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	<title>Center for a Stateless Society &#187; debates eleitorais</title>
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		<title>A estupidez das elites</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Sep 2014 00:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Erick Vasconcelos]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Sérgio Malbergier recentemente escreveu (&#8220;<a href="http://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergiomalbergier/2014/09/1514269-e-a-estupidez-estupido.shtml">É a estupidez, estúpido!</a>&#8220;, Folha de S. Paulo, 11/09) sobre aquilo que, segundo ele, caracteriza a corrida presidencial brasileira deste ano: a ignorância do eleitorado. Malbergier acredita que os candidatos e marketeiros políticos estão tão convencidos da estupidez (Malbergier parece não diferenciar entre <em>estupidez</em> e <em>ignorância</em>) do eleitorado que apostam todas as suas fichas em propostas vazias que ignoram princípios econômicos elementares.</p>
<p>Malbergier está certo, é claro. Os candidatos, não só nesta campanha eleitoral como em qualquer outra em qualquer lugar do planeta, estão plenamente convencidos de que o povo não passa de uma massa de descerebrados que pode ser moldada e manipulada de acordo com seus caprichos. Mas Malgerbier vai mais além e não pretende descrever apenas como os políticos veem a situação; para ele, o povo é, sim, estúpido. Prova disso seria a impopularidade de discussões sobre &#8220;austeridade&#8221; na campanha.</p>
<p>Há uma certa vira-latice nesse diagnóstico, já que em países da Europa a população demonstrou forte oposição aos cortes nos gastos sociais. Deixando de lado questões sobre a relevância de programas de austeridade (afinal, subsídios corporativos são esmagadoramente maiores do que projetos assistenciais), eu pretendo focar na questão mais basilar: o povo é estúpido?</p>
<p>Alguns economistas tendem a utilizar o conceito de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Rational_ignorance">ignorância racional</a> para descrever o comportamento do povo ao votar. Simplesmente não vale a pena para o indivíduo médio se preocupar com questões políticas sobre as quais ele não terá influência palpável. De acordo com essa teoria, o povo votaria mal porque os incentivos para que ele se informe sobre questões sociais relevantes são ruins. Os custos são grandes demais em comparação aos possíveis benefícios em eleições que envolvem de centenas de milhares a milhões de pessoas.</p>
<p>É claro, isso não é por acaso: a democracia representativa é desenhada para mitigar a força das opiniões que vêm de baixo. O sistema é montado de forma a perpetuar a influência da elite política e minimizar mudanças significativas. A democracia representativa apenas garante que haja uma rotatividade entre elites no poder sem violência; antes da democracia ocidental, mudanças no corpo da elite dominante requeriam muito sangue e sofrimento. Isso não significa dizer que o povo não exerça influência sobre o governo, mas implica que essa influência é muito menor do que normalmente se presume. A própria definição do que está sujeito à discussão pública ou do que são as questões sociais mais urgentes é pautada pelas opiniões da elite política.</p>
<p>Contudo, ignorância racional, embora válida, parece ser uma teoria limitada. A população, de maneira geral, apresenta opiniões desinformadas sobre temas políticos e econômicos não porque seja estúpida ou não veja benefícios em conhecer as questões políticas mais de perto, mas porque essas questões jamais se apresentam claramente para o público. Não é apenas “racional” para o povo não se interessar por política; é praticamente sua única opção.</p>
<p>A <em>intelligentsia</em> tende a achar que o povo é incapaz de pensar por si mesmo e que quaisquer mudanças sociais sofrerão resistência do público ignorante. Os candidatos contam com o conservadorismo reativo de grande parte da população para se elegerem. Nenhum dos que lideram as pesquisas presidenciais pretende fazer qualquer mudança relevante em questões frequentes em debates sociais atuais. Aborto, casamento homossexual e liberação das drogas não figuram em seus programas de governo. Mas isso acontece porque essas questões nunca são sujeitas a debates públicos.</p>
<p>É evidente que o povo atualmente vai se manifestar, por exemplo, contra a liberação das drogas; esse é o status quo. As pesquisas de opinião pública que pretendem refletir as posições médias do eleitorado são apenas um espelho do status quo. As instituições atuais existem porque contam com apoio da população. Se a população, de maneira geral, não apoiasse essas instituições, seria difícil que elas resistissem por muito tempo. Logo, dizer que o povo não apoia a liberação das drogas não diz absolutamente nada: a liberação das drogas não foi colocada na pauta da discussão pública.</p>
<p>A real posição da população sobre questões sociais só se apresenta após o debate público, após a disseminação de argumentos contrários e favoráveis, quando as pessoas são socialmente levadas a adotar uma posição refletida sobre os assuntos sociais. Pesquisas políticas não mostram as opiniões refletidas do eleitorado, mas retratam posições impensadas e irrefletidas, que não foram sujeitas ao escrutínio público e que não tiveram que se justificar no debate aberto.</p>
<p>É conveniente para a elite política e intelectual presumir que o povo seja estúpido ou inexoravelmente ignorante, porque assim esses indivíduos conseguem carta branca para continuar a tomar as decisões em nome de todos.</p>
<p>Mas para que o povo deixe de ser ignorante em relação às questões que afetam suas vidas, não basta lamentar. É preciso apresentar os termos do debate de maneira clara. É preciso levar sua opinião em conta.</p>
<p>Os intelectuais e políticos da elite provavelmente não aceitarão argumento. Talvez sejam eles os estúpidos.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=32279&amp;md5=1d1a17112a2ba304c422472983c91b21" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Por que os debates eleitorais são um circo</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Sep 2014 00:00:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Erick Vasconcelos]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Os debates presidenciais televisados novamente são o centro dos comentários no Brasil. E novamente nós nos vemos &#8220;<a href="http://www.bbc.com/news/world-latin-america-28947924">sem vencedor claro</a>&#8221; e pouca ideia de que tipo de discussão assistimos entre os potenciais eleitos. Por que isso acontece?</p>
<p>O jornalismo moderno, uma versão do ideal de Walter Lippman de <a href="http://www.gutenberg.org/cache/epub/6456/pg6456.html">intermediação dos fatos</a> entre o público e as elites, é especialmente adaptado à produção corporativa de notícias e análises. Como <a href="http://libertyzine.blogspot.com.br/2008/10/contra-o-jornalismo-objetivo-kevin.html">observou</a> Kevin Carson, o modelo jornalístico atual requer mínima referência aos fatos, já que os fatos não são independentemente importantes e devem ser avalizados por algum tipo de elite de &#8220;especialistas&#8221;.</p>
<p>Mais que um modelo de geração de conteúdo, o jornalismo praticado atualmente também é um modelo organizacional, já que ele drena o valor do trabalho jornalístico, que fica sem um ponto de referência e passa a se ater às subjetividades das opiniões daqueles que se encontram em posições específicas dentro das instituições sociais e políticas. Quando o trabalho jornalístico é despido de seu conteúdo dessa forma, ele passa apenas a propagar a validade de uma estrutura social, porque é essa estrutura que valida o jornalismo (a cobertura de protestos, por exemplo, só é validada com a opinião de um representante da Polícia Militar; a cobertura das eleições só é validada com a chancela dos representantes dos partidos estabelecidos; e assim por diante).</p>
<p>Assim, quando o jornalista foge desse modelo de produção e busca fontes e fatos independentes da validação dos agentes estabelecidos, ocorre uma sensação de estranhamento. Há uma fuga do que se tem como ideia do papel da imprensa e uma saída do que se internalizou como &#8220;neutralidade&#8221; jornalística. Após recentes entrevistas com os candidatos a presidente no Jornal Nacional, por exemplo, circularam muitas críticas à postura incisiva de William Bonner, que tendeu a não se prender aos assuntos autorizados do &#8220;bom debate político&#8221; (uma das ideias muito disseminadas, atualmente, é que &#8220;se deve discutir as propostas dos candidatos&#8221;, implicitamente presumindo que a própria existência dessas &#8220;propostas&#8221; seja algo desejável ou justificável, dado o histórico dos programas e projetos presidenciais).</p>
<p>Nessa busca pela neutralidade institucional, além disso, ocorre um cenário muito comum nas avaliações dos debates presidenciais que começaram recentemente a ocupar os horários das emissoras de TV. Depois dos debates da Band e do SBT, as análises que rodaram tendiam a não tomar como referência qualquer fato indisputável ou discussão que havia acontecido. Em vez disso, os jornalistas agem como consultores de media training, afirmando que candidato fulano estava &#8220;nervoso&#8221;, ou &#8220;se atrapalhou nas respostas&#8221;, ou &#8220;não mostrou segurança&#8221;, ou &#8220;foi duro&#8221;, ou &#8220;passa a imagem de confiança&#8221;, entre outras banalidades.</p>
<p>Esse tipo de avaliação não requer qualquer recurso aos fatos e implicitamente dá como certa uma passividade do espectador, que é visto como incapaz de avaliar o desempenho de um candidato e o que ele tem a dizer. Se os jornalistas presumissem um espectador ativo, eles passariam sua avaliação direta sobre o conteúdo e a postura dos candidatos; diriam que o candidato se saiu bem, que apresentou suas ideias de forma boa ou ruim, que é o melhor ou o pior entre as opções. Ao contrário, porém, sempre se imagina que existe um espectador ideal médio, que avalia certas atitudes de maneira específica, que se preocupa mais ou menos com trejeitos e discursos particulares.</p>
<p>Os jornalistas nunca dirão sua própria opinião sobre os políticos, com um paradigma ou ideologias claros como ponto de partida, mas vão falar que os candidatos &#8220;foram vistos&#8221; como fortes ou fracos e &#8220;foram considerados&#8221; confiantes ou inseguros. Nunca de seu ponto de vista pessoal, mas sempre do ponto de vista obscuro de um avaliador independente a que ninguém tem acesso — o espectador médio.</p>
<p>O próprio formato dos debates também é questionável: por que é que os candidatos têm qualquer liberdade para eleger temas de que falar? Não é implausível que os próprios políticos saibam o que é mais relevante para o eleitorado? Não seria mais razoável presumir que os postulantes — principalmente a cargos muito altos, que governam milhões de pessoas — estão divorciados das preocupações da população e mais preocupados e manter a própria posição de prestígio?</p>
<p>É por esse motivo que debates eleitorais, embora sejam vistos como excelente entretenimento televisivo (principalmente hoje em dia, quando carregam memes e piadas a reboque em redes sociais), não trazem qualquer conteúdo informativo a respeito da política.</p>
<p>Seu formato é viciado e os jornalistas, que deveriam ser capazes de prover uma avaliação objetiva das discussões, se colocam no lugar de um eleitor imaginário. E os jornalistas não são aqueles que estabelecem quais são as questões importantes a serem discutidas — são os políticos que estipulam os termos do debate, porque o jornalismo em si, da forma como é praticado, não tem validade fora das estruturas sociais existentes.</p>
<p>É por isso que debates eleitorais são um circo.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=31289&amp;md5=d9aa8c46ddced4a980f92e25aa25d446" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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