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	<title>Center for a Stateless Society &#187; brutalidade policial</title>
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		<title>A greve dos policiais de Nova York expõe suas narrativas vazias</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jan 2015 23:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Ryan Calhoun]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Boas notícias, pessoal! A polícia de Nova York entrou em greve! Na última semana, as prisões caíram 66% em relação às expectativas anuais, enquanto contravenções de trânsito caíram 94%. Como resultado, Nova York não entrou em uma onda de caos e desordem. As pessoas não foram executadas nas ruas. A sociedade não entrou em colapso....]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Boas notícias, pessoal! A polícia de Nova York entrou em greve! Na última semana, as prisões caíram 66% em relação às expectativas anuais, enquanto contravenções de trânsito caíram 94%. Como resultado, Nova York não entrou em uma onda de caos e desordem. As pessoas não foram executadas nas ruas. A sociedade não entrou em colapso.</p>
<p>Esse é um grande problema de relações públicas para as instituições policiais em todo o país. Se um declínio drástico dos trabalhos policiais não resultou na fantástica desordem prevista pelos apologistas da polícia, por que mantê-la em existência? O Departamento de Polícia de Nova York (NYPD) aplicou milhares de multas de trânsito a menos e no entanto as ruas já congestionadas não viram qualquer aumento em acidentes.</p>
<p>A mensagem passada por essa greve parcial está clara. Os cidadãos não precisam da polícia, mas a polícia precisa deles. Os policiais precisam das pessoas, para que devem ser obedeçam, sejam revistadas, extorquidas, para que não resistam. As atividades diárias dos policiais, que brevemente se apaziguaram, existem para benefício deles, não do seu. Com 66% menos prisões, com a recusa dos policiais em perseguir crimes sem apoio excessivo, é de se pensar que os crimes estariam tomando as ruas. Mas onde estão eles? Onde estão esses criminosos freelancers de que os criminosos empregados precisam nos proteger?</p>
<p>Se tudo isso continuar, o povo de Nova York se deparará com uma verdade que já se tornou um truísmo entre os libertários: a lei cria a criminalidade. Assim que as prisões cessam e assim que a desordem e a violência fabricadas deixam de existir, nós percebemos quão poucos criminosos realmente existem. Aqueles que realmente nos ameaçam podem ser combatidos pela vontade coletiva das comunidades que ameaçam.</p>
<p>Ismaaiyl Brinsley (o assassino dos dois policiais novaiorquinos que levou à greve em Nova York) era notoriamente imprudente, armado não para preservar a justiça, mas para ferir os alvos mais oportunos. Contudo, esse não será seu legado. A consequência de suas ações naquele dia pode ter sido brutal e terrível, mas trouxeram consigo uma oportunidade. Elas deram início a uma batalha política que borbulhava por baixo da superfície. Agora aparentemente a prefeitura e o Departamento de Polícia temtam se devorar em uma batalha sem sentido. A polícia teme o surgimento de um novo Brinsley, de outro incontrolável e imprevisível ato de violência. Estão nervosos e com medo. Devemos ver este momento como a hora de expor o sistema de criminalização como aquilo que ele de fato é: como um meio de extorquir a população em benefício do NYPD e do prefeito Bill De Blasio.</p>
<p>A polícia cria um ambiente de perigo para nós, não o contrário. Será sempre mais perigoso ser um cidadão num estado policial que um agente da lei. Mesmo assim, a polícia recua ao primeiro sinal de que nem tudo vai bem, de que as pessoas talvez não estejam a seu lado, que a proteção de que desfrutam talvez seja apenas uma ilusão social. Os policiais também têm sangue correndo nas veias e é hora de mostramos a eles. Nesta semana, milhares de pessoas em Nova York não foram agredidas e sequestradas ao bel prazer dos trogloditas uniformizados. Milhões em bens roubados ficaram fora do alcance do estado por conta do medo e da sensação de autoimportância de seus agentes.</p>
<p>Lembre-se de que estas circunstâncias não devem durar. O prefeito e a polícia chegarão a um equilíbrio, percebendo que seus interesses de classe são maiores que os benefícios de seus ressentimentos políticos. O sistema não se consumirá por inteiro tão cedo. São os novaiorquinos e todos os outros indivíduos em cidades ocupadas no mundo que devem perceber a farsa das narrativas oferecidas por este sistema de poder. Quando a polícia recua, essas narrativas são expostas. Quando a polícia não está livre das consequências de seu trabalho, quando a violência é revidada com força igual em vez de timidez, quando as pessoas percebem que suas comunidades são sua própria responsabilidade, o estado policial recuará.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=34819&amp;md5=13d3b9f5222536dc784c0806b6474231" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Servir e proteger? Não, odiar e temer</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Dec 2014 23:00:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Kevin Carson]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[A recente trajetória de eventos que levou à morte dos oficiais da polícia de Nova York Wenjian Liu e Rafael Ramos e a reação nacional da classe policial deixaram mais claro que nunca como a polícia se sente em relação ao público que supostamente serve e protege: têm muito medo. Por mais de vinte anos,...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A recente trajetória de eventos que levou à <a href="http://oglobo.globo.com/mundo/homem-mata-dois-policiais-em-nova-york-em-possivel-vinganca-contra-morte-de-negros-14890280">morte dos oficiais da polícia de Nova York Wenjian Liu e Rafael Ramos</a> e a <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/201284-policiais-culpam-prefeito-de-ny-por-morte-de-2-agentes.shtml">reação nacional da classe policial</a> deixaram mais claro que nunca como a polícia se sente em relação ao público que supostamente serve e protege: têm muito medo. Por mais de vinte anos, o combate às drogas e a militarização policial estimularam uma tendência crescente da polícia urbana a enxergar as populações policiadas como áreas inimigas ocupadas. No livro de Radley Balko <em>Rise of the Warrior Cop</em> (&#8220;A ascensão do policial guerreiro&#8221;, em tradução livre para o português), eles admitem parar e sair de suas viaturas aleatoriamente em bairros não-brancos somente para mostrar força e lembrar aos residentes intimidados quem é que manda. E graças à proliferação de esquadrões da SWAT (estabelecidos originalmente somente para situações raras, como a libertação de reféns) mesmo em cidades pequenas e ao enorme fluxo de equipamentos militares a forças policiais de locais como Ferguson, essa atitude hostil e amedrontada em relação à população local chegou aos subúrbios americanos.</p>
<p>Enquanto isso, a cultura interna da polícia vem assumindo os mesmos tons paranoicos que fizeram com que <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_M%E1%BB%B9_Lai">o tenente Callen e seus homens massacrassem a população de Mỹ Lai</a>. Desde os anos 1980, os policiais descrevem seus trabalhos com a mesma retórica militarista da Guerra do Vietnã. Mas essas autopercepções estão totalmente divorciadas da realidade. Os soldados no Vietnã de fato estavam sujeitos a um grande risco de morte. No caso dos policiais, porém, suas mortes em serviço caem ano após ano há décadas. O trabalho policial é o décimo mais perigoso (<a href="http://www.premierhandling.com/latest-news/most-dangerous-american-jobs/">os dois mais perigosos são a exploração madeireira e a pesca</a>); a coleta de lixo é mais perigosa que ser um policial.</p>
<p>Essa autoimagem conflituosa é norma na polícia há mais de vinte anos. Mais recentemente, a polícia se ressente cada vez mais do fato de que as filmagens de suas ações e as críticas que recebem (como após a perseguição dos acampamentos do movimento Occupy) impedem que eles exerçam sua autoridade como antes. Porém, a cultura policial entrou em estado de pânico em resposta aos protestos contra a morte de Michael Brown, em Ferguson, e às campanhas nacionais #WeCantBreathe e #BlackLivesMatter após os vereditos que inocentaram os policiais responsáveis pelas mortes de Brown e Eric Garner.</p>
<p>Em fóruns policiais, os oficiais se sentem livres para admitir como eles de fato nos enxergam: um bando de ingratos chorões, mimados demais para perceber que quem veste o uniforme azul os protege do caos. Virtualmente todas as pessoas não-brancas mortas por um policial são tratadas por adjetivos como &#8220;criminosos&#8221; ou &#8220;bandidos&#8221;. Os apologistas da polícia trabalham rapidamente para encontrar sujeira que caia no colo das vítimas. Eles retratam as vítimas com os termos mais bestiais, estereotipados e ameaçadores dos homens negros (têm fixação pela altura do garoto de 12 anos Tamir Rice, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/11/141124_eua_menino_arma_lk">morto em novembro</a>, e descrevem Michael Brown como um jogador de futebol fisicamente enorme que grunhia como um animal).</p>
<p>Poul Anderson escreveu certa vez que o governo é a única instituição que tem o direito de matar uma pessoa por desobedecê-lo. Isso fica claro no caso da polícia. Um porta-voz da polícia disse abertamente que, se você não deseja ser morto, obedeça às ordens da polícia sem questionar (como se isso fosse garantia suficiente, considerando que pessoas que em convulsão ou coma diabético já foram mortas por &#8220;resistirem à prisão&#8221;). Entre a população, a frase &#8220;Não resista! Não resista!&#8221; virou piada, mas mesmo a polícia acha graça do fato de que eles podem matar sem repercussões (por exemplo, as camisetas &#8220;<a href="http://boingboing.net/2008/10/01/denver-police-union.html">We Show Up Early to Beat the Crowds</a>&#8220;, vendidas pelo sindicato policial de Denver).</p>
<p>Para a polícia, qualquer crítica, mesmo a sugestão de que a polícia às vezes possa agir com força excessiva ou de acordo com o perfil racial de alguém é vista como uma ameaça existencial. Os mesmos fóruns mencionados acima estavam cheios de reclamações de que os protestos contra os vereditos dos casos Brown e Garner estavam &#8220;abrindo a temporada de caça&#8221; aos policiais. O sindicato dos policiais de Nova York avisou ao prefeito Bill de Blasio, <a href="http://oglobo.globo.com/mundo/bill-de-blasio-vive-sua-maior-crise-e-acusado-de-nao-apoiar-policiais-14899816">depois de ele advertir seu filho mestiço a ser especialmente cuidadoso perto de policiais</a>, que ele <a href="http://nypost.com/2014/12/12/cops-to-de-blasio-stay-away-from-our-funerals/">não seria bem-vindo a funerais de oficiais</a>.</p>
<p>A paranoia policial chegou ao ponto de ebulição com os protestos após a morte de Michael Brown e os vereditos; a morte de Liu e Ramos fez com que ela se tornasse explosiva. Emails internos do Departamento de Polícia de Nova York acusaram De Blasio de ter &#8220;sangue em suas mãos&#8221; por suas observações e afirmava que os manifestantes eram cúmplices. Policiais em todos os Estados Unidos ecoam esses sentimentos.</p>
<p>Ou seja, os policiais culpam a todos pela hostilidade que levou às mortes de Liu e Ramos, exceto a si mesmos. Os policiais são profissionais no jogo do vitimismo.</p>
<p>O Departamento de Polícia de Nova York se considera agora em estado de guerra. Os policiais fazem patrulha apenas em pares, entregando mandados e convocações somente quando absolutamente necessário para fazer uma prisão. Depois de décadas afirmando quão inconcebivelmente perigoso seu trabalho é, a polícia novaiorquina responde a duas mortes em serviços em uma tropa de milhares &#8212; as primeiras mortes em <em>três anos</em> &#8212; como se fosse Pearl Harbor. Isso diz muito sobre quão privilegiados e abusivos os policiais são.</p>
<p>Nós podemos presumir com segurança que, se os policiais de Nova York minimizarem suas interações com a população ao mínimo necessário, os crimes perpetrados pelo público e pelos policiais só diminuirão. Talvez eles possam entrar em greve também &#8212; outro fenômeno historicamente associado a quedas drásticas no índice de criminalidade. É um jeito bom de tirar criminosos das ruas.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=34522&amp;md5=8383bb73c04937f51c25420bfc604dfd" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Cláudia Silva Ferreira foi regra, não exceção</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Mar 2014 19:00:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Erick Vasconcelos]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>O crime de Cláudia Silva Ferreira, no último dia 16, foi morar no lugar errado e ter a cor de pele errada. Saía para comprar R$ 3 de pão e R$ 3 de mortadela com um copo de café à mão. Os policiais acharam por bem não arriscar. Nunca se sabe quão letal pode ser um copo de café na mão de uma mulher negra, pobre e moradora da periferia. Deram dois tiros na faxineira, que já a deixaram estendida no chão, tórax perfurado. Foi carregada até a viatura policial na qual seria levada para o hospital. Os bancos traseiros estavam cheios de armamentos, então não podiam receber um corpo ferido – a polícia deve ter prioridades. Foi colocada no porta-malas, que abriu no trajeto. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=lsALsX84HIA">Seu corpo ficou preso no para-choque e foi arrastada por cerca de 350 metros pelo asfalto até ser empurrada de volta para dentro do carro</a>. Ela morreu.</p>
<p>A Polícia Militar negou o que os moradores do Morro da Congonha, em Madureira, subúrbio do Rio, viram. Segundo a PM, Cláudia foi encontrada já baleada. Na mesma operação, a PM matou um suposto traficante, feriu e prendeu outro e apreendeu quatro pistolas, rádios e drogas. Talvez tenham pensado que valeu a pena, afinal são as drogas que destroem famílias.</p>
<p>Se não existissem as drogas, a Polícia Militar não teria sido obrigada a subir o morro, não teria se deparado com a imagem ameaçadora e violenta de uma mulher negra de 38 anos com um copo de café nas mãos, não teria sido obrigada a disparar dois tiros em sua direção, nem tido o incômodo de carregar um corpo para dentro de uma viatura para ser conduzido ao hospital. Mas as drogas continuam destruindo famílias. A própria Cláudia criava 8 crianças em sua casa, 4 filhos e 4 sobrinhos. Por causa das drogas, sua família foi desfigurada.</p>
<p>E como exigir que militares prestem socorro a uma mulher ferida? Eles são militares por um motivo. São chamados &#8220;soldados&#8221; (os policiais envolvidos na operação, especificamente, eram dois subtenentes e um sargento) e são enviados para uma guerra. A ideia de proteção é completamente alheia a uma organização militar e a PM prova isso a cada dia em que invade uma favela e vê os moradores apenas como potenciais danos colaterais ao invés de vidas a serem protegidas.</p>
<p>Dos envolvidos, desde 2000, o subtenente Adir Serrano Machado, o mais eficiente de todos, já esteve envolvido em 57 ações que sofreram resistência, com 63 mortos. O subtenente Rodney Miguel Archanjo foi um pouco mais comedido, envolvendo-se em 5 ocorrências, com 6 mortos. O sargento Alex Sandro da Silva Alves, por outro lado, debutou no domingo em que Cláudia foi baleada, seu primeiro auto de resistência.</p>
<p>Dados esses fatos, fica claro que uma desmilitarização debilitaria demais a força da polícia, impossibilitando qualquer tipo de combate ao crime. Se queremos que alguém suba nos morros para apreender malotes de cocaína e maconha, temos que ter soldados.</p>
<p>Mas será que é mesmo isso que queremos?</p>
<p>Porque soa bem na propaganda eleitoral dizer que o policiamento nas favelas aumentou e que o combate as drogas foi intensificado. Mas o que isso significa de fato é que centenas de Cláudias Silvas Ferreiras vão continuar a morrer. Porque o único jeito de manter o asfalto seguro e ilusoriamente sem drogas é baleando gente inocente no morro.</p>
<p>Continuar a pensar que a brutalidade policial é uma exceção não vai nos levar a lugar nenhum. A violência da polícia brasileira é institucionalizada e necessária para as políticas do governo. Não é possível controlar o comércio de drogas sem o uso brutal da força por parte da polícia. Ao mesmo tempo, a luta contra o tráfico é necessária para manter a legitimidade do estado, que deve sempre se empenhar no combate ao &#8220;crime&#8221;. Com as atuais políticas de drogas, não há nenhuma possibilidade de acabar com a violência policial, porque sem ela o estado não conseguiria afirmar sua força.</p>
<p>Por ora, a PM poderia publicar um panfleto com atividades suspeitas que os cidadãos honestos devem evitar, como ser negro e andar com um copo de café na mão numa favela.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=25680&amp;md5=8b72fbc62da74e6f6cafc43f6e9daff0" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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