Center for a Stateless Society
A Left Market Anarchist Think Tank & Media Center
Diálogo Com um Jovem Comunista

The following article is translated into Portuguese from the English original, written by Brad Spangler.

Falei no Encontro Libertem Bradley Manning em Leavenworth, KS ontem. Minhas observações constituíram a página frontal deste documento.

Abaixo o exemplar ligeirmente editado da conversa subsequente que venho mantendo no Facebook com uma pessoa que me ouviu falar.

Ben: Oi, eu sou Ben Brungardt! Estive no encontro hoje. Não sei se você me viu, eu estava com uma camiseta Vladimir Lenin. De qualquer forma, não tive oportunidade de falar com você mas gostaria de dizer que seu discurso foi assombroso e muito emocionante, e gostaria de saber se há alguma forma de eu ficar mais envolvido. Obrigado.

Brad: Oi, Ben! Há todo tipo de coisa para fazer que talvez devesse ser feita. A parte delicada é conceber como melhor aplicar seus tempo, energia e recursos escassos.

Um bom começo é a autoeducação. Estamos numa guerra de ideias que não será vencida facilmente. São necessários defensores dessas ideias.

Fale-me algo de seus antecedentes no tocante a seu interesse em política radical — de onde você vem, o que tem interessado e influencido você, e assim por diante.

Ficarei feliz em fazer o mesmo.

Ben: Bem, cresci numa família de mente muito aberta. Meu pai foi professor de sociologia durante 35 anos e sempre se considerou marxista ‘moderado.’ Eu estava aí pela 8a. série quando realmente decidi aprender por mim próprio política radical, fora dos livros didáticos e de pessoas que tinham interesses pessoais em fazer com que eu fosse moderado. Então, quando descobri pela primeira vez o socialismo na 8a. série foi incrível. Assim, continuei sendo marxista até por volta da época quando Obama foi eleito, aquilo realmente motivou-me a ser ainda mais sério e a estudar mais. Então estudei Noam Chomsky, Eugene V. Debs, Henry David Thoreau, Peter Kropotkin, e estudei mais filosofia e política por conta própria. Embora eu tenha absorvido aqui e ali partes de diferentes escolas de pensamento, estou consolidado no pensamento radical de esquerda comunista, anarquista e anticapitalista. Assim, eu diria que minha base está consolidada na esquerda radical, e situo-me em algum ponto entre um anarquista coletivista e um leninista.

Brad: Muito bem. Bem, eu sou aquilo que algumas pessoas chamariam de  “petit bourgeouis individualiste“. Considero-me “anticapitalista”, mas minha concepção de “capitalismo” é a de ele consistir de monopolização do capital estimulada pelo estado, e não no comércio em si. Em termos de teoria econômica, sou um sujeito radical de “livre mercado” — mas livre mercado de verdade, voltado para extinguir o sistema de privilégios e subsídios politicamente concedidos que torna o presente sistema econômico opressor das pessoas comuns como nós, em minha opinião.

Incorri em bastante hostilidade da parte dos comunistas anarquistas porque grande parte das mais fortes influências que sofri veio de pessoas que adotaram um rótulo a respeito do qual discordo delas — o assim chamado “anarcocapitalismo“. Eu próprio me chamei assim por muitos anos, antes de ser persuadido a mudar de opinião a esse respeito (e, assim, agora me considero anticapitalista) pelo sujeito que escreveu o seguinte, que recomendo:

O PUNHO DE AÇO POR TRÁS DA MÃO INVISÍVEL: Capitalismo Corporativo Como Sistema de Privilégios Garantido pelo Estado, por Kevin A. Carson

Excerto: O senhorialismo, comumente, é reconhecido como fundado em roubo e usurpação; uma classe dominante estabeleceu-se pela força e, em seguida, compeliu os camponeses a trabalhar em proveito de seus senhores. Contudo, nenhum sistema de exploração, inclusive o capitalismo, foi jamais criado pela ação do livre mercado. O capitalismo baseou-se num ato de roubo tão colossal quanto o feudalismo. Ele vem sendo sustentado até o presente por contínua intervenção do estado, que protege seu sistema de privilégios sem o qual sua sobrevivência é inimaginável.

A atual estrutura da propriedade do capital e da organização da produção em nossa assim chamada economia de “mercado” reflete intervenção coercitiva do estado anterior e extrínseca ao mercado. Desde o início da revolução industrial o que é nostalgicamente chamado de “laissez-faire” foi de fato um sistema de contínua intervenção do estado para subsidiar acumulação, garantir privilégios e manter disciplina de trabalho.

A maior parte dessa intervenção é tacitamente assumida pelos libertários majoritários de direita como parte de um sistema de “mercado.” Embora algumas poucas pessoas intelectualmente honestas como Rothbard e Hess estivessem dispostas a examinar o papel da coerção na criação do capitalismo, a escola de Chicago e os Randroides tomam as relações de propriedade e o poder de classe como dados. O “livre mercado” ideal deles é meramente o sistema atual menos o estado regulamentador e assistencialista — isto é, o capitalismo inescrupuloso do século dezenove.

Os mercados genuínos, contudo, são prezados pela esquerda libertária, e não abriremos mão da palavra para nossos inimigos. Na verdade, o capitalismo – um sistema de poder no qual propriedade e controle estão divorciados do trabalho — não conseguiria sobreviver num livre mercado.

Eu sugeriria que você lesse o artigo inteiro e pensasse. Faça-me quaisquer perguntas que desejar. Se você desejar examinar melhor essa escola de pensamento, posso remetê-lo a mais recursos. Se o assunto não interessar você, eu também poderei provavelmente ajudar a orientar você para material que possa interessá-lo.

Ben: É realmente uma posição interessante. Posso entender perfeitamente suas origens. Acho ótimo que duas ideologias que batem de frente possam, de algum modo, pôr-se de acordo em muito terreno comum. Há muitos aspectos do Mutulismo dos quais realmente gosto e com os quais me identifico, e esse artigo foi interessante porque toda vez que ouvi falar em ‘livre mercado’ nunca parei para pensar o que seria realmente ‘livre mercado.’ Muito, muito bom artigo e também muito estimulante.

Quanto a perguntas, tenho algumas. Obviamente, as mudanças que defendemos exigirão uma revolução; assim, qual é sua opinião acerca de, ou o quanto são importantes para você, coisas tais como democracia plena no local de trabalho(*) e assim por diante? Minha outra pergunta é que, no encontro, recebi muitos panfletos para filiar-me à Trabalhadores Industriais do Mundo – IWW, venho querendo fazê-lo, e todos os meus amigos marxistas vêm-me sugerindo que o faça. Imagino se você não poderia dar-me sua opinião a respeito. Muito obrigado. (* workplace democracy – Aplicação da democracia em todas as suas formas no local de trabalho (sistemas de votação, debates, estruturação democrática, devido processo legal, processos adversariais (resolução de conflitos), sistemas de apelação e assim por diante. Ver Wikipedia.)

Brad: Você poderia dizer que sou favorável a tudo o que for voluntário. Acredito que a democracia plena no local de trabalho seria a norma numa sociedade livre e saudável. Entretanto, num lugar onde pessoas livres decidam, entre elas, que uma delas poderia especializar-se em trabalho administrativo diante de necessidades específicas delas, está bem também.

O problema do statu quo, como o vejo, é que a abordagem de cima para baixo é empurrada goela abaixo das pessoas mediante a subtração de alternativas, pela força. A democracia plena no local de trabalho pode até não ser tornada explicitamente ilegal, mas a classe dominante tem todo o poder de barganha graças a todo o favoritismo que obtém do estado — e pois o trabalhador, normalmente, não tem escolha a não ser entrar numa relação “voluntária” de emprego com a classe dominante, na qual esta é quem estabelece todo o conjunto de regras.

Imagine gado sendo tangido para dentro de um curral. Ele não é, em realidade, empurrado portão a dentro. Ocorre apenas que toda *outra* direção na qual ele tente ir estará eivada de obstáculos postos deliberadamente no caminho. No caso de trabalhadores no capitalismo, o arrebanhamento é conseguido pela monopolização do capital nas mãos de uma classe dominante aliada do estado e de privilégios garantidos pelo estado — coisas tais como exigências de licenciamento e enorme quantidade de normas que funcionam no sentido de impedir autoemprego das pessoas, se elas não tiverem os recursos para lidar com todos os custos adicionais burocráticos que esse tipo de situação despeja sobre elas.

Considere… o que seria realmente necessário para você começar a trabalhar por si próprio como taxista autoempregado? Um carro, um celular e talvez $50 dólares de cartões de visita para começar. Prova de seguro poderia ser útil para mostrar a clientes difíceis preocupados com segurança.

Esses são praticamente os custos naturais. Os custosartificiais, contudo, são enormes…

Você não pode simplesmente começar a guiar um táxi independentemente assim, no capitalismo, sem se arriscar a ser sequestrado por pessoas que chamariam esse sequestro de “detenção”. Você terá de pagar elevada quantia por licenças especiais. Terá o custo de atender a diversas exigências especiais que acompanham tais licenças.

Então, amiúde a pessoa terá pouca escolha real acerca de se ou não empregar-se trabalhando para outra pessoa, no presente sistema.

Quanto à IWW, sou admirador e apoiador. Era membro, mas tive de deixar minha condição de membro caducar porque ocupo uma posição figurativa de “chefe” num dos projetos em que envolvido.

Contudo, obviamente, você não perguntou apenas o que eu achava da democracia plena no local de trabalho e, pois, deixe-me tentar dar a você resposta melhor para a pergunta que você em realidade fez.

“Obviamente, as mudanças que defendemos exigirão uma revolução; assim, qual é sua opinião acerca de, ou o quanto são importantes para você, coisas tais como democracia plena no local de trabalho e assim por diante?”

Tenho ponto de vista específico acerca do que é mais importante em termos de teoria revolucionária, mas também estimo que uma série de abordagens diversificadas tornará as coisas ainda mais difíceis de lidar para o estado. A burocracia não é ágil, e isso trabalha em favor de todas as facções genuinamente antiautoritárias.

Talvez eu vá ter que percorrer muito terreno para dar a você uma boa resposta e, pois, permita-me dar-lhe primeiro uma resposta curta. Minha perspectiva é a de que a democracia plena no local de trabalho não é uma consideração primária, mas poderá ser uma importante consideração secundária.

Dar a você uma resposta abrangente implicará em ter de falar de teoria revolucionária — e antes de eu entrar no assunto, poderá ser útil lembrar você da distinção de Proudhon entre a revolução política e a revolução social.

Não é que eu ache que “esmigalhar o estado” e assim libertar o mercado tornará tudo magicamente certo imediatamente. É apenas que o estancamento dos danos ininterruptos infligidos pelo estado resultará em um ambiente “legal” que corresponderá ao rótulo de “livre mercado” usado por economistas acadêmicos.

Não temos de esperar que o estado sucumba para tentarmos lidar com esses danos ininterruptos por meio de métodos voluntários e não autoritários tais como ajuda mútua — mas nossos esforços só serão completamente bem-sucedidos quando o estado não mais existir e deixar de infligir esses danos ininterruptos. Além disso, lidar com esses danos — sanando os danos causados à sociedade — ainda levará tempo depois do ponto no qual possamos honestamente dizer que o estado foi extinto.

A boa notícia é a de que a sociedade não apenas deseja administrar-se a si própria, mas também tenta sanar-se. A teoria econômica do livre mercado descreve parte desse processo — por que a riqueza tenderá a equalizar-se ao longo do tempo por meio da competição plena (porque, sem o estado, não haverá como impedir que pessoas pobres façam coisas que as beneficiem). Entanto, ajuda mútua e cooperação social também se encaixam nessa visão.

De qualquer forma, o ponto é que temos tanto o problema da revolução social quanto o problema distinto (e também mais estreito mas muito difícil) darevolução política para lidar com. Assim, quando eu falar a partir de agora de teoria revolucionária, estarei falando principalmente da revolução política. Ou, mais precisamente, da revolução antipolítica.

Tratemos da teoria revolucionária e, especificamente, da revolução política/antipolítica de substituir o estado por meios alternativos de proporcionar segurança e “lei” no sentido de resolução de disputas. Sob certos aspectos, você poderá querer tratar isto como uma espécie de guia de estudo. Remeterei você a uma penca de material que explica mais plenamente as respostas básicas que darei a você aqui.

A ciência política majoritária tem tendido a, desde o início do século 20, usar a definição de estado do sociólogo Max Weber — um “monopólio do uso legítimo da violência”.

Pode-se dizer que a crítica anarquista a Weber afirma ele meramente asseverar ou assumir essa “legitimidade” sem de fato demonstrá-la ou prová-la. A noção de um “contrato social” não escrito supostamente descrevendo a base da autoridade do estado não resiste à análise crítica. Apelos pela necessidade de lei e segurança nada fazem no sentido de justificar um monopólio do fornecimento de tais serviços. Gosto de ridicularizar os assim chamados “constitucionalistas” chamando a abordagem deles, de veneração de documentos para legitimarem a autoridade do estado, de “teoria do pergaminho mágico,” a qual foi devastada por pessoas tais como Lysander Spooner e Larken Rose.

A definição de Weber, contudo, pode ser útil para nós se a tomarmos simplesmente como um enunciado descritivo. Não se é obrigado a reconhecer nenhuma legitimidade real da autoridade do estado para reconhecer que o que torna o estado um estado é a generalizada*percepção* do público de que a autoridade dele é legítima. La Boetie tocou no mesmo ponto há vários séculos, em seu muito importante “Discurso Acerca da Servidão Voluntária“.

Assim, pois, basicamente, esse provedor de serviços de monopólio abusivo mantém esse monopólio não apenas por meio de agressão impiedosa e brutal como também mediante levar as pessoas a pensar que esse é o único modo de as coisas serem e que o estado é integrado ou pelos “mocinhos” ou pelo menos “os bandidos não tão ruins e os melhores que podemos esperar“.

Mudança social radical pode, portanto, ser vista como dependente de promover-se mudança nas percepções do público. Expor as mentiras. Responder às objeções. Refutar os mitos.

Então, como mencionei ontem, extinguir um monopólio significa abrir a competição. É simples assim — e também é complexo assim, em termos de como fazer para conseguir isso. Antes de sequer tratarmos de como conseguir isso, precisamos ter nós próprios confiança na competição plena e ser capazes de refutar objeções à própria proposta dela. O próprio fato de ser-se capaz de proporcionar conhecimento às pessoas a respeito disso golpeia o cerne da percepção do estado como legítimo, quando essa legitimidade é apresentada como nascendo da necessidade.

Portanto… Preciso dirigir sua atenção para o tratamento de como lei e segurança poderiam ser oferecidas sem o estado (isto é, o provedor de serviços monopolizados de lei e segurança) por meio da competição plena. Depois então poderemos tratar de como ir daqui até lá.

Minha mais enfática recomendação de um livro curto e muito fácil de ler a respeito desse tópico refere-se a um do economista da escola austríaca Robert Murphy, “Teoria do Caos: Dois Ensaios Acerca de Anarquia de Mercado”[PDF]. Infelizmente Murphy usa a expressão “anarcocapitalismo” para descrever seus pontos de vista. Peço a você apenas faça um desconto quanto a isso e tenha em mente que as empresas que ele descreve poderiam com a mesma facilidade ser cooperativas de propriedade de trabalhadores geridas democraticamente.

Eis aqui dois artigos de acompanhamento que você poderia achar particularmente úteis depois de ler “Teoria do Caos“.

“Mas Então os Déspotas Não Tomariam o Poder?” também de Murphy

“Anarquismo Libertário: Respostas a Dez Objeções” pelo Professor Roderick Long

Se você quiser algo mais maciço, o livro que inicialmente convenceu-me em 1990 foi “Por uma Nova Liberdade: O Manifesto Libertário” de Murray N. Rothbard, que você poderá ler grátis online. Ele também cobre, porém, muito mais terreno do que apenas lei policêntrica e, portanto, não se sinta como tendo de atacar esse livro imediatamente. Apenas ele está lá, se você quiser profundidade adicional.

De qualquer forma, todo esse material deverá dar a você boa apreensão da ideia básica de como esses serviços podem ser proporcionados sem o estado. Uma vez tenhamos bom entendimento (bem-informado por competente teoria econômica) de como lei e segurança podem ser proporcionadas via competição plena entre provedores de serviços, teremos meta clara.

A principal objeção ao estado da parte de um libertário de livre mercado sério é que a ação do estado é, demonstravelmente, comportamento inerentemente criminoso em termos de violar direitos humanos intrínsecos. Eu próprio poderia desenvolver esse ponto, mas poderá ser mais apropriado apenas remeter você a uma explicação clássica da ética individualista, uma apresentação em vídeo intitulada “A Filosofia da Liberdade“.

A ideia central, contudo, que você deve obter dali já foi objeto de alusão acima. O estado é uma quadrilha de bandoleiros com bandeiras e bom departamento de relações públicas. Nada mais. Todos os estados. Todo estado, na medida em que se enquadre na definição de estado de Weber.

Do mesmo modo que, num sistema policêntrico de lei e segurança, um mercado emancipado desses serviços protegeria as pessoas de criminosos ordinários, também as protegeria de quadrilhas de bandoleiros comuns. Do mesmo modo que as protegeria de quadrilhas de bandoleiros comuns, também impediria que quadrilhas de bandoleiros ganhassem brecha suficiente para usar terror e mentiras para criar ilusão de legitimidade tornando-se novos estados.

Isto, portanto, mostra-nos mais precisamente como livrar-nos do estado.

A tarefa diante de nós é dar início a competição nas áreas decisivas que o estado monopoliza — serviços de “lei” e segurança. Em o fazendo, o próprio estado será suprimido como atividade criminosa.

A partir dessa compreensão poderemos desenvolver um plano de ação para atingir essa meta. Em realidade, acabaremos de posse de uma coleção ou classe de planos metodologicamente delineados que as pessoas poderão individualmente escolher por si próprias apoiar ou não e em que medida ou em que papel.

Samuel Edward Konkin III foi aluno dissidente de Rothbard que desenvolveu uma abordagem para essa tarefa de dar início a competição plena e esmagar o monopólio do governo. Chamou sua escola utra-rothbardiana de pensamento a esse respeito de “agorismo,” da palavra grega “ágora”, significando local de mercado. Eis como ele resumiu sucintamente o agorismo há alguns anos.

Agorismo é anarquismo revolucionário de mercado.

Numa sociedade anarquista de mercado, lei e segurança seriam proporcionadas por agentes de mercado em vez de por instituições políticas. Os agoristas reconhecem essa situação não poder ser desenvolvida por meio de reforma política. Pelo contrário, surgirá como resultado de processos de mercado.

Como o estado é bandidagem, a revolução culmina na supressão do estado criminoso por provedores de mercado de segurança e lei. A demanda do mercado por esses provedores de serviços é o que levará a seu surgimento. O desenvolvimento dessa demanda virá do crescimento econômico no setor da economia que explicitamente é avesso a envolvimento do estado (e portanto não tem como voltar-se para o estado em seu papel de provedor monopolista de segurança e lei). Esse setor da economia é a contraeconomia – os mercados negro e cinza.

Ora bem, como eu já disse mais do que algumas vezes, não estou necessariamente dizendo a você que saia correndo e vá tentar montar seu próprio negócio de tráfico de heroína. É apenas que, mediante trabalharem para destruir o mito da legitimidade do estado, as pessoas cada vez mais tomarão decisões a respeito de se ou não violar leis injustas, com base em análise desapaixonada de custo e benefício em vez de complexos de culpa estatistas. Onde a violação de tais éditos estatistas produzir nova riqueza elas tenderão a repeti-la, especialmente se não tiverem a tal falsa culpa a atormentá-las. Isso tem o potencial de criar um processo de crescimento econômico tipo “bola de neve,” particularmente numa era de crises econômicas induzidas pelo estado na qual as pessoas enfrentam escolhas difíceis acerca de como assegurar subsistência.

À medida que a economia subterrânea crescer haverá cada vez maior demanda para serviços de resolução de disputas e de segurança — de início clandestinos, mas tornando-se mais fortes à medida que nova riqueza for sendo gerada por meio de atividade produtiva oculta do estado. Por fim, a nova sociedade sairá da concha da antiga ordem dentro da qual foi construída — uma espécie de versão de livre mercado da estratégia de dualidade de poderes com a qual você talvez já esteja familiarizado.

Para investigar adicionalmente o assunto, as leituras a seguir são essenciais:

“Novo Manifesto Libertário” por Samuel Edward Konkin III

“Teoria Agorista de Classes” por Wally Conger (inspirado na obra inacabada de Konkin)

Há também alguns vídeos nos quais apareço os quais podem explicar mais.

Brad Spangler acerca de Sua Jornada rumo à Adoção do Agorismo

Lei Sem Estado e Contraeconomia (versão editada de uma palestra ao vivo online que proferi anteriormente este ano intitulada “A Elaboração de Sistemas Jurídicos Alternativos”)

Pois bem, como se encaixa nisso a democracia plena no local de trabalho, tal como a entendo? Tratarei disso a seguir.

Já vimos que a concepção agorista de revolução é essencialmente questão de desenvolvimento do mercado. Temos como objetivo mudar as percepções do público de maneira a criar espaço para que provedores alternativos de serviços se desenvolvam clandestinamente, tornem-se mais fortes e finalmente emerjam de forma institucionalizada e desalojem o estado ao fazê-lo.

Como já disse acima, estimo que uma série de abordagens diversificadas tornará as coisas ainda mais difíceis de lidar para o estado. Também expliquei capitalismo como ordem econômica opressora caracterizada pelo monopólio do capital nas mãos de uma classe dominante aliada do estado, resultando em os trabalhadores terem pouca escolha fora venderem-se nas condições ditadas pela classe dominante.

Eu deveria talvez acrescentar que mesmo um estado leninista qualificar-se-ia como capitalista nesse sentido, porque o monopólio da lei pelo estado permite-lhe colocar o capital onde desejar via expropriação. Vimos, na União Soviética, que burocratas do estado tornaram-se eles próprios novos capitalistas — porque, a despeito de não possuírem oficialmente os meios de produção, exerciam propriedade de fato dos meios de produção como coletividade burocrática.

Mesmo a chacina por atacado da classe dominante e de qualquer outra pessoa mesmo vagamente vinculada a ela, na linha do praticado por Pol Pot e pelo Khmer Rouge, não resolveria esse problema. Enquanto houver um estado para exercer o poder haverá necessariamente uma classe dominante parasitária que estabelece as regras e beneficia-se delas como saqueadora da maioria produtiva mas oprimida.

Para realmente esmagar o capitalismo e sanar os danos sociais que ele cria, que é de onde mesmo obtemos a palavra “socialista” que usamos para descrever a nós próprios, temos que primeiro esmagar o estatismo.

Como é que a noção socialista libertária clássica de lutar por democracia plena no local de trabalho encaixa-se aqui como consideração secundária potencialmente importante? Pelo menos de duas maneiras…

Primeiro, as grandes corporações que dominam a economia mundial melhor podem ser entendidas como instrumentos dos saqueadores da classe dominante mediante a influência delas sobre as políticas do estado. Assediá-las está perfeitamente certo em termos de ética libertária e é literalmente uma luta no sentido de assegurar que o crime não compense. Também poderá reduzir o incentivo que elas têm para obter os favores do estado.

Infelizmente, em minha opinião, existe uma tendência de essas coisas não serem entendidas com precisão. Será que eu acharia certo, por exemplo, alguém procurar tornar infeliz a vida do chefe em emprego como caixa numa pequena loja familiar, ou apertando parafusos numa oficina de silenciosos para automóvel? Bem, você é livre para fazer o que quiser, mas minha opinião é a de que isso só faria sentido se o chefe fosse o primeiro a não medir esforços para tornar a sua vida infeliz — mas, nesse caso, talvez a melhor alternativa fosse simplesmente procurar outro emprego.

Em segundo lugar, e mais importante, pessoas que busquem democracia plena no local de trabalho e que em realidade não se poupem o trabalho de criar uma nova cooperativa de propriedade de trabalhadores são empreendedoras. Criar atividade empreendedora é exatamente a que diz respeito o agorismo. Mesmo que o empreendimento fracasse as pessoas aprendem importantes destrezas que poderão aplicar mais tarde em outros negócios.

Meu amigo Wally Conger, autor de Teoria Agorista de Classes, oferece aconselhamento de negócios para pessoas que procuram abrir seus próprios negócios, tornarem-se autônomas, tornarem-se autoempregadas ou qual seja a expressão que se queira usar. O lema do website dele realmente diz tudo…

“Esmagar a escravidão dos salários um emprego por vez”.

Em conclusão, quem estaria a fim de usar o suor de seu rosto para apoiar algum sujeito enfatiotado que a maior parte do tempo só fica criando dificuldades acrescentando regras desnecessárias ou então só tornando as coisas mais difíceis do que elas têm de ser? Definitivamente, liberte-se, e liberte seus amigos, da melhor forma que puder, dos tiranetes do local convencional de trabalho.

ADENDO: Ben continua cético mas interessado.

Artigo original afixado por Brad Spangler em 5 de junho de 2011.

Traduzido do inglês por Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme.