<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Center for a Stateless Society &#187; crack</title>
	<atom:link href="http://c4ss.org/content/tag/crack/feed" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://c4ss.org</link>
	<description>building public awareness of left-wing market anarchism</description>
	<lastBuildDate>Sat, 24 Jan 2015 03:46:54 +0000</lastBuildDate>
	<language>en-US</language>
		<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
		<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=4.0.1</generator>
	<item>
		<title>O discurso do crack</title>
		<link>http://c4ss.org/content/30298</link>
		<comments>http://c4ss.org/content/30298#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 13 Aug 2014 00:00:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Erick Vasconcelos]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Stateless Embassies]]></category>
		<category><![CDATA[crack]]></category>
		<category><![CDATA[discurso]]></category>
		<category><![CDATA[drogas]]></category>
		<category><![CDATA[guerra às drogas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://c4ss.org/?p=30298</guid>
		<description><![CDATA[Em sua visita ao Brasil, perguntaram ao neurocientista Carl Hart o que ele pensava sobre o termo &#8220;Cracolândia&#8221;. Hart respondeu: &#8220;Com esse nome, nós mostramos para a sociedade como vilanizar certos grupos de pessoas&#8221;. É verdade. Ao falarmos da &#8220;Cracolândia&#8221;, divorciamos a questão de nossa realidade. A Cracolândia passa a ser um mundo separado em...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Em sua visita ao Brasil, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=FFIEtw4PHYw">perguntaram ao neurocientista Carl Hart</a> o que ele pensava sobre o termo &#8220;Cracolândia&#8221;. Hart respondeu: &#8220;Com esse nome, nós mostramos para a sociedade como vilanizar certos grupos de pessoas&#8221;. É verdade. Ao falarmos da &#8220;Cracolândia&#8221;, divorciamos a questão de nossa realidade. A Cracolândia passa a ser um mundo separado em que vigoram regras diferentes da nossa vida ordinária.</p>
<p>A característica distintiva do local passa a ser o fato de ser frequentado por usuários de crack. E o perfil dos usuários de crack já é amplamente conhecido: gente pobre, negra e favelada. Mas a narrativa criada pelo rótulo &#8220;Cracolândia&#8221; não é o de que são pessoas em necessidade, de que são indivíduos inseridos em um sistema com incentivos perversos, de que são peões no meio da troca de tiros entre a PM e o tráfico; a narrativa diz apenas que são &#8220;crackudos&#8221; que precisam ser eliminados.</p>
<p>O nome &#8220;Cracolândia&#8221; também exclui do imaginário coletivo o fato de que, como Hart menciona, as pessoas que frequentam esses locais são, essencialmente, comuns. São frequentemente dependentes de drogas (por isso dignas de compaixão e não de desprezo), mas suas ações, aspirações e relações são essencialmente comuns, desviando muito pouco do normal.</p>
<p>A política pode ser descrita por diversos ângulos, mas me parece ser útil pensar nela como um embate de discursos. E discursos não são apenas formalidades propagandísticas de um determinado modo de pensar. Não são a maneira como um pensamento se arranja no meu texto para atingir o seu entendimento. Discursos, como afirma Michel Foucault, são organizações do conhecimento institucionalizado; ou seja, o discurso necessariamente está relacionado a padrões historicamente estabelecidos de pensar o mundo.</p>
<p>Ao falarmos da Cracolândia, recortamos um aspecto da realidade e elegemos o discurso oposto. Nós reproduzimos e estigmatizamos as pessoas que fazem parte, por um motivo ou por outro, desses espaços. Paramos de lidar com indivíduos e passamos a pensar apenas nos termos de poder, nos termos do governo sobre &#8220;o que fazer&#8221; com as pessoas que estão na Cracolândia, como se houvesse algo particularmente diferente entre as pessoas que estão lá e os miseráveis de outros locais. Ou, como afirma Hart, como se o crack fosse de alguma forma diferente da cocaína, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zTX7880gpZ4">e não simplesmente a mesma droga com o estigma da pobreza</a>.</p>
<p>A Cracolândia, enfim, é só o resultado natural de um combate às drogas cujo discurso pretende rotular todos os usuários de drogas como &#8220;drogados&#8221; ou &#8220;viciados&#8221; e justificar sua marginalização. Quando a sociedade nota que sua tentativa de marginalizar pessoas de fato cria bolsões de pessoas marginalizadas, as pessoas levantam a mãos para o céu e se perguntam &#8220;o que ocorreu de errado?&#8221;, como se o resultado não fosse previsível.</p>
<p>O discurso sobre o crack, como um todo, é desenhado para criar a casta de indesejáveis e de indivíduos fora da discussão racional política. Ou seja, é um discurso para racionalizar a força.</p>
<p>Nesta semana, ganhou força entre grupos liberais e libertários do Brasil o nome do candidato Paulo Batista à Assembleia Legislativa do estado de São Paulo. Propagandeado como alternativa liberal à assembleia estadual, salta aos olhos uma das propostas de Batista que trata do &#8220;combate ao crack&#8221;. Para ele, o governo deve adotar uma política de &#8220;tolerância zero&#8221; em relação a traficantes e consumidores do crack.</p>
<p>Muitos liberais e libertários defendem o candidato afirmando que, afora esse pequeno desvio dos princípios libertários, trata-se de uma ótima opção em nosso cenário político.</p>
<p>É uma pena que posições políticas não sejam todas de igual peso e defender a violência extrema, o encarceramento de certas pessoas e a higienização de locais específicos da cidade seja uma ideia absolutamente desprezível, não importa se você defende a redução dos impostos para materiais de construção.</p>
<p>Paulo Batista e os libertários que fazem pouco caso de sua posição sobre o crack pensam estar sendo oposição efetiva e sem utopias no contexto político. Mas estão apenas papagaiando o discurso do poder.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=30298&amp;md5=b7402081272e23925ce89236f4c67eb2" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://c4ss.org/content/30298/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		<atom:link rel="payment" title="Flattr this!" href="https://flattr.com/submit/auto?user_id=c4ss&amp;popout=1&amp;url=http%3A%2F%2Fc4ss.org%2Fcontent%2F30298&amp;language=en_GB&amp;category=text&amp;title=O+discurso+do+crack&amp;description=Em+sua+visita+ao+Brasil%2C+perguntaram+ao+neurocientista+Carl+Hart+o+que+ele+pensava+sobre+o+termo+%26%238220%3BCracol%C3%A2ndia%26%238221%3B.+Hart+respondeu%3A+%26%238220%3BCom+esse+nome%2C+n%C3%B3s+mostramos+para+a+sociedade+como+vilanizar...&amp;tags=crack%2Cdiscurso%2Cdrogas%2Cguerra+%C3%A0s+drogas%2Cblog" type="text/html" />
	</item>
	</channel>
</rss>
