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	<title>Center for a Stateless Society &#187; anarquismo individualista</title>
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		<title>A posse da liberdade: A economia política de Benjamin R. Tucker</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Sep 2014 01:16:24 +0000</pubDate>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>A economia política de Benjamin Tucker representa uma condensação de suas maiores influências, sintetizando o trabalho de pensadores radicais como Josiah Warren, William B. Greene, Ezra Heywood e Lysander Spooner para chegar a um anarquismo maduro e completo. De Heywood, Tucker extraiu sua análise dos males da renda (rent), dos juros e dos lucros, &#8220;seguindo os dizerem que Ezra Heywood gravou em sua escrivaninha em letras garrafais: &#8216;juros são roubo, rendas são saques e os lucros são apenas outro nome para pilhagem'&#8221;.<strong>[1]</strong> Josiah Warren deu a Tucker a convicção na soberania individual, uma hostilidade em relação a toda tentativa de &#8220;reduzir o indivíduo a uma mera peça dentro de uma engrenagem&#8221; e à tentativa de chegar a reformas através de &#8220;combinações&#8221; coercitivas. Para a reforma de livre mercado do sistema monetário e bancário, Tucker aprendeu com William B. Greene, cujo trabalho articulava um esquema bancário baseado na emissão livre e aberta de meios circulantes. Foi Greene que, em 1873, introduziu ao jovem Benjamin Tucker o trabalho de Pierre-Joseph Proudhon, conhecido pessoal de greene e o primeiro a chamar a si mesmo de anarquista.<strong>[2]</strong> Greene ainda estimulou Tucker a empreender a primeira tradução para o inglês da obra <em>O que é a propriedade?</em> de Proudhon, um trabalho publicado pela Co-operative Publishing Company de Ezra Heywood. Em Tucker, todas essas influências se uniram e formaram um só movimento encabeçado por seu jornal <em>Liberty</em>.</p>
<p>É interessante notar que a carreira de Tucker na política radical continuava enquanto ele trabalhava para publicações mais convencionais. Em 1943, num artigo para o <em>The New England Quarterly</em>, Charles A. Madison observava &#8220;o respeito mútuo entre Tucker e seus empregadores&#8221; no <em>Daily Globe</em>, apesar da defesa determinada de Tucker do anarquismo em uma época que testemunhava campanha de &#8220;intensidade histérica&#8221; contra esse pensamento. É inegavelmente difícil imaginar um jornal de qualquer tamanho ou reputação que abrigasse alguém abertamente anarquista hoje em dia no seu corpo editorial. Apesar das pretensões atuais de abertura e liberalidade, é quase certo que a elite intelectual e literária atualmente impede críticas e questionamentos a suas ortodoxias preferidas e às políticas do status quo muito mais do os letrados da segunda metade do século 19. Tucker foi respeitado por seus colegas do <em>Globe</em> por não menos que onze anos, até mesmo quando ele passou a se envolver ainda mais no ativismo radical, desde sua ajuda a Ezra Heywood com a publicação de The Word até a edição de seu próprio Radical Review. Mais tarde, após começar a publicação do Liberty, Tucker trabalhou como editor para a Engineering Magazine em Nova York, &#8220;se recusando a escrever artigos que pudessem comprometer seus princípios anarquistas&#8221;.<strong>[3]</strong></p>
<p>Na primeira edição de <em>Liberty</em> em 1881, Tucker anunciava a <em>raison d&#8217;être</em> do jornal e suas visões políticas e econômicas ao escrever que &#8220;o monopólio e os privilegiados devem ser destruídos, as oportunidades devem ser fornecidas e a competição estimulada&#8221;. Ainda assim, como Proudhon, de quem Tucker tirou tantas ideias sobre a moeda e a reforma bancária, Tucker defendia que os vários arranjos econômicos a que se opunha deveriam &#8220;permanecer livres e voluntários para todos&#8221;. Com os portões da competição abertos para todos e as &#8220;forças perturbadoras&#8221;<strong>[4]</strong> dos privilegiados abolidas, essas formas de exploração se tornariam, de acordo com ele, praticamente impossíveis: &#8220;Se o poder de usura fosse estendido a todos os homens&#8221;, como Tucker alegava que deveria, &#8220;a usura devoraria a si própria, por sua natureza&#8221;. O papel do estado, assim, era o de isolar os poucos detentores privilegiados do capital, que vivem &#8220;luxuosamente com o suor do trabalho de seus escravos artificiais&#8221;, dos efeitos salutares da competição.</p>
<p>A coerência de Tucker e sua habilidade em expor os absurdos dos poderes político e econômico têm muito a ensinar ao movimento libertário atual. Se estivesse vivo hoje em dia, Tucker veria privilégios, subsídios corporativos e interferências à liberdade em todo lugar. Os relacionamentos econômicos atuais não são mais naturais ou inevitáveis que as condições da velha escravidão, embora seus apologistas insistam que sua própria existência seja prova de sua justeza. Tucker era um economista político visionário porque imaginava que as coisas podiam ser diferentes, denunciando as explicações improvisadas dos economistas liberais e desafiando-os a levar suas ideias liberais — que cresciam em popularidade — a seus limites lógicos. &#8220;O anarquismo genuíno é consistente com o manchesterismo&#8221;, dizia ele em uma citação famosa. Para Tucker, a política e a economia eram inseparáveis, as questões de uma necessariamente tinham implicações sobre a outra; ele considerava o capitalismo um sistema de exploração criado pelo estado — ou seja, pela agressão ou pela força contra o indivíduo soberano. As ideias políticas trabalhistas de Tucker, porém, eram ainda distintas — e talvez diferentes das ideias atuais do movimento trabalhador radical — porque rejeitavam os capitalistas sem advogar a propriedade ou organização coletiva do capital, identificavam a exploração sem condenar a competição e defendiam os trabalhadores sem necessariamente denunciar os trustes (ou &#8220;combinações industriais&#8221;), tendo uma relação tépida com os sindicatos.</p>
<p>Tucker argumentava que os esforços para obstruir ou proibir qualquer tipo de combinação ou associação voluntária eram tentativas autoritárias de exercer controle, intoleráveis ao anarquismo, não importando suas boas intenções. Ele não via nada de essencial ou necessariamente errado com a venda do trabalho em troca de um salário — chegando ao ponto de alegar que o anarquismo socialista não &#8220;pretendia abolir salários, mas garantir para todo assalariado seu salário integral&#8221;. O socialismo de Tucker era diretamente baseado na noção de que o trabalho deveria ser pago com seu produto completo; o fato de que o trabalho não era pago era, efetivamente, todo o problema. A propriedade governamental dos meios de produção defendida pelo socialismo de estado não era uma forma de atingir esse objetivo, mas era simplesmente uma nova forma de escravização parecida com a antiga. Em última análise, o estado seria sempre uma instituição composta pela classe dominante e a serviço dessa classe.</p>
<p>A economia de Tucker, além disso, rejeitava distinções fáceis e superficiais, como, por exemplo, a diferenciação arbitrária e não-sistemática entre o capital e o produto<strong>[5]</strong> e, como observado acima, entre política e economia. Qualquer consideração integral do &#8220;problema industrial&#8221; não poderia depender simplesmente de uma análise das leis das trocas, como se essas leis operassem em um vácuo, independentemente das realidades legais e políticas. Como uma das maiores influências de Tucker escreveu, a &#8220;economia política, até hoje, tem sido pouco mais que uma série de engenhosas tentativas de reconciliar as prerrogativas de classe e o arbitrário controle capitalista com os princípios das trocas&#8221;. O erro central da economia política burguesa na época de Tucker é idêntico ao erro principal do libertarianismo atual — sua ignorância crítica da existência de inúmeras e constantes violações dos princípios de livre mercado que são expostos. Tanto na época quanto atualmente, os economistas de livre mercado afirmam que que as questões políticas e econômicas devem ser tratadas em conjunto e que os direitos econômicos são direitos políticos para, logo em seguida, mudarem de ideia e passarem a discutir as condições econômicas e os relacionamentos atuais como se fosse consequências legítimas de trocas e formas de propriedade de mercado.</p>
<p>A precisão analítica de Benjamin Tucker não era sujeita tão facilmente a confusões a ponto de permitir que ele fosse ludibriado pelos defensores do capitalismo e pensasse que os relacionamentos de livre mercado seriam similares aos relacionamentos dentro do capitalismo. Tucker não acreditava que a sujeição acachapante dos muitos pobres aos poucos abastados proprietários havia surgido a partir de um <em>laissez faire</em> verdadeiramente livre. Como observa &#8220;An Anarchist FAQ&#8221;, &#8220;embora uma anarquia individualista fosse ser um sistema de mercado, não seria um sistema capitalista&#8221;. Tucker nunca recuou de sua defesa da competição ou viu necessidade de diluí-la. Ele também nunca admitiu que a exploração era possível sem agressão ou invasão, ou aceitou que o comércio equitativo e a justiça para o trabalhador só poderiam ser alcançados através de reformas legislativas. Sua total ausência de fé em qualquer reforma legal ou governamental às vezes criava um abismo entre as ideias de seu jornal <em>Liberty</em> e o resto do movimento trabalhador, embora ele sempre reconhecesse que o anarquismo e o socialismo fossem &#8220;exércitos que se sobrepõem&#8221;. De fato, Tucker oferecia o que eu ainda considero a melhor definição do socialismo — ou talvez como a melhor versão do socialismo —, &#8220;a crença de que o próximo passo mais importante para o progresso é uma mudança no ambiente do homem de forma que sejam abolidos todos os privilégios que os detentores da riqueza possuem, retirando assim seu poder antissocial para compelir o pagamento de tributos&#8221;. Tucker, portanto, não presumia posições necessárias contra alvos populares do movimento trabalhador como o trabalho assalariado ou mesmo os grandes trustes. Alegava que, contanto que o princípio anarquista da igual liberdade fosse sempre observado, &#8220;não faria diferença se os homens trabalhassem para si mesmo, se fossem empregados ou empregassem os outros&#8221;. A riqueza sem o trabalho — ou seja, a renda, os juros e os lucros — eram os fenômenos econômicos a que os anarquistas deveriam se opor e eles, segundo Tucker, dependiam sempre da agressão.</p>
<p>É um tanto irônico que as escolas de livre mercado que mais alto trombeteiam o individualismo metodológico e sejam as mais céticas ao empirismo desprezem até mesmo a menor das possibilidades de que a completa liberdade de trocas e comércio não leve a um ambiente que seja reconhecível como capitalista. Dado que a economia existente está muito longe de um mercado verdadeiramente livre, nós devemos nos perguntar o que os deixa tão certos de que os anarquistas individualistas como Tucker eram apenas néscios economicamente ignorantes. Não precisamos depender de qualquer teoria do valor-trabalho para concluir com segurança que as desigualdades e concentrações de riqueza dependem principalmente dos privilégios legais a que os portadores do estandarte do <em>laissez faire</em> afirmam se opor. Os anarquistas individualistas, além disso, entendiam a importância teórica da utilidade marginal muito bem, <a href="http://www.libertarianism.org/columns/libertarian-socialism">como já observei em outra ocasião</a>. Ao contrário da caricatura de sua visão, a teoria do valor-trabalho que articulavam era perfeitamente reconciliável com a teoria subjetiva do valor e pretendia explicar algo diferente e mais abrangente do que a simples proposição de que tudo vale apenas o que alguém está disposto a pagar — o que, evidentemente, é impossível refutar. A crítica importante e substantiva contida na economia política de Tucker é descartada com frequência por depender de uma falácia econômica já desacreditada, sem considerar seus muitos argumentos e implicações. A coerência de princípios era uma das preocupações principais de Benjamin Tucker e do jornal<em> Liberty </em>e é algo que recai sobre os individualistas de esquerda e membros do C4SS hoje em dia. Tucker sugeria que a &#8220;anarquia pode ser definida como a posse da liberdade por libertários — isto é, por aqueles que conhecem o significado da liberdade&#8221;. Essa questão, o significado da liberdade, é o que nós, enquanto anarquistas, tentamos responder. Para muitos, a vida e o trabalho de Benjamin Tucker têm sido o norte dessa jornada, uma referência e inspiração perene.</p>
<p><strong>Notas:</strong></p>
<p><strong>[1]</strong> Martin Blatt, “Ezra Heywood &amp; Benjamin Tucker.”</p>
<p><strong>[2]</strong> Em uma edição de 1887 de <em>Liberty</em>, Tucker escreveu &#8220;[Graças] ao coronel Greene, leio a discussão de Proudhon com [Frédéric] Bastiat sobre a questão dos juros e seu famoso <em>O que é a propriedade?</em> e grande foi minha surpresa ao encontrar dentro desses trabalhos, mas apresentados em termos muito diferentes, ideias idênticas às que eu já havia aprendido com Josiah Warren e que, desenvolvidas independentemente por esses dois homens, serão tão fundamentais em mudanças sociais futuras quanto foi a lei da gravidade em todas as revoluções das ciências físicas que se seguiram à sua descoberta — refiro-me, naturalmente, às ideias de liberdade e equidade.&#8221;</p>
<p><strong>[3]</strong> Wendy McElroy, “Benjamin Tucker, Liberty, and Individualist Anarchism.” Nota de rodapé 6.</p>
<p><strong>[4] </strong>John Beverley Robinson, <em>Economics of Liberty</em>.</p>
<p><strong>[5] </strong>&#8220;Proudhon ridicularizava a distinção entre o capital e o produto. Mantinha que capital e produção não diferentes tipos de riqueza, mas apenas condições alternativas ou funções da mesma riqueza; que toda a riqueza passa por transformações incessantes de capital a produto e de produto de volta a capital, em um processo interminável; que o capital e produto são termos puramente sociais; que o que é produto para um homem imediatamente se torna capital para outro, e vice versa; se existisse apenas uma pessoa no mundo, toda a riqueza, para ele, seria ao mesmo tempo capital e produto (&#8230;)&#8221; — Benjamin R. Tucker.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=31630&amp;md5=0980214f587de2183ed1358d94d85e8d" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>A raiz da desigualdade: o mercado ou o estado?</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Sep 2014 00:00:29 +0000</pubDate>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>No começo de setembro, a agência Reuters <a href="http://www.reuters.com/article/2014/09/04/us-usa-fed-consumers-idUSKBN0GZ2DU20140904">reportava</a> uma pesquisa do banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve, que mostra um aumento da disparidade de riqueza e renda no país. &#8220;Todo o crescimento de renda ficou concentrado entre os que mais ganham (&#8230;), com os 3% mais ricos concentrando 30,5% de toda a renda&#8221;, afirma a Reuters.</p>
<p>A pesquisa do Fed sem dúvida será desconcertante tanto para aqueles da esquerda e da direita que incorretamente consideram os Estados Unidos a &#8220;terra da liberdade&#8221;, um lugar de oportunidades em que qualquer pessoa pode chegar a seus objetivos com um pouco de trabalho árduo. De fato, os dados parecem mostrar uma realidade muito diferente dessa percepção rósea, uma realidade em que as conexões entre as elites empresariais e o mundo político garantem que os ricos se tornem mais ricos e os pobres mais pobres.</p>
<p>Quando se deparam com esse cenário desolador das estruturas de classe e econômicas americanas, aqueles que realmente se perturbam com a desigualdade de renda tendem a rapidamente culpar o &#8220;livre mercado&#8221; e a competição desenfreada que colocam os lucros acima das pessoas. Mas o que o livre mercado realmente é e se temos um em vigência atualmente são questões separadas que devemos analisar para explicar a desigualdade americana. A esquerda pode se surpreender ao ver que a tradição radical socialista inclui toda uma espécie de libertários antiestado e pró-livre mercado.</p>
<p>Ao conceder que mercados e a competição, <em>em si</em>, sejam parte do problema social a ser resolvido, a esquerda desnecessariamente se coloca em posição de desvantagem, cedendo à crença falsa de que a elite dominante capitalista chegou a sua posição de maneira justa. Afinal, se estamos sob um livre mercado genuíno, o que poderíamos contestar?</p>
<p>A maioria dos anticapitalistas, assim, compartilha um mito fundador com os piores apologistas do capitalismo inexistente e de suas inúmeras desigualdades. Ambos os grupos mantêm que as economias atuais são essencialmente livres. Anarquistas de mercado como Ezra Heywood e Benjamin Tucker não acreditavam nessa inverdade — de que o trabalho não seria capaz de competir com o capital em um ambiente de igualdade e justiça.</p>
<p>Ao contrário, argumentavam eles, as características mais comuns e desiguais do capitalismo eram, na verdade, frutos envenenados e afrontas a princípios de livre mercado geralmente aceitos. Remova as muletas do estado aos grandes negócios e os muitos privilégios que debilitam os trabalhadores e as trocas verdadeiramente voluntárias e a cooperação dissolveriam o capitalismo que conhecemos.</p>
<p>Como escreveu Ezra Heywood em <em>The Great Strike</em>: &#8220;A &#8216;sobrevivência do mais apto&#8217; é beneficamente inevitável; o capitalista é impotente contra o trabalho, a não ser que o estado (&#8230;) interfira para ajudá-lo a capturar e depenar suas vítimas. O velho argumento do despotismo de que a liberdade é insegura reaparece na ideia incorreta de que a competição é hostil ao trabalhador.&#8221;</p>
<p>Heywood dava uma lição à esquerda americana contemporânea: de que o capítalismo é um sistema de roubos de terra, de barreiras regulatórias e legais à competição, de monopólios de propriedade intelectual e de subvenção aos grandes negócios na forma de subsídios diretos e contratos governamentais. Onde fica o &#8220;livre mercado&#8221; no meio disso tudo?</p>
<p>O anarquismo de mercado é uma forma de descentralismo, um socialismo libertário que vê as trocas voluntárias e a cooperação como soluções para a ampla desigualdade contra a qual lutamos atualmente. Políticos e executivos gostam do sistema que temos nos Estados Unidos; dependem dele e o sistema depende desses indivíduos. O resto de nós, ao contrário das elites políticas econômicas, não se importa em trabalhar para viver e não está pedindo privilégios legais. Nós só desejamos a liberdade para perseguir projetos e alcançar nossos próprios objetivos. Esse tipo de livre mercado oferece uma saída para as desigualdades atuais, não um incentivo a elas.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=31604&amp;md5=1243101dcc03f689cc5b407e14986306" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>El anarquismo individualista y la jerarquía</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Sep 2014 21:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alan Furth ES]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>El anarquismo y la jerarquía tienen una relación compleja. Algunos anarquistas proclaman estar en contra de toda jerarquía (a veces incluso definen el anarquismo en base a esa proclamación) y otros declaran que simplemente se oponen al Estado y no se preocupan por la jerarquía en sí misma. Creo que el anarquismo individualista bien entendido se ubica en algún lugar entre estos dos extremos.</p>
<p>El anarquismo individualista, en definitiva, es la idea de que el ser humano individual es la unidad fundamental que conforma a la &#8220;sociedad&#8221;. Por lo tanto, cualquier sistema político, o más exactamente, cualquier no-sistema apolítico que esté en vigencia, debe dar primacía al individuo y respetar su soberanía como ser libre. El no-sistema que logra este objetivo de manera óptima es el anarquismo.</p>
<p>La jerarquía es &#8220;un sistema u organización en el que las personas o grupos se clasifican como uno más importante que el otro en función del estatus o la autoridad&#8221;. En algunos casos, este tipo de sistema es intrínsecamente malo (o malo en sí mismo); en otros es permisible e incluso bueno, y en otros es objetable, pero no intrínsecamente malo.</p>
<p>La jerarquía es obviamente problemática e incluso inmoral cuando se mantiene a través de la iniciación de la fuerza. Como individualistas, apoyamos la soberanía del individuo y consideramos que la autonomía personal es de extrema relevancia moral. La capacidad de ejercer las facultades y habilidades de cada quien, de acuerdo a su propia voluntad, es el derecho fundamental de cada individuo (y dado que cada persona tiene este derecho, este implica una limitación sobre la voluntad de impedir violentamente las acciones de otros).</p>
<p>El acto de subordinar las metas de los otros por la fuerza y sustituirlas por las propias es una afrenta a la individualidad de ambas personas y una violación de los derechos. Sí, el acto de agresión es inmoral en sí mismo. Pero un sistema de jerarquía mantenido en base a la agresión somete a ciertos individuos a la autoridad de otros; cuando uno no es más que un siervo, obediente a los niveles más altos de la jerarquía, no hay individualidad, y eso es algo con lo que estamos evidentemente en desacuerdo.</p>
<p>Esto lleva al individualista a rechazar el uso de la violencia, y por lo tanto, al Estado. El Estado, al contrario de lo que postulan los teóricos del contrato social, se apoya en la violencia para mantener su financiación y su monopolio del uso legítimo de la fuerza dentro de una región. Los Estados son sistemas jerárquicos conformados por depredadores agresivos. Son la antítesis del individualismo.</p>
<p>Para muchos anarquistas la propiedad privada es inherentemente jerárquica, y por lo tanto inadmisible. Y tienen razón solo en parte: en cierto sentido la propiedad privada crea una jerarquía entre el dueño de un bien y todos los demás. Sin embargo, la propiedad privada tiene otras ventajas que son dignas de consideración. No hay razón para reducir nuestro análisis a una cuestión de jerarquía o no jerarquía. Hay otros factores moralmente relevantes.</p>
<p>La propiedad privada es útil por una serie de razones, sobre todo por razones consecuencialistas. Un sistema de propiedad privada crea una sociedad próspera y rica que puede asignar eficientemente los recursos escasos. Adicionalmente, y de gran importancia para el individualista, la propiedad privada es vital para la autonomía personal. Tal como lo <a href="http://www.freenation.org/a/f53l1.html#04">plantea</a> Roderick Long,</p>
<blockquote><p>La necesidad humana de la autonomía: la capacidad de controlar la propia vida sin la interferencia de otros. Sin propiedad privada, no tengo ningún punto de apoyo verdaderamente mío; no tengo ninguna esfera protegida dentro de la cual pueda tomar decisiones sin obstáculos impuestos por la voluntad de otros. Si la autonomía (en este sentido) es valiosa, entonces necesitamos la propiedad privada para su realización y su protección.</p></blockquote>
<p>Sin propiedad privada, el alcance del individuo se ve restringido a favor de la comunidad o la sociedad. Como individualistas deberíamos promover la maximización de la autonomía de cada persona, y la propiedad privada es beneficiosa en ese sentido.</p>
<p>Por otra parte, la sustitución de la propiedad privada con la propiedad colectiva no elimina la existencia de jerarquía. Simplemente pone en el nivel más alto de la jerarquía a la mayoría del colectivo en lugar del propietario individual. Bajo la propiedad colectiva, cualquiera que en ese momento conforme la mayoría tiene la potestad de decidir sobre el uso que se le da a la propiedad, y quedan, por lo tanto, en un lugar de autoridad sobre la minoría.</p>
<p>Digno de mención es la cuestión de la crianza de los hijos o la familia. La relación padre-hijo es históricamente jerárquica. Sin embargo, sin entrar mucho en el complicado ámbito de los derechos del niño, la autoridad empleada apropiadamente por los padres en la crianza de sus hijos no se basa en la fuerza en el mismo sentido en que se utiliza la fuerza en contra de un adulto (la cuestión de dónde debe trazarse esa línea es otra cuestión bastante complicada). Si bien hay casos de uso de la fuerza que son injustos, como en el caso del abuso, hay otros casos del uso de la fuerza que son justos, tales como obligar a un niño a que coma su cena. Y puesto que la jerarquía padres-hijos es aparentemente beneficiosa para los individuos involucrados, no hay nada en ella que moleste al anarquista individualista. (Para más información sobre la perspectiva anarquista individualista sobre los derechos de los niños, ver la sección de este ensayo titulada &#8220;<a href="http://www.freenation.org/a/f43l2.html">Los Derechos de los Niños</a>&#8220;)</p>
<p>¿Y qué puede decirse de los sistemas de jerarquía no violenta? Muchos de los casos en este sentido dependerán de los detalles de la situación y el contexto específico. Pero en general podemos decir que la jerarquía, incluso la jerarquía &#8220;consensual&#8221;, siempre es <em>potencialmente</em> problemática para el individualista. Puesto que consideramos que la autonomía y el ejercicio de las facultades propias son sumamente importantes, las situaciones en las que las personas se someten voluntariamente a la autoridad completa de otros, creando una jerarquía, pueden muy bien ser objetables.</p>
<p>Considérese la posibilidad de una pequeña ciudad en la que todos los ciudadanos, por una razón u otra, someten voluntariamente toda la propiedad individual a la propiedad colectiva. Por las razones expuestas acerca de los efectos de la propiedad privada sobre los incentivos y la autonomía de las personas, podemos decir que una ciudad basada en la propiedad privada es preferible a una ciudad basada en la propiedad colectiva. Por lo tanto, como individualistas que valoran la prosperidad y la autonomía, tenemos buenas razones para objetar la creación de una ciudad basada en el comunismo voluntario, incluso si esto se limita simplemente a expresar nuestra opinión de que los ciudadanos están tomando una decisión desacertada y en su lugar deberían adoptar un sistema de propiedad privada.</p>
<p>Por las razones mencionadas anteriormente, la iniciación de la fuerza es inadmisible par el individualista. Después de todo, el uso de la fuerza implicaría someter a la gente de la ciudad a nuestra voluntad, lo cual es activamente inmoral y peor que sus decisiones voluntarias. Así que sería un error usar la fuerza para evitar que la gente de la ciudad adoptase el comunismo voluntario.</p>
<p>Sin embargo, usar herramientas como la persuasión, las campañas educativas o los boicots es aceptable y hasta recomendable (el que estas medidas sean eficaces y valgan la pena es otro tema). Reconocemos que el comunismo voluntario es un mal sistema para la gente que vive en él (y también potencialmente malo para otros por razones económicas, o si las ideas comienzan a extenderse y ganar apoyo), y someterse a los caprichos de la mayoría es un error, por lo que no tendría sentido ser ambivalentes al respecto.</p>
<p>También está el tema de las formas comunales de propiedad horizontalmente organizadas y autogestionadas. Éstas no son exactamente las mismas que las que prevalecerían bajo un régimen de propiedad colectiva. Los recursos comunes donde los derechos posesorios privados del individuo están estrictamente definidos, son mucho más propensos a proteger y fomentar la autonomía personal y el individualismo que el colectivismo pleno, a pesar de que puedan ser problemáticos dependiendo de cómo se organizan exactamente los recursos comunes.</p>
<p>Puede que la cuestión de la jerarquía en el lugar de trabajo sea objetable, pero no necesariamente. Los grandes centros de trabajo jerárquicos que tienden a tratar a los trabajadores como engranajes de una máquina o como herramientas de los empleadores claramente no están en línea con la filosofía individualista. Un lugar de trabajo donde se ningunea y se falta el respeto a los empleados de menor jerarquía deben ser objetados (de manera no agresiva) por cualquier persona a la que le importen la autonomía y el respeto a las personas.</p>
<p>Ahora bien, esto no implica que toda jerarquía en el lugar de trabajo sea mala en absolutamente todos los casos. A veces será preferible por razones económicas. A veces la jerarquía es mínima, se respeta a los empleados y se toma en cuenta su opinión. A veces, a pesar de ser jerárquica, la empresa es relativamente plana. Si bien muchas de las grandes corporaciones hoy en día rechazan los compromisos individualistas, no todos los lugares de trabajo jerárquicos son intrínsecamente malos. Simplemente tienen el potencial de ser malos.</p>
<p>Preguntar simplemente si algo es jerárquico y dar por terminado nuestro análisis moral es un error. Del mismo modo, preguntar simplemente si algo es coercitivo y dar por terminado nuestro análisis moral es un error. El individualismo considera muchos elementos como moralmente relevantes. Es cierto que la agresión y la libertad negativa son importantes. Pero también lo es la autonomía personal. Y también lo son la prosperidad y las consecuencias sociales beneficiosas. Tanto la economía política como la filosofía moral requieren del pluralismo de valores y del análisis meticuloso.</p>
<p>La lección que debemos aprender sobre la jerarquía no violenta es que, como casi todo en la vida, no es intrínsecamente mala, pero tiene el potencial de ser mala. Los sistemas de jerarquía voluntaria promueven una cultura de obediencia y colectivismo, y posiblemente podrían conducir a sistemas que se basan en la violencia. Éstos desalientan la individualidad, el libre pensamiento y la autonomía. Por estas razones, la jerarquía no violenta nunca es intrínsecamente mala para el anarquista individualista, pero siempre es potencialmente problemática y a menudo desagradable.</p>
<p>La posición del anarquista individualista respecto a la jerarquía se ubica en algún lugar entre el &#8220;siempre es malo&#8221; y el &#8220;nunca es malo&#8221;. A veces lo es. Pero otras veces no. Como he dicho anteriormente, la relación entre el anarquismo y la jerarquía es compleja y complicada. Parte de ser un individualista, un ser humano, es pensar las cosas por nosotros mismos, con rigor y exhaustivamente. No siempre hay principios claros y tajantes que nos exoneren de pensar por nosotros mismos, independientemente de qué tan cómodo sea el sillón desde el que pensemos.</p>
<p>Artículo original publicado <a href="http://c4ss.org/content/30804">por Cory Massimino el 30 de agosto de 2014</a>.</p>
<p>Traducido del inglés por <a href="http://es.alanfurth.com">Alan Furth</a>.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=31419&amp;md5=5268b1a7ac242aab2f8311fac1f67b39" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Por que sou anarquista</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Sep 2014 00:00:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Erick Vasconcelos]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por que sou anarquista? Essa é a pergunta que o editor do semanário The Twentieth Century pediu que eu respondesse a seus leitores. Consinto; porém, para ser franco, considero-a uma árdua tarefa. Se o editor ou um de seus contribuintes tivesse apenas sugerido um motivo por que eu devesse ser algo que não um anarquista,...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Por que sou anarquista? Essa é a pergunta que o editor do semanário <em>The Twentieth Century</em> pediu que eu respondesse a seus leitores. Consinto; porém, para ser franco, considero-a uma árdua tarefa. Se o editor ou um de seus contribuintes tivesse apenas sugerido um motivo por que eu devesse ser algo que não um anarquista, estou certo de que não teria dificuldades em discutir tal argumento. E não seria esse mesmo fato, afinal, o melhor dos motivos por que eu deveria ser um anarquista — a saber, a impossibilidade de descobrir qualquer motivo para considerar outra denominação? Mostrar a invalidade dos argumentos do socialismo de estado, do nacionalismo, do comunismo, do imposto único, do capitalismo vigente e de inúmeras outras formas de arquismo existentes ou propostas é, ao mesmo tempo, demonstrar a validade dos argumentos do anarquismo. Ao negarmos o arquismo, podemos afirmar o anarquismo. É uma questão lógica.</p>
<p>Evidentemente, a presente demanda não é atendida de maneira satisfatória assim. O erro e a puerilidade do socialismo de estado e de todos os despotismos a que ele é aparentado já foram repetida e efetivamente mostrados de várias maneiras e em vários locais. Não há motivos pelos quais eu devesse atravessar esse terreno novamente com os leitores de <em>Twentieth Century</em>, embora sejam todas provas suficientes para o anarquismo. Algo positivo é exigido, suponho eu.</p>
<p>Pois não, para começar com a maior generalização possível, sou anarquista por que o anarquismo e a filosofia do anarquismo são conducentes à minha felicidade. &#8220;Ah, fosse esse o caso, é claro que deveríamos todos ser anarquistas&#8221;, dirão os arquistas em uníssono — ao menos aqueles que estejam emancipados de superstições religiosas e éticas —, &#8220;mas você não nos respondeu, pois negamos que o anarquismo nos seja conducente à felicidade&#8221;.</p>
<p>De fato, meus amigos? Porque não acredito quando o dizem; ou, para ser mais cortês, eu não acredito que possam afirmar tal coisa ao conhecer verdadeiramente o anarquismo.</p>
<p>Pois quais são as condições da felicidade? Da perfeita felicidade, muitas. Mas as primeiras e principais condições são poucas e simples. Não são senão a liberdade e a prosperidade material? Não é essencial para a felicidade de cada ser desenvolvido que ele e aqueles que o circundam sejam livres e que estejam tranquilos em relação à satisfação de suas necessidades materiais? Parece inútil negar tais fatos e, no caso da existência da negação, seria inútil argumentar. Nenhuma evidência de que a felicidade humana tenha aumentado juntamente à liberdade humana convenceria um homem incapaz de apreciar o valor da liberdade sem o reforço pela indução. E para todos que não sejam tal indivíduo, é autoevidente que das duas condições citadas — liberdade e riqueza — a primeira tem precedência como promotora da felicidade. Cada um dos fatores isoladamente seria capaz apenas de produzir uma imitação pobre da felicidade se não acompanhado do outro; porém, no balanço geral, muita liberdade e pouca riqueza seria uma situação preferível à muita riqueza e pouca liberdade. A acusação dos socialistas arquistas de que os anarquistas sejam burgueses é verdade somente até este ponto — seu horror à sociedade burguesa pode ser grande, mas seu amor à liberdade parcial vigente é maior do que a escravidão completa do socialismo de estado. De minha parte, consigo observar com maior prazer — ou melhor, menor dor — as atuais ebulientes lutas, nas quais alguns se libertam e outros não, alguns caem outros ascendem, alguns são ricos e muitos são pobres, mas nenhum está completamente acorrentado ou desesperançoso de um futuro melhor, do que consigo vislumbrar o ideal do sr. Thaddeus Wakkeman* de uma comunidade uniforme e miserável formada por um rebanho plácido e servil.</p>
<p>Portanto, repito, eu não acredito que muitos dos arquistas possam ser persuadidos a dizer que a liberdade não seja a condição primária da felicidade e, nesse caso, eles não poderão negar que o anarquismo, que não é senão outro nome para a liberdade, é conducente à felicidade. Sendo isso verdadeiro, eu não me furtei à questão e já estabeleci meu argumento. Nada mais é necessário para justificar meu credo anarquista. Mesmo que alguma forma de arquismo pudesse ser imaginada a ponto de criar infinita riqueza e distribuí-la com perfeita igualdade (perdoe a absurda hipótese de distribuição do infinito), o fato primordial de que esse sistema seria uma negação da condição inicial da felicidade nos obrigaria a rejeitá-lo e a aceitar sua alternativa: o anarquismo.</p>
<p>Embora isso seja o bastante, não é tudo. É suficiente justificativa, mas não suficiente inspiração. A felicidade possível em qualquer sociedade que não aperfeiçoe a distribuição de riqueza presente não pode ser descrita como beatífica. Nenhuma perspectiva pode ser suficientemente atraente se não prometer ambos os requisitos da felicidade — a liberdade e a riqueza. O anarquismo promete ambos. De fato, promete o primeiro como resultado do segundo.</p>
<p>Isso nos leva à esfera da economia? A liberdade produzirá abundância e distribuirá a riqueza de forma equitativa? Essa é a questão remanescente a se considerar. E certamente não pode ser tratada em apenas um artigo para <em>Twentieth Century</em>. Algumas generalizações são permissíveis, no máximo.</p>
<p>O que causa a distribuição desigual de riquezas? &#8220;A competição&#8221;, afirmam os socialistas de estado. Se estiverem corretos, de fato, estamos em má situação, porque, nesse caso, jamais poderemos chegar à riqueza sem sacrificar a liberdade de que precisamos. Felizmente, eles não estão certos. Não é a competição, mas o monopólio que priva o trabalho de seu produto. Desconsiderados salários, heranças, presentes e jogos, todos os processos pelos quais os homens adquirem a riqueza repousam sobre monopólios, proibições e negações da liberdade. Os juros e os aluguéis de construções repousam sobre o monopólio bancário, a proibição da competição nas finanças, a negação da liberdade de emitir moeda; as rendas advém do monopólio das terras, da negação da liberdade de uso das terras vagas; os lucros além dos salários ocorrem por conta dos monopólios tarifários e das patentes, pela proibição e limitação da competição das indústrias e artes. Há somente uma exceção, comparativamente trivial; refiro-me à renda econômica em contraste à renda monopolística. Ela não se deve a qualquer negação da liberdade, mas se trata de uma das desigualdades naturais. Provavelmente sempre existirá, embora a completa liberdade deva mitigá-la; disso não tenho dúvidas. Porém, não espero que jamais chegue ao ponto da inexistência que o sr. M&#8217;Cready antecipa tão confiantemente. Na pior das hipóteses, contudo, será um problema menor, não mais digno de consideração e comparação do que a pequena disparidade que sempre existirá devido a desigualdades de habilidade.</p>
<p>Se, assim, todos esses métodos de extorsão do trabalho se devem a negações da liberdade, o remédio óbvio consiste em sua realização. Destrua o monopólio bancário e estabeleça a liberdade financeira e os juros cairão, por influência benéfica da competição. O capital será liberado, os negócios prosperarão, novos empreendimentos surgirão, o trabalho será demandado e gradualmente os salários subirão até o ponto de igualdade a seu produto. O mesmo vale para os outros monopólios. Acabe com as tarifas, destrua as patentes, derrube as grades e o trabalho rapidamente tomará posse do que é seu. E a humanidade viverá em liberdade e conforto.</p>
<p>É isso que quero ver e em que tanto gosto de pensar. Uma vez que o anarquismo realizará esse estado de coisas, sou um anarquista. Afirmá-lo não é prová-lo, disso eu sei. Porém, o anarquismo não pode ser refutado ela mera negação. Ainda aguardo alguém que me mostre por história, fatos ou lógica que os homens têm desejos sociais superiores à liberdade e à riqueza e que o arquismo é capaz de garantir sua satisfação. Até lá, os fundamentos de meu credo político e econômico permanecerão como colocados neste breve artigo.</p>
<p>* Thaddeus Burr Wakeman (1834-1913) foi um conhecido positivista americano.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=31349&amp;md5=66bd364b18aa58a79ba681ba8c26b1f8" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>O anarquismo individualista e a hierarquia</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Sep 2014 00:45:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Cory Massimino]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[O anarquismo e a hierarquia têm um relacionamento complexo. Alguns anarquistas afirmam se opor a todo tipo de hierarquia (às vezes até definindo o anarquismo como tal) e outros afirmam que são apenas contrários ao estado e que não se importam com a hierarquia em si. Eu acredito que o anarquismo individualista caia entre os...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O anarquismo e a hierarquia têm um relacionamento complexo. Alguns anarquistas afirmam se opor a todo tipo de hierarquia (às vezes até definindo o anarquismo como tal) e outros afirmam que são apenas contrários ao estado e que não se importam com a hierarquia em si. Eu acredito que o anarquismo individualista caia entre os dois extremos.</p>
<p>O anarquismo individualismo, resumidamente, é a posição de que o indivíduo é a base da &#8220;sociedade&#8221;. Assim, em qualquer sistema político — ou, mais precisamente, qualquer não-sistema apolítico — que exista deve dar primazia ao indivíduo e respeitar sua soberania como ser livre. O não-sistema que melhor alcança esse objetivo é o anarquismo.</p>
<p>A hierarquia é &#8220;um sistema ou organização no qual pessoas ou grupos são ordenados acima uns dos outros de acordo com status ou autoridade&#8221;. Em alguns casos, esse tipo de sistema é inerentemente errado (ou mau); em outros, é permissível ou até mesmo bom; já em alguns, pode não ser inerentemente ruim, mas ainda é condenável.</p>
<p>A hierarquia é obviamente problemática e até imoral quando mantida através da iniciação da força. Como individualistas, defendemos a soberania do indivíduo e consideramos a autonomia de uma pessoa como fato moral extremamente relevante. A capacidade de exercer faculdades e capacidades próprias ao máximo de acordo com a própria volição é um direito individual de cada indivíduo (e já que toda pessoa tem esse direito, ele implica uma limitação para quando se impede as ações dos outros).</p>
<p>O ato de subordinar os objetivos dos outros pela força, substituindo-os pelos seus, é uma afronta à individualidade das duas pessoas e uma violação de seus direitos. O ato da agressão é imoral em si, mas um sistema hierárquico mantido pela agressão coloca certos indivíduos em sujeição a outros. Quando um é meramente um servo, obediente aos níveis mais altos da hierarquia, não há individualidade — algo a que obviamente nos opomos.</p>
<p>Isso leva o individualista a rejeitar o uso da violência e, portanto, o estado. O estado, ao contrário do que afirmam os teóricos do contrato social, depende da violência para manter seu financiamento e seu monopólio sobre o uso legítimo da força dentro de uma área geográfica. Os estados são sistemas de predadores agressivos e hierárquicos. São a antítese do individualismo.</p>
<p>Para muitos anarquistas, a propriedade privada é inerentemente hierárquica e, portanto, inadmissível. Estão apenas parcialmente corretos. Em certo sentido, a propriedade privada cria uma hierarquia entre o dono de uma propriedade e as demais pessoas. Contudo, a propriedade privada tem outros benefícios dignos de consideração. Não há motivos para restringirmos nossa análise à questão única da presença ou não da hierarquia. Há outros fatores moralmente relevantes.</p>
<p>A propriedade privada é útil por vários motivos, muitos deles com importantes consequências. Um sistema de propriedade privada cria uma sociedade próspera e rica que é capaz de alocar eficientemente recursos escassos. Adicionalmente, e de grande significância para o individualista, a propriedade privada é vital para a autonomia pessoa. Como escreve Roderick Long:</p>
<blockquote><p>&#8220;A necessidade humana de autonomia: a capacidade de controlar a própria vida sem a interferência dos outros. Sem a propriedade privada, eu não teria um local no qual me localizar para chamar de meu; eu não teria uma esfera de proteção na qual eu pudesse tomar decisões sem as limitações da vontade dos outros. Se a autonomia (nesse sentido) é valiosa, então precisamos da propriedade privada para sua realização e proteção.&#8221;</p></blockquote>
<p>Sem a propriedade privada, o escopo do indivíduo é restringido em favor da comunidade ou da sociedade. Enquanto individualistas, devemos nos preocupar com a maximização da autonomia de cada pessoa e, para isso, a propriedade privada é benéfica.</p>
<p>Além disso, a substituição da propriedade privada pela propriedade coletiva não elimina a existência da hierarquia, mas simplesmente desloca o nível mais alto da hierarquia do proprietário para a maioria coletiva. Sob a propriedade coletiva, aqueles que compõem a maioria podem decidir para que a propriedade deve ser usada e estão, portanto, em posição de autoridade em relação à minoria.</p>
<p>É digna de nota a questão dos pais e da família. O relacionamento entre pais e filhos é historicamente hierárquico. Contudo, sem entrar na esfera complicada dos direitos das crianças, a autoridade empregada pelos pais ao criar seus filhos não depende da força da mesma maneira que a força usada contra um adulto (em que ponto estabelecer esse limite é outra questão complexa). Embora existam exemplos do uso da força que sejam injustos, como o abuso físico, há outros que são justos, como forçar uma criança a comer seu jantar. Uma vez que a hierarquia entre pais e filhos aparentemente é benéfica para os envolvidos, os anarquistas individualistas não veem problemas com ela (para uma elaboração sobre a posição dos anarquistas individualistas sobre os direitos das crianças, veja a seção <a href="http://www.freenation.org/a/f43l2.html">deste ensaio</a> intitulada &#8220;The Rights of Children&#8221; — em inglês).</p>
<p>E quanto aos sistemas de hierarquia não-violenta? Muitos desses dependem da situação e do contexto específico, mas podemos dizer que, geralmente, a hierarquia, mesmo que &#8220;consensual&#8221;, é sempre <em>potencialmente</em> problemática para o individualista. Uma vez que consideramos a autonomia e o exercício das faculdades individuais como sumamente importantes, situações em que as pessoas se submetem voluntariamente à autoridade dos outros, criando uma hierarquia, podem ser condenáveis.</p>
<p>Considere o exemplo de uma pequena cidade em que todos, por um ou outro motivo, submetam voluntariamente suas propriedades à gerência coletiva. Pelos motivos explicados acima a respeito dos efeitos da propriedade privada sobre a autonomia, podemos dizer que uma cidade em que exista propriedade privada é preferível a uma em que haja propriedade coletiva. Então, como individualistas que valorizam a prosperidade e a autonomia, temos bons motivos para nos opor a uma cidade voluntariamente comunista — mesmo que seja apenas uma manifestação da vontade das pessoas, que estão tomando uma má decisão e deveriam adotar um sistema de propriedade privada.</p>
<p>Pelos motivos mencionados acima, a iniciação do uso da força é inadmissível para o individualista. Afinal, utilizar a força deveria ser o mesmo que sujeitar as pessoas à nossa vontade, o que é ativamente imoral e pior do que suas decisões voluntárias. Então, seria errado utilizar a força para impedir os habitantes da cidade de estabelecerem um sistema comunista voluntário.</p>
<p>No entanto, o uso de coisas como persuasão, campanhas educativas e boicotes é permissível e talvez estimulado (se são táticas efetivas e interessantes, é uma questão à parte). Reconhecemos que o comunismo voluntário é ruim para as pessoas envolvidas (e potencialmente ruim para outras, por motivos econômicos ou porque essas ideias podem começar a ganhar adesão e apoio) e que se sujeitar à vontade da maioria é um erro, então não faria sentido permanecer ambivalente sobre a questão.</p>
<p>Há também o conceito das propriedades comunais horizontalmente organizadas e autogeridas. São modelos diferentes da propriedade coletiva. Conjuntos de recursos comuns em que os direitos de posse do indivíduo são estritamente definidos têm uma probabilidade muito maior de proteger e estimular a autonomia pessoal e o individualismo do que o coletivismo total, apesar de serem possivelmente problemáticos, dependendo de como são estabelecidos.</p>
<p>A hierarquia no ambiente de trabalho é possivelmente condenável, mas não inerentemente. Ambientes de trabalho grandes e hierárquicos que tendem a tratar os trabalhadores como engrenagens em um motor ou ferramentas dos empregadores são claramente desalinhados com a filosofia individualista. Um ambiente de trabalho em que os trabalhadores dos degraus mais baixos são pressionados e tratados com pouco respeito devem ser condenados (de forma não agressiva) por aqueles que se preocupam com a autonomia e com o respeito pelas pessoas.</p>
<p>Isso não implica que toda hierarquia trabalhista seja má. Às vezes, ela pode ser preferível por motivos econômicos. Às vezes a hierarquia é mínima e os funcionários têm voz e são tratados com respeito. Ocasionalmente, a firma pode ser hierárquica, mas relativamente plana. Embora muitas das corporações gigantes de hoje em dia sejam contrárias às preocupações individualistas, nem todas as hierarquias do trabalho são inerentemente negativas. Há apenas o potencial para que sejam.</p>
<p>É um erro terminar a análise sobre o fato de que algo é ou não hierárquico. Da mesma forma, perguntar se algo é coercitivo e mais nada é problemático. O individualismo enxerga vários fatores como moralmente relevantes. A agressão e a liberdade negativa são importantes, sim, da mesma forma que a autonomia pessoal, a prosperidade e as boas consequências. Tanto a economia política quanto a filosofia moral requerem um pluralismo valorativo combinado com uma análise meticulosa.</p>
<p>A lição a ser aprendida sobre as hierarquias não-violentas é de que, como a maior parte das coisas na vida, ela não é inerentemente má, mas tem o potencial para sê-lo. Sistemas voluntários de hierarquia promovem uma cultura de obediência e coletivismo que podem levar a sistemas que dependem da violência. Desestimulam a individualidade, o livre pensamento e a autonomia. Por esses motivos, a hierarquia não-violenta não é inerentemente má para o anarquista individualista, mas sempre é potencialmente problemática e frequentemente condenável.</p>
<p>A posição anarquista individualista sobre a hierarquia está entre a ideia de que é sempre errada e de que nunca é. Às vezes é errada, mas em outras, não. Como afirmei anteriormente, o relacionamento entre o anarquismo e a hierarquia é complexo. Parte de ser um individualista é pensar rigorosa e exaustivamente nas questões por conta própria. Não há sempre princípios rígidos para pensar por nós, não importa o quão confortável seja o sofá onde sentamos para apontar o dedo para o mundo.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=31384&amp;md5=61593e3eba5d571389bd28d34f5b51ff" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>O individualismo de esquerda</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Sep 2014 01:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[David S. D'Amato]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Talvez por viver em Chicago ou porque trabalho com outros advogados, em minha vida cotidiana estou rodeado por pessoas que se identificam com a esquerda americana e democratas centristas para quem a mera menção da palavra &#8220;libertário&#8221; incita pesadelos com a direita do Tea Party. Infelizmente, qualquer possibilidade de diálogo com esse grupo de pessoas acaba quando me identifico como libertário; para essas pessoas, o libertarianismo é a extrema direita de um espectro político americano unidimensional a que foram condicionadas a nunca questionar. Frequentemente, sabem algo sobre Ayn Rand até o ponto em que são capazes de considerar o libertarianismo como uma defesa simplista e impiedosa da ganância corporativa, do status quo econômico em que o 1% se torna cada vez mais rico enquanto a classe média diminui e os pobres sofrem em destituição. Ironicamente, esse tipo de social-democrata centrista provavelmente entende os efeitos do capitalismo melhor do que muitos libertários, percebendo a predação econômica e procurando (de forma não-sistemática) por <em>algo</em> que controle seus impulsos. O que eles não compreendem, porém, é o libertarianismo como uma filosofia real ou o abismo que separa o sistema econômico atual do livre mercado <em>genuíno</em>.</p>
<p>Por causa dessa repulsa reflexiva à mera menção do libertarianismo, minhas experiências me levaram a descrever minha posição política como &#8220;individualismo de esquerda&#8221;. Essa caracterização, pelo que noto, é mais convidativa a perguntas em vez de diatribes raivosas, preparando o terreno para uma conversa proveitosa e não dando lugar a um debate fútil. Peguei a expressão &#8220;individualismo de esquerda&#8221; de Eunice Minette Schuster, cuja dissertação <em>Native American Anarchism</em> tinha como subtítulo &#8220;A Study of Left-Wing American Individualism&#8221; (em português, &#8220;Um estudo do individualismo americano de esquerda&#8221;). O livro de Schuster segeu o anarquismo americano desde suas formas nascentes e prototípicas até seu desenvolvimento em um sistema filosófico e movimento distintos. Seu estudo é importante por dar atenção a uma corrente política que pode parecer confusa e contraditória no contexto dos debates atuais.</p>
<p>Os anarquistas individualistas que Schuster discute na parte do seu livro que trata o anarquismo em seu estado &#8220;maduro&#8221; eram individualistas extremos e socialistas, arquitetos de um projeto que nós do Centro por uma Sociedade Sem Estado (C4SS) tentamos continuar atualmente. Como defensores da liberdade total de competição, dos direitos de propriedade e da soberania do indivíduo, os anarquistas individualistas são parte da história do movimento libertário contemporâneo. Paralelamente, como o C4SS de hoje em dia, esse grupo se opunha ao capitalismo e considerava o socialismo como o &#8220;grande movimento antirroubo&#8221;, nas palavras do reformador radical Ezra Heywood. Ao contrário dos libertários atuais, que frequentemente demonizam os pobres como &#8220;parasitas&#8221; do assistencialismo, pensadores como Benjamin Tucker, Ezra Heywood e Josiah Warren (para mencionar somente alguns) viam os ricos como a verdadeira classe ociosa e parasitária, como beneficiários de privilégios que permitiam que eles manobrassem o sistema para impedir a competição real.</p>
<p>Esses antigos libertários viam que a liberdade e a competição funcionavam por todos os motivos que conhecemos atualmente: divisão e especialização do trabalho, grandes quantidades de informação destiladas em preços e a impossibilidade de planejar a economia através do maior de todos os monopólios, o estado. Eles argumentavam que a competição genuína em um livre mercado é a forma mais segura de garantir que o trabalho receba seu produto total, resolvendo, assim, o que era chamado com frequência de a Questão Trabalhista; isso os tornava socialistas, mesmo que eles não se encaixassem tão confortavelmente dentro do movimento socialista. Também não se encaixavam bem entre as fileiras liberais, que defendiam o livre comércio e a competição — os economistas políticos —, e se viam com frequência tendo que ensinar aos economistas sua própria doutrina, apontando os erros e inconsistências que caracterizavam muito daquilo que era considerado argumento em defesa do livre comércio.</p>
<p>Os anarquistas individualistas eram fanáticos pela coerência; se o trabalho tinha que ser posto em competição, sujeito à oferta e à demanda, então o capital também deveria. Como aponta Schuster, o &#8220;anarquismo científico&#8221; proposto por indivíduos como Benjamin Tucker, portanto, &#8220;não tinha apelo para o Capitalista, porque ele não defendia um &#8216;individualismo resistente&#8217;, mas um individualismo <em>universal</em>&#8221; (ênfase minha). Uma vez que os individualistas consideravam a renda, os juros e os lucros (a &#8220;trindade da usura) como resultados aproximados dos privilégios coercitivos, eles eram tratados como similares aos impostos, permitindo que os donos do capital se apropriassem a diferença entre os preços sob um regime de privilégio e os preços em um regime de competição aberta. A competição do mercado, portanto, não era o inimigo, mas o aliado do trabalhador. O argumento do anarquismo de mercado é simples: se insistimos que todos têm direito àquilo que conseguem obter num livre mercado, então devemos ao menos tentar chegar a um livre mercado. E um livre mercado não pode tolerar algumas das características históricas mais comuns do capitalismo: o roubo agressivo de terras em larga escala, os sistemas regulatórios e de licenciamento que funcionam como barreiras de alto custo à entrada no mercado e como barreiras ao autoemprego, vários subsídios diretos e indiretos que redistribuem renda a firmas bem conectadas e o sistema governamental de leis e instituições financeiras que produz o cartel de Wall Street que temos atualmente. Assim, o capitalismo parece não combinar com o que os libertários de fato querem quando dão seu apoio ao livre mercado. Não estamos tão perto assim de um sistema de livre mercado como muitos libertários gostam de pensar. Não precisamos apenas de alguns ajustes e algumas reformas aqui e acolá, de algumas privatizações de monopólios estatais e da desregulamentação de algumas indústrias. Para chegar num sistema livre, precisaríamos de uma ruptura completa e sistemática com a tirania capitalista que temos há tanto tempo, um sistema que é o sucessor direto dos sistemas estatistas, desde o feudalismo até o mercantilismo.</p>
<p>Anarquistas como Warren e Tucker compreendiam esse fato e passaram suas vidas lutando contra a desigualdade do status quo capitalista que coloca os trabalhadores em desvantagens sistemáticas. E apesar dos esforços em colocá-los na direita política — ou mesmo de tirá-los da tradição anarquista —, eles pertencem (se é que pertecem a alguma ponta do espectro) à esquerda, como entendia Schuster. Representando a tremenda falaa de compreensão em relação ao anarquismo individualista entre acadêmicos de esquerda, o historiador David DeLeon, em seu livro <em>The American as Anarchist</em>, afirma que Benjamin Tucker é um &#8220;libertário de direita&#8221; e, incrivelmente, aponta Ronald Reagan e George Wallace como seus sucessores ideológicos. Em outros pontos do livro, DeLeon classifica casualmente Voltairine de Cleyre — cujas explorações dentro do anarquismo não se prestam facilmente a rótulos — como &#8220;anarcocomunista&#8221;. Preocupante é também sua incrível alegação de que Ralph Waldo Emerson, Henry David Thoreau e Walt Whitman todos eram libertários de direita. Se alguém que está tão envolvido nos estudos profissionais desses personagens e de seus movimentos é capaz de interpretar erroneamente suas circunstâncias, não é de surpreender que o anarquismo individualista seja complexo para a maior parte dos leigos em filosofia política.</p>
<p>Apresentar a mim mesmo como &#8220;individualista de esquerda&#8221; é uma das minhas atitudes para reintroduzir o anarquismo individualista do século 19 no discurso contemporâneo, uma tradição que equilibra o indivíduo e a comunidade de uma maneira que é desesperadamente necessária em um mundo dominado pelo poder centralizado. O movimento libertário, além disso, não deve se apressar tanto em desprezar anarquistas como Tucker como se fossem ignorantes econômicos de eras passadas. Afinal, qualquer consideração sobre os relacionamentos econômicos em um livre mercado necessariamente será marcado pela especulação. Os libertários que acreditam que os relacionamentos seriam como os atuais têm pouca imaginação e não conseguem nem imaginar a profundidade das mudanças que um real respeito à soberania individual traria.</p>
<p><em>Traduzido por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
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