<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Center for a Stateless Society &#187; carteira de identidade</title>
	<atom:link href="http://c4ss.org/content/tag/carteira-de-identidade/feed" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://c4ss.org</link>
	<description>building public awareness of left-wing market anarchism</description>
	<lastBuildDate>Sat, 24 Jan 2015 03:46:54 +0000</lastBuildDate>
	<language>en-US</language>
		<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
		<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=4.0.1</generator>
	<item>
		<title>Sua identidade de gênero não pertence ao estado</title>
		<link>http://c4ss.org/content/29519</link>
		<comments>http://c4ss.org/content/29519#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 22 Jul 2014 01:42:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Valdenor Júnior]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Stateless Embassies]]></category>
		<category><![CDATA[carteira de identidade]]></category>
		<category><![CDATA[gênero]]></category>
		<category><![CDATA[identidade de gênero]]></category>
		<category><![CDATA[nome civil]]></category>
		<category><![CDATA[nome social]]></category>
		<category><![CDATA[privacidade]]></category>
		<category><![CDATA[transexuais]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://c4ss.org/?p=29519</guid>
		<description><![CDATA[A identidade de gênero de grande parte da população não causa nenhum espanto durante a interação social, uma vez que corresponde ao seu sexo biológico. Mas não devemos esquecer a batalha dos transexuais pelo direito de autodeterminação de sua identidade de gênero. Nem sempre a identidade de gênero de uma pessoa corresponde ao sexo biológico....]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A identidade de gênero de grande parte da população não causa nenhum espanto durante a interação social, uma vez que corresponde ao seu sexo biológico. Mas não devemos esquecer a batalha dos transexuais pelo direito de autodeterminação de sua identidade de gênero.</p>
<p>Nem sempre a identidade de gênero de uma pessoa corresponde ao sexo biológico. Isso significa, por exemplo, que a pessoa se percebe enquanto mulher, mas seu sexo biológico é o masculino, e vice-versa.</p>
<p>A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (<a href="http://www.abglt.org.br">ABGLT</a>) define identidade de gênero da seguinte forma:</p>
<blockquote><p>“[Uma] experiência interna e individual do gênero de cada pessoa, que pode ou não corresponder ao sexo atribuído no nascimento, incluindo o senso pessoal do corpo (que pode envolver, por livre escolha, modificação da aparência ou função corporal por meios médicos, cirúrgicos e outros) e outras expressões de gênero, inclusive vestimenta, modo de falar e maneirismos. Identidade de gênero é a percepção que uma pessoa tem de si como sendo do gênero masculino, feminino ou de alguma combinação dos dois, independente de sexo biológico.”</p></blockquote>
<p>Essa falta de correspondência entre identidade de gênero e sexo biológico não deve ser vista como uma doença, para a qual certo paternalismo médico recomendaria uma necessária retificação: trata-se de mais uma dimensão da diversidade sexual humana. Nem a homossexualidade, nem a transexualidade devem ser eliminadas da experiência humana; são expressões importantes da liberdade individual e da vida íntima.</p>
<p>Apesar do caráter íntimo e privado da identidade de gênero, o estado insiste em tornar isso uma questão pública através da carteira de identidade e das regulamentações do nome civil.</p>
<p>O nome civil no Brasil é aquele usado na carteira de identidade, conforme a certidão de nascimento individual. Sua alteração depende de procedimentos burocráticos, com base em rol restrito de justificativas.</p>
<p>Isso cria um problema para transexuais: seu nome civil, registrado na carteira de identidade, não reflete sua identidade de gênero. A consequência é o constrangimento de não poder controlar a própria expressão individual de gênero em suas interações sociais, uma vez que o nome civil registrado induz às pessoas a tratá-los conforme uma concepção de gênero com a qual não se identificam.</p>
<p>Por isso, no Brasil, um caminho encontrado tem sido o da regulação estadual do chamado “nome social”, ou seja, o nome pelo qual a pessoa prefere ser denominada em suas interações com as outras, e que permite ter maior controle sobre sua própria expressão de gênero. Assim, emite-se outra carteira (estadual, não federal) para a pessoa, onde conste seu nome social. É uma forma de resolver parcialmente um problema criado pela legislação federal.</p>
<p>Mas é preciso questionar seriamente se o estado tem legitimidade para <a href="http://publicreason.net/wp-content/PPPS/Fall2008/LShrage4.pdf">reivindicar conhecimento sobre o sexo das pessoas</a>. Esse poder do estado tem sido uma forma de privar os transexuais seus direitos civis, ao negar reconhecimento legal à sua condição diferenciada ou só concedê-lo sob a condição da realização de “cirurgias de mudança de sexo”, como se toda pessoa trans fosse obrigada a mudar seu corpo para <a href="http://bleedingheartlibertarians.com/2012/05/gender-rights/">expressar seu gênero</a>.</p>
<p>Essa privação de direitos civis também ocorre porque o estado se arroga do direito de registrar todos os seus cidadãos com documentos de identificação obrigatórios, que servem ao propósito de aumentar a vigilância e controle sobre todos.</p>
<p>Como <a href="http://c4ss.org/content/26465">Erick Vasconcelos</a> já comentou, o Brasil chega mesmo a um &#8220;totalitarismo da identificação&#8221;, onde se empilham os pretextos para justificar mais cadastros com mais informações, sem nenhuma contrapartida de instituições públicas mais transparentes.</p>
<p>Assim, uma importante bandeira libertária contra esses desenvolvimentos de um estado cada vez maior e com mais informações sobre as pessoas (obtidas por meio da coerção) é a da proteção da privacidade individual, que inclui o controle sobre a expressão pública da identidade de gênero por transexuais.</p>
<p>Então, o que o Brasil deveria fazer? Um bom passo seria imitar a Argentina, com sua <a href="https://www.youtube.com/watch?v=7PXyaE3d5N0">Lei de Identidade de Gênero</a>, que garante aos transexuais o direito à <a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/05/congresso-da-argentina-aprova-lei-de-identidade-de-genero.html">autodeterminação de seu gênero</a>, inclusive possibilitando a retificação dos registros governamentais.</p>
<p>O <a href="http://www.camara.gov.br/sileg/integras/1059446.pdf">Projeto de Lei João W. Nery</a>, em tramitação no Congresso, de fato é inspirado na lei argentina e sua aprovação seria um passo interessante rumo à liberdade.</p>
<p><span style="color: #3e454c;">Esse é apenas um pequeno passo, porém. Trata apenas um dos sintomas da injustiça com os transexuais, mas não sua causa, e, por isso, a luta por mais liberdade para as minorias deve prosseguir com a exigência de completa privacidade para toda pessoa. O estado não deve poder forçar as pessoas a possuírem identidades obrigatórias.</span></p>
<p><span style="color: #3e454c;">A identificação obrigatória, de fato, torna mais fácil para o estado perseguir pessoas específicas que não possuem documentos. Os imigrantes, tanto no Brasil quanto nos EUA, têm grande possibilidade de deportação – e isso é ainda mais verdadeiro no caso de grupos minoritários discriminados como os transgênero.</span></p>
<p><span style="color: #3e454c;">Há, assim, uma preocupação interseccional aqui: a identificação obrigatória coloca pessoas que já são discriminadas no centro das atenções e, por isso, tanto pela liberdade de movimento quanto pela autodeterminação de gênero, devemos acabar com ela.</span></p>
<p>Logo, precisamos devolver aos transexuais a capacidade de determinar seu próprio gênero, e de não serem prejudicados nisso por qualquer barreira legal, uma vez que sua privacidade, intimidade e sexualidade não pertencem ao Estado, mas apenas a si mesmos. A carteira de identidade não pode ser um obstáculo à identidade de gênero.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=29519&amp;md5=8e096bc71877367d2e47446595cdb244" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://c4ss.org/content/29519/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		<atom:link rel="payment" title="Flattr this!" href="https://flattr.com/submit/auto?user_id=c4ss&amp;popout=1&amp;url=http%3A%2F%2Fc4ss.org%2Fcontent%2F29519&amp;language=en_GB&amp;category=text&amp;title=Sua+identidade+de+g%C3%AAnero+n%C3%A3o+pertence+ao+estado&amp;description=A+identidade+de+g%C3%AAnero+de+grande+parte+da+popula%C3%A7%C3%A3o+n%C3%A3o+causa+nenhum+espanto+durante+a+intera%C3%A7%C3%A3o+social%2C+uma+vez+que+corresponde+ao+seu+sexo+biol%C3%B3gico.+Mas+n%C3%A3o+devemos+esquecer+a...&amp;tags=carteira+de+identidade%2Cg%C3%AAnero%2Cidentidade+de+g%C3%AAnero%2Cnome+civil%2Cnome+social%2Cprivacidade%2Ctransexuais%2Cblog" type="text/html" />
	</item>
	</channel>
</rss>
