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	<title>Center for a Stateless Society &#187; análise de privilégios</title>
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		<title>Sobre o valor da teoria do privilégio: Um sumário</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jul 2014 01:00:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Kevin Carson]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[As trocas mútuas são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores. Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>As <a href="http://c4ss.org/content/category/mutual-exchange">trocas mútuas</a> são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores.</p>
<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, “<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>“. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria <a href="http://c4ss.org/content/category/o-sentido-do-privilegio">O sentido do privilégio</a>.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p>Ao ler o último artigo de Casey Given em nossa Mutual Exchange sobre o valor da teoria do privilégio, tenho ainda menos confiança que nunca de que ele entenda do que se trata a teoria que ele critica.</p>
<p>Ele continua, absurdamente, a tratar a interseccionalidade como alternativa à teoria do privilégio, quando ela, na verdade, pressupõe a teoria do privilégio e a utiliza como base. Ele continua a se referir à opressão como algo real, apesar do fato de que o privilégio é, por definição, a vantagem relativa de não ser oprimido em comparação àqueles que são. Nas palavras de Cathy Reisenwitz, o privilégio não é nada mais que o fato de que você &#8220;entrou na corrida alguns passos na frente&#8221; de outra pessoa. Você pode desgostar do termo &#8220;privilégio&#8221; para descrever esse fenômeno, mas o fato em si é real. E ocorre que o &#8220;privilégio&#8221; é o termo normalmente utilizado por ativistas sociais.</p>
<p>Eu repito, não importa se o aprendizado sobre o conceito de privilégio e a consideração sobre as formas de privilégio que as pessoas possuem as faz se sentir mal. Às vezes eu me sinto mal quando minha conta bancária cai para zero e eu não tenho ideia de quanto terei que esperar até que meu próximo contracheque chegue, mas as leis da matemática não dependem dos meus sentimentos. Given afirma que a &#8220;conscientização sobre os próprios privilegios não acaba com a pobreza ou a opressão sistemáticas&#8221;. A conscientização a respeito das leis da gravidade e da balística também é incapaz de levá-lo a Marte, mas ignorá-las e agir como se elas não existissem é garantia de que você nunca chegará lá.</p>
<p>Given também alega que a análise dos privilégios é notória por &#8220;coletivizar as pessoas&#8221; e a justapõe à interseccionalidade como maneira de &#8220;analisar as várias interseções de privilégio e opressão sobre os quais o indivíduo se encontra&#8221;. Mas, como o próprio Given sugere aqui, a própria palavra &#8220;interseccionalidade&#8221; implica que algo está em interseção. Esse algo — como ele admite — são os eixos de privilégio e opressão nos quais se encontram indivíduos específicos. Se a prática da interseccionalidade foi criada por aqueles que utilizam a teoria do privilégio como uma expansão natural daquela teoria e é vista — tanto por seus criadores quanto por Given — como a aplicação das formas interseccionais de privilégio a casos individuais, então é óbvio que a visão do privilégio como &#8220;coletivista&#8221; e em oposição à interseccionalidade reflete seu fracasso em entender o conceito.</p>
<p>A interseccionalidade é plenamente consistente com a teoria do privilégio porque a teoria do privilégio, quando bem compreendida, náo é uma identidade monolítica ou um valor absoluto. Uma boa comparação são os vários diferenciais positivos e negativos — exaustão, perturbação do moral, esgotamento do combustível ou munição, supressão por artilharias próximas, etc. — que podem ser atribuídos a uma unidade de combate em um dos antigos jogos de tabuleiros em grade como eram produzidos pela Avalon Hill e pela SPI. Aplicar um diferencial específico negativo não significa necessariamente que uma unidade de combate seja mais fraca que outra em termos absolutos, mas significa que ela é muito mais fraca do que seria naturalmente. Um negro de classe alta dentro da hierarquia gerencial corporativa pode ter mais privilégios em termos agregados que uma mulher que trabalha na sala de correspondências, mas sua raça reduz seu diferencial de status em relação ao que ele teria se, por exemplo, as circunstâncias fossem idênticas, a não ser pelo fato de a mulher das correspondências ser negra e o executivo ser um homem branco.</p>
<p>Nesse sentido, a interseccionalidade é um remédio. Mas é um remédio não para o conceito de privilégio, mas para a má compreensão e aplicação da teoria do privilégio que ocorreu a reboque da chamada &#8220;política identitária&#8221; dos anos 1970. Repetindo: a interseccionalidade é um remédio não para a teoria do privilégio, mas para a politica identitária. Given parece confundir uma com a outra. Havia, de fato, vários problemas com as análises associadas à política identitária dos anos 1970. Elas tratavam as identidades de raça ou gênero como formas absolutas e monolíticas de opressão que se sobressaiam a todo o resto. Nós vemos a sobrevivência de algumas formas desse tipo de pensamento hoje em dia entre feministas radicais com raízes ao feminismo da segunda onda. Algumas feministas brancas de classe média-alta dessa origem argumentam — a sério! — que não podem ser culpadas pela opressão de classe ou de raça, que não possuem privilégios de classe ou raça, que não têm nada a ver com a opressão de trabalhadoras do sexo ou mulheres trans, porque, enquanto mulheres, elas por definição não são capazes de oprimir. O conceito de interseccionalidade foi criado como remédio para esse entendimento errôneo do privilégio. Dessa forma, ele não é uma alternativa à teoria do privilégio, mas sua evolução.</p>
<p>Given expressa perfplexidade pelo fato de que Cathy Reisenwitz, Nathan Goodman e eu parecemos concordar com varias de suas premissas, porém não concordamos com a conclusão que ele tira de que a teoria do privilégio é perniciosa. A razão para esse fato é que suas conclusões não se seguem de suas observações, porque suas observações não se aplicam à teoria do privilégio da maneira que ele imagina.</p>
<p>Na verdade, eu estou igualmente perplexo, dadas algumas afirmações de Given em seu último artigo, que ele continue a discordar de nós. A &#8220;mensagem interessante&#8221; por trás da ideia de checar seus privilégios, afirma ele, é que os indivíduos devam ter consciência das (e presumivelmente agir de acordo) &#8220;opressões por que a pessoa passou em toda a sua vida&#8221; e das &#8220;vantagens e desvantagens sociais de que desfrutam em sua interação com os outros&#8221;. Sim, exatamente. Ter consciência sobre esses fatos e agir de acordo com eles é o que pretende a teoria do privilégio e a interseccionalidade.</p>
<p>Given afirma que são apenas uma &#8220;cortesia comum&#8221; e &#8220;boas maneiras&#8221;, mas quer saber? Embora os conceitos e as práticas do ativismo social sejam rejeitados pela direita cultural como se fossem novos, radicais ou exóticos (&#8220;politicamente correto&#8221;, &#8220;polícia do pensamento&#8221;, etc), na realidade não são nada senão princípios morais tão antigos quanto a humanidade, aplicados universal e consistentemente.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=29167&amp;md5=2618ea70352ebe064aa4929cc00c5ab7" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>As várias funções da análise do privilégio</title>
		<link>http://c4ss.org/content/28737</link>
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		<pubDate>Fri, 27 Jun 2014 00:34:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Nathan Goodman]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>As <a href="http://c4ss.org/content/category/mutual-exchange">trocas mútuas</a> são o objetivo do Centro em dois sentidos — nós defendemos uma sociedade baseada na cooperação pacífica e voluntária e buscamos estimular o entendimento através do diálogo contínuo. A série Mutual Exchange dará oportunidades para essa troca de ideias sobre questões que importam para os nossos leitores.</p>
<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, “<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>“. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria <a href="http://c4ss.org/content/category/o-sentido-do-privilegio">O sentido do privilégio</a>.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p><a href="http://c4ss.org/content/28524">Casey Given</a> oferece algumas críticas interessantes ao conceito de privilégio, influenciadas por trabalhos ativistas feministas e antirracistas, em vez de utilizar argumentos da direita. Embora eu concorde com alguns deles, penso que seu artigo ignora várias funções exercidas pelo conceito de privilégio, além de alguns conceitos dentro da teoria feminista que são úteis para contornar algumas críticas comuns levantadas por libertários.</p>
<p>Ele está correto em notar que a conversa se torna vaga quando direitos básicos ou expectativas razoáveis que temos em relação a vários humanos são citadas como &#8220;privilégios&#8221;. Porém, eu diria que essa catalogação ainda seria útil para entender como o sucesso de uma pessoa pode depender da opressão do direito de outras. Mas a confusão pode apresentar problemas e isso é importante de se perceber.</p>
<p>Contudo, um conceito pode ser utilizado de formas errôneas e mesmo assim servir a funções úteis. Uma função chave da concepção feminista ou antirracista do privilégio é sua conexão com a epistemologia perspectivista. Isso enfatiza como o privilégio se torna invisível às partes privilegiadas e simultaneamente esconde as condições de opressão delas. Em outras palavras, lida com o fato de que o conhecimento é distribuído de acordo com a opressão de classes. Em &#8220;<a href="http://c4ss.org/content/21320">The Knowledge Problem of Privilege</a>&#8221; (&#8220;O problema do conhecimento do privilégio&#8221;, em português), eu argumento que a ideia de que devemos &#8220;checar nossos privilégios&#8221; representam uma &#8220;tentativa de fazer com que as pessoas reconheçam os limites de seu conhecimento&#8221;. A Enciclopédia de Filosofia de Stanford explica essa abordagem epistemológica, conhecida como teoria feminista perspectivista:</p>
<blockquote><p>&#8220;As mulheres são oprimidas e, portanto, têm interesse em representar fenômenos sociais de formas que revelam em vez de mascarar essa verdade. Elas também experimentam diretamente sua opressão, ao contrário dos homens, cujos privilégios permitem que ignorem como suas ações afetam as mulheres enquanto classe. Uma epistemologia que baseia o privilégio epistêmico na opressão é capaz de identificar os multiplamente oprimidos e os multiplamente privilegiados epistemicamente. Dentro da teoria feminista, essa lógica levou ao desenvolvimento da epistemologia feminista negra. Collins (1990) baseia a epistemologia feminista negra nas experiências pessoais das mulheres negras com o racismo e o sexismo e nos estilos cognitivos associados com as mulheres negras. Ela usa essa epistemologia para fornecer auto-representações que permitem que as mulheres negras resistam às imagens humilhantemente racistas e sexistas das mulheres negras no mundo em geral e que tenham orgulho de suas identidades. O privilégio epistêmico dos oprimidos é às vezes exercido, como mostra W.E.B. DuBois, através de uma &#8220;consciência bifurcada&#8221;: a capacidade de ver os fatos através da perspectiva do dominante e do oprimido, avaliando comparativamente ambas (Harding, 1991; Smith, 1974; Collins, 1990). Mulheres negras são &#8220;estranhas internas&#8221;, porque têm experiência social próxima o suficiente para conhecerem a ordem social de que fazem parte, mas estão em distância crítica adequada para exercer suas críticas.&#8221;</p></blockquote>
<p>Essa abordagem ao reconhecimento dos relacionamentos de poder, opressão e conhecimento não é único à teoria feminista. Em &#8220;Domination and the Arts of Resistance: Hidden Transcripts&#8221; (em português, &#8220;Dominação e as artes de resistência: Transcrições ocultas&#8221;), James C. Scott argumenta que a perspectiva dos oprimidos raramente é compreendida por seus opressores. O poder dos governantes sobre os cidadãos ou dos chefes sobre empregados impede que os governados digam a verdade àqueles acima na hierarquia, relegando as perspectivas dos oprimidos ao que Scott chama de &#8220;transcrições ocultas&#8221;. Essas assimetrias de informação podem ser discutidas sem frases de efeito como &#8220;cheque seus privilégios&#8221; e, já que muitos têm reações negativas a essa expressão, prefiro evitá-la. Porém, as preocupações sobre posições sociais e os conhecimentos situacionais que a frase pretende levantar são reais e válidos, então devemos dialogar seriamente com aqueles que expressam preocupações em termos de privilégio.</p>
<p>Com frequência, quando eu chamo a atenção para as questões epistemológicas que a discussão do privilégio pretende suscitar, os libertários alegam que se trata de um conceito coletivista ou que envolve premissas injustificadas a respeito dos indivíduos. Isso pode ser verdade se essencializarmos os grupos e presumirmos uma &#8220;experiência feminina&#8221;, &#8220;experiência gay&#8221; ou &#8220;experiência negra&#8221; universal. É por isso que os conceitos de interseccionalidade e anti-essencialismo discutidos por acadêmicas feministas como Trina Grillo são tão importantes para chegarmos a uma teoria realista da opressão social. A interseccionalidade pretende reconhecer holisticamente as pessoas e a opressão que elas experimentam. Por exemplo, durante o estudo das mulheres negras, não é suficiente reconhecer a misoginia e o racismo e simplesmente adicionar seus efeitos. O sexismo, o racismo, a homofobia, a pobreza e outros fatores se interseccionam para dar origem a formas únicas e potentes umas das outras. Ambientes institucionais também cumprem um papel. Isso significa que enquanto a lei observa diferentes formas de discriminação e opressão em isolamento, feministas interseccionais favorecem o exame de indivíduos e da opressão e privilégios que experimentam de maneira holística. Isso dá origem a um feminismo mais nuançado e individualista, que promove a solidariedade entre aqueles que resistem à opressão. O anti-essencialismo também promove uma abordagem mais matizada à conceitualização da opressão. A essencialização de uma &#8220;experiência feminina&#8221; ou de uma &#8220;experiência negra&#8221; básica ignora as diferentes formas pelas quais a opressão é sentida entre os membros desses grupos. Esse essencialismo significa, com frequência, tomar a experiência de alguns membros privilegiados desses grupos como o padrão. Por exemplo, uma &#8220;experiência feminina&#8221; padrão pode descrever especificamente aquilo que é sentido por mulheres brancas heterossexuais e cisgênero, que passam por situações de misoginia mas não são vítimas da homofobia, transfobia e do racismo por que outras mulheres passam. Isso, é claro, ignora também que todas essas formas de opressão moldam a maneira pela qual algumas mulheres são sujeitadas à misoginia. Além disso, não leva em consideração como as mulheres brancas heterossexuais têm suas normas de gênero moldadas por sua raça, orientação sexual e pelo privilégio cis. Assim, esse essencialismo normaliza uma experiência de privilégio e apaga as nuances da opressão. O anti-essencialismo, como a interseccionalidade, permite que nós observemos os indivíduos de maneira holística, particularmente como eles próprios experimentam a opressão. Como afirma Trina Grillo, &#8220;as críticas anti-essencialistas e interseccionais pedem apenas que definamos as experiências complexas da maneira mais próxima possível a toda a sua complexidade e que não ignoremos as vozes marginais&#8221;.</p>
<p>Casey Given nos estimula a entrar em ação para desafiar as instituições e regras que possibilitam e exacerbam a opressão. Contudo, para que possamos agir dessa forma com sucesso, é importante fazer análises precisas sobre a opressão contra a qual pretendemos lutar. As ferramentas da teoria feminista e da teoria crítica de raças, como a epistemologia perspectivista, a interseccionalidade e o anti-essencialismo são úteis para analisar, entender e, finalmente, acabar com a opressão. E todas essas ferramentas já foram usadas na análise do privilégio, tornando-a interessante para um estudo mais aprofundado.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=28737&amp;md5=4568e682cf35de63b41e36d7c7af5e1c" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Qual o sentido de checar seus privilégios?</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Jun 2014 00:00:20 +0000</pubDate>
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<p>Um ensaio de abertura, deliberadamente provocador, será seguido por respostas de dentro e fora do C4SS. Contribuições e comentários dos leitores são muito bem vindos. A seguinte conversa começa com um artigo de Casey Given, &#8220;<a href="http://c4ss.org/content/28524">Qual o sentido de checar seus privilégios?</a>&#8220;. Nathan Goodman, Kevin Carson, Casey Given e Cathy Reisenwitz prepararam uma série de artigos que desafiam, exploram e respondem aos temas apresentados no artigo original de Given. Ao longo da próxima semana, o C4SS publicará todas as suas respostas. A série final poderá ser acessada na categoria O sentido do privilégio.</p>
<p style="text-align: center;">*     *     *</p>
<p>Em apenas algumas linhas, o calouro da Universidade de Princeton Tal Fortgang levou novamente o tópico dos privilégios às notícias nacionais. &#8220;Por trás de todo sucesso, grande ou pequeno, há uma história, que nem sempre é contada pelo sexo ou pela cor da pele&#8221;, afirmava Fortgang em um artigo para o <a href="http://theprincetontory.com/main/checking-my-privilege-character-as-the-basis-of-privilege/">jornal estudantil conservador Princeton Tory</a>. &#8220;[Presumir] que é e que eu deva pedir desculpas por isso é um insulto&#8221;, escreveu. O artigo de Fortgang foi <a href="http://time.com/author/tal-fortgang/">republicado pela revista Time</a> e deu início a um fogo cruzado de aplausos e vaios de todos os lados do espectro político.</p>
<p>O que a mídia não percebe, contudo, é que esse circo não é nada novo. O conceito de privilégios ronda os círculos acadêmicos há mais de meio século, sobrevivendo apesar de seu esgotamento. Embora surtos de indignação conservadora como os de Fortgang surjam com alguma frequência, com a defesa de valores meritocráticos, as críticas mais interessantes vêm do meio intelectual preocupado com a justiça social, de onde surgiu a análise do privilégio. Alguns acadêmicos alinhados à esquerda condenam a estrutura de análise de privilégios por varrer a opressão para baixo do tapete, enfatizando a culpa branca em vez da ação política para acabar com a desigualdade sócio-econômica.</p>
<p>Embora a mídia não dê muita atenção para esse fato na cobertura da polêmica sobre o artigo de Fortgang, o conceito de privilégio tem suas raízes no ensaio de 1988 de Peggy McIntosh &#8220;<a href="http://donblake.com/wroe/resources/whiteandmaleprivilege.doc.pdf">White Privilege and Male Privilege: A Personal Account of Coming to See Correspondences through Work in Women’s Studies</a>&#8221; (em português, &#8220;Privilégio branco e privilégio masculino: Um relato pessoal da percepção de suas correspondências através do trabalho nos estudos sobre a mulher&#8221;). Nele, McIntosh lista 46 &#8220;efeitos diários do privilégio branco&#8221;, desde os mais abstratos (por exemplo, &#8220;Me sentirei bem vinda e &#8216;normal&#8217; nos locais mais comuns da vida pública, institucional e social&#8221;) aos mais concretos (por exemplo, &#8220;Eu posso ir fazer compras sozinha na maior parte do tempo com a certeza de que não serei seguida ou perseguida&#8221;). Embora a maioria das vantagens sociais enumeradas na lista de McIntosh sejam verdadeiras, o ensaio não dá ao leitor a certeza sobre o que fazer com seu novo conhecimento sobre as vantagens dentro da sociedade.</p>
<p>A própria McIntosh admite na conclusão de seu ensaio que a percepção dos próprios privilégios não é suficiente para combatê-los. &#8220;Me foi ensinado que o racismo poderia acabar se os brancos mudassem suas atitudes&#8221;, lembra ela. &#8220;Atos individuais podem amenizar, mas não podem acabar com esses problemas&#8221;. Como, então, a análise dos privilégios pode ajudar a acabar com a desigualdade estrutural? McIntosh parece apontar para alguns tipos de reformas governamentais, sem dar respostas definitivas. Na penúltima frase de seu ensaio, ela mesma pergunta: &#8220;O que faremos com esse conhecimento?&#8221;</p>
<p>Se a consciência dos próprios privilégios não é suficiente para acabar com a opressão, a própria estrutura analítica parece pouco mais que um exercício de alívio da culpa sentida pelos brancos. Qual seria seu benefício? A culpa branca não vai impedir que os policiais parem indivíduos negros. A culpa branca não vai ajudar uma família a escapar do ciclo de pobreza em que seus antepassados ficaram presos por séculos. Como explicou o Midwest Critical Whiteness Collective em um artigo no outono de 2013 para o <a href="http://hepg.org/her-home/issues/harvard-educational-review-volume-83-number-3/herarticle/how-teacher-education%E2%80%99s-focus-on-white-privilege-u">Harvard Educational Review</a>, &#8220;embora a leitura e o trabalho com o ensaio de McIntosh seja um exercício de conscientização para indivíduos brancos, seu texto não nos ajuda no entendimento e no desmonte da supremacia branca sistêmica&#8221;.</p>
<p>O conceito de privilégio não apenas ignora a ação, mas também ignora a opressão. McIntosh deixa claro que se tratam de conceitos separados na primeira frase, destacando a &#8220;frequência com que homens não estão dispostos a conceder que dispõem de mais privilégios, embora possam conceder que as mulheres estão em posição de desvantagem&#8221;. O privilégio, do ponto de vista de McIntosh, é mais que a ausência de opressão: são vantagens especiais concedidas pela sociedade a um grupo seleto de pessoas.</p>
<p>Ao observar sua lista, contudo, parece estranho dizer que se trata de &#8220;mais privilégio&#8221; não ser perseguido ao fazer compras em um supermercado. Afinal, todos deveriam se sentir seguros em um mundo ideal, correto? Não é o objetivo do ativismo antirracista ajudar as minorias a se sentirem bem vindas e &#8220;normais&#8221; em todas as facetas da vida pública, institucional e social? Nesse sentido, McIntosh parece confundir privilégios e direitos humanos, como explica o filósofo de estudos africanos Lewis Gordon em sua compilação sobre raça <em><a href="http://books.google.com/books/about/What_White_Looks_Like.html?id=wY3p8sE4de0C">What White Looks Like</a></em>:</p>
<blockquote><p>Um privilégio é algo de que nem todos precisam, mas direitos são o oposto. Dada essa distinção, surge uma dimensão mais insidiosa do argumento do privilégio branco. Ele requer que condenemos os brancos por possuir, concretamente, as características da vida contemporânea que deveriam estar disponíveis para todos. Se isso estiver correto, como podemos esperar que os brancos abram mão delas?</p></blockquote>
<p>A preocupação de McIntosh com a crítica dos privilégios de que todos deveriam desfrutar é priorizada em detrimento da luta contra a opressão que ninguém deveria sofrer. Não se engane, porém: há várias diferenças entre como as classes socioeconômicas lidam com a vida cotidiana. Contudo, a resposta a essas desigualdades não é oprimindo as pessoas que desfrutam de privilégios devidos, mas elevando aquelas que não os possuem através da ação política.</p>
<p><em>Traduzido para o português por <a href="http://c4ss.org/content/author/erick-vasconcelos">Erick Vasconcelos</a>.</em></p>
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