>
		<comments>http://c4ss.org/content/30074#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 05 Aug 2014 00:00:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Erick Vasconcelos]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Stateless Embassies]]></category>
		<category><![CDATA[competitividade]]></category>
		<category><![CDATA[economia corporativa]]></category>
		<category><![CDATA[empresas]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>
		<category><![CDATA[sindicatos]]></category>
		<category><![CDATA[trabalhadores]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://c4ss.org/?p=30074</guid>
		<description><![CDATA[Lysander Spooner termina seu panfleto Vícios não são crimes, de 1875, da seguinte maneira: &#8220;[A] pobreza de grande parte da humanidade, em todo o mundo, é o grande problema mundial. Que essa extrema e quase universal pobreza exista em todo o mundo, e que tenha existido durante todas as gerações passadas, prova que ela se origina...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Lysander Spooner termina seu panfleto <em><a href="http://libertyzine.blogspot.com.br/2007/07/vcios-no-so-crimes-lysander-spooner.html">Vícios não são crimes</a></em>, de 1875, da seguinte maneira:</p>
<blockquote><p>&#8220;[A] pobreza de grande parte da humanidade, em todo o mundo, é o grande problema mundial. Que essa extrema e quase universal pobreza exista em todo o mundo, e que tenha existido durante todas as gerações passadas, prova que ela se origina em causas as quais a natureza humana comum daqueles que sofrem com ela não foi até hoje capaz de superar. Mas os que sofrem estão, ao menos, começando a ver essas causas e decidindo-se por eliminá-las, custe o que custar. E aqueles que imaginam que não têm nada a fazer além de atribuir a pobreza das pessoas a seus vícios, e repreendê-las por isso, então despertarão para o dia em que toda essa conversa estará no passado. E a questão então não mais será quais são os vícios dos homens, mas quais são seus direitos?&#8221;</p></blockquote>
<p>Spooner combatia o ímpeto puritano de culpar os pobres por sua situação de exclusão. Não eram os vícios individuais que causavam a pobreza generalizada e sistêmica, para ele; se a pobreza era tão geral, ela tinha que ter causas que transcendiam o individual.</p>
<p>A tendência a individualizar os problemas sociais pode soar como uma das pseudoexplicações sociais típicas do século 19, mas é uma ideia que não morreu. <a href="http://c4ss.org/content/29883">Como já escrevi anteriormente</a>, o pensamento de que os indivíduos são responsáveis pela própria situação de desemprego por falta de qualificação é moeda corrente no governo, em empresas e sindicatos.</p>
<p>O discurso da qualificação para o &#8220;mercado de trabalho&#8221; toma a estrutura existente de produção e de emprego como dados e, se os trabalhadores não conseguem se inserir nessa estrutura, o problema é a falta de iniciativa individual. Esse discurso, naturalmente, nunca aparece de maneira destilada, mas é o substrato de muitas das defesas de cursos de capacitação e na lembrança permanente de que há &#8220;vagas de trabalho abertas&#8221;, mas não há pessoas qualificadas o suficiente para preenchê-las.</p>
<p>Paralelamente, a ideia que se desenvolve é a de que o mercado de trabalho está cada vez mais competitivo e os trabalhadores devem se adaptar a ele. Essa &#8220;educação para a competitividade&#8221; ocorre em todos os pontos de geração de discurso. Faculdades e cursos técnicos se beneficiam dessa técnica para mostrar que suas aulas preparam o aluno para um ambiente em que os empregos são escassos e o trabalhador é substituível, a não ser que tome atitudes drásticas para contrabalançar sua inaptidão econômica.</p>
<p>É claro que essa ideia tem fundamento na economia real.</p>
<p>A superespecialização do trabalho é um dos efeitos colaterais da concentração corporativa. Os subsídios às grandes empresas e o favorecimento de alguns agentes através da regulamentação do mercado (muito comum nos últimos 10 anos no Brasil) estendem a cadeia de produção e favorecem a aplicação de capital na produção. Esse aumento da cadeia de produção faz com que as firmas se tornem maiores e menos especializadas. Para preencher postos de trabalho específicos dentro da cadeia de produção, porém, os trabalhadores devem se tornar mais especializados.</p>
<p>Portanto, os trabalhadores são obrigados a se diferenciar cada vez mais porque os empregos de baixa especialização são artificialmente desvalorizados pelos subsídios corporativos, que substitui o trabalho por capital. E as grandes empresas externalizam os custos de treinamento e &#8220;profissionalização&#8221;, terceirizando essas funções para o governo e para os sindicatos.</p>
<p>Essa dinâmica combinada com o aparato regulatório (salário mínimo, pisos e tetos profissionais, regulamentações trabalhistas que confiscam a poupança dos empregados, regulamentações urbanas, proibição ao comércio de rua, regulamentações de manufaturas caseiras, monopólios de transporte público, etc) sistematicamente age para concentrar o mercado, favorecer certos modos produtivos estabelecidos e criminalizar a pobreza, além de tornar a autossuficiência cada vez menos atraente.</p>
<p>Daí, claro, do lado do trabalho a &#8220;competitividade&#8221; tem viés sempre ascendente na economia corporativa, enquanto a competitividade do lado das empresas (as estabelecidas, lógico) estacionou em um nível confortável.</p>
<p>Os discursos de qualificação profissional e competitividade no mercado de trabalho são racionalizações da economia corporativa. São a individualização dos problemas trabalhistas e a culpabilização do trabalhador pela sua situação desfavorável na mesa de negociação.</p>
<p>Não é por vícios e inadequação individuais que as pessoas acabam sem empregos. E a tentativa de moldar o debate nesses termos só desvia o assunto da real questão, como lembrava Spooner: não devemos nos perguntar quais são as insuficiências das pessoas, mas, sim, quais são seus direitos?</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=30074&amp;md5=8a5e6cb283d19c13f9e021adb84a5451" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://c4ss.org/content/30074/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		<atom:link rel="payment" title="Flattr this!" href="https://flattr.com/submit/auto?user_id=c4ss&amp;popout=1&amp;url=http%3A%2F%2Fc4ss.org%2Fcontent%2F30074&amp;language=en_GB&amp;category=text&amp;title=A+individualiza%C3%A7%C3%A3o+dos+problemas+trabalhistas&amp;description=Lysander+Spooner+termina+seu+panfleto+V%C3%ADcios+n%C3%A3o+s%C3%A3o+crimes%2C+de+1875%2C%C2%A0da+seguinte+maneira%3A+%26%238220%3B%5BA%5D+pobreza+de+grande+parte+da+humanidade%2C+em+todo+o+mundo%2C+%C3%A9+o+grande+problema+mundial.+Que...&amp;tags=competitividade%2Ceconomia+corporativa%2Cempresas%2Cgoverno%2Csindicatos%2Ctrabalhadores%2Ctrabalho%2Cblog" type="text/html" />
	</item>
		<item>
		<title>Como o governo, empresas e sindicatos culparam você pelo seu desemprego</title>
		<link>http://c4ss.org/content/29883</link>
		<comments>http://c4ss.org/content/29883#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 30 Jul 2014 00:30:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Erick Vasconcelos]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Stateless Embassies]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[corporativismo]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[empresas]]></category>
		<category><![CDATA[neoliberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[sindicatos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://c4ss.org/?p=29883</guid>
		<description><![CDATA[Zygmunt Bauman, em O mal estar na pós-modernidade, afirma que a religião, em sua forma tradicional, celebrava a insuficiência humana. Com um caminho mais ou menos traçado por toda a sua vida, o indivíduo se via impotente para mudar as condições em que estava inserido. Em contraste com o que ele considera a condição da...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Zygmunt Bauman, em <em>O mal estar na pós-modernidade</em>, afirma que a religião, em sua forma tradicional, celebrava a insuficiência humana. Com um caminho mais ou menos traçado por toda a sua vida, o indivíduo se via impotente para mudar as condições em que estava inserido. Em contraste com o que ele considera a condição da &#8220;pós-modernidade&#8221;, que é de incerteza, a vida pré-moderna era calcada na certeza própria de sociedades estratificadas e classistas.</p>
<p>A pós-modernidade, sempre de acordo com Bauman, forçou uma mudança de discurso religioso: a vida, que antes era baseada na certeza e na insuficiência humana, passa a ser de incerteza. Por isso, o indivíduo, que não mais tem clareza sobre seu destino, agora deve se sentir autossuficiente. Por quê? Porque assim há ao menos a aparência de que ele é capaz de fazer as mudanças que considera desejáveis em sua vida. Se as mudanças que ocorrem em suas circunstâncias (e que causam essa incerteza típica da contemporaneidade) não estão sujeitas ao controle do sujeito, elas não são mais assunto humano e as pessoas perdem o interesse.</p>
<p>Na prática, é uma estratégia de marketing: a religião deve nos assegurar de que &#8220;nós podemos&#8221;, de que &#8220;somos capazes&#8221;, de que &#8220;conseguimos&#8221; e vamos alcançar nosso potencial máximo, caso contrário perdem relevância para o sujeito — a morte, o tema religioso por excelência, perdeu sua força, já que não está sujeita à ação humana.</p>
<p>Essa observação de Bauman — sobre a constante necessidade contemporânea da garantia de autossuficiência do indivíduo — me veio à mente com o início das movimentações para a campanha eleitoral no Brasil. Um discurso muito típico já voltou à discussão política: não faltam empregos, falta qualificação.</p>
<p>A ideia é análoga: se afirmamos que faltam empregos, o problema é estrutural e muito pouco pode ser feito individualmente para mudar essa situação. Em contraste, se &#8220;não faltam vagas, faltam apenas pessoas qualificadas para preenchê-las&#8221;, o indivíduo é colocado no centro da discussão. O desemprego passa a ser um problema não do sistema, mas das pessoas desempregadas. E se elas não conseguem sair da situação de desemprego, a culpa é individual, porque elas dispõem de todas as ferramentas para isso. Basta querer.</p>
<p>Na verdade, basta querer e utilizar os intermediários certos. No caso da religião, basta querer que você chega à salvação — mas não esqueça de que Deus passa pelo nosso templo. No caso da economia corporativa neoliberal, basta querer e ter os intermediários certos que há empregos e abundância para todos. No Brasil, ironicamente, os intermediários são os sindicatos.</p>
<p>Como observa Raúl Zibechi em <em>Brasil potência: Entre a integração regional e um novo imperialismo</em>, quem encampa o discurso de que falta apenas capacitação em vez de empregos são os maiores sindicatos do Brasil: a CUT e a Força Sindical, que também controlam os maiores fundos de pensão do país.</p>
<p>Para a CUT e a Força Sindical, o sistema atual é extremamente benéfico, já que são organizações plenamente inseridas no capitalismo corporativo brasileiro. Para elas, não convém uma mudança estrutural radical; a ideia é que os trabalhadores busquem a inserção no mercado através desses sindicatos, de seus &#8220;treinamentos&#8221; (que, por conta do Fundo de Amparo ao Trabalhador, garantem gordos repasses de dinheiro para essas organizações) e de sua posição &#8220;propositiva&#8221; em vez de &#8220;combativa&#8221;. Não é à toa que, como observa Zibechi, o 1º de Maio no Brasil é tomado por festas patrocinadas por sindicatos, não por protestos.</p>
<p>Esse entusiasmo por treinamentos e qualificação profissional é extremamente conveniente para as empresas, principalmente as maiores, que, com frequência, propagandeiam suas &#8220;vagas de trabalho&#8221; abertas que não são preenchidas pela falta de trabalhadores com as habilidades necessárias. O governo está sempre muito feliz em comprar a história, porque consegue manter o sistema atual, investir em programas francamente irrelevantes de capacitação e afirmar que é assim que se &#8220;combate o desemprego&#8221;, ao mesmo tempo em que eleva os requisitos de contratação e trabalho, eliminando do mercado os trabalhadores de baixa qualificação. As empresas, por outro lado, ficam muito felizes em externalizar seus custos, fazendo com que o governo prepare sua mão-de-obra gratuitamente, eliminando a necessidade de gastos em capital, de elevação de salários ou mesmo de diminuição de seu tamanho.</p>
<p>Em 2014, como sempre, os candidatos vão aparecer na sua TV para dizer que você pode realizar todos os seus sonhos, basta querer, porque tudo depende de você. Procure a escola técnica, o curso de qualificação ou o sindicato mais próximo.</p>
<p>Assim como a salvação só depende de você (por intermédio da igreja), seu bem estar econômico também só depende de você. Se você falhar, a culpa é sua.</p>
<p>Mas se conseguir um emprego estável com plano de carreira e benefícios, agradeça ao governo e aos sindicatos. Você quis, mas eles tornaram possível.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=29883&amp;md5=54bd353c6691c218b0d47d8f73619ac6" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://c4ss.org/content/29883/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		<atom:link rel="payment" title="Flattr this!" href="https://flattr.com/submit/auto?user_id=c4ss&amp;popout=1&amp;url=http%3A%2F%2Fc4ss.org%2Fcontent%2F29883&amp;language=en_GB&amp;category=text&amp;title=Como+o+governo%2C+empresas+e+sindicatos+culparam+voc%C3%AA+pelo+seu+desemprego&amp;description=Zygmunt+Bauman%2C+em+O+mal+estar+na+p%C3%B3s-modernidade%2C+afirma+que+a+religi%C3%A3o%2C+em+sua+forma+tradicional%2C+celebrava+a+insufici%C3%AAncia+humana.+Com+um+caminho+mais+ou+menos+tra%C3%A7ado+por+toda+a...&amp;tags=Brasil%2Ccorporativismo%2Ceconomia%2Cempresas%2Cneoliberalismo%2Csindicatos%2Cblog" type="text/html" />
	</item>
	</channel>
</rss>
