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	<title>Center for a Stateless Society &#187; economia</title>
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		<title>Paul Krugman conquista os marcianos</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Dec 2014 23:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Joel Schlosberg]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Paul Krugman recentemente argumentou que &#8220;conquistar é para perdedores&#8221; (&#8220;<a href="http://www.nytimes.com/2014/12/22/opinion/paul-krugman-putin-neocons-and-the-great-illusion.html">Conquest is for Losers</a>&#8220;, <em>New York Times</em>, 21 de Dezembro) como Vladimir Putin: &#8220;Não é possível tratar uma sociedade moderna da forma que a antiga Roma tratava uma província conquistada sem destruir as riquezas que você está tentando conquistar. Nesse meio tempo, a guerra ou a ameaça da guerra, ao perturbar o comércio e as conexões financeiras, causa grandes custos, muito mais altos do que os gastos diretos de manutenção e emprego de exércitos. A guerra torna você mais pobre e fraco, mesmo se você vencer&#8221;.</p>
<p>Quando os agressores de fato lucram no mundo atual, isso ocorre &#8220;invariavelmente em locais onde matérias-primas são a única fonte real de riqueza&#8221;, através da extração de bens portáteis como diamante e marfim. Porém, a riqueza interconectada e intangível das finanças modernas não pode ser roubada dessa maneira. A invasão de Putin da Crimeia foi uma vitória militar fácil, mas que rapidamente se tornou um problema econômico, multiplicado pela exclusão da Rússia do suporte financeiro global.</p>
<p>Esse excelente resumo dos benefícios da cooperação econômica, explicando a divisão do trabalho e a heterogeneidade da riqueza, é bem vindo quando escrito pelo economista que disse em 14 de setembro de 2001 que &#8220;o ataque terrorista &#8212; como o dia da infâmia, que acabou com a Grande Depressão &#8212; poderia trazer alguns benefícios econômicos&#8221;, uma vez que &#8220;a destruição não é grande se comparada à economia, mas a reconstrução gerará pelo menos alguns aumentos de gastos empresariais&#8221;, e que afirmou na CNN que &#8220;se nós descobríssemos que alienígenas planejam um ataque e precisaríamos de um acúmulo enorme para contra-atacar a ameaça alien, colocando inflação e déficits orçamentários como considerações secundárias, esta recessão acabaria em 18 meses&#8221; (desde então, Krugman afirmou que estava fazendo uma &#8220;piada&#8221; no último caso, mas a versão do 11 de setembro não é tão engraçada).</p>
<p>Neoconservadores, como Krugman observa, elogiam abertamente os métodos de Putin, identificando-os como versões mais diretas dos seus (e ignorando seu keynesianismo militar). Esses paralelos são inevitáveis em economistas estatistas. Outras agências com iniciais diferentes podem ser mais leves que a KGB, mas &#8220;a violência e as ameaças de violência, suplementadas pelo suborno e pela corrupção&#8221; permanecem sua única fonte de riqueza. Outra coluna com a mesma tese (&#8220;<a href="http://www.nytimes.com/2014/08/18/opinion/paul-krugman-why-we-fight.html">Why We Fight</a>&#8220;, 18 de agosto) observa: &#8220;É muito difícil extrair ovos de ouro de economias sofisticadas sem matar a galinha no processo&#8221;. Essas mudanças em direção à heterogeneidade e à descentralização, auxiliadas por possibilidades nascentes como as criptomoedas, dificuldam a extração de riqueza e a tornam mais difícil de taxar.</p>
<p>O estado keynesiano do século 20 foi construído sobre uma base econômica de uso massivo de matérias-primas, inclusive o petróleo que Krugman aponta como o motivo oculto da existência do ISIS. Ironicamente, ninguém foi mais presciente sobre a necessidade de transcender a economia baseada em combustíveis fósseis que um dos maiores representantes do movimento libertário &#8212; que frequentemente é visto como só uma fachada das grandes petroleiras &#8212; Karl Hess. No documentário vencedor do Oscar de 1980 <em>Karl Hess: Toward Liberty</em>, ele observou: &#8220;A energia solar tem implicações muito amplas. Ela está disponível em todo o mundo. É muito descentralizada. Se a energia puder ser coletada em qualquer parte da Terra, isso significa que mecanismos centrais não são necessários, que podemos produzir coisas importantes localmente&#8221;. Logo, &#8220;o Sol diz &#8216;liberdade'&#8221;. Da mesma forma que a economia livre que ele alimentaria.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=34602&amp;md5=51589fe6c9bbc41b01a373d227edd354" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>A advertência de A Revolução dos Bichos: a desigualdade importa</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Dec 2014 23:30:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[David S. D'Amato]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente, em um comentário a meu artigo &#8220;<a href="http://c4ss.org/content/33545">O caminho libertário para o igualitarismo</a>&#8220;, o filósofo libertário Tibor R. Machan citou o livro de George Orwell <em>A Revolução dos Bichos</em> como exemplo do que acontece quando tentamos combater a desigualdade. Para Machan, a desigualdade é um &#8220;problema fabricado&#8221; e a história de Orwell é um alerta para os perigos da tentativa de corrigi-la. Ao ler seu comentário, fiquei um tanto perplexo, porque eu jamais havia interpretado <em>A Revolução dos Bichos</em> dessa maneira. Desde que li o livro pela primeira vez, minha leitura indicava um alerta quase oposto ao indicado por Machan.</p>
<p>Parecia-me então, como agora, que <em>A Revolução dos Bichos</em> faz uma advertência a respeito dos problemas da desigualdade, o resultado da concessão de direitos e privilégios a uma classe política dominante. Orwell habilidosamente ilustra o problema fundamental da autoridade política, seus conflitos inerentes e seus incentivos que favorecem o abuso do poder e que rapidamente enterram grandes ideais filosóficos. O ponto principal de Orwell era que os porcos nunca levam a sério sua retórica de igualdade e de restabelecimento da fazenda em termos mais igualitários &#8212; que quase imediatamente passam a tomar vantagem de sua posição desigual na fazenda para explorar o resto dos animais e concentrar os luxos para seu usufruto particular. <em>A Revolução dos Bichos</em>, assim, sucintamente demonstra a conexão entre o poder político e o poder econômico. Quando a desigualdade naquele é instituída como fato legal, a desigualdade neste se segue inexoravelmente. Os libertários de livre mercado normalmente ficam desconfortáveis com as condenações de esquerda à desigualdade econômica, alegando que, <em>em princípio</em>, o libertarianismo não tem qualquer problema com a desigualdade.</p>
<p>Afinal, se favorecemos os direitos individuais, a competição aberta e a propriedade privada, devemos aceitar quaisquer resultados que se seguirem dessas premissas. Estritamente, tudo isso é verdade. Parece-me, porém, que uma crítica social libertária precisa incluir uma crítica à desigualdade econômica como sintoma da falta de liberdade econômica e das persistentes interferências do poder político em favor das elites ricas. Em seu estudo biográfico de Thomas Hodgskin, o historiador David Stack descreve a crença de Hodgskin de que &#8220;o trabalhador poderia ser liberado através da aplicação consistente da moralidade burguesa&#8221;. Para Hodgskin, Stack afirma, &#8220;a desigualdade e a miséria, a ordem social e a antipaz&#8221; eram todas funções da legislação, impostas artificialmente e não resultantes de &#8220;quaisquer desigualdades inerentes no sistema de produção&#8221;. Se as injustiças econômicas existentes resultam da lei positiva, então &#8220;restrições socialistas ao laissez faire estavam enganadas&#8221;. Hodgskin viveu e escreveu seus trabalhos numa época em que era mais fácil articular uma visão que fosse tanto liberal quanto socialista. O legado pouco apreciado de pensadores como Hodgskin avança o argumento (frequente aqui no Centro por uma Sociedade Sem Estado) de que os libertários devem desconfiar do termo &#8220;capitalismo&#8221; em vez de trombeteá-lo como algo que favorecemos.</p>
<p>Como Hodgskin, os anarquistas de mercado atuais não se opõem ao fato de que o capital é compensado como parte do processo de produção. A preocupação &#8212; que só pode ser aplacada pela adoção de um ora hipotético livre mercado &#8212; é que o capital seja supercompensado devido à posição de privilégio que o estado confere a ele. Escreveu Hodgskin: &#8220;Ficamos tentados a pensar que capital é como uma palavra cabalística, tal qual Igreja ou Estado, ou quaisquer outros termos gerais que são inventados por aqueles que tosam a humanidade para esconder as mãos com a tesoura. É um tipo de ídolo perante os quais os homens devem se prostrar (&#8230;).&#8221; Entre os insights principais de Hodgskin, normalmente ignorados pela maioria dos defensores do livre mercado, está a ideia de que o comércio em si não prova a ausência de exploração. As trocas desiguais são exploratórias no momento em que uma das partes têm vantagens injustas ganhas através de intervenções coercitivas ou restrições à competição. No nível micro, as trocas desiguais se manifestam, por exemplo, em relações de emprego ou em acordos de bens ou serviços de consumo. Em uma escala maior, análises sobre trocas desiguais podem auxiliar nosso entendimento sobre a forma pela qual os países pobres e em desenvolvimento interagem economicamente com o Ocidente desenvolvido.</p>
<p>No mundo de <em>A Revolução dos Bichos</em>, os porcos empregavam a violência como maneira de preservar sua posição de poder; os outros animais trabalhavam cada vez mais em troca de menores pagamentos, enquanto os porcos eram os senhores da Granja dos Bichos &#8212; nome que foi eventualmente revertido ao original Granja do Solar. O mantra original &#8220;Todos os animais são iguais&#8221; foi gradualmente, quase imperceptivelmente, suplantado pela ideia de que &#8220;alguns animais são mais iguais que outros&#8221;. A interpretação de Machan de <em>A Revolução dos Bichos</em> esquece que Orwell era um socialista e, como o estudioso de Orwell Craig L. Carr observa, o livro é um alerta bastante direto a respeito da &#8220;traição do ideal igualitário&#8221;. Após a revolução dos porcos, com a queda do sr. Jones, permaneceu &#8220;[um] sistema econômico que legitimava a desigualdade material&#8221;. Orwell tinha bastante interesse no uso da língua. Em toda a sua obra, inclusive em <em>A Revolução dos Bichos</em>, gestos políticos são os mecanismos através dos quais os objetivos nobres da revolução se tornam &#8220;coerentes com o privilégio e a posição de superioridade da classe dominante&#8221;. Os termos usados pelo libertarianismo e pelo livre mercado similarmente são importantes aos beneficiários dos privilégios econômicos. Sem eles, as pessoas reconheceriam o que de fato é o poder corporativo: algo criado pela violência e coerção políticas, um sistema de classes tão real, observável e quantificável quanto qualquer outro anterior. Criticar a desigualdade deve ser importante para o libertarianismo porque devemos levar a sério nossas ideias em favor do livre mercado e devemos considerar a economia política atual como muito distante de nosso modelo. Os libertários, da mesma maneira, devem estar abertos ao socialismo e à análise de classes presente no trabalho de esquerdistas como Hodgskin e Orwell. É hora de começarmos a enfatizar tanto a liberdade quanto a igualdade, não somente uma ou outra.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=34300&amp;md5=d5830ef07516333ec02dacd13da4b1b3" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>A pergunta que Michael Lind simplesmente não vai responder</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Dec 2014 23:00:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Kevin Carson]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>No ano passado, no Salon, Michael Lind fez &#8220;a pergunta que os libertários simplesmente não podem responder&#8221; (&#8220;<a href="http://www.salon.com/2013/06/04/the_question_libertarians_just_cant_answer/">The question libertarians just can’t answer</a>&#8220;, 4 de junho de 2013): &#8220;Por que não há países libertários? (&#8230;) Se o libertarianismo fosse uma boa ideia, ao menos um país não o teria tentado?&#8221;.</p>
<p>Ele recebeu algumas respostas &#8212; as melhores partiram de nós, da esquerda da libertária de livre mercado, que nos consideramos críticos do capitalismo corporativo. Roderick Long escreveu (“<a href="http://c4ss.org/content/19663">The Myth of 19th-Century Laissez-Faire: Who Benefits Today?</a>”, 10 de junho de 2013):</p>
<blockquote><p>A questão é absurda porque a resposta libertária é óbvia: o libertarianismo é ótimo para as pessoas comuns, mas não tanto para as elites que controlam os países e determinam as políticas a implementar e que preferem que seu status privilegiado seja sujeito à competição no livre mercado. E as pessoas comuns não se mobilizam em prol de políticas libertárias porque a maioria delas não está familiarizada com os argumentos mais consistentes em prol do libertarianismo, em grande parte porque o sistema educacional é controlado pelas elites supracitadas.</p>
<p>A pergunta de Lind é análoga àquelas que poderiam ser feitas há alguns séculos: se a tolerância religiosa, a igualdade para as mulheres ou a abolição da escravidão são tão boas, por que nenhum país as tentou? Todas essas perguntas são formuladas da seguinte maneira: se a liberação é tão boa para os oprimidos, por que os opressores não a implementaram?</p></blockquote>
<p>Minha própria resposta (“<a href="http://c4ss.org/content/19911">The Only Thing Dumber Than Libertarianism’s Critics are its Right-Wing Defenders</a>,” C4SS, 22 de junho de 2013) era a de que Lind:</p>
<blockquote><p>[Seria] recebido com um silêncio igualmente profundo se desafiasse os defensores da justiça econômica e social a dizerem pelo menos um país sem exploração econômica por uma classe privilegiada. Todos os países do mundo possuem estados interventores. Todos os países do mundo têm exploração de classe. Todos os países na história com um estado, desde que os estados surgiram, também possuem classes e exploração econômica. A correlação é de cem por cento.</p></blockquote>
<p>Lind não ficou satisfeito com nossas respostas (“<a href="http://www.salon.com/2013/06/11/libertarians_still_a_cult/">Libertarians: Still a Cult</a>,” Salon, 11 de junho de 2013):</p>
<blockquote><p>Um levantamento não-rigoroso da blogosfera mostra que vários libertários responderam ao meu artigo afirmando que, uma vez que o libertarianismo é antiestatista, pedir um exemplo de um estado libertário no mundo real demonstra uma incompreensão do libertarianismo. Mas se o ideal libertário é uma sociedade sem estado, então o libertarianismo é apenas um nome diferente para a utopia anarquista e merece ser igualmente ignorado.</p></blockquote>
<p>Lind, porém, não é menos utópico que nós, &#8220;anarquistas utópicos&#8221;. Como eu afirmei em resposta a seu artigo original, Lind coloca a questão como se o espectro histórico de sistemas históricos refletisse um julgamento coletivo em que &#8220;nós&#8221;, a &#8220;sociedade&#8221; ou a &#8220;nação&#8221; decidimos o que seria a melhor maneira de organizar as questões de interesse comum. &#8220;Nós&#8221; tentamos aquela outra coisa e ela não funcionou e então &#8220;nós&#8221; tentamos esta aqui e ela funcionou melhor. Mas isso é uma bobagem a-histórica.</p>
<p>No Evangelho, os sacerdotes, escribas e anciãos foram até Jesus e exigiram saber sob que autoridade ele pregava para o povo. Jesus, em resposta, disse: &#8220;Também eu vos farei uma pergunta; Dizei-me pois&#8221;.</p>
<p>Então, a Michael Lind eu peço: mostre-me um só estado, em toda a história da humanidade, que não era controlado por uma elite econômica e usado para explorar economicamente e extrair renda das classes trabalhadoras ou produtivas na sociedade governada? Mostre-me um só estado que não era um instrumento extrativo em benefício de latifundiários patrícios, escravocratas, lordes feudais, corporações e bancos capitalistas ou &#8212; como na URSS &#8212; da própria burocracia estatal. Mostre-me um só estado cujo propósito principal não tenha sido o de proteger direitos de propriedade artificiais e a escassez artificial que permitia que a elite dominante vivesse às custas dos demais.</p>
<p>Repetindo o que eu e outros libertários de esquerda dissemos em resposta ao artigo de Lind, um estado libertário é uma contradição em termos. O estado passou a existir nos últimos 5000 anos de nossa história de 200.000 anos como homo sapiens, em áreas com agricultura produtiva o suficiente para que as classes dominantes extraíssem suas rendas do excedente produtivo. É isso que os estados fazem. Além disso, ninguém é capaz de encontrar um só estado na história humana sem uma elite que o capitaneasse. Logo, o argumento de Lind é absurdo.</p>
<p>Contudo, é possível que Lind concorde com o apologista da escravidão John Calhoun, que via o domínio de classes do estado como uma coisa boa: &#8220;Jamais existiu uma sociedade rica e civilizada em que uma parte da comunidade não tenha vivido às custas do trabalho da outra&#8221;.</p>
<p>Em justiça a Lind, eu duvido disso. Eu não acho que essa seja nem uma questão que ele considere. Para Lind, críticas libertárias de esquerda ao estado e ao capitalismo corporativo nem existem.</p>
<blockquote><p>A lógica ruim e as pesquisas fracas que abarrotam as respostas libertárias a meu artigo tendem a reforçar minha visão de que, se não fossem pagos tão bem para escrever propaganda antigoverno por plutocratas como os irmãos Koch e várias corporações autointeressadas, os libertários não desempenhariam papel maior no debate público que o dos seguidores de Lyndon LaRouche ou de L. Ron Hubbard.</p></blockquote>
<p>Lind não esconde sua visão de que o capitalismo gerencialista de altos custos é natural e inevitável. Idealmente, ele deve ser acompanhado de modificações progressistas/social-democratas para o tornarem mais palatável. Mas qualquer crítica à centralização, hierarquia ou burocracia desse modelo é necessariamente de direita. Eu critiquei essas premissas ocultas à exaustão neste artigo.</p>
<p>O fato permanece que se há alguém culpado de empregar &#8220;lógica ruim&#8221; e &#8220;pesquisas fracas&#8221;, além de não responder diretamente a questionamentos, esse alguém é o próprio Lind.</p>
<p>Já passou da hora de Lind responder ao que foi colocado. Ou de calar a boca.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=34288&amp;md5=c235850564ead337f15615634efef936" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>O caminho libertário para o igualitarismo</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Nov 2014 02:30:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[David S. D'Amato]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um estudo recente feito nos Estados Unidos pelo Bureau de Pesquisas Econômicas, de Emmanuel Saez e Gabriel Zucman, mostrou que o &#8220;0,1% de famílias [americanas] mais ricas possuem mais ou menos a mesma parcela da riqueza que os 90% mais pobres&#8220;. Além disso, o estudo mostra que a &#8220;recuperação&#8221; que continuamos a ouvir falar ainda...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Um <a href="http://gabriel-zucman.eu/files/SaezZucman2014.pdf">estudo recente feito nos Estados Unidos pelo Bureau de Pesquisas Econômicas</a>, de Emmanuel Saez e Gabriel Zucman, mostrou que o &#8220;<a href="http://www.theguardian.com/business/2014/nov/13/us-wealth-inequality-top-01-worth-as-much-as-the-bottom-90">0,1% de famílias [americanas] mais ricas possuem mais ou menos a mesma parcela da riqueza que os 90% mais pobres</a>&#8220;. Além disso, o estudo mostra que a &#8220;recuperação&#8221; que continuamos a ouvir falar ainda não alcançou a classe média nos EUA, tendo beneficiado somente aqueles no topo da pirâmide.</p>
<p>Como uma parcela muito pequena da população detém uma riqueza tão grande, analistas políticos e acadêmicos apontam os dedos uns para os outros e inventam soluções. Previsivelmente, o livre mercado é culpado pela ampliação das desigualdades de riqueza e renda. Expoentes da desregulamentação e da liberação dos mercados, os libertários normalmente são acusados de viverem em um mundo de fantasia em que os problemas da desigualdade não existem.</p>
<p>Nós, libertários, fazemos isso a nós mesmo. Quando o assunto surge, muitos de nós ficamos desconfortáveis e defensivamente insistimos que a desigualdade não é de fato um problema, que devemos analisar os padrões médios de vida e outras medições. &#8220;O capitalismo é ótimo para os pobres — eu juro!&#8221; Os libertários devem aceitar o fato de que a desigualdade é de fato um grande problema.</p>
<p>Mas não precisamos considerar a desigualdade como uma fraqueza em nossos argumentos em favor da liberdade econômica ou como uma questão na qual simplesmente não podemos vencer. As relações econômicas atuais não são resultado da liberdade de trocas ou de relações de propriedade legítimas. Os libertários na verdade estão em posição melhor do que se supõe. A liberdade e a igualdade se complementam e se reforçam, e esta resulta naturalmente daquela.</p>
<p>Anarquistas individualistas como Lysander Spooner consideravam que &#8220;os extremos em riqueza e em pobreza&#8221; resultavam de &#8220;legislações positivas&#8221;, que colocavam leis arbitrárias no lugar de leis naturais e &#8220;estabeleciam monopólios e privilégios&#8221;. No capitalismo, alegava Spooner, os donos do capital tinham poderes especiais na economia — poder que nada tinha a ver com a liberdade de produção, comércio e concorrência. Holisticamente, a intervenção estatal redunda em benefícios aos ricos e politicamente conectados, as elites econômicas com acesso especial àqueles que escrevem e implementam as regras a que estamos sujeitos.</p>
<p>Essas intervenções não são perfeitas e certamente o sistema de capitalismo monopolístico vigente no país possui leves proteções aos trabalhadores, consumidores e pobres. Essas medidas, porém, não comprometem o propósito fundamental da intervenção estatal: desapropriar os proprietários verdadeiros e deixar a maioria à mercê de seus empregadores. O propósito histórico da intervenção estatal, em suma, é a luta de classes permanente, o uso do poder estatal para isolar uma aristocracia econômica.</p>
<p>A esquerda política está certa a respeito da desigualdade, mesmo que esteja errada a respeito da liberdade, dos direitos individuais e dos mercados. Os anarquistas de mercado lutam em favor tanto da liberdade quanto da igualdade, defendendo uma sociedade sem estado na qual a lei máxima é a igualdade de liberdade e autoridade.</p>
<p>A concorrência aberta e genuína é uma força de dissolução e dispersão. Os libertários devem parar de inventar desculpas para as gritantes desigualdades atuais, como se tivéssemos chegado neste ponto através de um regime laissez faire e de soberania do indivíduo.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=33545&amp;md5=7cea748c374a39483c22a19c205f51ad" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Separatismos: paulista e nordestino</title>
		<link>http://c4ss.org/content/33470</link>
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		<pubDate>Fri, 14 Nov 2014 00:01:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Valdenor Júnior]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Após a reeleição de Dilma Rousseff, testemunhamos novamente o padrão que se repete desde 2006: manifestações ofensivas, muitas delas xenofóbicas, de pessoas no eixo Sudeste-Sul, especialmente São Paulo, contra os nordestinos, que votaram maciçamente em favor da candidata do PT. Como as eleições deste ano foram decididas por uma pequena margem de votos em favor...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Após a reeleição de Dilma Rousseff, testemunhamos novamente o padrão que se repete desde 2006: manifestações ofensivas, muitas delas xenofóbicas, de pessoas no eixo Sudeste-Sul, especialmente São Paulo, contra os nordestinos, que votaram maciçamente em favor da candidata do PT.</p>
<p>Como as eleições deste ano foram decididas por uma pequena margem de votos em favor de Dilma e o eleitorado paulista votou maciçamente no candidato Aécio, o separatismo paulista ganhou mais vozes.</p>
<p>O separatismo paulista não é um fenômeno vinculado aos 12 anos que o PT ocupa na presidência. Trata-se de uma ideia mais antiga, defendida sob uma série de motivos e pretextos, desde a migração nordestina até a receita tributária gerada em São Paulo ser redistribuída para outros estados brasileiros. Apesar de ser um dos estados mais industrializados e ricos da federação, o fundo comum entre essas justificativas é que São Paulo está prejudicada por fazer parte do Brasil.</p>
<p>Já o separatismo nordestino é menos conhecido. O Movimento Nordeste Independente contrapõe-se às justificativas dadas pelo separatismo paulista. No artigo “<a href="http://pe.anpuh.org/resources/pe/anais/encontro5/13-hist-economica/Artigo%20de%20Jacques%20Ribemboim.pdf">Neocolonialismo Interno Brasileiro e a Questão Nordestina</a>”, Jacques Ribemboim mostra que o argumento de São Paulo ser prejudicado economicamente por estar ligada ao Brasil é insustentável. Ribemboim sustenta que a federação brasileira está estruturada sob a lógica do neocolonialismo interno:</p>
<blockquote><p>“Na atual conjuntura, o Sudeste importa mão-de-obra e matérias-primas a preços comprimidos (baratos) e exporta para o Nordeste manufaturas a preços altos e protegidos. Deste modo, um nordestino é obrigado a pagar mais por um automóvel ou um item qualquer de consumo, em comparação a uma escolha livre no mercado mundial. Em outras palavras, entrega horas adicionais de seu trabalho ao paulista, para que este possa proteger a indústria de São Paulo.”</p></blockquote>
<p>Esta situação de dependência do nordeste em relação ao sudeste ocorreu por um processo histórico onde o governo central, em sua histeria desenvolvimentista, passou a proteger a “indústria nacional” contra a concorrência estrangeira. A economia foi fechada em prol de uma indústria que, de nacional, só tinha o fato de ser localizada no Brasil, não de ser distribuída ao longo do território brasileiro. A indústria “nacional” sempre foi, principalmente, a indústria paulista.</p>
<p>Essa discrepância entre o desenvolvimento econômico de diferentes regiões do Brasil pode ser atribuída à política intervencionista e desenvolvimentista do governo central, que privilegiou a indústria paulista, e ao que Benjamin Tucker denominava de <a href="http://c4ss.org/content/25629">monopólio das tarifas</a>, “que consiste em incentivar a produção a altos preços e sob condições desfavoráveis com a cobrança de impostos sobre aqueles que produzem a preços baixos e sob condições favoráveis”.</p>
<p>Atualmente, por exemplo, faria sentido que os estados da Amazônia estivessem em livre comércio com os países do Pacto Andino, dada a proximidade geográfica, mas isso não é possível, porque, para Brasília, o Mercosul é sagrado.</p>
<p>Portanto, o Nordeste e a Amazônia foram prejudicados pelas medidas protecionistas em favor da indústria paulista. Essas regiões mais pobres tiveram que comprar produtos mais caros para financiar o suposto “bem comum do desenvolvimento nacional” que, em suma, significa o bem da indústria paulista protegida da livre concorrência internacional.</p>
<p>O separatismo paulista joga para baixo do tapete os subsídios e o protecionismo do estado central que o separatismo nordestino denuncia.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=33470&amp;md5=edd5ecf02ab3d82f0189ab94fbd674a2" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Azuis ou vermelhos, eles só querem saber das verdinhas</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Oct 2014 00:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[David S. D'Amato]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
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		<category><![CDATA[corporações]]></category>
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		<description><![CDATA[As discussões políticas nos Estados Unidos frequentemente deixam de perceber a diferença entre &#8220;pró-empresas&#8221; e &#8220;pró-mercado&#8221;. A incapacidade de observar as implicações dessa diferença leva os comentaristas políticos e os eleitores a acreditar que, se um candidato é pró-empresas, naturalmente deva ser um ardente defensor do mercado livre. Ultimamente essa narrativa ultrasimplificada está sendo desafiada,...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>As discussões políticas nos Estados Unidos frequentemente deixam de perceber a diferença entre &#8220;pró-empresas&#8221; e &#8220;pró-mercado&#8221;. A incapacidade de observar as implicações dessa diferença leva os comentaristas políticos e os eleitores a acreditar que, se um candidato é pró-empresas, naturalmente deva ser um ardente defensor do mercado livre.</p>
<p>Ultimamente essa narrativa ultrasimplificada está sendo desafiada, uma vez que grupos empresariais como a <a href="http://www.motherjones.com/politics/2014/09/democratic-candidates-chamber-commerce-endorsement">Câmara de Comércio dos Estados Unidos cada vez mais apoiam democratas</a> em vez de republicanos do Tea Party, que são percebidos como mais libertários que os republicanos tradicionais e assim mais dispostos a tomar medidas hostis aos grandes negócios.</p>
<p>Não importa quais sejam os ruídos populistas embutidos nos discursos de campanha, o fato mais óbvio é que ambos os grandes partidos americanos participam do mesmo jogo corporativo. Apesar dos argumentos contrários dos republocratas, no momento decisivo você não conseguirá encontrar um mísero defensor dos mais fracos entre os burocratas americanos. Pelo contrário, no final a discussão não é entre os grupos azuis e vermelhos — é entre o próprio processo político, o mecanismo da autoridade política, e o resto de nós, pessoas comuns e trabalhadoras que tentam pagar as contas.</p>
<p>Para vislumbrar o real relacionamento entre as grandes empresas e o estado, precisamos apenas examinar brevemente os dados sobre como os comitês de ação política (PACs) das maiores e mais influentes empresas do país gastam seu dinheiro. Considere alguns exemplos de 2010: naquele ano, o comitê da grande empresa de defesa Raytheon deu 56% de seu dinheiro para os democratas e 44% para os republicanos. A gigante aeroespacial Boeing dividiu suas doações quase ao meio, canalizando 53% delas para os democratas e 45% para os republicanos. A gigantesca firma do agronegócio Monsanto deu 46% do dinheiro de seu PAC para o Partido Democrata e 54% para o Republicano.</p>
<p>Essas divisões entre democratas e republicanos evidentemente variam a cada eleição, dependendo de fatores como a composição do Congresso e a probabilidade de vitória de cada um. E certamente diferenças marginais entre candidatos e partidos também pode se apresentar em dada eleição. O ponto aqui, porém, é que as entidades corporativas são como o próprio estado: não-partidárias, mas interessadas apenas em poder e engrandecimento próprio.</p>
<p>Não se engane, nossos leviatãs corporativos não se importam com os nomes que estão no poder, contanto que joguem de acordo com as regras, perpetuando um jogo venal de coesão pública-privada que nada tem a ver com a &#8220;liberdade e justiça para todos&#8221;. O que pensaríamos sobre um indivíduo que repartisse seu dinheiro quase igualmente entre os dois maiores candidatos ano após ano? Provavelmente que se trata de um louco ou alguém com múltiplas personalidades. Quando uma entidade corporativa o faz, contudo, nós consideramos sua ação (provavelmente de forma correta) como algo estritamente estratégico, uma ilustração da realpolitik e uma maneira com a qual as empresas contam para garantir boas relações com ambas as alas do establishment político.</p>
<p>Essa cumplicidade entre o poder corporativo e estatal não é necessariamente planejada ou premeditada, mas também não é acidental. Um sistema centralizado de política que dá poderes discrecionários e legislativos amplos a um pequeno grupo elitizado incentiva o abuso desses poderes em favor dos interesses dos endinheirados. Como o anarquista individualista William Bailie escreveu, &#8220;leis são feitas direta ou indiretamente de acordo com o interesse da classe capitalista e são sempre administradas e interpretadas (&#8230;) nesse espírito&#8221;.</p>
<p>Os anarquistas de mercado defendem um sistema econômico livre e justo em que os grandes negócios e o governo não trabalhem juntos para manipular as regras em prol dos poderosos e bem conectados. Consistentemente observadas, as liberdades de competição e trocas abalam o domínio das grandes empresas, que dependem atualmente do estado para possuírem seus muitos privilégios. Uma vez que nem republicanos nem democratas questionam as características fundamentais desse sistema estatal-corporativo, o caminho das mudanças reais não passa por nenhum deles.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=32708&amp;md5=d2033bd155f658404a6062ca0c38296d" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>A conquista do Reino Unido pela Escócia</title>
		<link>http://c4ss.org/content/31992</link>
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		<pubDate>Sun, 21 Sep 2014 01:52:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Joel Schlosberg]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Stateless Embassies]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[Escócia]]></category>
		<category><![CDATA[independência]]></category>
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		<category><![CDATA[pós-industrialismo]]></category>
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		<description><![CDATA[A escolha do &#8220;não&#8221; no referendo que perguntava aos escoceses se a Escócia deveria se tornar um país independente é uma vitória pírrica para o Reino Unido. O fato que a campanha do &#8220;sim&#8221; foi capaz de angariar 44,7% dos votos abala um consenso de 300 anos e a devolução de poder político à Escócia...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A escolha do &#8220;não&#8221; no referendo que perguntava aos escoceses se a Escócia deveria se tornar um país independente é uma vitória pírrica para o Reino Unido.</p>
<p>O fato que a campanha do &#8220;sim&#8221; foi capaz de angariar 44,7% dos votos abala um consenso de 300 anos e a devolução de poder político à Escócia já é dada como certa. Esse quase empate é bem mais problemático para o sistema político existente que pretende manter sua legitimidade do que para um novo que tenta se estabelecer. E as preocupações anteriores ao referendo permanecem.</p>
<p>Com o ônus da prova deslocado, as ideias do contrato social em favor da existência dos estados atuais foram desenterradas. Isso levou a um argumento inacreditável contra a independência da Catalunha exposto pelo Ministro do Extrior da Espanha José Manuel García-Margallo: &#8220;Cada espanhol é dono de todos os centímetros quadrados do país&#8221;. A formação da união entre Escócia e Inglaterra através de um acordo do parlamento escocês era frequentemente usada como fonte de legitimidade três séculos depois, sublinhando quão raramente os territórios políticos não são simplesmente resultados de conquistas militares.</p>
<p>Uma vez que um dos principais pontos da campanha do &#8220;sim&#8221; vinham do desejo de retirar as armas nucleares da Escócia, mesmo com as questões práticas de organização militar não resolvidas, foi evitada a objeção comum ao separatismo: &#8220;E quanto à defesa?&#8221;. Os contrários à independência até mesmo apresentaram a perspectiva de uma Escócia independente como se fosse uma coisa ruim.</p>
<p>Grande parte dos comentários enfatizava a incerteza econômica em caso de independência. Críticos como Paul Krugman levantaram o ponto válido de que a Escócia atualmente depende muito do sistema financeiro mundial e sua instabilidade faria com que a independência política reduzisse sua capacidade de absorver os danos advindos de crises econômicas.</p>
<p>A questão dividiu a elite econômica. A British Petroleum previsivelmente apoiou o &#8220;não&#8221; e os setores mais globais favoreceram o &#8220;sim&#8221;. Enquanto isso, a propriedade da maior parte das terras da Escócia permanece nas mãos da elite, metade sob controle de apenas 432 famílias. As propriedades individuais já estão se deslocando das famílias aristocráticas e passando para os especuladores globais.</p>
<p>A economia escocesa, com a diminuição de suas receitas advindas do gás e do petróleo, foi muito afetada pela desindustrialização. Mas com a disseminação da tecnologia pós-industrial, uma nova base econômica se torna cada vez mais viável. Serviços básicos podem ser descolados dos limites geográficos; o referendo recebeu muita atenção por conta dos simples efeitos da competição entre o Reino Unido e a zona do euro. A concorrência total de moedas iria muito além da escolha entre a libra e o euro. A descentralização até o ponto do sistema de clãs escocês passaria a ser uma realidade cotidiana em vez de uma memória romântica.</p>
<p>O sol está se pondo para o estado imperial.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=31992&amp;md5=3447bf1ca3efdfae6ec6a5f8c37c3010" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A situação do trabalhador na Argentina: Uma perspectiva anarquista</title>
		<link>http://c4ss.org/content/31852</link>
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		<pubDate>Tue, 16 Sep 2014 02:36:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Erick Vasconcelos]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Logo depois da crise econômica por que o país passou há mais de 10 anos, que chegou a seu apogeu em 2001, a Argentina se recuperou e entrou em um período de prosperidade relativa devido às condições do comércio exterior. Contudo, a situação do trabalhador argentino médio permanece a mesma há centenas de anos: seu acesso aos meios de produção, ao capital, ainda é restrito pela ação estatal.</p>
<p>1) Graças ao que já se configura como uma recessão incipiente, a situação econômica do país se deteriora rapidamente. 75% dos trabalhadores argentinos ganham menos que 6.500 pesos por mês (US$ 590), enquanto metade dos empregados ganham menos que 4.040 pesos (US$ 367), ou seja, pouco mais que o salário mínimo de 3.600 pesos (US$ 327). Os 25% que menos ganham recebem menos que 2.500 pesos por mês (US$ 227), a taxa de emprego informal já chegou a 33,5% e 1,2 milhão de pessoas estão desempregadas. A renda já muito baixa das pessoas ainda é erodida pela inflação galopante e pelos altos impostos. <strong>[1]</strong></p>
<p>Metade dos trabalhadores que ganham menos e consomem a maior parte de sua renda pagam um imposto sobre valor agregado (IVA) de 21%. Essa é uma alíquota extremamente regressiva, já que um trabalhador com um salário de 3.600 pesos, que consome a maior parte do seu dinheiro, paga impostos que representam mais de um quinto dos seus rendimentos, enquanto alguém com um salário de 10.000 pesos — se presumirmos uma paridade dos níveis de consumo — paga apenas 7,5% de sua renda em impostos. Além disso, a inação do governo para atualizar as alíquotas de impostos já erodiu os salários de trabalhadores mais bem pagos: um trabalhador da construção civil que ganha 15.000 pesos (US$ 1.363) ou mais paga mais de 40% de sua renda para o estado.</p>
<p>Assim, a Argentina está passando a ser o país em que o estado tem a maior influência sobre a economia na região e um dos países do mundo em que os empregados pagam mais impostos. <strong>[2]</strong> Devido aos impostos ultrapassados aplicados aos trabalhadores que ganham salários decentes, o IVA e o imposto de renda são os maiores contribuintes aos cofres do estado em termos nominais, representando uma parcela maior do que aquela paga por grandes produtores de soja e combustíveis. <strong>[3]</strong></p>
<p>2) O pior de tudo é que o trabalhador assalariado argentino tem menos alternativas de emancipação e independência atualmente do que nunca. Mesmo se conseguisse poupar e se proteger dos efeitos da inflação, ele teria que enfrentar barreiras intransponíveis de entrada nos mercados, devido principalmente a leis nacionais e regulamentações municipais para a abertura de novos negócios. Essas restrições elevam os custos iniciais para qualquer pequeno negócio para acima de 100.000 pesos (mais de US$ 9.000). Uma vez que é extremamente difícil para os trabalhadores driblarem os efeitos da inflação, o investimento com a poupança de seus salários é praticamente impossível.</p>
<p>O crédito é virtualmente inacessível. Os bancos cobram taxas de juros de cerca de 70% e não emprestam menos de 120.000 pesos para empresas pequenas ou médias. Além disso, os bancos oferecem cerca de 18% anualmente sobre os depósitos aos poupadores, uma porcentagem irrisória quando comparada às taxas cobradas dos consumidores em empréstimos ao consumidor e cartões de crédito. Os lucros que os bancos consequem com seu monopólio sobre o crédito não têm paralelo em outros setores da economia argentina. E com a última desvalorização em janeiro deste ano, seus lucros cresceram ainda mais. Na verdade, pode-se dizer que, além do próprio governo, os bancos foram os únicos beneficiários da desvalorização. Todos os outros setores sofreram grandes perdas de poder de compra. Durante o primeiro trimestre de 2014, a economia argentina não cresceu e os bancos mesmo assim registraram um aumento de 300% em seus rendimentos em comparação ao mesmo período de 2013. <strong>[4]</strong></p>
<p>3) Sendo impossível alcançar a independência financeira através da poupança ou do crédito, o que resta aos trabalhadores médios é fugir para ativos que os permitam ao menos proteger o valor de seu pequeno capital da inflação. Isso costumava ser feito principalmente através da compra de dólares americanos ou de outras moedas estrageiras, mas o estado, em um esforço para cercar recursos em benefício de sua rede clientelista, impôs um rígido controle de compras de moeda estrangeira em 2011. O sistema era tão rígido nos primeiros estágios de sua implementação que ele estimulou o surgimento de um forte mercado negro de moedas. Ele só foi tornado um pouco mais flexível em janeiro de 2014 e para benefício de alguns poucos privilegiados: apenas aqueles que ganham 7.200 pesos por mês (US$ 654) — o equivalente a dois salários mínimos — ou mais podem adquirir moeda estrangeira e, a partir desse ponto, a permissão para compras em moedas estrangeiras cresce de forma concomitante com o nível de renda. É difícil pensar em um sistema mais regressivo que esse para racionar um recurso escasso. <strong>[5]</strong></p>
<p>Em outras palavras, mais de 75% dos trabalhadores argentinos estão fora do mercado cambial, fazendo com que se torne extremamente difícil se proteger da inflação do peso. A fuga para outros ativos, como bens duráveis como carros — eu não levo imóveis em consideração porque já estão inacessíveis à maioria da população há decadas —, tem sido enorme e, juntamente com as compras brasileiras, é o principal fator de compensação das demissões e das reduções de operação por parte das grandes montadoras de carros devudio ao crescimento econômico mais lento. Em suma, o assalariado argentino não tem escolha a não ser trabalhar para outra pessoa por um salário miserável que rapidamente se evapora devido à inflação — isso se a incipiente recessão não os levar direto para o desemprego.</p>
<p>4) Com a crise de 2001, o espírito popular tinha em mente o slogan &#8220;que saiam todos&#8221;, um reflexo claro da perda de confiança na classe política. A proliferação de assembleias de bairro, fábricas ocupadas e gerenciadas pelos trabalhadores e organizações populares sem líderes políticos visíveis eram a norma até que o estado policial de Eduardo Duhalde abriu caminho, através da repressão e dos ajustes econômicos, ao primeiro governo de Néstor Kirchner em 2003. Hoje, apesar de as estatísticas de pobreza não serem mais tão dramáticas, o espírito do povo argentino é parecido, mas definitivamente não está maduro o bastante.</p>
<p>Estamos chegando a um ponto em que a legitimidade da democracia representativa está num ponto baixo histórico: as pessoas comuns parecem estar percebendo que o espetáculo político serve para manter o bem estar da classe política e que, novamente, a história vai seguir o mesmo curso que já segue há décadas. Essa percepção é ainda mais disseminada porque os candidatos que lideram as pesquisas presidenciais da eleição de 2015 são todos fabricados pela facção kirchinerista/duhaldista/menemista. Até mesmo o setor &#8220;direitista&#8221; liderado por Mauricio Macri já se aproximou do governo atual.</p>
<p>Por outro lado, a popularidade da esquerda estatista tem crescido consideravelmente nos últimos anos, especialmente em algumas das maiores associações comerciais do país e tem ganhado várias cadeiras legislativas. O trabalhador médio não é mais persuadido pelo peronismo, que se transformou no que o radicalismo se tornou na primeira metade do século 20 quando chegou ao poder: um movimento puramente conservador. <strong>[6]</strong> Contudo, apesar dos avanços das alternativas ao peronismo hegemônico serem um desenvolvimento positivo, ainda se trata da mesma esquerda autoritária de sempre. Suas propostas são, a não ser pela retórica de &#8220;assembleias&#8221; e &#8220;democracia&#8221;, mais centralização, mais poder para o estado e mais impostos para o produtor.</p>
<p>5) Penso que a a Argentina precise de um movimento de esquerda que verdadeiramente defenda a emancipação do produtor, pela eliminação dos privilégios na atividade bancária, nas propriedades fundiárias e na indústria e que não dependa do peso do estado sobre os ombros dos trabalhadores e empreendedores — uma esquerda que deixe todas as decisões políticas e econômicas nas mãos dos cidadãos. Um movimento libertário. Um movimento que não parta das altitudes liberais clássicas, que, de qualquer maneira, não tentariam se aproximar dos trabalhadores para mais do que estimulá-los a ler Ludwig von Mises e glorificar Juan Bautista Alberdi. Há um grande abismo cultural entre esse racionalismo herdado do século 18 e a herança cultural argentina. A mesma distância que existe para com as fgras de Marx e Trotsky que a esquerda pretende impor.</p>
<p>A mentalidade argentina é fundamentalmente libertária por motivos históricos, culturais e idiossincráticos e é com esse fato que temos que trabalhar.</p>
<p><strong>Notas:</strong></p>
<p><strong>[1]</strong> “El 75% de la gente ocupada gana menos de $ 6.500 mensuales”, <em>Clarín</em>, 26/03/2014.</p>
<p><strong>[2]</strong> Fernando Gutiérrez, “Cristina, “víctima” de la curva de Laffer: el Gobierno, casi sin margen para subir impuestos y mejorar la caja”.</p>
<p><strong>[3]</strong> Arrecadação – Serie Anual 2014, AFIP. Um argumento frequentemente utilizado contra essa crítica da depredação estatista é que o dinheiro coletado &#8220;retorna&#8221; ao povo na forma de serviços públicos ou sociais, como a Assistência Universal por Filho (AUF) ou serviços educacionais. É importante notar que a AUF é meramente um remédio superficial que pretende conter os impulsos destrutivos do lumpenproletariado (que todos conhecemos bem depois dos episódios de 2001) e que, apesar do aumento dos gastos na educação pública de 4% para 6,2% do PIB, a matrícula de alunos em escolas particulares cresceu sete vezes mais que em escolas públicas devido à decadência contínua de sua qualidade, que não oferece qualquer esperança para o futuro dos alunos e mantém os professores em condições de trabalho absolutamente precárias. Novamente, os trabalhadores sofrem pelos dois lados: sustentam a educação pública por meio dos impostos e fazem um esforço hercúleo para pagar pela educação de seus filhos.</p>
<p><strong>[4]</strong> Nicolás Bondarovsky, “Economía: la extraordinaria ganancia de los bancos”. Isso não é nada novo. Vários pensadores já observaram a necessidade de que o trabalhador tenha acesso ao crédito para sua emancipação, desde Proudhon, William Greene, Benjamin Tucker e Silvio Gesell, até Kevin Carson nos dias atuais, entre outros.</p>
<p><strong>[5]</strong> “La AFIP anunció la fórmula con que se calculará la venta de dólares para ahorro”, <em>Infobae</em>, 27/01/2014.</p>
<p><strong>[6]</strong> “La izquierda por la izquierda: Jorge Altamira – Partido Obrero – FIT”, <em>La Barraca</em>, 19/05/2014.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
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		<title>A posse da liberdade: A economia política de Benjamin R. Tucker</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Sep 2014 01:16:24 +0000</pubDate>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>A economia política de Benjamin Tucker representa uma condensação de suas maiores influências, sintetizando o trabalho de pensadores radicais como Josiah Warren, William B. Greene, Ezra Heywood e Lysander Spooner para chegar a um anarquismo maduro e completo. De Heywood, Tucker extraiu sua análise dos males da renda (rent), dos juros e dos lucros, &#8220;seguindo os dizerem que Ezra Heywood gravou em sua escrivaninha em letras garrafais: &#8216;juros são roubo, rendas são saques e os lucros são apenas outro nome para pilhagem'&#8221;.<strong>[1]</strong> Josiah Warren deu a Tucker a convicção na soberania individual, uma hostilidade em relação a toda tentativa de &#8220;reduzir o indivíduo a uma mera peça dentro de uma engrenagem&#8221; e à tentativa de chegar a reformas através de &#8220;combinações&#8221; coercitivas. Para a reforma de livre mercado do sistema monetário e bancário, Tucker aprendeu com William B. Greene, cujo trabalho articulava um esquema bancário baseado na emissão livre e aberta de meios circulantes. Foi Greene que, em 1873, introduziu ao jovem Benjamin Tucker o trabalho de Pierre-Joseph Proudhon, conhecido pessoal de greene e o primeiro a chamar a si mesmo de anarquista.<strong>[2]</strong> Greene ainda estimulou Tucker a empreender a primeira tradução para o inglês da obra <em>O que é a propriedade?</em> de Proudhon, um trabalho publicado pela Co-operative Publishing Company de Ezra Heywood. Em Tucker, todas essas influências se uniram e formaram um só movimento encabeçado por seu jornal <em>Liberty</em>.</p>
<p>É interessante notar que a carreira de Tucker na política radical continuava enquanto ele trabalhava para publicações mais convencionais. Em 1943, num artigo para o <em>The New England Quarterly</em>, Charles A. Madison observava &#8220;o respeito mútuo entre Tucker e seus empregadores&#8221; no <em>Daily Globe</em>, apesar da defesa determinada de Tucker do anarquismo em uma época que testemunhava campanha de &#8220;intensidade histérica&#8221; contra esse pensamento. É inegavelmente difícil imaginar um jornal de qualquer tamanho ou reputação que abrigasse alguém abertamente anarquista hoje em dia no seu corpo editorial. Apesar das pretensões atuais de abertura e liberalidade, é quase certo que a elite intelectual e literária atualmente impede críticas e questionamentos a suas ortodoxias preferidas e às políticas do status quo muito mais do os letrados da segunda metade do século 19. Tucker foi respeitado por seus colegas do <em>Globe</em> por não menos que onze anos, até mesmo quando ele passou a se envolver ainda mais no ativismo radical, desde sua ajuda a Ezra Heywood com a publicação de The Word até a edição de seu próprio Radical Review. Mais tarde, após começar a publicação do Liberty, Tucker trabalhou como editor para a Engineering Magazine em Nova York, &#8220;se recusando a escrever artigos que pudessem comprometer seus princípios anarquistas&#8221;.<strong>[3]</strong></p>
<p>Na primeira edição de <em>Liberty</em> em 1881, Tucker anunciava a <em>raison d&#8217;être</em> do jornal e suas visões políticas e econômicas ao escrever que &#8220;o monopólio e os privilegiados devem ser destruídos, as oportunidades devem ser fornecidas e a competição estimulada&#8221;. Ainda assim, como Proudhon, de quem Tucker tirou tantas ideias sobre a moeda e a reforma bancária, Tucker defendia que os vários arranjos econômicos a que se opunha deveriam &#8220;permanecer livres e voluntários para todos&#8221;. Com os portões da competição abertos para todos e as &#8220;forças perturbadoras&#8221;<strong>[4]</strong> dos privilegiados abolidas, essas formas de exploração se tornariam, de acordo com ele, praticamente impossíveis: &#8220;Se o poder de usura fosse estendido a todos os homens&#8221;, como Tucker alegava que deveria, &#8220;a usura devoraria a si própria, por sua natureza&#8221;. O papel do estado, assim, era o de isolar os poucos detentores privilegiados do capital, que vivem &#8220;luxuosamente com o suor do trabalho de seus escravos artificiais&#8221;, dos efeitos salutares da competição.</p>
<p>A coerência de Tucker e sua habilidade em expor os absurdos dos poderes político e econômico têm muito a ensinar ao movimento libertário atual. Se estivesse vivo hoje em dia, Tucker veria privilégios, subsídios corporativos e interferências à liberdade em todo lugar. Os relacionamentos econômicos atuais não são mais naturais ou inevitáveis que as condições da velha escravidão, embora seus apologistas insistam que sua própria existência seja prova de sua justeza. Tucker era um economista político visionário porque imaginava que as coisas podiam ser diferentes, denunciando as explicações improvisadas dos economistas liberais e desafiando-os a levar suas ideias liberais — que cresciam em popularidade — a seus limites lógicos. &#8220;O anarquismo genuíno é consistente com o manchesterismo&#8221;, dizia ele em uma citação famosa. Para Tucker, a política e a economia eram inseparáveis, as questões de uma necessariamente tinham implicações sobre a outra; ele considerava o capitalismo um sistema de exploração criado pelo estado — ou seja, pela agressão ou pela força contra o indivíduo soberano. As ideias políticas trabalhistas de Tucker, porém, eram ainda distintas — e talvez diferentes das ideias atuais do movimento trabalhador radical — porque rejeitavam os capitalistas sem advogar a propriedade ou organização coletiva do capital, identificavam a exploração sem condenar a competição e defendiam os trabalhadores sem necessariamente denunciar os trustes (ou &#8220;combinações industriais&#8221;), tendo uma relação tépida com os sindicatos.</p>
<p>Tucker argumentava que os esforços para obstruir ou proibir qualquer tipo de combinação ou associação voluntária eram tentativas autoritárias de exercer controle, intoleráveis ao anarquismo, não importando suas boas intenções. Ele não via nada de essencial ou necessariamente errado com a venda do trabalho em troca de um salário — chegando ao ponto de alegar que o anarquismo socialista não &#8220;pretendia abolir salários, mas garantir para todo assalariado seu salário integral&#8221;. O socialismo de Tucker era diretamente baseado na noção de que o trabalho deveria ser pago com seu produto completo; o fato de que o trabalho não era pago era, efetivamente, todo o problema. A propriedade governamental dos meios de produção defendida pelo socialismo de estado não era uma forma de atingir esse objetivo, mas era simplesmente uma nova forma de escravização parecida com a antiga. Em última análise, o estado seria sempre uma instituição composta pela classe dominante e a serviço dessa classe.</p>
<p>A economia de Tucker, além disso, rejeitava distinções fáceis e superficiais, como, por exemplo, a diferenciação arbitrária e não-sistemática entre o capital e o produto<strong>[5]</strong> e, como observado acima, entre política e economia. Qualquer consideração integral do &#8220;problema industrial&#8221; não poderia depender simplesmente de uma análise das leis das trocas, como se essas leis operassem em um vácuo, independentemente das realidades legais e políticas. Como uma das maiores influências de Tucker escreveu, a &#8220;economia política, até hoje, tem sido pouco mais que uma série de engenhosas tentativas de reconciliar as prerrogativas de classe e o arbitrário controle capitalista com os princípios das trocas&#8221;. O erro central da economia política burguesa na época de Tucker é idêntico ao erro principal do libertarianismo atual — sua ignorância crítica da existência de inúmeras e constantes violações dos princípios de livre mercado que são expostos. Tanto na época quanto atualmente, os economistas de livre mercado afirmam que que as questões políticas e econômicas devem ser tratadas em conjunto e que os direitos econômicos são direitos políticos para, logo em seguida, mudarem de ideia e passarem a discutir as condições econômicas e os relacionamentos atuais como se fosse consequências legítimas de trocas e formas de propriedade de mercado.</p>
<p>A precisão analítica de Benjamin Tucker não era sujeita tão facilmente a confusões a ponto de permitir que ele fosse ludibriado pelos defensores do capitalismo e pensasse que os relacionamentos de livre mercado seriam similares aos relacionamentos dentro do capitalismo. Tucker não acreditava que a sujeição acachapante dos muitos pobres aos poucos abastados proprietários havia surgido a partir de um <em>laissez faire</em> verdadeiramente livre. Como observa &#8220;An Anarchist FAQ&#8221;, &#8220;embora uma anarquia individualista fosse ser um sistema de mercado, não seria um sistema capitalista&#8221;. Tucker nunca recuou de sua defesa da competição ou viu necessidade de diluí-la. Ele também nunca admitiu que a exploração era possível sem agressão ou invasão, ou aceitou que o comércio equitativo e a justiça para o trabalhador só poderiam ser alcançados através de reformas legislativas. Sua total ausência de fé em qualquer reforma legal ou governamental às vezes criava um abismo entre as ideias de seu jornal <em>Liberty</em> e o resto do movimento trabalhador, embora ele sempre reconhecesse que o anarquismo e o socialismo fossem &#8220;exércitos que se sobrepõem&#8221;. De fato, Tucker oferecia o que eu ainda considero a melhor definição do socialismo — ou talvez como a melhor versão do socialismo —, &#8220;a crença de que o próximo passo mais importante para o progresso é uma mudança no ambiente do homem de forma que sejam abolidos todos os privilégios que os detentores da riqueza possuem, retirando assim seu poder antissocial para compelir o pagamento de tributos&#8221;. Tucker, portanto, não presumia posições necessárias contra alvos populares do movimento trabalhador como o trabalho assalariado ou mesmo os grandes trustes. Alegava que, contanto que o princípio anarquista da igual liberdade fosse sempre observado, &#8220;não faria diferença se os homens trabalhassem para si mesmo, se fossem empregados ou empregassem os outros&#8221;. A riqueza sem o trabalho — ou seja, a renda, os juros e os lucros — eram os fenômenos econômicos a que os anarquistas deveriam se opor e eles, segundo Tucker, dependiam sempre da agressão.</p>
<p>É um tanto irônico que as escolas de livre mercado que mais alto trombeteiam o individualismo metodológico e sejam as mais céticas ao empirismo desprezem até mesmo a menor das possibilidades de que a completa liberdade de trocas e comércio não leve a um ambiente que seja reconhecível como capitalista. Dado que a economia existente está muito longe de um mercado verdadeiramente livre, nós devemos nos perguntar o que os deixa tão certos de que os anarquistas individualistas como Tucker eram apenas néscios economicamente ignorantes. Não precisamos depender de qualquer teoria do valor-trabalho para concluir com segurança que as desigualdades e concentrações de riqueza dependem principalmente dos privilégios legais a que os portadores do estandarte do <em>laissez faire</em> afirmam se opor. Os anarquistas individualistas, além disso, entendiam a importância teórica da utilidade marginal muito bem, <a href="http://www.libertarianism.org/columns/libertarian-socialism">como já observei em outra ocasião</a>. Ao contrário da caricatura de sua visão, a teoria do valor-trabalho que articulavam era perfeitamente reconciliável com a teoria subjetiva do valor e pretendia explicar algo diferente e mais abrangente do que a simples proposição de que tudo vale apenas o que alguém está disposto a pagar — o que, evidentemente, é impossível refutar. A crítica importante e substantiva contida na economia política de Tucker é descartada com frequência por depender de uma falácia econômica já desacreditada, sem considerar seus muitos argumentos e implicações. A coerência de princípios era uma das preocupações principais de Benjamin Tucker e do jornal<em> Liberty </em>e é algo que recai sobre os individualistas de esquerda e membros do C4SS hoje em dia. Tucker sugeria que a &#8220;anarquia pode ser definida como a posse da liberdade por libertários — isto é, por aqueles que conhecem o significado da liberdade&#8221;. Essa questão, o significado da liberdade, é o que nós, enquanto anarquistas, tentamos responder. Para muitos, a vida e o trabalho de Benjamin Tucker têm sido o norte dessa jornada, uma referência e inspiração perene.</p>
<p><strong>Notas:</strong></p>
<p><strong>[1]</strong> Martin Blatt, “Ezra Heywood &amp; Benjamin Tucker.”</p>
<p><strong>[2]</strong> Em uma edição de 1887 de <em>Liberty</em>, Tucker escreveu &#8220;[Graças] ao coronel Greene, leio a discussão de Proudhon com [Frédéric] Bastiat sobre a questão dos juros e seu famoso <em>O que é a propriedade?</em> e grande foi minha surpresa ao encontrar dentro desses trabalhos, mas apresentados em termos muito diferentes, ideias idênticas às que eu já havia aprendido com Josiah Warren e que, desenvolvidas independentemente por esses dois homens, serão tão fundamentais em mudanças sociais futuras quanto foi a lei da gravidade em todas as revoluções das ciências físicas que se seguiram à sua descoberta — refiro-me, naturalmente, às ideias de liberdade e equidade.&#8221;</p>
<p><strong>[3]</strong> Wendy McElroy, “Benjamin Tucker, Liberty, and Individualist Anarchism.” Nota de rodapé 6.</p>
<p><strong>[4] </strong>John Beverley Robinson, <em>Economics of Liberty</em>.</p>
<p><strong>[5] </strong>&#8220;Proudhon ridicularizava a distinção entre o capital e o produto. Mantinha que capital e produção não diferentes tipos de riqueza, mas apenas condições alternativas ou funções da mesma riqueza; que toda a riqueza passa por transformações incessantes de capital a produto e de produto de volta a capital, em um processo interminável; que o capital e produto são termos puramente sociais; que o que é produto para um homem imediatamente se torna capital para outro, e vice versa; se existisse apenas uma pessoa no mundo, toda a riqueza, para ele, seria ao mesmo tempo capital e produto (&#8230;)&#8221; — Benjamin R. Tucker.</p>
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		<title>Por que sou anarquista</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Sep 2014 00:00:46 +0000</pubDate>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Por que sou anarquista? Essa é a pergunta que o editor do semanário <em>The Twentieth Century</em> pediu que eu respondesse a seus leitores. Consinto; porém, para ser franco, considero-a uma árdua tarefa. Se o editor ou um de seus contribuintes tivesse apenas sugerido um motivo por que eu devesse ser algo que não um anarquista, estou certo de que não teria dificuldades em discutir tal argumento. E não seria esse mesmo fato, afinal, o melhor dos motivos por que eu deveria ser um anarquista — a saber, a impossibilidade de descobrir qualquer motivo para considerar outra denominação? Mostrar a invalidade dos argumentos do socialismo de estado, do nacionalismo, do comunismo, do imposto único, do capitalismo vigente e de inúmeras outras formas de arquismo existentes ou propostas é, ao mesmo tempo, demonstrar a validade dos argumentos do anarquismo. Ao negarmos o arquismo, podemos afirmar o anarquismo. É uma questão lógica.</p>
<p>Evidentemente, a presente demanda não é atendida de maneira satisfatória assim. O erro e a puerilidade do socialismo de estado e de todos os despotismos a que ele é aparentado já foram repetida e efetivamente mostrados de várias maneiras e em vários locais. Não há motivos pelos quais eu devesse atravessar esse terreno novamente com os leitores de <em>Twentieth Century</em>, embora sejam todas provas suficientes para o anarquismo. Algo positivo é exigido, suponho eu.</p>
<p>Pois não, para começar com a maior generalização possível, sou anarquista por que o anarquismo e a filosofia do anarquismo são conducentes à minha felicidade. &#8220;Ah, fosse esse o caso, é claro que deveríamos todos ser anarquistas&#8221;, dirão os arquistas em uníssono — ao menos aqueles que estejam emancipados de superstições religiosas e éticas —, &#8220;mas você não nos respondeu, pois negamos que o anarquismo nos seja conducente à felicidade&#8221;.</p>
<p>De fato, meus amigos? Porque não acredito quando o dizem; ou, para ser mais cortês, eu não acredito que possam afirmar tal coisa ao conhecer verdadeiramente o anarquismo.</p>
<p>Pois quais são as condições da felicidade? Da perfeita felicidade, muitas. Mas as primeiras e principais condições são poucas e simples. Não são senão a liberdade e a prosperidade material? Não é essencial para a felicidade de cada ser desenvolvido que ele e aqueles que o circundam sejam livres e que estejam tranquilos em relação à satisfação de suas necessidades materiais? Parece inútil negar tais fatos e, no caso da existência da negação, seria inútil argumentar. Nenhuma evidência de que a felicidade humana tenha aumentado juntamente à liberdade humana convenceria um homem incapaz de apreciar o valor da liberdade sem o reforço pela indução. E para todos que não sejam tal indivíduo, é autoevidente que das duas condições citadas — liberdade e riqueza — a primeira tem precedência como promotora da felicidade. Cada um dos fatores isoladamente seria capaz apenas de produzir uma imitação pobre da felicidade se não acompanhado do outro; porém, no balanço geral, muita liberdade e pouca riqueza seria uma situação preferível à muita riqueza e pouca liberdade. A acusação dos socialistas arquistas de que os anarquistas sejam burgueses é verdade somente até este ponto — seu horror à sociedade burguesa pode ser grande, mas seu amor à liberdade parcial vigente é maior do que a escravidão completa do socialismo de estado. De minha parte, consigo observar com maior prazer — ou melhor, menor dor — as atuais ebulientes lutas, nas quais alguns se libertam e outros não, alguns caem outros ascendem, alguns são ricos e muitos são pobres, mas nenhum está completamente acorrentado ou desesperançoso de um futuro melhor, do que consigo vislumbrar o ideal do sr. Thaddeus Wakkeman* de uma comunidade uniforme e miserável formada por um rebanho plácido e servil.</p>
<p>Portanto, repito, eu não acredito que muitos dos arquistas possam ser persuadidos a dizer que a liberdade não seja a condição primária da felicidade e, nesse caso, eles não poderão negar que o anarquismo, que não é senão outro nome para a liberdade, é conducente à felicidade. Sendo isso verdadeiro, eu não me furtei à questão e já estabeleci meu argumento. Nada mais é necessário para justificar meu credo anarquista. Mesmo que alguma forma de arquismo pudesse ser imaginada a ponto de criar infinita riqueza e distribuí-la com perfeita igualdade (perdoe a absurda hipótese de distribuição do infinito), o fato primordial de que esse sistema seria uma negação da condição inicial da felicidade nos obrigaria a rejeitá-lo e a aceitar sua alternativa: o anarquismo.</p>
<p>Embora isso seja o bastante, não é tudo. É suficiente justificativa, mas não suficiente inspiração. A felicidade possível em qualquer sociedade que não aperfeiçoe a distribuição de riqueza presente não pode ser descrita como beatífica. Nenhuma perspectiva pode ser suficientemente atraente se não prometer ambos os requisitos da felicidade — a liberdade e a riqueza. O anarquismo promete ambos. De fato, promete o primeiro como resultado do segundo.</p>
<p>Isso nos leva à esfera da economia? A liberdade produzirá abundância e distribuirá a riqueza de forma equitativa? Essa é a questão remanescente a se considerar. E certamente não pode ser tratada em apenas um artigo para <em>Twentieth Century</em>. Algumas generalizações são permissíveis, no máximo.</p>
<p>O que causa a distribuição desigual de riquezas? &#8220;A competição&#8221;, afirmam os socialistas de estado. Se estiverem corretos, de fato, estamos em má situação, porque, nesse caso, jamais poderemos chegar à riqueza sem sacrificar a liberdade de que precisamos. Felizmente, eles não estão certos. Não é a competição, mas o monopólio que priva o trabalho de seu produto. Desconsiderados salários, heranças, presentes e jogos, todos os processos pelos quais os homens adquirem a riqueza repousam sobre monopólios, proibições e negações da liberdade. Os juros e os aluguéis de construções repousam sobre o monopólio bancário, a proibição da competição nas finanças, a negação da liberdade de emitir moeda; as rendas advém do monopólio das terras, da negação da liberdade de uso das terras vagas; os lucros além dos salários ocorrem por conta dos monopólios tarifários e das patentes, pela proibição e limitação da competição das indústrias e artes. Há somente uma exceção, comparativamente trivial; refiro-me à renda econômica em contraste à renda monopolística. Ela não se deve a qualquer negação da liberdade, mas se trata de uma das desigualdades naturais. Provavelmente sempre existirá, embora a completa liberdade deva mitigá-la; disso não tenho dúvidas. Porém, não espero que jamais chegue ao ponto da inexistência que o sr. M&#8217;Cready antecipa tão confiantemente. Na pior das hipóteses, contudo, será um problema menor, não mais digno de consideração e comparação do que a pequena disparidade que sempre existirá devido a desigualdades de habilidade.</p>
<p>Se, assim, todos esses métodos de extorsão do trabalho se devem a negações da liberdade, o remédio óbvio consiste em sua realização. Destrua o monopólio bancário e estabeleça a liberdade financeira e os juros cairão, por influência benéfica da competição. O capital será liberado, os negócios prosperarão, novos empreendimentos surgirão, o trabalho será demandado e gradualmente os salários subirão até o ponto de igualdade a seu produto. O mesmo vale para os outros monopólios. Acabe com as tarifas, destrua as patentes, derrube as grades e o trabalho rapidamente tomará posse do que é seu. E a humanidade viverá em liberdade e conforto.</p>
<p>É isso que quero ver e em que tanto gosto de pensar. Uma vez que o anarquismo realizará esse estado de coisas, sou um anarquista. Afirmá-lo não é prová-lo, disso eu sei. Porém, o anarquismo não pode ser refutado ela mera negação. Ainda aguardo alguém que me mostre por história, fatos ou lógica que os homens têm desejos sociais superiores à liberdade e à riqueza e que o arquismo é capaz de garantir sua satisfação. Até lá, os fundamentos de meu credo político e econômico permanecerão como colocados neste breve artigo.</p>
<p>* Thaddeus Burr Wakeman (1834-1913) foi um conhecido positivista americano.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
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