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	<title>Center for a Stateless Society &#187; aborto</title>
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		<title>A criminalização do aborto e suas vítimas</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Sep 2014 00:00:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Valdenor Júnior]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Jandira Magdalena dos Santos desapareceu após realizar um aborto clandestino no último dia 26 de agosto. Seu último contato com o ex-marido, Leandro Brito Reis, deixa claro que ela pressentiu o perigo que estava correndo: na última mensagem enviada do celular, ela escreveu: “Amor mandaram desligar o telefone, tô em pânico, ore por mim!”. Duas horas depois de receber esta mensagem, Leandro enviou mensagem de celular para saber de notícias, mas não houve resposta.</p>
<p>A tragédia de Jandira vem juntar-se à tragédia de milhares de mulheres brasileiras, que realizam abortos em condições inseguras ou perigosas porque o estado brasileiro proíbe o aborto.</p>
<p>Estima-se que sejam feitos 1 milhão de abortos por ano no Brasil. Na América Latina, 95% dos abortos são inseguros, o que, segundo o ginecologista e obstetra representante do Grupo de Estudos do Aborto (GEA) <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2013-09-20/clandestinas-retratos-do-brasil-de-1-milhao-de-abortos-clandestinos-por-ano.html">Jefferson Drezett</a>, é a interrupção da gravidez praticada por um indivíduo sem prática, habilidade e conhecimentos necessários ou em ambiente sem condições de higiene.</p>
<p>O Conselho Federal de medicina já reconhece que o aborto de risco é a quinta causa mais comum de <a href="http://noticias.r7.com/saude/aborto-e-a-quinta-causa-de-mortalidade-materna-segundo-conselho-federal-medicina-21032013">mortalidade materna</a>. Muitas dessas mulheres ou morreram ou ficam com sequelas irreversíveis em seus corpos.</p>
<p>Algumas dessas mulheres foram estupradas, mas, mesmo a legislação permitindo o aborto neste caso, até a aprovação da <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12845.htm">lei de 2013</a> que obriga o atendimento em hospitais públicos, era muito difícil realizá-lo pelo SUS, que atende mulheres pobres. Sem essa lei, milhares de mulheres estavam desprotegidas, privadas de um direito básico em face da violência sexual sofrida, especialmente as mais pobres. A bancada conservadora e religiosa no Congresso pretende revogar esta lei. Fica a pergunta: é justo que esse poder de privar mulheres de direitos civis esteja nas mãos do Congresso?</p>
<p>Concordo com o jurista norte-americano Ronald Dworkin, em seu livro <em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?isbn=8533615604):">O Domínio da Vida</a></em>, que afirma que as pessoas desejam proibir o aborto, porque entendem que há um valor sagrado na vida que deve ser preservado. Mas esse valor sagrado da vida é avaliado por pessoas diferentes de formas diferentes. É perfeitamente possível que a decisão pelo aborto seja tomada levando-se em conta se realmente é valorizar a vida prosseguir com uma gravidez indesejada e sem condições de suporte à futura criança. Não é o estado quem deve tomar essa decisão; quem deve pesar esta decisão moral é a pessoa que mais sofrerá as consequências dela em seu corpo e em sua mente: a mãe.</p>
<p>A <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2013-09-20/clandestinas-retratos-do-brasil-de-1-milhao-de-abortos-clandestinos-por-ano.html">história de Marta</a> (nome fictício) é paradigmática. Mulher, 37 anos, pobre, com instrução apenas até o 1º grau, mãe solteira de 3 filhos pequenos, que vinha de um histórico de abandono por parte dos pais das crianças (inclusive o da gravidez que interrompeu) e estava desempregada quando, em 2010, em um ato de desespero, comprou um remédio abortivo por 250 reais, tirados de sua única fonte de sobrevivência, a pensão da filha, o qual (por ter sido aplicado incorretamente) ocasionou sangramento e fortes dores. Marta foi levada ao banco dos réus pelo crime de aborto, denunciada pela médica que a atendeu, e aceitou assinar uma confissão para obter a suspensão condicional do processo.</p>
<p>A bancada conservadora e religiosa do Congresso é que sabe qual deveria ter sido a decisão desta mulher nas difíceis circunstâncias em que se encontrava?</p>
<p>Alguns dirão que é a tradição histórica da sociedade que deve prevalecer. A mesma tradição que, conforme denunciou a anarquista individualista <a href="http://mercadopopular.org/2014/05/seduzidas-e-desonradas/">Maria Lacerda de Moura</a>, consagrou a “miserável moral de coronéis, de covardes e cretinos” que condenava as mulheres desviantes às “portas da prostituição barata das calçadas, com todo o seu cortejo de misérias, de sífilis, de bordeis, de humilhações, do hospital e da vala comum”?</p>
<p>Jandira desapareceu. Talvez nunca saibamos o que exatamente ocorreu. Mas nós sabemos como evitar que mais Jandiras desapareçam e morram em nome de uma falsa moralidade: acabando com o poder do estado sobre os corpos das mulheres. Se necessário, por meio de <a href="http://c4ss.org/content/27531">ação direta</a>: a ONG holandesa <em>Women on Waves Foundation</em> (Fundação Mulheres sobre as Ondas) pretende oferecer a <a href="http://www.istoe.com.br/reportagens/38416_ABORTO+EM+ALTO+MAR">opção do aborto</a> a mulheres que moram em países onde a prática é ilegal, em uma embarcação em águas internacionais, onde as leis de criminalização do aborto não vigem.</p>
<p>Precisamos de <a href="http://c4ss.org/content/27977">menos espaços de poder</a> para oprimir as mulheres e mais autonomia feminina para controlar seus corpos e tomar importantes decisões morais por si mesmas, como aquelas relativas à gravidez.  Caso contrário, as mulheres brasileiras não estarão seguras contra a opressão social e a agressão estatal.</p>
 <p><a href="http://c4ss.org/?flattrss_redirect&amp;id=31670&amp;md5=c28e052b4f5f88d224c62e19973b3b4d" title="Flattr" target="_blank"><img src="http://c4ss.org/wp-content/themes/center2013/images/flattr.png" alt="flattr this!"/></a></p>]]></content:encoded>
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