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	<title>Center for a Stateless Society &#187; competitividade</title>
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	<description>building public awareness of left-wing market anarchism</description>
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		<title>A individualização dos problemas trabalhistas</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Aug 2014 00:00:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Erick Vasconcelos]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Lysander Spooner termina seu panfleto <em><a href="http://libertyzine.blogspot.com.br/2007/07/vcios-no-so-crimes-lysander-spooner.html">Vícios não são crimes</a></em>, de 1875, da seguinte maneira:</p>
<blockquote><p>&#8220;[A] pobreza de grande parte da humanidade, em todo o mundo, é o grande problema mundial. Que essa extrema e quase universal pobreza exista em todo o mundo, e que tenha existido durante todas as gerações passadas, prova que ela se origina em causas as quais a natureza humana comum daqueles que sofrem com ela não foi até hoje capaz de superar. Mas os que sofrem estão, ao menos, começando a ver essas causas e decidindo-se por eliminá-las, custe o que custar. E aqueles que imaginam que não têm nada a fazer além de atribuir a pobreza das pessoas a seus vícios, e repreendê-las por isso, então despertarão para o dia em que toda essa conversa estará no passado. E a questão então não mais será quais são os vícios dos homens, mas quais são seus direitos?&#8221;</p></blockquote>
<p>Spooner combatia o ímpeto puritano de culpar os pobres por sua situação de exclusão. Não eram os vícios individuais que causavam a pobreza generalizada e sistêmica, para ele; se a pobreza era tão geral, ela tinha que ter causas que transcendiam o individual.</p>
<p>A tendência a individualizar os problemas sociais pode soar como uma das pseudoexplicações sociais típicas do século 19, mas é uma ideia que não morreu. <a href="http://c4ss.org/content/29883">Como já escrevi anteriormente</a>, o pensamento de que os indivíduos são responsáveis pela própria situação de desemprego por falta de qualificação é moeda corrente no governo, em empresas e sindicatos.</p>
<p>O discurso da qualificação para o &#8220;mercado de trabalho&#8221; toma a estrutura existente de produção e de emprego como dados e, se os trabalhadores não conseguem se inserir nessa estrutura, o problema é a falta de iniciativa individual. Esse discurso, naturalmente, nunca aparece de maneira destilada, mas é o substrato de muitas das defesas de cursos de capacitação e na lembrança permanente de que há &#8220;vagas de trabalho abertas&#8221;, mas não há pessoas qualificadas o suficiente para preenchê-las.</p>
<p>Paralelamente, a ideia que se desenvolve é a de que o mercado de trabalho está cada vez mais competitivo e os trabalhadores devem se adaptar a ele. Essa &#8220;educação para a competitividade&#8221; ocorre em todos os pontos de geração de discurso. Faculdades e cursos técnicos se beneficiam dessa técnica para mostrar que suas aulas preparam o aluno para um ambiente em que os empregos são escassos e o trabalhador é substituível, a não ser que tome atitudes drásticas para contrabalançar sua inaptidão econômica.</p>
<p>É claro que essa ideia tem fundamento na economia real.</p>
<p>A superespecialização do trabalho é um dos efeitos colaterais da concentração corporativa. Os subsídios às grandes empresas e o favorecimento de alguns agentes através da regulamentação do mercado (muito comum nos últimos 10 anos no Brasil) estendem a cadeia de produção e favorecem a aplicação de capital na produção. Esse aumento da cadeia de produção faz com que as firmas se tornem maiores e menos especializadas. Para preencher postos de trabalho específicos dentro da cadeia de produção, porém, os trabalhadores devem se tornar mais especializados.</p>
<p>Portanto, os trabalhadores são obrigados a se diferenciar cada vez mais porque os empregos de baixa especialização são artificialmente desvalorizados pelos subsídios corporativos, que substitui o trabalho por capital. E as grandes empresas externalizam os custos de treinamento e &#8220;profissionalização&#8221;, terceirizando essas funções para o governo e para os sindicatos.</p>
<p>Essa dinâmica combinada com o aparato regulatório (salário mínimo, pisos e tetos profissionais, regulamentações trabalhistas que confiscam a poupança dos empregados, regulamentações urbanas, proibição ao comércio de rua, regulamentações de manufaturas caseiras, monopólios de transporte público, etc) sistematicamente age para concentrar o mercado, favorecer certos modos produtivos estabelecidos e criminalizar a pobreza, além de tornar a autossuficiência cada vez menos atraente.</p>
<p>Daí, claro, do lado do trabalho a &#8220;competitividade&#8221; tem viés sempre ascendente na economia corporativa, enquanto a competitividade do lado das empresas (as estabelecidas, lógico) estacionou em um nível confortável.</p>
<p>Os discursos de qualificação profissional e competitividade no mercado de trabalho são racionalizações da economia corporativa. São a individualização dos problemas trabalhistas e a culpabilização do trabalhador pela sua situação desfavorável na mesa de negociação.</p>
<p>Não é por vícios e inadequação individuais que as pessoas acabam sem empregos. E a tentativa de moldar o debate nesses termos só desvia o assunto da real questão, como lembrava Spooner: não devemos nos perguntar quais são as insuficiências das pessoas, mas, sim, quais são seus direitos?</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=30074&amp;md5=8a5e6cb283d19c13f9e021adb84a5451" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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