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	<title>Center for a Stateless Society &#187; ativismo</title>
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		<title>Bibliotecas de sementes: A lei é o problema; contorne-a</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Aug 2014 00:00:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Kevin Carson]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente foi viralizada a matéria sobre as ameaças do Departamento de Agricultura do estado da Pennsylvania, nos EUA, contra uma biblioteca de sementes de Mechanicsburg, sob alegações de que ela violava as regulamentações contra o &#8220;agroterrorismo&#8221;. Para obedecer às regulamentações, a biblioteca teria que se limitar à distribuição de sementes compradas em lojas e não distribuir quaisquer sementes que sobrassem de anos anteriores. Quem estipulou essas regulamentações, a Monsanto? A história destacava a óbvia simbiose entre os departamentos de agricultura e o agronegócio, que estabeleceram um monopólio corporativo sobre nossa cadeia produtiva de alimentos.</p>
<p>Porém, ao que parece, a batalha nem sempre é vencida pelo mais forte. Davi ainda tem algumas pedras em seu arsenal. Em um artigo publicado pelo Shareable (&#8220;<a href="http://www.shareable.net/blog/setting-the-record-straight-on-the-legality-of-seed-libraries">Setting the Record Straight on the Legality of Seed Libraries</a>&#8220;, Aug. 11), Neal Gorenflo, o <a href="http://www.shareable.net/users/sustainable-economies-law-center">Sustainable Economies Law Center</a> e o <a href="http://www.shareable.net/users/center-for-a-new-american-dream">Center for a New American Dream</a> relatam sua impressionante investigação legal sobre a interpretação judicial de estatutos e regulamentos similares em todo o país e mostram que há potencial significativo para a exploração de brechas legais.</p>
<p><a href="http://c4ss.org/content/5845">Eu tendo a argumentar</a>, junto com meu companheiro de C4SS <a href="http://radgeek.com/gt/2009/02/07/countereconomic_optimism/">Charles Johnson</a>, que um grama de fuga da lei vale um quilo de trabalho dentro do sistema para mudá-la.</p>
<blockquote><p>&#8220;Se você coloca todas as suas expectativas de mudança social na reforma legal (&#8230;), você perceberá que está sempre um passo atrás daqueles com bolsos mais cheios, maior acesso à mídia e melhores conexões. Não há esperança de voltar o sistema contra eles, porque, afinal, o sistema foi feito por eles e para eles. Campanhas políticas reformistas inevitavelmente sugam muito tempo e dinheiro para dentro da política sem resultar em reformas significativas.&#8221;</p></blockquote>
<p>Pode-se conseguir muito mais, segundo ele, a um custo muito menor, &#8220;pelo contorno das leis, tornando-as irrelevantes à sua vida&#8221;.</p>
<p>O lobby contra as leis draconianas de copyright como as do capítulo de propriedade intelectual da Parceria Trans-Pacífico e do ACTA foi bastante positivo, mas a criptografia, proxies e melhorias na tecnologia de compartilhamento de arquivos alcançaram muito mais resultados práticos. Antes mesmo de o ACTA ser votado, várias extensões para o Firefox estavam disponíveis para simplesmente contornar nomes de domínio tomados pelo governo federal, indo direto para o endereço de IP numérico. É assim que as pessoas têm acesso aos vários sites e mirrors do Wikileaks em todo o mundo.</p>
<p>Em outras palavras, parafraseando uma famosa citação, trate a lei como dano e contorne-a.</p>
<p>Mas às vezes a melhor forma de alcançar um objetivo é utilizando a própria lei como arma. Os wobblies (trabalhadores sindicalizados da Industrial Workers of the World) e outros sindicatos radicais têm um nome para isso: &#8220;work-to-rule&#8221;. Considerando a estupidez do processo de estabelecimento de regras em hierarquias autoritárias, não há forma mais eficiente de sabotar toda uma organização do que obedecer as regras do ambiente de trabalho literalmente. O mesmo se aplica às leis e regulamentações estatais. Uma lei pode ter sido passada com o objetivo óbvio de proteger as empresas de sementes capitalistas da competição livre e aberta. Apesar de seu objetivo, porém, quando uma política é colocada em vigor, ela é limitada por seu próprio texto. Como o homem-marshmallow Stay Puft nos Caça-Fantasmas, o destruidor está sujeito às limitações da forma em que está incorporado.</p>
<p>E como os autores da pesquisa afirmam, o texto e as interpretações jurídicas subsequentes sobre regulamentações de sementes nos Estados Unidos são bastante convenientes. Se interpretadas literalmente, as regras se aplicam no máximo, à distribuição de sementes através de vendas comerciais, trocas ou escambo — isto é, quando uma troca recíproca de valor por valor ocorreu envolvendo um contrato implícito ou explícito. Embora aqueles que pegam sementes da biblioteca de Mechanicsburg sejam estimulados a devolvê-las mais tarde quando seus cultivos derem novas sementes, para perpetuara a biblioteca, não há obrigação contratual de fazê-lo. O único requisito das distribuições de sementes como a da Pennsylvânia é o pagamento de uma taxa de licenciamento de US$ 25. Os autores sugerem que a biblioteca de sementes pode simplesmente fazer isso, continuando a operar como antes e aguardando as próximas ações do estado (sem dúvida incentivadas pelas empresas de sementes). E, se o estado agir, nós vemos mais tarde o que acontece quando ele for testado nos tribunais.</p>
<p>(O Shareable criou um <a href="https://hackpad.com/ep/group/BdawSUkxAQE">Hackpad</a> aberto para aqueles que desejem compartilhar os resultados de suas pesquisas sobre regulamentações estaduais de sementes, inclusive.)</p>
<p>É claro, se isso não funcionar e os tribunais novamente protegerem os interesses das companhias de sementes, será o momento de dar um passo adiante nos esforços de contorno legal (falo por mim mesmo aqui, não pelos autores — eles sugerem que o experimento acima seja combinado com esforços de lobby, que eu não considero uma alternativa tão empolgante). A resposta do movimento de compartilhamento ao fechamento do Napster foi a tomada de um caráter mais disperso, genuinamente P2P, abandonando eventualmente a hospedagem em servidores fixos. Com o fechamento das bibliotecas de sementes, jardineiros orgânicos poderiam usar aplicativos ou sites de compartilhamento para reunir pessoas com ofertas e necessidades de sementes específicas, deixando que elas façam o resto por si mesmas. Se o estado corporativo reagir com ainda mais força, talvez seja necessário relocar os sites de compartilhamento a servidores em países fora da cortina de patentes e que os compartilhadores de sementes se relacionem através de mensagens criptografadas.</p>
<p>O estudo também aponta para outras informações interessantes. A Receita Federal americana reconhece que bancos de tempo são diferentes de escambos taxáveis pelas mesmas razões por que bancos de tempo são isentos de regulamentações de sementes. Não há quid pro quo contratual; embora haja uma &#8220;troca&#8221; informal de favores, não há obrigação legal de devolver um favor. Com a diminuição e o barateamento dos requisitos de capital para produzir uma fração cada vez maior de nossas necessidades de consumo, além da possibilidade de sua produção individual ou em redes multifamiliares, segue-se que uma grande parte de nossa produção total usada para atender às nossas necessidades de subsistência tenda a sair do nexo monetário e do radar do estado, entrando em economias informais e de doação. Numa escala maior, em que uma coordenação mais definida é necessária (como a das redes de crédito mútuo de Tom Greco), o sistema pode operar dentro da darknet quando os os benefícios justificarem custos de transação .</p>
<p>Assim, a própria tecnologia está levando parte de nossas vidas produtivas para fora do nexo corporativo-estatal, tranferindo-as para associações voluntárias e mecanismos de ajuda mútua de que falava Kropotkin em seu artigo sobre o anarquismo na Enciclopédia Britannica, definindo-os como características definidoras da ordem anárquica. O aproveitamento das vantagens dessas tecnologias pode nos ajudar a fugir do domínio corporativo e construir o mundo que desejamos.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=30476&amp;md5=baa16345d48224611554808dbdf49e76" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Por menos espaços de poder para oprimir as mulheres!</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jun 2014 00:30:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Erick Vasconcelos]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Depois da concentração, na Praça do Derby, no centro do Recife, a Marcha das Vadias avançou em direção à Avenida Conde da Boa Vista, uma das mais importantes vias da capital pernambucana. A União da Juventude Socialista (UJS) estava lá, levou cartazes, palavras de ordem, panfletos. Consegui ouvir de quem vinha atrás uma pergunta perplexa: &#8220;O que a UJS está fazendo aqui?&#8221;</p>
<p>Era pertinente. Afinal, a UJS, ligada ao PCdoB — que, por sua vez, é basicamente uma filial do PT —, não tem sido, historicamente, a mais consistente das organizações em defesa dos direitos e das liberdades femininas. Pudera, <a href="http://ujs.org.br/copa/">às vezes as necessidades de defesa do status quo e do governo passam por cima com frequência de quaisquer outras considerações</a>.</p>
<p>Porém, compareceram à Marcha e trocaram panfletos conosco. Os panfletos de nosso grupo libertário, o <a href="https://www.facebook.com/groups/294093017422776/">Coletivo Nabuco</a>, vinham com o texto &#8220;<a href="http://aesquerdalibertaria.blogspot.com.br/2014/05/seduzidas-e-desonradas.html#.U5EM8fldWSo">Seduzidas e desonradas</a>&#8220;, da anarco-individualista e feminista brasileira Maria Lacerda de Moura. O panfleto da UJS, por sua vez, vinha com um texto contra a Copa do Mundo e terminava com um apelo, provavelmente para aplacar o público feminista presente: &#8220;Por mais mulheres nos espaços de poder!&#8221;</p>
<p>Era o mesmo slogan que o grupo levava em sua maior faixa durante a manifestação. Ao conversar com os presentes, imediatamente invertemos o slogan: &#8220;Por menos espaços de poder para oprimir as mulheres!&#8221;</p>
<p>O slogan da UJS transbordava uma falsa compreensão do que caracteriza a luta pela emancipação feminina. De acordo com ele, os problemas femininos não passam de problemas de representação, que podem ser aliviados com a presença de uma porcentagem de mulheres dentro do estado e de suas instâncias decisórias. É um entendimento cotista da sociedade: se as mulheres compõem 50% da população, elas devem compor, ao menos, 50% do governo.</p>
<p>É também uma compreensão que mantém intacta toda a estrutura de poder que garante que as mulheres continuem a ser oprimidas não apenas pela mão de ferro do estado, mas também pela cultura patriarcal dominante, que pretende ditar qual o comportamento, as roupas, os trabalhos, os estudos, os hobbies, os trejeitos e as atividades sexuais adequadas a mulheres.</p>
<p>Representação dentro do governo não é procuração para autoridade política real e significativa. Uma analogia com o racismo pode deixar o problema com essa visão mais óbvio. <a href="http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/06/29/em-dez-anos-populacao-que-se-autodeclara-negra-sobe-e-numero-de-brancos-cai-diz-ibge.htm">Cerca de 7,6% da população brasileira</a> é composta por negros. Se destinarmos 7,6% dos postos do governo aos negros, o que muda em sua situação política? Quase nada. O próprio número de indivíduos que se intitulam como negros em pesquisas demográficas é artificialmente baixo por conta da cultura racista em que estamos inseridos. A entrada proporcional de um grupo na estrutura do estado, portanto, não resolve o problema mais amplo — a cultura racista (ou sexista) realimenta a estrutura de poder de que o estado faz parte.</p>
<p>Da mesma forma, significa muito pouco o fato de que são reservadas cotas em universidades públicas para negros, uma vez que as universidades públicas, em si, são espaços necessariamente excludentes e que jamais atenderão às necessidades amplas da população negra, mas somente às de uma pequena minoria (geralmente já privilegiada), não importando sua composição étnica. É uma maquiagem do sistema.</p>
<p>Assim, o que precisamos não é de representação dentro do poder, porque o poder significa inexoravelmente força e opressão. A estrutura de poder atual é sustentada pela opressão interseccional de diversas minorias (que afeta de forma qualitativamente diferente cada uma delas), combinada com a opressão sistemática, porém menos manifesta, à população como um todo.</p>
<p>A participação de mulheres em espaços de poder deve ser vista não como força precipitadora das mudanças, mas como causada pelas mudanças. São as mudanças culturais e sociais que abrem as portas para as mulheres, mas sua participação nos espaços de poder garante poucas conquistas palpáveis para as mulheres.</p>
<p>Por isso, não precisamos de diversidade no poder, mas de menos poder.</p>
<p>A opressão é a <em>raison d&#8217;être</em> do poder. Não importa a sua composição de gênero.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=27977&amp;md5=a3443b5a55899f112d5358a7b477151d" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Classe, política identitária e estigmergia: Por que não precisamos de &#8220;um grande movimento&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jun 2014 00:30:34 +0000</pubDate>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Em um texto para o blog da rede <em>Students for Liberty</em> (&#8220;<a href="http://studentsforliberty.org/blog/2014/05/06/between-radicalism-revolution/">Between Radicalism and Revolution: The Cautionary Tale of Students for a Democratic Society</a>&#8220;, 6 de maio), Clark Ruper usa o exemplo dos <em>Students for a Democratic Society</em> (SDS) como alerta contra o sectarismo e a fragmentação dentro do movimento libertário. O movimento libertário, afirma ele, deve estar unido em favor de uma agenda comum que tenha apelo para o maior número possível de pessoas — que aborde questões &#8220;mais importantes&#8221; como a luta contra o corporativismo e o intervencionismo militar e a proteção das liberdades civis. Ruper parece focar principalmente nos anarquistas, revolucionários, defensores da justiça social e libertários de esquerda como potenciais fontes de divisões. Ele também deixa claro que seu post foi motivado, em grande parte, pelos debates recentes a respeito das abordagens libertárias &#8220;<a href="http://wikibin.org/articles/thick-and-thin-libertarianism.html"><em>thick</em></a>&#8221; ou &#8220;não-brutalistas&#8221; defendidas, entre outros, por <a href="http://c4ss.org/content/11146">Roderick Long</a>, <a href="http://c4ss.org/content/12460">Charles Johnson</a>, <a href="http://c4ss.org/content/13979">Gary Chartier</a>, <a href="http://c4ss.org/content/26094">Sheldon Richman</a> e <a href="http://c4ss.org/content/25332">Jeffrey Tucker</a>:</p>
<blockquote><p>&#8220;Alguns afirmam que o libertarianismo &#8216;real&#8217; ou uma versão melhorada das ideias libertárias deve também incluir o anarquismo, o progressismo, estudos críticos de raça ou várias outras perspectivas. (&#8230;)</p>
<p>&#8220;Para nós, atualmente, parece que o libertarianismo não é o suficiente; o que precisamos é do anarquismo de esquerda, do libertarianismo <em>thick</em>, do não-brutalismo ou várias outras perspectivas.&#8221;</p></blockquote>
<p>Em resposta, <a href="http://c4ss.org/content/27335">Jeff Ricketson</a>, no Centro por uma Sociedade Sem Estado (&#8220;<a href="http://c4ss.org/content/27335">Radicalism as Revolution: A Call for a Fractal Libertarianism</a>&#8220;, C4SS, 18 de maio) desafiou a defesa de Ruper de um movimento monolítico e considerou a fractalidade como ponto positivo:</p>
<blockquote><p>&#8220;O que devemos defender é um libertarianismo unido sob a bandeira da liberdade, com discussões apaixonadas e amigáveis sobre as questões internas e uma nidificação fractal em pequenos grupos mais especializados.&#8221;</p></blockquote>
<p>O fractalismo e a especialização, afirma ele, são bons porque aumentam a agilidade, a resistência a adaptabilidade do movimento como um todo face a mudanças.</p>
<p>E isso é muito verdadeiro. É difícil para os ativistas libertários que trabalham em comunidades específicas relacionarem seus valores básicos às necessidades particulares e às situações cotidianas das pessoas com quem trabalham se tiverem que pedir autorização dos cabeças do Quartel-General Central do Partido.</p>
<p>Eu e outros associados ao C4SS já fomos alvos de críticas similares às de Ruper por darmos atenção considerada excessiva a preocupações com a justiça social. Afirmam que perdemos o nosso foco em questões &#8220;reais&#8221;, no &#8220;principal&#8221; — como o estado corporativo, a economia, classes, guerras e liberdades civis. Em vez de enfatizarmos esses pontos, nos distraímos pelo &#8220;politicamente correto&#8221; e pela &#8220;política identitária&#8221;. Ou seja, deveríamos nos prender a um programa libertário comum de amplo apelo, limitar nosso foco a essas &#8220;questões importantes&#8221; e evitar dizer qualquer coisa que possa alienar os conservadores culturais brancos que concordam conosco em questões econômicas.</p>
<p>É claro que isso é irônico, dado que toda essa polêmica sobre as pautas &#8220;polêmicas&#8221; que podem alienar os mais conservadores vem de um movimento &#8220;pan-secessionista&#8221; que está de braços abertos a neonazistas e nacional-anarquistas, cujo líder defendeu a expulsão de ativistas LGBT do movimento anarquista. Aparentemente, a alienação desses grupos conservadores que chafurdam em seu próprio vitimismo é inaceitável, mas não dar apoio a pautas interessantes aos gays e transgêneros que são genuinamente vitimizados todos os dias por injustiças estruturais não é algo tão ruim.</p>
<p>De qualquer forma, as defesas de um movimento amplo, unido em torno de uma só plataforma de amplo apelo, são fundamentalmente equivocadas. É essencialmente o mesmo argumento usado pelo <em>establishment</em> esquerdista — parte do qual se intitula orgulhosamente como &#8220;verticalista&#8221; — contra o horizontalismo do movimento <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Occupy_movement">Occupy</a>. É a crítica padrão dos centristas-gerencialistas dentro da comunidade progressistas e social-democrata: &#8220;Aponte líderes e adote uma plataforma!&#8221;</p>
<p>O Occupy chegou bem perto de fazer exatamente isso. Os membros da organização anticonsumista <a href="https://www.adbusters.org/">Adbusters</a> e os <a href="https://nocutsny.wordpress.com/">New Yorkers Against Budget Cuts</a> (Nova-iorquinos Contra Cortes no Orçamento) que chegaram mais cedo nas reuniões planejavam um acordo para chegar a uma só pauta de exigências, apontar porta-vozes e tudo o mais. Se tivessem feito isso, o Occupy seria outro movimento passageiro que sairia das notícias em alguns dias. Mas David Graeber e alguns outros horizontalistas — Wobblies e veteranos do movimento de Seattle — se juntaram para formar um movimento de oposição que rapidamente se estabeleceu como cultura dominante dentro do Occupy.</p>
<p>Ao invés de adotar uma liderança e uma pauta oficiais, Graeber e os horizontalistas escolheram seguir o modelo descentralizado em redes do movimento M15 da Espanha. Ao invés de uma só pauta ou uma pequena plataforma resumida em alguns pontos-chave, os organizadores do Occupy decidiram enfatizar a mensagem do &#8220;Somos o 99%&#8221; — uma ampla oposição a coisas como o poder das corporações e bancos sobre o estado, o neoliberalismo, o imperialismo etc. — e deixaram os vários subgrupos, as comunidades e indivíduos que formavam o movimento estabelecerem seus próprios objetivos, atentos às necessidades e preocupações particulares relacionadas ao tema mais amplo.</p>
<p>Em outras palavras, o movimento Occupy não tinha uma plataforma — ele mesmo era uma plataforma. Era uma caixa de ferramentas, uma marca e uma biblioteca de imagens e slogans prontos para serem usados e adaptados a necessidades e pautas específicas de grupos que compartilhassem a oposição geral ao neoliberalismo e ao poder do capital financeiro.</p>
<p>Tanto Ruper quanto os críticos de centro-esquerda do Occupy recorrem ao modelo organizacional ultrapassado do meio do século 20. Nesse modelo, celebrado por Joseph Schumpeter e John Kenneth Galbraith, a produção industrial requeria grandes organizações hierárquicas com uso intensivo de capital, grandes economias de escala e extensas divisões de trabalhos. Seriam organizações governadas por regulamentos trabalhistas weberianos-tayloristas, descrições de &#8220;funções&#8221; e de quais são as &#8220;práticas adequadas&#8221;. O ativismo político, assim, requereria grandes organizações hierárquicas e capitalizadas como a GM, a GE e vários outros dinossauros industriais.</p>
<p>Mas adivinhe só: todos esses dinossauros estão obsoletos e fadados a desaparecer. Seu modelo organizacional e todos que o seguem também. As mudanças tecnológicas mudaram a base material da maioria das instituições hierárquicas e fez com que os requisitos de capitalização para a duplicação de suas funções implodisse. Ferramentas baratas de micromanufatura, tecnologias caseiras mais eficientes que editoras e estúdios musicais e comunicações em rede a custo virtualmente zero permitem que indivíduos e pequenos grupos horizontalizados façam coisas que antes requeriam poderosas instituições sediadas em enormes prédios de vidro e aço, cheios de milhares de robôs em cubículos, gerenciadas por vários homens engravatados em mesas de mogno no último andar.</p>
<p>O paradigma econômico e organizacional do mundo de hoje são as redes horizontais e <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Stigmergy">estigmérgicas</a>. É o modelo organizacional da Wikipedia, dos movimentos de compartilhamento, do Anonymous e até da Al-Qaeda. Nesse modelo, tudo é feito pelos indivíduos ou por pequenos grupos de afinidade unidos em torno de diferentes pautas. Tudo é feito pelo indivíduo ou grupo mais interessado, motivado e qualificado para a tarefa, sem a espera de permissão. E em vez de &#8220;desviar&#8221; da missão comum, as contribuições dos indivíduos e grupos de afinidade são sinérgicas e se reforçam mutuamente. Em redes de compartilhamento de arquivos, quando alguém quebra os esquemas de gestão de direitos digitais de uma música ou filme, os arquivos se tornam imediatamente propriedade comum de toda a rede. Quando um novo dispositivo explosivo improvisado é desenvolvido por uma célula da Al Qaeda no Iraque, ele pode ser imediatamente adotado por outra célula que o achar útil — ou ignorado se não for. Uma rede estigmérgica é a máxima expressão do conhecimento distribuído hayekiano.</p>
<p>Nós não precisamos mais nos reunir em grandes instituições para alcançar nossos objetivos ou tentar fazer com que todos concordem em certos pontos antes de dar qualquer passo. Os ativistas fazem isso por conta própria. O que precisam é simples: suporte e solidariedade. Eles podem definir por si mesmos o que é importante para as comunidades de que são parte e com que trabalham, podem decidir como as pautas libertárias se relacionam especificamente a si mesmos. Enquanto isso, os outros podem fazer o mesmo e direcionar seus esforços a suas preocupações locais, desejando sorte aos companheiros em outros submovimentos e oferecendo solidariedade e suporte quando possível e necessário.</p>
<p>O que isso significa é que é totalmente desnecessário — não que jamais tenha sido preciso — suprimir as defesas da justiça racial e de gênero em prol do suporte à pauta comum da classe econômica &#8220;até a chegada da revolução&#8221; ou &#8220;pelo bem do partido&#8221;. De fato, é contraprodutivo. A unidade e subordinação forçada defendida por Ruper é, paradoxalmente, garantia de fomento de discórdia e divisão.</p>
<p>Por experiência própria, ao conversar com amigos, acho que está bastante claro que essa tendência a subordinar questões &#8220;divisivas&#8221; (como raça e gênero) às &#8220;importantes&#8221; (política e economia) é o motivo principal por que o libertarianismo e o anarquismo são percebidos por mulheres, grupos LGBT e negros como província de &#8220;machos brancos&#8221;.</p>
<p>Já percebi o mesmo problema em grupos social-democratas que se intitulam &#8220;progressistas pragmáticos&#8221; (chamados de &#8220;Obots&#8221; em tom de desprezo, por seu apoio incondicional a Barack Obama) e usam a hashtag #UniteBlue no Twitter. Não importa a questão — seja o uso de Drones por Obama para matar civis inocentes, a invasão de privacidade da NSA, o corporativismo da elaboração da Parceria Transpacífica — suas respostas padrão são &#8220;Então você preferiria que Romney fosse eleito?&#8221; ou &#8220;Como isso afetará as chances de Hillary Clinton em 2016?&#8221;. Esse tipo de oportunismo cínico às custas das necessidades de seres humanos reais é vergonhoso — não importa o lado.</p>
<p>Se essa união forçada em torno de questões &#8220;reais&#8221; estimula a divisão e o ressentimento, então a melhor forma de estimular a união é levar em conta ativamente os interesses e as necessidades específicas de diferentes segmentos da população. A prática da interseccionalidade — isto é, perceber como diferentes formas de opressão, como opressões de classe, raça e gênero se reforçam mutuamente e afetam de forma diferente subgrupos particulares dentro dos meios ativistas — não foi desenvolvida para estabelecer uma competição de quem é mais oprimido. Ela foi desenvolvida precisamente para evitar o fracionamento dos movimentos por justiça racial por conta de questões de classe e gênero, o feminismo por conta de questões de classe e raça, etc, atentando para as necessidades especiais dos menos favorecidos dentro de cada movimento.</p>
<p>Se você quer saber o que acontece a um movimento que foca nas questões &#8220;importantes&#8221; (econômicas) sem levar em conta problemas interseccionais, observe os sindicatos de <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Sharecropping">parceiros rurais</a> dos anos 1930 que se separaram em movimentos de negros e brancos — e finalmente derrotados — graças a ações promovidas por grandes agriculturalistas para explorar as divisões raciais entre os membros. Ou você poderia observar as reuniões de vários grandes grupos de ativismo, tomar nota de quantos componentes são homens brancos e então se perguntar por que esse movimento tão amplo não tem nenhum apelo para mulheres e negros.</p>
<p><em>Traduzido do inglês para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=27885&amp;md5=da0185ab6ad29205bc962cd83d03f1d7" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>A ação direta alcança resultados práticos</title>
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		<pubDate>Sun, 18 May 2014 22:00:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alan Smithee]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na vila de Kalabalge, no estado nigeriano do norte de Borno, o povo reagiu. Enquanto políticos tremiam e ativistas tuitavam, as pessoas de Kalabalge se armaram e combateram seus inimigos, prendendo um comboio do Boko Haram numa emboscada quando iriam sofrer um ataque em sua vila. Pelo menos 41 militantes do Boko Haram foram mortos...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Na vila de Kalabalge, no estado nigeriano do norte de Borno, <a href="http://www.aljazeera.com/news/africa/2014/05/nigeria-villagers-kill-boko-haram-fighters-2014514152412389219.html">o povo reagiu</a>. Enquanto políticos tremiam e ativistas tuitavam, as pessoas de Kalabalge se armaram e combateram seus inimigos, prendendo um comboio do Boko Haram numa emboscada quando iriam sofrer um ataque em sua vila. Pelo menos 41 militantes do Boko Haram foram mortos e dez foram capturados no ataque surpresa a dois caminhões empreendido pelos habitantes do vilarejo. Armados com rifles, facões e arcos, as pessoas de Kalabalge fizeram aquilo que o exército da Nigéria não foi capaz de fazer e se defenderam com sucesso dos milicianos.</p>
<p>Estamos condicionados a pensar em &#8220;ativismo&#8221; como uma tentativa de fazer com que outras pessoas façam alguma coisa. Pedimos para que políticos e burocratas saiam de sua inércia e ajam de alguma maneira benéfica. Mas o melhor e mais efetivo ativismo é aquele em que assumimos o controle da situação e resolvemos nossos problemas — ou combatemos nossos inimigos — por conta própria. Na província de Michoacán, no México, as pessoas se insurgiram contra o cartel Cavaleiros Templários, expulsando-os com tanta eficiência que o governo mexicano desistiu de tentar suprimir as milícias e agora <a href="http://www.latimes.com/world/mexico-americas/la-fg-michoacan-violence-20140512-story.html#page=1">pretende suborná-las</a>, transformando-as em um braço do estado criminoso. Só podemos esperar que o povo resista a esses avanços.</p>
<p>E agora, na Nigéria, o povo está levantando. Enquanto o resto do mundo responde aos crimes do Boko Haram com hashtags e selfies, o povo de Kalabalge respondeu com balas e facas, assumindo a responsabilidade por suas vidas e famílias. Para se defender, deve-se depender de si mesmo; em cursos de autodefesa, nós aprendemos tanto a confiar na própria força quanto técnicas para derrotar os atacantes. O Boko Haram reagiu da forma que os agressores respondem desde sempre a vítimas fortalecidas — colocaram o rabo entre as pernas e fugiram, deixando seus mortos e feridos para trás como covardes que sempre foram.</p>
<p>Nos Estados Unidos, o centro imperial, nós também precisamos aprender a nos defendermos de agressores em nosso meio, contra as forças do império. As ações não precisam ser diretas, não é necessário o confronto direto — <a href="http://c4ss.org/content/24410">embora aqueles que escolham enfrentar os opressores diretamente mereçam o nosso respeito</a>. No movimento anti-guerras dos últimos 14 anos, ocorreram várias iniciativas de conscientização, de levantamento de fundos e outros eventos importantes, mas o ativismo mais efetivo teve duas formas: o desestímulo ao alistamento militar — conhecido como &#8220;contra-recrutamento&#8221; — e o estímulo à deserção dos soldados. São iniciativas muito mais desafiadoras do que segurar uma placa numa passeata, porque requerem que nós conheçamos as pessoas que estamos tentando alcançar e que ofereçamos uma alternativa viável ao exército, que é um dos últimos lugares que existem em nossa sociedade em que qualquer pessoa fisicamente apta pode conseguir um emprego com bom salário e benefícios. Mas ambas as ações geram resultados práticos, porque retiram matéria-prima da máquina estatal, forçando os controladores do estado imperial a gastar mais tempo e recursos para encontrar e reter soldados e menos na agressão e no assassinato de pessoas.</p>
<p>Falar numa sala de aula no interior sobre as alternativas ao exército não é tão dramático quanto fazer uma emboscada a caminhões do Boko Haram numa floresta nigeriana no meio da noite, mas ambas as ações compartilham um mesmo aspecto: nenhuma delas requer que imploremos àqueles que detêm o poder por piedade e conforto. Ambas combatem o inimigo diretamente e enfrentam diretamente os mecanismos de opressão e violência. Se vamos ser salvos, precisamos seguir o exemplo de coragem do povo de Kalabalge e tomar nosso destino em nossas próprias mãos.</p>
<p><em>Traduzido do inglês para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=27357&amp;md5=4959f76bef9fa1c691b5d63191fc975a" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>A ação direta como empreendedorismo</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Apr 2014 22:00:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Jeff Ricketson]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[ação direta]]></category>
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		<description><![CDATA[O empreendedor é elogiado com bastante frequência no discurso político atual. Os conservadores os consideram modelos de comportamento, exemplos da ética de trabalho protestante. Os social-democratas celebram os empregos que eles criam na economia. Os libertários de todos os matizes os adoram por sua independência e seu papel central no funcionamento dos mercados. Ao que...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O empreendedor é elogiado com bastante frequência no discurso político atual. Os conservadores os consideram modelos de comportamento, exemplos da ética de trabalho protestante. Os social-democratas celebram os empregos que eles criam na economia. Os libertários de todos os matizes os adoram por sua independência e seu papel central no funcionamento dos mercados. Ao que parece, apenas os defensores dos vários tipos de socialismo estatista são antagônicos aos empreendedores.</p>
<p>São elogios merecidos, como explicado por Joseph Schumpeter. Schumpeter foi um economista austríaco que estudava o empreendedorismo e teve bastante influência nas ideias sobre o papel do empreendedor na economia. Os empreendedores schumpeterianos unem os recursos econômicos de formas novas e inovadoras, criando mais valor com menos recursos. Isso permite que os recursos que agora são excedentes seja usados para a satisfação de outras preferências. Numa analogia com a biologia, os empreendedores são a fonte das mutações adaptativas no mercado.</p>
<p>Contudo, mesmo empresários não-schumpterianos atendem a necessidades que não estão sendo satisfeitas. São os empreendedores que reconhecem uma preferência que não está sendo atendida e redirecionam recursos de preferências de menor importância para aquelas demandas mais urgentes. Uma pessoa que abrir uma loja de animais de estimação aquático não estará fazendo nada de excepcionalmente novo ou inovador, mas se seu negócio tiver sucesso, ela dará acesso a outras pessoas a bens que, normalmente, elas não teriam a possibilidade de obter. Nesse processo, os empreendedores melhoram a qualidade dos outros através da introdução dos meios para satisfazer um número maior de preferências mais importantes. Na biologia, esses empresários são análogos ao processo reprodutivo.</p>
<p>Uma ideia menos bem recebida no discurso popular é a da ação direta, por bons motivos. A ação direta intencionalmente contorna o âmbito do discurso. Ela simplesmente ignora a opinião pública e trabalha para alcançar seus fins fora dos sistemas convencionais, para que os ativistas possam trabalhar em prol das sociedades que desejam sem a necessidade de persuadir quem tem o poder. &#8220;Ação direta&#8221; é uma expressão nebulosa. Em seu âmbito se encontram o agorismo, greves, organização comunitária, desobediência civil, filmagens de policiais etc. Qualquer ação conjunta contra um problema social está dentro da alçada da ação direta.</p>
<p>É importante ressaltar que a ação direta não é defesa intelectual. Ela não pretende mudar opiniões. Parte de seu sucesso enorme em vários locais está precisamente no fato de que ela força os outros a cessarem seus comportamentos ilegítimos. Quando tem sucesso, isso ocorre não por causa da aprovação daqueles que estão no poder, mas por ser uma ferramenta que força as mudanças apesar da desaprovação do sistema existente.</p>
<p>Em um sentido, a conexão entre o empreendedorismo e ação direta já foi estabelecida. O agorismo busca construir alternativas a instituições opressivas pelo empreendedorismo e não se importa com a opinião de seus participantes a respeito do sistema que está sendo modificado. Porém, o empresário schumpeteriano numa empreitada agorista deve reconhecer e defender o fato de que seu negócio debilita as instituições existentes. É, em parte, por causa desse reconhecimento que o agente no mercado é capaz de perceber as oportunidades de lucro e agir como empreendedor.</p>
<p>A ação direta enquanto atividade empresarial tem recebido pouca atenção. O agorismo pode ser visto como uma forma empreendedora de ação direta, mas também podemos compreender a ação direta como uma forma de empreendedorismo. O empreendedorismo schumpeteriano melhora as condições sociais através da criação de valor a partir de algo de menor valor. Ele faz isso pela substituição de tecnologias antigas e ineficientes por alternativas melhores. Esse é o objetivo da ação direta, embora não através do que se entende normalmente por tecnologia. A ação direta funciona porque ela desmonta os arranjos institucionais existentes, empregando o que Schumpeter chamou de &#8220;destruição criativa&#8221;. Métodos social e economicamente ineficientes acabam sendo destruídos quando uma pequena minoria se recusa a utilizá-los como pretendido. Os novos sistemas são mais fortes que seus antecessores porque as pessoas têm menos motivos para se opor a eles. As novas regras maximizam a utilidade social com maior eficiência, dando às pessoas motivos melhores para atuar dentro delas.</p>
<p>Por exemplo, veja os esforços do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos ao utilizar a desobediência civil. Ao ignorar as regras legais e sociais que existiam e exigirem as liberdades que mereciam, os participantes foram capazes de precipitar mudanças sociais. Criaram um sistema no qual mais negros tinham motivos para participar numa economia dominada por brancos. Esse incentivo à destruição dos vestígios de segregação foi efetivo em evitar seu renascimento. A maioria das pessoas atualmente vê os benefícios de ter mais pessoas participando ativamente na economia. A nova estrutura é percebida como mais eficiente, tanto na alocação de bens econômicos e na satisfação de desejos sociais que sua predecessora, quanto em espaço para aperfeiçoamentos e descobertas. O novo modelo suplantou o antigo e a inovação melhorou a vida de todos aqueles que vivem sob o novo paradigma.</p>
<p>Israel Kirzner, outro austríaco cuja pesquisa focava nos empreendedores, destacava o fato de que os empreendedores, em sua destruição criativa schumpeteriana, descobriam novas informações. Para abrir uma empresa como um empreendedor schumpeteriano, deve-se possuir informações que ninguém mais possui. Essa ignorância &#8220;radical&#8221; é o motivo pelo qual o empreendedor de Schumpeter é importante. Ele mostra aos outros uma forma de melhorar suas vidas que era radicalmente ignorada anteriormente.</p>
<p>A ação direta revela informação oculta pela ignorância radical. Parte de pertencer a uma classe privilegiada é seus membros não perceberem os próprios privilégios. O privilégio cega seus beneficiados a sua existência. Graças a isso, as pessoas que sofrem em condições de opressão social devem se esforçar para convencer os privilegiados que seu lugar na sociedade é produto de sistemas ilegítimos de opressão. Infelizmente, isso é o mesmo que um empreendedor tentar convencer a todos de que eles poderiam se beneficiar de uma invenção compreendida apenas por ele próprio. Em ambos os casos, é mais fácil demonstrar a eficiência da mudança proposta. A ação direta faz isso forçando as mudanças com a construção de sistemas alternativos para seus participantes.</p>
<p>É interessante perceber que, de forma global, a humanidade jamais regrediu tecnologicamente. Houve longos períodos de estagnação em alguns locais e a vilanização da academia em outros, mas nunca um passo para trás coletivo. Além disso, em lugares onde de fato houve regressos, sempre houve um regime repressivo de normas culturais ou estruturas governamentais. Isso se deve, em parte, a forças schumpeterianas. Novas ideias e melhores teorias levam a uma maior eficiência dos arranjos sociais e econômicos, que levam a sua adoção. Como ocorre normalmente, é difícil colocar o gênio de volta na lâmpada. É por isso que os anarquistas têm futuro. A ineficiência do estado deverá desmontá-lo e nossas ideias estarão presentes quando isso acontecer. Até então, é nosso trabalho rodar nosso tear cada vez mais rápido para fazer uma rede cada vez mais forte. A ação direta é capaz de fazer ambos.</p>
<p>Traduzido do inglês para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=26348&amp;md5=8ede45f9f158e4a3d3fb30d852638c4f" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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